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O neverland do futebol

Michael Jackson se foi. E, junto com ele, foi o seu neverland, a sua terra do nunca, a máscara em que ele mesmo se meteu e se acabou ao longo de quase 30 anos de sucesso na indústria da música e do entretenimento.

O maior erro na vida de Michael Jackson talvez tenha sido ter virado uma presa fácil ao massacre da mídia. Desde que surgiu lá nos Jackson Five, nos anos 60, Michael se prendeu a um rótulo que a mídia criou. O show-man dos palcos se transformou no homem da terra do nunca dentro de casa, preso a uma mansão, atolado em dívidas, viciado em remédios.

A deplorável forma como terminou a vida de Michael Jackson revelou o que há de pior na perseguição da mídia às celebridades. Ao longo de décadas, a pressão da imprensa sobre um astro do pop levou-o à ruína, perdido dentro da imagem que a própria mídia criou.

O que vale para a música, sem dúvida vale da mesma forma para o esporte. O astro é equiparado o tempo todo ao esportista de sucesso. Pressão da mídia, necessidade de dar grandes shows, vida privada sempre devassada pelos jornalistas… 

Na sexta-feira, Vanderlei Luxemburgo foi demitido do Palmeiras. O treinador decidiu usar o Twitter e o seu blog pessoal para anunciar a decisão da diretoria palmeirense. 

Hoje, Luxa talvez seja o mais midiático técnico de futebol do país. Só que essa sua habilidade no relacionamento com a mídia é o que mais tem levado-o ao seu neverland. Luxemburgo tem se perdido na imagem que a própria mídia criou para ele.

Manager, estrategista, rei do Brasileirão… 

Já foram muitos os adjetivos usados para descrevê-lo. Curiosamente, quase sempre todos foram aplicados no momento de glória da carreira do treinador. 

E, assim como Michael Jackson, o treinador Vanderlei Luxemburgo tem ficado cada vez mais preso a essa imagem criada no passado, esquecendo-se da sua essência, que é ser um treinador de futebol.

A pior coisa que pode acontecer a um profissional midiático é ele ficar preso ao rótulo que a mídia criou. E o futebol é repleto de casos assim.

Para interagir com o autor: erich@universidadedofutebol.com.br

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Torcedor fan

Com imagens sensacionais que exprimem muito bem as diversas emoções sentidas pelos torcedores quando estão vendo o seu time do coração jogar. Desde instantes de euforia incontrolável até a eternidade das lágrimas por conta de uma derrota.

Sete dos grandes fotógrafos caminharam pelos principais estádios de futebol brasileiros para capturar as expressões mais marcantes dos personagens praticamente invisíveis, mas de extrema importância.

Além disso, a edição bilíngue conta com textos do já premiado escritor brasileiro Luis Fernando Veríssimo e da jovem Carola Saavedra.

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Novo dicionário de futebol

A obra aborda as diversas expressões e palavras utilizadas especificamente para que as pessoas envolvidas com o futebol possam se comunicar em tom informal. O livro traz o que cada uma dessas gírias significam.

Carlos Alberto de Lima, autor do dicionário, foi ex-companheiro de Zico nas divisões de base do Flamengo e que reuniu nesta obra cerca de 2 mil verbetes que ajudam a entender as conversas do mundo da bola.

Para as pessoas que estão iniciando o contato com boleiros é bastante interessante ter esse dicionário sempre por perto para que se consiga interagir sem nenhum tipo de problema.

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A memória da Copa de 70

Baseados em teorias já firmadas, em pesquisas de fontes e documentação original,além de depoimentos de nomes relevantes (Lamartine, Zagallo, Gérson e Parreira) no processo que resultou na conquista da Copa do Mundo de 1970, o livro demonstra que esse resultado seria improvável sem o conhecimento científico desenvolvido no Brasil por brasileiros que viriam, a partir de então, influenciar o futebol mundial e conferir notoriedade profissional aos jogadores e à equipe de preparadores. 

