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Armadilhas do baixo desempenho esportivo

Tenho ouvido muito falar sobre os problemas cotidianos dos clubes de futebol.
Convivemos com as famosas trocas de treinadores, dispensas e contratação de atletas e o desempenho geral muitas vezes não se altera para melhor, como esperam os gestores envolvidos no ambiente esportivo.
Pois bem, tenho feito palestras nas organizações sobre um tema chamado satisfação e plenitude profissional e me parece que este assunto se torna bem adequado para o universo corporativo.
Hoje vivemos numa situação em que poucas vezes percebemos uma sensação de satisfação ou plenitude profissional ao final dos nossos dias de vida. Deitamos a noite no travesseiro e poucas vezes nos sentimos plenos, parece que sempre nos falta algo e predomina a sensação de que estamos aquém do desempenho que um dia já apresentamos em nossas atividades profissionais.
No esporte me parece acontecer algo semelhante na atualidade, pois os clubes conseguem em muitos casos obter atletas de desempenho reconhecido para incorporar ao elenco a qualidade desejada, mas na prática tudo não acontece como se espera. E aí, na sequência, se dispensa o jogador ou a comissão técnica.
Eu acredito que algumas armadilhas que impedem o melhor desempenho estão cada vez mais presentes no dia a dia do esporte, isso por consequência impede que os envolvidos percebam a sensação de satisfação e plenitude profissional. O pior é que eventualmente os atletas podem ficar perdidos nas armadilhas por longos períodos de tempo, fazendo com que sua performance caia cada vez mais e com isso sua confiança nas capacidades profissionais chega quase a zero.
As armadilhas que percebo são:
Repetição de comportamentos
Fazer sempre as mesmas coisas nos condiciona que repetir estas ações podem garantir a nossa sobrevivência. Por isso chegamos até onde chegamos em termos de sobrevivência da espécie humana. Isso se exemplifica na metáfora dos animais, dos mamíferos principalmente, pois quando eles descobrem uma fonte de água por exemplo, não procurarão mais outra a não ser que ela seque! Não correrá riscos de ser agredido por um predador ao procurar outras fontes de água. Somos programados para repetir comportamentos. E para mudar precisamos ter uma energia a mais, ou seja, necessitamos estabelecer uma meta ou um objetivo.
Dar poder excessivo ao outro
Nós eventualmente passamos a dar mais poder aos outros do que a nós mesmos. Muitas vezes nós deixamos de realizar algo ou nos limitamos pela crítica do outro, dando a ele um poder para decidir sobre o que devo ou não fazer e realizar. Um atleta que deixa de se empoderar para empoderar ao outro pode ficar com suas capacidades esportivas seriamente comprometidas, tendo em vista que deixa de ser criativo e arriscar durante a prática esportiva. Com isso se deixa de materializar muitas coisas pelo simples fato de ter medo de não conseguir a adesão desejada às nossas ideias, sonhos ou desejos.
Contrariar a natureza humana
O ser humano possui uma essência criativa, inventiva, sonhadora e cooperativa por natureza. Porém, quando nos limitamos pela repetição de comportamentos ou pelo poder excessivo dado ao outro, acabamos por contrariar essa natureza e deixamos de ter ou compartilhar nossas ideias ou sonhos. Ficamos restritos a concordar com os demais e eventualmente discordar, mas nunca com coragem ou capacidade suficiente pãoara irmos além. E esta limitação mental no esporte pode ser fatal para a carreira de qualquer atleta.
Não assumir responsabilidade
Como consequência das armadilhas anteriormente citadas, acabamos por não assumir algumas responsabilidades e deixamos de protagonizar em nossa vida. Preferimos por assumir posturas mais vitimadas nas quais podemos nos proteger do outro. Para um atleta de alta performance, o protagonismo é condição essencial para o seu desempenho profissional, não existe espaço para a baixa performance e para a falta de confiança que permitiria a aparição do lado extraordinário dos talentos esportivos.
Ou seja, amigo leitor, quando os atletas ou qualquer um de nós permanecemos envolvidos nessas armadilhas, o ciclo vicioso da não plenitude se fecha em nós, pois repetimos comportamentos (bons e ruins), damos poder demais ao outro, o que nos faz contrariar nossa natureza humana de criatividade e cooperação, e passamos a não ser mais protagonistas de nossas vidas, seja na face profissional ou pessoal.
Então, cuidado com essas armadilhas e vamos buscar uma vida mais plena e satisfatória no universo esportivo! Até a próxima.

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Serrano terá apoio de torcedores para voltar ao futebol profissional

