Categorias
Sem categoria

Disputa de 3º lugar

Real Madrid e Barcelona foram eliminados da Uefa Champions League.

Um dia depois do outro, caíram os gigantes espanhóis.

Se houvesse disputa de 3º lugar na competição, o clássico os colocaria frente a frente, sob os holofotes.

Simbolicamente, os holofotes apagaram para os dois grandes times desta temporada.

Ambos são ricos, possuem equipes poderosas, estrelas de classe mundial, como Cristiano Ronaldo e Messi, sem citar outros tantos jogadores internacionais.

Mourinho, treinador conhecido como “Special One” que, dentre outras frases a ele atribuídas, diz que “não sou melhor que ninguém, mas ninguém é melhor que eu”.

Guardiola, incensado como consequência das vitórias e filosofia de trabalho incorporadas à rotina do Barcelona.

Havia gente que estava torcendo contra o Barcelona, pois não aguentava mais vê-lo ganhar jogos e títulos – e pra isso, até torcendo a favor do Real Madrid, reputado como o único a batê-lo.

Dois Golias. Derrubados por dois Davis – Chelsea e Bayern farão a final da competição européia na Alemanha.

Entretanto, quem realmente está em 3º lugar são todos os outros clubes do futebol mundial. Incluo Chelsea e Bayern.

Em que pese Barça e Real terem ficado pelo caminho, são exemplos de clubes bem administrados, globais, e que, dentro de campo, protagonizam o melhor do futebol mundial. Cada um com sua filosofia institucional bem demarcada.

O Barça aproveita melhor suas “canteras”. O Real forma jogadores que brilham em outros clubes.

Subir ao mesmo patamar institucional sólido dos dois clubes é algo difícil. Milan, Manchester United, Bayern, Liverpool ali estão.

Esse vigor é conquistado ao longo da história dos clubes, que ensina, em especial, nos obstáculos e nas derrotas.

A famosa declaração de Michael Jordan ilustra a fortaleza adquirida em tempos de derrota:

“Eu errei mais de 9000 arremessos na minha carreira. Perdi quase 300 jogos. Em 26 vezes, confiaram em mim pra fazer a cesta da vitória, e eu errei. Eu falhei uma vez, de novo, e outra vez na minha vida. E é por isso que eu obtive sucesso”.

Poucos são os grandes na história da humanidade, mas a todos eles é comum algo de ousadia, loucura, sabedoria e equilíbrio.

Em tempos de vitória ou derrota.

Que, segundo o provérbio budista, considera que “a flecha que atinge o alvo é resultado de cem erros”.

Poucos são os que atingem o alvo, e que podem atingi-lo mais de uma vez.

Barça e Real poderão.

Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br
 

Categorias
Sem categoria

Os ensinamentos de Felipão e o desenvolvimento do cabeceio – parte III: atividades práticas

Queria destacar que nesta semana vamos chegar ao fim da trilogia “Os ensinamentos de Felipão e o desenvolvimento do cabeceio”. Pelo menos por enquanto…
Gostaria antes de mais nada de salientar minha satisfação com o retorno de vocês, leitores: foram muitas discussões e todas elas, de certa forma, me ajudaram a refletir sobre o jogo e tudo o que o envolve. Obrigado!
Peço desculpas àqueles que ainda não foram respondidos, mas fiquem tranquilos que darei o retorno.
Então, vamos lá!
Gostaria de abordar algumas atividades práticas para o desenvolvimento do “cabeceio”, que foi o grande fator gerador da discussão.
Como vimos, o cabeceio, em si, aparentemente não foi o único problema apresentado pela equipe, porém faz parte do processo desenvolver a ação com bola do jogador e é neste ponto que nos focaremos nesta coluna (atividades para a organização de bola parada podem ser vistas na coluna “As bolas paradas”. E em próximos textos vou abordar as transições).
A atividade proposta por Felipão (conforme descrição da matéria, a bola ficava presa em uma forca e os atletas tinham de saltar e efetuar o cabeceio) age nesse aspecto principalmente, porém, como a sua complexidade não é da mais elevada, a ação do treinador é fundamental para a criação de um ambiente adequado para o desenvolvimento da ação em si e, mais do que isso, que mexa com a intencionalidade do atleta e no ataque a bola em jogadas aéreas.
Abaixo, seguem atividades para o desenvolvimento da ação com a bola “cabeceio”.
Atividade 1
Tal atividade foi elaborada por Leandro Zago e, além de ser utilizada na base do Corinthians, é aplicada no departamento de formação de atletas do Manchester United.
Descrição
– Atividade de 2×2, em que o objetivo da equipe que tem a bola é fazer o gol na equipe adversária através de um cabeceio. Toda a linha de fundo da equipe se configura como o gol e a altura é definida pela máxima altura que os jogadores podem saltar. Para defender o gol, os atletas não podem usar as mãos, porém para levantar a bola para o cabeceio do companheiro as mãos podem ser utilizadas.
Regras e Pontuação
-Equipe marca ponto quando fizer o gol no adversário.

 
Atividade 2
Descrição
– Atividade de 5X5+Goleiro dentro da área mais dois “coringas” fora. O objetivo das equipes é marcar o gol no adversário após o cruzamento dos “coringas” que jogam para as duas equipes.
Regras e Pontuação
– Equipe marca 3 pontos se fizer o gol de cabeça após o cruzamento.
– Equipe marca 1 ponto se fizer o gol (sem ser de cabeça) após o cruzamento.

 
 
Atividade 3
Descrição
– Atividade de 11×11 + 4 “coringas” que ficarão no escanteio para a cobrança rápida. Jogo formal, porém toda a vez que a bola sair pela lateral no campo de ataque a equipe tem o direito da cobrança do escanteio do lado em que a bola saiu; como o “coringa” já está posicionado para a cobrança, as equipes precisam se organizar rápido para a cobrança.
Pode ser feito isso para faltas laterais ou mesmo frontais. Como as equipes têm pouco tempo para se organizar, a mesma deve ser utilizada em momentos mais avançados do processo.
Regras e Pontuação
– Equipe marca 3 pontos se fizer o gol a partir da cobrança de escanteio.
– Equipe marca 1 ponto se fizer o gol no jogo formal.

 
Chegamos ao fim da trilogia.
Vimos que a visão sobre o jogo influencia o treino.
Que o treino não é apenas uma soma de atividades.
Que o treinador transcende o método.
Método que é importante.
Mas não é tudo.
E que, no fim, temos muito que aprender ainda…
Até a próxima!
Para interagir com o colunista: bruno@universidadedofutebol.com.br

Categorias
Sem categoria

Banco de jogos – jogo 4

A fração de segundo que envolve o comportamento da equipe na transição ataque-defesa é determinante para um bom desempenho de jogo dado os inúmeros gols que acontecem em transição ofensiva. Portanto, ter uma rápida mudança de atitude e assertivas ocupações de espaço tanto individuais como coletivas podem contribuir para a recuperação da posse de bola ou, ao menos, para o atraso da ação ofensiva adversária.

No jogo desta semana, cumprir bem as regras do jogo e, dessa forma, se aproximar da vitória, implica ter um bom desempenho após perder a posse de bola.

Jogo Conceitual em Ambiente Específico de Transição Defensiva

– Dimensões do campo oficial. ~ 100m x 70m;
– Campo dividido em 6 faixas horizontais (16m, 17m, 17m, 17m, 17 e 16m);
– Campo dividido em 4 faixas verticais (~17,5m);
– Formam-se, então, 24 quadrantes como o identificado na figura abaixo;
– Tempo de atividade, incluindo esforço e pausa, a critério da comissão técnica, em função dos objetivos desejados.

