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As novas concepções da periodização dos treinamentos no ciclo de curta duração no futebol brasileiro

Se antes privilegiávamos a especialização a tal ponto que as paredes de cada área se tornavam intransponível, pouco a pouco com as novas concepções de treinamentos, amparadas no diálogo, na descoberta, na subjetividade, na cooperação, na criatividade, na consciência dos princípios e estratégias do jogo, novos ares começam a circular no ambiente futebolístico. A consideração das condições ambientais, da imprevisibilidade das situações do jogo, do contexto sociocultural, do modelo de jogo, das relações interpessoais, das estratégias de decisão, dos espaços e da percepção futebolística – todos esses aspectos são relevados pela concepção científica: sistêmico – ecológica .
A gestão dos treinamentos no futebol leva em conta os diferentes momentos na formação do jogador. Engloba o gerenciamento de métodos, conteúdos (exercícios), objetivos, procedimentos e recursos para preparar o jogador da etapa de formação até a elitização  – sempre, é claro, adaptado a idade biológica, a maturação, ao potencial genético, ao calendário das competições e ao estado de treinamento.
Os treinamentos são estruturados em dois ciclos de quatro anos. No primeiro ciclo os objetivos e conteúdos são direcionados para jogadores com idade cronológica entre 12 e 15 anos. O segundo ciclo para jogadores com idade cronológica entre 16 e 19 anos. O jogo de futebol não pode ser inteiramente planejado. Mas o treinamento pode, e deve. A planificação dos treinamentos para a formação do jogador de futebol a médio e longo prazo exige seleção, previsão, organização, decisão  e sistematização de conteúdos.  O propósito geral é levar o jogador de futebol a chegar a um alto nível de rendimento, com o alcance gradual de objetivos específicos, diferenciados para cada etapa do processo de treinamento.
Quando o jogador chega aos times de elite, os planos de treinamentos são orientados para uma temporada. Muitas vezes, os times são conduzidos por duas ou três comissões técnicas diferentes, em um mesmo ano.
2.  A periodização anual no ciclo de curta duração
No período de um ano, os treinamentos de futebol devem dar conta das categorias quantitativas, qualitativas e sistêmicas relacionadas com a interação de todos os conteúdos. Se a periodização for pautada apenas em uma categoria ou em um conteúdo, os treinos perdem a concepção unitária; tornam-se fracionados. A periodização da concepção científica: sistêmico – ecológica engloba o sentido de totalidade, considera as diferenças e valoriza as singularidades. Ela também conecta os conteúdos de treinamentos com o pensamento, desconsidera a estandardização de métodos e normas, estimula o diálogo externo e interno, respeita as identidades culturais e individuais.
As diferenças comportamentais dos jogadores, nos times de elite, restringem a padronização coletiva de objetivos, conteúdos e normativos de carga, para a promoção do rendimento individual. A idade dos jogadores pode oscilar até entre 17 e 42 anos. Em uma extremidade estão os jogadores com uma larga experiência motora- funcional, em outra, jogadores em fase de transição (entre o final da preparação de base e o inicio do elevado rendimento competitivo). Estes desníveis indicam que as etapas de desempenho, o estado de treinamento, e as reservas de treinamento são desiguais, de um jogador para outro. Quando os parâmetros de cargas (volume e intensidade) e os conteúdos dos treinamentos são dirigidos do mesmo modo para todo o grupo, o progresso de desempenho individual, especialmente dos jovens jogadores, é limitado. Embora os treinamentos sejam contínuos, as cargas não são sistematizadas e os estágios de adaptações são instáveis. Por esta razão, no cenário do futebol brasileiro existem muitos jogadores de elite, que apresentam deficiências técnicas, táticas e físicas primárias, algo muito complexo para um time encontrar um padrão de jogo e alcançar a excelência competitiva em uma única temporada.  Surge daí a necessidade de treinamentos individualizados, que muitas vezes, não estão incluídos na rotina dos treinos da periodização anual. Fato este que tem levado muitos jogadores de elite a contratar especialistas em treinamentos personalizados para complementar e reforçar o rendimento individual.
