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Cruzeiro já foi rebaixado: mito ou realidade

Atlético e Cruzeiro possuem uma das maiores rivalidades do Brasil e como toda grande rivalidade, há uma série de provocações sadias entre as torcidas.
A torcida celeste não perdoa o fato do Atlético ter sido rebaixado em 2005 para a segunda divisão do campeonato brasileiro.
A torcida alvinegra reage sob o argumento de que o Cruzeiro teria sido rebaixado à segunda divisão do Mineiro em 1926.
Mito ou realidade?
Nos anos 20 ainda não havia a organização federativa de hoje onde a CBF administra o futebol brasileiro e recebe a filiação das Federações estaduais, sendo uma por Estado.
Ademais, naquela época o futebol era amador, eis que a profissionalização teve início nos anos 30.
No período dito amador existiram vários torneios considerados precursores do Campeonato Mineiro, como a Taça Bueno Brandão de 1914, organizada pela Liga Mineira de Desportos Terrestres (LMDT)
Os primeiros campeonatos mineiros (a partir de 1915) eram amadores e disputados apenas por times de Belo Horizonte, por essa razão eram torneio da cidade.
Oficialmente, o futebol mineiro de profissionalizou em 1933.
Em 1926 houve dois campeonatos, organizados por duas ligas distintas e independentes.
O Atlético venceu o campeonato da Liga Mineira de Desportos Terrestres, considerada oficial e precursora da atual FMF e o Palestra Itália (Cruzeiro) venceu o campeonato da Associação Mineira de Esportes Terrestres (AMET).
Há duas versões para a saída do Cruzeiro da LMDT.
Segundo uma teoria, este rompimento teria se dado por opção do Cruzeiro em virtude do descontentamento com a crescente profissionalização da Liga Mineira de Desportos Terrestres.
Segundo a outra versão, o Cruzeiro teria sido expulso da LMDT por tê-la desobedecido e disputado um amistoso na cidade de São Paulo contra o Caçapavense.
Imprescindível destacar que, em 1925, o Cruzeiro, então Palestra Itália, foi vice-campeão mineiro.
Assim, independente da versão, o Cruzeiro não foi rebaixado em 1925 e não disputou a segunda divisão do Campeonato Mineiro de 1926, o que houve foi, durante a época do amadorismo, uma dissidência e a criação de competição paralela.
Portanto, trata-se de mito.

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Atlético de Madrid: assalto ao Olimpo

Depois de mais uma épica jornada, agora na fortaleza, sintomaticamente batizada de Arena, do todo poderoso Bayern de Munique, que mais se poderá dizer desta equipa do Atlético que se não tenha dito já? Talvez o óbvio, mas que, até aqui, poucos ousariam arriscar: esta equipa madrilena, que o Real teima em considerar dos subúrbios, pode perfeitamente ganhar esta edição da Champions League.
Vejamos: na balança do movediço, mas a que tantos se agarram, cálculo das probabilidades, o que é sociologicamente mais expectável – e, certamente, o mais provável – é que seja o Real Madrid a ganhar o troféu, mas, para mim, o mais certo é que seja o Atlético a ganhá-lo.
Porquê?, perguntará o meu estimado leitor. Se o modelo de análise e de previsão fosse aquele que o paradigma materialista apregoa – o da mensurabilidade – claro que seria o Real a ganhar: bastaria medir o volume dos milhões que o astronómico (parece que se fala menos de galáctico) plantel carrega.
Só que é bem diferente o clima que tonifica e incuba as vitórias – ele caracteriza-se pela imprevisibilidade, pelo caos criativo. Ou seja, temos que assentar num novo modelo de causalidade: não nos chega o modelo clássico de uma causalidade linear – só o de uma causalidade “entrelaçada”, “circular”, “hierarquizada”, também conhecida como “hierarquia unificadora” (Goswami, 2008), nos pode amparar neste nosso engodo pelos vaticínios.
A “cadeida do ser” não se confina ao que dele é apenas o segmento mais rude: há mais realidade do que aquela que podemos constatar através da actividade elementar dos cinco sentidos. E, no desfecho de um jogo, intervêm aspectos de ordem emocional e espiritual que escapam à métrica de uma previsão determinística.
De facto, no seio da comunidade científica, é cada vez mais pacífica a necessidade de se passar do espartilho da clássica objectividade forte – assim designada não por ser mais verdadeira, mas por estar baseada na aparente rigidez do mundo físico e na fortaleza da mera verificação sensorial e que dá a ilusão de uma separação entre o sujeito que observa e o objecto que é observado – para aquilo que Bernard D`Espagnat (1983) designou de “objectividade fraca”, em que sujeito e objecto se afectam mutuamente, como, por seu turno, bem demonstrou Werner Heisenberg. De resto, em 1970, o famoso físico Fred Alan Wolf declarou ousadamente: “nós criamos a nossa própria realidade”, isto é, a nossa percepção é o veículo criativo e determinativo da nossa própria realidade, na peugada do axioma de George Berkeley, – somos responsáveis pelo que somos!
É por isso – e reportando-nos ao mundo prosaico (mas importante) do futebol – que, aqui no Brasil, o Audax, por exemplo, discutiu, palmo a palmo, o título de campeão no Campeonato Paulista com o Santos de Pelé, o América, o Campeonato Mineiro com o popular Galo, o famoso Atlético e o modesto Juventude tenta bater o pé ao poderoso Internacional no Campeonato Gaúcho. Para não falar do Vasco da Gama que, apesar de ter descido de divisão, foi autor talvez do melhor desempenho, entre todas as equipas, na segunda volta do Brasileirão e, já esta época, além de ser o clube há mais tempo invencível, está em vantagem sobre o Botafogo na disputa do título de campeão carioca, depois de já ter ganho a Taça Guanabara em rija disputa com o Fluminense.
Mas voltemos ao Atlético de Madrid, que foi por causa desta flamejante equipa que ousei incomodar o meu fiel leitor com algumas breves e insuficientes considerações de carácetr epistemológico, pelo que espero ser contemplado com a sua benevolência. Mas era importante fazer tais observações – que isso exige o fenómeno calchonero que parece escapar a todas as sensatas previsões. Vejamos:
Há nesta equipa de guerreiros, no limiar de uma colectiva alucinação, muito mais poder do que aquilo que parece indicar a mera consideração aritmétca do seu poder relativo, isto é, medido à luz de um critério meramente quantitativista e sociológico – porque sobra sempre aquela porção misteriosa, sempre fugidia a qualquer tentativa de a definifir, e que pode determinar o curso dos acontecimentos.
Não quero, atenção, de modo algum insinuar que o valor do Real Madrid se fixe exclusivamente nos limites do físico, do tecnico-táctico e do valor individual dos seus atletas – também no Real há mais qualquer coisa. Só que, no Atlético, parece haver bem mais dessa qualquer coisa – à falta de outras coisas que o Real parece ter em abundância, sobretudo dinheiro para contratar os melhores.
Mas a presença do Atlético de Madrid na final da Champions (inédito: duas equipas repetirem a final e duas equipas do mesmo país e da mesma cidade) encerra, ínvia embora, uma auspiciosa mensagem: os mais pequenos (o Atlético tem vindo a conquistar a pulso um estatuto de uma grandeza inesperada) também podem ser felizes – é a democratização do sonho!
O Olimpo não está, afinal, exclusivamente nas mãos de uma oligarquia.
O Atlético de Madrid, com o seu feito, com o seu democrático assalto, veio provar que o Olimpo não é mais um condomínio fechado – só de ricos.
Os partidários do sonho devem, por isso, todos, torcer, no dia 28, pelo Atlético.
Eu, desde os tempos (década de sessenta) em que lá jogou o Jorge Mendonça – quem se lembra? – que nutro uma indisfarçada simpatia por este clube que lembra, nas suas camisolas, o pano riscado com que a minha avó fazia os colchões.
Todos devíamos estar gratos ao Atlético de Madrid por ter conseguido desmontar a lógica determinística da glória – afinal, equipas com orçamentos mais contidos podem também aspirar à coroa!
Com um importante alerta: exige-se-lhes o heroísmo da fé!
José Antunes de Sousa