Plataforma de Jogo Equipe A (preta): 1-4-2-3-1
Plataforma de Jogo Equipe B (azul): 1-3-4-1-2

Regras do Jogo

1.Limite de 2 toques por jogador no campo de defesa e livre no campo de ataque;

2.Perder a posse de bola no campo de defesa e não recuperá-la em até 5” com o adversário mantendo a posse à frente do meio = 1 ponto para o adversário;

3.Perder a posse no campo de ataque e durante 8” para cada passe em que houver mudança de quadrante da bola e não houver a pressão de pelo menos 1 jogador no setor em que se originou o passe = 1 ponto para o adversário;

4.Perder a posse no campo de ataque e recuperá-la em até 5” com dois jogadores no quadrante em que estava a bola = 1 ponto;

5.Perder a posse no campo de ataque e recuperá-la em até 5” com dois jogadores no quadrante em que estava a bola e o restante da equipe em, no máximo, 3 faixas verticais e 3 faixas horizontais (com exceção do goleiro) = 2 pontos;

6.Gol = 10 pontos;

7.Pontuar na transição defensiva (regras 4 ou 5) + gol em até 10”= 20 pontos.

Assista aos vídeos com os exemplos de algumas regras:

Regra 2
 


 

A equipe preta perde a posse de bola no campo de defesa e não a recupera em até 5 segundos. Esta ação vale um ponto para a equipe azul.

Regra 3
 


 

A equipe azul perde a posse de bola no campo de ataque e durante 8 segundos há três passes realizados sem a pressão de pelo menos um jogador no setor em que estava a bola. Esta ação vale três pontos para a equipe preta.

Regra 5
 


 

A equipe azul perde a posse de bola no campo de ataque e a recupera em até 5 segundos com dois jogadores no quadrante em que estava a bola e o restante da equipe em até 3 faixas verticais e horizontais. Esta ação vale dois pontos para a equipe azul.

Regra 7
 


 

Após pontuar com a transição defensiva (vide regra 5), a equipe preta não recupera a posse em até 5” e, além disso, a equipe azul faz o gol em menos de 10”. Esta ação vale vinte e três pontos (2+1+20) para a equipe azul.

Para a gestão deste jogo aconselha-se, além do árbitro, a utilização de um auxiliar com a responsabilidade da análise, intervenções e contagem de pontos para cada uma das equipes. Para isso, a comissão técnica deve ter como pré-requisito a compreensão do jogar que se pretende atingir.

Bons treinos!

Para interagir com o autor: eduardo@universidadedofutebol.com.br

Leia mais:
Banco de jogos – jogo 1
Banco de jogos – jogo 2
Banco de jogos – jogo 3
 

Categorias
Conteúdo Udof>Colunas|Sem categoria

Gilberto Perin, fotógrafo e autor de “Camisa Brasileira”

“Camisa Brasileira” carrega em sua apresentação a seguinte frase: “os bastidores de um futebol que ninguém vê”. Curioso e saudoso, Gilberto Perin, então, agregou os dois sentimentos e produziu um ensaio com 110 fotografias captadas nos vestiários da segunda divisão do futebol gaúcho, acompanhando o Grêmio Esportivo Brasil, da cidade gaúcha de Pelotas.

Alegria, dor, religiosidade, drama de quem se lesiona ou é expulso, em formato de imagem, são aspectos que passam a ser acessíveis para torcedores e imprensa com o trabalho de Perin, cujo texto de Aldyr Garcia Schlee – criador da camisa “canarinho” da seleção brasileira – dá o toque final.

“Nesse livro não há imagens de craques renomados. Aqui há o anonimato de jogadores de futebol do interior do Brasil que dependem do resultado de cada jogo para a própria sobrevivência”, simboliza Schlee.

Por intermédio dele, torcedor do Brasil-RS, que Perin consegui se aproximar de Helder Lopes, presidente do clube à época. Com a autorização para o ensaio fotográfico, o próximo passo foi dado.

“Conversei uma única vez com todos os jogadores e comissão técnica, expliquei o projeto e fiz ‘um pacto de invisibilidade’ com eles. Combinei que ficaria ‘invisível’, sem interferir na rotina do vestiário”, relembra Perin.

Para captar a intimidade do grupo gaúcho, de modo até paradoxal, o fotógrafo, que é bacharel em Comunicação Social pela Faculdade de Comunicação Social da PUCRS, evitou a convivência mais próxima. Deste modo, pode transitar durante quatro meses pelos “locais sagrados” onde o time disputava a divisão de acesso do Estadual.

“Com o máximo de liberdade, consegui dar a minha visão estética e emocional de gente que se encontra em momentos limite de tensão, alegria, disputa. E, também, é claro, revelar um mundo desconhecido – e proibido – para torcedores e mídia”, acrescenta Perin, que também é diretor de cena, roteirista, jornalista, radialista e dirige o Núcleo de Programas Especiais da RBS TV, em Porto Alegre, com a produção de documentários e programas de ficção.

O lançamento oficial da obra, no Museu do Futebol, aconteceu no primeiro semestre do ano passado. Desde o último mês de fevereiro, entretanto, o público que visita o espaço anexo ao estádio do Pacaembu tem a chance de visualizar alguns dos cliques propostos por Perin na exposição “Vestiário” .

Ao lado de Felipe Barbosa e de VJ Spetto, ocorreu uma verdadeira fusão de três tipos de artes distintas: fotografia, mapping e artes plásticas. Num jogo de sobreposições, alguns dos imaginários que flutuam em torno do intimista ambiente acabaram deflagrados.

“A fotografia, hoje, procura mais caminhos. Ela virou mais experimental e faz parte de um conjunto que é integrado a todos os outros produtos de área audiovisual. Virou pintura, ilustração”, resume Perin.


 

Universidade do Futebol – A sua relação específica com o futebol nasce de onde, e como você traduz isso com o desenvolvimento dos seus trabalhos profissionais?

Gilberto Perin – Nasci no interior do Rio Grande do Sul com meu pai ouvindo jogos pela rádio. Esse meio de comunicação esteve sempre ligado e minha paixão começou a ser despertada aí. O som do domingo era a rádio ligada no futebol.

Nunca fui atleta, muito pelo contrario, mas sempre gostei de assistir às partidas. E o Canal 100 também era outro atrativo na minha infância. Isso tudo formou um imaginário na minha cabeça.

O tempo passou, e na minha fase atual, em 2010, percebi, como reflexão, que o lado íntimo, os bastidores dos times, não era aberto ao público. O jogo se transformou em outra coisa. Perdeu aquela relação intimista, em que os torcedores e a imprensa entravam no vestiário, etc. Algo mais amador, no sentido mais pleno da palavra, de amar a coisa. E eu queria recolocar esse sentimento nas fotografias de um jeito diferente. E surgiu o projeto “Camisa Brasileira”.

Universidade do Futebol – No livro “Camisa Brasileira”, você apresenta um ensaio fotográfico sobre um universo pouco conhecido acerca das atividades e do comportamento dos milhares de trabalhadores do futebol, os que jogam e os que os apóiam. Quais aspectos no processo de confecção da obra são destacáveis?

Gilberto Perin – As dificuldades para implementar o projeto foram grandes, pois o vestiário é um lugar sagrado para os atletas e profissionais envolvidos no futebol, e consegui através de algumas pessoas uma aproximação com o Grêmio Esportivo Brasil, de Pelotas-RS.

Não planejei nenhum tipo de foto. Queria mostrar mais como os jogadores se sentiam e como eu sentia que eles se sentiam. Seria interessante tentar traduzir um impacto visual, mas também conseguir demonstrar, a partir da falta de luz, toda aquela exaustão deles, as emoções, de um jeito meu de enquadrar, de como cortar, ou de como não mostrar.