Na obra, o futebol é visto como elemento-chave na constituição de uma identidade particular do Brasil no contexto das nações. A obra de Marco Antonio Santoro Salvador e Antonio Jorge Gonçalves Soares põe à prova o legado construído de que os nossos jogadores são tão geniais por natureza que seria desnecessário o saber científico. 

Em um país como o Brasil em que a identificação com o futebol e a importância social que isso tem, em que as discussões sobre a modalidade são regadas de emoção e paixão, a introdução da ciência é algo complicado, mas que é demonstrada no livro.

 

Sobre os autores

Marco Antonio Santoro Salvador é doutor em Educação Física (UGF). especialista em Docência Superior (UNIRIO) e Educação Física Escolar (UFF). Graduado em Licenciatura Plena em Educação Física (UFRRJ). Professor-adjunto da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ no Instituto Multidisciplinar de Formação Humana com Tecnologias (IFHT), atuando na educação presencial e na EAD

Antonio Jorge Gonçalves Soares é professor da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro e pesquisador da Faperj/CNPQ

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Referências táticas: futebol para a autonomia

Muitas das coisas que fazemos ou deixamos de fazer no dia a dia são norteadas por parâmetros criados ao longo de séculos pelos homens e suas sociedades.

Não importa o lugar, idade ou condição, sempre existirão parâmetros que norteiam nossa conduta.

Em ambientes específicos, a existência de certos parâmetros é comumente confundida com estímulo a dependência, destruição do pensamento, robotização do ser humano. Essa confusão, que faz nascer um ambiente contrário à autonomia, acaba muitas vezes por servir de argumento para que se defenda a abolição de parâmetros em outros ambientes.

No futebol, vivemos a todo o tempo e em varias dimensões esse problema. Aterei-me a um deles.

Na história desse nosso apaixonante esporte, o desconhecimento e a fragmentação cartesiana fizeram com que em momentos distintos surgissem discussões que opuseram por vezes “futebol força” e “futebol arte”, por vezes “preparação” e “talento”, por vezes “regras a serem seguidas” e “perda de autonomia”.

É fato longitudinal no futebol que a visão que impera (e por vezes sai à tona) é aquela na qual ou se privilegia a criatividade, a beleza e o brilhantismo, ou se privilegia o cumprimento das “ordens” do treinador, o resultado e o pragmatismo.

O ser humano não se separa em corpo físico, alma e mente. O ser humano é corpo, é alma e é mente ao mesmo tempo, o tempo todo, sempre. Portanto quando se movimenta, carrega consigo uma série de significados que dão sentido à sua ação (e À sua existência).

Isso quer, dizer em outras palavras, que se a ação tem porquês que a simbolizam, não importa qual seja ela, esses símbolos vão sempre existir. Sendo assim, como é possível que ela (a ação) seja ordenada em um esporte como o futebol, onde 11 jogadores com objetivos comuns (e particularidades distintas) enfrentam outros 11 jogadores?

A resposta é inevitável: criando referências (parâmetros) para o jogo, de maneira que os jogadores possam coletivamente agir a partir de um entendimento comum.

Em outras palavras, da mesma maneira que a ação individual faz sentido para o próprio indivíduo, a ação coletiva também precisa fazer sentido à totalidade dos jogadores e a cada um deles ao mesmo tempo. E ao contrário do que se pensa comumente, isso não precisa significar, inibir o ser criativo ou transformar homens em máquinas; pelo contrário.

Criar referências que deem significado para a ação dos jogadores, não só pode qualificar a ação coletiva a partir de um melhor entendimento do jogo, como também pode cada vez mais propiciar decisões acertadas e criativas por parte de quem joga (e ainda ao mesmo tempo, mais inusitadas para os adversários).