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O campeonato do “Será?”

O Campeonato Brasileiro já teve duas rodadas, mas ainda é impossível fazer qualquer prognóstico sobre o desfecho. Mais do que isso: é inviável avaliar propostas, ideias ou perspectivas em uma competição marcada pelo “será?”. Passados cinco meses de 2016, os principais clubes do país ainda não têm qualquer noção do que vai acontecer com eles no restante da temporada.
Será que Muricy Ramalho volta ao Flamengo? O comandante foi afastado por um problema médico, é verdade. Mas se estiver apto a continuar no clube, será que haverá sustentação? Os resultados não ajudam (principalmente a vexatória eliminação na segunda fase da Copa do Brasil), e o futebol praticado pela equipe rubro-negra tampouco serve como esteio. Para completar, o clima é ruim (o elenco está longe de ser fechado, a interação com a cúpula é ruim e a própria diretoria tem rachas).
Se Muricy voltar e todos esses problemas forem solucionados, será que o Flamengo vai manter Paolo Guerrero. O centroavante peruano não está tão valorizado quanto outrora, mas ainda desfruta de popularidade no mercado e pode ficar ainda mais cobiçado se fizer boa Copa América. Ele é apenas um exemplo de atleta que combina situação instável no time atual e boa janela de exposição para buscar um trampolim de saída.
Há outros casos como Guerrero. Será que Gabigol, Lucas Lima e Ricardo Oliveira voltarão ao Santos? Se voltarem, será que encontrarão um time com pontuação suficiente para almejar boas colocações no Brasileiro? Será que os três entrarão em uma equipe voltada às primeiras posições ou terão de tirar o time alvinegro da parte inferior da tabela?
E o Corinthians? Será que Elias volta da Copa América? Será que Felipe vai embora (o zagueiro tem proposta do Porto)? Será que a diretoria encontrará reforços? Será que o time repetirá o elã encontrado em 2015 e arrancará após mudanças no elenco durante o certame?
Será que Paulo Bento emplacará no Cruzeiro? Será que ele terá tempo de incutir nos atletas da equipe mineira um pensamento de futebol tão distinto do que praticavam os antecessores? Será que a diretoria apostará nessa mudança?
E Marcelo Oliveira no Atlético-MG? Será que ele repetirá no time alvinegro o sucesso que teve no Cruzeiro? Será que poderá aproveitar a enorme lista de qualidades combinadas no elenco que a equipe montou no início de 2016? Será que terá nomes como Robinho e Lucas Pratto até o fim do ano?
Será que o Palmeiras de Cuca encontrará uma cara? Será que o treinador vitorioso poderá dar fim à instabilidade que tem marcado o elenco alviverde nas últimas temporadas? Será que a diretoria seguirá a sanha de mudanças e contratações?
Será que o Internacional de Argel manterá a aposta na molecada? Será que reforços contratados para este ano servirão como referências ou acabarão relegados como Alex? Será que Argel terminará a temporada?
Será que o mercado chinês levará mais gente? Será que aparecerão outros destinos possíveis na próxima janela de transferências? Será que Grafite seguirá liderando o Santa Cruz e funcionando como referência técnica?
Será que o campeonato terá uma média de gols tão baixa quanto a da primeira rodada? Será que as bolas morrerão tanto na rede quanto aconteceu na segunda rodada? Será que haverá uma evolução técnica?
O excesso de perguntas é esclarecedor em alguns aspectos. O Campeonato Brasileiro é imprevisível (também) porque sofre influência de uma enorme quantidade de fatores externos (calendário, interesse de times de fora, desvalorização da moeda, times quebrados, dirigentes sem convicção e afins). Mais do que irregular, o que nem sempre é sinônimo de um torneio emocionante.
O Campeonato Brasileiro é uma síntese de alguns dos problemas mais claros do futebol no país. Uma competição que não tem times consolidados, ídolos seguros ou propostas que sirvam como bases vive em constante crise de identidade. E comunicação sem identidade é sempre bem menos eficiente.
Esse Frankenstein chamado Campeonato Brasileiro é um torneio composto por várias pequenas fases. Vence o time que tiver mais estabilidade entre todo esse período, o que nem sempre representa a melhor equipe.
Depois da última temporada do Campeonato Inglês, muitas pessoas no Brasil questionaram sobre a possibilidade de um Leicester aparecer no país. Dada a bagunça, isso não é tão difícil. Pouco provável mesmo é surgir um time que tenha proposta definida, estilo acima dos resultados e compromisso com um estilo institucional, incluindo todas as áreas, bem comunicado a todos os integrantes do processo. Entre Leicester e Barcelona, não é difícil imaginar qual teria mais dificuldade para florescer na terra do futebol.

