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Muito além da marca

Como é comum ocorrer a cada temporada, vemos muitas notícias e especulações sobre qual será o fornecedor de material esportivo dos clubes. Trata-se de um ciclo, onde marcas vem e vão, com projetos de sucesso e também de grandes fracassos.

O mapa de material esportivo no futebol brasileiro em 2017 mostra uma grande diversidade. São 26 marcas distribuídas entre os 60 clubes que disputarão as Séries A, B e C do Campeonato Brasileiro. Estão nessa lista as grandes marcas globais, bem como marcas tradicionais brasileiras e também novas marcas que começaram a construir a sua história recentemente.

Quem lidera esse ranking no total das três divisões é a Topper. A empresa brasileira, adquirida pelo empresário Carlos Wizard Martins em 2015, patrocina 9 clubes, sendo 2 da Série A. A marca soube se aproveitar de oportunidades no mercado, como no caso de clubes que até então eram patrocinados pela canadense Dryworld, que não conseguiu cumprir os seus contratos e deixou o país pela porta dos fundos após chegar cercada de holofotes.

A inglesa Umbro vem logo na sequência com 8 clubes, sendo a marca líder da Série A, com o total de 7. A empresa também passou por mudanças recentes. Após ser comprada pela Nike em 2007 por US$ 580 milhões, amargou anos de insucesso e, em 2012, foi negociada com a Iconix Brand Group por US$ 225 milhões, menos da metade do valor pago pela Nike.

Adidas, Nike e Under Armour, as TOP 3 da atualidade, também tem presença garantida. A Adidas está em 6 clubes, sendo 5 da Série A. A Nike patrocina 2 clubes, sendo 1 da Série A. E a Under Armour, que chegou ao Brasil em 2015, patrocina 1 clube da Série A.

Quando olhamos para a Série C, com clubes de médio porte e menos tradição nacional, notamos uma grande pulverização entre as marcas. São 14 marcas para 20 clubes. O Grupo SB, proprietária das marcas Super Bolla, Numer e Rinat, lidera com o total de 6 clubes.

Um novo modelo de negócio que começa a chamar a atenção no mercado é a criação da marca própria dos clubes. Entre as 3 divisões, já vemos essa tendência aplicada em 4 times, nomeadamente Paysandu, Juventude, Fortaleza e Joinville. Mas, afinal, o que esse modelo traz de diferente em relação ao tradicional patrocínio de material esportivo?

Para responder a essa pergunta, vale antes uma breve descrição sobre o formato de negociação tradicional das marcas com os clubes grandes, médios e pequenos.

Clubes grandes: contempla o patrocínio em dinheiro feito pela marca ao clube, a entrega do “enxoval” (uniformes de jogo, treino e viagem para uso dos jogadores, comissão técnica e  staff) sem custo ao clube e o percentual de royalties de produtos vendidos no varejo. Pelo fato do total de royalties ser um valor variável que depende do sucesso de vendas, não é possível precisar quanto cada clube efetivamente recebe. Sabemos que Flamengo, Corinthians e São Paulo são os clubes que mais geram receita, entre R$ 25 a 35 milhões ao ano.

Clubes médios: contempla a entrega do enxoval sem custo ao clube e a participação do lucro obtido com a venda de produtos, em modelo similar de royalties praticado com os grandes. Não há investimento em patrocínio.

Clubes pequenos: o clube compra o enxoval pelo preço de custo e negocia um percentual de royalties com a venda de produtos. Não há investimento em patrocínio e o clube não recebe o enxoval sem custo.

Esclarecido como funciona a negociação tradicional entre as marcas e os clubes, agora podemos entender o modelo proposto de marca própria. A característica principal desse formato parte do princípio que o clube tenha controle sobre toda a operação, visando gerar maiores receitas com uma completa aproximação de seus torcedores, tornando a decisão sobre o nome, design e linha de produtos mais democrática. Os questionamentos sobre a qualidade de material e o potencial de distribuição é algo a ser estudado com atenção, pois o parceiro responsável pela fabricação e negociação deve ser escolhido seguindo critérios que atendam as necessidades e o tamanho do clube.

O caso de maior destaque até o momento é o Paysandu, clube tradicional de Belém do Pará. A marca Lobo, escolhida como nome por ser o apelido do clube junto à torcida, foi criada no final de 2015 e teve um primeiro ano de bastante sucesso. A torcida apoiou a iniciativa e os resultados financeiros foram surpreendentes. Antes de criar o seu projeto de marca própria, o clube faturava em torno de R$ 300 mil por ano com royalties de material esportivo. Com a marca Lobo, o clube faturou mais de R$ 6 milhões em 2016, 20 vezes mais do que recebia anteriormente.

Outro projeto que merece atenção foi desenvolvido pelo Fortaleza com a sua marca Leão 1918, criada em setembro de 2016. A autonomia sobre todos os processos possibilitou a criação de conceitos únicos e inovadores. Um exemplo muito interessante foi a criação da camisa Cordel, exclusiva para a disputa da Copa do Nordeste 2017, que presta homenagem à cultura nordestina da literatura de cordel que é uma espécie de poema popular impresso em folhetos e que ficam expostos para a venda pendurados em cordas.