Muitas vezes, o mais importante está fora da foto, e não nela. Trata-se de uma concepção estética, mesmo.

Para mim, não eram apenas fotos de esporte. Era, antes de tudo, reviver um tempo que existia na minha memória, e depois fotografar uma gente que trabalha e está muito tensa durante muito tempo.

O pedido era para me deixarem circular, e não houve problema de relacionamento nenhum com os jogadores.

Universidade do Futebol – Como foi esse contato com eles?

Gilberto Perin – Usei de um subterfúgio até um pouco “chantagista” (risos). Peguei fotos das décadas de 50, 60, 70, do Pelé, do Garrincha, no vestiário, e ampliei. Depois, mostrei aos jogadores que não era nada invasivo, e sim queria apresentar o clima daquele ambiente ao público, aos torcedores.

Deixei os atletas muito à vontade para me avisarem se estivesse passando do ponto, e em nenhum momento houve qualquer tipo de problema.

Deu para sentir, como leigo, que eles são literalmente gladiadores. Mas isso não impede que eles tenham uma relação de amizade.

Há formação de núcleos independentes, isso é perceptível, comportamentos distintos daqueles que geralmente não jogam e ficam na reserva dos que são destaques, etc.

Senti uma concorrência surda e às vezes mais explícita que é muito dolorida no dia a dia. Fiz questão de não fotografar um clube com grandes estrelas, até para que as imagens não fossem em formato de pose.

Havia também muitos amigos, especialmente por conta da relação de sobrevivência – muitas atletas provinham de outros estados, e alguns mais tímidos ficavam em seu respectivo canto.

É uma relação que normalmente é passageira, já que são times que se desmontam logo após o fim de um campeonato ou diante de uma desclassificação.

O Brasil é um time grande, mas que passava por um momento muito conturbado em sua história, por causa do acidente. O clube possui uma estrutura legal, o estádio deles é muito bom. Mas eles tinham de enfrentar rivais em situação completamente diferente.


 

Universidade do Futebol – Você consegue ver alguma convergência estética e emocional entre a transmissão radiofônica de futebol e a fotografia?

Gilberto Perin – Nunca havia pensado nisso. As fotos que eu fiz não são completas. Você precisa imaginar o que aconteceu antes, o contexto, etc. Elas são mais para serem “irradiadas”. Há mais um toque de descrição do imaginário do que propriamente da apresentação explícita.

Um exemplo: uma foto de um cara sozinho no vestiário, quase como se fosse um pensador, se secando. Ele acabara de ser expulso. Mas ela poderia te remeter a diversas outras situações. É um outro jeito de ver. Não apenas o esporte. E isso o rádio também viabiliza muito.

Os locutores exageravam e continuam exagerando muito o que ocorria e ocorre no campo de jogo. A televisão mudou o jeito de nós vermos futebol.

No meu livro, há um texto em que o Aldyr Garcia Schlee conta como mudou o jogo a partir do momento em que a TV surgiu. Assim como o nosso jeito de assistir. Para ele, o futebol é aquele quando se vai ao campo. Na tela, há uma seleção, uma edição.

A transmissão é quase que uma ficção, uma interpretação. E minhas fotos estão mais próximas do rádio, sem o glamour. É algo bem cru.

Universidade do Futebol – Qual a leitura que você faz entre o futebol enquanto arte, manifestação artística, mesmo, e o futebol enquanto negócio?

Gilberto Perin – Eu não tenho nada contra nenhum dos dois. Se o negócio souber respeitar a arte do futebol, não há problemas. O problema é que isso não existe. Sabemos que algumas escalações de jogadores são sobrepujadas por questões políticas, comerciais. E isso acaba prejudicando o lado bacana, o balé, o sentido artístico e encantador do esporte.

Não são interferências apenas da cartolagem, mas também dos patrocinadores. E isso acaba estragando a relação.

Não vejo problema nenhum, entretanto, do mercado de futebol usar esta promoção do futebol arte. O problema é a manipulação que existe por trás. Não vivemos em ilhas isoladas, e todos têm interesse.

Universidade do Futebol – Depois de conviver com a intimidade dos jogadores, você comentou que se o torcedor tivesse a compreensão de que os atletas são trabalhadores igual a ele que fica na arquibancada, talvez isso contribuísse para que houvesse mais espírito esportivo e menos violência. É isso mesmo?

Gilberto Perin – Eu acredito que se as pessoas vissem que ali estão 22 caras que vão apresentar um espetáculo para gente, terão uma disputa limpa, algo esportivo, competitivo, idealizando essa coisa, talvez não houvesse briga marcada pela internet ou na arquibancada.

O futebol não pode ser uma representatividade de frustrações sociais individuais, como a utilização política dele pela República Brasileira em décadas passadas. Deve ser, sim, apenas um jogo, muito divertido, acabando em uma festa.

Hoje, as torcidas ficam separadas e muitas vezes os visitantes vão em número reduzido por conta da segurança. A briga dos “gladiadores” acaba sendo fora da arena. É péssimo isso. O público não pode querer ser este personagem.

Há uma batalha, literalmente, dos atletas, como seres humanos, para vingarem profissionalmente. E entender isso, ainda hoje, é algo irreal.

Universidade do Futebol – O Museu do Futebol recebe a exposição “Vestiário”, na qual há uma fusão de três tipos de artes distintas: você, com as fotografias, o artista plástico Felipe Barbosa, com algumas instalações, e o VJ Spetto, com a proposta de um vídeo mapping. Como foi essa experiência integrada?

Gilberto Perin – Achei muito interessante o projeto comandado pelo Leonel Kaz, curador do Museu do Futebol, cuja ideia era movimentar mais aquele espaço, dando uma dimensão maior, para que o público se envolvesse mais.

Ele já conhecia o Felipe, que assim como eu não faz apenas trabalhos ligados ao futebol, e o Spetto também entrou no processo.

A minha exposição são as fotos iluminadas, sem muita interferência. Mas as formas feitas acabaram ficando muito legais, como a reprodução de um chuveiro – um clima muito próximo de um vestiário.

Há um túnel, inclusive, que em vez de levar ao campo, acaba indo para um segundo vestiário, o do Felipe, onde há uma recriação de armários, etc. Em cima disso, o Spetto fez milhares de efeitos. Brinco que é praticamente uma “rave”, com sons e luzes diversos.

Uma das minhas fotos acabou sendo ampliada e foi transformada em 3D, com projeções. Outra foto original acabou virando outra obra. Isso foi muito maluco, pois nos reunimos uma vez só, em termos de troca de ideias, e ninguém colocou empecilho para nada. Definimos: cada um pode usar o que quiser do outro. E o resultado foi muito positivo.

Tira aquela noção de museu estático: há uma coisa muito pop, e deixamos as pessoas mais sacudidas do que se meramente fossem ver a foto parada. O público acaba sendo aproximado da arte.

Universidade do Futebol – O cineasta italiano Pasolini disse certa vez que o futebol europeu é prosa e o futebol brasileiro, poesia. Você vê diferenças entre o futebol europeu e o brasileiro em termos estéticos?

Gilberto Perin – No meu livro, há um texto do João Gilberto Nöll que descreve o ponto de vista dele sobre minhas fotos. O titulo é “Figuras Pasolinianas”. É uma bela descrição sacada sobre os jogadores que aparecem, aquelas figuras populares.

Atualmente, é incrível perceber que a arte mudou de lado. A gente pensa em um futebol de jogadas rápidas, de gente com muita habilidade e passes precisos e volta o olhar para a Europa.

Essa é a opinião de um leigo como eu, mas sinto que o futebol brasileiro perdeu muito disso, e torcemos apenas para aparecer um Neymar da vida e nos devolva tudo aquilo que ficou no passado.