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A diferença entre gestor executivo e gestor de negócios

Os clubes de futebol estão mudando. Eles se veem diante de uma exigência de mercado: modernizar e profissionalizar a gestão para melhorar os setores de administração, finanças, marketing, negócios e comunicação. O sucesso nessas áreas, é claro, está subordinado ao sucesso na formação de jogadores e no rendimento do time. Normalmente, departamentos de futebol priorizam três áreas de gestão: a área política não profissionalizada e as áreas profissionalizadas técnicas e de saúde. Para o bom funcionamento, é necessário a interação e o acordo mútuo dessas três áreas.

A área política representa o vértice estratégico do clube. O colegiado do departamento de futebol é constituído sob a hierarquia presidencial, por um vice-presidente e seus diretores. O presidente determina o modelo de gestão, o perfil dos treinadores, a filosofia, a política de salários e de contratações, e as diretrizes básicas funcionais para o futebol. O relacionamento com a imprensa é tarefa da área política, para resguardar a imagem dos profissionais (treinadores, jogadores e outros) e os interesses políticos e administrativos do clube.

O gestor executivo deve ser o responsável pela comunicação entre a área política e as equipes de saúde, comissões técnicas e jogadores. Ele deve reger as relações internas e externas do departamento. Com ferramentas gerenciais, o gestor executivo deve promover a excelência competitiva na formação de jogadores e no desempenho do time principal.

O gestor de negócio tem outra função. A incorporação do futebol pelo mercado de entretenimento ampliou e diversificou as negociações envolvendo jogadores. Por isso, o gestor de negócios deve conhecer profundamente o mercado, e possuir uma rede de relacionamentos com olheiros, clubes e empresários. Além disso, ele deve ter dedicação exclusiva, sem acumular as funções da gestão executiva.

Na prática, por um lado, o gestor executivo, com as comissões técnicas, deve identificar as carências e determinar o perfil dos jogadores para contratação; por outro lado, o gestor de negócios, sem vínculo com as comissões técnicas, deve se relacionar com o colegiado político e participar da contratação de jogadores segundo as exigências do departamento de futebol.

Em linhas gerais, o gestor executivo deve instituir e manter padrões de excelência nos artifícios organizacionais, estruturais, funcionais e metodológicos para a promoção do futebol no clube. O gestor de negócios, por sua vez, deve ser o responsável por observações, prospecções, seleções e pelos lucros gerados nas transações de jogadores.

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Os campeões brasileiros e o desempenho nas fases iniciais do formato mata-mata

Sai ano e entra ano, a consolidação do sistema de pontos corridos no Campeonato Brasileiro recebe críticas de alguns dirigentes, comentaristas e torcedores saudosos dos tempos de mata-mata. Para alguns, o modelo anterior confere maior emoção à disputa pela sequência de jogos decisivos na fase final e por ampliar a quantidade de aspirantes ao título ao longo da competição.
Visando oferecer mais dados ao debate, um grupo de profissionais do esporte, alunos da 5ª Turma do curso de Gestão Técnica no Futebol da Universidade do Futebol, realizaram um levantamento sobre a era do mata-mata no Brasileirão e analisaram alguns pontos específicos:

  • Na fase inicial desses Brasileirões, como foram as campanhas das equipes campeãs?
  • O mata-mata, de fato, apresenta um incremento no número de candidatos ao título em relação à disputa por pontos corridos?
  • Durante o mata-mata, quantas e quais equipes viveram o “conto de fadas” de acabarem campeãs após participações tímidas na fase de classificação?

Os resultados que estão representados no infográfico abaixo permitem algumas conclusões específicas sobre o modelo antigo e o seu “senso de justiça”, se é que tal termo cabe em uma modalidade tão dinâmica como o futebol.
Conto de fadas
Em apenas quatro dos 32 campeonatos sob esse modelo, ocorreram os chamados “contos de fadas” – de uma equipe pouco cogitada, após a fase inicial, conquistar o título. Nessa categoria foram indicadas as equipes que terminaram a fase inicial de classificação com campanha inferior à 8ª colocação: Vasco (15º em 1974), Guarani (20º em 1978), Grêmio (16º em 1981) e Coritiba (16º em 1985). Corinthians (7º em 1990) e Santos (8º em 2002) também se aproximam desta categoria.
Domínio do G-4
Todavia, sabemos que nem só de casos especiais é feito o futebol. O levantamento permitiu observar que apesar de todo o discurso de mais imprevisibilidade do mata-mata em relação aos pontos corridos, a equipe de melhor campanha na fase inicial se sagrou campeã do certame em 31,25% dos campeonatos entre 1971 e 2002. A porcentagem se torna ainda maior e mais relevante quando se observa que mais de dois terços dos campeões (68,75%) tiveram uma campanha de G-4 na fase de classificação.
Camisa pesada e influência “do eixo”
Outros aspectos muito debatidos nas calorosas conversas sobre pontos corridos x mata-mata envolvem uma suposta influência do eixo Rio-São Paulo nos confrontos decisivos. Por seu papel preponderante junto à mídia e à CBF, os clubes desses Estados seriam supostamente favorecidos pela atuação de uma pressionada arbitragem em detrimento à uma maior qualidade de adversários fora do eixo. Flamengo (com seus cinco títulos) e Vasco (com quatro títulos), de fato, são os maiores vencedores sem terem feito a melhor campanha na fase de classificação – o que, claro, não significa algum tipo de benefício pela atuação da arbitragem em jogos decisivos. Para alguns, tais números representam o peso da camisa.
Seja você um defensor da regularidade dos pontos corridos ou um apaixonado pelos jogos finais decisivos do formato anterior, os dados mostram que uma campanha de qualidade é fundamental para a equipe se sagrar campeã. No mata-mata, é claro, o bom desempenho na reta final é fundamental para o título, enquanto nos pontos corridos não há distinção da importância dos pontos conquistados na primeira ou na última rodada.
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*Alunos da turma V do curso Gestão Técnica no Futebol