Afastado das competições profissionais há quase dois anos, o Serrano Foot-Ball Club irá ganhar um aliado forte para tentar regressar ao futebol: a torcida. Um grupo formado por jornalistas, ex-jogadores e gestores se organizou para que o clube de Petrópolis possa voltar a disputar torneios estaduais. A campanha “Camisa com História não Morre” começou neste domingo (27), através da internet, e conta com o apoio de nomes famosos e bem sucedidos no mercado, para que o Leão da Serra possa retornar ao Campeonato Carioca, baseado na paixão dos fãs e também da cidade imperial pelo clube.
A Frente Azul terá a responsabilidade de gerir o futebol serranista e angariar recursos para que o clube possa driblar sua difícil situação financeira. No ano passado, o do centenário, o Serrano ficou fora até da Terceira Divisão do Rio. A ausência gerou a mobilização. Entre os audaciosos objetivos do grupo, estão a condução do clube à Série A do Carioca num período de cinco anos, além do pagamento de todas as dívidas e a reforma do Estádio Atílio Marotti. Uma reviravolta perante o complicado momento que vive o Leão da Serra, que quase perdeu seu campo há anos atrás.
O idealizador do projeto é o jornalista Eduardo Monsanto. Petropolitano de nascimento, ele juntou nomes de peso, como o ex-goleiro Acácio, e o atacante Kevin Kuranyi, que jogou pela seleção alemã e começou a carreira no Leão. Também estão no conselho gestor da Frente Azul profissionais como Marcelo Veiga (coordenador técnico da base do Fluminense), Mário McCulloch (gerente de comunicação do Flamengo), entre outros. Este grupo ficará à frente do futebol, com a diretoria se dedicando apenas ao quadro social.
– Ficamos tristes em ver que as coisas não aconteceram em 2015, o ano do centenário. Foi quando nos perguntamos o que podia ser feito. A gente tinha dois caminhos: cruzar os braços e ver o clube definhar até a extinção, ou juntar forças e fazer a história mudar. Temos muita gente numa posição de destaque no futebol carioca. Levamos isso ao presidente do clube e ele entendeu que era um projeto grandioso – disse Eduardo, em entrevista ao programa “FutRio na Geral”, da Rádio FutRio.
Entre as formas de arrecadar recursos, a Frente Azul iniciou uma campanha de financiamento coletivo pela internet (acesse aqui o link da campanha). A meta é de R$ 250 mil e, servirá para pagar os débitos do clube, além da montagem de um elenco já para a Terceirona de 2016. A ideia surgiu após Monsanto, que é apresentador e narrador na ESPN Brasil, ter se aprofundado no assunto. Ele então procurou muita gente apaixonada pelo clube e com um objetivo em comum: alavancar o Serrano a um nível de respeito dentro do cenário estadual, com a forma da cidade e de seus fãs:
– Concluí um curso de gestão técnica na Universidade do Futebol e o trabalho final era traçar um planejamento para algum clube. Escolhi o Serrano e fiquei empolgado com o resultado. Percebi que, encontrando as pessoas certas, mobilizando a cidade, poderíamos colocar o clube na Primeira Divisão em cinco anos. Conversei com gente ligada ao Serrano e trouxe gente para o projeto. São pessoas que não precisam de nada do Serrano, estão ali para retomar uma paixão antiga. A Frente Azul não tem uma vedete, a vedete é o Serrano. Se todos fizeram sua parte, a gente joga a Série C ainda neste ano.
Confira o texto na íntegra clicando aqui
Serrano
 

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Reflexões sobre remuneração e promoção às comissões técnicas nas categorias de base

Alguns paradigmas demoram para serem quebrados no futebol. Um deles, sem dúvida, se refere às promoções e remunerações das comissões técnicas das categorias de base do futebol brasileiro.
Sob a perspectiva do crescimento vertical, quanto menor a categoria menor o salário do profissional. Outrossim, diz respeito ao crescimento dentro da instituição que, na grande maioria dos clubes, obedece uma progressão hierárquica sequencial. Sob este viés, um funcionário do clube que almeja chegar ao cargo de treinador da equipe sub-20 deve ter passagens como comandante das categorias menores. Exceções feitas às contratações.
Quem acompanha o mercado das categorias de base do país pode se certificar do que fora mencionado e, provavelmente, terá exemplos concretos de profissionais que vivenciaram ao menos uma destas situações.
O objetivo da coluna desta semana será trazer algumas reflexões sobre este modelo vigente, que se mal coordenado pode trazer impactos negativos importantes para toda a estrutura formativa do clube e, consequentemente, ao futebol profissional.
Logicamente não se pretende ignorar a complexidade dos elementos nos processos decisórios que envolvem as composições das comissões técnicas, tampouco desconsiderar o contexto técnico-político-administrativo que compreende cada clube e influencia as decisões. Pelo contrário, pretende-se trazer mais argumentos e ponderações para serem inseridos e debatidos pelos responsáveis por gerenciar as categorias de base dos clubes brasileiros.
Se, de fato, acreditamos no processo de formação, deveríamos relativizar a importância que se dá as diferentes categorias, do sub-11 ao sub-20. Pois, se de um lado o trabalho com a categoria mais velha é fundamental dada à proximidade e semelhança dos conteúdos em relação ao profissional, de outro, o trabalho com as categorias mais novas é indispensável para desenvolver o potencial cognitivo dos jovens jogadores. Quando se trata de formação, um trabalho de qualidade inferior a ideal em quaisquer etapas do processo traz consequências negativas significativas. Para exemplificar, se é praticamente consenso a queda de performance de Renato Augusto pela seleção brasileira (que tem recebido estímulos nos últimos meses de um futebol muito menos competitivo daquele que o levou à primeira convocação), o que dizer de um jovem de 15 anos recebendo maus estímulos ao longo de uma temporada inteira?
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Muitas vezes as diferenças de salário (que indiretamente estabelecem importância à função) entre os profissionais das categorias supracitadas são astronômicas. Desta forma, o clube corre o risco de estimular os treinadores de resultado. Sob um objetivo oculto de ser melhor remunerado, o treinador pode adotar a prática da vitória a qualquer custo, avessa a boa formação. Isso ocorre pois o treinador entende que uma das únicas formas de ser melhor remunerado pelo clube é subindo de categoria. Além disso, o cenário está montado para o pouco envolvimento dos profissionais inter-categorias. Afinal, o insucesso de uma categoria pode garantir a promoção do profissional da categoria imediatamente abaixo.
E é justamente sobre as promoções nas categorias de base que continuaremos as reflexões. Será que uma progressão sequencial é a melhor das alternativas para estimular um ambiente de melhoria contínua, produtividade e comprometimento com a instituição, maiores do que o envolvimento com uma única categoria?
Quais as justificativas para um profissional poder ser contratado no mercado para a categoria sub-17 mas um profissional do próprio clube, que exerce a função de auxiliar técnico da categoria sub-15, não poder ascender, desde que capacitado, diretamente para tal função?
Será que a promoção que privilegia uma ordem hierárquica não gera uma acomodação nos profissionais da instituição?
Esforço, dedicação, comprometimento, didática, planejamento e qualidade dos treinos são elementos que permitem análise e, minimamente, podem oferecer vantagem competitiva ao profissional que busca ascensão.
Para concluir, serão deixadas alternativas para os problemas apresentados. A primeira, que diz respeito à remuneração, sugere a definição de um piso para o cargo de treinador ou então qualquer outra função da área técnica de campo do clube. A partir dele, o salário será complementado em função de uma série de competências que o profissional pode possuir (curso de treinador, idioma, experiência como ex-atleta, graduação, especialização, mestrado, nível de jogo apresentado pela equipe, participação em congressos, etc.). Em linhas gerais, quanto mais competências o treinador possuir, melhor será a sua remuneração, independentemente da categoria.
Já em relação à promoção, sugere-se um acompanhamento detalhado da performance de cada um dos profissionais do clube ao longo da temporada. Para as categorias de base, o resultado de campo é apenas uma das variáveis que compõem as análises. Caso um profissional das categorias menores tenha se destacado o suficiente, vale a sua promoção. E tal promoção não está necessariamente relacionada à dispensa do outro profissional.
A evolução do futebol brasileiro pede mudanças em todos os seus segmentos. Na gestão das categorias de base estão muitas delas. Por um futebol sem “muros” entre as categorias, que privilegie a competência e com melhor distribuição dos recursos!
Aguardo a sua opinião…

