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Reta final para 2010, olhos abertos para 2014

Caros amigos da Universidade do Fubebol,

Estamos chegando a um momento crucial para o futebol no Brasil. Estamos na reta final para os preparativos da Copa do Mundo da África do Sul, a primeira no continente africano e que antecede o mundial no nosso país. 

A grande oportunidade de receber uma Copa do Mundo reside nas heranças que ela pode deixar no país sede. E aqui, nos preocupamos com as heranças que ela pode deixar no nosso futebol local.

Para se aproveitar o “momentum” da Copa, todos aqueles envolvidos na organização do nosso futebol devem adotar uma postura pró-ativa/consciente, para não que não se perca nenhuma chance. Os olhos do futebol no mundo estarão voltados para nós, e temos que tirar o melhor proveito disso.

O futebol precisa ser sustentável. Precisa de solidariedade entre os clubes participantes, precisa tratar os jovens jogadores da melhor e mais adequada forma, precisa explorar ao máximo o seu potencial social, para promover uma maior integração social e cultural.

Quando temos a Copa organizada em nosso país, temos que procurar trazer parceiros interessantes para viabilizar esses propósitos. Temos que aprender com outros clubes, outras federações e ligas, como se pode canalizar a força do futebol para promover uma maior justiça social. 

Temos que procurar melhorar nossos estádios, dar mais conforto ao torcedor, mas também não esquecer da classe menos favorecida, que também movimenta o futebol e é apaixonada. Que precisa do futebol para sobreviver no seu duro dia-a-dia com felicidade e dignidade.

Quem observa o futebol como uma oportunidade pontual de lucrar não pode, e não deve prosperar. Porque o futebol precisa de pessoas que além de retirar coisas, tabmém acrescentem. 

Nesse prisma, vamos olhar para esse momento da Copa e não permitir que a corrupção, o desvio de verbas, tome lugar. A transparência e o acesso a informação são a chave para o sucesso. Só assim teremos uma herança garantida ao nosso futebol, assegurando a efetiva implementação de sua real função social.

A hora é agora. Quando piscarmos os olhos, a Copa da África já terá passado, e talvez já seja tarde demais. O futebol precisa do Brasil. Mas o brasileiro também precisa do futebol pra viver, assim como o ar que respira.

Vamos cuidar bem do nosso povo e, para tanto, do nosso esporte.

Para interagir com o autor: megale@149.28.100.147

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Lula e o futebol

Antes de começar essa coluna, é importante deixar bem explícito aqui qual é o meu viés político. Nunca votei no Lula, tampouco no PT. Isso não quer dizer, necessariamente, que eu desaprove ostensivamente a política do governo federal atual. Não. Respeito o partido, entendo o seu posicionamento e acredito que desempenha um papel essencial em qualquer sociedade democrática. Mas não engulo muito a retórica, principalmente a extremista. Mas o fato de que muito daquilo que o partido pregava não ter sido feito durante o tempo de governo do Lula me faz aplaudi-los.

Agora que você já sabe qual é a minha opinião sobre o presidente, permita-me tecer algumas palavras a respeito da excelente entrevista realizada pelo programa ‘Bola da Vez’, da ESPN Brasil. Foi a primeira vez, pelo menos que eu tenha visto, que um programa conseguiu conversar com o presidente exclusivamente sobre esportes, em especial o futebol. Em geral, as entrevistas pincelam o assunto, o que não dá às respostas uma legitimidade interpretativa minimamente possível. Eis que o programa nos permitiu ver o que de fato se passa na cabeça da figura maior do nosso Estado.

Em todos os lugares, independente da riqueza, é a postura do Estado que constrói o caminho para a evolução ou para a regressão do esporte. Na Inglaterra, foi a obrigatoriedade imposta pelo governo que obrigou os clubes a transformarem os seus estádios na década de 90. Não fosse por ela, é possível que os estádios ingleses hoje não fossem tão evoluídos, o que implicaria também no atraso da evolução dos estádios em outros lugares do mundo. Na Europa, por sua vez, foi a postura da Comissão governante que obrigou a adequação dos contratos de trabalhos de jogadores a patamares mais próximos de profissionais ordinários. Todas essas mudanças, que foram essenciais para a modernização do futebol, aconteceram por conta da postura do Estado em relação ao esporte.

