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Porcos-espinho, tecnologia, Muricy e São Paulo

Olá amigos.

Gosto muito de alguns textos, fábulas e parábolas que, de maneira curta e sutil, nos trazem muitas lições. Em especial esta que apresento a vocês, me fez refletir sobre dois pontos, um que nos acostumamos a abordar nessa coluna e outro que foi repercutido nesta semana.

A difícil convergência entre alguns setores profissionais do futebol com os recursos tecnológicos e a saída de Muricy Ramalho do comando do São Paulo.

Eis o texto:

Durante uma era glacial, muito remota, quando parte do globo terrestre esteve coberto por densas camadas de gelo, muitos animais não resistiram ao frio intenso. Indefesos, morreram por não se adaptarem às condições do clima hostil.  Foi então que uma grande manada de porcos-espinho, numa tentativa de se proteger e sobreviver, começou a se unir, e juntar-se mais e mais. Assim, cada um podia sentir o calor do corpo do outro. E todos juntos, bem unidos, agasalhavam-se mutuamente, aqueciam-se enfrentando por mais tempo aquele inverno tenebroso. Porém, vida ingrata, os espinhos de cada um começaram a ferir os companheiros mais próximos, justamente aqueles que lhes forneciam mais calor, aquele calor vital, questão de vida ou morte e afastaram-se feridos, magoados, hostilizados, por não suportarem mais tempo os espinhos dos seus companheiros.

Aqueles espinhos que aqueciam também feriam e doíam muito. Mais tarde, descobriram que essa não era a melhor solução: afastados e separados, logo começaram a morrer congelados, os que não morreram voltaram a se aproximar, pouco a pouco, com jeito, com precauções, compreensão, de tal forma que, unidos, cada qual conservava uma certa distância do outro, mínima, mas o suficiente para conviver, resistindo à longa era glacial.

Um texto curto e simples, mas que, conforme afirmado anteriormente, se identifica muito com os casos citados.

Por mais que o espinho chamado tecnologia possa incomodar alguns profissionais, a convivência entre ambos é por demais necessária para que a tecnologia não morra, como também para evitar que o profissional se iluda com a falsa consciência de que não precisa de ninguém e de nada, pois já é auto-suficiente (diz que sempre ganhou tudo sem precisar de nada, ainda que nunca tenha ganho nada). 

Em outro fato, temos a saída do tricampeão brasileiro Muricy Ramalho. Muitos espinhos sobram para todos os lados nesse fato. Seja na relação Muricy x imprensa, ou Muricy x diretoria, ou ainda diretoria x Copa do Mundo. Enfim, muitos caminhos.

Confesso que não sou um fã incondicional do Muricy Ramalho. O que para alguns pode ser uma tremenda heresia e um desconhecimento de futebol, por não considerar o que todos observam que ele é o técnico eleito melhor do Brasil por quatro anos consecutivos, tendo conquistado três títulos. Mesmo porque, penso existir diferentes formas de se desenvolver um trabalho sem que uma exclua a outra (sem que os espinhos sejam nocivos). Mas deixemos essa discussão para outra oportunidade. 

Nesse momento, deve-se atentar que o São Paulo, reconhecidamente um clube estruturado e mestre em planejamento, deve ter motivos sólidos para suas ações. Apenas para reflexão, basta pesquisarmos a quanto tempo Arsène Wenger é técnico do Arsenal e pensar como seria se a cada eliminação do torneio intercontinental, ou ainda, no período de construção do estádio, ou nas reformulações do elenco, sua cabeça fosse colocada a prêmio. 

O fato é que na era glacial que o São Paulo está passando, os muitos porcos-espinho se aproximaram demais uns dos outros e sabemos como é que é, a corda sempre estoura no “espinho mais fraco”.

Para interagir com o autor: fantato@universidadedofutebol.com.br

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Gangorra da vida

Dunga, Ronaldo, Keirrison, Cuca, Muricy Ramalho. Semana sim, outra não, esses personagens dominam boa parte do noticiário esportivo. E, a cada sete dias que passam, a imprensa teima em sentenciar o destino já traçado para cada um deles.

Até a próxima rodada, é assim que a imprensa vai traçar os destinos desses personagens e de tantos outros que disputam uma partida profissional de futebol. No final de semana, foi a vez de a corda de Muricy Ramalho roer. Após quase quatro anos de tentativas insistentes da imprensa em decretá-lo como imprestável ao ser eliminado de uma Copa Libertadores, finalmente o São Paulo “cedeu” aos apelos e desfez-se do técnico mais vitorioso da década.