Não existe a uniformização de formas e metodologias para a periodização, uma vez que a configuração dos treinos leva em conta as concepções dos treinadores, o perfil comportamental dos jogadores e os objetivos da temporada – sempre, é claro, adaptada ao contexto político organizacional do clube e ao calendário anual dos campeonatos. Os princípios dos treinadores devem ser claros e objetivos, esclarecedores sobre o modelo de jogo e como os jogadores devem atuar. Sempre respeitando as peculiaridades do clube e da competição, interligado ao contexto cultural. De nada adianta realizarmos planejamentos burocráticos mirabolantes e aplicarmos modelos avançados de interação de treinamentos físicos, técnicos e táticos, se não considerarmos os componentes ambientais, estruturais, comportamentais, relacionais e emocionais dos jogadores, do time, do clube e da competição. Como assinalamos, treinar é proporcionar efetivamente aprendizado para provocar mudanças comportamentais.
A periodização é um mecanismo didático e pedagógico que divide os treinamentos em unidades temporais para alcançar objetivos pré-estabelecidos e conquistar resultados. É estruturada por períodos e ciclos, segue uma ordem lógica e apresenta uma distribuição não linear de categorias e conteúdos integrados ao longo da temporada.
É essencial que o processo de treinamento produza, entre os jogadores, adaptações utilitárias, consciência e mecânica organizacional, demandas físicas objetivas, o conflito temporário, a prioridade pelo coletivo, hábitos e padrão de jogo – sem sacrificar as potencialidades individuais -, a inquietação pelas tarefas realizadas com insucesso, a compreensão e a análise crítica do jogo. Os jogadores devem estar preparados para pensar e dialogar sobre a mecânica e a estratégia do jogo e encontrar alternativas junto aos treinadores para o melhor rendimento coletivo.
A repetição sistemática dos conteúdos técnicos e táticos deve provocar adaptações para alcançar os comportamentos pretendidos. Predominam os treinamentos adaptativos – específicos com alternâncias dos espaços, duração e intensidade.
Os treinamentos devem estar norteados por modelos de comportamentos individuais e coletivos e, um sentimento comum de responsabilidade, para a realização de tarefas  e tomadas de decisões nas diferentes situações do jogo. Nos times, o coletivo e o individual se complementam: há interdependência. O individual não desaparece, ele expressa o coletivo.
Com base no calendário anual do futebol brasileiro e nos princípios estruturais dos treinamentos do futebol, determinamos a periodização com os limites temporais em três fases:
Fase de treinamentos de base – Período de pré-temporada 
Fase de treinamentos de acumulação – Período de competição  
Fase de treinamentos específicos – Período de competição 
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2.1. Fase de treinamentos de base – Período de pré-temporada
O período de pré-temporada, também conhecido como fase de treinamentos de base, corresponde ao período mais curto do planejamento anual no futebol brasileiro. Compreende quatro ciclos semanais no mês de janeiro. Neles predominam os treinamentos de formação geral.
No início do primeiro ciclo semanal são realizadas as avaliações fisiológicas e físicas. Uma vez concluídas, as comissões técnicas com o suporte do setor de fisiologia, analisam os resultados das avaliações e definem os objetivos basilares para a elaboração e a organização dos treinamentos.
As avaliações fisiológicas e físicas são dividas em quatro grupos:
Saúde: ECG de esforço, ecocardiograma, exame ortopédico (com avaliação por imagem), exame bioquímico completo: exame de sangue, perfil lipídico, provas hepáticas, provas renais, perfil hormonal, tireóide, eletrólitos, glicemia, hepatite e sífilis.
Funcional: composição corporal, percentual de gordura, percentual de massa muscular, avaliação metabólica (em esteira), VAM – velocidade aeróbia máxima, FC máxima.