Na entrevista, Lula deixou claro, por seguidas vezes, como que ele enxerga o futebol no Brasil: como torcedor, corinthiano, apaixonado. E isso não é nada bom. Suas análises a respeito do futebol no país foram construídas por assunções generalizadas e massificadas, que pouco condizem com o que de fato acontece com o esporte no país. Disse ele, por exemplo, que tem que ser bolado um jeito para jogadores de futebol parem de sair do futebol tão cedo e que a Lei Pelé precisa ser readequada, uma vez que ela foi feita pensada nos jogadores, e não nos clubes.

Confesso que quando eu ouvi isso, dei uma pequena risada e balancei a cabeça negativamente. Ora. Um presidente, ex-líder sindical, que foi eleito por um partido que, teoricamente, representa o proletariado, diz – em cadeia nacional – que é preciso repensar uma lei que beneficia os trabalhadores para que ela passe a beneficiar as instituições? Que é preciso dar menos poder ao indivíduo? Onde foi parar o ditado “Quem bate cartão não vota em patrão”?

Em seu favor, Lula argumentou que o problema todo é que, se antes os jogadores eram reféns dos clubes, agora viraram reféns dos empresários, que são os principais beneficiados com a Lei Pelé. Esse é um exemplo explícito de como o discurso massificado é assumido pelo comandante geral do país sem a preocupação com a interpretação mais precisa da realidade.

Tivesse se preocupado em buscar as verdadeiras razões para o cenário atual, ou se pelo menos tivesse sido melhor assessorado a respeito do assunto, o presidente saberia que ninguém nasce escravo de ninguém, muito menos jogador nasce ligado obrigatoriamente a um empresário. O presidente saberia que a grande maioria dos jogadores de futebol que surgem como promessas são pessoas de baixíssima renda, com pouquíssimas perspectivas de vida fora do esporte. Saberia que, por conta disso, quando esse jogador se consolida como uma promessa, ele fica feliz por fechar com um agente por alguns milhares de reais, dinheiro esse que servirá para comprar comida, geladeira, fogão, reformar o telhado da casa, ou suprir qualquer outra necessidade básica a família do jogador possua. Qualquer pessoa de baixa renda que desempenhe uma função busca maximizar a receita no menor tempo possível. E é por isso que ela fecha com empresários, que posteriormente leiloam os direitos econômicos com clubes, o que acaba fazendo com que se ache que o jogador perdeu o controle sobre a sua própria vida. Na verdade, é bem possível que a vida do jogador esteja melhor por conta do empresário do que estaria sem o mesmo. Antes da Lei Pelé, era comum ouvir jogadores reclamando do poder dos clubes. Você já ouviu algum jogador reclamando do poder do seu empresário?

Ao que me pareceu, Lula falou como se estivesse sentado em uma mesa ao redor de amigos, sem muitas pretensões oficiais. E, talvez, o problema seja que ele pense no futebol como apenas um assunto interessante, que é um ótimo passatempo, mas com ramificações incompreensíveis. 

Não encampo a causa dos agentes de futebol, mas encampo a liberdade do indivíduo de tomar suas próprias decisões, ou estar ciente de cedê-la para que alguém mais preparado o faça. Lula, por ser um democrata de esquerda, também pensa assim. O problema, talvez, seja que ele torça muito por um jogo de futebol e que, com isso, deixe de pensá-lo como o complexo fenômeno que de fato é.

Para interagir com o autor: oliver@universidadedofutebol.com.br

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Zezinho do Scout: Fluminense toma virada na estréia

Olá amigos, como de praxe, em toda última terça feira do mês, o espaço é para a análise de um jogo da rodada. E até que fim voltou o futebol, já estava com saudades. Na semana que vem prosseguem os textos sobre estádios, tecnologia e copa do mundo.

O Fluminense reformulou a sua equipe e manteve a sua banca de favorito no Rio, mas, logo na estréia, sofreu um revés para a boa equipe da Cabofriense. Vamos ver o que o scout do jogo nos diz?

Vamos nessa análise partir da variável tempo de jogo para identificar os posicionamentos efetivos das equipes. Uma análise fácil e simples, pois não buscamos nos dados em si as informações do jogo, mas, pelo contrário, partimos de um critério que já serve de parâmetro. È uma possibilidade de análise, confesso que prefiro deixar os dados me indicarem os parâmetros, mas é também possível fazermos o processo inverso.

O posicionamento efetivo dos jogadores é tomado com base no centro de ações de cada jogador e indica algumas coisas interessantes. Onde há um jogador isolado sem ninguém do adversário próximo, a leitura que fazemos é de que nenhum jogador adversário contrapôs alguma ação para as ações que determinado jogador realizou naquela região.

