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Cuide do seu leão

Há um mês recebi o texto abaixo de uma amiga e achei 10! Na época mandei para os amigos mais próximos e alertei o pessoal que valia a pena lerem com carinho e atenção.

Ao ver o material, pensei o quanto é importante aproveitar os acontecimentos do dia a dia, ver o quanto eles são úteis para o nosso próprio crescimento, fazendo isso ao invés de ficar resmungando pelos cantos sobre o que aconteceu. A conclusão é que tal atitude é muito mais saudável.

Neste fim de semana, assisti à Fórmula 1, vi os jogos do Brasileirão, e notei um fato comum. Depois da corrida, vi o Felipe Massa reclamando do Hamilton – na televisão e com o próprio piloto, de forma bruta, agressiva. Vi também a entrevista do Felipão, reclamando de tudo e de todos, falando que tinha vergonha do resultado, que não sabia o que seus jogadores tinham, e blá blá blá. Sobrou para todo mundo!

Citei esses dois casos, mas tiveram, só no último sábado e domingo, vários outros. E não estou criticando o Massa ou o Felipão, eles tinham suas razões para se exaltarem e digo mais, tinham razão em vários pontos. E se pararem para pensar, notarão que no cotidiano de vocês também aconteceu algo parecido. Você mesmo, ou alguém próximo, relcamou de algo que não aconteceu da forma como esperava. E com certeza vocês tinham razão em vários acontecimentos.

Mas o ponto é outro, e a reflexão que convido a fazer é: vale a pena reclamar, ficar resmungando pelos cantos? Avaliar se isso muda algo na sua vida, avaliar se ao invés de reclamar, a ação for refletir sobre o que houve – que não pode ser mais mudado – e como isso pode servir de ensinamento para o futuro. Verificar se, agindo assim, pensando no que podia ser feito diferente, não é melhor para o seu bem e para o bem de todos que vivem o dia a dia com você, seja em casa, no clube, na empresa. Afinal, ninguém consegue mudar o passado, e como diz o ditado: a flecha atirada não retorna ao arco!

Por isso, da mesma forma que encaminhei o e-mail para o meu grupo de amigos, encaminho agora para vocês alguns trechos e peço que façam uma reflexão sobre o assunto. Pensem se vale reclamar de tudo e de todos no lugar de agir.

O texto é este:

“Outro dia, tive o privilégio de fazer algo que adoro: fui almoçar com um amigo, hoje chegando perto de seus 70 anos. Gosto disso. São raras as chances que temos de escutar suas histórias e absorver um pouco de sabedoria das pessoas que já passaram por grandes experiências nesta vida.

Depois de um almoço longo, no qual falamos bem pouco de negócios, mas muito sobre a vida, ele me perguntou sobre meus negócios. Contei um pouco do que estava fazendo e meio sem querer, disse a ele:

Pois é! Empresário, hoje, tem de matar um leão por dia.

Sua resposta, rápida e afiada, foi sabia como de costume:

Não mate seu leão. Você deveria mesmo era cuidar dele.

Fiquei surpreso com a resposta e ele provavelmente deve ter notado minha surpresa, pois me disse: ‘deixe-me lhe contar uma história que quero compartilhar com você’.

Segue, mais ou menos, o que consegui lembrar da conversa:

Existe um ditado popular antigo que diz que temos de ‘matar um leão por dia’. E por muitos anos, eu acreditei nisso, e acordava todos os dias querendo encontrar o tal leão. A vida foi passando e muitas vezes me vi repetindo essa frase.

Quando cheguei aos 50 anos, meus negócios já tinham crescido e precisava trabalhar um pouco menos, mas sempre me lembrava do tal leão, afinal, quem não se preocupa quando tem de matar um deles por dia?

Pois bem. Cheguei aos meus 60 e decidi que era hora de meus filhos começarem a tocar a firma. Mas qual não foi minha surpresa ao ver que nenhum dos três estava preparado! A cada desafio que enfrentavam, parecia que iam desmoronar emocionalmente. Para minha tristeza, tive de voltar à frente dos negócios, até conseguir contratar alguém, que hoje é nosso diretor-geral.

Este ‘fracasso’ me fez pensar muito. O que fiz de errado no meu plano de sucessão?

Hoje, do alto dos meus quase 70 anos, eu tenho uma suspeita: a culpa foi do leão.

Novamente, eu fiz cara de surpreso. O que o leão tinha a ver com a história? Ele, olhando para o horizonte, como que tentando buscar um passado distante, me disse:

É. Pode ser que a culpa não seja cem por cento do leão, mas fica mais fácil justificar dessa forma. Porque, desde quando meus filhos eram pequenos, dei tudo para eles. Uma educação excelente, oportunidade de morar no exterior, estágio em empresas de amigos. Mas, ao dar tudo a eles, esqueci-me de dar um leão para cada, que era o mais importante.

Meu jovem, aprendi que somos o resultado de nossos desafios. Com grandes desafios, nos tornamos grandes. Com pequenos desafios, nos tornamos pequenos. Aprendi que, quanto mais bravo o leão, mais gratos temos de ser.

Por isso, aprendi a não só respeitar o leão, mas a admirá-lo e a gostar dele. Que a metáfora é importante, mas errônea: não devemos matar um leão por dia, mas sim cuidar do nosso. Porque o dia em que o leão, em nossas vidas morrer, começamos a morrer junto com ele.

Depois daquele dia, decidi aprender a amar o meu leão. E o que eram desafios se tornaram oportunidades para crescer, ser mais forte, e ‘me virar’ nesta selva em que vivemos”.

É isso, pessoal! Reflitam e vejam a melhor opção para o seu dia a dia, para serem ainda mais felizes!

Agora, intervalo, vamos aos vestiários e nos vemos na próxima semana!

Abraços a todos!