A beleza do jogo está na ação do indivíduo; mas ele não joga sozinho. Os parâmetros para o jogo coletivo em equipe são as referências que norteiam suas ações. Não as referências que o condicionam a burras ações robotizadas pelo controle remoto do treinador – essas só reforçam a correta ideia de que os “parâmetros” inibem o jogador -, mas as referências que possibilitam melhor compreensão individual e coletiva do jogo, para que os jogadores, lendo o mesmo jogo, possam tomar decisões convergentes, de maneira criativa e autônoma.

Para interagir com o autor: rodrigo@universidadedofutebol.com.br  

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A função social do futebol

Caros amigos da Universidade do Futebol,

Tivemos novamente no futebol notícias com relação a comportamentos não desejáveis entre jogadores profissionais no Brasil. Os jornais de hoje estampam a possível agressão verbal que teria sido feita pelo atacante argentino Maxi López, do Grêmio, contra o zagueiro brasileiro Elicarlos, do Cruzeiro.

Evidentemente, atitudes de desrespeito, e eventualmente criminosas como aquelas envolvendo racismo, são indesejáveis em qualquer parte. No futebol, em especial, isso se agrava pelo fato de termos nesse jogo uma função social importante.

Como mencionamos exaustivamente neste espaço, o futebol cumpre um papel crucial no desenvolvimento de comunidades, na formação de jovens cidadãos e na reinserção social de comunidades menos favorecidas. 

Não só através da participação ativa da população no jogo em si, como também no seu envolvimento como espectadores. O futebol leva a alegria para milhares de torcedores apaixonados.

Esse poder, entretanto, pode ter um efeito negativo. Condutas impróprias dos ídolos podem acarretar em uma má influência nos milhares de fãs.

É assim que o jogador de futebol possui uma grande responsabilidade social. O jogador é, em última análise, a ponte entre o esporte e o torcedor. Entre os princípios de fair play, respeito ao adversário, etc. e os valores do dia-a-dia de uma sociedade.

Tratando-se de o esporte mais popular da face da Terra, essa responsabilidade é evidentemente potencializada. E tratando-se do Brasil, o país do futebol, temos uma potencialização ao quadrado.

Nessa medida, temos que apurar sempre os atos dos jogadores, e punir severamente aqueles que forem comprovadamente danosos a essa imagem positiva do futebol. Temos que garantir que o futebol seja sempre uma forma de transformar nossos jovens em pessoas que valorizam os valores éticos e morais. E que sejam cada vez melhores cidadãos.

E que o racismo não tenha mais espaço neste mundo. E que exemplos como o da torcida da África do Sul sejam utilizados. Como foi bonito ver aquela multidão de sulafricanos, a grande maioria tendo sofrido com o apartheid, gritando o nome de seu ídolo, independente da sua cor e raça.

Vamos nos juntar ao coro: ¨Boooooooo¨!!!

Para interagir com o autor: megale@universidadedofutebol.com.br

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De utopia e de grandes nomes

O ano de 2009 ainda mal chegou à metade e já nos pregou varias peças… Não! Não estou me referindo à queda de Wall Street e a crise que se seguiu à sua derrubada, mas sim à despedida deste mundo de grandes figuras humanas…
 
Aqueles que acompanham a história de nossa América do Sul receberam com tristeza a notícia do falecimento, dia 19 do mês de maio, do escritor uruguaio Mario Benedetti, “um poeta comunista que traduziu em poemas sua utopia”, segundo palavras estampadas em diário brasileiro.
 
Dias antes (02), logo no início desse mesmo mês, morria entre nós Augusto Boal, teórico, diretor e dramaturgo expoente do teatro de resistência à ditadura sob o jugo da qual vivemos por 20 anos, desde o golpe à democracia brasileira instado pelos militares em 1º de abril de 1964. Mês e meio antes de seu falecimento (25 de março), o criador do Teatro do Oprimido dizia – por ocasião de sua nomeação como embaixador do teatro pela Unesco – que “atores somos todos nós, e cidadão não é aquele que vive em sociedade, e sim aquele que a transforma!”.
 