Testes de Campo: flexibilidade, agilidade, velocidade, potência membros superiores e inferiores, resistência anaeróbia, potência aeróbia, índice de fadiga.
Controles de treinamentos durante a temporada: durante os treinos e jogos, os jogadores são monitorados individualmente por meio do GPS para controlar a distância percorrida, zonas de velocidade, pico de velocidade, número de acelerações e a extensão total dos sprints; após os jogos (entre 36 e 48 horas) são realizados os controles de CK e ureia; os exames bioquímicos completos são realizados de 3 em 3 meses; o percentual de gordura e massa muscular mensalmente; antes e após os treinos é aferido o peso e a percepção subjetiva do estado físico; dor e esforço pós treino.
Os especialistas em treinamento esportivo destacam a importância da especificidade das avaliações em relação à demanda fisiológica, tanto nas questões metabólicas quanto nas questões mecânicas. Frequentemente são utilizados aparelhos tecnológicos, como foto-células, analisador de gases, sistema por telemetria para o controle de diferentes variáveis. Para determinar o perfil fisiológico do jogador são utilizados os resultados dos testes, validados cientificamente e armazenados em um banco de dados, em escalas percentílicas.
Uma vez realizadas as avaliações e os dados analisados, os ciclos dos treinamentos de base passam a abranger prioritariamente a integração de duas categorias de treinamentos: de caráter quantitativo e de caráter qualitativo. A categoria de treinamentos quantitativos abarca os conteúdos estruturais, funcionais e adaptativos específicos. Enquanto as de caráter qualitativo, predominam os conteúdos técnicos e táticos. Essas categorias não existem em estado fragmentado e isolado.
O jogador de futebol depende da base de desenvolvimento de todas elas – de forma individual e combinada – para alcançar, nas outras etapas dos treinamentos, um desempenho que possa ser considerado ideal. Essa dependência está relacionada a uma composição bastante complexa, uma vez que demasiados conteúdos têm influência na especificidade das ações do jogo.
Nesta fase, ocorrem treinamentos físicos, técnicos e táticos. Os treinamentos físicos de base atendem às exigências estruturais indispensáveis para a continuidade das cargas de treinos e de jogos ao longo da temporada. Enquanto, os treinamentos técnicos e táticos possibilitam, ao time e aos jogadores, iniciar as adaptações interativas para a construção de um modelo de jogo.
Estes ciclos representam o marco inicial de um procedimento cumulativo de cargas, que se estende durante a temporada. Nos dois primeiros ciclos semanais, os turnos dedicados ao incremento dos parâmetros físicos, têm como objetivo a tolerância de cargas. As intensidades são médias e os volumes aumentados.
O componente físico que produz um desempenho diferenciado nas ações individuais do jogador de futebol é a potência – que não constitui uma qualidade independente, mas é resultado da influência mútua dos fatores genéticos e de outras qualidades básicas. Para atingir a potência, é necessário desenvolver a força combinada com a aceleração, e transferi-las para chutes, arranques, giros, antecipações, saltos e mudanças de direção.
Consideremos que a aceleração e a força representam um diferencial físico nas ações técnicas do jogador de futebol: para atingir um nível elevado e manter a continuidade desse domínio nos jogos e nos treinamentos, é necessária, nesta fase, a mobilização de energia anaeróbia (fibras rápidas, tipo II a) e de resistência muscular. Os treinamentos de força e resistência estrutural passam a oferecer sustentáculo para a realização e a continuidade dos esforços de curta duração, elevada velocidade, baixa concentração de lactato e inúmeras repetições.  Estes treinamentos são fundamentais para tolerar um número expressivo de esforços explosivos e para acelerar os processos de recuperação. Os treinamentos de base são mais volumosos e menos intensos, orientados para adequar as adaptações biológicas às exigências das competições.
