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Transferência e Condição de Jogo no Campeonato Brasileiro

Causou repercussão a atitude do atacante Fernandinho, então atleta do Atlético/MG, que negou-se a disputar partida contra o Criciúma pelo Campeonato Brasileiro de Futebol.

Isto se deu pelo fato do contrato do atleta estar na iminência de terminar e caso ele disputasse a sétima partida pelo clube mineiro não poderia atuar por outro clube brasileiro este ano.

O Campeonato Brasileiro de futebol rege-se pelo Regulamento Geral das Competições (RGC) e pelo Regulamento Específico da Competição (REC).

O RGC estabelece que somente possam participar das competições os atletas que tenham os seus contratos registrados na Diretoria de Registros e Transferências (DRT), observados os prazos e condições de registro definidos no REC.

Vale destacar que a DRT publica o Boletim Informativo Diário-eletrônico (BID-e), disponível na internet, no qual constam os nomes dos atletas cujos contratos registrados pelo clube contratante, sendo que os atletas somente terão condição de jogo após essa publicação.

O REC, por sua vez, determina que um atleta poderá ser transferido de um clube para outro durante o Campeonato Brasileiro da Série A, desde que tenha atuado em um número máximo de seis partidas pelo clube de origem, sendo permitido que cada atleta mude de clube apenas uma vez.

No momento em que o país se prepara para organizar a Copa do Mundo, o ato do atleta demonstra conhecimento da legislação e preocupação com a sua carreira.

Ora, se o atleta atuasse pela sétima vez o clube não optasse pela renovação, o jogador seria impedido de exercer sua atividade laboral por outra equipe do Brasil por, pelo menos, seis meses, deixando o clube empregador em situação privilegiada para renovar o contrato de trabalho de forma prejudicial ao empregado.

Diante disso, não se deve entender a atitude do atleta Fernandinho como uma afronta ao clube, à sua diretoria ou à sua torcida, mas como uma forma de assegurar o seu direito de exercer o labor e manter o seu sustento. 

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Líderes, cuidado com as armadilhas no caminho

Estamos cada vez mais próximos da Copa do Mundo de 2014. Os atletas vão sendo convocados, as delegações começam a chegar no Brasil e todo o planejamento outrora realizado pelas confederações estão sendo colocados em prática.

Planejamentos estes que são extremamente importantes para aumentar as chances de sucesso de uma seleção na maior competição de futebol no mundo. O planejamento é importante e compensa ser elaborado, pois a prática de examinar e debater cada elemento-chave do plano para disputar em alto nível uma Copa do Mundo é extremamente importante para toda e qualquer seleção, por isso um grande especialista em gerenciamento do tempo afirmou: “Agir sem planejar é a causa de todos os fracassos”.

Se por um lado, o planejamento pode ser visto como a fórmula que pode levar ao sucesso, uma outra questão pode levar ao baixo rendimento e uma consequente eliminação de uma Copa do Mundo: as síndromes executivas!

Estas síndromes são alguns males que muitas vezes impedem grandes líderes de ir além em suas carreiras, podendo levar a uma situação de fracasso em competições de grande importância e curto prazo de execução, como a Copa. São alguns comportamentos inadequados que podem estar presentes no treinador ou em outro membro da comissão técnica, refletindo inevitavelmente no relacionamento com pares e principalmente com os atletas, o que torna difícil o progresso coletivo rumo ao sucesso.

As síndromes que compartilho com vocês e que podem assolar o comportamento dos treinadores das seleções durante uma Copa do Mundo são:

• Vaidade – Muitos treinadores gestores podem externar uma vaidade exagerada durante a competição e com isso tornam-se incapazes de reconhecer seus pontos de melhoria;

• Orgulho – Treinadores ou gestores orgulhosos até reconhecem sua necessidade de melhoria ou mudança de comportamento em certos aspectos, mas não conseguem mudar efetivamente;

• Arrogância – É o mal mais comum entre alguns profissionais que ocupam função de liderança, como treinadores ou gestores; no geral este comportamento evidencia uma incapacidade instalada de ouvir os atletas e demais pessoas no seu convívio.

Imaginem, todo um planejamento de qualidade e execução focada serem impactados em plena Copa do Mundo por uma das síndromes acima citadas?

Este é o ponto de atenção destas armadilhas para os treinadores das seleções que disputarão a Copa do Mundo e também para os demais treinadores: talvez de nada adiante ótimos planejamentos e execução de planos se os nossos líderes no futebol vivam envolvidos pelas armadilhas da vaidade, orgulho e arrogância! Os atletas não seguirão esta liderança e ficará praticamente impossível trabalhar objetivos comuns numa equipe de futebol.

Até a próxima! 

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Paixão e intensidade: o que isso tem a ver com os megaeventos?

Não sou antropólogo, mas vou me reservar o direito de fazer uma breve análise sobre duas características comuns que identifico na maioria dos brasileiros: a paixão e a intensidade no sentido de querer evidenciar suas inúmeras emoções. Esta combinação gera um comportamento muito peculiar: o exagero de felicidade quando tudo vai muito bem e o extremo oposto quando acredita que muita coisa vai mal.

Conversando com o amigo Bruno Teixeira, também gestor do esporte, a frase que pareceu ser consenso em uma breve análise sobre o que se tem falado pela opinião pública e a sociedade em geral sobre os gastos (ou investimentos) na Copa e nos Jogos Rio 2016 é esta: “não há equilíbrio nos comentários sobre o assunto”.

E é verdade. São poucos os textos ou depoimentos que abordam claramente os prós e contras. Tudo parece, agora, que cada brasileiro deve defender de que lado está: se do Governo, deve colocar os megaeventos em um pedestal das genialidades de tomada de decisão do poder público em benefício do seu povo; se da Oposição, com o discurso de que o dinheiro dos megaeventos resolveria, de uma vez só, todos os problemas da saúde, segurança e educação.