É curioso como o atleta e o treinador de futebol são tratados, em geral, conforme o resultado que apresentam dentro de campo. Se não houver um bom desempenho, a sentença derradeira é determinada, como se não fosse possível passar por uma má fase ou ter um dia ruim. Por outro lado, quando há resultado, tudo se transforma num mar de tranquilidade.

Muitas vezes a pressa no dia-a-dia do jornalista é vista como a grande vilã para que a mídia trate o trabalho no futebol como algo relacionado apenas ao resultado que é apresentado dentro de campo. Nesse cenário, não existe tempo para a análise crítica, para a criação de critérios mais claros que permitam um julgamento mais profundo do trabalho no esporte mais popular do país.

Mas o fato é que essa situação evidencia a falta de um trabalho mais estruturado, vindo lá da base, para a formação em educação física no nosso cotidiano.

Hoje, para trabalhar com o esporte profissional de alto rendimento, a pessoa tem de se especializar muito, tem de obter conhecimentos nas mais variadas áreas, tem de saber pensar para poder ter um bom desempenho profissional. 

Treinador, psicólogo, fisiologista, médico, atleta, massagista, nutricionista, sociólogo, administrador, marketeiro. Todos os setores envolvidos no cotidiano de um time profissional de futebol tiveram de passar por um processo de ampliação dos estudos, da profissionalização e atualização constantes, para poder chegar ao nível que hoje estão. 

Do outro lado, porém, a imprensa reflete a falta de educação na escola, que é a base para a formação da sociedade. O jornalista que hoje fala sobre esporte raramente possui uma qualificação interdisciplinar. Na verdade, dificilmente encontramos jornalistas que tiveram, de fato, uma educação física na escola. 

Quando crianças, geralmente fomos ensinados a praticar esporte, e não a estudá-lo. Nas aulas, o professor dividia a classe em times e o melhor era sempre quem ganhava a partida. Na sua essência, essa aula era apenas para a prática do futebol. Estudar a história do esporte, para não sair do que é mais superficial, não fazia sequer parte dos planos de um professor de educação física. E, assim, a sociedade se acostuma a produzir pessoas capacitadas em ver apenas a necessidade do resultado.

Talvez as histórias dos Dungas, dos Ronaldos e dos Cucas sirvam para nós de lição. Mostrem o caminho para que a gente entenda que o esporte não é apenas o resultado, que o que é ruim hoje pode ser excepcional amanhã. 

Hoje, a gangorra na cobertura do futebol pela mídia mostra que, em todos os setores da sociedade, sofremos com a necessidade de ver o resultado positivo para poder aceitar algo como bom. 

Quase sempre essa gangorra nos reforça a pensar e agir dessa forma, sem entender que, por trás de qualquer história de vida, estão pequenas narrativas de fracassos e conquistas. 

A imprensa reflete hoje a falta de conhecimento que permeia a sociedade brasileira. E o nosso senso crítico é colocado quase sempre para escanteio, dando vazão, sempre, à irracionalidade. O que é besta vira bestial num piscar de olhos. E, assim, vidas vão sendo idolatradas e massacradas ao dissabor do resultado.

Para interagir com o autor: erich@universidadedofutebol.com.br

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Conhecimento tático ou inexperiência: qual a arma de Dunga?

Não estou aqui a escrever esse texto para defender esse ou aquele treinador, nem tão pouco para apontar defeitos personificados em um sujeito qualquer que um dia decidiu se tornar treinador de futebol.

Quando aponto falhas no comportamento organizacional de uma equipe, não tenho pretensão alguma de criticar o trabalho do “comandante” da tal equipe, apenas quero discutir como ela joga o jogo.

Hoje, vou então abrir uma exceção, para escrever sobre o treinador da seleção brasileira de futebol, o Dunga.

Confesso ainda achar muito estranho que alguém assuma como primeiro trabalho em sua profissão (em sua carreira), aquele que é tido como o mais importante, difícil e valorizado dentre seus pares.