Me dá a impressão de que o futebol brasileiro foi degringolando e hoje está em uma segunda categoria em relação ao mundo.

Na Europa, parece tudo se tratar de um jogo de xadrez em velocidade alterada. É tudo muito rápido. Até a improvisação parece que eles ensaiam. E vejo jogadores brasileiros entrando neste ritmo quando vão pra lá, mas aqui não conseguem reproduzir algo parecido.

Universidade do Futebol – É possível se dizer que há uma “escola brasileira de fotografia”? Quais as peculiaridades dela?

Gilberto Perin – Seria um pouco arrogante fazer qualquer tipo de comparação a partir do meu trabalho. Abordando um pouco esse tema, acho que não tem mais muito estilo nesta função.

No século passado, lembro que viajávamos e voltávamos com pilhas de livros sobre técnicas de fotografia, etc. Hoje não é mais preciso – os livros têm importância, claro –, mas é muito mais rápido tanger o processo criativo da fotografia de outros lugares.

A fotografia, hoje, procura mais caminhos. Ela virou mais experimental e faz parte de um conjunto que é integrado a todos os outros produtos de área audiovisual. Virou pintura, ilustração.

Enxergo influências, sim, do local onde estou. Mas acredito que seja muito difícil detectar que determinada foto é de um indiano, por exemplo.

Universidade do Futebol – Na avaliação de um profissional envolvido na área como você, quais são os principais desafios para que tenhamos um mercado fotográfico fortalecido no Brasil?

Gilberto Perin – Primeiro, que as pessoas passem a considerar a fotografia como qualquer arte pictórica, ou seja, de artes visuais. Isso deve ser tratado de modo cada vez mais popular.

Hoje qualquer pessoa fotografa. O que é muito bom e torna a fotografia muito próxima. O profissional da fotografia, os artistas, entretanto, devem é mostrar outro jeito de olhar a coisa e apresentar sua arte. Isso, claro, organizando-se na parte artística e de conceito.

Faltam, em outro ponto, na parte prática, galerias e museus brasileiros para colocar a fotografia lá dentro e valorizar projetos.

Em vários museus para onde levo o “Camisa Brasileira”, que está há um ano e meio no Rio Grande do Sul, vejo um entusiasmo nos visitantes. Muitos deles foram até a exposição para observar justamente as fotografias, algo mais próximo do universo deles.

Falar em Masp é moleza. É interessante um museu pequeno no interior do Amapá apresentar fotografias e valorizar os artistas regionais. Isso criará uma base cultural.

As pessoas se verão aproximadas, deixando um pouco de lado que a fotografia é apenas registro jornalístico. Ela é, claro, mas pode ir além disso. Assim como um texto pode ser só publicitário ou virar uma obra de arte em um livro.

Faltam os próprios artistas, também, se colocarem nesta linha de frente. Há trabalhos como o do Vik Muniz, muito criticado, que coloca isso de forma tão clara que vale o registro.


 

Universidade do Futebol – Qual a análise que você faz sobre a produção cultural focada no futebol, especialmente em se tratando de exposições, peças e filmes?

Gilberto Perin – Sobre futebol, acho que tem muito pouca coisa. Casualmente em Porto Alegre, onde moro, aparece um ciclo de filmes, com curtas e longas, sobre esta temática.

Se olharmos a relação das produções audiovisuais (cinema, TV e teatro) ligadas ao futebol é algo paradoxal. É um esporte tão popular com tão pouca coisa. E mesmo de ficção, tendo o futebol como pano de fundo.

Agora voltou, na novela das oito, um personagem que incorpora um jogador. Mas isso já ocorreu há 20 anos. Deveria ser mais constante, até para ajudar naquele processo de “pacificação” da torcida sobre o qual me referi.

Tem o filme sobre o Heleno de Freitas, em cartaz, mas é muito pouco. Ao contrário de filmes americanos, que falam desde sempre sobre esportes e até concorrem ao Oscar.

Temos de pensar em fazer o filme para aquele público que vai ao futebol, e não apenas àquele que reflete sobre o futebol. A intelectualização virá com o tempo. E a televisão poderia ajudar muito nisso.

*Crédito das fotos: Gilberto Perinwww.gilbertoperin.com

Leia mais:
Empirismo marca dia-a-dia de profissionais no jornalismo esportivo
Jornalistas classificam conhecimento teórico como diferencial
Dirigentes vêem emoção e falta de profundidade no debate esportivo
Linguagem para a locução esportiva

Novo cenário muda perfil dos profissionais de imprensa

Multidisplinaridade, Interdisciplinaridade e transdisciplinaridade no futebol
Manuel Sérgio, filósofo
David Azoubel Neto, psicanalista
A opaca sociedade do futebol

Jornalistas classificam conhecimento teórico como diferencial
Entrevista: Ricardo Capriotti
Entrevista: CarlosCarlos, criador do programa Bola e Arte
Entrevista: Celso Unzelte, professor e jornalista esportivo
Entrevista: Paulo Calçade, jornalista dos canais ESPN
Entrevista: José Carlos Asbeg, diretor de ‘1958: o ano em que o mundo descobriu o Brasil’ 

Entrevista: Márcio de Oliveira Guerra, doutor em Comunicação e coordenador do NUPESCEC

Categorias
Sem categoria

Ligas fortes estimulam o desenvolvimento do mercado esportivo

No próximo mês começará o Brasileirão [sem nome] 2012. O campeonato segue sem um parceiro de naming rights, mas isso não significa por si só uma deficiência no profissionalismo do futebol brasileiro. Com exceção da Barclays Premier League na Inglaterra, as principais ligas esportivas do planeta preferem adotar um modelo que engloba um grupo de parceiros em categorias diferentes para aumentar o bolo.

A decisão sobre qual modelo adotar envolve considerar condições do mercado e como a mídia trata o naming rights. Porém, algo que o naming rights de um campeonato sempre tende a refletir é a presença de uma liga forte. E liga forte não significa politicamente forte, e sim comercialmente forte.

Nas indústrias de futebol mais desenvolvidas, as ligas deixaram de ser operadas pela federação do país para serem administradas por oganizações profissionais. Podemos falar muito sobre a necessidade de os clubes se profissionalizarem, entretanto, para a indústria brasileira de futebol realmente se profissionalizar é preciso comecar pela liga.

Além de formar uma voz unificada nas negociações por direitos de TV e ter a liberdade para negociar patrocínios para o campeonato – tanto de naming rights ou múltiplos – que podem ser repartidos entre os clubes participantes da divisão, um dos maiores benefícios da liga profissional é o compartilhamento sistemático de informações entre os clubes.

O suporte aos clubes normalmente se dá por meio de uma extranet em que ficam disponíveis pequisas periódicas sobre torcidas, dados de transmissão de TV e exposição de marcas. Essas informações são cruciais para os clubes demonstrarem valor a potenciais parceiros. Além disso, os contratos fechados pela Liga com empresas de pesquisa permitem que o custo para cada clube seja seja muito menor do que se os clubes comprassem esses relatórios individualmente. Custo este que, normalmente, é coberto por uma parcela dos acordos individuais da liga.

No Brasil, a liga (Campeonato Brasileiro) é gerenciada pela CBF. Existe um bom número de profissionais competentes naquela entidade, mas não é novidade para ninguém que, como qualquer federação, uma série de interesses políticos giram em torno dela. O mesmo se aplica ao Clube dos 13, responsável pelos interesses dos maiores clubes do Brasil, mas que por própria definição consitui uma entidade política e não comercial/gerencial/administrativa.