Ambos são vazios e não encontram respaldo no campo real. Existem sim coisas boas em se realizar megaeventos, com impactos tangíveis e intangíveis que são interdependentes aos objetivos que um determinado local ou país tem com ele. Por exemplo, o Brasil pretende, há algum tempo, se apresentar como um importante destino turístico internacional (hoje, a soma de visitantes por ano em São Paulo e Rio de Janeiro é idêntica ao que Buenos Aires recebe – http://blog.euromonitor.com/2014/01/euromonitor-internationals-top-city-destinations-ranking.html

Copa e Olimpíadas são, principalmente, uma grande plataforma de comunicação global que atinge, durante 15 ou 30 dias, mais da metade da população mundial. Estes megaeventos poderiam contribuir em muito para um melhor posicionamento do turismo brasileiro em âmbito internacional. Contudo, a soma de projetos frágeis com a onda de pessimismo da população, que vem paulatinamente incentivando uma “anti-promoção” do país, tem impedido a construção de um legado mais positivo neste sentido.

Por sua vez, é verdade que muita coisa poderia ter sido feita de maneira diferente. É fato que poderíamos ter investido de forma mais inteligente os recursos públicos nos megaeventos. Mas antes de ter um olhar míope sobre o que tem sido feito com o esporte, é preciso debater objetivamente soluções visando a melhoria da aplicação de recursos públicos em todas as esferas. O esporte é tão vítima da ineficiência e da falta de clareza das políticas públicas quanto outras áreas.

Entre desvios, corrupção e, principalmente, má gestão, perdemos muito em eficiência. E é sabido que este é um mal que não “privilegia” o poder público, mas sim a população como um todo, que coaduna com este sistema nefasto.

Está claro que não falta dinheiro para investir no Brasil. E dentro deste espectro de investimentos, é também papel do poder público dispender recursos com a promoção de lazer da população (está, inclusive, na nossa Constituição Federal – artigos 6º, 217 e 227). Tenho plena convicção de que todos os cidadãos já usufruíram desta benesse, seja no Carnaval de Salvador, no show do Roberto Carlos gratuito na praia, na Luta do UFC disputada em um ginásio público, na Oktoberfest realizada anualmente em Blumenau ou tantas outras plataformas de entretenimento.

Debater e lutar por um país melhor é direito e dever de todos os brasileiros. Que o façamos de maneira ponderada, com sabedoria, analisando prós e contras e, acima de tudo, utilizando dos meios mais adequados para tais reivindicações, pensando no todo e não apenas no próprio umbigo. Afinal, ser feliz é saudável, seguro e gera aprendizados!!! 

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Complexidade

Dona dos direitos de personagens como Capitão América, Homem de Ferro e Hulk, a editora Marvel conseguiu um feito neste ano: após o lançamento de “Capitão América: o Soldado Invernal”, a franquia de super-heróis ultrapassou a saga do bruxo Harry Potter e se tornou a série mais rentável da história do cinema. E o que isso tem a ver com esporte? O sucesso dos filmes que forjaram o recorde é baseado num conceito que ainda precisa ser assimilado em searas como o futebol. Até nos principais eventos.

O novo filme do Capitão América é o nono que a Marvel contabiliza como parte de sua franquia cinematográfica – houve outras incursões de heróis da empresa no cinema, mas quase todas tiveram resultados aquém do esperado. Na soma, as obras com chancela da “Casa das Ideias” estão próximas de US$ 2,5 bilhões em faturamento.

O que mais impressiona é exatamente isso: as experiências anteriores dos super-heróis da Marvel na tela grande não haviam obtido resultados relevantes – essa análise exclui personagens como Homem Aranha e X-Men, cujos direitos cinematográficos são explorados por outras empresas. De repente, houve uma virada.

Essa mudança de panorama começou quando a Marvel decidiu construir um universo cinematográfico. Todos os filmes recentes da empresa estão conectados, e até produtos como séries de TV têm repercussão nesse mundo complexo.

As pessoas não precisam ver um filme do Homem de Ferro para entender o que se passa numa obra com o Hulk, mas os eventos de um influenciam diretamente os rumos do outro. Isso aumentou o interesse dos fãs mais assíduos, ávidos por referências cruzadas nos longas da empresa, mas também fez com que o público “comum” tivesse uma noção maior de complexidade dos personagens.

No esporte, um exemplo bem próximo disso foi criado pelo circuito de artes marciais mistas (MMA) UFC. Disposto a se aproximar de um contingente maior de pessoas, o evento tentou humanizar seus lutadores. Para isso, a organização suavizou regras e buscou personagens com perfis diferentes. A grande sacada, no entanto, foi a criação de um reality show para selecionar novos atletas. Com emoções e dramas expostos na TV, as estrelas mostraram ao público que eram mais do que os golpes desferidos no octógono.

Os exemplos da Marvel e do UFC só funcionaram porque as empresas que os criaram tinham em mente um cenário mais amplo. Nem todos os filmes foram produzidos, dirigidos ou escritos pelas mesmas pessoas. Da mesma forma, profissionais com diferentes ideias sobre o MMA comandaram cada uma das áreas em que o circuito decidiu atuar.

Isso nos leva a uma reportagem publicada na edição de 30 de abril da revista “Exame”. O texto de capa da publicação é focado nas cidades brasileiras, com uma análise focada no potencial de negócios. Em um trecho, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, usa uma experiência pessoal para falar sobre a preparação para os Jogos Olímpicos de 2016: “Quando eu fui a Barcelona pela primeira vez, em 1990, tive uma péssima impressão da cidade, que estava com obras por todo lado. Talvez as pessoas pensem o mesmo do Rio durante a Copa do Mundo. Paciência. Minha prioridade é a Olimpíada”.

A declaração de Paes é seguida por uma constatação de Jaime Lerner, urbanista e ex-prefeito que mudou a mobilidade de Curitiba na década de 1970: “Toda cidade precisa ter um sonho. A maioria das cidades brasileiras não tem”.

O que a Marvel (em maior escala) e o UFC nos mostram é que essa não é uma regra válida apenas para as cidades. Todo empreendimento, independentemente da seara, precisa ter um sonho.