O fato é que depois de ouvir recentes depoimentos de jogadores brasileiros que jogam ou jogaram na Europa nos últimos anos, começo a pensar que aquela que era para mim a principal fragilidade (defeito, problema!) do treinador da seleção do Brasil, é na verdade sua principal arma (vantagem, qualidade, virtude).

Explico. É muitas vezes assustador assistir nos programas “especializados” em futebol na televisão brasileira as comparações infundadas sobre o futebol praticado na Europa e o praticado no Brasil. Um sem número de argumentos vazios é usado para tentar convencer aos ouvidos menos atentos de que dentro do campo, seja no âmbito da preparação física, técnica ou tática, nós brasileiros somos imbatíveis.

É um velho-novo discurso que, reduzindo o futebol à relações de causa-efeito, simplifica ao bel prazer dos achismos,  fatos e teorias que explicam o ponto de vista que se quer defender.

É incontestável que fatores como a preocupação da Uefa com a qualidade da formação dos treinadores em ação no território europeu (da base ao profissional), a proximidade entre as Universidades (Ciência) e a prática em alguns centros, e o grande número de eventos que promovem discussão entre profissionais em diversos países da Europa têm garantido já há algum tempo um grande salto de qualidade no jogar das equipes européias.

Nossos jogadores saem do Brasil e no velho continente (aqueles que se adaptam aos novos paradigmas) aprendem coisas novas sobre o jogo, evoluem seu jogar e em contrapartida oferecem as suas equipes novas outras possibilidades (e está feita a troca).

E o Dunga com isso?

O treinador brasileiro passou cerca de 11 anos de sua carreira de jogador fora do Brasil (6 anos na Itália, 2 anos na Alemanha e 3 anos no Japão [fonte: Wikipédia]). Aprendeu muitas coisas por lá. Algum tempo depois de se “aposentar” no Brasil, tornou-se treinador – e logo da Seleção Brasileira.

Não precisou respirar os bastidores dos clubes brasileiros (em sua maioria viciados em um tempo “estragado” que parou no passado), nem conviver com alguns de seus jogadores acostumados com desmandos de um futebol que “é assim mesmo”.

Assumiu um cargo em que os seus comandados aprenderam coisas novas, experimentaram outros paradigmas, atravessaram o Atlântico e cresceram como atletas e como homens; passaram a jogar um futebol que o próprio Dunga tirou lições. E como não tinha experiência alguma como treinador tratou de buscar informação e conhecimento.

Sem os vícios que poderiam dificultar seu trabalho com os grandes astros do futebol brasileiro e com uma visão mais ampla sobre o que se faz no futebol europeu tem tentado, de certa forma, dar significado a coisas que antes eram substituídas ou ficavam ofuscadas por gritos na beira do gramado.

Não acredito que Dunga seja melhor ou pior o que esse ou aquele treinador. Penso somente que sua vantagem é não ter tido tempo e experiência como técnico dentro do nosso bom futebol brasileiro; e só com isso já tem tido resultados mais satisfatórios do que seus antecessores em vários aspectos.

O que acredito sim, é que estamos muito distantes ainda de ter uma seleção brasileira jogando de maneira a potencializar o talento de nossos jogadores ao mesmo tempo em que se apresenta como uma equipe tática avassaladora.

Por fim, só para constar, uma questão: por que os “especialistas futeboleiros” de maior “alcance” na mídia, diferente do que faziam (e fazem como praxe) com outros treinadores, vivem a elogiar o Dunga (a responsabilidade é sempre dos outros)?

Para interagir com o autor: rodrigo@universidadedofutebol.com.br

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Um exemplo a ser acompanhado

Caros amigos da Universidade do Futebol,

Hoje tivemos uma notícia na Formula 1 de grande importância para o cenário do esporte mundial, em especial para o futebol.

Em colunas passadas, discutimos neste espaço o que aconteceria na hipótese de determinados clubes romperem com suas federações e ligas. Essa hipótese teve espaço quando foi recentemente veiculado na imprensa um possível rompimento entre ECA (associação dos principais clubes da Europa) e Uefa (confederação européia de futebol).

Apesar de posteriormente desmentido, esse boato despertou enorme curiosidade no mercado, que ponderou o que poderia acontecer nessa hipótese. Como jogadores, mídia, patrocinadores e torcedores reagiriam?

Seria de fato uma queda de braços interessante (porém com conseqüências negativas para todas as partes, não tenho a menor dúvida).