A realidade do capitalismo demonstra que a melhor maneira de tornar uma organização mais eficiente é guiá-la em direção a uma crescente produção de bens, riquezas e resultados. Algumas pessoas podem custar a acreditar, mas com o futebol não é diferente.

A organização de um clube ou liga para a otimização dos resultados financeiros sempre levará inevitavelmente ao desenvolvimento do futebol como um todo, já que os resultados financeiros, se adminstrados de forma inteligente, podem ser reinvestidos em infraestrutura, programas sociais, jogadores e ultimamente em troféus.

Os resultados sempre falarão mais alto, mas para isso é preciso establecer um ambiente que liberte o potencial econômico do mercado. Os interesses políticos precisam ser deixados completamente de lado, permitindo que a única guia seja uma criação de valor para os clubes que se reflita em satisfação para o torcedor.

Mais importante que possuir um naming rights, é preciso que o Campeonato Brasileiro tenha uma liga verdadeiramente profissional. Esse avanço estimulará a cooperação entre os clubes e a disponibilidade de informações no mercado esportivo, permitindo que investimentos em patrocínios/parcerias sejam mais facilmente justificados, e estabelecerá uma liderança cujo objetivo é o desenvolvimento mútuo dos clubes.

A criação de uma liga verdadeiramente profissional e livre de influências políticas será o primeiro passo para a transformação da elite do futebol profissional no Brasil.

Para interagir com o autor: claudio@universidadedofutebol.com.br
 

Categorias
Sem categoria

O novo Independência

Na última quarta-feira houve a reinauguração do Estádio Independência, em Belo Horizonte. Construído para a Copa do Mundo de 1950, o campo foi palco de três partidas naquele Mundial, dentre elas uma das maiores zebras da história das Copas, quando a seleção norte-americana venceu os ingleses pelo placar mínimo.

Durante dois anos a capital mineira ficou sem jogos de futebol, já que o Mineirão e o Independência estavam em reforma. Por esta razão, as equipes de BH estavam mandando os jogos na “Arena do Jacaré”, em Sete Lagoas (a cerca de 70 Km).

A reinauguração contou com a partida entre América e Argentinos Jrs e marcou também o centenário do clube mineiro, a despedida de Euller (“Filho do Vento”), a estreia de Gilberto com a camisa do Coelho e, ainda, os 50 anos da TV Alterosa, do Grupo Diários Associados.

O estádio, ou a arena, como preferem chamar, é extremamente moderno, possui banheiros com bom acabamento e cadeiras confortáveis. Uma surpresa positiva foi a presença de “assistentes do torcedor” nas entradas e em todas as fileiras instruindo os espectadores e informando a necessidade de assentar-se no local indicado no ingresso. Tais medidas demonstram atenção ao Estatuto do Torcedor.

Como crítica construtiva, destaco a dissonância das tonalidades de verde das cadeiras, pois, ainda que tenha sido proposital, não ficou bom e parece falta de zelo.

Apesar disso, o saldo é positivo e inicia-se a mudança de paradigma acerca da forma do brasileiro acompanhar eventos esportivos.

Sobre o resultado da partida: o América venceu de virada, por 2 a 1, com gols de Alessandro.

No mais, bem vindo, Independência! Benvenido, Independência! Welcome Independência! Willkommen Independência! Accueil Independência! Welkom Independência! Benvenuto Indepenência! Bonvenon Independência! Benvinguda Independência!

Para interagir com o autor: gustavo@universidadedofutebol.com.br
 

Categorias
Sem categoria

Cidade-sede: Cuiabá

Dou início nesta semana, como relatado na coluna anterior, aos relatos técnicos dos estádios de cada cidade. Inicio já com uma cidade que a meu ver foi muito polêmica e talvez por falta de escrúpulos, já que trocou, repentinamente, o projeto com o qual conseguiu a vaga para ser cidade-sede por outro bem inferior. Mas, calma, vou mostrar o porquê dessa inferioridade.

Com recursos da linguagem, a justificativa da arena é baseada em palavras que não condizem com o projeto e que, infelizmente, conquistam opiniões errôneas. Trata-se de uma arena onde boa parte dela é desmontável. Inicialmente isso parece ser bom, já que muita gente acredita que a Copa nem deveria ser levada à Cuiabá – embora em discorde bastante disso por motivos democráticos e de lucros reais com o evento no Brasil através de transporte, cultura e promoção do país como destino turístico variado.

No entanto, investir o montante de R$ 454,2 milhões através do governo do Mato Grosso, sendo que muita coisa será retirada, ou seja, não ficará para a cidade, transforma o custo da arena em um desperdício enorme de dinheiro. Mas, claro, tem uma justificativa de que a Fifa exige demais e as partes “desnecessárias” e que a cidade não comportaria depois devido ao público médio ser baixo devem ser desmontadas. Ou seja, de nada vale o investimento da Copa para incentivar o esporte local. Fazer bons projetos com arquitetura de manutenção baixa também não é conveniente pelo jeito.

Mas vamos ao projeto e as características positivas e negativas do mesmo:

– Visibilidade:

Segundo o gráfico acima, as zonas em azul são consideradas de visibilidade ótima perante o padrão da Fifa. Já o pontilhado é o limite máximo de distância que um torcedor pode ter do campo. Portanto, a visibilidade do estádio é muito boa, vendo que somente os pontos mais extremos das arquibancadas atrás dos gols ficam próximos a este limite. O limite é baseado na capacidade de uma pessoa enxergar uma bola. Vendo pelo melhor lado possível, são estas arquibancadas que serão desmontadas, portanto, após o evento, a visibilidade será ainda melhor.

– Estrutura metálica:

Há algumas décadas havia um preconceito com o custo inicial de estruturas metálicas. Hoje são bem aceitas, visto que elas minimizam o tempo de conclusão da obra. Além de reduzir custos de mão de obra, facilitará para a organização da cidade para a Copa do Mundo, podendo mais facilmente conseguir concluir suas obras dentro do cronograma sem sofrer com a especulação da mídia internacional.

– Ventilação:

Já saliento que não sou especialista em conforto ambiental, mas na graduação temos uma noção da área. Abaixo, o gráfico (que não passaria de semestre) e uma foto do futuro estádio:

Como podemos ver na perspectiva, o elemento com brises (aletas direcionadas e responsáveis por barrar a incidência do sol) tem seu tamanho variável. Esta variação faz com que a entrada de ar quente, representada no gráfico pela seta vermelha, não seja cumprida ou sendo bastante minimizada ao longo da fachada, diminuindo conforme o tamanho dele aumenta. Portanto, a ventilação é falha.

Há a ventilação como o sistema nas laterais esquerdas de cada fachada, o que não ocorre no lado oposto. Se há a diminuição da entrada de ar quente, a seta em azul claro, representando o ar resfriado pela exaustão (em azul), também não funcionará da mesma forma, pois o ar não atinge os setores adequados. Há uma necessidade de um estudo horizontal, em planta, para ver se há alguma forma disso funcionar.

– Posicionamento do telão:

Não há muito a dizer. Como a estrutura atrás dos gols será retirada, de nada adianta colocar ali os telões. Mas reparem no local previsto para o mesmo na imagem abaixo: no gramado na “curva” do estádio. Não há lugar pior! Mas, até aí, não é dos piores equívocos do projeto.


 

– Implantação, segurança e acessibilidade:

A implantação mostra uma falta de cuidado de pisos para evacuação do local em casos de emergência. O ideal é fazer um sistema radiação de saída, para que as pessoas se espalhem em direções opostas em momento de pânico. Mas este não é o único estádio que não prevê nada neste sentido.

O ponto mais incompreensível deste estádio é a colocação de restaurantes e coperias na parte externa e não sob as arquibancadas. Eles negam o estádio e funciona como gasto extra, com edifício independente, sem criar vínculo com a imagem de estádio e que poderia valorizar muito mais seu espaço.