2.2. Fase de treinamentos de acumulação – Competição
O período de competição, que inicia após a pré-temporada, é constituído por duas etapas, estruturado de formas distintas. A primeira compreende os treinamentos acumulativos: em 6 a 8 semanas, são realizados entre 10 e 14 jogos competitivos. Compreende as fases classificatórias dos campeonatos estaduais, a fase seletiva da Copa do Brasil ou Copa Libertadores da América. Os treinadores reforçam, neste período, o processo de construção do modelo de jogo idealizado para o time, e exercita entre os jogadores as competências perceptivas, motoras e decisionais, com a mesma intensidade de carga estabelecida nos jogos competitivos. O período de acumulação apresenta como característica principal a implantação do treinamento continuado e integrado dos componentes técnicos, táticos, estratégicos, relacionais, físicos e mentais.
2.3. Fase de treinamentos específicos – Competição 
Por sua vez, o período de competição com treinamentos específicos abrange de 36 a 38 semanas, em que são realizados de 48 a 60 jogos competitivos. Compreende as fases finais dos campeonatos estaduais, os Jogos da Copa do Brasil, o Campeonato Brasileiro, a Copa Libertadores da América e o Campeonato Sul Americano. Esse período é marcado por acumulação de jogos, aumento da intensidade dos esforços específicos, variações da densidade em relação à alternância do volume. Não existe a progressão linear de cargas e, os treinamentos são realizados com velocidade e intensidade com variabilidade dos normativos de carga ao longo do ano.
Após os jogos, as demandas fisiológicas são acentuadas e diferenciadas devido à maximização integrada de esforços específicos (aumento do volume e da intensidade dos esforços), ao ambiente e à pressão emocional. Os controles fisiológicos passam a ser essenciais para regular as cargas dos treinamentos, minimizar o aumento excessivo dos índices de fadiga, e impedir a síndrome do super-treinamento. Nos dias pós-jogos, as cargas são reduzidas e a sessão de treinamento passa a ter um caráter regenerativo.
Por definição, o treinamento regenerativo é um processo que engloba atividades de baixo volume e baixa intensidade. Combinado a alternativas nutricionais, esse método promove a reparação tecidual, aumenta a reposição das reservas energéticas e equilibra o organismo para os treinamentos subseqüentes.
Nos micro-ciclos com um jogo semanal, são realizados, pós- jogos, uma unidade de treinamento regenerativo, e na continuidade treinamentos técnicos e táticos que gerem adaptações específicas: físicas, técnicas, táticas, estratégicas e organizacionais. Independente da mobilização dos conteúdos no aprimoramento da qualidade dos esforços específicos, os treinamentos também são utilizados para manter o nível de resistência das cargas  e para reduzir os déficits técnicos e táticos da organização coletiva do time. Os micro-ciclos com um jogo semanal acrescentam conteúdos e estímulos para o aumento dos parâmetros competitivos, uma vez que o reduzido número de treinamentos do período de pré-temporada não oferece reservas de treinamento, sustentação à continuidade e à exigência dos esforços específicos requeridos ao longo da temporada anual.
Nos micro-ciclos com dois jogos semanais, são realizados, pós jogos, duas unidades de treinamentos regenerativos e na continuidade são orientados treinamentos técnicos e táticos com a finalidade de gerar adaptações técnicas, táticas, relacionais e organizacionais específicas. Os treinamentos são organizados em volume e intensidade para manter o equilíbrio das adaptações componentes físicos e motores.
No período de competição os treinamentos técnicos e táticos têm, como o objetivo principal, apurar a mecânica de jogo. Predominam nas unidades de treinamentos a qualificação dos setores: defesa, meio campo e ataque. São sistemáticos e contínuos os exercícios que incluem as saídas de bola, posse de bola, inversão de bola, transições de jogo, coberturas ofensivas e defensivas, defesa posicional, movimentações rápidas e agressivas, contra- ataque, ataque posicional, bola parada ofensiva e defensiva.  Treinos ofensivos sem a presença de adversários, jogos semi-estruturados com transição para o ataque ou transição para a defesa, e jogos coletivos. Treinos defensivos com o posicionamento dos jogadores em situações diversificadas, cobertura defensiva, pressão na bola do adversário, bola parada exercitando a movimentação e o posicionamento dos jogadores.