A questão ficou no ar, e a conclusão foi a de que dificilmente isso aconteceria na prática. Nenhuma das partes assumiria esse enorme risco, eventualmente irreversível, de abrir mão do apoio da outra na luta pela sua viabilidade financeira.

Enfim, hoje os agentes do futebol podem aproveitar do atual momento, e refletir sobre essas possíveis conseqüências sem as sofrerem na pele.

A Associação das Equipes de Fórmula 1 (Fota) anunciou ontem um rompimento com a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) e a conseqüente organização de uma competição própria entre suas escuderias. Aparentemente apenas a Williams e a Force Índia permaneceriam na competição da FIA.

Assim, será interessante observar qual vai ser o comportamento dos pilotos, dos patrocinadores e das televisões mundiais (isso na hipótese de essa posição da Fota ser efetivamente mantida).

Entendo que a FIA poderá impor multas relevantes aos “desertores”, incluindo eventualmente a recusa de poderem disputar, no futuro, qualquer prova organizada pela FIA. Se isso de fato ocorrer, teremos uma grande pressão sobre aqueles que estiverem planejando migrar para a competição da Fota. 

Por outro lado, estamos falando de escuderias tradicionalíssimas, como o caso da Ferrari. Estaria a FIA em uma posição de abrir mão para sempre dessa escuderia em prol de um exemplo a ser seguido no futuro por seus membros? 

Guardadas as devidas proporções, seriam as mesmas perguntas que estaríamos fazendo caso a notícia fosse a de que clubes como Milan, Manchester United, Real Madrid e outros grandes estivessem rompendo com a família da Fifa. 

Infelizmente, para o mundo do automobilismo temos a chance, talvez única, de observar as conseqüências de um rompimento dessa magnitude na realidade.

Os próximos desenvolvimentos dessa briga serão cruciais e poderão ganhar contornos irreversíveis e irreparáveis. E que os agentes dos demais esportes tirem as suas lições.

Vamos acompanhar e manter nossos leitores informados.

Para interagir com o autor: megale@universidadedofutebol.com.br

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Dinâmica do treinamento de velocidade no futebol na categoria sub-12

A velocidade é importante para a maioria dos desportos, porque grande parte dos seus participantes precisa correr, movimentar-se, reagir, mudar de direção rapidamente. Principalmente em se tratando do futebol, que o seu praticante quase nunca desempenha uma ação em linha reta, como no sprint do atletismo.
 
Weineck (2000, p. 441 -442) afirma que:
 
Em crianças e em adolescentes – especialmente na faixa etária entre 8 anos e 16 anos, a alta plasticidade do córtex cerebral e a instabilidade morfológica do sistema nervoso possibilitam, da melhor forma, que se estabeleçam as bases da velocidade (Stiehler/ Konzag/ Dobler 1988, 111).”
 
O autor relata ainda que, uma vez que a velocidade é altamente treinável muito cedo, ela precisa ser efetivamente aperfeiçoada na infância e na adolescência por causa das altas taxas de crescimento desses períodos. Nas categorias de 6-10 anos e 10-12 anos, devem ser realizados estímulos de velocidade e de reação, exercícios de reação devem estar frequentemente ligados a acelerações.    
 
Uma meta importante de atividades esportivas nessa faixa etária é o desenvolvimento de atividades específicas para o jogo (futebol). Por meio da exposição a brincadeiras, jogos e circuitos, as crianças aprendem como coordenar braços e pernas, movê-los com mais rapidez e correr sobre a ponta dos pés. O tempo de movimento das crianças melhora em consequência dessas experiências motoras. As crianças aprenderão com que rapidez devem começar a mover partes do corpo a um sinal dado ou em uma situação de jogo.
 
À medida que as crianças melhoram a coordenação dos membros, podem progressivamente participar de exercícios simples de velocidade, sobretudo ao se aproximarem da puberdade. No treinamento de futebol dessa faixa etária, o professor pode realizar exercícios específicos para velocidade, utilizando uma bola.

Ele pode organizar exercícios específicos para a modalidade desportiva como parte do treinamento e as crianças podem fazer outros tipos de treinamento de velocidade além do trabalho técnico.
 