Legenda da foto segundo o Portal da Copa, baseado nas informações da GCP Arquitetos (autor do projeto): 1 – espelho d’água; 2- restaurante; 3- Choperias; 4 – Playground; 5- Escalinata; 7- Centro de mídia; 9- TV compound; 10- Hospitality Village.

*Quem tem interesse em saber o que é o 6 e 11? Ninguém, certo? E pra quê colocar o número 8?

** Na imagem acima, o Norte não é identificado, mas pesquisei e ele esta para esquerda.

Os estacionamentos parecem estar jogados no terreno, sem muita organização, e as saídas são poucas, o que pode gerar tráfego intenso durante a Copa e se for usado depois, também. O número 11 trata-se da parte de piscinas – mais um erro sob meu olhar.

O governo é famoso por seu descaso em relação a este tipo de equipamento público e o custo é grande – também não há motivo para não colocá-los sob as arquibancadas, nem que isso fizesse com que o revestimento externo do estádio fosse mais afastado. Seriam equipamentos mais profissionais, mais adequados ao público e com manutenção unida ao estádio, não isolada. Aí, sim, se tornaria uma arena multifuncional (múltiplas práticas esportivas), por exemplo, e não um complexo esportivo injustificável, com gastos isolados onde um não ajuda na sustentabilidade financeira do outro.

Acima, o desenho de piso, sem trabalho de fluxos e com vegetação aleatória e não direcional.

Na imagem acima, também podemos ver o que é a “escalinata”, no canto superior esquerdo. Uma afronta, sem dúvida, à acessibilidade. Infelizmente, são poucos os estádios que disponibilizam as plantas dos projetos; então está, por ora, difícil de analisar este ponto na parte interna do estádio.

– Sustentabilidade:

Colocar meia dúzia de árvores dentro do estádio não o torna, nem de longe, sustentável. Nem mesmo a mera captação de água da chuva. Pudemos ver que a ventilação não está muito adequada e o clima de Cuiabá é quente e bastante úmido. Portanto, era necessidade básica garantir a ventilação e conforto ambiental sem utilizar condicionamento do ar, ou compensando-o. Mas a Fifa não faz exigências rígidas, dá orientações de pontos a serem estudados, mas sem regras.

O Brasil, que queria ter uma Copa verde para potencializar os negócios futuros, perde, também por meio de
Cuiabá, por não ter soluções interessantes que chamem atenção para o tema.

– Usos e a remoção das estruturas:

Uma das justificativas para a remoção da cobertura e arquibancadas seria o uso da arena para feiras agropecuárias – um potencial para a região. No entanto, não é muito claro como isso vai acontecer. O uso do gramado para tal evento seria um absurdo contra o gramado e contra o futebol (atividade que deve ser a principal do equipamento), mas o acesso de maquinários é complicado se não houver mudança na fachada também, ou este será desmontável também?

São muitas questões, discursos vazios e projetos não muito detalhados. Espero futuramente poder ter acesso a materiais mais técnicos e não tão comerciais para conseguir enxergar além de palavras vazias e 3Ds bonitos.

Para interagir com o autor: lilian@universidadedofutebol.com.br

Categorias
Conteúdo Udof>Artigos

O Barcelona e a nova ciência das redes

Aqui onde moro atualmente, nos Jardins, em São Paulo, ouvi na última terça-feira, ao final da partida Barcelona x Chelsea, gritos enfurecidos: “Chupa Barcelona Filho da Puta!”. A partida empatou (2 x 2), mas o Barcelona foi eliminado da Champions League porque precisava vencer por dois gols et coetera.

Fiquei pensando se Albert Camus, prêmio nobel de literatura, não tinha razão quando dizia que de todas as suas experiências na vida, a que maior conhecimento lhe proporcionou sobre os homens foi o futebol. Aquele buzinaço que se seguiu à partida, comemorando o não-futebol do Chelsea, me disse muita coisa desagradável.

Revelou, de certo modo, as entranhas da intolerância. Mais do que isso, entretanto, soou como um eco lúgubre e uma reprodução invertida dos lamentos dos seres humanos aprisionados nas redes centralizadas.

Quem viu o jogo pôde perceber que o Chelsea, a partir de certo momento (coincidente com o início da partida, hehe), praticamente não jogou bola. Matou o tempo. Matou o futebol. Mesmo assim, contou com o entusiasmo de fervorosos torcedores. Mais do que isso, contou com bad feelings de uma multidão que mais parecia estar se vingando da arte.

Arte? Como é possível? Para com isso! Está errado! O que queremos é a guerra. Não queremos um lírico Iniesta fazendo firulas no meio-campo. Queremos a força, a garra, o vale-tudo orientado pelo resultado do gigante Drogba. Fora Iniesta, seu anão imprestável! Drogba é o nosso herói!

Bem, devo dizer que meu interesse no assunto não é propriamente futebolístico e sim investigativo e decorre de minhas explorações na nova ciência das redes. Há bastante tempo venho observando como a topologia da rede “produz” o comportamento coletivo.

É claro – não vou negar – que prefiro me deleitar assistindo ao novo futebol criativo do Barcelona do que o futebol de resultados dos times ingleses e italianos que envelheceram mal e que só sabem dar chutão pra frente para tentar surpreender uma defesa desarmada. Ainda não me deformei a ponto de gostar da realpolitik: para isso não preciso de futebol, basta acompanhar a guerra, a luta política pervertida como arte da guerra ou a concorrência simétrica adversarial praticada pelas empresas hierárquicas.

Mas isso agora não vem ao caso.

Diz-se que o Barcelona perdeu porque ficou vulnerável. Concordo. Acho que o futebol do Barcelona é extremamente vulnerável, mesmo, não a um ou outro adversário que tenha estudado suas fraquezas, e sim às regras do futebol, que não acompanharam a evolução do futebol.

O velho futebol do século 20 é – como observou argutamente George Orwell no artigo “The Sporting Spirit” (London: Tribune, December 1945) – uma espécie de “guerra sem mortes” (“It is war minus the shooting”, escreveu ele textualmente). Não é bem um jogo, uma atividade lúdica da qual se possa tirar fruição, admirada em si mesma ou por si mesma, uma coreografia estrutural coletiva onde as coordenações de coordenações comportamentais se encaixam sinergicamente (a essência da dança e daí a arte), mas um vale-tudo no qual se exaltam as capacidades dos indivíduos de obter por qualquer meio a vitória, seja dando uma joelhada desleal nas costas do jogador adversário, seja falsificando abertamente as regras (pois, afinal, “guerra é guerra” e na guerra, como se sabe, é necessário que a primeira vítima seja a verdade).

Parece óbvio que o futebol one-touch oriented do Barcelona exigiria novas regras no-touch oriented. Por exemplo, as regras atuais do futebol deixam um jogador tirar outro fisicamente da jogada com um encontrão (que se for feito com o ombro ou com o tronco, na maior parte dos casos não é falta, e sim “disputa normal” do jogo). Ora, nessas condições, quem se prepara melhor para o vale-tudo (quem se prepara para a guerra) tende a prevalecer.

Transformado em uma espécie de variação de baixa intensidade do futebol americano, o futebol vai assim se rendendo aos atributos físicos dos jogadores individualmente e à chamada tática traçada de antemão por algum chefe-técnico que monta seus ardis com base no comando-e-controle. Não é à toa o deslizamento de categorias próprias da guerra para o futebol: tática, estratégia, ofensiva, defensiva, espírito de corpo ou coesão e aplicação individual (quer dizer, subordinação a um esquema pré-determinado).

