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A tática do pote de duas bocas

Guimba, treinador e craque do “Jura Que Sabe”, não declara a tática empregada por sua equipe. “Não é preciso”, ele diz. O desenho do campo de várzea a descreve melhor que ninguém. Basta vê-lo de cima: o pouco de grama que existe se concentra nas laterais, empurrado pelo terrão vermelho que domina quase tudo.

“Depois, a gente tem algum verde na região da grande área, mas nunca dentro da pequena. Onde pisa o arqueiro jamais nascerá grama”, profetiza Guimba, que chama essa tática futebolística de “pote com duas bocas”, e é aquela que, segundo ele, domina o futebol no mundo todo.

Não fosse o cuidado extremo que alguns funcionários dedicam aos gramados dos grandes times profissionais, também neles haveria um terrão vermelho dominando o meio do campo.

Foi o que Guimba disse ao repórter que o entrevistou antes do jogo no domingo frio de garoa, quando o campo fica mais enlameado e a bola mais pesada que os anos de vida de um time de veteranos. A seguir, algumas passagens da célebre entrevista que Guimba deu a um jornal de Santos.

Repórter – Por que o senhor acha que a tática maior do futebol em todo o mundo é concentrar os jogadores todos no meio do campo?

Guimba – Não é o que eu acho, é um fato. O meio do campo, tirando o goleiro, é onde jogam os jogadores de futebol. Basta examinar os campos. Olha o nosso. Por que é que não cresce grama ali no meio do campo? É porque é onde todo mundo corre. Depois, naquele lugar que vocês chamam de intermediária, há um funil, por onde só alguns passam. Repare que dos lados da boca do funil há um pouco de grama, e ali na entrada da área também. A grama nasce porque raros frequentam essa zona. Na pequena área também não tem grama, porque a disputa de bola ali é terrível, e tem o goleiro que não para de pisotear o chão. É o lugar em que a bola mais tem que ser protegida. É o gargalo, que não pode vazar.

Repórter – E o senhor não acha que isso pode ser mudado?

Guimba – Mudar pra quê? É assim que o futebol é. A gente pode mexer em muita coisa, mas o desenho é esse. São vinte e dois sujeitos correndo atrás de uma bola. A chance maior de tocar nela é no meio do campo, é dentro do pote. Ali é onde mais se pode correr, passar a bola, pensar. É onde tudo é preparado para que alguém chegue à área adversária com chances de fazer o gol.

Repórter – E as laterais, por que ali tem grama?

Guimba – Os jogadores não gostam de se movimentar por ali. É muito fácil ser desarmado ou sair pela lateral. Tudo que um jogador quer é ficar com a bola. Ele não gosta de perdê-la e nas laterais ela pode ser perdida com facilidade. É por isso que a grama nasce ali, porque tem pouca gente pisando.

Repórter – E o Garrincha, que passava quase todo o tempo na lateral?

Guimba – Gênio não se discute.

Repórter – Mas e o 4-3-3, o 4-4-2?

Guimba – É tudo conversa fiada. Você já viu 4-3-3 no Barcelona de hoje? Lá tem um monte de jogadores dominando o meio do campo, tocando a bola dentro do pote, que é a zona protegida. E eles só saem dali com um bom plano para invadir a área adversária e fazer o gol. Seria mais correto dizer que, em vez de 4-4-2, o que a gente tem durante um jogo é, num momento 1-3-1-2-2-1, noutro 2-2-3-1-1-1. Toda hora muda. Time inteligente muda a disposição dos jogadores a cada instante, porque, se não mudar, o adversário logo percebe e marca com facilidade.

Repórter – Mas se vocês sabem tudo isso, por que perdem tantos jogos?

Guimba – Porque o futebol é um jogo e a gente nunca sabe o que vai acontecer, nunca sabe qual vai ser o próximo lance. E mesmo que a gente soubesse, seria preciso ter muito mais técnica do que a gente tem para fazer o gol e impedir que o adversário o faça.

Repórter – E você não acha possível prever os lances do time adversário?

Guimba – E nem a gente quer, porque, senão, o futebol não seria divertido. Você, por acaso, assistiria a um jogo sabendo antecipadamente o resultado final?

A entrevista terminou quando Guimba disse ao repórter que faltavam 30 minutos para o início do jogo e ele tinha que se aquecer. O jogo valia taça. Tinha morrido o pai de um dos fundadores do “Jura Que Sabe” e a taça era em homenagem a ele.

O repórter ainda insistiu – “mais uma perguntinha, uma só”. Queria que Guimba dissesse sobre o jogo de hoje, como jogaria o “Jura Que Sabe”. Educado, Guimba disse que apenas repetiria o que já havia declarado: tentariam dominar o interior do pote, jogar no meio do campo, praticar aquilo que torna o futebol um jogo coletivo, ou seja, o passe.

O segredo, disse Guimba, é não perder a bola dentro do pote. “Ah”, acrescentou, “e não podemos deixar vazar água no nosso gargalo. De vez em quando, quando sentirmos que o terrão está dominado, a gente se atira para dentro da área deles, às vezes usando as laterais, tentando provocar um vazamento no gargalo deles”.