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Invasões bárbaras

Historicamente, a expressão “invasões bárbaras” refere-se aos ataques sofridos por territórios dominados pelo Império Romano no século IV. O termo “bárbaro” era usado de forma genérica para todos os que não tinham capacidade de assimilar a língua e os costumes dos romanos, e vários povos foram atraídos por uma combinação entre terras férteis e defesas insuficientes – o sucesso das incursões dos romanos criou um império vasto, mas dificultou sobremaneira o controle das fronteiras.
O cineasta Denys Arcand tomou a expressão emprestada em 2003, quando lançou o filme “As invasões bárbaras”. A obra acompanha os mesmos personagens de “O declínio do império americano”, até então o longa mais famoso do diretor. Após um hiato de 15 anos, o professor de história Rémy está hospitalizado em Quebec (Canadá). O tratamento de um câncer o reaproxima do filho, Sébastien, e essa retomada de contato serve como estopim para discussões que são cotidianas apenas na primeira camada. Mais do que o estranhamento de parentes distantes, a história reflete um choque de gerações e de culturas.
O futebol brasileiro tem vivido um período de invasões bárbaras. Na última semana, torcedores de Flamengo, Palmeiras, Ponte Preta e Portuguesa entraram nos treinos de seus times e cobraram jogadores. Em alguns casos, a cobrança evoluiu – ou regrediu? – para agressões. O ônibus que levava o elenco alviverde foi apedrejado, e o elenco da equipe de Campinas foi ameaçado.
Em primeiro lugar o absurdo: qualquer profissional, independentemente da categoria, tem direito a um ambiente seguro para trabalhar. Isso influencia na tomada de decisão e no rendimento, e o que os torcedores fizeram em todos os clubes listados só pode jogar contra o desempenho das próprias equipes. A tática do “joga no amor ou joga no terror” não é apenas ultrapassada, mas ineficaz – e que bom que seja, aliás.
Invasões de torcedores em treinamentos não são novidade no futebol brasileiro, infelizmente. São fatos recorrentes, que muitas vezes contam com a conivência da diretoria, da comissão técnica ou de funcionários das equipes. São táticas que muitas vezes refletem acordos espúrios ou que simplesmente servem para eximir algumas pessoas de responsabilidade. Ao abrir o clube e criar um canal direto entre torcedores e atletas, a cobrança passa a ser direcionada.
A invasão bárbara que está em jogo no Brasil atual, contudo, se assemelha mais à guerra tácita do filme de Arcand. Ainda que os torcedores, quase sempre oriundos de organizadas, tenham táticas de terror psicológico e cobrem apenas como ameaça, esses episódios lamentáveis mostram diferenças de perspectivas e a dificuldade que temos para lidar com isso.
Vivemos um momento de polarização atualmente. Uma polarização que é mais bem retratada no contexto político, mas que permeia quase toda a formação de senso crítico. Desde a década de 1990, quando o Google popularizou o uso de algoritmos para identificar o comportamento do usuário e personalizar a experiência web, cresceu constantemente a sensação de que as pessoas vivem em bolhas de ressonância. Diversas pesquisas comportamentais mostram que esse contato limitado a pessoas que concordam com você contribui para aumentar o extremismo. O incremento do extremismo, por sua vez, amplia a busca por opiniões que sejam condizentes com isso. É um ciclo, portanto.
Em sociedades maduras, com grau suficiente para discutir, esse ciclo cria apenas polarização ideológica. No Brasil atual, esse é o cerne do “se não for como eu quero, não pode ser”. Não há ideias ou defesa de posição; há apenas um combate ao que não faz parte da bolha.
Sem querer fazer nenhuma análise sociológica ou extrair da equação os reflexos de anos de desigualdade em diferentes âmbitos, mas o surto de torcedores tem tudo a ver com falta de capacidade de diálogo. Se for analisada apenas como uma ação passional, a invasão é apenas um grito de discordância em relação ao que é apresentado pelos atletas em campo.
Torcedor quer se sentir representado. Treinadores e jogadores cansam de repetir lugares comuns sobre a essência de cada clube ou a necessidade de entregar isso ao público que frequenta as arquibancadas. Mas qual é a forma mais correta para cobrar quando o retorno não acontece?
Está aí a responsabilidade do clube nesse processo. Não é novidade dizer que vivemos num contexto de polarização. Não é novidade dizer que temos histórico paupérrimo de diálogo ou de discussão em alto nível. Não é novidade dizer que o torcedor quer se sentir representado. Por que isso não acontece, então?
Porque os clubes não conseguem criar projetos futebolísticos que retratem sua essência, e aí reside um erro de conceito. Sabemos de cor o estilo do Barcelona e sabemos dizer que isso jamais funcionaria no Real Madrid, historicamente acostumado a ser mais agudo e contundente. E no Flamengo, o que seria mais adequado? Como jogaria o Grêmio dos sonhos? O Cruzeiro ideal trocaria passes ou seria um time de contragolpes?
Para entender a essência ou para medir o retorno do que é apresentado aos torcedores, clubes precisam promover diálogo. Não durante os treinos, não com ar de terror, mas é fundamental ouvir o que os torcedores têm a dizer. Um ambiente de conversa só tem a acrescentar.
Vivemos as “Invasões Bárbaras” de Arcand porque temos choques culturais latentes e não sabemos lidar com isso. Evoluímos em uma série de aspectos – o jogo ficou mais corrido, a medicina tem procedimentos mais precisos e todo mundo tem noções táticas mais claras, por exemplo. Ainda assim, contudo, não soubemos medir se a evolução está ocorrendo no sentido que a essência nos pede.
Afinal, essência é isso: mais do que refletir o que fizemos no passado, diz as rotas mais adequadas para o futuro. E se quisermos conhecer a essência, precisamos conversar mais. Não há necessidade de invasão para isso.