O Brasil vai sediar a Copa do Mundo em 2014 e os Jogos Olímpicos em 2016. São os dois maiores eventos esportivos do planeta, com audiências gigantescas e investimentos vultosos. Mas qual é o sonho do país com essas competições?

Se não descobrir a resposta para isso, o Brasil viverá de ações pontuais. A comunicação pode até ser eficiente nos dois eventos, mas perderá grande parte do potencial se não for colocada a serviço de um objetivo maior e mais complexo.

O exemplo do que o futebol brasileiro pode fazer está posto: basta acompanhar o que foi realizado pela Uefa para a decisão da Liga dos Campeões, no último sábado, em Lisboa. Após empate por 1 a 1 no tempo normal, o Real Madrid bateu o Atlético de Madri por 4 a 1 na prorrogação e ficou com o título continental pela décima vez na história.

O jogo não foi tratado como um evento qualquer. Isso pode parecer óbvio, mas uma comparação com uma decisão de Copa do Brasil ou de Copa Libertadores é suficiente para mostrar que a Liga dos Campeões da Uefa vive em outro mundo no futebol atual.

O projeto de comunicação da Uefa para a disputa do título envolveu ações nas ruas e uma série de iniciativas para fazer da decisão um evento para mobilizar Lisboa – a partida final da Liga dos Campeões é sempre disputada em campo neutro. Mas também contou com um enorme esforço de mídia.

A venda de pacotes da Uefa inclui produtos voltados à valorização do campeonato. Quem compra direitos de transmissão da Liga dos Campeões, por exemplo, inclui no contrato uma presença do evento no restante da programação. Isso pode ser feito com gols, melhores momentos, reportagens ou outros tipos de formatos, desde que o evento esteja ali.

A Globo, por exemplo, precisou de uma autorização para falar Liga dos Campeões da Uefa em vez de Uefa Champions League. A ideia de brigar pelo uso da nomenclatura em inglês faz parte de uma estratégia da Uefa para internacionalizar o evento.

A Uefa também vende internacionalmente a Liga dos Campeões como o maior torneio de futebol depois da Copa do Mundo. Quantas vezes você ouviu que “são os mesmos jogadores, mas dispostos em times em vez dos países de origem”?

Com isso, a Uefa acaba valorizando o próprio futebol europeu. Ter uma competição forte é uma forma de vender muito mais do que isso. É uma forma de mostrar ao mundo o potencial que o esporte tem no Velho Continente.

É impossível medir o potencial de negócios contido nessa mensagem. Contudo, basta ver o quanto a Liga dos Campeões fatura. Em graus diferentes, outras competições podem atingir esse sucesso. Para isso, porém, é preciso que elas tenham um sonho. 

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Banco de Jogos – Jogo 10

As reposições de bola em jogo por tiro de meta e arremessos laterais, muitas vezes, são negligenciadas pelos treinadores. Para evitarem a perda da posse de bola em regiões próximas à própria meta ou quaisquer outras situações de contra-ataque que possam se tornar perigosas, optam por desfazer-se da bola através de chutões ou cobranças de arremessos laterais sem movimentações grupais.

Como perder a posse de bola menos vezes que o adversário tem relação com o cumprimento da Lógica do Jogo é importante que estas situações sejam bem treinadas para potencializar as chances de finalização. Além disso, momentos como estes devem ser aproveitados para que a organização do próprio sistema (equipe) supere a organização do sistema adversário (logo, o desorganize). No confronto de sistemas que é o jogo de futebol, estes momentos durante o jogo facilitam a organização uma vez que a bola, referência do jogo em constante mudança de região do campo, encontra-se parada.

A coluna desta semana traz uma possibilidade de aplicação de um jogo para estimular estes elementos em que quem melhor aplicá-los terá maior chance de vencer.

Jogo Conceitual em ambiente específico de Reposição de bola em jogo

– Dimensões do campo oficial. ~ 100m x 70m;

– Campo dividido na intermediária ofensiva, conforme ilustra a figura:


– Número de Jogadores: Gr + 10 x Gr + 10
– Sugestão do tempo de jogo por série: 10 minutos;

Regras do Jogo

1. As equipes jogam com 3 toques no campo de defesa e toques liberados no campo de ataque;

2. Cobrar tiro de meta com lançamento para o campo de ataque e perder a 1ª bola = 1 ponto para adversário;

3. Cobrar tiro de meta com lançamento para o campo de ataque e perder a 2ª bola = 1 ponto para adversário;

4. Cobrar tiro de meta com passe ou lançamento no campo de defesa e passar o meio campo com a bola dominada = 1 ponto;

5. Cobrar tiro de meta com passe ou lançamento no campo de defesa e passar a intermediária ofensiva com a bola dominada = 1 ponto

6. Cobrar tiro de meta com passe ou lançamento no campo de defesa e terminar a jogada com finalização certa = 1 ponto

7. Cobrar arremesso lateral no campo de defesa e passar intermediária ofensiva com a bola dominada = 1 ponto

8. Cobrar arremesso lateral no campo de defesa e terminar a jogada com finalização certa = 1 ponto

9. Cobrar arremesso lateral para frente, no campo de ataque, e manter a posse de bola = 1 ponto

10. Cobrar arremesso lateral no campo de ataque e terminar a jogada com finalização certa = 1 ponto

11. Gol = 10 pontos

12. Gol a partir de jogadas iniciadas em reposição por tiro de meta ou arremesso lateral = 20 pontos

Assista aos vídeos com os exemplos de algumas regras:

Regras 2 e 3

https://www.youtube.com/watch?v=CWjpEhVfo0A&feature=youtu.be

O goleiro da equipe preta cobra o tiro de meta e a equipe azul ganha as disputas da primeira e segunda bola. Esta ação vale 2 pontos para a equipe azul.

Regra 5

https://www.youtube.com/watch?v=-tfKQ_GoRhQ&feature=youtu.be

A equipe preta sai jogando na reposição do tiro de meta e consegue ultrapassar a intermediária ofensiva com a bola dominada. Como também passou o meio campo com a posse de bola, estas ações valem 2 pontos para a equipe.