EXERCÍCIOS
 
1. RAPOSA E ESQUILO
 
Objetivo: desenvolver velocidade e tempo de reação
 
Procedimento: escolher uma raposa e um esquilo. As outras crianças formam
pares e seguram as mãos, uma frente à outra com os braços erguidos. São
chamados de árvores e se espalham pela área de jogos. A raposa persegue o
esquilo e tenta apanhá-lo. O esquilo pode se esconder em uma árvore. Se o esquilo
se esconde em uma árvore, a pessoa de frente para as costas do esquilo toma seu
lugar. O jogo prossegue até que cada jogador tenha sido a raposa ou o esquilo.
 
 
2. POLVO
  
Objetivo: tempo de reação e velocidade máxima com mudanças de direção
 
Procedimento: formam-se um grande grupo com 20 a 30 participantes. Escolhem-se um ou dois para serem os polvos. Os restantes se alinham contra uma parede, ou atrás de uma marcação. O polvo grita “Polvo”, e os participantes correm para a parede oposta ou marcação oposta. Se o polvo pegar um participante, este se volta em um pé só para ajudar a apanhar os outros.
 
 
3. BALANÇO DOS BRAÇOS
 
Objetivo: coordenação e impulso dos braços
 
Procedimento: de pé com os pés paralelos a 15 centímetros de distância (ou na largura dos ombros). Flexionar os cotovelos em ângulo de 90o, sem alterar a posição do corpo e o ângulo dos cotovelos, balançar os braços para frente e para trás. Os ombros devem estar abaixados e relaxados enquanto balançam as mãos elevando-as à altura da face.
 
 
4. PASSOS LARGOS
 
Objetivo: melhorar a potência das pernas e a amplitude das passadas
 
Material: 10 a 15 arcos.
 
Proce
dimento:
começar na posição de pé. Colocar os arcos no chão a uma distância que forçará a criança a dar a passada quase na sua amplitude máxima (mas sem forçar demasiadamente). Realizar passadas longas para colocar os pés sempre dentro dos arcos e caminhar de volta ao ponto de partida.
 
Repetições: seis vezes.
 
 
5. O GIRO
 
Objetivo: saída e corrida rápida para frente e mudança de direção
 
Material: um cone
 
Procedimento: dividir o grupo em duas equipes pequenas de seis a oito participantes. A partir da posição de pé, as crianças inclinam-se para frente e começam a correr (12 metros) e realizar a mudança de direção no cone. Ao contornarem o cone, retornam caminhando.
 
Repetições: seis vezes.
 
 
Bibliografia
 
BOMPA, T. Periodização: teoria e metodologia do treinamento. 4 ed. São Paulo: Phorte, 2005.
 
BOMPA, T. Treinamento Total para Jovens Campeões. Barueri: Manole, 2002.
 
GARGANTA, J. O Desenvolvimento da Velocidade nos Jogos Desportivos Colectivos. Rev. Treino Desportivo, no 6, Março 1999, pp 6-13, Portugal.
 
GOMES, A. C.; SOUZA, J. Futebol: treinamento desportivo de alto rendimento. Porto Alegre: Artmed, 2008.
 
WEINECK, J. Futebol Total: o treinamento físico no futebol. Guarulhos: Phorte, 2000.
 
WEINECK, J. Treinamento Ideal. 9 ed. São Paulo: Manole, 1999.
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As janelas quebradas do futebol brasileiro

No começo, achei que era coincidência, ilusão de ótica, desatenção. 

Mas, rapidamente, constatei, por observar e por ouvir do próprio diretor de marketing do Corinthians, que “a camisa poluída de marcas de patrocinadores que fatura muito mais do que outras mais limpas” fez o clube a aumentar a área útil do outdoor ambulante.

Do meu tempo de atleta de futsal, lembro, perfeitamente, que uma das primeiras lições de comportamento e disciplina aprendida era que todos deviam colocar as camisas por dentro do calção – símbolo de ordem e organização da competição. Treinadores e juízes cobravam dos atletas esta postura que, no meu caso, permaneceu automatizada em todos os campeonatos e peladas que disputo até hoje.

No caso do clube paulista, todo o elenco entra com as camisas à mostra, por completo, desleixadamente, para expor a marca de um dos patrocinadores. Até agora, não testemunhei reprimendas ou corretivos por parte dos árbitros. E não será o Mano Menezes que irá fazê-lo.

Confesso que não encontrei informações credenciadas, na internet, que me levassem a afirmar se essa conduta é normatizada pela Fifa ou International Board e seus regulamentos, como proibida ou permitida. Mesmo porque, não é esse o ponto em questão.