O caminho natural é que clubes de maior expressão nacional também passem a avaliar a criação de suas marcas próprias. O potencial é muito grande, não somente para gerar aumento de faturamento, como também criar uma maior conexão do torcedor com o seu time de coração. O sucesso está em envolver a torcida, pois é ela quem se emociona, apoia o time e consome a experiência esportiva.

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Efeito da idade relativa em jogadores sub-elite e elite no Brasil

A detecção de talentos e formação de jogadores visando negociação é hoje um importante caminho de arrecadação de lucros e é alvo de interesse crescente por parte de vários clubes de diferentes divisões. Cada vez mais vê-se os clubes numa busca desenfreada por conseguir identificar jovens jogadores talentosos em idade cada vez mais precoce[1].
Um dos acontecimentos mais comuns atualmente no futebol Sul-Americano é a venda de jovens jogadores para o mercado Europeu. Muitos nem chegam a jogarem profissionalmente em seus respectivos países de origem. Um exemplo atual sobre isso é do argentino Lionel Messi (melhor jogador do Mundo em 2009 e 2010 escolhido pela FIFA) que aos 13 anos vestia a camisa do Barcelona da Espanha e que nunca atuou em uma equipe da Argentina.
Com o sucesso de Messi e de tantos outros jogadores jovens, cada vez mais, os clubes passam a voltar seus olhos para as categorias de base investindo na detecção de talentos, e de forma secundária nos centros de treinamentos. A ideia de preparar um jogador para a equipe principal, já não é mais o objetivo principal dos clubes, e sim formar jogadores para negociar, mesmo que eles ainda sejam muito jovens[2].
O que comprova isso é o fato de várias equipes trabalharem nas categorias menores com um modelo de jogador voltado para o futebol europeu, e não para a estrutura tática utilizada pelo treinador da equipe principal. Um tradicional clube holandês proporciona a todos os seus jovens jogadores o sonho de um dia mais tarde serem jogadores profissionais de futebol com chances ampliadas de ser no próprio clube. A sua filosofia de formação é encarada por todos os intervenientes como uma forma de vida, de crescer e de todos se desenvolverem tanto a nível pessoal como profissional. O seu modelo de jogo é igual para todas as equipes. Todos os seus treinadores têm que estar preparados para trocar os seus próprios métodos por algo previamente definido e estabelecido para todas as categorias de formação[3].
Para ler o artigo na íntegra, basta clicar aqui.

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Questão de postura

A edição 1129 da revista “Exame”, lançada em janeiro de 2017, tem uma reportagem sobre aplicação de teorias de gestão e conceitos científicos para resolução de dilemas existenciais. O texto cita uma pesquisa feita por Angela Lee Duckworth, que tem ocupado frequentemente um lugar entre os mais vendidos dos Estados Unidos. O trabalho dela, chamado de “Garra”, acompanhou grupos de crianças e adultos durante quase uma década para tentar identificar características comuns aos mais bem-sucedidos. A principal conclusão: “Esforço é mais relevante do que talento”.

Na edição anterior, a mesma revista “Exame” fala sobre processos seletivos em multinacionais. Em 2014, a fabricante de papel e celulose Suzano recebeu 6 mil inscrições em seu processo de trainee. Ainda assim, preencheu apenas 26 de 30 vagas.

Em 2015, 1,3 milhão de jovens se inscreveram em 94 processos seletivos de 53 companhias. Nesse grupo, apenas 0,3% atendiam aos requisitos básicos estipulados pelas empresas para seus programas de trainee.

É extremamente difícil cobrar de um jovem atributos que definam a vida ou a carreira. Afinal, existe um processo de maturação em curso, que depende de uma série de fatores externos e pode tomar direções absolutamente contrárias. Empresas já entenderam isso – e começaram a adaptar suas seleções a essa realidade.

O esporte ainda entende mal a necessidade de maturação. Jogadores de futebol são observados, avaliados e rotulados desde cedo – e é extremamente difícil que consigam construir ao longo da carreira uma imagem que contradiga isso.

Por isso, uma das características mais importantes para atletas é a autossuficiência. São muitos os garotos que reúnem qualidades ou talentos necessários para o sucesso no esporte, mas poucos entendem como usar isso a serviço das necessidades profissionais e como tirar disso uma imagem vencedora.

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O início de Gabriel Jesus no Manchester City tem suscitado exatamente essa reflexão. O jogador revelado pelo Palmeiras tem apenas 19 anos, mas precisou de uma partida inteira e dez minutos de outra para chamar atenção e ganhar espaço na equipe dirigida pelo espanhol Pep Guardiola.

Jesus não tem o maior repertório entre os jovens brasileiros revelados recentemente, mas não houve, desde Neymar, outro representante nacional que tenha brilhado tão rapidamente no Velho Continente. No caso dele, a ascensão ligeira tem a ver com o aproveitamento dos atributos – o atacante entende o que pode oferecer e como tirar disso um melhor pacote para oferecer às equipes que ele defende.