Guimba nada mais disse e o repórter nada mais perguntou. O jogo terminou 2 a 1 para os adversários. E a taça do falecido foi parar no Macuco, o bairro do time que derrotou a poderosa esquadra do “Jura Que Sabe”.


*Meu nome é Guimba. Isso mesmo, e me chamam assim por causa do monte de cigarros que eu fumava por dia e porque eu guardava as pontas para fumar depois. Isso até o dia em que eu já não conseguia mais correr atrás da bola. Qualquer corridinha e eu botava a língua para fora. E foi por isso, e não porque eu era ligado nessas coisas de infarto e tal, que eu parei de fumar. Mas o apelido ficou.

Jogo no “Jura Que Sabe”, o time dos veteranos do bairro, e esse nome pegou porque todo mundo ali pensa que joga, mas quase ninguém joga nada, é só papo de botequim, por sinal, no boteco do Novelo, que fica ao lado do campo. Ali rola o maior papo, e cerveja. Quem ouve a conversa jura que a gente joga bola.

Teve até um moço antropólogo que veio aqui procurar por nós, achou interessante o nome, quis saber de onde veio essa denominação estranha, Jurakissabi, se era indígena, até que a gente disse para ele que não tinha essa de indígena, era “Jura Que Sabe”, assim mesmo, tudo separado. O rapaz não gostou da história, mas gostou da gente, pena que ele não joga nada, não teve tempo de aprender, pois a mãe dele fazia ele estudar o tempo todo.

De cerveja ele entende, e de conversa também, mas só depois de entornar três geladas. E como a gente joga mais na mesa do que no campo, ele acabou virando um craque.

Para interagir com o autor: jbfreire@universidadedofutebol.com.br
 

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Cidade-sede: Curitiba

A cidade com as melhores soluções em urbanismo, mobilidade e maior área verde (bem maior que o índice pedido pela ONU para garantir qualidade de vida) será a cidade que contará com a Arena da Baixada como sede do evento.

Este palco, antes da candidatura do Brasil ao evento, era o mais moderno e adequado de todos os estádios brasileiros. No entanto, isso não quer dizer que estava atualizado e com capacidade de abrigar um evento de porte internacional como a Copa do Mundo Fifa. Por este motivo, a arena também passa por reformas, que, por sua vez, são as causas de tanto transtorno para Curitiba.

Em uma localização complicada pelo seu entorno edificado e bem consolidado, o estádio é um dos grandes exemplos de dificuldade na evacuação e dispersão de pessoas em momentos de emergência.

Apesar de a mobilidade urbana ser a mais eficiente do país, Curitiba pode apresentar saturações de seus sistemas, principalmente nas proximidades do estádio. Jaime Lerner, arquiteto e urbanista e ex-prefeito de Curitiba, foi um dos principais responsáveis por toda a evolução de Curitiba e seria muito legal ver na Copa a cidade se destacando com novidades e com o já existente sobre a funcionalidade da capital paranaense.

Sobre o projeto em si, as grandes modificações estão em sua fachada. Antes pesada e um tanto sem atrativos, hoje o projeto conta com uma acessibilidade maior e um potencial para naming rights pela estética simples da mesma.

Como podemos ver na imagem acima, o projeto propõe espaços de convivência, como as mesas para alimentação no térreo. Já o acesso é direto pelo mesmo nível ou por rampas que dão acesso a uma platibanda para melhor distribuição do público antes de entrar de fato no estádio, facilitando o encontro da cadeira numerada.

Para adequação do estádio ao evento, a principal mudança foi a construção da arquibancada lateral. Antes o estádio tinha forma de “U”, com arquibancadas atrás de ambos os gols e de uma das laterais somente, sendo uma pena por ser uma destas a com melhor visibilidade.

O fato desse formato era a existência de construções vizinhas. Junto a esta construção veio a casca da fachada que envolve o estádio todo junto à nova cobertura.

Sobre esta nova cobertura, ela será sustentada por treliças sob a cobertura e treliça espacial em arco travando a estrutura (ver imagem abaixo). Deve ser revestida por telhas metálicas perfuradas e de trechos com policarbonato – o que pode ajudar na manutenção do gramado. Este, por sua vez, deverá ser de grama do tipo “bermuda” mais resistente ao frio de Curitiba.

Ao mesmo tempo, para manter a qualidade, Curitiba pretende plantar a grama e, posteriormente, ainda reforçar com sementes. Além disso, contará com um sistema de drenagem a vácuo, questão que algumas cidades estão tendo problemas pela inviabilidade financeira e por não acreditarem ser necessário. A drenagem a vácuo drena cerca de quatro vezes mais rápido, em casos de temporais, que uma drenagem convencional.

O arquiteto responsável pelo projeto, Carlos Arcos, alega que o principal acesso à arena será a pé, de bicicleta ou de táxi e que, por fugir das vias mais congestionadas da capital, não terá grandes distúrbios viários. Não acredito que seja tão simples assim e, de uma forma ou outra, quem for assistir aos jogos na Arena da baixada deverá sair algumas horas antes para não perder o começo do jogo, como acontecia no Soccer City, em Johannesburg, na Copa do Mundo de 2010.