Nos micro-ciclos, com um jogo semanal, deve predominar de forma continua e gradual esforços intermitentes nos treinamentos técnicos e táticos que marcam o modelo e jogo. Exemplo: pequenos jogos com marcação pressão (esforços de alta intensidade, duração curta e recuperação passiva). A continuidade dos esforços intermitentes provocará melhora da eficiência biomecânica, da coordenação gestual, da potência aeróbia, do controle motor, retardo na aparição da fadiga central, e maior recrutamento das fibras musculares de contração rápida.
Na fase final das etapas de aquecimento, são adicionados de modo alternado, exercícios coordenativos complexos, exercícios de força dinâmica, exercícios de saltos e exercícios de aceleração e frenagem.
3. Período de férias – Fase de transição
O período de transição no futebol brasileiro se estende por 4 semanas e é iniciado após o término do período competitivo de 42 semanas – que traz consigo, naturalmente, um número extenuantes de jogos e viagens. Os jogadores, durante este longo período, são expostos a estresses físico e mental, cumulativos ao longo da temporada anual. Portanto, a finalidade central deste período de transição é o restabelecimento das condições físicas e mentais dos jogadores através do repouso ativo. Nesta fase, o ideal é que o futebolista evite qualquer tipo de rotina nos primeiros quinze dias, uma vez que, durante a temporada, as atividades foram rigorosas e repetidas, com acúmulos de treinamentos, viagens, jogos, concentrações, entrevistas, autógrafos, cerimônias e outros. É vital conscientizar o jogador sobre a importância de se praticar atividades diversificadas com regularidade e espontaneidade. Ao longo do repouso ativo, ainda, é necessário que se mantenha um determinado equilíbrio entre os deleites das férias (alimentação, bebidas, festas) e os exercícios físicos praticados de forma voluntária e prazerosa.
Na sequência, durante a segunda quinzena do período de transição, os futebolistas devem seguir um programa de treinamento elaborado pelo setor de preparação física, tendo em vista um adiantamento nos treinamentos de base. Durante esta quinzena, também devem ser evitados programas rígidos de atividades físicas.
Jogadores que cessam os exercícios físicos no período de férias, e tornam-se inativos abruptamente, podem sofrer sérias alterações orgânicas, como distúrbios digestivos, falta de sono, perda ou ganho excessivo de peso, irritabilidade e alterações no humor. O destreinamento provoca significativas perdas das adaptações adquiridas na temporada anterior.
Eis um fato irrecusável: o período da pré-temporada é reduzido e, o período competitivo, extenso. O jogador de futebol tem de levar isso em conta – e, consequentemente, deve se manter ativo nas férias. Uma redução acentuada no estado de treinamento, durante o período de transição, pode dificultar a adaptação no início da temporada e comprometer todo o ano competitivo, inclusive a continuidade da carreira do jogador. A instabilidade do estado de treinamento também se reflete na motivação e na autoestima, e traz algumas consequências conhecidas: as lesões tornam-se mais frequentes, o jogador se sente menos seguro e com maiores dificuldades para interagir com o restante da equipe.
Nesse contexto, as concepções da linha de treinamento científica:  sistêmico – ecológica se valem dos princípios gerais dos treinamentos e de indutores cognitivos, associados aos programas motores genéricos para inserir nos planos de treinamento, uma didática que contribua para a conscientização da autogestão dos treinamentos e dos hábitos de vida.