Faz sentido e a utilização desses conceitos só corrobora a hipótese de George Orwell. Mas o problema é que tudo isso favorece o ânimo adversarial e diminui as nossas oportunidades de sentir aquele prazer tipicamente humano de contemplar as interações sociais (quer dizer… aquelas interações tipicamente humanas).

O Chelsea é uma remanescência do futebol do século passado. No entanto, como as regras do jogo continuam no passado, já se sabia, antes da partida, que tudo poderia acontecer. Quer dizer: que o não-futebol poderia vencer o futebol. Como venceu, pelas regras. Não apenas o Chelsea, mas qualquer outro time poderia (e poderá) vencer o Barcelona, sem violar as regras. Porque é fácil derrotar o Barcelona. Basta, para tanto, derrubar seus jogadores. Se o jogador não está em pé ele não pode jogar. Ponto.

No entanto, o futebol do Barcelona não foi derrotado pelo futebol de outros times. Nem poderá sê-lo. Mesmo que o Barcelona venha a perder todas as próximas partidas que disputar, parece óbvio que um número maior de caminhos (mais passes por unidade de tempo) significa a configuração de uma topologia de rede mais distribuída do que centralizada. E que quanto mais distribuída for a topologia da rede, mais conectividade e mais interatividade haverá. E que, assim, mais possibilidades surgirão de fazer a bola chegar ao gol adversário (a regra suprema do jogo). É matemático. O que não quer dizer que ocorrerá sempre.

Eis os diagramas ilustrativos (publicados originalmente por Paulo Ganns, na Escola-de-Redes) do jogo Barcelona x Santos em dezembro de 2011. Veja-se a diferença das topologias (caricaturadas na imagem para evidenciar a diferença).

E eis agora minhas variações do diagrama do Paulo Ganns, comparando a rede distribuída configurada pelos passes do Barcelona com a representação de um emaranhado quântico (acima) e a rede centralizada do Santos Futebol Clube com o organograma de uma organização centralizada (abaixo).

Pois bem. O mais importante, do ponto de vista das redes, vem agora.

O campo social gerado pela alta interatividade do Barcelona (um time highly connected) enseja a manifestação daqueles fenômenos acompanhantes da auto-organização e da inteligência coletiva: seus jogadores se aglomeram (clustering) e desaglomeram de acordo com o fluir da partida, jogam a maior parte do tempo sem a bola, mudando de lugar continuamente (o time é realmente mobile), praticam o imitamento ou cloning (clonagem variacional dos movimentos dos outros jogadores do mesmo time e, às vezes, do time adversário), eventualmente enxameiam (swarming) e diminuem o espaço-tempo para os fluxos do adversário; quer dizer, contraem o tamanho social do mundo composto pelos vinte e dois players (o Barcelona provoca o efeito Small-World).

Basta observar: seus jogadores são pequenos, seus passes são pequenos, o Barcelona causa esse amassamento (crunching) e talvez esta seja sua principal virtude: o Barcelona é a prova viva de que small is powelful!

Por tudo isso, não tenho receio de afirmar qu
e há mais inteligência coletiva embutida num jogo do Barcelona do que em todas as partidas travadas pelo Real Madrid, ainda que este último possa ter craques com mais assertividade e mais combatividade e sejam mais – como direi? – results-oriented do que os jogadores do Barcelona.

Bem… aqui começa minha investigação.

O jogo aparentemente bobo do Barcelona, de ficar trocando passes redundantemente na intermediária, é em geral censurado pelos comentaristas futebolísticos (e por outros metidos a profundos conhecedores de futebol) como sintoma de falta de objetividade. Mas a contração de redundância (repetição de caminhos) com distribuição (multiplicação de caminhos) é o que compõe a resiliência, uma das características principais da sustentabilidade (ou do que chamamos de vida).

O tempo de posse de bola é um indicador indireto dessa resiliência quando revela a frequência da mudança de trajetória da bola e a repetição de caminhos (não é raro ver um jogador do Barcelona trocar passes com outro jogador mantendo os dois praticamente as mesmas posições, ou num movimento solidário de dois corpos, como se fosse um haltere se deslocando ou Plutão e Caronte em translação).

Sim, o Barcelona imita a vida. Ao contrário do que se pensa, a vida nunca trabalha com economia de esforços, e sim com repetição intermitente (iteração) de ações similares. E a vida não economiza esforços simplesmente porque não precisa fazer isso, porque multiplicação de caminhos configura abundância, e não escassez.

O Barcelona clona o funcionamento do formigueiro. Como as formigas, seus jogadores não têm posição fixa, mas podem mudar de função várias vezes em uma mesma partida. Como nos mostrou a cientista Deborah Gordon (1999), em “Formigas em ação”, ao contrário do que se acreditava, as formigas mudam de função (dependendo das necessidades coletivas do formigueiro, uma forrageira pode virar “soldado”, por exemplo).

Os jogadores do Barcelona também não têm dificuldade de mudar de posição (ou de função). Usando as antigas denominações (no caso, merecidas): o ponta-esquerda pode virar ponta-direita, o meio-campista pode virar beque ou centroavante, qual o problema?

O problema é que pensava-se em produtividade a partir da especialização, do desempenho ótimo de funções fixas: como na produção fordista, um indivíduo que repetiu milhares de vezes a mesma função tem mais chances de ser mais rápido e menos chances de errar no exercício daquela função determinada. Isso é válido, por certo, para a reprodução mecânica das mesmas ações. Aplicado ao futebol, porém, contribui para eliminar a criatividade, sobretudo a criatividade coletiva, quer dizer, o ambiente favorável à criação, à inovação. Instaura-se, assim, o futebol reprodutivo, a fábrica de jogar bola da sociedade industrial.

Nesse ambiente reprodutivo o que se destaca é o craque (o indivíduo), não o time (a rede social composta pelos jogadores interagindo segundo determinado padrão). Porque, em tais circunstâncias estruturais da rede centralizada (configurada pelo jogo retrógrado, quer dizer, pelos caminhos escassos que a bola percorre), só a genialidade individual pode romper o esquema, surpreender, sair fora da caixa. Tudo, então, passa a depender dos craques, dos indivíduos. É o futebol-burro com a sobressaliência dos pontos fora da curva, daqueles indivíduos inteligentes capazes, como se diz, de definir a partida com um lance magistral.

E é por isso que se atribui, não raro, o sucesso do Barcelona à genialidade do craque Messi. Sim, Messi é de fato um jogador excepcional, mas o futebol do Barcelona não depende de suas jogadas excepcionais. Com toda certeza as interações da dupla Xavi Hernánde-Andrés Iniesta e deles com o restante do time (com Lionel Messi, inclusive) são mais decisivas para o excelente comportamento coletivo (do time) do que os lances geniais individuais do fabuloso artilheiro argentino.

Essas bobagens são ditas porque ainda é bastante generalizada a crença de que o comportamento coletivo pode ser explicado a partir dos atributos dos indivíduos, de que a inteligência coletiva é a soma das inteligências dos indivíduos, e não uma nova qualidade que emerge das relações entre eles.

Os gritos enraivecidos de terça, comemorando a eliminação do Barcelona (sim, porque o time não perdeu o jogo, foi desclassificado pela tabela), revelam que existe base social para legitimar mais um retrocesso no futebol. Dir-se-á que o “estilo-Barça” esgotou-se, que o “futebol-arte” não pode resistir ao “futebol-de-resultados”, que “Messi entrou numa fase ruim” e outras besteiras semelhantes. Já se dá até como certa a derrota do Barcelona para o Real Madrid no Campeonato Espanhol (e isso pode acontecer mesmo).