Para interagir com o autor: ctegon@universidadedofutebol.com.br

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Tabela Heurística do Treinador de Futebol: um olhar distinto e respeitoso para essa função profissional

A função de “treinador de futebol” tende à aparente incoerência. Somente aquele gestor de pessoas, sentado no banco de reservas durante boa parte dos 90 minutos de uma partida, conhece detalhadamente o que permeia o seu grupo e como alcançar tal objetivo ao fim de uma disputa. Com base nesse princípio intuitivo da periodização, muitas vezes tal profissional causa espanto aos olhos menos atentos, porém tão críticos quanto: “por que ele não escalou fulano para jogar? E o ciclano, que entrou só nos minutos finais?”.

As respostas – ou, pelo menos, o entendimento de tais justificativas – estão contextualizadas em um ambiente muito complexo e que geralmente não é tratado com a devida consideração. Por conta disso, e diante de um cenário em que a bibliografia sobre treinadores é muito dispersa, incompleta e fragmentada, Luís Peazê, escritor, jornalista, tradutor com 30 anos de experiência e que conviveu no mundo da bola com referências do patamar de Falcão, Batista e Carpegiani, resolveu criar.

Neste ano, ele lançou de modo oficial e mundial a Tabela Heurística do Treinador de Futebol – THTF, uma ferramenta inovadora de avaliação desses profissionais. Produzida em Charleston, SC (EUA), a obra se trata de um conjunto amplo de características e atributos disponíveis ao treinador de futebol, organizados em uma tabela de fácil e rápida apreensão, com manual de utilização e conteúdo inédito.

“Durante todo o processo de levantamento de dados e tomada de decisão por um caminho ou outro, li sobre o método de proeminentes treinadores, brasileiros e estrangeiros, e a biografia de praticamente todos os considerados lendários, ‘treinadores clássicos’, como quer a Fifa. Conversei com alguns, ouvi e li incontáveis entrevistas, e é por isso que resolvi homenagear Gusztav Sebes e listar um time de onze, mais um, treinadores clássicos, ao final da THTF”, explicou Peazê, que já foi programador de computador e analista de sistemas nas décadas de 1970/80, educador, gerente de marketing e publicitário e realizou uma aventura dos sonhos: construiu um veleiro de madeira com as próprias mãos e velejou com sua mulher Helga Leal, cientista social, em torno da Austrália.

São várias as áreas do conhecimento humano que o treinador deve conhecer, entende Peazê. Inspirado no significado da palavra “Heurística”, idealizou uma forma de criar uma paisagem mental para que este comandante não perdesse de vista os “vários lugares focais” – era importante que esta mesma paisagem fosse útil tanto para a sua autoavaliação, quanto para outros públicos, incluindo executivos de clubes, imprensa e os torcedores.

“Fui ao Footecon em 2010 para colher informação, sentir o ambiente e aferir o que eu já estava dando forma. Daí, ao assistir a palestra de Mano Menezes, o relato de seu plano de trabalho, em que o último item, 8, deixava em aberto a necessidade do técnico da seleção brasileira de conversar com outros colegas, dos clubes, e também de sistematizar a terminologia dos treinadores no Brasil (se falam muitas línguas no futebol brasileiro e isso, mais tarde eu mesmo teorizei, cria problemas e atrasos inclusive de adaptação de jogadores e de treinadores que se deslocam de uma região para outra), achei que a minha Tabela Heurística se encaixava num projeto que atenderia àquele ponto”.

 

Ao lado de João Paulo Medina, com a aula “Dinâmica sobre Perfil do Treinador de Futebol”, Luís Peazê é um dos professores do Curso Master em Técnica de Campo!

 

Peazê teve duas reuniões com Mano e a comissão técnica do time principal. O projeto de sistematização de terminologias apresentado foi aprovado, mas acabou não havendo uma viabilizado por parte da CBF. Um pouco mais longe, na Universidade do Porto, entretanto, a validação de peso se concretizou.

O professor Julio Garganta, Doutor em Ciências do Desporto e docente daquela instituição de ensino, realizou uma série de críticas e recomendações pontuais. Na sequencia, o aval foi dado por João Paulo Medina, Diretor Executivo da Universidade do Futebol.

A Tabela Heurística do Treinador de Futebol inclui a tabela propriamente dita, o manual de utilização, o gráfico de bolhas (bubble chart) do universo do treinador de futebol, a gangorra baseada na teoria do ímpeto (Buridan) e na teoria da inércia rotacional (Newton), uma folha de exercício, e uma homengem aos lendários treinadores, através da biografia de Gusztav Sebes e o time de 11 treinadores clássicos.

No total, são 22 “características” e 61 “atributos” para autoavaliação do treinador de futebol por intermédio de um método prático. Para chegar ao mesmo, o autor utilizou peneiras de várias “grades” ao longo do processo.

“Eu tinha em mente que tudo deveria se enquadrar num triângulo, que é fácil de memorizar, e inspira dinamismo. É latente nessa figura o ímpeto pelo movimento, ou queda; foi então que busquei na teoria do ímpeto (Buridan) e o amparo para defender que as características do treinador de futebol lhe impõem uma oscilação permanente, ou latente”, justificou Peazê.

De acordo com ele, foi inevitável visualizar a teoria da inércia rotacional pela figura da gangorra, isto é, alterar as variáveis, os pesos extremos ou as dimensões do eixo e da base resultando na mudança de toda a dinâmica (i.e. velocidade, arco, etc). Havia, porém, um problema gráfico visual, que ele solucionou com três colunas básicas, permanecendo a base do raciocínio. “Afinal, o treinador está sempre oscilando para cima e para baixo, não está?”, questionou.

Acidentalmente, Peazê descobriu que há, de fato, apenas três características básicas do treinador de futebol: as que são “assimiláveis” ou espontâneas, aprendidas, desenvolvidas e adquiridas pela capacitação formal ou informal; as “temporais”, que ele acumula durante o tempo; e as “técnicas”, inerentes à prática de treinar propriamente dita.