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Johan Cruyff: todas as reverências ao gênio e à lenda

“Johan Cruyff morreu pacificamente em Barcelona, cercado por sua família, após uma dura batalha contra um câncer. É com grande tristeza que pedimos para que se respeite a privacidade da família durante o momento de dor”. Assim, a família de uma autêntica lenda do futebol mundial anunciou seu falecimento, na manhã desta quinta-feira, dia 24 de março.
Cruyff não pode ser definido apenas como o fantástico jogador de futebol que foi. Suas ideias para o jogo marcaram época. Para o jornalista André Kfouri,  “sem absolutamente nenhuma dúvida é a figura mais influente da história do jogo”.
Em artigo de julho de 2015, o jornalista do Lance e da ESPN, escreveu: “Os conceitos de Cruyff, no entanto, estão enraizados no futebol de forma tão profunda a ponto de marcar um período com impressões digitais inconfundíveis, como comprova uma declaração de Fabio Capello, reproduzida por Kuper ao final de seu texto. “A era de Guardiola é um dos três grandes legados da história moderna do futebol: a era de (Arrigo) Sacchi (no Milan), a era dos holandeses e a era do Barça”, disse o técnico italiano. Como salientou Kuper, nenhuma dessas três épocas existiria sem a influência de Johan Cruyff.
Johan-Cruijff
O “Cruyffismo” – se podemos utilizar o termo – é o futebol de posse, obcecado pela bola e pelo ataque. É o jogo de domínio posicional, em que os movimentos ofensivos devem ser construídos desde o campo de defesa. É o estilo mais bem definido pelo sistema 4-3-3. Marcação alta, pressão coordenada sobre a bola, criação de espaço e desorganização do adversário por intermédio da troca de passes. Uma visão de futebol que só é possível com supremacia técnica, o que determina a escolha de jogadores antes de aspectos como tamanho e força”.
A profundidade do pensamento e o legado tangível do seu trabalho permitem definir que há um jogo a.C. e d.C., um mítico antes e depois de Cruyff.
Ajax e Seleção Holandesa
Seus maiores feitos foram conquistas no Ajax, no Barcelona e na Seleção Holandesa. Conquistou em três Bolas de Ouro de melhor jogador do mundo, em 1971/73/74.
Mesmo perdendo a Copa de 1974, na final contra a Alemanha, Cruyff destacou-se como o maestro em campo no mítico Carrossel Holandês de Rinus Michels.
No Ajax, conquistou 8 vezes o campeonato holandês, 5 copas da Holanda e 3 conquistas consecutivas da Copa da Europa, atualmente denominada Liga dos Campeões da UEFA, nas temporadas de 1971/72/73.
O futebol holandês-catalão
No Barcelona, muito mais que troféus. Sua concepção de futebol encontrou sua plena realização na capital da Catalunha, uma comunhão que já leva quase três décadas.
Das categorias iniciais em La Masia ao profissionais no Centro Desportivo Joan Gamper, a filosofia cruyffiana é treinada todos os dias e produziu a escola do jogo ofensivo, “dono” da bola, com supremacia técnica e altamente vitorioso.
Como declarou o presidente do Barcelona, Josep Maria Bartomeu, “não é possível entender o Barça atual sem a figura de Cruyff”.
Atuou como atleta do FC Barcelona entre os anos de 1973 e 1978. Conquistou uma Liga Espanhola e uma Copa do Rei. Mas foi no comando do time principal de 1988 a 1996. Neste período dirigiu o Dream Team do Barcelona, tetracampeão espanhol e a inédita Liga dos Campeões, em 1992, quando derrotou a Sampdoria em Wembley.
Últimas homenagens
Em fevereiro deste ano, Messi e Suárez protagonizaram uma das grandes jogadas de Cruyff, o pênalti indireto, contra o Celta de Viga no Camp Nou. O gol, como arte e reverência, foi saudado pelo mito. “Fiquei emocionado com o que o Messi fez” declarou o Holandês Voador.
O luto que toca o futebol mundial e os amantes do estilo de jogo de Cruyff  atinge ainda mais o barcelonismo. O clube anunciou que um Memorial no Camp Nou será montado para que os torcedores e fãs do ídolo possam dedicar suas últimas homenagens.
“Sou um ex-jogador, ex-dirigente, ex-treinador, ex-presidente honorário. Uma lista bacana que, mais uma vez, mostra que tudo chega a um fim”.
 