Esse fato é, a meu ver, bastante ilustrativo de como o futebol brasileiro, em geral, e as competições, em particular, necessitam de organização, disciplina, de um roteiro ordenado segundo procedimentos profissionais e mercadológicos capaz de criar valor. Como ocorre na Europa, em geral e, em particular, na Champions League – e quem a acompanha, sabe que o espetáculo não ocorre somente na partida final.  

A Uefa planejou todos os detalhes. Desde a entrada das equipes em campo, passando pela logomarca, propriedades de patrocínio e até mesmo o famoso hino, composto por uma grande orquestra européia. Não é por nada que, proporcionalmente, a competição rivaliza com a Copa do Mundo da Fifa nas finanças.

Para quem teve seu desejo atendido, de realizar uma Copa do Mundo, o país do futebol tem muito a fazer ainda. Muitos detalhes somados, de agora até 2014, que, só assim, habilitarão o sucesso do evento e poderão perenizar os efeitos benéficos para a gestão do esporte no Brasil. 

A “Teoria das Janelas Quebradas” enuncia a iniciativa do Metrô de Nova York para combater atos de vandalismo, pichações e calotes nas catracas na década de 1980. Seus criadores argumentavam que, se as pessoas que ali transitavam nesse ambiente depreciado, ou achariam que isso era normal, sempre fez parte do cenário, ou, pior, continuariam com o processo de degradação.  

O plano obteve êxito e foi expandido para toda a cidade sob um plano de segurança pública, nas mãos do prefeito Rudolph Giuliani, que lhe deu notoriedade e ficou conhecido como “Tolerância Zero”.

No Brasil, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, lançou em 2009 o “Choque de Ordem” visando revitalizar áreas e serviços urbanos.

Será que teremos o “Choque de Gestão” no futebol brasileiro, ou ele continuará assim, como sempre foi?

Tem muita janela quebrada para consertar.

Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br

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Fatores essenciais para treinar jovens

Treinar jovens é uma atividade de alta complexidade, principalmente no futebol atual, onde os conflitos de interesse, a pressão de pais e dirigentes e as situações de rivalidade fazem-se presentes a todo instante.

Além de lidar frequentemente com essas situações, é necessário que o profissional possua competências multidisciplinares (pedagógicas, didáticas e psicológicas); que conheça profundamente o jogo, as individualidades das diversas faixas etárias e também saiba lidar com a competitividade sadia nesta fase.

Devido à popularidade e à seletividade do esporte, vários futebóis são praticados em nosso país, seja educacional, de rendimento, ou mesmo de participação. Fica evidente que, se vários são os âmbitos do nosso futebol, os objetivos para o mesmo se diferem. Entretanto, o que se observa é uma cobrança exacerbada pela vitória, independentemente de se tratar de uma categoria de base, uma escolinha municipal ou um time de bairro.

Portanto, é necessário entender o real objetivo do treinamento e avaliar se o mesmo está de acordo com o recurso humano participante, uma vez que a obsessão pela vitória pode trazer diversos desapontamentos e frustrações aos atletas.

Para Marcello Lippi, treinar jovens é uma missão para pessoas que acreditam profundamente no que estão a fazer, para pessoas que conseguem tirar da sua cabeça tudo o que tem a ver com treino de adultos. Têm de se dedicar totalmente ao desenvolvimento do talento dos jovens. “A razão pela qual deixei de ser treinador de jovens após três anos de trabalho foi porque percebi que preferia os riscos, a tensão, a necessidade de ter resultados. Foi assim que iniciei a minha grande aventura”, afirma o treinador da seleção principal da Itália.

Nessa perspectiva, torna-se claro que a vitória não é um fator fundamental na formação. Para além dessa perspectiva de rendimentos competitivos elevados, de vencer a qualquer custo, o futebol deve envolver a criança integralmente, num projeto de desenvolvimento pessoal.

Deste modo, o gestor do processo deve ter em mente a importância da formação contínua da criança, procurando não antecipar conteúdos de treino, respeitando o grau de conhecimento do jogo nas suas diferentes fases de desenvolvimento e principalmente não exercer constantes pressões desnecessárias que poderão acarretar em distúrbios psicológicos.