 

“O passo seguinte foi simplificar, pois a esta altura eu já tinha uma massa de informação muito grande, e como o ‘chão de fábrica’ do treinador de futebol é o campo, os seus operários são os jogadores, e todo o comando para a produção funcionar deve ser objetivo, claro, direto, preciso, me dediquei a simplificar ao máximo, a ponto de a Tabela Heurística do Treinador de Futebol, apesar do nome feio, parece, à primeira vista, muito simplória, e é, de propósito”, afirmou.

Com a ajuda de Garganta e Medina, o escritor estabeleceu que cada examinador pode escolher o seu ideal para cada característica e atributo, alguns óbvios, pois são graduados em excelente, razoável e defectivo, “e ninguém em sã consciência vai escolher ser defectivo, embora ele possa entender que aquele determinado atributo não seja algo com que deva se preocupar. Problema dele”.

O prefácio da Tabela Heurística, desenvolvido por Garganta, cita que não se trata de um instrumento definitivo. Mas como ela poderia ajudar a “divisar singularidades relevantes desses profissionais, ao invés de precei
tuar a estandardização ou padronização das suas habilidades, capacidades e competências”?

“ATHTF não induz ao ideal de treinador, mostra as “características” e “atributos” permeáveis à função do treinador e deixa que o examinador escolha quais, quando e como dar-lhes importância. É isso que o professor Garganta quer dizer ao avisar que não se trata de um instrumento definitivo”, indicou Peazê. “Da mesma forma que a dinâmica cognitiva se dá para o jogador de futebol, se dá para o treinador também”, continuou.

Se o atleta deve lembrar, fazer associações, tomar várias decisões, tudo em fração de nanossegundos ao dar um drible ou um afastar uma bola de seu gol em defesa, o treinador atua num campo temporal diferente, mas as variantes do seu trabalho são inumeráveis. E este fica sujeito também a esta equação cognitiva: saber, situação, desenvolvimento.

Ao “divisar” as variáveis relevantes dessa equação complexa, o treinador ou o examinador fará o cálculo de acordo com as variáveis que lhe forem circunstanciais. Tentar padronizar as habilidades, capacidades e competências desses profissionais, pois, seria um retrocesso.

“O futebol é lindo porque pouca coisa pode ser padronizada nele. Mesmo com suas 17 regras centenárias originais, é a atividade humana coletiva mais complexa e incerta da história da nossa civilização”, sintetizou Peazê, que usa o final do romance “Perfume”, de Patrick Suskind, para efeito de comparação:

“Jean-Baptiste Grenouille, que matara 27 virgens para macerar o perfume perfeito do amor, derrama sobre o corpo um frasco inteiro da essência e é devorado pelas pessoas (comem-lhe até roerem os ossos) ensandecidas pelo irresistível poder da sua criação. Meu desejo é debater sobre a THTF o máximo possível, e quem sabe num futuro próximo, em vez de ser devorado, não dar lugar a algo mais completo ainda, como se ressucitasse aquelas virgens”, finalizou.


Infância construtiva

Para chegar a esse ponto, o autodidata que é cronista e como ceramista criou a coleção de réplicas dos 40 principais faróis da costa brasileira, agradece às primeiras trocas com o seu Adão. Quando era dente-de-leite do Lansul, na cidade de Esteio-RS, era ele quem deixava Peazê vestir a camisa 14, em uma tentativa temporal a imitar o holandês Cruijff.

Mais do que isso, seu Adão, que foi lateral esquerdo do Grêmio e não tinha muito estudo, fez com que ele assimilasse com mais propriedade muitas coisas básicas para a vida toda, como por exemplo a importância de mastigar bem os alimentos, beber água, dormir e principalmente praticar com constância, dedicação e paciência aqueles fundamentos que o jovem Peazê se achava bom o suficiente.

“Depois joguei uma bolinha por aí”, falou humildemente aquele que cresceu jogando pelada com atletas famosos, tais como Falcão e Batista, e atuou nas categorias de base do Internacional – além de uma passagem relâmpago pelo Flamengo, apresentado por seu amigo Paulo Cesar Carpegiani.

Afastado dos gramados por quase 30 anos, apesar das observações aos comportamentos dos treinadores, em especial, aproveitou o período em que o Brasil conquistou o privilégio de sediar a Copa do Mundo, a Copa das Confederações e as Olimpíadas para se dedicar inteiramente a contextualizar os trabalhos de sua “Clínica Literária”, uma agência de notícias e serviços com o futebol.

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Limiar de lactato aplicado ao futebol: aspectos metodológicos

Após escrever os aspectos históricos e conceituais sobre a aplicação do limiar de lactato, finalmente chegou o momento de destacar os aspetos metodológicos. Para fins didáticos, cada ponto que julgamos importante será abordado em tópico separado. Espero que você goste. Boa leitura!

Idade dos atletas: é importante lembrar que do ponto de vista biológico, não faz sentido obter o limiar de lactato em atletas jovens e imaturos. Isso porque o metabolismo anaeróbico lático – o qual é o responsável pela produção de lactato – depende da ação de algumas enzimas que até a puberdade ainda não ativaram sua capacidade máxima de trabalho.

Época da temporada: sabendo que a avaliação pode ser diagnóstica, formativa e/ou somativa, recomendamos que o limiar de lactato seja obtido, no mínimo, quatro vezes ao longo do calendário esportivo. A primeira avaliação deverá ocorrer na chamada pré-temporada com o objetivo de diagnosticar como cada atleta se encontra em relação ao grupo. A segunda deve ser feita ao final da pré-temporada para saber o quanto cada atleta progrediu para o início do campeonato. A terceira deverá ocorrer no meio do campeonato para determinar qual(is) atleta(s) ainda precisa(m) melhorar ou apenas manter a capacidade anaeróbia lática e a quarta e última deverá ocorrer no final da temporada para poder dar uma ideia na avaliação do próximo ciclo o percentual de decréscimo que cada jogador apresentou em relação à temporada passada.