Pois o que isso tem a ver com a Universidade do Futebol e esse canto que nela ocupo? Tudo!
 
Explico… Tenho acompanhado as recentes peripécias do Corinthians – cá pra nós, superando até as expectativas do mais fervoroso fiel torcedor -, as quais me fizeram lembrar de um cronista que ocupava um espaço semanal na Folha de S. Paulo lá pelo final da década de 70, início da de 80 do século passado (!!), vez ou outra escrevendo sobre uma de suas paixões, qual seja… O Corinthians.
 
Pois em 1977 – mais exatamente no dia 12 de novembro – Lourenço Diaféria -assim se chamava – se superou, escrevendo o que abaixo transcrevo a vocês.
 
Ele não faleceu em 2009, mas um pouco antes, em setembro de 2008. Mas como os que acima menciono, faz parte da galeria dos que enaltecem a raça humana!
 
Antena ligada
 
Troquei meu televisor em branco e preto por um em cores com controle remoto, para facilitar a vida de meus filhos, que agora, sabe como é, época de provas, estão se virando mais que pião na roda. Imaginem que outro dia um professor teve a coragem de mandar meu filho gavião-da-fiel fazer um trabalho sobre o Sócrates.
Fiquei uma arara.
 
Em todo caso, apanhei a revista Placar e recomendei que o garoto consultasse os arquivos esportivos aqui da Folha e do Jornal da Tarde. Não é por ser meu filho, mas o guri caprichou do primeiro ao quinto.
Tirou zero.
 
Puxa, assim também é demais. Resolvi levar um papo com o professor, ver se não era perseguição. O professor foi muito gentil, porém ninguém me tira da cabeça que ele é palmeirense disfarçado de sãopaulino. Garantiu-me que havia ocorrido um equívoco: o Sócrates que ele queria era um craque da redonda que tomou cicuta. Essa é boa. Por que não avisou antes? Como é que vou adivinhar que o homem jogava dopado?
 
Me manguei, mas o professor percebeu meu azedume. Disse que ia dar uma nova chance.
 
Falou e disse.
 
Preveni meu garoto que ficasse de orelha em pé, lá vinha chumbo. Dito e feito. O professor, deixando cair a máscara alviverde, deu uma de periquito campineiro e pediu um trabalho completo sobre o Guarani.
 
Deixa que eu chuto, falei a meu filho. Pode contar comigo na regra três. Eu mesmo cuido da pesquisa.
 
Peguei a escalação completa do Guarani, botei o Neneca no gol, fiz a maior apologia do time da terra das andorinhas. Pra me cobrir e não deixar nenhum flanco desguarnecido, telefonei pro meu amigo Antonio Contente, que transa em assuntos culturais e conexos, como seja a imprensa, e pedi por favor que ele me mandasse uma camisa oito autografada. Diretamente de Campinas e pelo malote.
Não é pra falar, mas o trabalho escolar ficou um luxo.
 
Sem falsa modéstia, estava esperando pro meu filho no mínimo aprovação cum laude e placa de prata, para não dizer medalha de honra ao mérito.
 
Pois deu zebra.
 
Começo a desconfiar que o tal professor me armou uma arapuca e entrei fácil, como um otário. O homem deve ser primo do Dicá. Sabem o que o mestre fez? Hem? Querem saber? Deu outro zero pro meu filho. O pior é que não devolveu a camisa oito autografada.
 
Essa não deixei barato. Fui de peito aberto, às falas.
 
– Ilustre – eu disse -, com o perdão da palavra, mas que diabo de safadeza vossa senhoria anda arrumando pro meu garoto gavião-da-fiel? Então eu perco tempo, pesquiso, consulto a história gloriosa da equipe campineira, faço a maior zorra com o time do Brinco da Princesa, e o garoto ganha cartão vermelho?
 