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A desmoralização do futebol

Miguel Real, filósofo e escritor, admirável e com a força dos homens que se não dobram, escreveu um livro, “Portugal – um país parado no meio do caminho: 2000-2015” (Antígona, Lisboa, 2015) que continua e desenvolve o espírito que percorre o “pequeno volume” de Manuel Antunes, editado pela Multinova, em 1979, “Repensar Portugal”. Tanto Miguel Real como Manuel Antunes são dois autores que não dispenso, no meu dia-a-dia de modestíssimo “amante da sabedoria”. Manuel Antunes pergunta: “Que espécie de sociedade desejamos? Que espécie de sociedade deseja o povo português? Ouso interpretar. De resto é essa uma das funções, senão a principal função do intelectual na cidade. Para além, claro, da missão de defender o seu próprio ideal e as suas próprias opiniões, mesmo quamdo esse ideal e essas opiniões não vão ao sabor dos senhores da hora. O intelectual não deve ter medo de ser ou de parecer diferente dos outros, de querer escapar ao nivelamento universal em que, por via de regra, esses mesmos senhores pretendem razoirar os que, de uma certa forma, lhes estão sujeitos” (pp. 19/11). Por sua vez, Miguel Real, depois de salientar as “duas profundíssimas revoluções mentais e culturais que os portugueses sofreram”, ou seja, a perda do Império, em 1975 e a assunção do destino europeu de Portugal, não esconde que o nosso país, “do ponto de vista ético, se transformou num país existencialmente desorientado, historicamente bloqueado nas suas legítimas ambições europeias, descendo, na escala dos valores, a um nível de rebaixamento e humilhação ímpares, trocando dignidade e consciência histórica por dinheiro (…). Por motivos semelhantes, a população saiu à rua em 1890, aquando do Ultimatum inglês. Hoje, recolhe-se a casa, vendo telenovelas e relatos de futebol” (op. cit., p. 19). De facto, vivemos num mundo onde se sacraliza o lucro e se cantam loas ao neo-liberalismo atomista e excludente, onde grande parte dos próprios políticos parecem pessoas de duvidosa proveniência e onde o poder se exerce mais contra o povo do que em seu favor e proveito.
Nesta sociedade, onde o Poder é reconhecido como qualidade primeira do Estado mas em que, demasiadas vezes, o Estado se encontra nas mãos de pessoas impreparadas para uma verdadeira democracia; nesta sociedade, onde alguma Comunicação Social parece “mais tendente ao supérfluo do que ao acolhimento dos grandes valores nacionais” (Baptista-Bastos, Tempo de Combate, Parsifal, Lisboa, 2013, p. 165); nesta sociedade, onde os escândalos financeiros se repetem, perante o sonambulismo inalterável do povo português – nesta sociedade, o desporto mais aplaudido não é neutro politicamente, como não é neutra qualquer infra-estrutura e super-estrutura social. O desporto, quase sempre na sua forma de espetáculo, é uma instituição que pode servir (e serve, frequentemente) à criação de hábitos de subserviência à competição, ao rendimento, à medida, típicos da “sociedade de mercado” que nos governa. O habitual espectador de futebol, se acéfalo e acrítico, aceita, com naturalidade, a competição económica e social da sociedade capitalista. E aceita, com a mesma naturalidade, os mitos e os semi-deuses, que por aí proliferam, pois que o seu papel na sociedade é este mesmo: aplaudir, embevecido, os muitos mitos e semi-deuses do desporto, da economia, da política. Como já o tenho dito, sou um amante do futebol e, no futebol, encontrei amigos que não esqueço. Mas, assim como o capitalismo é um sistema, com as suas categorias específicas, a alta competição desportiva, designadamente o futebol-espetáculo, reflete (e leva à interiorização) as mesmas medidas que servem ao progresso e desenvolvimento da sociedade de mercado. Como já o tenho referido inúmeras vezes, eu não sou contra uma “sociedade com mercado”, como na social-democracia; sou contra, de facto, uma “sociedade de mercado”, como no sistema neoliberal, onde a hostilidade à presença do Estado, na regulação social, visa a sua substituição por mecanismos não estatais, nomeadamente o mercado.