Por exemplo, na figura 1 observamos o 10 da Cabofriense isolado na direita, significa que (sem cruzar com outros dados, que nos dariam exatamente as ações) podemos interpretar que tal jogador realizou ações nessa região tendo como jogador mais próximo que faz alguma ação em contraposição a sua atuação o 3 do Fluminense. Podem ser alguns passes, lançamentos, dribles, que o jogador fez por ali e pelo lado tricolor alguns desarmes, interceptações, etc.

Dificilmente teremos um quadro exato de sobreposição das ações, para cada atacante um defensor colado, mas quanto mais equilibrada for uma equipe, a tendência é sempre ter jogadores contrapondo ações de seus adversários, seja pela proximidade de seus centros de ações ou pelo conjunto de centros de 2 ou mais jogadores.

Vejamos por exemplo a figura 3. No qual os jogadores 10-9-17-7 do Fluminense tem relativa folga de seus opositores, mas observem como o espaço de uma maneira geral é coberto pelos jogadores 4-3-5-7 da Cabofriense, que pelo conjunto acabam fazendo uma boa contraposição de ações. O que não ocorre com o 10 da Cabofriense nas figuras 1, 4 e 5 , estando bem isolado no centro de suas ações.

Nessa dinâmica do jogo podemos observar como as ocorrências vão modificando a característica de cada equipe. Evidente que quando confrontamos tais dados com outras informações de um scout a interpretação tende a ser mais rica e precisa, fazendo valer a capacidade do observador para transformar dados em informação e posteriormente em intervenção.

Deixo para o amigo divagar sobre as imagens e tirar suas conclusões. De forma sucinta descrevo minha análise sobre elementos chaves de cada figura:

Figura 1: Fluminense consegue um domínio da intermediaria ofensiva favorecendo chutes de longa distância e jogadas pelo meio.

Figura 2: A Cabofriense congestiona mais o setor descrito anteriormente e começa a ter mais participação ofensiva dos seus laterais, do jogador 7, tendo seus jogadores 9 e 10 um isolamento maior do seu centro de ações. Sendo o 9 autor do gol de empate.

Figura 3: A Cabofriense inverte ações do jogador 7 com 11, esse último, autor do 2º gol, passa a atuar mais avançado assim como uma maior centralização do lateral 6 e conseqüente maior participação ofensiva também. (Esse lateral foi quem efetua o lançamento para o gol da virada, em jogada pelo meio campo).

Figura 4: O jogo fica mais aberto, com pouca ação no meio campo, sendo que o 10 da Cabofriense continua jogando sem uma ação defensiva do adversário, mais próxima as suas jogadas.

Figura 5: O Fluminense se organiza um pouco melhor e ocupa o campo de uma forma mais distribuída e ofensiva, mas ainda deixa o 10 adversário com muito espaço.

Figura 6: O Fluminense parte para pressão deixando exposta sua defesa, o jogador 8 da Cabofriense, atua completamente isolado, e é justamente esse jogador que daria números finais ao placar.

Bom pessoal, essa é uma análise rápida, que pode parecer oportunista por ser publicada pós jogo, mas tais informações, tendências de posicionamentos, foram observadas durante o jogo e é nesse ponto que acreditamos que a tecnologia do scout pode ajudar no futebol assim como uma telemetria na F1.

Podemos observar que o piloto tem feito uma curva com traçado diferente, mas é a observação das informações que vai detalhar o que de fato esta acontecendo, se é falta de pressão aerodinâmica ou outra coisa, cabendo aos responsáveis tomar a decisão de intervir e evitar uma batida ou abandono.

Abraços e até a próxima,

Zezinho Do Scout

Para interagir com o autor: fantato@universidadedofutebol.com.br

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Não dê bola à bola

Todo início de campeonato é a mesma história. Volta das férias, o jogador ainda tentando se readaptar ao ritmo acordar, treinar, almoçar, treinar. Do outro lado, a imprensa segue algo mais ou menos parecido. Uma volta à rotina de treinos, de entrevistas pós-atividade, de matéria muito mais fácil do que no tenebroso período das férias.

E é exatamente nessa hora que nós percebemos o quanto os jornalistas não se preparam para entrevistar os jogadores nesse período de ressaca do pós-férias e do pré-temporada. Quando a bola rola, o noticiário é pautado pelo resultado dentro de campo. Mas, antes disso, as perguntas sempre giram em torno dos mesmos assuntos.