Ergômetro: a palavra ergômetro significa “medidor de trabalho”. Ele é utilizado para avaliar a eficiência de determinada tarefa, sendo a caminhada, a corrida, a natação, a remada e a pedalada, as atividades mais comumente mensuradas. Considerando que a corrida intensa e intermitente é determinante de desempenho par ao futebol, em suma, não faz muito sentido avaliar jogadores de futebol em uma bicicleta ergométrica ou em uma esteira com corridas contínuas onde não há variação de direção, aceleração e velocidade.

Protocolo: esse é um item fundamental, pois dependendo do protocolo aplicado, as medidas de lactato poderão se tornar inúteis. Isso porque o lactato produzido pelo músculo demora certo tempo para aparecer na corrente sanguínea o que faz com que protocolos com estágios de curta duração (< que 3min) não reflitam a concentração daquela carga. Se isso ocorrer, haverá erro de interpretação o que fará a medida se tornar um fracasso.

Critério: em geral, existem três critérios para determinação do limiar de lactato. O primeiro é a utilização de concentrações fixas de lactato, independente do jeito da curva (cinética). O segundo é a identificação do aumento exponencial da cinética de lactato em cada indivíduo. O terceiro é pela aplicação de ajustes matemáticos nas curvas individuais. Dos três métodos utilizados se faz importante também não somente determinar o ponto onde o limiar de lactato ocorre, mas também o grau de inclinação da curva, pois com o treinamento físico, os atletas poderão apresentar três tipos de respostas: i) modificar o ponto de ocorrência do limiar sem, no entanto, mudar a curva; ii) mudar a curva sem mudar o ponto de ocorrência do limiar; iii) mudar tanto o ponto de ocorrência do limiar quanto a inclinação da curva. Com isso, para cada situação existirá um tipo de ajuste diferente no treino, o que deve ser visto com bastante atenção.

Local da coleta: ao contrário do que possa parecer, ao invés do espaço físico onde o teste será realizado, este tópico refere-se ao local do corpo de onde o sangue será retirado. A coleta de sangue poderá ser feita na veia ou na artéria, mas como a colocação de cateteres e de agulhas aumentam o desconforto e o risco de contaminação, por questões práticas, geralmente se faz coleta de sangue arterializado na ponta dos dedos de uma das mãos ou do lóbulo de uma das orelhas.

Quantidade de sangue: a determinação da quantidade de sangue a ser retirada irá depender do tipo de aparelho onde o sangue será analisado. Para alguns aparelhos basta a coleta de microamostras de 10 µL (microlitros) enquanto outros necessitam de 25 µL ou 50µL.

Armazenamento: caso o sangue não seja analisado na hora, o mesmo deverá ser congelado ou pelo menos deverá permanecer resfriado antes de ser armazenado. Para isso se faz necessário preparar recipientes onde o sangue possa não somente ser guardado sem perder suas características biológicas, mas também ser transportado com segurança. Além disso, como a maioria dos analisadores de lactato não fazem a leitura com sangue coagulado, no caso de armazenamento do sangue é importante diluir o sangue em alguma substância anti-coagulante (heparina ou fluoreto de sódio, por exemplo) e que evite hemólise.

Tipos de análise e de aparelhos: os aparelhos utilizados para análise de lactato normalmente baseiam-se em métodos de espectofotometria ou de análises enzimáticas. São divididos em fixos ou portáteis e embora ambos sejam bastante precisos, recomenda-se utilizar sempre o mesmo tipo, marca e modelo de equipamento para se fazer comparações entre as análises. No caso de se utilizar equipamentos de diferentes tipos, marcas e modelos, nunca saberemos se as divergências ocorreram pela alteração na capacidade do atleta ou se foi pelo erro de medida entre os diversos aparelhos.

Estado nutricional e hídrico: é importante antes do teste que os atletas tenham se alimentado e estejam hidratados, pois a dieta pode alterar não só o desempenho do teste, mas também mudar a resposta do lactato. Além disso, a desidratação pode dificultar a retirada de sangue, aumentar a hemólise (quebra das hemácias) e impedir retiradas sucessivas de sangue às quais são necessárias em protocolos longos.

Cuidados: lembrando que esta medida exige a aplicação de uma técnica invasiva, vale pontuar que devemos ter todo o cuidado possível para evitar contaminação do avaliado e do avaliador. Utilização de óculos de proteção, luvas descartáveis a cada coleta, cuidado no manuseio dos objetos cortantes e perfurantes, bem como cuidados com o descarte do material biológico são imprescindíveis.

Isso posto, espero ter dado minha contribuição. Agora mãos à obra! Agradeço a todos os leitores que nos contataram via e-mail, Facebook, Twitter e até pessoalmente. Nossas conversas geraram debates, dúvidas, sugeriram temas e nos colocam no caminho certo para o crescimento. O estudo no futebol só irá evoluir dessa forma! A todos vocês o meu muitíssimo obrigado!

Para saber mais

Arkinstall MJ, Bruce CR, Nikolopoulos V, Garnham AP, Hawley JA. Effect of carbohydrate ingestion on metabolism during running and cycling. J Appl Physiol. 2001 Nov;91(5):2125-34.

Berthoin S, Pelayo P, Baquet G, Marais G, Allender H, Robin H. Plasma lactate recovery from maximal exercise with correction for variations in plasma volume. J Sports Med Phys Fitness. 2002 Mar;42(1):26-30.

Buckley JD, Bourdon PC, Woolford SM. Effect of measuring blood lactate concentrations using different automated lactate analysers on blood lactate transition thresholds. J Sci Med Sport. 2003 Dec;6(4):408-21.

Forsyth J, Mann C, Felix J. Toe and Earlobe Capillary Blood Sampling for Lactate Threshold Determination in Rowing. Int J Sports Physiol Perform. 2011 Aug 30.