Assistiremos, provavelmente, a mais uma das tristes revoltas daqueles escravos que introjetaram a escravidão a tal ponto que, em vez de lutarem para se libertar dessa condição, não suportam ver que existem pessoas livres e querem torná-las também escravas como eles.

*Augusto de Franco é criador e primeiro netweaver da Escola-de-Redes

Leia mais:
Aula gratuita da Universidade do Futebol: “Barcelona: um exemplo para o futebol brasileiro?”

Categorias
Conteúdo Udof>Biblioteca

Treinamento funcional no futebol

O livro Treinamento funcional no futebol baseia-se na experiência profissional dos autores, na leitura de textos especializados e nos artigos científicos específi cos e atualizados.

As áreas da Ciência do Treinamento Desportivo, Anatomia e Análise do Movimento são abordadas de maneira clara e objetiva, permitindo aos leitores um entendimento fácil e rápido do o tema.

Sobre a obra, o professor doutor José Elias de Proença diz: “Além de fundamentar cientificamente cada uma das vertentes, apresenta propostas compatíveis com o estágio de desenvolvimento motor do atleta e com a fase de aprendizagem motora em que se encontra. Ainda considerando os aspectos do treinamento funcional apontados, Sandro Sargentim e Thiago Passos descrevem com clareza cada exercício para orientar todos aqueles que queiram aplicá-los”.

Alunos e professores de Educação Física e Fisioterapia, técnicos e preparadores físicos, atletas e fãs do futebol não podem deixar de apreciar esta obra!

Sobre os autores

Sandro Sargentim é graduado em Educação Física pelas Faculdades Integradas de Guarulhos(FIG); especialista em Fisiologia do Exercício pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/CEFE); em Treinamento Resistido na Saúde, na Doença e no Envelhecimento pela Faculdade de Medicina da USP/HC-CECAFI e em Treinamento Desportivo pela UniFMU. Preparador físico de futebol desde 1999. Atualmente, preparador físico do Sport Club Corinthians Paulista sub-20, desde 2005 e Coordenador de Preparação Física de futebol amador do Sport Club Corinthians Paulista

Thiago Ferragut de Almeida Passos é especialista em Performance Humana – National Academy of Sports Medicine (NASM). Mestre em Ciências do Esporte pela California University of Pennsylvania. Professor palestrante da Empresa “Arte da Força”. Especialista em Avaliação Funcional do Movimento pela FMS (Functional Movement Screen), com Gray Cook e Lee Burton. Certifi cado Especialista em Força e Condicionamento pela NSCA (National Strength and Conditioning Association).

Categorias
Conteúdo Udof>Biblioteca

Pioneiros

Com o subtítulo de ‘Deus criou a bola. E o homem descobriu o que fazer com ela’, o jornalista Orlando Duarte mostra no livro “PIONEIROS” a história do futebol através de uma viagem pelo tempo, registrando em um diário de bordo. O livro traça a trajetória do futebol, a evolução das regras, a história de fundação dos principais clubes de futebol no Brasil e ainda traz imagens históricas.

 

Curiosidades da história do futebol

– o futebol começou a ser praticado na China, no ano de 2600 a.C., com uma bola feita de crina de cavalo. Era o tsu-chu, um treinamento militar da época do imperador Huang-Ti, que representa o registro mais antigo do jogo de bola com os pés.

– no Japão, surge o gandula: escravos pegavam a bola chutada pelos nobres, que caia nos campos. O futebol era praticado com bola de fibra de bambu e foi batizado de kemari.

– o gol surge na Grécia Antiga, no século 3 a.C., quando os times disputavam o epyskiros, um jogo de bola num campo com linha de meta, ao fundo de cada lado do campo, pela qual a bola devia passar para obtenção de pontos. A bola era feita de bexiga de boi coberta por uma capa de couro – uma evolução!

– na América pré-colombiana, na região onde hoje é o Haiti, em 1400 a.C., o futebol era chamado tlachti, praticado com bola de borracha; já no atual México, o líder do time perdedor era oferecido aos deuses como sacrifício.

– no século 2 a.C., o Império Romano jogavam o harpastum, disputado com bola de bexiga de boi chamada follis, já com jogadores atuando em posições e com uniformes distintos. Os romanos foram responsáveis pela implantação do jogo por toda Europa e Ásia.

– na França medieval, o jogo de bola com os pés se chamava soule. Na época de Henrique II começou a ter regras, mas com número de participantes que variava conforme a região.

– em Florença, o Renascimento desenvolve a peleja de bola, com 27 jogadores de cada lado, que levou o nome de calcio (pontapé). O giocco di calcio faz parte da tradição florentina até hoje, quando no dia 24 de junho há disputas na Piazza Santa Croce.

– na Inglaterra medieval, por volta de 1.175, o jogo de bola é um passatempo entre os bretões. O rei Eduardo II (1314) proibiu o jogo, mas os militares continuavam praticando entre uma batalha e outra; e a cada dia o jogo de bola se popularizava. Até Shakespeare colocou o esporte na peça Rei Lear (1606). Foi a partir do século 18, que o esporte adota o nome football e começa a ser praticado por jovens de famílias tradicionais que jogavam rúgbi e críquete.

– em 26 de outubro de 1863, na taverna Freemason, em Great Queen Street, são elaboradas as regras do futebol com a fundação da The Football Association.

– em 1868 surge a figura do árbitro.

– em 1872 é realizado o primeiro jogo internacional entre Escócia e Inglaterra, e os marinheiros ingleses ajudam a propagar o football pelo mundo.

– em 12 de outubro de 1894, Charles Muller volta ao Brasil – depois de dez anos de estudos na Inglaterra – com uma bola de couro que enchia com ar. O pai do futebol brasileiro faz do Brás, em S.Paulo, o berço do futebol brasileiro.

No outono de 1895, Charles Muller convida uns amigos para disputar uma partida de futebol, na Várzea do Carmo (perto da Rua do Gasômetro e Rua Santa Rosa – no Brás). Os times começam a se formar com trabalhadores das empresas inglesas, brasileiros natos, imigrantes.

 

O futebol e os primeiros clubes brasileiros

– em 13 de maio de 1888, enquanto a Lei Áurea era assinada pela princesa Isabel, é fundado o São Paulo Athletic Club por ingleses da São Paulo Railway Company, Bolsa de Valores e do Hospital Evangélico.

– em 1898, é criada a Associação Atlética Mackenzie, em São Paulo; e em 1899 o Sport Club Internacional, seguido do Sport Club Germânia (da colônia alemã).

– em 1900, o Clube Atlético Paulistano, seguido dos clubes populares praticados em quase todos os bairros de São Paulo.

– no Rio de Janeiro, em 1901, Oscar Cox introduz o futebol em disputas na Praia da Glória, com o Rio Team.

– em 1901, os jogadores do Rio de janeiro vieram a São Paulo para a primeira disputa entre estados, que terminou em 1 X 1.

– fundação dos primeiros clubes paulistas – Corinthians (1910), Santos (1912), Palestra Itália (1914) São Paulo (1935), Noroeste (Bauru -1910), Paulista (Jundiaí-1900), Guarani (Campinas-1911), Comercial (Ribeirão Preto-1911), São Bento (Sorocaba-1913).

– fundação dos primeiros clubes cariocas – Fluminense (1902), Flamengo (1903), Botafogo (1904), Vasco da Gama (1913), Bangu (1904), América (1904), Americano (1914), Madureira (1933), Olaria (1915).

Sobre o autor

Orlando Duarte – 80 anos de idade, mais de 50 de jornalismo esportivo, cobriu 14 Copas do Mundo, 8 Olimpíadas, escreveu 30 livros e trabalhou nos principais veículos de imprensa do Brasil. É respeitado internacionalmente e conhece 101 países por conta de coberturas do esporte.