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Representatividade

Todo torcedor tem na cabeça um modelo do que espera ver de seu time em campo. É uma projeção baseada em uma série de preceitos individuais, como memória afetiva e ideal pessoal de jogo, mas essa utopia também leva em consideração o DNA da própria instituição. O futebol é só um exemplo de ambiente em que vários caminhos podem desencadear vitória ou derrota. Em casos assim, mais do que o resultado, é fundamental pensar no percurso.
A Europa tem exemplos extremamente burilados disso. O Barcelona não joga apenas para ser campeão, mas para impor um estilo. O Arsenal desenvolveu com o técnico francês Arsène Wenger um modelo característico, e isso se sobrepõe a resultados. O Real Madrid nunca vai ser tão horizontal quanto essas equipes e nunca vai abrir mão de atletas que tenham relevância midiática.
Não há projetos tão claros no Brasil, mas também pesam no país a história e o perfil dos times. A expectativa de um torcedor do Grêmio é radicalmente diferente do que espera alguém que gosta do Cruzeiro ou da utopia de um adepto do Santos. Tudo tem a ver com o que essas pessoas projetam. Tudo tem a ver com representatividade.
Nesse sentido, a Fifa deu um passo importantíssimo na última sexta-feira (13), quando anunciou a senegalesa Fatma Samba Diouf Samoura como nova secretária-geral da entidade. Uma mulher negra e africana agora ocupa o segundo cargo na hierarquia da principal entidade do futebol mundial. O mesmo posto que até outro dia era de Jérôme Valcke, francês branco, elitista e de comportamento misógino.
Samoura tem mais de duas décadas de experiência em programas da ONU (Organização das Nações Unidas) e está extremamente alinhada com os desafios que a Fifa terá nos próximos anos. É uma mulher com vivência em aspectos como inclusão social, igualdade de gênero e desenvolvimento de políticas voltadas à disseminação do esporte.
A escolha também é uma demonstração de boa vontade da Fifa com um novo tempo. A entidade ainda vive a sombra de uma avalanche de escândalos que derrubaram Joseph Blatter, antigo presidente, e o próprio Valcke. Dirigentes que eram poderosos até outro dia, como o brasileiro José Maria Marin, foram presos por crimes de gestão e agora tentam se explicar à Justiça.
Gianni Infantino, eleito neste ano para comandar a Fifa, não é um personagem alheio a tudo isso. O suíço também enfrenta acusações do período em que trabalhava na Uefa, entidade que comanda o futebol europeu, e já tomou medidas controversas na após ter sido alçado à presidência da instituição global. Mudanças de estatuto aprovadas também na última sexta-feira deram a ele poderes que nem Blatter tinha e acabaram com a independência nas investigações sobre a gestão da associação.
Todos esses aspectos criam grandes interrogações sobre Infantino, mas a nomeação de Samoura é uma decisão extremamente salutar. No mínimo é uma demonstração de que a Fifa está realmente preocupada com visões que extrapolem os pontos de vista da classe que sempre comandou a entidade.
Samoura podia ter outros concorrentes igualmente competentes, mas a escolha da senegalesa para o cargo abre para a Fifa uma nova perspectiva. Isso é fundamental numa entidade representativa, que abarca interesses tão distintos e antagônicos.
Porque assim como na composição do time ideal ou na escolha de um modelo ideal de jogo, não há apenas uma forma de gerir uma entidade. A Fifa pode escolher diferentes caminhos para o que considera ser o futebol do futuro, e todos eles podem render bons resultados. O que é relevante, no caso da escolha da secretária-geral, não é nem discutir se ela é a pessoa mais competente ou mais indicada para o cargo: nesse episódio, o que conta é a possibilidade de uma pessoa que representa minorias tão oprimidas na história do esporte possa participar de discussões sobre o futuro e influenciar o debate.
É (também) por isso que a discussão sobre representatividade é tão relevante sobre o governo federal. O ministério escolhido pelo vice-usurpador Michel Temer não tem nenhum negro e nenhuma mulher, fato que não acontecia desde a gestão do militar Ernesto Geizel (1974-1979).
Temer também acabou com as secretarias das Mulheres, da Igualdade Social e dos Direitos Humanos, que foram absorvidas pelo Ministério da Justiça e da Cidadania.
A redução dos custos do funcionalismo público é uma discussão extremamente pertinente, é verdade. A competência das pessoas escolhidas para comandar os destinos do país também deve ser condição primordial. Contudo, essas duas decisões mostram orientações preocupantes (para dizer o mínimo) sobre representatividade.
Sem querer estabelecer comparações, mas um governo, assim como um time ou uma federação, tem diferentes caminhos possíveis. É justo imaginar de diferentes formas a condução ideal de um país. No entanto, a visão que um grupo homogêneo de pessoas oferece está longe de ser suficientemente plural.
Um homem branco, heterossexual e criado com boas condições socioeconômicas está longe de entender o que é fazer parte de uma minoria oprimida. Também passa distante de qualquer conhecimento sobre o que é ter necessidades sociais que sejam coletivas e que tenham natureza balizada apenas por um comportamento social histórico.
A Fifa pode não mudar depois da nomeação de Samoura, mas ao menos terá em seu corpo diretivo uma perspectiva diferente. Isso nos abre possibilidades extremamente positivas de pensar em novos direcionamentos para a entidade. O governo federal do Brasil, infelizmente, preferiu uma guinada ao passado. E à pior parte do passado, (também) no sentido de representatividade.

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As 322 finalizações do Audax no Paulistão 2016