Foi assim no Palmeiras. Jesus não é o melhor jogador que o clube já formou, mas é um dos mais eficientes. Soube reunir as coisas que faz bem e soube como o time poderia aproveitar melhor isso.

A eficiência no clube levou Jesus à seleção. O atacante foi um dos símbolos da nova gestão – a equipe nacional colocou o técnico Tite no lugar de Dunga, e a mudança repercutiu no desempenho. Com o jogador do Palmeiras como camisa 9, o time emplacou seis vitórias em seis partidas.

Jesus chamou atenção especialmente na estreia: assumiu a camisa 9 de uma seleção que vinha em crise de credibilidade e se sentiu confortável no posto de protagonista de uma geração abalada pelo fatídico 7 a 1.

Há vários fatores a serem enaltecidos no desempenho de Jesus. Nenhum, contudo, é mais evidente ou mais forte do que a personalidade. Existe uma tranquilidade que chama atenção no comportamento do jogador: não há deslumbramento ou afetação, e isso é o que dá mais segurança sobre o futuro.

É até natural que um garoto que chega ao futebol profissional e que consegue espaço em um time de expressão tenha sensação de dever cumprido. Essa condição significa que o jogador passou por funis que barram uma parcela gigantesca de meninos que sonham com o estrelato ou com a vida no esporte. A questão é: como manter a motivação depois de ter atingido um ponto altíssimo na carreira ou na projeção de vida?

A ideia aqui não é falar de Gabriel Jesus como um jogador consolidado ou como um astro inevitável. Há uma série de fatores no meio do caminho, e todos eles podem influenciar sobremaneira a sequência da história do atacante. No entanto, os primeiros passos do camisa 33 do Manchester City já oferecem boas lições de comunicação:

– Gabriel Jesus é seguro, e essa é uma característica de quem domina o ambiente em que está inserido;

– Ele sabe aproveitar bem suas potencialidades e sabe como fazer delas um ativo importante para o contexto;

– Ele simplifica o comportamento e as decisões em campo;

– Ele não se contentou com as marcas ou com os patamares que atingiu nos primeiros meses como profissional.

Agora tente jogar essas características para qualquer carreira ou qualquer ambiente. O que Gabriel Jesus comunica e o que transmite para o grande público é o perfil ideal de um profissional batalhador, assertivo e eficiente. Toda empresa gostaria de ter em seu quadro uma pessoa assim.

O que falta a muitos profissionais (e não apenas no esporte) é entendimento de contexto. Para outros jogadores, o fenômeno Gabriel Jesus pode ser visto como uma mistura de sorte, oportunidade e talento. Os que pensarem assim, porém, vão seguir tendo em seu futuro uma margem de erro grande demais.

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Efeito da idade relativa nas categorias do futebol brasileiro: critérios de seleção ou uma tendência populacional?

No contexto esportivo muitos fatores são relevantes para determinação do sucesso de um jogador de futebol e a exigência para a prática em alto nível competitivo é multifatorial, justifica a complexidade de predizer o desempenho esportivo de jovens atletas. Em esportes nos quais a composição corporal, potência e força são determinantes para o desempenho, indivíduos precocemente maturados tendem a ter vantagem sobre seus pares que apresentam maturação tardia, considerando a mesma idade cronológica (Malina, 1998, 1994). Entre a fase da infância e da adolescência (9-16 anos), indivíduos em estado de maturação biológica avançada apresentam vantagens na composição corporal, massa isenta de gordura e em uma série de componentes físicos, como potência aeróbia, força, resistência e velocidade (Malina et al., 2009).

Concomitantemente, sugere-se ainda que competições baseadas na idade cronológica que envolvam atletas jovens não só dão vantagem aos indivíduos precocemente maturados, mas também àqueles que nascem no início do ano competitivo (Helsen et al., 2005; Brewer et al., 1995).

Comparações entre datas de nascimento que envolvem atletas jovens e profissionais de esportes como beisebol, hóquei, rugby, futebol e tênis revelaram uma distribuição assimétrica que favorece indivíduos nascidos no início do ano (Musch e Grondin, 2001). Esse fenômeno é denominado efeito da idade relativa (EIR) (Barnsley; Thompson; Barnsley, 1985). Musch e Hay (1999) e Brewer et al. (1995) já demonstravam uma distribuição assimétrica de datas de nascimento de jogadores de futebol profissional da Suécia, da Alemanha, do Japão e da Austrália, com tendência para nascimentos no primeiro semestre, mais especificamente no primeiro quarto do ano competitivo. Um importante estudo de Helsen et al. (2005), que envolveu jogadores de futebol europeus das categorias sub-15 a sub-18, apresentou uma prevalência de nascidos no primeiro trimestre do ano competitivo. Da mesma maneira, dados recentes de Mujika et al. (2009), Wiium et al. (2010) e Altimari et al. (2011) demonstraram a existência do EIR em jogadores espanhóis de futebol profissional e das categorias de base, jogadores profissionais noruegueses e jogadores brasileiros das categorias de base e profissional, respectivamente.