O Messi que, pela quinta vez, mereceu o galardão de Bota de Ouro-2015, ou seja, foi justamente reconhecido como o melhor futebolista do mundo, em 2015, o Cristiano Ronaldo, com a força iluminante, empolgante do seu futebol e o Neymar que se apresta para ser, também, dentro em breve, o melhor futebolista do mundo (e mais nomes poderia citar) têm lugar, e com destaque, na minha Utopia, quero eu dizer; no meu sonho de um mundo mais justo e mais fraterno. Para mim, são artistas fora do comum e, como tal, deverão admirar-se, estudar-se e aplaudir-se. Mas que neles se descortine também uma compreensão da sociedade de que são produto; que deles desponte “uma pedagogia da pergunta” inarredável: por que há tanto dinheiro para nós e tão pouco, para a educação, para a saúde, para a segurança social, etc., etc.? Eles, porque os seus “feitos” chegam ao mundo todo, são um fator de massificação. Mas só de jogadas e golos, magistrais? Se assim é, o seu valor resume-se a transitórios êxitos, não passam de máquinas de mais ou menos espantosas “performances”. Não, não se lhes pede uma variada erudição. “Um jornalista francês que recentemente redigiu um espesso volume, anunciado para renovar todo o debate de ideias, alguns meses depois explicava o seu falhanço pelo facto de que lhe teriam faltado leitores, mais que faltado ideias. Declarava portanto que estamos numa sociedade onde não se lê e que, se Marx publicasse hoje O Capital, iria uma noite explicar as suas intenções numa emissão literária da televisão e, no dia seguinte, já se não falava disso” (Guy Debord, Comentários Sobre a Sociedade do Espectáculo, 1995, pp. 114/5). Mas, se não se lhes pede erudição extensa e variada, que brilhasse em tudo o que dizem “a coisa mesma” que, em termos hegelianos, significa não só o conteudo do discurso, como também as múltiplas relações que o sustentam. Porque afinal, no meu modesto entender, em tudo há circunstância. Em poucas palavras: tudo é sistema! E assim que, ao falarem do futebol, de que são grandes e singularíssimos intérpretes, não esquecessem as relações que existem entre o “desporto-rei” e o “espírito do tempo”. Porque, sem este, aquele não se compreende.
Começa, também aqui, a des-moralização do futebol em especial e do desporto em geral. “Começa também, aqui?” perguntar-me-ão surpresos alguns leitores. Sim, na falta de ética! E vou distinguir já a ética da moral. A ética, no meu pensar, é uma reflexão sobre os fundamentos da moral. O que a ética designa? Não um conjunto de regras próprias de uma cultura, como a moral, mas uma “metamoral”, desconstrutora, fundadora, enunciadora dos princípios ou fundamentos últimos da moral. Só que, com a “morte de Deus” e a “morte das ideologias” e ainda a “morte das grandes narrativas”, descambou-se num niilismo tal que é um deserto axiológico o que se estende à nossa frente e… a perder de vista! E assim nasceu o individualismo! Como uma clausura irremediável. Surge então o indivíduo doentiamente narcísico, que olha em seu redor e descobre uma sociedade atomizada numa poeira infinita de coisas sem valor. Por isso, Apel e Habermas apontam a necessidade de uma macroética e Hans Jonas de uma ética da responsabilidade.O vazio ético assusta, de facto, deixando inoperantes as morais tradicionais. Sem referências éticas, a des-moralização torna-se inevitável. Há portanto necessidade de uma “metamoral”, de uma teoria fundadora, para além dos enunciados morais particulares. Poderia folhear Spinoza, Kant, Nietzsche, Wittgenstein e Heidegger mas quedo-me pelas minhas pobres ideias, vinculando-me a uma nova razão prática, assente num consenso universal (Habermas, Rawls). Há, em Portugal, um Código de Ética Desportiva, elaborado pelo Instituto Português do Desporto e Juventude. Mas… quem o lê e o vive? Não são, de certo, aqueles dirigentes que discursam, diariamente, verdadeiros monumentos de hipocrisia. A impreparação, o arrivismo, o mórbido clubismo desta gente são o principal obstáculo ao progresso do nosso desporto. Só que eles são incapazes de uma auto-crítica e os que os aplaudem, pacoviamente, também. Termino com um abraço ao Miguel Real, para além de um ser humano excecional, um intelectual… com todas as letras! Este artigo nasceu da leitura de um livro da sua autoria.