Deverão, também, se preparar para um tempo extra de comemoração depois da partida, pois serão 40.000 pessoas saindo ao mesmo tempo em vias pequenas. Uma estratégia é promover atividades na saída das partidas para que, aos poucos, as pessoas se vão.

Com uma fachada de vidro, a arena promete ter uso diário com comércio e áreas de alimentação que, somente no caso de Curitiba, por ser bem adensada a região, pode ter, de fato, um uso cotidiano e ser forte concorrente na cidade.

Para interagir com o autor: lilian@universidadedofutebol.com.br

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Além da exposição

Notícia recente publicada originalmente no site Máquina do Esporte apresenta a discussão e o ensaio de uma nova plataforma de se comunicar e se relacionar por meio do futebol, indo muito além da trivial exposição de marca e contagem do número de vezes que a mesma aparece na televisão.

Nova aqui no Brasil. Diante de um contingente de pessoas que tem vínculo afetivo direto com os clubes, as alternativas de marketing transcendem a colocação de marcas em uniforme de jogo e a consequente poluição visual da marca principal, que é a do próprio clube.

Por toda a sua representatividade, os principais clubes podem ficar cada vez menos dependentes de patrocínio de camisa e televisão, tendo um potencial gigantesco de receitas ainda inertes nas mãos dos próprios torcedores.

Não que o patrocínio e a comercialização dos direitos de transmissão não sirvam. Pelo contrário, continuam tendo e sempre terão importância significativa no bolo de receitas de um clube. Mas os recursos que estão nas mãos dos torcedores/consumidores ainda não são efetivamente canalizados para as entidades.

Começa pela bilheteria, em que os estádios possuem baixa taxa de ocupação e receita ínfima quando comparados com outros clubes pelo mundo ou até mesmo outros segmentos da indústria do entretenimento. Passa pelos produtos licenciados, algo que evoluiu muito, mas ainda está longe de alcançar todo o seu potencial.

Chega no sócio-torcedor que, aparentemente, parece ser o sonho de consumo de qualquer marca não ligada ao esporte: conhecer o perfil do consumidor detalhadamente, seus costumes, comportamento, onde está em determinadas horas, cores que gosta etc.

Enfim, ações como esta da Brahma, citadas no primeiro parágrafo, devem crescer nos próximos anos no Brasil. É fundamental, para tanto, que os clubes entendam antes do mundo corporativo o potencial de negócios que têm nas mãos, para que não fiquem à mercê dos interesses alheios em detrimento daquilo que podem captar diretamente com a sua própria marca.

Para interagir com o autor: geraldo@universidadedofutebol.com.br
 

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Conteúdo Udof>Grupos de Estudos>NF-FMH

A importância de adaptar a metodologia de treino aos princípios do Modelo de Jogo da equipe

Modelo de Jogo como linha condutora de todo o processo de treino e suas implicações metodológicas torna-se, atualmente, num dos principais temas de reflexão e alvo de exaustivos estudos teóricos e práticos, assim como, num dos mais opinados e discutidos no seio dos agentes especializados e envolvidos na área do treino.

Consensualmente, concluiu-se que considerar os sistemas de jogo como instrumento modelar de todo o processo organizacional da metodologia de treino seria um ideal demasiadamente redutor, no que diz respeito à elaboração do planeamento de um microciclo, mesociclo ou macrociclo de uma temporada e/ou temporadas desportivas da equipe, apesar de se constituir como um elemento fundamental na construção do modelo.

Esse conceito teve a sua dissuasão natural em detrimento de uma nova corrente, motivada por um conceito atual de construção de um ideal de jogo, baseado em princípios e comportamentos, individuais e coletivos, originando, assim, uma reformulação dos métodos para ensinar, desenvolver e consolidar a forma como se pretende aplicar em competição a ideia de jogar.

Quando se idealiza um Modelo de Jogo de uma equipe, será conveniente projetar um esboço final em termos globais do que se pretende aplicar em competição, e daí extrair e aprofundar todo o processo de etapas e distribuição de conteúdos organizados hierarquicamente que implicam o preenchimento deste “desenho”.

Neste sentido, dividindo cada etapa por níveis de prioridade de desenvolvimento, após primariamente ser formulado minuciosamente o conjunto de todos os princípios do Modelo de Jogo que se pretende aplicar, torna-se primordial definir qual a melhor forma para ensinar consistentemente todos os traços do modelo, isto é, como construir a metodologia de treino adequada ao contexto (as características do país, da região, da cidade, do clube, dos elementos constituintes da equipe, das idades), ao enquadramento estratégico-tático e aos objetivos intermédios e finais a alcançar pela equipe.

Para que o grau de incerteza de aplicabilidade prática em competição do modelo reduza, considero fundamental que a metodologia de treino esteja em perfeita sintonia com o ideal de jogar. A construção do planejamento anual e/ou plurianual, independentemente da distribuição de conteúdos ao longo de cada ciclo, deverá ter sempre como linha condutora os elementos constituintes do Modelo de Jogo.