A ocorrência do efeito da idade relativa é atribuída à enorme variabilidade biológica dentro de um grupo de mesma idade cronológica, durante a infância e a adolescência (Baxter-Jones, 1995). Se assimetrias na distribuição de data de nascimento resultam da variabilidade da maturação biológica, pode-se afirmar que atletas maturados precocemente são favorecidos na seleção e detecção de talentos. Certamente, estudos recentes sugerem que atletas jovens de futebol que apresentam maturação física precoce podem ser preferencialmente selecionados, enquanto os maturados tardiamente, automaticamente excluídos (Malina, 2003; Malina et al., 2000; Williams e Reilly, 2000).

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Armadilhas do início de temporada

Em início de temporada, eventualmente convivemos com situações onde os atletas se lesionam logo nos primeiros períodos de disputas das competições oficiais, sejam pela preparação aquém do que seria necessário ou pela maratona inicial de jogos que algumas equipes acabam passando. Todo clube está sujeito a ter este tipo de problema, com lesões indesejadas e nessas ocasiões, como se pode ampliar a capacidade de recuperação dos atletas nessa situação?

Já comentei algum tempo atrás sobre o tema, mas no momento é muito pertinente voltar à reflexão sobre como auxiliar de forma eficaz o processo de recuperação do atleta lesionado.

Várias técnicas trazem valor para o atleta num momento desses durante o processo de reabilitação, dentre elas acredito que algumas podem ser destacadas, tais como o estabelecimento de metas, o relaxamento e a visualização. Então, vamos abordar brevemente um pouco mais sobre elas aqui.

Estabelecimento de metas

Pode se realizar um trabalho para promover o estabelecimento de metas congruentes com a realidade, com os valores e desejos do atleta, bem como com validade sistêmica na vida pessoal e profissional do atleta. Podem ser estabelecidas metas para retorno a prática esportiva, criando pontos de avaliação e também estágios de avanço menores do que a meta final, promovendo o avanço gradual em direção ao objetivo traçado e com o aumento da confiança e da capacidade de realização de tarefas por parte do atleta. Valor agregado para o atleta: aumento considerável da autoestima do atleta durante o processo de recuperação.

Relaxamento

A utilização das técnicas de relaxamento, que frequentemente acompanham os quadros de lesões e sua recuperação, agregam valor para o atleta no alívio da dor e do estresse. Um exemplo prático que podemos compartilhar trata-se de um programa de dois minutos proposto por Lindemann (1984), conforme abaixo:

  • Inicialmente o atleta adota uma posição cômoda em um lugar tranquilo e agradável;
  • Fecha os olhos;
  • Desenvolve uma atitude positiva para o exercício;
  • Concentra-se no seu próprio ritmo de respiração;
  • A inspiração precisa acontecer naturalmente;
  • Após a inspiração o atleta começa imediatamente uma expiração profunda;
  • Após a expiração, o atleta faz um pequeno intervalo (sem forçar);
  • A relação entre o tempo de inspiração e expiração deve ser aproximadamente de três para cinco, respectivamente;
  • O atleta pode manter o exercício por dois minutos;
  • O atleta abre os olhos e aplica uma fórmula positiva de autoafirmação, com por exemplo: “Estou me sentindo muito tranquilo e pronto para o trabalho”.

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Visualização

As técnicas de visualização podem ser divididas em quatro grupos:

  • Imagem de recuperação ou afirmação, na qual pode-se imaginar uma meta de reabilitação sendo atingida ou ainda imaginar um atleta conseguindo atingir todos os objetivos traçados;
  • Imagem de cicatrização, neste caso é preciso uma imagem que represente a capacidade efetiva do corpo de se curar como por exemplo a recuperação de um atleta com uma fratura, que passa a imaginar o fluxo sanguíneo chegando até a área lesionada e produzindo a cicatrização.
  • Imagem de tratamento, quando o atleta toma conhecimento dos mecanismos que ocorrem durante o tratamento e o atleta pode imaginar esses efeitos positivos acontecendo naquele momento da fisioterapia.
  • Imagem de performance, face a incapacidade momentânea de praticar o esporte naquele momento, o atleta pode visualizar imagens que simulem a performance específica, isso pode auxiliá-lo no treinamento de situações presentes em treino e competição e também ajuda a manter a confiança.

Então, esperamos que nenhum atleta se lesione e que os clubes possam ter cada dia mais profissionais competentes na preparação física, fisiologia, fisioterapia e nutrição dos atletas, mas pelo menos agora sabemos que caso ocorram quadros de lesão, nem tudo está perdido e pode-se colaborar e muito, mentalmente, com a recuperação deste atleta.

Até a próxima!