Uma das permanentes discussões durante os jogos de futebol se refere à produtividade da posse de bola. Se, por um lado, devemos ter ciência que, estatisticamente, a maioria dos gols acontecem em processos ofensivos com até 5 passes (o que aparentemente torna insensato manter a posse de bola em excesso), por outro, também devemos saber que quanto menos passes certos e mais bolas longas em disputa menores serão as chances de vitória (o que também torna insensato desfazer-se da bola em ações que o jogo apoiado se oferece).
De acordo com o Footstats, site de estatísticas especializada em futebol, a equipe do Audax, marcada pelo predomínio quase que absoluto da posse de bola perante seus adversários, foi a que mais finalizou no Campeonato Paulista em 2016. No site estão registradas 120 finalizações certas e 185 finalizações erradas, totalizando 305 finalizações.
Utilizando uma planilha de Controle de Finalizações, já disponibilizada na Universidade do Futebol em uma outra oportunidade (clique aqui para ler a coluna), todas as finalizações do Audax também foram contabilizadas pela comissão técnica ao longo dos 19 jogos, considerando:
a- Atleta que finalizou
b- Local da finalização
c- Tempo de jogo
d- Característica da jogada que originou a finalização
e- Produto final da finalização
A partir do registro feito pela Comissão Técnica, o total de finalizações contabilizado foi de 322 (147 no 1ºT e 175 no 2ºT), com média de 16,95 por jogo e que na coluna desta semana serão discriminadas:
gráfico 2
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Gráfico 4 Gráfico 3
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
gráfico 1
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Número de finalizações por origem da jogada
Ataque Rápido/Ataque Posicional – 138 (42,86%)
Contra Ataque – 62 (19,25%)
Arremesso Lateral – 11 (3,42%)
Escanteio – 16 (4,97%)
Falta Frontal – 39 (12,11%)
Falta Lateral – 6 (1,86%)
Jogada Individual – 6 (1,86%)
Pênalti – 6 (1,86%)
Rebote/Interceptação – 38 (11,8%)
Gráfico 5
gráfico 6
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Número de gols por origem da jogada*
Ataque Rápido/Ataque Posicional – 12 (37,5%)
Contra Ataque – 7 (21,88%)
Arremesso Lateral – 0
Escanteio – 1 (3,13%)
Falta Frontal – 1 (3,13%)
Falta Lateral – 0
Jogada Individual – 0
Pênalti** – 6 (18,75%)
Rebote/Interceptação*** – 5 (15,63%)
*Os gols de pênalti e rebote/interceptação também devem ser analisados quanto à origem da jogada prévia ao gol. É mais um indicador para a estabelecer os padrões de finalização da equipe.
**origem dos gols de pênalti: 3x ataque rápido/posicional; contra ataque; jogada individual; falta lateral
*** origem dos gols de rebote/interceptação: 4x contra ataque; falta frontal
Foram 32 gols marcados pela equipe comandada por Fernando Diniz na competição, o que significa um aproveitamento de 9,94% dos chutes ou 1 gol a cada 10,06 chutes. A relação dos gols por origem das finalizações é a seguinte:
Gráfico 7

Cada equipe assume uma determinada forma de jogar. É função da Comissão Técnica identificar se a forma adotada tem aproximado a equipe das vitórias.

Com base nos dados apresentados e no conhecido Modelo de Jogo do Audax , como você avalia o padrão de finalizações e a eficiência apresentada?
Me escreva e vamos ao debate! Antes disso, assista a todos os gols do Audax na competição:

Abraços e até a próxima!
 

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Liga Universidade do Futebol – CartolaFC

Liga Universidade do Futebol – Oficial – CartolaFC

A Universidade do Futebol acaba de criar uma liga no CartolaFC, participe dessa disputa! Os 3 primeiros colocados, conforme o regulamento abaixo serão premiados, leia o regulamento e saiba mais!

REGULAMENTO PROMOÇÃO CARTOLA FC
LIGA UNIVERSIDADE DO FUTEBOL – OFICIAL

O presente regulamento tem a finalidade de disciplinar a promoção oferecida aos participantes da Liga do Cartola F.C, que é organizada pela Rede Globo (Globo Esporte) e promovida pela Universidade do Futebol Ltda, pessoa jurídica de direito privado inscrita no CNPJ sob o n.º 14.914.272/0001-01, estabelecida à Rua Cel. Boaventura Mendes Pereira, 283 3º andar, CEP: 13.201-801 – Vila Boaventura – Jundiaí – São Paulo, telefone n.º (11) 2709-2335, sendo aberta à participação de pessoas físicas, devidamente inscritas no site do globo Esporte, com usuários registrados, com exceção das pessoas excluídas neste regulamento.

 Regras

    1.  Só será possível a concessão de um desconto promocional por cadastro (CPF).
    2. O desconto promocional, uma vez concedido, é pessoal e intransferível.
    3. Somente os cursos considerados “pockets” (carga horária até 30 horas) poderão ser escolhidos como primeiro prêmio pelos participantes (não poderá ser escolhido o Curso de Gestão Técnica ou qualquer outro que exceda 30 horas). O desconto referente ao segundo e terceiro colocados, será válido para qualquer curso da Universidade do Futebol.
    4. Os funcionários da Universidade do Futebol não são elegíveis ao desconto promocional oferecido na Promoção da Liga Universidade do Futebol – Oficial do Cartola F.C.
    5. Os alunos que estão realizando algum curso da Universidade do Futebol, regularmente matriculados até a divulgação desta política, não são elegíveis as regras e condições ora ofertadas para o curso que realiza. Alunos que tenham estudado algum curso na Universidade do Futebol e que realizaram trancamento de suas matrículas ou desistiram do curso sem solicitação formal de cancelamento, não são elegíveis as regras e condições ora ofertadas. Já os alunos que cancelaram formalmente sua matrícula até 12/05/2016 são elegíveis as regras e condições ora ofertadas, desde que cumpram os critérios de elegibilidade descrito no item 2 desta política e não possuam débito ou inadimplência com a Universidade do Futebol.
    6. Para fazer jus ao benefício do desconto promocional a matrícula deverá ocorrer obrigatoriamente para começar o curso até o final de 2016 (31 de dezembro de 2016).
    7. O desconto promocional (segundo e terceiro prêmio) incidirá sobre o valor “cheio” do valor do curso, ou seja: sobre o valor total sem considerar quaisquer descontos.
    8. O desconto promocional (segundo e terceiro prêmio) não será cumulativo com quaisquer outros benefícios oferecidos pela universidade.
    9. O desconto Promocional (segundo e terceiro prêmio) não acumula com qualquer outra condição especial (ação comercial/promocional) e bolsa de estudos.
    10. Os beneficiários dos prêmios não terão, sob nenhuma hipótese, condições acadêmicas privilegiadas.
    11. Caso um mesmo ganhador esteja novamente entre os primeiros colocados de outro mês, ele poderá receber o prêmio. Contudo, a premiação não é acumulativo.

Critérios de Seleção e Percentual do Desconto Promocional

Os prêmios serão oferecidos somente para os participantes que se inscreveram na Liga do Cartola F.C (Globo.com) criada pela Universidade do Futebol (LIGA UNIVERSIDADE DO FUTEBOL – Oficial). Para concorrer e participar desta Promoção, além dos candidatos participarem desta Liga, deverão ter as 3 melhores pontuações no ranking da Liga mensalmente.

Esta campanha é válida somente para inscritos na Liga UNIVERSIDADE DO FUTEBOL – OFICIAL no período do Campeonato Brasileiro 2016 ( de 14/05/2016 até 04/12/2016), observados os critérios abaixo:

No final de cada mês (entende-se o ultimo dia do mês as 23:59) os 3 melhores colocados do ranking de participantes/times, terão direito aos prêmios abaixo detalhados.