As ferramentas necessárias para que o jogador conheça e aplique de forma consistente os princípios do Modelo de Jogo idealizado pelo treinador aprendem-se e desenvolvem-se essencialmente no processo de treino, através de exercícios que contenham os conteúdos informacionais, energéticos, motivacionais e de transferência para o jogo, repetidamente, com graus de exigência constantemente graduais e adequados ao nível demonstrado. As utilizações de meios auxiliares ao treino de campo, tais como, o recurso aos sistemas de vídeo, aos sistemas de tracking, aos meios de informação informática, entre outros, tornam-se elementos importantes de complemento ao treino, encerrando em si as funções de aperfeiçoamento das tarefas individuais e coletivas da equipe, proporcionando aos jogadores maior qualidade de informação e conhecimento mais aprofundado dos resultados da sua performance.

Nos escalões de formação das idades mais jovens, na fase de aprendizagem do jogo, o conceito de Modelo de Jogo deverá servir para balizar uma forma de jogar simplificada do esboço final a alcançar num escalão de referência. Considero que esta forma de jogar deverá ser definida, sob o ponto de vista vertical de organização dos escalões de formação, pela equipe referência da organizaçao.

Cada etapa de formação deverá ter em si definidos quais os conteúdos e princípios que cada jovem deverá conhecer, executar e ter capacidade para que, quando terminar o ciclo, esteja preparado adequadamente para responder eficiente e eficazmente as exigências do treino e da competição da etapa seguinte.

A ordem crescente do grau de complexidade do jogo ao longo das etapas competitivas sugere que, na base piramidal dos escalões de formação, a prioridade de planejamento e sua metolodologia de treino tenha uma gestão dos conteúdos que considere a necessidade primordial de ensinar ao jovem as ações básicas (os diversos tipos de passe e recepção de bola, cabeceio, arremate, etc.) e os princípios básicos do jogo (contenção, noção das coberturas, etc.) e que estas tenham um grau de transferência eficiente naquilo que são as características e o perfil coletivo da equipe, ou seja, no Modelo de Jogo.

A proximidade ao topo da pirâmide de formação deverá implicar que a metodologia de treino esteja cada vez mais ajustada ao nivel de exigência da competição, e que, assim, permita a aquisição de um número acrescido de “ferramentas” que se irão agregar de forma sequencial lógica às das etapas anteriores.

O uso inadequado de exercícios descontextualizados aos traços do perfil do Modelo de Jogo, ao longo de uma unidade de treino, comprometerá as respostas do jogador nos momentos de aplicação em competição. Isso porque será necessário criar exercícios de treino que permitam identificar o jogador com o que é constantemente solicitado.

Por exemplo: se um dos princípios que define o momento de transição ataque-defesa da equipe é pressionar imediatamente o portador da bola e as suas linhas de passse mais próximas, deixará de ter sentido construir exercícios onde existam momentos de transição ataque-defesa que, após a perda da bola, não haja a preocupação de realizar este comportamento.

Se multiplicarmos esta lógica pelo número de unidades de treino ao longo de uma semana, de um mês, de um conjunto de meses, o resultado final da equação traduzir-se-á na dificuldade de aplicação deste princípio em competição.

O treino e os exercícios que o constituem são um meio privilegiado para proporcionar aos jogadores “ferramentas” individuais e coletivas de aplicação no jogo, com o objetivo de promover melhor qualidade das decisões, melhor seleção das respostas e maior capacidade de executar com sucesso constantemente.

O planejamento de uma sequência de exercícios de complexidade e dificuldade progressiva ao longo de uma unidade de treino e/ou ciclo deverá provocar no atleta e na equipe o aumento da capacidade para responder as exigências, promovendo o desenvolvimento da capacidade de reinventar sucessivamente as suas respostas em função dos diversificados problemas que o jogo oferece, respostas estas condicionadas pela orientação dos princípios do Modelo de Jogo.

Uma metodologia de treino interdependente do Modelo de Jogo, sob o ponto de vista do planejamento do processo de treino e condução de uma equipe, permitirá reduzir significativamente a diferença entre aquilo que se pede e aquilo que deverá ser feito, permitindo, assim, aos treinadores ter maior controle sobre os fatores que influenciam o desenrolar do jogo.

*Treinador de Futebol de Formação do Sport Lisboa e Benfica

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Fifa testará ‘olho de falcão’ em amistoso. Será que agora vai?

Olá, amigos!

Embora seja um tema recorrente em nossas discussões, é importante salientar os passos e rumos que estão dando sequência à entrada – ou, pelo menos, iminente entrada – da tecnologia como ferramenta de auxílio à arbitragem no futebol.

A Fifa anunciou que a tecnologia de câmeras para verificar se a bola ultrapassou a linha do gol, denominada de HawkEye (Olho de Falcão, em tradução livre), será utilizada num amistoso no estádio de Wembley entre Inglaterra e Bélgica no próximo dia 2 de junho. Tal tecnologia já foi testada na própria Inglaterra em um jogo de uma divisão inferior.

A entidade ainda realizou nesta semana testes na liga da Dinamarca, com outra tecnologia, através de um chip na bola, denominada GoalRef.