Matsumoto K, Koba T, Hamada K, Tsujimoto H, Mitsuzono R. Branched-chain amino acid supplementation increases the lactate threshold during an incremental exercise test in trained individuals. J Nutr Sci Vitaminol (Tokyo). 2009 Feb;55(1):52-8.

Medbø JI, Mamen A, Holt Olsen O, Evertsen F. Examination of four different instruments for measuring blood lact
ate concentration
. Scand J Clin Lab Invest. 2000 Aug;60(5):367-80.

Rotstein A, Dotan R, Zigel L, Greenberg T, Benyamini Y, Falk B. The effect of pre-test carbohydrate ingestion on the anaerobic threshold, as determined by the lactate-minimum test. Appl Physiol Nutr Metab. 2007 Dec;32(6):1058-64.

Schneider DA, McGuiggin ME, Kamimori GH. A comparison of the blood lactate and plasma catecholamine thresholds in untrained male subjects. Int J Sports Med. 1992 Nov;13(8):562-6.

Tanner RK, Fuller KL, Ross ML. Evaluation of three portable blood lactate analysers: Lactate Pro, Lactate Scout and Lactate Plus. Eur J Appl Physiol. 2010 Jun;109(3):551-9.

Van Schuylenbergh R, Vanden Eynde B, Hespel P. Effect of exercise-induced dehydration on lactate parameters during incremental exercise. Int J Sports Med. 2005 Dec;26(10):854-8.

Para interagir com o autor: cavinato@universidadedofutebol.com.br
 

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Educar para o desporto

Já o escrevi inúmeras vezes: o desporto é o fenómeno cultural de maior magia, no mundo contemporâneo. Daí que haja desafios a ter em conta, para que o desenvolvimento desportivo aconteça, de acordo com os objectivos pedagógicos da prática desportiva. Grande parte da educação acontece na rua, nos jornais, no cinema, na televisão, no computador. Ora, a informação o que mais distingue, no desporto, é o desempenho dos atletas mais cotados, os seus carros, as suas espaventosas companheiras e… os erros dos árbitros!

Na América do Norte, há pouco tempo, teve enorme sucesso o filme Forrest Gump, em que um simpático idiota é transformado num herói. E, no entanto, o seu comportamento, nos estádios do futebol americano, é de uma antipatia doentia pelos árbitros. Na sua introdução ao livro Dumbing Down: Essays on the Strip-Mining of American Culture, John Simon faz notar que toda a gente, nos EUA, sabe quem são Cassius Clay, Tiger Wood, Roger Federer, etc., etc., mas poucos são os que já ouviram falar de Darwin, Dickens, Dante ou Shakespeare.

Quer isto dizer que a informação se ocupa unicamente de um desporto (ou pseudo-desporto) que reproduz e multiplica as taras da sociedade e não de uma prática desportiva donde despontem valores de forte carácter antropológico.

Depois a escola, tão preocupada se encontra em desenvolver as qualidades físicas dos seus alunos (o que não está mal), que esquece que, para praticar desporto, as qualidades físicas não bastam, pois que as qualidades morais são também indispensáveis. Temos de reconhecer que, embora as excepções, os professores são tentados, pelo sistema que os governa, a serem conservadores e conformistas, no que respeita a conteúdos. E muitos deles aderem, julgando que cumprem escrupulosamente os seus deveres profissionais.

Ora, por detrás da actividade docente dos professores de Educação Física e Desporto, há um corpo de conhecimentos científicos caquético, obsoleto, doentiamente envelhecido, contra o qual vêm lutando alguns profissionais desta área, mas que não conseguem ultrapassar a ignorância de muitos políticos, nem e a teimosia dos “especialistas” (?) que fazem e propõem os currículos escolares. E por que digo eu que “há um corpo de conhecimentos científicos caquético, obsoleto, doentiamente envelhecido”? Porque o paradigma por que se regem está declaradamente errado, ou seja, manifestam não saber que a área da educação física e desporto só como ciência social e humana pode entender-se, investigar-se, compreender-se.

Os órgãos da Comunicação Social, hoje, ocupam-se da crise financeira que abala o mundo. E ouvem, a propósito, alguns economistas e financeiros, lançando um grito de alarme: “O pior da relação entre os mercados financeiros e a economia real ainda está para vir. O paradigma não vai mudar, já mudou. O mundo é um grande mercado sem Estado de Direito”.

Augusto Mateus ponderou: “A actual crise já resulta de um novo paradigma económico, moldado por uma globalização financeira pouco regulada”. Sem fazer mais citações, julgo que todos elas abundam nesta opinião: o novo paradigma económico não tem valores de cooperação e solidariedade.

Com o desporto actual sucede outro tanto: há demasiada ausência de valores! Daí que, na escola, a Educação Física e o Desporto devam fazer dos valores um dos seus temas preferidos. Até por esta razão: sem valores, há golos e defesas, há passes e remates, há técnicas e tácticas – mas não há desporto!

Educar para o desporto é educar tendo em vista a complexidade humana e não só o físico e o biológico! Julgo que a primeira obrigação do árbitro é isto mesmo: defender os valores que animam o desporto! Porque, com eles, há lealdade, há companheirismo, há respeito pelo adversário.

Verdadeiramente, o árbitro, quando o é de facto, é um desportista exemplar, porque é o primeiro defensor da pureza da prática desportiva. E seria bom que as nossas alunas e os nossos alunos, desde jovens, se habituassem a respeitar o árbitro, porque na escola aprenderam que o desporto, sem valores, não é desporto! Educar para o desporto é educar para valores!

O futebol é uma modalidade desportiva como as demais. Deve ter por isso uma missão prioritária: promover a formação de valores. Bem antes ainda do desenvolvimento das qualidades físicas! Aliás, eu tenho, para mim que, na alta competição, o treinador, antes dos treinos, deve fazer a si mesmo a seguinte questão: qual o tipo de homem que eu quero que nasça do treino que vou liderar? Porque é com valores e com homens com valores que o desporto tem rosto humano!