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O futebol brasileiro não precisa de heróis e vilões. Precisa de ideias e debate

No Brasil dos dias de hoje quase tudo que se discute descamba para o dualismo fundamentalista. Ou você é do bem ou é do mal. Tudo depende de quem pensa ou não como você. O futebol não poderia escapar dessa armadilha tão brazuca. Preso a esse conceito que flerta com o fanatismo sectário o esporte – ainda – mais popular do País deixa de ser debatido com a seriedade e profundidade que precisa e merece.
O que vem sendo feito de errado há tanto tempo é de tal forma cristalino que não carece de demonização de pessoas e propostas. Assim como a santificação de ideias e defensores pouco ou nada contribui. O futebol brasileiro anda mal das pernas, mas não acabou com os 7 a 1 do Mineirão. Decretar que nada de bom existe em todas as esferas do futebol nacional é um equívoco perigoso – assim como negar que há muita, mas muita coisa errada e há muito, mas muito tempo.
Embora tente transmitir uma imagem de mudança e passar à opinião pública a mensagem de que está aberta ao debate e a novas ideias, a CBF segue prisioneira de pensamento e métodos cartesianos. Ao inventar uma comissão de notáveis para debater ideias e propostas para seu produto, a entidade parte da premissa de que abre suas janelas para entrada de ar fresco. Mas no fundo permite a entrada apenas do mesmo ar que vem sendo respirado há tempos, ao convocar um time formado por uma massa de apoiadores históricos e defensores do modelo vigente e evitar o confronto de ideias que poderia acontecer de forma saudável se fossem chamados ao debate personagens de pensamento diametralmente oposto e com visões antagônicas. Somente desse choque de propostas surgirão ideias efetivas. Quando estão à mesa partidários de uma mesma forma de pensar não há debate, apenas confirmação e perpetuação.
Perde-se tempo e energia preciosos no futebol brasileiro com o chamado desvio de foco. Quase sempre divididos por interesses individuais e necessidades urgentes provocadas por péssimas administrações, os clubes perdem força. Trazem para a discussão temas de arquibancada e boteco e deixam passar generosas oportunidades de entendimento ou, pelo menos, discussão de novas propostas.
A maioria dos clubes de futebol do Brasil tenta vender uma imagem de penúria, falta de apoio, abandono e desvalorização. Nos últimos 20 anos o futebol brasileiro recebeu investimentos como nunca antes. O dinheiro jorrou farto, vindo de cotas de TV, patrocínio de camisa, bilheteria, programas de sócio torcedor, marketing, venda de atletas. Quantos foram os clubes que efetivamente se aproveitaram desse momento, sanearam suas finanças e modernizaram suas administrações? Quantos se desvincularam da prática do mecenato? Certamente uma minoria. Quantos aumentaram suas dívidas e se penduraram em empréstimos bancários e negociações nas quais tiveram de abrir mão de generosas fatias de seus principais ativos em termos de mercado: os atletas?
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Ao decretar verdades absolutas alguns debatedores sufocam o debate. Conceitos como “espanholização” ganham as redes sociais e quase nunca chegam acompanhado de dados e pesquisa sérios, relativizados. Pelo contrário. O modelo briga de arquibancada se impõe e a oportunidade se perde. Os pontos discordantes em termos de calendário seguem pelo mesmo caminho. Eu, por exemplo, sou radicalmente contra a adequação de nosso calendário ao das grandes ligas europeias. Mas procuro ouvir com atenção quem é favorável. Porque sou contra? Porque acredito que o mundo tem suas diferenças e particularidades e o futebol não está acima delas. Inclusive da questão geográfica, dos hemisférios, das estações do ano etc. Porque o calendário da Espanha tem esse formato, alguém já se perguntou? Simplesmente porque segue calendários importantes para aquele país, entre eles o escolar e o parlamentar, por exemplo. Além de evitar jogos nos meses mais quentes do ano e preservar o verão para as férias dos atletas profissionais, como quase sempre ocorre em qualquer país com grandes variações de temperatura.
Se alguém acha sinceramente que simplesmente atrelar nosso calendário ao dos maiores clubes do planeta resolverá alguma coisa, porque então não funcionou na Argentina? Ou não seria mais produtivo buscar uma solução que atendesse aos interesses dos clubes brasileiros dentro da realidade brasileira em termos de calendário? Porque se fosse fácil permito-me uma analogia: se adotássemos a mão inglesa na direção nosso trânsito alcançaria níveis ingleses ou japoneses de segurança? Duvido, porque a falta de educação continuaria vigente, trafegando pela direita ou pela esquerda. Não se pega a realidade de países de pequena extensão territorial e grande desenvolvimento humano da Europa e simplesmente se procura encaixá-la no Brasil. Como se fosse uma brincadeira de mapas, ao sobrepor o da Espanha e da Inglaterra, por exemplo, ao nosso, sobraria um espaço continental. Espero que a analogia seja compreendida.
Outro ponto que viralizou: nossos treinadores estão ultrapassados. Será? Todos eles? Porque não prestar mais atenção em trabalhos interessantes que estão sendo feitos, não apenas por figuras estelares, mas em equipes de menor expressão e nas categorias de base? Existe muita gente sintonizada com o que há de mais moderno em termos de treinamento e tática e procura “traduzir” essa informação em conhecimento adaptado à nossa realidade.
A alma nacional anda tão contaminada pelo espírito de chimangos contra maragatos (referência ao Sul, que sempre traz boas ideias e mostra Grêmio e Internacional buscando seus caminhos mesmo sem estar no epicentro econômico e político) que o bem e o mal estão claramente determinados em alguns debates e debatedores. Boas ideias chegam do Nordeste, com exemplos de reconstrução como o Santa Cruz e de consistência como o Sport. Além de desejos sinceros de mudança de conceito como o Bahia, por exemplo. Infelizmente, alguns debatedores e formadores de opinião se arvoram profetas da guerra santa e partem para uma cruzada suja que joga no mesmo balaio estratégia empresarial e opinião individual. Sempre buscando refúgio na memória seletiva. Covardia.
Não existe verdade absoluta e nem solução definitiva. Para preservar os atores e estrelas do espetáculo é preciso ouvir o amplo espectro do negócio. Todos os jogadores, com o perdão da redundância temática, devem participar amplamente, colocar suas necessidades, desejos e buscar uma solução ampla e adequada à nossa realidade. Respeitando diferenças de clima, sotaque e propostas.
É uma ilusão acreditar que não existirão times grandes, médios e pequenos, equipes de maior torcida e apelo financeiro, político e midiático. É assim no mundo todo. A Juve é odiada por quase todos os demais torcedores da Itália por isso. O Real Madri na Espanha, idem. O Barcelona ainda goza de uma espécie de licença poética pelos tempos de resistência catalã, mas seu poderio incomoda tanto quanto o do grande rival. Na França praticamente não existe mais disputa. Que dirá da Alemanha? Em quase todas as grandes nações do futebol há dois, três, quatro times disputando títulos. Grandes fortunas individuais e gigantescas corporações (algumas com conexões perigosas) estão dominando o mercado. O Brasil tem pelo menos 12 grandes clubes de expressão nacional. Ainda conta com um fenômeno local que são os grandes clubes de expressão regional. Em vez de criar problemas isso deveria ser saudado como uma grande oportunidade para melhorar e profissionalizar métodos e torneios e distribuir melhor a geração de riqueza. Nos últimos 25 anos, 11 clubes diferentes venceram o Campeonato Brasileiro. Em igual espaço de tempo, 15 equipes diferentes conquistaram a Copa do Brasil. Impossível não tirar desses dados uma lição de produtividade.
Essa riqueza não pode fugir aos olhos de quem debate. O clima de guerra santa provoca cegueira intelectual e apaga a chama do pensamento claro e das boas ideias. A mudança urge, mas precisa vir de um debate amplo, geral e irrestrito. Sob pena de, ao propor heróis, surgirem novos vilões.

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Formação de atletas: versatilidade ou especialização na posição?