Regra 10

https://www.youtube.com/watch?v=2ZDESO268kU&feature=youtu.be

A equipe preta cobra arremesso lateral e a jogada termina com uma finalização certa do jogador número 11. Esta ação vale 1 ponto para a equipe preta.

Aguardo críticas, comentários e sugestões. Abraços e bons treinos!

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Ainda há sim, muito de novo a se propor no futebol: em busca dos saltos quânticos…

Gosto muito de assistir a jogos de futebol.

Ao vivo nos estádios, ou pela TV (mais comumente), gosto de apreciá-los como se estivesse estudando um bom livro, uma nova tese, uma nova ideia…

Campeonatos europeus (alemão, italiano, espanhol, português, francês, inglês), sul-americanos (incluindo aí, é claro, jogos do futebol brasileiro), jogos de equipes profissionais, seleções e/ou categorias de base.

Penso que cada jogo é uma oportunidade para testar uma hipótese, aprender um novo conteúdo, debater um diferente conceito.

É claro, que ao ler o parágrafo anterior, muitas pessoas poderão discordar, afinal “no futebol não há nada de novo a se apresentar ou criar”.

Não me importo.

Acreditar que “não há nada de novo a se propor no futebol” é uma forma de pensar, que sob meu viés corre o risco de ser limitadora, já que ele (o futebol) é algo tão belo, complexo, artístico, sistêmico…

Além do mais, quando algo aparentemente novo começa a ganhar espaço, logo surgem as teorias das “releituras do passado”, das “cópias adaptadas”, do “isso já existia antes”.

Então o reforço de que o novo é “simplesmente” o velho renovado, acaba quase sempre sacramentando e difundindo a ideia, de que tudo que deveríamos ver e saber sobre o jogo de futebol já se foi visto e sabido.

Talvez sim, seja verdade que o jogo de futebol propriamente dito e jogado, com fim nele mesmo, já tenha apresentado ao longo de sua história tudo o que ele poderia mostrar a respeito de si, em sua essência.

Isso não significa que já fizemos a ele (ao jogo) todas as perguntas certas para decifrá-lo.

Então ainda que ele se revele a cada partida entre duas equipes,
é provável e aceitável a ideia de que tenhamos ainda muito para desvendar e enxergar.

Mas para isso, é claro, precisamos fazer perguntas novas, diferentes, certas, e porque não, vestir novos óculos!

Em termos de velocidade complexa de jogo, por exemplo, os índices e marcadores propostos para medi-la mostram que o futebol da década de 1970 é diferente daquele jogado na década de 1990, e também daquele jogado na década atual.

E se a velocidade é diferente, a maneira de ocupar os espaços também é, as tomadas de decisão também são – assim como todas as outras coisas que envolverão a organização coletiva e as ações individuais dos jogadores.

E se a velocidade complexa é apenas uma, de tantas variáveis que estão tornando o jogo mais impressionante e exigente (para jogadores e comissões técnicas), então é quase óbvio que o jogo de futebol está em evolução (ainda!), e que as soluções tático-estratégicas e organizacionais estão condicionadas a um processo criativo, que está a disposição de todos que acreditam que ainda há muito espaço para a inovação! 

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Elaboração do treinamento de goleiro em seu ambiente particular e específico

INTRODUÇÃO

O futebol vem sofrendo modificações ao longo dos anos nas dimensões de ordem técnica, tática, física e psicológica. Estas mudanças acabam por exigir ainda mais dos jogadores. A adaptação dos atletas a essas novas demandas são desenvolvidas durante o processo de treino e competição, e, para isso, são utilizados métodos de treinamento que estimulam a adaptação orgânica e mental dos jogadores.

Com a evolução do futebol e as novas exigências táticas, técnicas, físicas e psicológicas do jogo aos atletas, torna-se inevitável o surgimento de novas propostas de treinamento, pois as metodologias existentes podem, em algum momento, deixar de estimular o desenvolvimento dos atletas e refletir de forma negativa em seu desempenho individual e coletivo.

Os novos métodos para o desenvolvimento dos atletas devem proporcionar desafios para motivar a prática e incorporar uma cultura de respeito aos princípios táticos, defensivos e ofensivos, sendo estes adequados ao nível de desenvolvimento do jogador.

As análises técnico-táticas, obtidas durante os jogos e treinamentos, nos permitem elaborar intervenções capazes de melhorar a produtividade individual e coletiva dos atletas (Garganta, 2001; Robertson, 1999). Informações recolhidas a partir do desempenho dos atletas são consideradas variáveis que influenciam na organização e desenvolvimento do treinamento favorecendo a aprendizagem e a eficácia das ações desportivas (Garganta, 2001).

Novas metodologias de treinamento estão sendo aplicadas aos jogadores de linha, e, olhando para isto nos questionamos sobre o treinamento de goleiro dentro deste novo contexto que se apresenta. Algumas metodologias tratam o goleiro como um jogador comum dentro da equipe, o que não está equivocado, mas existem particularidades da posição que precisam ser desenvolvidas e exploradas dentro de um ambiente particular e especifico.

TREINAMENTO DE GOLEIRO NO BRASIL

Na década de 70, surge o especialista na preparação de goleiros que veio com o objetivo de treinar a especificidade física e técnica do atleta. Contudo, a especificidade da posição foi norteada por alguns paradigmas e mitos que não demonstravam a realidade deste jogador. Seus treinamentos então passaram a ter um volume muito alto com duração maior que o restante dos atletas de linha, isso, devido à grande responsabilidade dos goleiros, e do mito de que “o goleiro deve ser o primeiro a chegar e o último a sair” e que "seus treinos devem ser mais desgastantes que o dos demais jogadores".

Nas décadas de 80 e 90, a questão física se aliou ainda mais à técnica. A preparação de goleiros era fundamentada em exercícios físico-técnicos. O gesto técnico em si passou a ser objeto de estudo e qualquer "erro" era corrigido pelo treinador.

Ainda hoje observamos uma grande preocupação com a técnica e os aspectos físicos nos programas de treino específicos para goleiro, onde estes são desenvolvidos dentro de um ambiente previsível que acaba por automatizar as respostas motoras, diferente do que acontece nos jogos onde a imprevisibilidade é o fator que impera.