*Antigo professor do Instituto Superior de Educação Física (ISEF) e um dos principais pensadores lusos, Manuel Sérgio é licenciado em Filosofia pela Universidade Clássica de Lisboa, Doutor e Professor Agregado, em Motricidade Humana, pela Universidade Técnica de Lisboa.

Notabilizou-se como ensaísta do fenômeno desportivo e filósofo da motricidade. É reitor do Instituto Superior de Estudos Interdisciplinares e Transdisciplinares do Instituto Piaget (Campus de Almada), e tem publicado inúmeros textos de reflexão filosófica e de poesia.

Esse texto foi mantido em seu formato original, escrito na língua portuguesa, de Portugal.

Para interagir com o autor: manuelsergio@universidadedofutebol.com.br

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Até quando?

Volto a bater na tecla das receitas com bilheteria e da otimização da relação dos clubes com seus torcedores. Neste caso, apenas para reforçar aquilo que muitos especialistas em marketing esportivo defendem ao identificar os aficionados pelo futebol como a razão de existir da modalidade e que, consequentemente, o torna o principal esporte do planeta.

Apesar de o primeiro parágrafo ser óbvio para muitos, percebemos que a máxima não é tão simples quanto parece para a grande maioria dos clubes. Reportagem recente publicada pelo Portal Terra vem a reboque para sustentar esse tipo de argumento – e, embora trate da Série B, percebemos que alguns clubes da primeira divisão não fogem muito à regra…

No texto de André Donke e Emanuel Colombari aparece a clara relação entre resultado esportivo como fator preponderante para atração de público. De fato, a performance em campo é sabidamente o motor para a lotação de estádios e para a formação de uma nova geração de torcedores, mas a manutenção de um público médio (basal) em todos os jogos é fruto de um trabalho de marketing e da oferta de conforto para os torcedores-consumidores.

A reportagem também discute como deveria começar um ciclo virtuoso para atração de público fiel aos estádios, que sempre acaba pendendo na balança da contratação de jogadores para ganhar no “domingo”, ou seja, a busca constante de resultado imediato sem um mínimo planejamento. Na realidade, é a soma de inúmeros fatores relacionados com a gestão, o marketing, o aspecto cultural e o futebol que pode ser capaz de formar uma base significativa de fãs de um determinado clube.

Contudo, como só um clube pode chegar ao lugar máximo em cada competição, a pergunta que fica é: os outros ficam sem público? O fato é que a construção de estádios no Brasil passa por decisões muito mais emocionais do que propriamente racionais. Prevalece a quantidade de gente dentro do equipamento em detrimento do conforto, que é um dos principais fatores de decisão das pessoas pela escolha de alguma modalidade de entretenimento. Vemos algumas cidades com estádios com capacidade de público maior do que a quantidade de interessados por futebol naquela região.

Lembro-me do cinema, que até a década de 1990 e início dos anos 2000 sofria com a baixa taxa de ocupação de suas salas por ter espaços grandes, desconfortáveis e inseguros. A mudança para lugares menores, prezando sobretudo pela qualidade de atendimento ao cliente, acompanhado naturalmente por um aumento significativo do preço do ingresso, fez com que as mesmas ganhassem em valor, público e receita, como pode ser observado na tabela a seguir:

Análise do Cinema Brasileiro

 

* Valores originalmente estimulados em US$. Usou-se a seguinte taxa de conversão: US$ 1 = R$ 1,60

Para finalizar, o que pretendo com esta coluna é alertar o “coitadismo”: quando algum dirigente resolve montar uma equipe para ascender às principais divisões do futebol brasileiro, sem uma estrutura de torcida ou relação forte com a comunidade local, ele assume o risco de não ter público em seus jogos e ponto final. Ou oferece uma boa oportunidade de entretenimento, diferenciada em relação a outras opções na cidade, ou então terá que buscar receita em outras fontes, como patrocínio, investidores, venda de jogadores e por aí vai…

Para interagir com o autor: geraldo@universidadedofutebol.com.br

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Os distintivos de futebol mais curiosos do mundo

Luiz Fernando Bindi era considerado um dos maiores pesquisadores de futebol no Brasil. Quando decidiu escrever este novo livro, Bindi selecionou todas as informações que dava no programa “Fanáticos por Futebol”, da Rádio Bandeirantes, e ainda elegeu outros distintivos de clubes bastante curiosos. Bindi faleceu em julho de 2008, aos 35 anos, antes de concluir este trabalho.

Essa missão coube, então, a outro pesquisador, José Renato, tão apaixonado por futebol quanto Luiz Fernando. José Renato preparou um novo capítulo dedicado à história dos maiores clubes de futebol do Brasil e do mundo, que não entraram na primeira lista do livro. Uma obra escrita a quatro mãos, por dois apaixonados por futebol!

“Os escudos dos times estrangeiros apresentam mais simbolismo. Cada cor, cada símbolo, cada traço tem um significado. Aqui o Brasil é muito pobre com relação a isso. Os escudos se repetem muito, formato, cores. Aqui mais se copiam distintivos de outros. Existem muitos iguais entre si. O São Paulo, por exemplo, tem três ou quatro variações do escudo”, disse José Renato, em entrevista ao UOL Esporte.

Sobre os autores

José Renato Sátiro Santiago Junior é engenheiro com experiência no desenvolvimento de projetos, gerenciamento de pessoas, gestão do conhecimento e implantação de novas tecnologias e inovações em empresas nacionais e multinacionais. É doutor e mestre em Engenharia pela Universidade de São Paulo com pós-graduação em Marketing pela Escola Superior de Propaganda e Marketing.

Luiz Fernando Bindi era geógrafo e jornalista. Faleceu em 2008 aos 35 anos.

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Entretenimento tecnológico

Olá, amigos!