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Efeitos da idade relativa na seleção de talento no futebol

O Brasil é caracterizado pela grande quantidade de talentos referentes ao futebol, mas pouco se sabe de onde vem esse talento. Segundo Guenther (apud DA SILVA, 2006), costuma-se empregar a palavra talento para conceituar pessoas com atributos ou características admiradas e valorizadas pela cultura e momento histórico.

O estudo do talento pode abranger várias áreas, na Educação Física emprega-se o termo “Talento esportivo” para designar pessoas talentosas para o esporte. Kiss (2004) classifica talento esportivo como as pessoas que possuem aptidão (condição em um determinado instante) especial, grande aptidão ou grande potencial, para o desenvolvimento esportivo.

Para Bohme (1994), o indivíduo que, por meio de suas capacidades herdadas e adquiridas, possui aptidão especial para o desenvolvimento esportivo acima da população em geral, é reconhecido como talentoso para o esporte.

Entretanto, reconhecer um talento no futebol não parece uma tarefa difícil, afinal quando assistimos aos gols de Pelé e Romário, aos dribles desconcertantes de Garrincha e Ronaldinho Gaúcho, logo percebemos que estamos lidando com pessoas extremamente talentosas. Agora a tarefa difícil parece ser a descoberta de onde vem o talento, isto é, nascemos talentosos ou adquirimos as habilidades quando nos deparamos com um ambiente privilegiado?

Estudos realizados na música (ERICSSON et al, 1996; HOWE, DAVIDSON e SLODOBA, 1998) e nos esportes mostram uma grande relação entre o treinamento acumulado e o desempenho atingido.

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Periodizar taticamente não é Periodização Tática

Perceber com propriedade o que realmente é a Periodização Tática na sua profundidade, não é tarefa fácil como parece. Antes de qualquer coisa, essa metodologia precisa de investigação, dedicação e entendimento do núcleo duro do processo, o morfociclo padrão. Isso implica na compreensão relacional dos princípios metodológicos, no dinamismo interativo entre a ideia de jogo, processo, operacionalização e suas propriedades emergentes e na transferência qualitativa com outras áreas da ciência que dão suporte e vigor especial. Compreendendo essa questão, fica mais límpida a perspectiva sistêmica, cujo cerne reside na complexidade. E o mistério tem a ver com isso, com dinâmicas, isto é, está nas inter-intenções e inter-decisões, nas interações, nas conexões, nos (re)ajustamentos e nos padrões de organização.1

Sua expansão nessa década, por diversos meios, tem gerado adeptos, críticos, diferentes perfis e formas de enxergar, estudar e pesquisar. Mas como em qualquer área de conhecimento, muitas precipitações podem ocorrer, até um entendimento maior e concreto surgir. E desvios conceituais vêm sendo vistos ao longo dos anos, muitos desconexos do fio condutor que é alma do processo e está em constante desenvolvimento. Panoramicamente, o que se enxerga, são algumas pessoas tentando transmitir, na essência, o conteúdo “sem fim” da metodologia e outras vagando em superficialismos e predicados soltos. Nesse caso, acende uma classe de miscelânea conceitual, que foge da raiz, mas ratifica inicialmente uma curiosidade, ocasionando a frente um nível de aprofundamento maior, estagnação ou desistência de sua clareza. Algo normal quando algum fenômeno vira febril e atraente.

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Imagem Criada

É próprio da percepção humana desenvolvida ou desmedrada que ideias vão se tornando mais ou menos fidedignas. Nota-se, com o crescimento da Periodização Tática, que a grande diferença entre os “curiosos”, “modistas”, “investigadores céticos”, ”radicais extremistas”, “tecnocratas” e os “buscadores sinceros”, reside na visão da sensibilidade criativa, aberta, transformadora e dinâmica com que Vitor Frade, diariamente, geria suas aulas da Universidade do Porto, nas suas conversas e nos seus textos e apontamentos atualmente.

Essa diferença do perfil dos buscadores, o entendimento da complexidade (complexidade não é dificuldade), não é algo inacessível, de outro planeta, como muitos pensam, mas como tudo na vida, necessita de esforço profundo. Quando este não for profundo, sincero e aberto o suficiente, fica mais difícil entender que a Periodização Tática não é uma lógica estacionada, mas uma lógica com sentido. A teia de conexões dessa metodologia é uma extensão da teia da vida, do organismo humano, da inteireza do jogo, das relações humanas, das relações da produção de um jogar em todos os seus níveis e dos princípios balizadores (Alternância Horizontal, Progressão Complexa e Propensões) que firmam o núcleo duro do processo (Morfociclo).

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Claro que para encontrar esse “esforço profundo”, ninguém precisa passar dias e noites como carrapato ao lado do Prof. Vitor Frade ou se teletransportar quanticamente para Porto. A correta busca por seus referenciais e outros, advindo de pessoas que continuam modelando, dinamizando e propagando o profundo conhecimento, também ajuda no entendimento desta metodologia. Então, a Periodização Tática não é uma questão ideológica radicalista restringida apenas para pessoas que fazem parte de uma facção fundamentalista, como muitos pensam. Ela é um incentivo a propagação do conhecimento adequado, a criatividade individual, balizados por princípios particulares, que levam em consideração um contexto-prático por convicções concepto-metodológicas-operacionais e um contexto-ambiente por visualizações culturais. Nessa intra-relação e inter-relação mora o pote de ouro.