Tabela com os percentuais do desconto promocional

Pontuação mensal Desconto
1º colocado100%*
2º colocadoR$ 200,00
3º colocadoR$ 100,00

*Somente válido para cursos “pockets” (de carga horária de até 30h).

O percentual de desconto irá variar de acordo com a pontuação do participante, conforme tabela acima.

Obtenção do prêmio

Para receber o prêmio, o participante deverá entrar em contato com a Universidade do futebol através do email contato@universidadedofutebol.com.br

Cancelamento / Desistência / Trancamento / Abandono

O cancelamento, desistência ou trancamento do curso não exime o aluno beneficiado da responsabilidade de comunicar a interrupção dos estudos por escrito e formalmente à Instituição. Ocorrendo qualquer uma das hipóteses acima listadas ou, ainda, ocorrendo o abandono do curso, o desconto promocional será cancelado automaticamente.

Prazo

Esta política entra em vigor a partir da data de publicação da promoção em nossas redes sociais.

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San Francisco Deltas inaugura o futebol profissional no Vale do Silício

O Vale do Silício, região da Califórnia mundialmente conhecida como pólo de inovação e tecnologia, agora tem a sua startup de futebol profissional: o San Francisco Deltas. A partir de 2017, o clube disputará a NASL, North American League Soccer, disputada entre outros clubes pelo Fort Lauderdale Strikers, da qual Ronaldo Fenômeno é sócio, e do histórico New York Cosmos, clube que já teve em seu plantel Pelé e Beckenbauer.
Como toda startup da região, o SF Deltas nasceu com uma estrutura enxuta, um time de executivos visionários e com aporte de investimento oriundos da indústria da tecnologia.
Antes de contratar comissão técnica e os atletas, os dirigentes do clube foram às ruas. A primeira missão foi escutar a comunidade, apresentar suas ideias, a filosofia do clube e colher os feedbacks. Assim, constituíram a torcida antes do time, “a verdadeira alma e o sangue de um clube”, segundo Brian Andrés Helmick, CEO da equipe.
Com a adesão crescente, o Deltas mobilizou seus fãs, conquistaram uma audiência com a Prefeitura de San Francisco e obtiveram a autorização para uso do estádio municipal como a casa do clube.
Somente com a torcida e o estádio assegurados, o clube anunciou a contratação do brasileiro José Carlos Brunoro, ex-dirigente do Palmeiras e um dos fundadores do Audax, como Diretor de Futebol.
A relação com a comunidade, a inovação e a transparência estão no DNA. Medidas como a participação permanente dos torcedores nas decisões e a reserva de 30% dos assentos com preços populares atraíram muitas pessoas, de diversas nacionalidades, que vivem no Vale do Silício.
Por mais de uma hora, a Universidade do Futebol conversou com exclusividade com o CEO do Deltas, Brian Andrés Helmick, colombiano de 39 anos, e com o Diretor de Comunidade, Ricardo Geromel, brasileiro de 28 anos, irmão do zagueiro do Grêmio, Pedro Geromel. Ambos estão radicados há vários anos nos EUA, país em que cursaram o ensino superior e se uniram na paixão pelo futebol. A entrevista com a dupla foi realizada por Skype, direto do escritório do SF Deltas em San Francisco, Califórnia.
Universidade do Futebol: O que motivou dois latinoamericanos a montarem um clube de futebol nos EUA e não na América do Sul, por exemplo, na Colômbia ou no Brasil?
Brian Andrés Helmick: Nossos países tem essa paixão, tem um nível muito mais alto campo, mas como organizações não tem a mesma transparência que os EUA. O que queremos fazer aqui é aproveitar as melhores práticas dos dois mundos. Vamos trazer do Brasil, da Colômbia, da América Latina, essa paixão, essa alegria. O jogo que a gente tem é o jogo bonito, o jogo mais emocionante, queremos trazer isso para cá.
E aqui temos transparência. Aqui pagam os jogadores sempre em dia. Imagina essa inovação? (risos) Pagam conforme o combinado. Isso é uma prática do mercado americano.
Um aspecto aqui do Vale do Silício é a tecnologia. A gente pode trazer uma inovação tecnológica relevante. Somos uma startup do futebol: tem o lado do campo, tem o lado da operação e tem o lado da tecnologia. Queremos criar coisas e compartilhar para melhorar o esporte no mundo todo. Lembre que estamos na região que empresas que começaram na garagem, hoje valem bilhões de dólares.
Não temos essa visão de que América Latina é ruim, EUA é bom. Vamos trazer o melhor desses mundos e incorporar tudo isso aqui no SF Deltas.
UdoF: Quais aspectos tornam o futebol um bom investimento nos EUA em geral e no Vale do Silício em particular ?
Andrés: Primeiro, a consciência do americano em termos de futebol. Faz décadas que a molecada joga futebol o tempo todo, mas quando chegam na adolescência não existem ídolos que consolidem o público para vida adulta. E nos outros esportes já possuem vários heróis, como o basquete, futebol americano, beisebol e isso muda a preferência dos jovens. A internacionalização do futebol europeu ajudou também. Aqui tem muita molecada com camiseta do Messi, do Cristiano Ronaldo. Isso fez crescer o interesse permanente pelo futebol.
Melhorou bastante o acesso ao futebol. Tanto físico quanto virtual. Antigamente era muito difícil chegar ao local dos jogos. San Francisco é pequena mas não é fácil de você transitar. Agora com Uber e outros aplicativos ficou muito mais acessível. Tornou-se muito mais fácil transportar pessoas para o estádio.
E a forma como dá pra acompanhar o jogo, os atletas, o treinador, por conta do Facebook, do Twitter, coisas que temos há cerca de 5, 7 anos, ajudam muito. Isso gera mais aproximação e mobilização.
Conseguimos que 1,5 mil pessoas mandassem cartas de apoio ao SF Deltas e 200 pessoas tirassem folga no trabalho para apoiar o projeto na demanda pelo estádio junto à prefeitura.
UdoF: Como surgiu o San Francisco Deltas?
Andrés: Já tive uma empresa de tecnologia aqui no Vale, que foi bem sucedida e a vendi em 2014. Um investidor, que havia me apoiado na empresa anterior e nos tornamos bons amigos, me procurou para me convencer sobre a oportunidade de começar um time de futebol profissional em São Francisco. Como já havia sido investidor sabia que não podia deixar a paixão pelo futebol atrapalhar minhas decisões. Todo investidor corre o risco de se apaixonar pelo projeto e não perceber que determinadas coisas são inviáveis.
Comecei a avaliar e vi que dos cinco clubes mais ricos do mundo pela Forbes três eram de futebol: Real Madrid, Barcelona e Manchester United. Os outros dois são os Yankees do Beisebol e os Cowboys do Futebol Americano. Só que você seguindo essa lista vai ver que dos 50 times de maior valor, 42 ficam nos EUA. Incrível pensar que um país só tem tantos times nessa lista. Os EUA são um país enorme e tem o maior mercado de esportes do mundo, só que destes 42 times nenhum é de futebol. Como o maior esporte do mundo não tem perfil alto no maior mercado de esportes do mundo?
Quis entender porque as tentativas de clubes de futebol aqui (na Califórnia) não deram certo. As razões principais, na minha opinião, são falta de investimento adequado, profissionalismo dos projetos e entender bem a cidade em que vai montar o clube.
Assim, entramos com o olho bem aberto sobre o quanto precisavámos de dinheiro. Depois, demonstramos profissionalismo ao público. E era importante identificar que 40% da população de San Francisco nasceu fora dos EUA. A proporção é parecida com Nova Iorque. Mas Nova Iorque tem 20 milhões de habitantes, San Francisco 850 mil. Então precisamos conhecer essa diversidade, as diferenças culturais, conhecer o mercado que iríamos investir.