“Como é chegar ao novo clube?”; “Qual a expectativa de jogar com o fulaninho?”; e a fatídica “O que você achou da nova bola?”.

Oras, quem dá bola para a nova bola?

Sinceramente essa é a pergunta que sempre é feita antes do início da temporada. Antes, com os estaduais no primeiro semestre e o Brasileirão no segundo, o questionamento era feito duas vezes ao ano. Mas, atualmente, a bola no Nacional rola na semana seguinte às decisões estaduais, e com isso a pergunta sobre a bola é esquecida.

Mas qual a utilidade de saber se o jogador gostou da nova bola?

Sinceramente, quando era criança, até achava que essa opinião fazia diferença. Depois, porém, comecei a achar que bola é bola, o que importa é que ela exista. Seja uma lata de refrigerante amassada ou uma redonda de couro, o que precisamos fazer é chutá-la. Ok, no nível profissional até que pode ter diferença, mas realmente não dá para confiar em quem responde as suas impressões sobre a nova bola.

O primeiro argumento lógico é o seguinte: o cara está voltando de férias, ainda pegando o ritmo e não se acostumou com chutar (ou defender) a redonda. É, mais ou menos, como o aluno que volta à aula numa sala nova. Ele sempre vai dizer que preferia a antiga.

Mas vamos pensar também sob a ótica do marketing nessa resposta. No caso do Campeonato Paulista, por exemplo, a bola é fabricada pela Topper. No futebol, a empresa patrocina três jogadores: Jorge Wagner, do São Paulo, Ibson, do Flamengo, e recentemente fechou com Marcos, do Palmeiras.

Todos os outros atletas ou tem contrato com alguma outra marca, ou estão em busca de um. Conclusão: como ele ficaria dando bola para a bola de um fabricante concorrente daquele que o ajuda a pagar as contas no final do mês? Ou para quê o atleta falaria bem da bola da Topper se a marca não o patrocina?

A falta de assunto de volta de temporada sempre gera uma tola discussão sobre a bola do campeonato. E todos que reclamam depois entram em campo e fazem gols ou defesas espetaculares. E qual é a da bola numa hora dessas?

O melhor é parar de dar tanta bola para a bola e deixá-la rolar em paz…

Para interagir com o autor: erich@universidadedofutebol.com.br

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teste teste

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O dilema da riqueza

Dinheiro, dizem, não traz felicidade.Para o Manchester City, no caso, não traz jogador. Muito pelo contrário. Curioso isso.

Boa parte da Indústria do Futebol é movida pela negociação de transferências e salários de jogadores. Como na maioria das vezes clubes e jogadores são movidos pelo dinheiro, quanto mais qualidade um jogador tem, maior é a possibilidade de ele e o clube com o qual ele tem contrato ficarem ricos. E quanto mais dinheiro o clube tem, maior é a possibilidade desse mesmo clube montar um time melhor, com jogadores de qualidade mais reconhecida.

Isso é o que aconteceu com o Chelsea, por exemplo. Pouco depois que o russo adquiriu o clube, disponibilizou fundos jamais vistos antes no mercado e permitiu que o Chelsea montasse um time quase imbatível, com jogadores de grande qualidade em quase todas as posições.

Tendo visto que a fórmula foi um sucesso no time londrino, os donos de Abu Dhabi resolveram aplicar no Manchester City. Dessa vez, pelo menos até agora, não tem dado muito certo.

O problema é que os árabes do City tem muito, mas muito dinheiro. E deixaram isso bem claro para quem quisesse ouvir. Não se importaram em anunciar que iriam montar rapidamente o melhor clube do mundo, com os jogadores mais famosos do planeta. Para isso, começaram com o Robinho. E tentaram dar continuidade agora na janela do meio da temporada, mas sem muito sucesso. A não ser que você considere o Bellamy um craque.

O movimento criado pelo próprio City está os matando. Colocando nas palavras de Ársene Wenger, eles inflacionaram um mercado que estava em deflação. Quer dizer, eles inflacionaram apenas para eles mesmos. Isso foi claríssimo na proposta pelo Kaká, mas também permitiu que o Valencia recusasse uma proposta de 100 milhões de libras pelo Villa e que a Juventus pedisse quase isso pelo Buffon. Não porque esses clubes achem que esses jogadores valham tanto, tampouco esteja precisando desse valor, mas porque eles sabem que o City tem dinheiro para gastar com isso.