Olá amigos!
Convido-lhes para mais uma discussão sobre um tema intrigante aqui neste espaço. Quem vive o ambiente de formação sabe que, invariavelmente, por motivos diversos, deparamo-nos com o problema exposto no título desta coluna. Atento ao fato de que, novamente, não irei propor simplesmente a defesa de uma das ideias, e sim provocá-los a mergulhar (fugindo da superfície) numa análise mais aprofundada.
Primeiramente, nosso principal papel é contribuir com a formação de pessoas. Pessoas estas que podem vir (assim imaginamos) a se tornar futebolistas de alto nível. Penso que aqui cabe a primeira observação: a especificidade do jogador de futebol é jogar futebol! E isso passa por entender o jogo, conseguir jogá-lo e fazê-lo bem.
Olhemos para o futebol de alto nível, e perguntemo-nos: como se joga o futebol hoje? Se buscarmos referência nas principais equipes do mundo, poderemos enumerar diversos jogadores que fazem mais de uma posição em campo (inclusive em diferentes setores), e isso torna-se uma virtude na resolução de problemas de uma ou mais partidas. Pep Guardiola faz esta manipulação com maestria, tanto no Barcelona quanto no Bayern, trazendo volantes e laterais para o centro da defesa (ou primeiros atacantes) afim de melhorar o processo de construção ofensiva; no Barcelona trouxe Mascherano para trás, utilizou Lionel Messi em várias funções (inclusive de “falso 9”), também alterou constantemente o posicionamento de Iniesta, entre outros. Poderíamos citar aqui uma grande quantidade de outros atletas (no Brasil e na Europa) que foram muito bem aproveitados em mais de uma função em campo – Lucas Leiva, David Luiz, Alaba, Di Maria, Philip Lahm, Zé Roberto, Jadson, Danilo, Renato Augusto. Em contraponto, alguns atletas foram, ao longo de sua carreira, especialistas em somente uma posição – Ibrahimovic, Ronaldo, Adriano.
Voltemos nosso olhar para a formação de atletas. Quando pensamos em formar para o alto nível (lembrando que o topo da pirâmide é restrito a pouquíssimos), obviamente estamos pensando em atletas que vão se destacar por algum ponto forte, muito claro aos olhos dos espectadores. Porém, os motivos para oferecermos a versatilidade na formação são mais relevantes. Lidamos com pessoas e, como professores, temos a obrigação de oferecer um ambiente rico de possibilidades, além de incentivar o desenvolvimento da autonomia. Proporcionar variadas vivências durante treinos e jogos na formação permitirá um desenvolvimento rico do repertório essencial para se jogar futebol (relação com bola, leitura de jogo, estruturação de espaço) e também contribuirá para que o atleta pense, crie, erre e vá se tornando cada vez mais autônomo nas decisões necessárias para resolver os problemas do jogo. A partir destas vivências, naturalmente, ao longo do processo ele tenderá a contribuir em melhor rendimento em um leque menor de posições no campo – salvo exceções. Saliento aqui que estimular diferentes vivências nos treinos e jogos não elimina orientações voltadas para regras de ação predominantes para cada posição.
Ao final do processo de formação devemos ter atletas que compreendam e joguem em alto nível o jogo de futebol, da maneira mais inteligente possível. Muitos são os exemplos de jogadores que ganham grandes oportunidades durante contratações ou trocas de técnico nas equipes principais, atuando em outras funções, e isto só é possível a partir de uma formação realmente enriquecedora para o seu repertório de jogo. Acredito ser inadmissível que um atleta transite da formação para a equipe principal tendo passado todos os anos anteriores jogando só numa função. Nós, formadores, não somos “deuses” para determinar tão cedo o que é e o que fará aquele ser humano. Portanto, proponho que constantemente façamos reflexões sobre o quanto nosso treino e nossas escolhas em jogos estão sendo favoráveis para criar um ambiente rico e desafiador, visando o desenvolvimento de cada um dos nossos atletas.
E você, leitor, o que acha deste tema? Escreva para rafael@universidadedofutebol.com.br e vamos debater!
Um grande abraço e até a próxima!

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Una bella iniciativa de Unicef para ganar valores a través del fútbol

El Ministerio de Deportes, UNICEF y la Universidad del Fútbol del Brasil, con el apoyo estratégico de la Fundación FC Barcelona lanzaron este jueves el programa de capacitación “Educar por el fútbol – Mi equipo es nota 10”.
El evento de lanzamiento fue presidido por el Ministro de Deportes, Tito Montaño, el Director Ejecutivo de la Universidad del Fútbol del Brasil, Eduardo Conde Tega, la Representante Adjunta de UNICEF Bolivia, Katarina Johansson Mekoulou, y el ‘Amigo de la Infancia de UNICEF Bolivia’, Xabier Azkargorta.
El programa apunta a transformar el fútbol en una herramienta para el desarrollo y la protección de todos los niños, niñas y adolescentes que buscan profesionalizarse en este deporte.
La metodología del programa, que utiliza una plataforma educativa en línea, ofrece la posibilidad de comprensión y discusión sobre las oportunidades y riesgos que están presentes en la vida cotidiana de los niños, niñas y adolescentes en las instalaciones de los clubes, escuelas y programas sociales, entre otros.
“Muchas veces me he preguntado si el deporte es el vehículo más directo para transmitir valores, conocimientos y formas de vida. Pronto encontré una respuesta positiva por el carácter lúdico del deporte. Esta iniciativa profesionaliza a los educadores y este es un gran logro porque no siempre se cuenta con los agentes educadores aptos para trabajar con los niños. Por esta razón, como Ministerio nos sumamos a este empeño de Unicef”, expresó el ministro Montaño.
Confira o texto na íntegra clicando aqui
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Entrenadores de cantolao recibirán capacitación em línea de Unicef y la Universidad de Fútbol de Brasil

En busca de optimizar nuestros procesos de enseñanza-aprendizaje en el fútbol, veintidós entrenadores de la Academia Deportiva Cantolao a nivel de Lima serán capacitados a través del programa en línea con fines educativos “Educar por el Fútbol – Mi equipo es nota 10”, dirigido por UNICEF (Fondo de las Naciones Unidas para la infancia) de manera conjunta con la Universidad do Futebol de Brasil (Universidad de Fútbol de Brasil) y que cuenta con el respaldo estratégico de la CAF-Banco del Desarrollo de América Latina y la Fundación FC Barcelona.
“Educar por el Fútbol – Mi equipo es nota 10” es una plataforma de aprendizaje en línea orientada a la capacitación de los distintos actores involucrados en la práctica del fútbol tales como clubes, academias, instituciones, fundaciones y profesionales, cuyo propósito racae en asegurar la eficiencia de los métodos y condiciones pedagógicas hacia niños y jóvenes en torno a este deporte a efectos de promover su desarrollo integral.  Dicha iniciativa consta de una carga horaria de 60 horas de formación a distancia, al término de la cual se entregará un certificado.
A modo de introducción, la plana docente de Cantolao, recibió una charla sobre el curso virtual el pasado martes 15 de marzo a cargo deRodrigo Fonseca y Eduardo Conde Tega, representantes de la UNICEF y la Universidad do Futebol de Brasil respectivamente, con el objeto de transmitirles la mecánica del programa, además de las competencias de estudio que comprende el mismo. Asimismo, al evento asistieron Elizabeth Nevett, Ejecutiva de la Dirección de Sostenibilidad Social de CAF; Silvia Oteyza, Directora de Sostenibilidad Social de CAF; Gladys Gómez, Directora de la Academia Cantolao; Rodia Garay, Coordinadora Nacional del programa SOMOS: Red del Deporte para el Desarrollo de América Latina, en virtud de la alianza que une a ambas instituciones.
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