Temos discutido uma série de fatores a respeito da tecnologia no futebol: melhoria de desempenho, controle, planejamento de treinamento, entre outros. Em alguns momentos debatemos a contribuição tecnológica com a arbitragem, em outros impactos gerais e a necessidade de atualização do profissional, além das questões relativas ao desenvolvimento dos recursos.

Nesta semana, embora já mencionado em algum momento, quero trazer para nossa pauta a utilização dos recursos tecnológicos para o espetáculo esportivo voltado ao torcedor.

Pensar no torcedor nos remete a esforços de identificação de um público consumidor do futebol e mais especificamente do seu clube de coração. Nessa linha, gostaria de entrar no tema “entretenimento”.

Hoje, cada vez mais a sociedade vive num mundo tecnológico e seus entretenimentos estão repletos de recursos e aplicativos que podem ser complemento ao até fator principal do entretenimento – é o que poderíamos chamar “entretenimento tecnológico”.

Um livro não é mais só um livro. Você pode dar download de versões com finais diferentes, de fotos dos personagens, da biografia do autor, basta entrar num site ou ainda ver diretamente no dispositivo que permite a leitura de um livro móvel.

Um cinema não é mais só cinema, ele é 3D, podendo ter dispositivos adicionais; a mesma coisa um passeio no museu no qual você pode em qualquer lugar no mundo ouvir na sua língua as informações e descrições da obra ou do espaço que está visitando.

Um jogo de videogame não se encerra mais só na sala da casa do menino, ele está em rede, ele compartilha, ele “posta” (publica na rede) seus resultados e desempenhos.

O desenvolvimento individual hoje não é mais só presencial: pode ser feito a distância com a mesma ou até com mais possibilidades de interação que muitos cursos presenciais.

Enfim, a relação das pessoas com seu entretenimento hoje é cada vez maior e mais pautada pelos recursos tecnológicos. Assim, gostaria de provocar o amigo leitor a apontar, para que possamos trazer nos próximos debates, aquilo que os clubes têm feito pensando no espetáculo e no entretenimento para lidar com seu público

Não podemos mais pensar em tecnologia de entretenimento no futebol apenas como mensagens de textos e alertas de gol. O público quer mais, o público sabe mexer com tais recursos, e exige mais. O futebol precisa aprender, pois em concorrência global e aberta, não tardará para que em termos de entretenimento tecnológico perca espaço para concorrentes de orçamento ou concorrentes genéricos, parafraseando termos oriundos do marketing – para os concorrentes que ofereçam recursos mais atrativos, mesmo que não sejam relacionados ao futebol, ou ainda que não remeta à imagem direta do clube, e sim por terceiros que muitas vezes nada têm com a modalidade, mas conseguem observar um filão interessante.

Convido você, amigo, a refletir e pensar como estudioso e profissional do futebol, mas também como torcedor e fanático: o que você gostaria de ter em termos de tecnologia vinculado ao seu clube que hoje não existe?

Para interagir com o autor: fantato@universidadedofutebol.com.br

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Lei de Incentivo ao Esporte: panorama da aprovação e captação de recursos entre os anos de 2006 a 2010

Resumo

O objetivo do presente estudo foi verificar o panorama da aprovação e captação de recursos dos projetos esportivos aprovados pela Lei de incentivo ao esporte. Esta verificação foi realizada através do site do Ministério do Esporte, no qual, por lei, obrigatoriamente terá que informar sobre todos os projetos aprovados. Foram avaliados 1096 projetos esportivos a partir do ano em que a lei foi aprovada, 2006, até o ano de 2010. Os projetos foram divididos de acordo com seu referido Estado e posteriormente dividido por manifestação esportiva.

Também foi analisado o valor médio dos valores captados e valor médio dos projetos aprovados, ou seja, sendo dividido o valor bruto dos valores aprovados pela quantidade de projetos e em seguida o valor bruto captado pela quantidade de projetos.

O resultado apresentado é que há uma disparidade muito grande entre os estados Brasileiros, tendo como prova desta disparidade o Estado de São Paulo com 422 projetos, ou seja, 38,5% de todos os projetos Brasileiros, enquanto 14 estados produziram menos de 10 projetos cada um.

Uma outra resposta interessante tem relação com as manifestações esportivas, sendo percebida através desta pesquisa que o percentual captado por cada manifestação foram bastante próximas, apesar da manifestação esportiva de rendimento ter mais da metade dos projetos aprovados.

Conclui-se que, apesar da Lei de incentivo ao esporte ter sido criada para difusão do esporte nos seus diversos viés por todo o território Brasileiro, isto não vem acontecendo como previsto.

Introdução

A lei de Incentivo ao Esporte foi criada em Dezembro de 2006, com o intuito de favorecer o crescimento desportivo Brasileiro, atrave´s da deducação do Imposto de Renda.(Rezende, 2010)

Ainda segundo Rezende (2010), a deducação fiscal é a forma na qual o Governo permite que o contribuinte destine uma parcela do imposto de Renda “diretamente” em benefício de projetos de interesse público (apoio direto), ou seja, não há diminuição da carga tributária, no qual representaria renuncia fiscal, mas somente a autorização para seu recolhimento de forma destacada, que inclusive deverá ser informado perante o Fisco, quando da Declaração do Imposto de Renda pelas pessoas físicas e jurídicas.

Segundo a própria Lei de Incentivo ao Esporte, em seu Dec. 6.180/07, art.3o, define projeto desportivo como o conjunto de ações organizadas e sistematizadas por entidades de natureza esportiva, destinado à implementação, à prática, ao ensino, ao estudo, à pesquisa e ao desenvolvimento do esporte, atendendo pelo menos uma das manifestações desportivas previstas (BRASIL, Lei no 11.438, de dezembro de 2006). Estas manifestações desportivas citadas no artigo são classificadas como esporte educacional, de participação e de rendimento (não profissional).

Esta pesquisa expõe no referencial teórico o embasamento de ordem legal, sendo por vezes transcrito trechos da lei para melhor detalhar o tema.