Assim sendo, o treinador tem a incumbência de contribuir para que o desporto preserve suas características mais positivas e proporcione aprendizagens que atinjam o atleta por inteiro, preservando os aspectos lúdicos do futebol e respeitando as individualidades de cada praticante para o mesmo desenvolver o gosto pela modalidade.

Por conseguinte, é necessário entender que o treinar na juventude possui exigências específicas, que se distinguem do que é realizado com adultos. Também é necessário perceber que o treinar não é uma forma de promoção pessoal; é, antes de mais nada, uma atividade que necessita de aprofundamento e abertura ao conhecimento, não sendo conquistada em apenas quatro anos de universidade ou em 15 anos como jogador profissional.

Outra questão pertinente para o treinador é seu poder de comunicação e a abertura para troca de idéias. Nesse aspecto, o mesmo deve, juntamente com os atletas, buscar soluções conjuntas, fixando algumas normas que serão cumpridas pelo grupo. Assim, cria-se uma atmosfera favorável para aprendizagem, onde todos terão liberdade para expressar-se, de forma a evoluírem como pessoas críticas, conhecedoras não somente dos aspectos do futebol, mas também dos aspectos morais, sociais, culturais e políticos.

Do mesmo modo, se o treinador é a pessoa que orienta, dirige, motiva, aconselha e dá exemplos, torna-se modelo a ser seguido pelos mais jovens. Assim, a grande maioria das situações por ele realizadas servirão de espelho para os atletas. Então, uma conduta correta dentro e fora das quatro linhas certamente determinará o nível de confiabilidade e as posteriores atitudes dos atletas.

Além desses aspectos, é notória a necessidade do treinador possuir aptidões metodológicas para construir e dirigir os exercícios de treinamento que abranjam todas as dimensões do jogo, especialmente se seguir uma proposta pautada no jogar, onde a criatividade e o poder de modificação deverão estar presentes semanalmente.

Portanto, ser professor de jovens não é páreo fácil. É uma divertida atividade que requer competência, compreensão, dedicação, paciência e a visão de que o futebol na formação não deve ser encarado com um fim, mas com como um meio para a evolução integral do atleta.

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Cartão vermelho

O livro conta os motivos que levaram um dos mais destacados árbitros do futebol brasileiro, integrante dos quadros da Fifa, a se envolver em um esquema de manipulação de resultados.

O próprio árbitro, Edilson Pereira de Carvalho, relata de maneira simples as razões do seu desvirtuamento ético, entrando em relações com apostadores da internet, e o drama vivido após isso vir à tona.

A pressão dos bastidores, os períodos na “geladeira”, os conselhos paternalistas e pedidos inocentes dos dirigentes, estão também relatados neste livro, que o autor considera mais como um desabafo pelo que passou desde início da carreira até os dias atuais.

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Barbosa – um gol faz cinqüenta anos

A obra conta a história do goleiro brasileiro Barbosa, que pertencia à seleção brasileira que perdeu para o Uruguai pelo placar de 2 x 1, em pleno Maracanã, durante a Copa do Mundo de 1950.

Com a participação do arqueiro, que conversou com o autor do livro por 20 horas, são relembrados momentos emocionantes e que muitas vezes deixam de ser recordados, sobrando apenas a imagem do “goleiro que sofreu o gol que tirou a Copa de 1950 das mãos do Brasil”.

No entanto, o livro não se limita às histórias ligadas à vida de Barbosa. Ele conta o drama que atingiu toda a geração de 1950, abordando fatos como a utilização do futebol como auto-afirmação do Brasil como nação, por exemplo.

Roberto Muylaert é jornalista e atua como editor de revistas desde 1964. Com larga experiência no ramo de publicações, ele se aventura a escrever um livro sobre um dos personagens mais importantes do nosso futebol.

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Por que não desisto – futebol, dinheiro e política

Na obra o autor tenta responder diversas questões extremamente atuais sobre o futebol, desde a importância de um país sediar uma Copa do Mundo, até os motivos que fazem com que seja tão complicado dirigir um clube.

Juca Kfouri apresenta diversos vícios administrativos que permanecem na modalidade desde muito tempo atrás e que ainda continuam sendo um obstáculo para a gestão profissional.

Além de trazer diversos fatos cheios de negociatas e politicagem por parte dos dirigentes das agremiações, “Por que não desisto – futebol, dinheiro e política” faz com que se reflita sobre a modalidade e os meios como ela é guiada.