Que grande cínico! O homem me olhou com aqueles olhos de olheiras – acho que tem almoçado e jantado mal, sei lá dizem que professor padece um bocado -, coçou a cabeça, murmurou:
 
– Foi o senhor que fez a lição?
 
Fiquei meio sem jeito:
 
– Bem, fazer não fiz. Dei uma orientação didática. Pai é para essas coisas…
 
Ele não se comoveu. Ao contrário, foi até rude:
 
– Se aceita um conselho, para de dar palpite na lição de casa de seu filho. O senhor não conhece nada do Guarani.
 
Falar isso na minha cara! Tive de agüentar calado. Nunca soube que no diacho do time campineiro figurasse uma dupla de área chamada Peri e Ceci. E com essa constante mudança de técnicos, como podia sacar que o técnico atual é o Zé de Alencar?
 
– Tá bem – eu disse -, não vamos brigar por tão pouco. O professor pode dar outra oportunidade ao menino?
 
Deu. O professor quer agora os capítulos completos de um romance, por
coincidência com o mesmo nome do time de Campinas: o Guarani. É qualquer coisa com índio sioux que de repente se vê obrigado a salvar uma mulher biônica das águas da enchente. Deve ser novela em cores. Mas só para complicar a vida de meu filho, o professor não revelou o horário. Porém desta vez ele não me ferra. Pela dica do enredo, que deixou escapar, deve ser mais uma dessas sucessões de cenas de violência que a gente é obrigado a engolir todas as noites na televisão.
 

Estou de antena ligadona, meu chapa.

Para interagir com o autor: lino@universidadedofutebol.com.br

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Confronto de gigantes

A BSkyB, mais conhecida apenas como Sky, sempre dominou o futebol inglês. Aliás, foi a grana depositada por ela que permitiu que o futebol daquelas bandas se reerguesse no começo da década de 1990. A Sky salvou o futebol inglês, e o futebol inglês também acabou salvando a Sky, que hoje está em diversos cantos do mundo, inclusive, sabe bem você, no Brasil.

Quando a Sky comprou os direitos de transmissão da Premier League, ela estava na beira do abismo. A dívida da empresa era absurda e ela não conseguia atrair consumidores que estivessem dispostos a pagar pelo conteúdo que ela oferecia. Ela precisava ampliar a sua programação com produtos de qualidade. E com urgência. Por isso que ela quase triplicou os direitos da Premier League. Quando ela assegurou a exclusividade sobre o futebol na televisão inglesa, a venda das antenas explodiu. A partir daí, foi lucro após lucro, ano após ano. Seu dono, Rupert Murdoch, só é o magnata midiático que é por causa da Sky. E a Sky só é o que é por causa do futebol inglês.

Pois bem. Alguns anos depois, a ITV, um canal aberto inglês, tentou fazer a mesma coisa que a Sky fez. Na verdade, a ITV sempre foi a dona do futebol inglês, em conjunto com a BBC. Ela era a detentora dos direitos da primeirona inglesa até a chegada da Sky. Depois, ficou apenas com a seleção inglesa e com a FA Cup, dois subprodutos. E eis que, em 1999, ela resolveu lançar um canal fechado e pagar 250 milhões de libras pela exclusividade da transmissão da Segunda Divisão da Inglaterra, de forma a popularizar a sua nova plataforma. Logicamente, não deu certo. Em 2002 a ITV Digital, o novo canal, foi fechado.

A Sky nunca se incomodou muito com a ITV, mas o sucesso da ITV Digital poderia significar certa concorrência. Como ela quebrou, a Sky seguiu tranquila o seu reinado, até o momento em que a Comissão Européia mandou a Premier League acabar com o monopólio da Sky e dividir os direitos com outras emissoras. A PL dividiu o calendário em seis pacotes de jogos, dos quais uma emissora poderia comprar no máximo cinco. A Sky comprou quatro, os mais importantes. Os jogos menores, dois pacotes de 23 partidas cada, ficou com a Setanta, uma rede irlandesa que começava a querer dar passos maiores no mercado. Além da Premier League, a Setanta também comprou uma série de outros eventos esportivos, como o campeonato escocês.