Em São Francisco é possível, ao contrário de Nova Iorque, buscar de verdade essas pessoas, conhecer os espaços delas. Temos mercado colombiano, brasileiro, inglês, indiano. Nossa estratégia tem que ser diferente. Um fã de cada vez. Se você olhar o vídeo da audiência, o que me faz chorar, é ver indiano, chinês, filipino, minha mãe estavá lá, brasileiro, tem um pouquinho de tudo. Tem gay, tem hetero, tem mulher, tem homem, tem velho, tem novo. Esse é o nosso esporte. É por isso que o futebol é um esporte global.
UdoF: Qual o papel do torcedor e a relação com a comunidade, estabelecidos como um dos pilares do SF Deltas?
Andrés: Torcedores são o coração, o sangue do clube. Sem eles o futebol não é nada. Não adianta ter todo dinheiro do mundo, ganhar todos os jogos: sem os fãs não somos nada.
Não acredito, sinceramente, que somos nós que fundamos o clube, nesse escritório. É um projeto da torcida. Sou fundador no sentido de colocar a primeira semente, não quer dizer coloquei toda a grana e nem que fiz tudo sozinho. A audiência na Prefeitura é uma demonstração de que o Deltas não é meu ou do Ricardo. Os torcedores mostraram que é nosso. Sem eles não teríamos conseguido o estádio.
Entender como é a nossa cidade, as suas diferentes comunidades é muito importante. No dia do lançamento do nosso projeto contamos com a presença do prefeito de San Francisco. Aqui já temos os campeões de Beisebol, os Giants, temos os campeões de basquete, os Warriors, agora queremos os campeões Deltas no futebol.
Na Colômbia a comunidade do futebol é muito homogênea. Todo mundo fala espanhol, é católico e gosta de dançar salsa. Aqui não. É como se tivéssemos um encontro das Nações Unidas no estádio, fazendo uma coisa linda.
O interessantes dos nossos torcedores é que tem gente de todo tipo. Tem o cara que vendeu a empresa dela por meio bilhão de dólares, temos vários latinoamericanos que trabalham duro pelo seu sustento. E o mais legal de tudo é que as pessoas estão virando amigas por conta do Deltas. A gente quer ser campeão, com certeza, mas estamos fazendo mais que isso aproximando a comunidade.
UdoF: Por isso a política de ingressos populares?
Andrés: Na Colômbia, o cara mais rico e o cara mais pobre podem ir no estádio e ver o mesmo jogo. Aqui nos EUA, os ingressos “baratos” são muito caros. Então, o que a gente fez é separar 30% do nosso estádio para ingressos com desconto. Vão ser baratos, mas baratos de verdade.
Penso inclusive que deveriam ser para as pessoas que tem três trabalhos, as que trabalham muito, e que muitas delas, são pessoas da America Latina, lutando, lutando, lutando.
A gente está fazendo uma coisa para todos os níveis sócio-econômicos. O esporte é uma coisa que dá pra esquecer, às vezes, das partes difíceis da vida. Então, vai parecer um pouco espiritual, mas nós estamos pensando na alma do nosso clube, que sao os nosso fãs.
É aquilo de ter dois ouvidos e uma boca. Escutar e escutar. As pessoas pediam: “escolham um nome que dê para gente pronunciar”. Tem nomes de times nas ligas que não dá para quem fala português ou espanhol falarem. Deltas é perfeitamente pronunciável em inglês, espanhol, português. Na maioria das línguas é fácil pronunciar.
Estamos trabalhando de uma forma em que as pessoas normalmente não levam a esse nível do detalhe. Nunca saiu da minha cabeça ou do Ricardo. Os fãs são nossos chefes. Os torcedores são os nossos donos, eles dizem para gente fazer e fazemos.
UdoF: Que tipo de inovações tecnológicas o SF Deltas vai apresentar?
Andrés: Tem um monte de coisa mas vamos implementando aos poucos. Queremos trabalhar também com a realidade virtual. Em Stanford tem um laboratório dedicado à realidade virtual, o Virtual Human Interaction Lab. Conheci o professor responsável, fiz vários módulos e é incrível. Temos que trazer isso para melhorar o treinamento do jogador, mas também para os torcedores. Todos nós sonhamos em ser jogador de futebol. Com a realidade virtual podemos levar o torcedor ao vestiário, ao lado do goleiro, do zagueiro, ver o treinador motivando os atletas. É incrível.
Vamos inserir a inteligência artificial para a compra dos ingressos, para você escolher não só onde você senta, mas com quem você senta. Numa cidade como San Francisco é muito importante por conta da diversidade. Eu sou colombiano, mas também falo inglês, espanhol e português, gosto do Millonários mas também gosto do Real Madrid. Você tem várias conexões com diferentes mundos e às vezes você quer sentar com um grupo, às vezes com outro. Essas coisas podem ser facilitadas com tecnologia.
Os fãs estão sendo chamados a votar tipos de food truck teremos no Estádio. Certo que teremos hamburguer, pizza, mas perguntamos aos brasileiros, vocês não gostariam de pão de queijo? Aos mexicanos, vocês não querem tacos?
UdoF: Como é a relação com o poder público? Existem incentivos e apoio do governo local?
Andrés: O poder público não gasta um centavo. Todo o investimento do Deltas é privado. Agora que conseguimos a autorização para uso do Estádio, após audiência na Prefeitura, conseguiremos aumentar o número de pessoas na equipe, buscar patrocinadores, já que vamos começar a jogar em 2017.
UdoF: Qual o perfil dos investidores?
Andrés: Analisamos e buscamos investidores a partir de 4 filtros. 1) Tem que ser pessoas que conhecemos de verdade, não apenas superficialmente. A maioria das pessoas conheço há mais de 10 anos e uma há mais de 20;
2) Pessoas inteligentes que vão agregar valor ao projeto, não apenas dinheiro;
3) Tem que amar o esporte;
4) Por fim, o que acho o mais importante, tem que ser pessoas do bem. Não bem sucedidas, pessoas do bem no sentido de boas de coração.
Com esses 4 filtros conseguimos reduzir muito o número de pessoas. Já que não é todo mundo que é do bem e eu conheço. Com os latinos eu ficava à vontade de acordo com o último filtro. Os americanos ficavam nervosos quando falavámos de emoções. (risos)
UdoF: Vocês pretendem investir no futebol de base e feminino?
Andrés: Agora que conseguimos nosso estádio, começamos a encaminhar as questões da montagem do futebol. (José Carlos Brunoro foi contratado como Diretor de Futebol). Em termos de base e futebol feminino eu adoraria.
A mentalidade americana de futebol é uma cidade, um time. Um modelo diferente do nosso. Na Colômbia você tem um monte de times, um estádio compartilhado com vários times. Queremos trabalhar com essa mentalidade colombiana, brasileira, essa mentalidade colaborativa do Vale do Silício.
Já nos encontramos com vários times amadores de San Francisco, nos apresentando, e falamos com 50 mulheres, líderes dos times de futebol feminino. Nosso sonho é dividir o estádio com pelo menos mais dois clubes, um feminino e um masculino. Seria o máximo.
UdoF: O que inspira o trabalho de vocês?
Ricardo: Uma coisa que nos inspira é que, primeiro, quando rola a bola todo mundo esquece que é Brasil, Colômbia, Chile, Equador, EUA. Todos se unem na língua do futebol. Segundo, estamos acompanhando o sucesso do Audax. Que coisa incrível. Um futebol assumindo riscos, um futebol inovador e o resultado vem. Não vem instantaneamente, mas mantiveram a filosofia deles.
Realmente é de tirar o chapéu o que eles vem fazendo. E a inovação que vamos trazer talvez não seja 100% criada por nós. A gente vai pegar o melhor daqui, o melhor dali e misturar, por um tempero local do Vale para fazer uma coisa especial.