O treinamento pautado na previsibilidade e automatismo acaba por não suprir todas as exigências que o jogo impõe aos goleiros e consequentemente poderá afetar seu desempenho. Não estamos dizendo que a técnica e o físico não são necessários para a atuação do goleiro, e sim que precisamos treiná-los em um ambiente imprevisível que irá exigir rápidas respostas para a solução dos problemas referentes à defesa da meta e transição defesaataque apresentados ao decorrer da partida, onde também trabalhamos os aspectos táticos e psicológicos existentes no jogo.

CONSTRUÇÃO DO AMBIENTE PARTICULAR E ESPECÍFICO

As mudanças ocorridas nas regras do futebol ao longo dos anos acabaram por integrar ainda mais os goleiros ao restante da equipe. Sabemos que com isto os goleiros são exigidos tanto no momento defensivo quanto ofensivo, tendo como base de sua atuação a defesa da meta. Mediante a esta informação, cabe a nós treinadores dedicar maior atenção ao planejamento, desenvolvimento e a aplicação de treinamentos que estimulem o desenvolvimento das capacidades defensivas dos goleiros e os insira na construção do momento ofensivo, visto que, sempre que a bola estiver em posse do mesmo este pode utilizar estratégias distintas para dar continuidade ao processo ofensivo conforme o modelo de jogo proposto pelo treinador (Lopes, 2007).

Carta (2003) refere que o goleiro desempenha um papel determinante na interpretação da tática coletiva. Portanto entende-se que o treinador tem a responsabilidade de inseri-lo em seu sistema tático.

O treinador de goleiro dentro desse novo contexto que se apresenta à posição, tem como função elaborar métodos de treinamento que estimule, desenvolva e aperfeiçoe a atuação do goleiro nos aspectos defensivos e ofensivos, oferecendo um treinamento completo que o possibilite realizar suas funções com máxima eficácia.

Para conseguirmos atingir as exigências do jogo, nada melhor do que treinar em um cenário de jogo seja nos treinos com a equipe ou em um ambiente particular e específico. O ambiente particular e especifico é usado nos momentos em que é preciso desenvolver ou potencializar determinados aspectos do jogo (tático, técnico, físico e psicológico), onde se faz necessário realizar repetições para que possa ser feito as correções e orientações pertinentes. O ambiente particular e especifico pode ser construído com o auxilio de materiais existentes no clube (exemplo: cones, bolas, barreiras), estando a cargo do treinador, elaborar um cenário o mais próximo possível do jogo.

A construção do treino deve ser norteada de acordo com as demandas que o jogo exige aos goleiros, para isso precisamos observar durante os jogos quais tipos de intervenções que o goleiro executa, e, a partir desta análise criar um banco de dados que posteriormente auxiliará na elaboração dos treinamentos.

Segue dois exemplos de treino elaborados para goleiros da categoria sub-20 de uma equipe que disputa o campeonato estadual de São Paulo.

Buscamos desenvolver atividades que ofereçam o máximo de situações que posteriormente possam vir a ocorrer nos jogos, dentro de um ambiente menos previsível possível, deixando a cargo dos goleiros as decisões para solucionar os problemas.

Treinamento 1: Cobertura Defensiva, Saída 1 x 1, Transição Defesa/Ataque.
Descrição: lançamento frontal, com barreira simulando a linha defensiva e dificultando a visão do goleiro; dois goleiros como atacantes, onde estes vão receber a bola lançada pelo treinador de goleiro, a escolha do atacante é feita pelo treinador sem aviso prévio. Os lan&cced
il;amentos podem ser rasteiros, pelo alto e também a opção de chute direto ao gol. O goleiro precisa fazer a leitura se deve sair ou se manter no gol. Quando o goleiro executa uma defesa em que consegue manter a bola sobre seu domínio, este executa uma reposição em um dos quatro gols caixotes de acordo com a cor definida pelo treinador. Os cones são utilizados para marcar os gols e, estes são trocados quando há mudança do goleiro. Neste exercício realizamos duas séries de quatro repetições para cada goleiro. São usados três goleiros, uma barreira, doze bolas, quarto cones de cores diferentes e quatro gols caixotes.
Objetivo do treino: cobertura defensiva; saída 1×1, transição defesaataque, tomada de decisão e reposição.
Pontuação: interceptação do lançamento – 3 pontos; defesa completa no 1×1 – 3 pontos; defesa parcial no 1×1 – 2 pontos; reposição certa – 2 pontos; reposição errada- -2 pontos e gol sofrido – -4 pontos.

Verde – Goleiro; Vermelho – Goleiros fazendo função de atacante; Preto – Treinador de goleiro.

Treinamento 2: Saída de Gol e Transição Defesa/Ataque.
Descrição: cruzamento lateral, alternando os lados com barreiras dentro da área, com o objetivo de dificultar a saída do goleiro. Após a saída de gol com defesa completa é realizado a transição defesaataque, onde o treinador indica à cor de cone ou ponto futuro que será realizada a reposição. Os cones são usados para marcar o mini-gol, onde será executada a reposição. Estes são trocados de posição após a mudança de goleiro. São oferecidos quatro opções de reposição nos mini-gols e dois pontos futuros, o gesto usado para a reposição é definido pelo goleiro. A reposição é feita o mais rápido possível, sendo duas séries de seis repetições para cada goleiro. São usados três goleiros, doze bolas, três barreiras, quatro mini-cones de cores diferentes e quatro gols caixote.

Objetivo do treino: saída de gol completa ou soco; transição defesaataque; tomada de decisão e reposição.
Pontuação: saída completa – 3 pontos; saída de soco – 3 pontos; saída errada – -2 pontos; reposição certa – 2 pontos e reposição errada – -2 pontos.
 