E o mais sensível de tudo isso, é saber como propor transformações, sem romper a ideia de equilíbrio-desequilíbrio, sem desvirtuar e deixar incoerente sua essência transgressora. Algo que demanda muita sensibilidade e, sem dúvida, gera dilemas contextuais, operacionais e fundamentais.

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E é deste hiato entre o modo como o treinador pretende que a sua equipe jogue e o modo como ela vai jogar regularmente, que emerge a pertinência da questão de COMO TREINAR UMA IDEIA DE JOGO.2 E a Periodização Tática atenua isso, pois estabelece ligação permanente entre os dois lados da equação: a ideia e a operacionalização.2 Assim, ela se serve de uma lógica processual ou um padrão matricial (Morfociclo), com o propósito fundamental de permitir a aquisição de um jogar específico, uma concepção de jogo, respeitando os princípios metodológicos.

Na Periodização Tática, as equipes não estão em forma, mas têm forma. Assume uma forma dinâmica (especificidade) plural, com várias formas (especificidades) que são vivenciadas regularmente obedecendo os princípios metodológicos distintos do tradicional.3 Daí o Morfociclo, um ciclo com conteúdo concreto a cada jogar, preenchido com forma nos diferentes dias, com a devida alternância de desempenho entre as sessões de treino.3 O entendimento do que é o Morfociclo, o porquê de ter um padrão, é uma condição fundamental para que se consiga mergulhar a fundo num enquadramento conceitual e metodológico que rompe claramente com o convecional.2

Imagem retirada dos textos do Prof. Frade
Imagem retirada dos textos do Prof. Frade

Com quase 50 anos de inquietudes do Prof. Vitor Frade, essa forma de viver o treinamento está em constante enriquecimento, pois tem uma legitimidade e um alicerce teórico singular, vigoroso, significativo e peculiar. Logo, a Periodização Tática é algo que se crê ou não se crê. Ou está com ela ou é contrário a ela. Não se pode dizer: sim, creio nela, mas…então deixa de ser Periodização Tática”4. Mas ela não é algo mecânico-linear, é puramente um mecanismo não linear ou um organismo dinâmico de construção que quer que cada equipe chegue ao seu futebol, ao futebol de cada um. Apenas é preciso respeitar ideias evitando incongruência processual-operacional-contextual.

Então, carece do “esforço profundo” para não ser confundida com uma coleção de fatos, conceitos desconexos, exercícios soltos ou outros aspectos. Ela quer fugir disso, de chavões como: “periodizar taticamente meu modelo”, “um microciclo que respeita força, resistência e velocidade”, “contração assim, assada”, “o físico não existe”, “os jogadores não trabalham fisicamente”, “espaços pequenos, médios e grandes”, “jogos reduzidos”, “exercícios com bola”, exercícios analíticos”, “utilização de exercícios mais simples ou mais sofisticados”, “exercícios sem bola”, “excessos de regras nos exercícios” e “desenvolvimento dos grandes princípios o tempo todo”. Evidente que algumas dessas possibilidades acima estão presentes no dia-dia, mas não de forma genérica e especulativa.

Longe do que se pensa, esta metodologia de treinamento não está acorrentada na cidade de Porto-Portugal. Também não está escondida nos muros reservados do Centro de Treinamento do Olival, na Escola de Formação Dragon Force, nem na Universidade do Porto. Ela nasceu aí, mas está viva, em movimento, onde tiver organismo vivo, seja no futebol, esportes coletivos e outros esportes, ela pode ser aplicada com sua estrutura particular tornando um contexto peculiar. Logo, para ela viver realmente, não se pode negligenciar que sua essência matriz tem uma origem e uma direção que levam a diferentes destinos ímpares. Ela, além de ser uma grande questão de convicção, não existe em lugar algum sem contexto. Por isso, a Periodização Tática é uma ideia para operacionalizar uma ideia, não sendo uma ciência do abstrato, in vitro, mas antes uma ciência in vivo.5

Abraços a todos e até a próxima quarta!

1 – FRADE, VITOR. Notas das aulas de metodologia II – Futebol. Porto: FADE-UP, 2010.
2 – AMIEIRO, NUNO. Os exercícios de treino aos Olhos do Enquadramento Conceptual e Metodológico da Periodização Táctica. Textos Professor Vitor Frade, 2017.
3 – MACIEL, JORGE. À volta e às voltas com a noção de Modelo de Jogo…Complexo e em Complexidade. Curso UEFA A: Tese Final, 2016.
4 – FARIA, RUI. Prefácio do livro Periodización Táctica vs Periodización Táctica. Vítor Frade Aclara de Xavier Tamatrit. (1ra Edición). Madrid: MB, 2013.
5 – MACIEL, JORGE. Periodização Tática: o “patinho feio” que se tornou num “cisne negro”. Texto do Instituto Águia, 2016.