Nela, o relógio do arbitro indica se a bola ultrapassou a linha de gol ou não, combinada com uma estrutura nas traves e um chip na bola.

São testes que estão sendo preparados desde o ano passado, quando foi feita a abertura de um edital para empresas desenvolverem tecnologias que pudessem acrescentar.

Esses testes ainda não estão sendo realizados com interferência direta no jogo, isto é, os efeitos e informações obtidos pelo uso dos recursos estão apenas em observação.

Já é um avanço, e todos nós esperamos que isso se transforme em boa notícia no congresso da entidade que acontecerá em julho e no qual se espera o anuncio da adoção de recursos como ferramentas auxiliares à arbitragem

Será que agora vai? Torçamos!

Para interagir com o autor: fantato@universidadedofutebol.com.br
 

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A análise de desempenho no futebol – parte III: relatórios

No capítulo anterior de nossa série sobre análise de desempenho, as informações de jogo foram discutidas a fim de trazer luz a alguns pontos importantes ao desempenho da equipe e de seus jogadores.

Na coluna desta semana, quero abordar um tema extremamente importante em todo o processo de análise dentro de um clube, que é o relatório.

O relatório é o documento que apresenta as informações pertinentes a cada departamento e aos profissionais envolvidos com o desempenho dos atletas e da equipe.

Se esse documento for mal elaborado, toda a análise é jogada por água abaixo.

É isso mesmo!

Pense: fiz uma análise voltada para o desempenho de meus jogadores em um jogo hipotético e fiz o relatório.

Problema resolvido?

Não!

Para quem ele foi feito? Por quê? Qual a visão de jogo de quem recebeu o mesmo? O mesmo foi considerado importante para o destinatário?

Não basta fazer a análise e elaborar o relatório com base naquilo que sabemos apenas! Lembre-se: o jogo é complexo, caótico, passível de muitos pontos de vista.

Tudo bem, mas, então, não faço o relatório?

Óbvio que não!

O analista precisa se atentar para a visão de quem vai receber seus relatórios e tentar levar o máximo de informações relevantes possíveis.

Por que digo isso?

Em uma aula que fui ministrar sobre a análise de desempenho, um de meus colegas disse que tinha dificuldades em trabalhar com alguns treinadores, pois os mesmo não entendiam aquilo que ele queria dizer em seus relatórios.

Eu disse a ele a mesma coisa que afirmo na coluna: o relatório precisa se adequar ao contexto em que ele está inserido, mas não a fim de distorcer a informação ou baixar o nível de entendimento de jogo, mas simplesmente trazer as informações em linguagem e conceitos adequados.

Em outras palavras, o analista precisa ter a capacidade de gerar um relatório que atenda o treinador que estuda a neurociência, a geometria fractal, a complexidade, a teoria do caos, o treinador que baseia sua análise em sua experiência de campo, o treinador que estuda os princípios e sub-princípios de jogo, o treinador que não estuda, o treinador que não quer estudar e assim por diante.

Não importa para quem seja o relatório: o treinador (ou outro profissional envolvido no processo) precisa olhar para o mesmo e extrair informações que o faça estar mais perto da vitória e/ou da formação de atletas melhores.

Isso é fato!

Os relatórios precisam ser um espelho do jogo. Espelho que é circunstancial e se adapta ao observador, mas não se quebra e nem distorce a imagem.

É fácil fazer isso?

Não! É um exercício por vezes extremamente desgastante, mas que sempre leva o analista a uma nova zona de desenvolvimento.

Mas, por onde devo começar? Que informações coletar?

Comece olhando para o jogo e observando o que faz uma equipe ganhar da outra. O que está se destacando?

Converse com a comissão, veja a visão dela sobre o mesmo jogo, coloque sua opinião, veja se é aceita e vá, assim, estruturando seu pensamento e colocando as informações pertinentes no relatório.

Não há fórmula.

Há apenas uma vontade de fazer as coisas acontecerem e aprender com a diversidade de visões que temos em nosso futebol. Cada um pode contribuir de uma forma diferente para a visão do analista.

———-

Chegamos ao fim da primeira temporada da análise de desempenho com reticências, pois a série continua! Ainda temos muito a discutir…

Até a próxima!

Para interagir com o colunista: bruno@universidadedofutebol.com.br

Leia mais:
A análise de desempenho no futebol – parte I: dados gerais
A análise de desempenho no futebol – parte II: informações de jogo

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A complicada linguagem que atrasa o futebol

O jogo de futebol é um confronto entre sistemas caóticos determinísticos com organização fractal. Esta frase, que bem caracteriza a modalidade, é inadequada para ser utilizada em muitos ambientes em que se discute o futebol!

Apesar de ser uma expressão equivocada para determinadas ocasiões, muitos fazem questão de pronunciá-la (ou então outras frases com semelhante grau de dificuldade) para evidenciarem seus conhecimentos acerca do jogo e também para se sentirem superiores.

No cenário atual, milhares de profissionais que atuam neste esporte não têm acesso ao conhecimento científico. Se nem os princípios básicos do treinamento, mais especificamente, do futebol estão sistematizados para estes profissionais, o que dirá da compreensão das tendências, como as leituras da teoria da complexidade, que são pouco discutidas inclusive em ambientes acadêmicos representativos?