Mas eis que os dois pacotes de jogos, menores, não foram o suficiente para que a Setanta popularizasse o seu canal. Como não é barato comprar direitos de transmissão do futebol inglês, ela acabou dando um calote na Premier League. Logo depois, decretou falência. Os clubes escoceses entraram em desespero, porque não iriam mais receber pela transmissão do campeonato, o que implicaria na falência de diversos clubes. Alguns clubes ingleses temiam seguir o mesmo caminho.

Mas, eis que surgiu a ESPN e comprou os direitos da Premier League da ITV. Pela primeira vez, a gigante mundial manifestou seu interesse em começar a dar passos maiores no mercado europeu. Diferente da ITV e da Setanta, a ESPN é uma rede consolidada, de alcance global, e possui diversos canais de financiamento. Ajuda, e muito, fazer parte do grupo Walt Disney.

A Sky deve entrar em desespero. É a primeira vez que a competição se acirra dessa maneira. Dentre as diversas previsões possíveis, a mais provável é que, caso a ESPN realmente queira entrar no mercado inglês e europeu, os valores dos direitos da Premier League vão disparar. Se o montante pago já é alto e significativamente superior aos outros mercados europeus, a tendência é que fique ainda maior. Nada mal para tempos de crise.

Pena que o futebol escocês não possa dizer o mesmo.

Para interagir como autor: oliver@universidadedofutebol.com.br

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Trabalhar e ter sucesso no futebol globalizado? Obrigatória a língua inglesa, pelo menos…

Carlos Alberto Parreira está 40 anos à frente da maioria absoluta dos técnicos brasileiros.
 
Calma, sem polêmicas…
 
Não por sua sabedoria tática no comando de clubes e da seleção. Mas porque domina a língua inglesa, escrita e falada, desde o final da década de 1960, quando foi desbravar a então longínqua África para comandar a seleção de Gana.
 
Em 2010, a Copa do Mundo será na África do Sul, hoje comandada por outro brasileiro, Joel Santana – que não domina a língua e, naturalmente, isso lhe impõe muitas dificuldades no dia-a-dia do relacionamento com equipe, jornalistas e torcedores.
 
O “embromation” do treinador virou sucesso no Youtube e até ganhou versões funk e mixada com os desvarios de outro compatriota imperito na língua predominante no mundo, Anderson, meio-campista do Manchester United.
 
Não é só com o inglês que nossos profissionais sofrem. Luxemburgo também passou pelo mesmo enquanto foi “galáctico” no Real Madrid e destilava seu “portunhol” sem perder a pose jamás.
 
Aprender o inglês como segundo idioma, o espanhol como terceiro, o alemão como quarto não significa ser arrogante para atuar em um meio historicamente avesso aos letrados, estudiosos e ávidos por conhecimento.
 
Atualmente, isso é sinônimo de vantagem competitiva, pois dá aos profissionais mais chances de buscar dados e informações diretamente nas fontes de pesquisa (vide internet) para sua área de atuação, o que pode acarretar melhores contratos, mais chances de adaptação no estrangeiro e credibilidade.
 
Informação de qualidade e confiável vale muito num futebol fantasticamente globalizado em que vivemos hoje. Muito dela é produzida na esteira da vanguarda profissional européia e norte-americana, quando se trata de gestão esportiva e seus desdobramentos.
 
Para o Parreira sempre valeu muito, dentro do futebol, pois lhe possibilitou treinar várias seleções e clubes do exterior. E fora de campo, também, pois foi garoto-propaganda justamente de uma rede de escolas de inglês no Brasil durante a Copa do Mundo de 2006.
 
So, keep learning.
 
Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br
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‘Fator campo’: a influência sobre a decisão do árbitro

No futebol – assim como em outras modalidades – todos reconhecem a importância de se jogar em casa. Campo e rotina conhecidos, relação topofílica entre o ambiente e o futebolista, e a maioria da torcida a favor. Torcida que incentiva, empurra, vibra e influencia não apenas no desempenho da equipe, mas também nas decisões do árbitro.
 
Estudo revela que quanto maior a assistência do estádio em uma partida de futebol, maior a marcação de faltas para a equipe local (DOWNWARD; JONES, 2007). À medida que aumenta o número de torcedores locais no estádio, o árbitro fica mais sujeito a anotar as faltas para os anfitriões. É óbvio que com a torcida local mais numerosa, as reclamações, as vaias, as gesticulações, as provocações e as ameaças serão mais intensas e, dessa maneira, acabarão por influenciar na decisão do juiz.

Em muitas dessas vezes, vão ocorrer equívocos e um dos lados vai se sentir prejudicado. Sem hipóteses de que o árbitro volte em sua decisão, o jogador, sentindo-se injustiçado, vai recorrer à violência. Por sua vez, um ambiente hostil é capaz também de gerar hostilidade nos torcedores e a violência ser verificada nas arquibancadas (LEE, 1985).

 
O estudo foi realizado na Inglaterra, onde quase todos os estádios, salvo alguns, têm o mesmo formato e pouca distância entre o campo de jogo e a plateia. Ademais, os torcedores visitantes são colocados no local de pior acústica do estádio, para que suas canções, vaias e reclamações sejam abafadas, maximizando as manifestações do público “dono da casa”, mesmo pouco numerosa.

Tudo isso se aplica à América do Sul e ao Brasil, mesmo que aqui a arquitetura de seus estádios seja bem diferente da de seus vizinhos. Aqui há uma distância maior entre o gramado e o público, ao contrário do que acontece em muitos países da região.

 
Assim sendo, Fifa, federações nacionais e organismos locais adotaram medidas de segurança nos estádios, tendo em vista não apenas a preservação do torcedor – fazendo com que ele frequente mais o estádio -, mas também a própria preservação do jogo. A equipe, sim, pode ser incentivada e influenciada pelo público, mas não a equipe de arbitragem, responsável pelo andamento da partida, cumpridora da legislação do futebol. Por deter esse poder, usa em princípio a cor preta em seus uniformes, como símbolo da imparcialidade, assim como os juízes de Direito.
 
É por isso que a entidade máxima reguladora do futebol estabeleceu regras tendo em vista preservar o jogo. Dentre elas estão a proibição da venda de bebidas alcoólicas nos estádios, determinação de uma distância mínima entre o campo de jogo e a arquibancada, a implantação de uma fossa ou instalação de uma cerca de, no mínimo, 2,20m entre os dois ambientes – quaisquer medidas que não sigam essas recomendações só seriam aprovadas após vistoria de peritos. O que acontece na Inglaterra, por exemplo.
 
Entretanto, não é a distância do gramado, a altura de uma cerca ou a existência de uma fossa que impedirá alguns torcedores de provocar e intimidar juízes, auxiliares (“bandeirinhas”) e assim influenciar o jogo, o que a Fifa teme. Com isso, muito tem sido investido na formação e treinamento dos árbitros (principais e auxiliares), para que fiquem alheios ao “fator campo”, bem como os próprios treinadores preparam os seus jogadores para ser mais ou menos favorecidos nos jogos.
 
Por mais que se coloquem medidas para atenuar a manifestação da torcida local, que possa interferir na decisão do árbitro, ela não vai acabar. Com o passar do tempo, o público pode se tornar mais consciente do papel do árbitro, mas, enquanto isso não acontece, a equipe de arbitragem precisa estar bem preparada para os diversos cenários, bem como o gestor do esporte para potenciar a preservação do público. E do jogo.