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Identidade de jogo: você realmente joga como treina? – PARTE 1

Olá a todos.

A partir de hoje daremos início a um percurso muito importante com diversos artigos sobre um assunto que se escuta bastante, mas ainda pouco discutido, que é a Identidade de jogo. Nele teremos um grande espaço para troca de ideias, questionamentos e reflexões sobre um tema que devemos explorar com maior profundidade.

Existem muitas metodologias de treinamento (integrado; periodização tática; clássico, etc) que nos ajudam a melhorar e definir nosso modelo de jogo. Este nos dá uma ideia da forma de jogar, mas que pode estar suscetível a mudanças durante uma partida.

Em um confronto sabemos que existem infinitas variáveis, mas o quanto elas influenciam no seu modelo de jogo?!

Exemplos:

Adversário – resultado vigente – tempo do jogo – jogadores disponíveis – jogo em casa ou fora – posição na tabela – disposição tática (1-4-3-3, 1-3-5-2,4-4-2…)

Diante destas variáveis, a maioria das equipes mesmo havendo um modelo de jogo preciso, altera sua proposta durante uma partida, como adotar uma postura mais ofensiva ou defensiva de acordo com o resultado vigente (substituindo um zagueiro por um atacante, como exemplo).

Mas quando se tem uma identidade clara de jogo, esta passa a condicionar as variáveis e não o contrário. Isso muda completamente o modo de ver, pensar e planejar seus treinamentos e consequentemente os jogos em busca de um resultado eficaz.

OK, agora quais equipes e treinadores têm uma Identidade de jogo bem definida?! Podemos dividir em dois blocos, que são as únicas duas fases do futebol – posse ou não posse da bola. Todas as outras “fases” (transições ofensivas e defensivas, bola parada, etc) são definidas por estas duas e podem ser diferentes de acordo com seu modo de entender o futebol. Dentro destas duas fases podemos destacar algumas equipes ou treinadores que servem de exemplo para nosso estudo.

Entre os que optam pela posse de bola, como principal característica, estão as seleções da Espanha, bicampeã europeia em 2008 e 2012 e campeã do mundo em 2010, e da Alemanha, campeã do mundo em 2014. Como equipe temos o Barcelona com os conceitos do Futebol Total, de Rinus Michels, mostrando sua identidade por pelo menos uma década. Já como treinador, temos o mais famoso que é o Pep Guardiola, atualmente no Manchester City, ou até mesmo Roberto Dezerbi, ex Foggia e Palermo, que obteve ótimos resultados na terceira divisão italiana interpretando os mesmos conceitos das equipes acima com jogadores considerados de menor qualidade.

Já “do outro lado” temos treinadores que preferem trabalhar com a cobertura dos espaços, como José Mourinho, campeão com o Inter e Chelsea, Diego Simeone, do Atlético de Madrid, campeão espanhol 2014, ou o Leicester, de Claudio Ranieri, campeão do último campenato inglês.

O primeiro passo que se deve fazer é escolher em qual modo você gostaria de jogar não se tornando refém das variáveis citadas acima mas sim o contrário. Que elas sejam todas em função da sua identidade, como exemplo o mais classico deles, a escolha do sistema de jogo. Nao é a escolha da disposição tática que o faz mais ofensivo (1-4-3-3 / 1-3-4-3) ou mais defensivo (1-4-4-2 / 1-3-5-2) mas sim como se é interpretado. Todas as mudanças dinâmicas que ocorrem devem ter como princípio a manutenção do equilíbrio e identidade da equipe.

Nos próximos artigos vamos começar a refletir sobre como preparar todo o planejamento de treinamentos e as características que serão necessárias a partir de uma identidade denifinida de jogo.

Espero que esse primeiro artigo possa ter servido para criar reflexões, questionamentos, dúvidas e perguntas para todos, e estou ansioso para o confronto de ideias e discussões a respeito

Abraço a todos!

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Campo reduzido para treinamento é tendência entre os clubes

A preparação em campo reduzido, ou jogo reduzido, é uma das tendências atuais nos treinamentos no Brasil e na Europa, e um dos principais métodos utilizados pelos grandes treinadores.

Ele se baseia no estabelecimento de um campo menor do que o normal de jogo para um estudo mais aprofundado. O espaço menor não delimita o desenvolvimento do trabalho com os atletas. São muitas as possibilidades dentro de três variáveis importantes como a dimensão (o treinador pode escolher quanto do campo ele deseja usar), a formação (quantidade de jogadores que participarão da atividade) e a regra (ex: maior passe de bola, toque, ataque contra defesa, etc).

Tudo pode mudar de acordo com o que o treinador desejar, partindo de 3 escolhas: treino técnico, tático ou físico. O Coordenador de Pesquisas da Universidade do Futebol, Iago Cambre, participou da matéria realizada pelo Globo Esporte sobre campo reduzido.

Acompanhe na íntegra clicando na imagem.