Sabemos que os motivos que fazem com que dirigentes (ex-jogadores ou não) e ex-jogadores (que ingressam no corpo técnico) não adquiram conhecimento científico atualizado são diversos, mas não é tema da coluna discuti-los. O fato é que, mesmo sem o referido conhecimento, estes profissionais possuem algumas competências que os credenciam para trabalhar com futebol.

Compreendido este cenário, as pessoas que detêm o conhecimento atualizado sobre o futebol têm a missão de conseguirem transmitir as informações aprendidas de maneira simplificada, mas não menos complexa e, citando o colunista especial Cézar Tegon, se fazerem entender.

Hoje, não faltam oportunidades para a aproximação das pessoas. Seja num relacionamento real ou num virtual, inúmeras são as situações que podem aproximar os diferentes perfis de profissionais do futebol.

Se um dia, leitor (que, se está lendo este portal, tem grande possibilidade de estar interessado em adquirir conhecimento científico atualizado), você tiver oportunidade de discutir a modalidade e todos os seus desdobramentos (treinamento, jogo, análise de jogo, jogadores, planejamento, categorias de base, negociações, contratações, etc.) com algum profissional sem a competência do conhecimento científico recente, não tente querer mostrar que sabe mais do que ele sobre o tema através de uma linguagem rebuscada e, de certa forma, difícil.

Esforce-se para acessá-lo e fazer com que fique instigado em entender mais sobre o jogo (e seus desdobramentos), nem que para isso seja necessário facilitar a comunicação.

E não confunda a facilitação da comunicação com a “boleiragem”. Tentar ser ouvido com uma linguagem simples e eficiente que represente bem a importância do assunto é bem diferente de exercer um comportamento marrento, com os trejeitos característicos de muitos que trabalham com este esporte.

Numa conversa, é perfeitamente possível falar de complexidade, sistemas, modelo de jogo, fractais, lógica do jogo, princípios, referências e momentos do jogo sem utilizar estas palavras e expressões.

Já pensou o quanto o nosso futebol pode ganhar se, pouco a pouco, os ex-jogadores (que treinaram de maneira fragmentada ao longo de toda a carreira) forem convencidos de que ao invés de treinar o físico, depois o técnico e por último o tático, é possível treinar todas as vertentes ao mesmo tempo?

O quanto conseguiremos equipes mais organizadas se todos compreenderem que para tentar manter a ordem no grande ambiente de desordem que é o jogo de futebol, orientações coletivas precisam ser estabelecidas e previamente treinadas?

Quantos atletas mais criativos e autônomos teremos, uma vez que no ambiente de treino predominará situações imprevisíveis semelhantes ao jogo?

Se os dirigentes ampliarem sua visão sobre o treinamento em futebol, será que permitirão treinos ultrapassados realizados pela sua comissão técnica?

Enfim, a aproximação entre os profissionais que dominam a teoria e os que têm maior espaço no mercado de trabalho do futebol de alto rendimento pode ser uma das maneiras de acelerar o processo de mudança do futebol brasileiro. Para isso é certo que os dirigentes e ex-jogadores devem perder o medo do novo e estarem abertos às novas aprendizagens.

Para que o novo não gere espanto, é fundamental que a teoria seja facilitada. Deixem as expressões difíceis para os ambientes em que forem convenientes (e eles são muitos).

Se as ações estiverem direcionadas para a lamentação da falta de espaço para pessoas que dominam o conhecimento teórico, mas têm pouca experiência prática, dificilmente observaremos mudanças. Portanto, não se queixe diante do cenário e aproveite sua oportunidade!

Para interagir com o autor: eduardo@universidadedofutebol.com.br
 

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O crescimento do Direito Desportivo

Nos últimos quinze dias pulularam pelo Brasil uma série de eventos sobre direito desportivo.

O primeiro se deu no dia 10 de maio, quando se realizou em Ipatinga o I Congresso de Direito Desportivo de Ipatinga.

O evento foi promovido pelos estudantes de direito do 7º período da Faculdade de Direito de Ipatinga, Cíntia Garcia Silva e Herbert Cota Corrêa Neto, em parceria com Faculdade de Direito de Ipatinga-FADIPA, o Diretório Acadêmico da mesma-CHAPA MAIS, LDI – Liga de Desportos de Ipatinga IMDD – Instituto Mineiro de Direito Desportivo, IBDD – Instituto Brasileiro de Direito Desportivo e OAB Seccional de Ipatinga-MG.

Ademais, o evento contou com o apoio de IFC – Ipatinga Futebol Clube, Repros, Patty Publicidade, Academia Olímpius, Márcio Contabilidade, DGM Áudio Visual.

Além da minha participação falando sobre a Lei Geral da Copa, o evento contou como Felipe Tobar (Estatuto do Torcedor), Lucas Ottoni, advogado do Clube Atlético Mineiro (Novos Rumos do Direito Desportivo) e culminou com a palestra do técnico da seleção brasileira sub-20 e coordenador das categorias de base da CBF, o treinador Ney Franco.