Verde- Goleiro; Verde- Goleiro ajudando no cruzamento; Preto- Treinador de goleiro.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Podemos observar poucos estudos na área do treinamento de goleiro. Este fato pode ter influenciado diretamente na evolução dos treinos. Quando comparamos a evolução do treinamento dos jogadores de linha podemos observar uma grande diferença no que era feito há alguns anos atrás e o que esta sendo feito hoje. Já os treinamentos de goleiro não mudaram muita coisa, o que acaba por afetar a evolução do jogador nos aspectos inerentes ao jogo, principalmente sua atuação tática.

Queremos chamar a atenção dos treinadores para as novas exigências do jogo a este jogador tão importante que muitas vezes é deixado em segundo plano, e oferecê-lo um treinamento adequado para que possa desempenhar sua função com máxima eficácia. Dando a ele um repertório completo de vivências com a equipe e em seu ambiente particular e especifico para que possa resolver da melhor maneira possível os problemas decorrentes do jogo em relação à defesa da meta e a transição defesaataque.

Temos muito a evoluir, e para isso precisamos levantar discussões (crias ambientes que estimulem a discussão) sobre o assunto para podermos entrar em um consenso (produzir conceitos, princípios e metodologias) que ira nortear o treinamento de goleiro e que conseqüentemente poderá ajudar a elevar a qualidade de nossos jogadores.

BIBLIOGRAFIA

Carta A. Portiere: sport individuale o di squadra? Notiziario del Settore Técnico Federazione Italiana Giuoco Calcio,. 2003;2:32-3
GARGANTA J. Futebol e ciência. Ciência e futebol. Lecturas Educación Física y Deportes Revista Digital. 2001;40.

Robertson K, Simpkin A, Crisfield P. Observation, analysis and video: National Coaching Foundation; 1999.

GUILHERME, Paulo. Goleiros: heroi e anti-heroi da camisa 1. São Paulo: alameda, 2006.

Lopes J. Análise diacrônica hetregontigente dos métodos de ofensivo no futebol. Estudo em equipes de nível competitivo superior. Dissertação de Mestrado. Porto: FADEUP; 2007.

 

*Treinador de Goleiro do Grêmio Novorizontino – SP*
Graduado em Ed. Física e Desportos – UFJF *
fernandocorreajunior@gmail.com*

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Gerenciamento de Projetos – Uma Necessidade Para os Clubes Brasileiros

Resumo

Apesar do futebol ser a paixão número 1 do brasileiro e o esporte mais popular do planeta, os clubes brasileiros sofrem dos mais variados tipos de problema, abrangendo desde de finanças caóticas até uma gama gigante de problemas com a lei. Estranhamente, os times com mais torcida são os que tem as maiores dívidas, processos na Justiça e perdas financeiras. Muitos desses problemas poderiam ser evitados pelo uso de noções básicas de Gerenciamento de Projetos na rotina gerencial dos clubes (assumindo em boa vontade que existe tal rotina).

Este artigo aborda de forma resumida como as práticas de Gerenciamento de Projetos poderiam facilmente ser utilizadas de modo a fazer com que os gestores dos clubes tivessem uma “rédea curta” no gerenciamento das instituições que representam de modo a evitar o cenário atual de total falta de controle.

Introdução

No Brasil, o futebol não é apenas o esporte número 1, mas também é a paixão nacional. No Brasil temos um ditado que diz que toda criança nasce com uma bola do lado.

Mais de 80% da população torce para um time de futebol, sendo que o termo torcer neste contexto tem uma conotação também de posicionamento (defender seu time contra os times rivais, zombarias, patrocínios, etc.). Não é necessário dizer que a violência surge como um efeito colateral indesejado desse posicionamento.

O Problema

O Campeonato Brasileiro é um dos maiores e mais longos campeonatos de futebol profissional no mundo, que acontece todo o ano desde 1971. São vinte times disputando, com confrontos diretos, ora na mando de campo de um, ora no mando de campo do outro. O campeão é o time que conseguir o maior número de pontos no torneio inteiro. Isso significa dizer que qualquer um desses times joga, num cálculo rápido, mais de 50 jogos por ano, contando outros campeonatos (estaduais, Copa do Brasil, torneios continentais)

Poderia-se pensar que, com essa quantidade de partidas acontecendo todo o ano, os time já teriam maturidade gerencial suficiente para lidar com essa rotina, porém tal inferência é um ledo engano. Diversas ordens de problemas resultam em dívidas acumuladas de mais de 2,15 Bilhões de Dólares (em maio de 2013), devido a uma série de fatores:

• Caos financeiro
• Não pagamento de tributos
• Porcessos na Justiça (de ex-empregados e ex-jogadores)
• Não pagamento de empréstimos e respectivos juros.

Muito embora eu tenha usado o termo times de futebol profissional, o gerenciamento não o é, na grande maioria dos casos, e muito embora muito tenha se discutido recentemente a respeito da profissionalização da gestão, me parece que até os times que dizem ter uma gestão profissional estão ainda em um estágio embrionário até o momento.

Existe solução ?

É claro que sim! A luz no fim do túnel pode ser vista sob ângulos diferentes, mas convergem para um denominador comum: Gerenciamento de Projetos. Desde a compra de um jogador até uma mudança de patrocinador, tudo envolve gerenciamento de projetos (inclui-se aqui o Gerencimento de Projetos no seu contexto mais amplo envolvendo também o Planejamento Estratégico). Até mesmo na rotina diária, o conhecimento de gerenciamento de projetos podem ser aplicados para transformar o caos em algo gerenciável.

Eu vou apresentar agora algumas idéias nas quais os time de futebol devem capitalizar em cima na caminhada para uma gestão profissional. Começarei pelos conceitos gerenciais de mais alto nível e depois, mais especificamente falarei sobre as áreas de processo segundo o PMBOK® Guide:

Planejamento Estrtatégico, Gestão de Portfólio e Programas:
Muito embora os clubes não sejam empresa (pelo menos aqui no Brasil), em muitos aspectos existe uma grande semelhança. Um clube deveria saber onde quer chegar no curto e longo prazo. Os clubes deveriam planejar como enfrentar os percalços do caminho e como aproveitar oportunidades que surjam (Análise SWOT, por exemplo). É como diz o ditado: se você não sabe onde quer chegar, qualquer lugar é destino.