Nas também palavras do diretor do Manchester City, os clubes estão aproveitando o interesse deles em alguns jogadores para fazerem propostas que sustentarão o clube por quatro anos. E é claro que o City não está gostando nada disso.

Se os clubes não soubessem que o City tem tanto dinheiro assim, é claro que eles aceitariam vender seus jogadores por valores mais reais, principalmente agora em tempos de crise. Mas a aposta é que o City vai se desesperar e, eventualmente, ter que abrir o bolso para comprar algumas estrelas, seja lá quanto for que elas custarem.

Esse risco pode fazer a indústria entrar em colapso, uma vez que clubes que recusem propostas por jogadores se vejam obrigados a aumentar o salário desses jogadores para compensarem as perdas financeiras de uma eventual transferência. Com isso, clubes aumentarão seus custos em uma época com declínio de receita. E isso, naturalmente, gera problemas.

Ter dinheiro é bom, claro. Mas não adianta nada ter dinheiro se ninguém quer vender nada para você.

Para interagir com o autor: oliver@universidadedofutebol.com.br

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Fonte de informação

Nos últimos dez anos, com a solidificação da internet, o jornalismo tornou-se algo muito mais “simples” de ser praticado. O acesso à informação é atualmente muito mais amplo do que no início dos anos 90, quando as palavras “e-mail” e “internet” não faziam parte do cotidiano do jornalista.

Com a facilidade da internet, a prática do jornalismo foi facilitada pela agilidade na transmissão de dados e, consequentemente, de informações. Afinal, até 1995, mais ou menos, o fax e o telex ainda eram as melhores formas de entrar em contato com uma redação de um jornal, revista, rádio ou TV.

A partir da popularização da internet, o jornalista começou a ser informado sobre pautas pelo e-mail, um modo extremamente eficiente e rápido para comunicar sobre determinado assunto. Se, antes, chegava uma folha de fax numa redação para 50 pessoas, agora as mesmas 50 pessoas recebiam, em sua caixa de e-mail, um comunicado personalizado.

Outra característica arrasadora desse novo momento de se fazer jornalismo foi o recurso do uso da web para pesquisas e buscas de informação na apuração jornalística. Antes, para saber determinado assunto, o repórter tinha de recorrer ao arquivo de sua instituição, nem sempre a mais prática e completa fonte de informação sobre determinada pessoa.

Com a internet, também, pesquisar se tornou algo muito mais simples. Com o “Google” e o “Wikipedia”, então, passou a ser banal descobrir informações sobre determinado tema, pessoa ou lugar a partir das maravilhas do clique do mouse.

Que o diga o poderosíssimo jornal “The Times”, da Inglaterra, e mais diversos outros veículos pelo mundo inteiro. Na semana passada, os britânicos divulgaram uma lista com os 50 jogadores que devem ser notícia no futebol mundial nos próximos anos.

No Brasil, a relação do Times passou a ser reproduzida com a colocação de Hernanes, do São Paulo, em primeiro lugar da lista. Na Moldávia, o levantamento também teria causado frenesi parecido. Explica-se:

Em 30º lugar dessa relação, aparece o nome de Masal Bugduv, um habilidoso jogador moldávio de apenas 16 anos. Cogita-se, inclusive, que o meia estaria se transferindo para o Arsenal, da Inglaterra, à espera apenas da sua documentação para poder ir para o clube, num caso muito similar ao de Denilson, ex-São Paulo.

A citação na lista do Times fazia todo sentido. Sites sobre jovens promessas do futebol citavam Bugduv. Outros veículos comentavam o surgimento de um oásis no meio do deserto do futebol da Moldávia. Até mesmo a agência de notícias Associated Press teria feito uma matéria destacando as qualidades do atleta.

Até que um site decidiu voltar para o caminho básico da apuração jornalística pré-internet. Sem conseguir ir até o lugar, vamos procurar entrevistar jornalistas daquele país para saber mais sobre determinado atleta. E o caso foi parar no editor do “Mold Football”, uma espécie de Cidade do Futebol moldávia.

Não deu outra: “esse jogador não existe”, afirmou o responsável pela publicação.

O Times retirou qualquer menção a Bugduv de sua lista. Os diversos veículos que confiaram na informação que os britânicos deram tiveram de contar a história desde o início, fazendo com que a própria relação fosse desmerecida após tal farsa.

E, na Irlanda, um pessoa provavelmente estava rindo à toa. Afinal, ao que parece tudo começou num comentário de uma pessoa dentro de um blog, citando o famoso jornal “Diário Mo Thon”, da Moldávia, o primeiro veículo a falar sobre Bugduv.