Com a presença de cerca de quatrocentas pessoas, o evento foi um sucesso e teve como destaque o primor na organização.

Na mesma semana, nos dias 9 e 10, foi realizado em Goiânia o II Encontro de Direito Desportivo. O evento, organizado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região (TRT-18) e pelo Grupo de Estudo do Direito Desportivo Trabalhista (GEDDT), contou com o apoio da OAB-GO, por meio da Comissão de Direito Desportivo.

O tema central do encontro foi o Direito Desportivo Trabalhista e teve como palestrantes, entre outros, ministros e desembargadores da Justiça do Trabalho, o consultor jurídico do Ministério dos Esportes, Wladimyr Vinycius de Moraes Camargos, e o advogado Gustavo Normaton Delbin, sócio da AidarSBZ Advogados.

Na semana seguinte, precisamente no dia 18 de maio, com o apoio da OAB/Jundiaí e com organização dos advogados Édio Hentz Leitão e Eduardo Berol, foi realizado o I Encontro de Direito Desportivo da OAB/Jundiaí.

Também apoiaram o evento, o IBDD (Instituto Brasileiro de Direito Desportivo), o IIDD (Instituto Iberoamericano de Derecho Desportivo), a Panificadora Keli e a Frutiquello Sorvetes.

O encontro contou com quatro painéis. O primeiro, apresentado pelo advogado Eduardo Berol, tratou do assédio moral na relação trabalhista desportiva; na sequência, Gustavo Normaton Delbin tratou da Lei de Incentivo ao Esporte; eu falei sobre a Lei Geral da Copa e seus reflexos no Estatuto do Torcedor e, ao final, José Edgard Galvão Machado, gerente jurídico do São Paulo Futebol Clube, debateu a Gestão Jurídica e a prática da advocacia nos grandes clubes de futebol.

Além dos palestrantes, a OAB/Jundiaí recebeu como presidentes de mesa e debatedores, entre outros, o advogado do Clube Atlético Mineiro, Lucas Ottoni, o advogado e articulista do IBDD, Edio Hentz Leitão, e o assessor jurídico do Joinville Esporte Clube , Roberto Pugliese Júnior.

Ao final, os presentes manifestaram satisfação com os temas e debates ressaltando a necessidade de maior difusão do Direito Desportivo.

Promovido pela Secretaria Extraordinária da Copa do Mundo 2014, em parceria com a OAB/Canoas, aconteceu nesta quinta-feira, 24 de maio, o “Painel: Lei Geral da Copa – Questões sobre a Liberação de Bebidas Alcoólicas nos Estádios”, com a participação do advogado especialista em Direito Desportivo, Daniel Cravo, do Comandante do 15º Batalhão da Polícia Militar de Canoas, Mário Iukio Ikeda e de representantes das Faculdades de Direito de Canoas e da UniRitter.

O mês de maio “jurídico-desportivo” terminará nos dias 30 e 31 de maio com ciclo de palestras realizado na UNI-BH, em Belo Horizonte. Além de mim e de Lucas Ottoni, que trataremos respectivamente da Lei Geral da Copa e dos Novos Rumos do Direito Desportivo, haverá palestras do Auditor do STJD, Paulo Bracks, sobre Justiça Desportiva e do advogado e agente de atletas Luciano Brustolini falará sobre “Direito Internacional Desportivo: Soberania do Estado e Hierarquia”.

Tais eventos demonstram o crescimento do interesse pelo Direito Desportivo, bem como a sua relevância no seio da comunidade jurídico-desportiva, especialmente no momento que o país se prepara para organizar os maiores eventos esportivos do planeta.

Espera-se que em breve contemos com maior número de cursos acadêmicos na área, especialmente mestrados e doutorados, bem como que o Direito Desportivo se torne uma cadeira na graduação do Direito e de áreas afins como Administração, Economia e Educação Física.

Para interagir com o autor: gustavo@universidadedofutebol.com.br
 

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Cidade-sede: Fortaleza

De patinho feio a um dos estádios mais organizados e bem elaborados da Copa 2014. O Castelão, desde sua divulgação inicial, desenvolveu-se muito em qualidade, mostrando grande evolução arquitetônica.

Com torres de energia eólica, potencial do litoral nordestino, o projeto tem intuito de minimizar os gastos energéticos com o “Green Goal”, conforme pede o manual de recomendações da Fifa. Além disso, tem propostas básicas de reuso de água da chuva e escolha de materiais de baixo impacto ambiental e reaproveitamento, conforme diz o arquiteto Hector Vigliecca, grande profissional uruguaio com atuação há muitos anos no país.

O projeto original, que antes tinha uma cobertura mais bruta, provocava sombra irregular no gramado. Hoje a cobertura é mais leve e, embora na imagem mostre bastante sombra (talvez por uma simulação de fim de tarde), acredito que tenha uma interferência menor no gramado, maior transparência e uma estrutura mais esbelta. O material usado pretende refletir os raios solares amenizando a temperatura interna.