– Integração: os clubes brasileiros não costumam a pensar bem sobre as implicações de suas decisões. As vezes por ignorância do que o conceito de integração realmente significa, outras vezes porquê o caos instaurado não permite que isso aconteça. Um sistema simples de Controle e Gestão de Mudanças resoleveria muitos desses problemas. Em linha com isso, um Escritório de Projetos se faz essencial na medida em que provê os elementos de governança necessários para o monitoramento e controle.

– Escopo: Muito embora nós saibamos o quê um time de futebol tem que fazer, o contexto é complexo. Sendo assim, uma definição clara do escopo dos projetos a serem realizados é o primeiro passo para o sucesso. Como por exomlo, imaginemos a compra de um jogador, a definição das carências do time, o nível (em termos de habilidade) do jogador e a reputação (imagem) são fundamentais.

– Tempo: Janelas de transferência curtas aliadas a regulamentações burocráticas podem causar danos ao time por toda a temporada, e isso é apenas um dos exemplos. Cronogramas com liha de base para controle efetivo ajudariam muito neste caso.

– Custo: Mais uma vez, uma linha de base de custos (previsão orçamentária para controle) é o primeiro passo. Em fases anteriores, a análise do retorno sob investimento e outras avaliações financeira (Valor Presente Líquido TIR, etc) fariam com que a tomada de decisão fosse menos emocional e sim, mais racional.

– Qualidade: a quantidade de retrabalho em todas as áreas é enorme. A utilização de checklists para compra de jogadores, controle de dívidas e operações diárias ajudariam a não reinventarem a roda toda a vez que determinada situação se repete.

– RH: A legislação trabalhista no Brasil é muito capiciosa. A contratação de profissionais tanto jogadores como administradores deveria passar pelo sentimento de pertença Um time de sucesso é um time que joga motivado. Aliado a isso, ajuda aos jogadores e familiares numa mudança de cidade ou até mesmo de país ajudam bastante no processo.

– Comunicação: Se a ignorância é uma benção como diz o ditado, no futebol ela é uma desgraça. As informações no tempo certo aliada a uma linha de comunicação com canais bem estruturados são pré-requisitos. Saber o que dizer nos veículos oficiais e, principalmente o quando dizer é fundamental. Muita confusão acontece quando não é feita uma análise mínima sobre o público alvo da mensagem.

– Risco: Eu poderia escrever um livro somente sobre esse assunto. Culturalmente no Brasil nós não temos o hábito salutar de pensar em riscos. Brainstorms de risco e um controle apropriado dos mesmos poderiam ter prevenido problemas complexos, tais como
negociação de jogadores com times sabidamente “caloteiros”.

– Aquisições/Contratos: Frameworks de gerenciamento de múltiplos fornecedores, um departamento centralizado de compras ajudariam a economizar grandes somas de dinheiro. Aliado a isso, sistemas de avaliação de fornecedores fomentariam uma competição sadia entre os fornecedores de um clube.

– Gerenciamento de Stakeholders (Partes Interessadas): Essa é, talvez a área mais complexa de se lidar. No futebol, os stakeholders mudam de lado conforme o interesse deles no momento. Fazer um mapeamento desses stakehloder num grid de Poder/Influência é o básico A parte mais complicada é entender o porque da volatilidade de opiniões deles.

Para tudo isso acontecer, é necessário uma grande dose de Gestão da Mudança Organizacional, devido a clara quebra de paradigma. A Tecnologia desempenha um papel fundamental no caminho da profissionalização, não apenas na Tecnologia da Informação propriamente dita, mas também no que diz respeito ao Big Data, já que análises degrandes volumes de dados em tempo real serão um diferencial.

Conclusão

Conclui-se que a Gestão Profissional propriamente dita está anos luz longe de onde deveria estar. A estrada é longa, mas toda maratona começa com o primeiro passo. Os macro-conceitos expostos nesse artigo apresentaram idéias que são simples de utilizar. Há muito mais a falar sobre esse tópico, mas escreverei sobre isso em outras oportunidades.

*Carlos Alves é professor de Gerenciamento de Projetos da FGV e de outras instituiçõesde ensino. Trabalha também como Gerente de Programas/Projetos na HP. Tem mestrado em Gestão Estratégica de TI pela UFRJ e diversas publicações acadêmicas e de negócio. Possui também certificado Internacional sobre Gestão de Futebol. Atualmente cursa Gestão, Marketing e Direito Esportivo pela FIFA/CIES/FGV.É torcedor, sócio e atuante na política do Club de Regatas Vasco da Gama (na Cruzada Vascaína), onde pretende ajudar o Vasco no caminho da Gestão Profissional efetiva e respectiva reconstrução.

Carlos está disponível para conversas, benchmarking etc com profissionais de outros clubes que partilhem do mesmo interesse. Contato: carlos.alves2013@fgvmail.br

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Fatos e valores

Em obra que, em língua portuguesa já tem quinze anos (refiro-me ao livro Razão, Verdade e História, Dom Quixote, Lisboa) Hilary Putnam radicaliza a recusa em aceitar a pertinência epistemológica da divisão entre juízos de facto e juízos de valor. De acordo com Moore e Russell, o termo fato denota um conjunto complexo de entidades que existem, independentemente do modo como são pensadas. Moore argumentava que o termo bom, por exemplo, era uma propriedade não natural e não cabia às ciências da natureza estudá-la, pois que as suas propriedades não eram de ordem física. A introdução, na Idade Contemporânea, da dicotomia fato-valor foi elaborada por Max Weber, dado que lhe parecia perniciosa a influência dos valores ocidentais sobre as demais formas de vida do planeta. Ele afadigava-se em encontrar resposta, para a questão de saber se as normas de ação e os pressupostos de validade tinham um caráter de universalidade ou se decorriam de um determinado contexto cultural. Max Weber julgou ter solucionado o problema da objetividade, nas ciências sociais e humanas, ao adiantar que, sempre que um investigador procura compreender um fenômeno social, deve fazê-lo, tendo em consideração quatro tipos ideais de comportamento:

– o comportamento que utiliza meios racionais, para alcançar fins racionais;

– o comportamento que, ao utilizar meios racionais, visa atingir fins irracionais, isto é, o comportamento orientado por valores;

– o comportamento que é guiado pela emoção;

– o comportamento que se rege pelos costumes e hábitos.