“Mo Thon”, numa tradução livre para o irlandês é “meu rabo”. E Masal Bugduv seria uma brincadeira fonética com “Masal beag dubh”, expressão que pode ser traduzida do irlandês para “meu pequeno burro preto”. 

A internet faz maravilhas para o jornalista. Desde que ele saiba que ela é um meio para se informar, mas nunca o fim… Ainda mais quando o internauta tem total ingerência sobre a produção do conteúdo.

Para interagir com o autor: erich@cidadedofutebol.com.br

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Ausência

Caro leitor,

Informamos que a coluna de Rodrigo Leitão não será publicada neste sábado e aproveitamos o espaço para pedir desculpas pelo infortúnio.

Esperamos que a situação seja normalizada na próxima semana e estamos trabalhando para isso.

Obrigado!

Equipe Cidade do Futebol

 

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O futebol feminino

Nesta semana, caros amigos, vimos mais uma festa da Fifa para a escolha dos melhores jogadores do ano passado. O já tradicional Fifa Gala aproveita a oportunidade para também prestar algumas homenagens e reunir celebridades do futebol internacional.

Pudemos observar, na festa, a discrepância que existe entre os homens e as mulheres no mundo do futebol. Temos que reconhecer que a Fifa tem procurado promover ao máximo o futebol feminino. Mas ainda não chegamos nem perto de uma situação ideal. 

Claramente pudemos observar a preferência com relação aos homens. Após a entrega do prêmio (merecido) à Marta, ouvimos o apresentador dizer “agora chegamos ao momento mais esperado da noite”, ao anunciar o prêmio do melhor jogador masculino. Convenhamos, apesar de sutil, não foi muito respeitoso às mulheres.

De toda forma, essa é apenas uma chamada para o real problema e desafio que temos pela frente, que é promover as mulheres no esporte bretão. 

Não adianta apenas chamarmos atenção da Fifa ou das federações nacionais ou regionais. Nem tampouco das empresas investidoras. Em primeiro lugar, é preciso reconhecer a nossa responsabilidade, da população, dos torcedores, da comunidade em geral. Temos que passar a encarar o futebol feminino com mais respeito. É a partir daí que teremos uma popularidade maior e, consequentemente, maior interesse por parte da mídia e de patrocinadores na categoria.

De outro lado, a mídia pode ajudar no processo. Pode incentivar. Pode transformar o futebol feminino em um esporte mais popular. Principalmente no Brasil em que as condições são favoráveis: temos as melhores jogadores do mundo, e temos uma emissora de televisão que tem grande poder de influência na massa. Devemos prestar atenção para um pagamento de direitos televisivos, ainda que, no início, a título de distribuição solidária de receitas.

Por fim, as federações devem continuar o seu papel de promover campeonatos e ligas nacionais. Nesse contexto, o produto tem que ser bem feito, para ajudar todo o resto. E sabemos que o produto quem faz são as federações (em conjunto, claro, com as emissoras). Cobramos aqui uma maior distribuição solidária de receitas ao esporte feminino (ainda que tais receitas venham de outras categorias). 

A partir dessas frentes atuando simultaneamente, então poderemos cobrar um maior investimento por parte dos investidores e patrocinadores. Poderemos mostrar que o futebol feminino é também um produto interessante a ser apoiado, com retorno tão garantido como em outros esportes.

No nosso país, levantar o futebol feminino seria um benefício a todos nós, e uma justa recompensa às batalhadoras e guerreiras jogadoras do Brasil, que sem praticamente nenhum apoio, conseguem elevar a imagem do nosso Brasil rotineiramente e nos encher e honra e orgulho.

Parabéns a elas; parabéns à Marta; cobrança para todo o resto!

Para interagir com o autor: megale@universidadedofutebol.com.br

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Medida e avaliação em educação física e esportes de Barrow & McGee

O livro apresenta um equilíbrio útil de teoria e aplicações práticas, incluindo descrições completas de testes e informações sobre os resultados, de forma que é possível a utilização de seu conteúdo de maneira imediata.

Nele estão presentes várias formas de testes, quando utilizá-los e como interpretar seus resultados. É dirigido a pessoas de todas as idades, de crianças da pré-escola até adultos idosos.

Sobre o autor

Kathleen Tritschler é doutora em Educação pela Universidade da Carolina do Norte (EUA) e atualmente atua como professora de Ciências do Esporte.