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A utilização das práticas colaborativas pode fazer a diferença

Fazer uma gestão efetiva de projetos significa maior agilidade, mais dinâmica e prontidão. No caso do futebol, falamos de sócios, torcedores, patrocinadores, atletas, mas não podemos esquecer também de associações de classe e, porque não, da comunidade do entorno.
No meu último texto falando sobre Governança (leia abaixo), comentei sobre a necessidade de uma entidade norteadora e reguladora para dar suporte a todo o processo do Profut.
Pois bem, foi criada a Autoridade Pública de Governança do Futebol – APFUT decreto 8.642 para o fim de regulação e controle.
Mas creio que além da regulação, o ponto mais importante seria a capacidade de conduzir, ou seja, capacitar em boas práticas, para que o resultado seja rápido, simples e padronizado, o que me parece não é o foco principal do órgão criado.
Com esta necessidade batendo as portas das entidades de práticas desportivas, inclusive as federações, urge a necessidade de serem criados vários projetos de adequação e desenvolvimento, e como dito no meu texto anterior, fica cada vez mais claro a necessidade de se controlar estas iniciativas através de projetos.
Para os dirigentes e administradores dos clubes, vejo que é fundamental não só participar do processo e conhecer as características em uma visão macro de todos os projetos, mas inclusive poder priorizá-los e aprová-los.
Por esse motivo creio que seja importante enfatizar uma das fases do ciclo de vida do projeto, qual seja a iniciação e definição do escopo. A elaboração e iniciação de um projeto é a fase de levantar e organizar informações sobre a iniciativa, consolidar os envolvidos, validar entendimentos de escopo, custo, qualidade, riscos e prazo.
Nesta fase, e anteriormente no Planejamento Estratégico, é possível e recomendável utilizar metodologias e métodos “colaborativos”, como o Design Thinking, o SWOT, o IDM, CANVAS, SMART e outras, para que um novo olhar seja utilizado para endereçar problemas complexos. Usar as ferramentas “Colaborativas” é uma maneira de não só envolver e discutir o problema, mas, principalmente, a participação na solução de todos os envolvidos. Conectividade.
O produto a ser concebido nesta Fase é chamado de TAP ou Termo de Abertura do projeto, onde são especificados, dentre outros, a situação atual e a justifica para o projeto, os objetivos e critérios de sucesso, as principais entregas e prazos, partes interessadas, restrições, premissas, risco e orçamento.
Percebam que a sugestão se adequa para os dirigentes e tomadores de decisão a estarem capacitados somente neste contexto, o que reduz consideravelmente o tempo, todo o restante do ciclo de vida do projeto ou a sua Gestão poderia e deveria ser levado adiante por profissionais com o perfil adequado de gerenciamento.
Na minha opinião creio que exista uma grande oportunidade na qualificação e transferência de conhecimento para a formação de conteúdos sobre medida para as necessidades destas entidades.
APFUT – http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2016/Decreto/D8642.htm
IDM – http://pt.slideshare.net/criaviva/resumo-da-metodologia-idm-innovation-decision-mapping
Meu texto da Governança – https://universidadedofutebol.com.br/governanca-corporativa-a-proxima-fronteira/
CANVAS – https://pt.wikipedia.org/wiki/Business_Model_Canvas
Design Thinking – https://pt.wikipedia.org/wiki/Design_thinking
Meu texto de SWOT – https://universidadedofutebol.com.br/pensar-antes-de-agir/
SMART – http://ogerente.com/congestionado/2007/02/27/objetivos/