Segundo a Constituição Brasileira, é dever do Estado oferecer oportunidades aos cidadãos de praticar esportes nos seus três níveis: educacional, participação e rendimento.

A partir deste princípio, Júnior e Frasson (2010) acreditam que todos os governos, isto é Federal, Estadual e Municipal teriam que atuar, oferecendo a todos formas de acesso a políticas esportivas, quer seja através de financiamento, patrocínios ou implantação de projetos.

Para ler o material na íntegra, clique aqui.

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Como era Bom aos Domingos…Carlos Said: o homem, a vida, o mito magro-de-aço

Resumo

“Como era bom aos domingos…” é a biografia do fundador da imprensa esportiva estadual, o professor e jornalista Carlos Said, conhecido como Magro-de-Aço.

A obra relata a viagem de seus pais da Síria para o Brasil e, num estilo textual próximo do jornalismo literário, narra os acontecimentos desportivos que fizeram com que Said, ainda na infância, despertasse a paixão pelo esporte e pelo jornalismo e atuasse em vários clubes de futebol e em quase todas as empresas de comunicação do Piauí, depois de ter dado os primeiros passos na imprensa esportiva do Estado, ainda na década de 40.

A obra descreve também como, num acidente automobilístico no qual se anunciou sua morte, foi construído o personagem que engendra o mito Magro-de-Aço, reconhecido pelo destemor com que luta pelas causas desportivas e pela linguagem e estilo radiofônicos recheados de gírias e bordões.


Resenha

Carlos Said só, um nome curto para uma vida intensa. Em 1964, aos 33 anos, quando a dona da foice pensou em levá-lo, as mãos milagrosas do cirurgião Antônio Portela, a quem ele chamaria de pai pelo resto da vida, remendaram os ossos danificados pelo acidente de carro, sem importar-se com a precariedade dos recursos disponíveis à época.

Foi como nascer de novo, driblando a morte anunciada no rádio pelos seus companheiros de profissão e antevista pela família no semblante dos médicos que o atenderam no Hospital Getúlio Vargas. Lá mesmo, no HGV, alguém – não se sabe quem – diria sem pretensões de adivinho, que aquele homem era de aço. Nascia o Magro de Aço, mito e referência do esporte piauiense, apelido que ele assumiria por inteiro, homem e personagem integrados numa vida só, herói de muitas pelejas, intérprete de muitas audições, traduzindo na linguagem do povo a emoção dos gramados.

Vinte anos depois, a indesejada mulher da capa preta iria à forra num lance de Maquiavel. A voz, velha companheira do Magro de Aço, instrumento de seu labor e de seu talento, resolveu abandoná-lo. Era como morrer em vida, mas ao aço se dá consistência mergulhando-o, ainda candente, num banho de água fria. No tropel do disse-me-disse, espalhou-se a notícia da morte iminente e a ‘viúva’ chegou a receber visita de pêsames. Até que num dia de domingo os microfones da Rádio Pioneira vibraram outra vez ao som estridente do aço retorcido das cordas vocais do Magro de Aço. Carlos Said estava de volta.

Até hoje, completados oitenta anos de vida, Said esbanja inspiração e entusiasmo quando fala ou escreve sobre qualquer assunto, relembrando fatos e nomes com tamanha facilidade, que faz crer que a memória, essa sim, é de aço – temperado e inoxidável. Como são bons os domingos quando têm bilinguinguins!

Contato: gsaid@uol.com.br

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A volta dos que não foram

Você já deve ter contratado alguma pessoa para trabalhar para (com) você.

Um jardineiro. Uma secretária. Uma empregada doméstica. Uma diarista. Um caseiro. Um estagiário.

Ok. Creio que sim.

Mas você se lembra de ter demitido qualquer um destes profissionais mais de uma vez? E, depois disso, tê-los contratado novamente para prestar os serviços em sua casa ou empresa?

Não. Seguramente, não.

Por diversas razões – desonestidade, falta de competência, atrasos – a decisão sobre a demissão encerra a relação profissional, uma vez que há quebra de confiança entre patrão e empregado, seja técnica/objetiva, seja pessoal/subjetiva.

No futebol, é totalmente distinto com a figura dos técnicos/treinadores. Pelo menos no Brasil.

Tem treinador – prefiro a expressão usada por Tostão, pois acredito que a função em nosso país é isso mesmo – que já trabalhou por cinco vezes no mesmo clube.

Pior, num intervalo de cinco anos.

É como se sua secretária trabalhasse um ano, fosse demitida, utilizasse a indenização pela rescisão trabalhista para tirar férias e, no meio das férias, fosse chamada pela sua empresa, novamente. Vezes cinco anos.

Sabe pra quê? Pra fazer bem feito – ou melhor – do que ela havia feito no ano anterior.

Você acha que os resultados da empresa mudariam radicalmente?

Provavelmente não. Mesmo que sua secretária tenha feito uma mega-hiper-ultra pós-graduação, ela não vai mudar radicalmente a empresa, enquanto quem a comanda não saber pra onde vai a instituição – planejamento, estratégia, filosofia administrativa, metas e controle de resultados são alguns dos aspectos considerados nessa busca de melhores práticas de gestão.

Nisso também se deve levar em conta um fator fundamental: recursos humanos bem selecionados, treinados e organizados em torno de cronograma de metas e aferição de resultados.

O mundo corporativo estuda e prática à exaustão modelos de gestão de RH e suas formas de remuneração fixa, variável e premiação sobre resultados.

Existe isso no futebol, com um mínimo de previsibilidade e racionalidade?

Se existisse, ficaria difícil imaginarmos um cenário de idas e vindas dos treinadores para os mesmos clubes – depois de férias muuuito bem remuneradas, no mais das vezes.

Melhores processos de contratação, avaliação e também de demissão resultam em melhores profissionais.

A indústria do futebol agradece.

Areja o mercado de trabalho e faz o profissional evoluir.

Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br