Weber foi-se apercebendo que o tipo de ação predominante, no século XX, era a do pensamento tecnocrático, ou seja, o que utilizava meios racionais (físicos e matemáticos), tentando alcançar fins também racionais. Com uma dinâmica muito especial, a burocracia não aceitava, nem o caos, nem a desordem, “propondo uma seriação e uma planificação da acção social, assente sobre os critérios de rigor, de sistematização e optimização dos recursos humanos e materiais”. Foi neste quadro que se potenciou a implementação das instituições sociais e governativas e se fixaram as regras e os modelos de acção das referidas instituições. Só que, ao julgarem-se possuidoras de uma racionalidade impecável, as instituições governamentais e as que vivem do erário público solidificam-se num modelo fechado de organização e alérgicas à transformação e à crítica. O próprio Max Weber nos alerta para que não deixemos que os juízos de valor se intrometam nos processos de investigação e nas instituições, afim de que a racionalidade tecnocientífica, e só ela, seja o princípio norteador. Para Weber, “a escolha que um ser humano faz, em qualquer momento da sua vida (e as escolhas do homem de ciência não são exceção) manifestam a presença de certos valores (…). Mas esse nível de subjectividade deve desaparecer sempre que o trabalho científico se impõe, já que, para Weber, este domínio da pesquisa humana se caracteriza pela procura da objetividade de um conhecimento que se quer da ordem do empírico e não da ordem do preferível (…). Para Weber, é a verdade factual que deve orientar a atividade analítica do cientista, independentemente dos motivos pessoais que o levaram a escolher os problemas e os temas que investiga”. Para Max Weber, um juízo de valor não pode ser verdadeiro, porque não pode ser aceite por todas as pessoas.

Daqui se infere que, fundamentado mesmo em Max Weber, é difícil a um governo aceitar críticas, pois que as julga decorrentes de juízos de valor e não de juízos de facto. E às críticas mais sonoras e de comentadores mais conhecidos o governo normalmente responde que elas refletem os anseios dos partidos da oposição e não têm por si qualquer solidez científica ou racional. Se não há pressupostos universais onde assentam os critérios de racionalidade, o governo observa que é ele que a possui, já que é ele que se encontra ao serviço do País, ao mesmo tempo que os discordantes dos órgãos da Comunicação Social se encontram, sem o dizerem, ao serviço de interesses inconfessáveis. Mas uma pergunta se impõe, aliás na esteira de Apel e Habermas: há, ou não, um discurso ético, que possa informar a ação dos agentes sociais? A tecnocracia resolve, absolutamente, todos os problemas? Pode, ou não, a ética transformar-se num método racional de resolução dos conflitos e de observação do trabalho executado? Estas questões podem aplicar-se às políticas desportivas. Podem (disse eu). É que nem sempre há a vontade de algumas pessoas responsáveis. É bem mais fácil continuar com os mesmos métodos e portanto onde praticamente os valores não cabem. Dá menos trabalho. Depois, um “agente do desporto” com valores morais torna-se incómodo, para dirigentes ditos desportivos, que toda a vida viveram sem eles e que são afinal verdadeiros semeadores de demagogia. E nem por isso deixam de falar, com ênfase professoral, a uma legião de basbaques, que os escutam, como se lhes devessem vassalagem. Como se, no Desporto, factos e valores não despontassem do mesmo paradigma científico.É que o Desporto nasceu como Ética e, sem Ética, não se entende como prática desportiva.

*Manuel Sérgio é antigo professor do Instituto Superior de Educação Física (ISEF) e um dos principais pensadores lusos, Manuel Sérgio é licenciado em Filosofia pela Universidade Clássica de Lisboa, Doutor e Professor Agregado, em Motricidade Humana, pela Universidade Técnica de Lisboa.

Notabilizou-se como ensaísta do fenômeno desportivo e filósofo da motricidade. É reitor do Instituto Superior de Estudos Interdisciplinares e Transdisciplinares do Instituto Piaget (Campus de Almada), e tem publicado inúmeros textos de reflexão filosófica e de poesia. 

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As marcas da Fifa na Copa

A Copa do Mundo se aproxima e com ela algumas situações bastante peculiares começam a despontar e o mais recente diz respeito às marcas registradas pela FIFA (mais de 200).

Chamou ainda mais atenção o registro da palavra “pagode” e do termo “Natal 2014”.

Segundo a Lei Geral da Copa, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) deverá promover o registro do alto renome das marcas que consistam nos seguintes Símbolos Oficiais de titularidade da FIFA, nos termos do artigo 125, preexistente da Lei de Propriedade Intelectual.

Além disso, o INPI deverá registrar as marcas notoriamente conhecidas de titularidade da FIFA, conforme estabelece o preexistente artigo 126, da Lei de Propriedade Intelectual.

Essas anotações de titularidade da FIFA produzirão efeitos até 31 de dezembro de 2014.

Os pedidos de registro poderão ser contestados no prazo de sessenta dias da publicação.

Segundo o artigo 124, VI da Lei de Propriedade Intelectual, palavra de uso comum na composição de uma marca não recebe proteção da legislação de propriedade industrial, logo, não se pode impedir seu emprego por qualquer empresa, mesmo concorrente.

Destarte, os termos “pagode” e “natal” são palavras de uso comum e, ainda que a FIFA consiga o registro, não poderá se opor contra o uso por terceiros. Este, inclusive, é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça em uma série de casos semelhantes.

Dessa forma, o fato da FIFA encaminhar as marcas para registro não lhe garante o uso exclusivo sobre elas, eis que a legislação e os Tribunais brasileiros.

Portanto, os empresário e cidadãos brasileiros podem ficar tranquilos, pois nem a Lei Geral da Copa, nem a Lei de Propriedade Industrial asseguram à a FIFA o direito de se apropriar de nomes comuns como “pagode” e “natal”.