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A receita sustentável

As receitas de marketing dos clubes crescem exponencialmente a cada ano. Novos contratos bilionários de direitos de TV são assinados, patrocínios vultuosos batem recordes, estádios com ingressos esgotados durante toda a temporada são comemorados nas principais ligas, produtos licenciados dos grandes clubes fazem sucesso pelos quatro cantos do mundo. Sem contar os valores obtidos com as transferências de jogadores que não entram na conta de receitas oriundas de marketing. Esses fatores dão a falsa ilusão que o futebol é hoje um produto economicamente saudável, mas a realidade ainda é bem diferente.

Ao mesmo tempo que o dinheiro que entra é cada vez maior, as exigências para manter os grandes craques no clube também aumentam. Ao contrário de uma empresa tradicional em qualquer setor, as instituições esportivas são movidas por um lado passional muito forte, onde a pressão da torcida, para que seu clube ganhe títulos, faz com que os seus gestores, por muitas vezes, cometam verdadeiras loucuras para contratar e manter um elenco recheado de estrelas. Historicamente, o importante para o torcedor é que o seu time vença em campo.

Segundo o estudo “Club Licensing Benchmark Report” referente à temporada 2015 publicado pela UEFA, a receita dos clubes europeus alcançou as maiores cifras da história, com o total de € 16,9 bilhões, sendo € 7,3 bilhões com os direitos de TV, € 5,6 bilhões com patrocínios e € 2,6 bilhões com a venda de ingressos.

Esses números crescerão muito nas próximas publicações da UEFA. Prova disso é que, somente a Premier League, a liga mais rica da Europa, passou a ter uma receita sobre a venda de direitos de TV de € 15,6 bilhões por 3 temporadas, entre 2016 e 2019, com média de € 5,2 bilhões por ano.

No meio de tanta riqueza, também vemos dívidas assustadoras. Clubes tradicionais como Manchester United, Benfica e Internazionale de Milão possuem dívidas que ultrapassam a casa de R$ 1 bilhão. E estamos falando de clubes com história e marcas muito relevantes que conseguirão inverter essa lógica se fizerem um trabalho austero de contenção de despesas. Imagine então clubes de médio porte como o Queens Park Rangers, que possui dívida superior a R$ 900 milhões sem que possa vislumbrar receitas compatíveis a isso.

No texto publicado há duas semanas sobre a expansão do futebol chinês, mencionei alguns casos de contratações confirmadas ou sondagens a grandes estrelas do futebol mundial, sendo esse o fator principal para o aumento da inflação no mercado (https://universidadedofutebol.com.br/o-exercito-chines/). Na semana passada, o governo chinês sinalizou que pensa em instituir um controle de gastos para evitar um colapso nos próximos anos.

No Brasil, a dívida dos clubes também é imensa. O Botafogo do Rio lidera esse ranking com dívida total superior a R$ 700 milhões, somadas aqui as dívidas bancárias, tributárias e operacionais. Os maiores clubes do Brasil possuem dívidas acima de R$ 100 milhões.

No meio desse bolo, há casos que merecem destaque por mostrarem que é possível conquistar o equilíbrio entre uma estrutura competitiva e um resultado financeiro positivo.

A Bundesliga e, consequentemente, os clubes alemães, seguem uma cartilha de manter as suas contas em dia, muito em virtude dos clubes serem empresas de capital aberto que devem gerar dividendos aos seus acionistas.

A MLS vem crescendo de forma orgânica e planejada ano após ano, com o teto de gastos existentes para todas as franquias (veja texto publicado na semana passada sobre o modelo de expansão americana: https://universidadedofutebol.com.br/o-futebol-na-maior-economia-do-mundo/).

No Brasil, até poucos anos atrás, o Flamengo liderava o ranking de dívida com valor superior a R$ 600 milhões e vem reduzindo esses valores de forma gradual com base na capacidade do clube em gerar receita com a sua marca.

Medidas adotadas como o Fair Play Financeiro da UEFA e até mesmo o Profut no Brasil são modelos que podem transformar as finanças dos clubes em algo mais sustentável.

No caso da UEFA, os clubes que participam das competições europeias, têm que provar que não tem dívidas novas em atraso com outros clubes. A partir de 2013, os clubes passaram a respeitar a gestão equilibrada de “break-even”, ou seja, não podem gastar mais do que ganham, criando um controle para que as dívidas existentes não aumentem.

Já o Profut é uma lei sancionada em 2015 para ajudar os clubes brasileiros a quitar suas dívidas tributárias com a União. Em contrapartida, os clubes são obrigados a seguir regras como gastar o máximo de 80% de suas receitas com o futebol profissional, não atrasar salários, não antecipar verbas e restringir mandatos dos presidentes.

Apesar da necessidade de ter atenção e cuidado para que medidas desse caráter não se percam, é nítida a preocupação para que o futebol consiga ser minimamente sustentável. O marketing possui as ferramentas em mãos para gerar receita suficiente para atender um modelo justo e atrativo.