Felizmente, por ser mais próxima ao Equador comparada a outras cidades-sedes, a necessidade de diferentes graus de transparência na cobertura é menor e o gramado pode ter condições de manter-se em boa qualidade para jogo, desde que com os cuidados básicos.

Os ventos em Fortaleza provocariam diferentes situações/forças na cobertura, portanto o projeto garante segurança com ventos de até 110km/h.

O projeto é uma reforma, demolindo somente parte da arquibancada superior para colocação dos camarotes Vips e a arquibancada inferior, para o rebaixamento do campo em 4m, o que pode aproximar o público da partida. No entanto, passa a exigir alguns equipamentos de segurança e profissionais para garantir que ninguém invada o campo.

Há uma necessidade de se preocupar com a interferência das placas de publicidade à beira do campo, que, se não for colocado já no estudo de visibilidade com a altura real dos padrões da Fifa, interfere nos limites do campo, perdendo fileiras de arquibancada como aconteceu na Copa de 2010, na África do Sul.

Da mesma forma deve ser estudado o banco de reservas, que raramente está nos projetos de visibilidade, mas que neste já consta. Felizmente a Fifa prevê materiais adequados para minimizar alguns problemas. Geralmente eles devem ser rebaixados, que é a forma como aparece nas imagens deste projeto.

A plataforma de acesso criada para o estádio separa os torcedores comuns, acima dela, dos Vips, abaixo da mesma. Também sob a esplanada, estará a Secretaria de Esportes do Ceará, acesso da imprensa e estacionamento.

A reforma é característica interessante para adequação de um estádio em más condições ou desatualizados. Mantém-se o necessário, principalmente a estrutura das arquibancadas, e cria-se uma fachada e cobertura com estrutura independente. No caso do Castelão, a estrutura de aço carbono tubular da fachada é formada por 60 pilares treliçados, como podemos ver abaixo.

A combinação da estrutura metálica, que se encaixa às arquibancadas de concreto antigas, complementa sua função a partir do momento em que amortece as oscilações estruturais, ajudando, assim, a minimizar as vibrações causadas pelas torcidas. Essa suavização acontece pela ligação com a arquibancada e com o solo.

A fachada mostra revestimentos diferentes para orientações diferentes do estádio. Isso garante maior aproveitamento de ventilação e iluminação natural para que haja economia energética conforme a orientação solar e fachadas mais ou menos ensolaradas.

O acesso às arquibancadas é feito de forma radial, portanto, o público se espalha melhor em momentos de aglomeração, como na saída de partidas, por exemplo. Outra questão importante neste projeto é que desde a plataforma externa de acesso, o torcedor pode alcançar através das rampas intercaladas, uma subindo e outra descendo, o anel superior ou inferior, conforme o ingresso indica, facilitando a acessibilidade ao lugar numerado.

Para atingir o anel superior, no entanto, há uma escadaria até as aberturas das arquibancadas. A acessibilidade a portadores de deficiência, portanto, fica limitada ao anel inferior, o que é, de certa forma, comum. Tais características podem ser observadas pelas imagens abaixo.

Com a praticidade do projeto e tecnologias atuais, a obra se mantém como a mais avançada para a Copa e sediará uma das semifinais da Copa das Confederações 2013, evento teste e classificatório para a Copa do Mundo 2014.

Para interagir com o autor: lilian@universidadedofutebol.com.br

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Interatividade

Não é novidade a interatividade dos meios digitais de comunicação atualmente. A internet junto com as redes sociais permitem uma liberdade enorme para criar e se relacionar com o público-alvo.

A Nike lançou a campanha “My Time is Now” com grandes craques da marca em um projeto que trabalha o canal de vídeos Youtube em sinergia com o Facebook, permitindo um nível de interação ímpar com os jogadores e a marca.
 


 

No ano passado, o Bayern de Munique fez uma campanha pelas redes sociais para escolher o cruzamento de um daqueles torneios de verão de pré-temporada europeia, envolvendo inclusive o Internacional-RS. O público poderia escolher o primeiro chaveamento da competição, que classificaria para a final na Allianz Arena os times vencedores.

Enfim, exemplos e modelos não faltam. É bem verdade que algumas reportagem têm dado conta que as empresas estão, na verdade, ainda “pisando em ovos” quando o assunto tem relação com ações de marketing nas redes sociais. Como tudo é muito novo e a repercussão pode ser “n” vezes multiplicada, os cuidados em fazer campanhas a este nível devem ser relevados.

E este parece ser um ótimo canal de comunicação com os milhões de torcedores que alguns clubes possuem. O Corinthians fez muito bem isso na campanha do centenário e da República Popular do Corinthians que, aliás, foi premiado em alguns festivais de publicidade.

Abrir os horizontes, inclusive em parceria com as marcas que patrocinam o clube, deve trazer resultados positivos para a entidade.

Com base em tudo que foi falado e nas inúmeras publicações que saem diuturnamente sobre o assunto, finalizo com algumas perguntas no ar: estaríamos em um momento de ter no departamento de marketing dos clubes uma equipe especializada em mídia digital e comunicação pela internet? Demorou? Estamos preparados para absorver esta inovação?

Para interagir com o autor: geraldo@universidadedofutebol.com.br