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Media Training aplicado a executivos de futebol

A comunicação é peça chave para quem busca a excelência na gestão e nos processos das organizações, pois auxilia na condução de suas políticas para que as empresas transmitam e transpareçam exatamente o que gostariam de levar a seus públicos.
No futebol, a repercussão de assuntos que envolvem um jogo, começa muito antes da partida e termina muito depois dela. Rádios, canais de televisão, jornais e redes sociais são abastecidos diariamente com informações sobre clubes, equipes, competições e declarações dos principais atores deste ambiente, como jornalistas esportivos, gestores, treinadores, atletas e torcedores.
Como porta vozes dos clubes, os profissionais esportivos precisam de preparação para entender o trabalho da imprensa e poder transmitir informações aos torcedores da melhor maneira possível. Empresas de diferentes mercados adotam o media training (treinamento de mídia) e preparam seus porta vozes para momentos importantes e delicados que necessitem de declaração pública em veículos de comunicação. No futebol, esta necessidade é evidente pelas assíduas manifestações dos representantes clubísticos e pelo enorme consumo de informações pelos torcedores.
A tarefa de comunicar no mercado futebolístico brasileiro, onde as informações são transmitidas a todo momento por diversas fontes nem sempre confiáveis, exige um trabalho específico da área de comunicação para que os responsáveis possam pensar e agir de maneira estratégica na gestão da marca, minimizando as variáveis negativas e reforçando as positivas.
Nas assessorias de comunicação dos clubes de futebol, a área de assessoria de imprensa ganha maior evidência por trabalhar diretamente com o departamento de futebol profissional e, consequentemente, com a alta administração, intermediando os contatos oficiais do clube na mídia. Para isso, representantes institucionais precisam de preparo prévio para entenderem o trabalho da imprensa e enfrentarem momentos delicados onde a comunicação oficial será essencial para o esclarecimento da situação e pró atividade na gestão da imagem do clube.
Atualmente o media training pode ser considerado uma ferramenta de comunicação essencial às empresas, pois proporciona maior conhecimento do ambiente jornalístico, a fim de preparar da melhor maneira possível quem tem a necessidade e a responsabilidade de se comunicar com o público através da imprensa. Além de capacitar qualquer tipo de profissional a se comportar adequadamente diante de uma entrevista individual ou coletiva, o treinamento permite o entendimento das melhores linguagens corporais, ou seja, como se vestir, como se postar e em que tom falar com o entrevistador. Ao mesmo tempo, orienta o profissional sobre quais informações devem ou não ser ditas em público, como fazer declarações, de que maneira se pode lidar com uma crise de imagem ou marca, etc. Esclarece também sobre o melhor momento para se falar em público e, em casos específicos, que tipo de veículos escolher para conceder uma entrevista.
Empresários, artistas, políticos, jogadores de futebol, executivos, todos eles exercem atividades que os tornam personalidades públicas e visadas pela imprensa. Mas estes profissionais não são necessariamente hábeis comunicadores ou desenvoltos em frente a um microfone, câmera ou gravador. E, como ainda não se inventou nenhum meio melhor do que a mídia para aparecer, crescer, valorizar sua marca ou imagem, torna-se imprescindível um treinamento para construção de um bom relacionamento com a imprensa.
Pode se considerar que o executivo de futebol possui papel estratégico no planejamento dos clubes. Contudo, esta função lhe abastece de informações que aguçam a curiosidade de jornalistas e torcedores. O media training utilizado como ferramenta de auxílio a estes profissionais acaba por gerar um produto de maior qualidade para ambos os envolvidos (imprensa e gestores).
A partir da preparação destes profissionais para o relacionamento com a imprensa, a reportagem, entrevista ou mesmo coletiva de imprensa, se torna mais profissional, direta e com uma linguagem de acordo com a mídia utilizada. E, por consequência, a resposta do representante institucional também segue uma linha coerente, fugindo das famosas frases prontas do ambiente futebolístico.
Dessa maneira evita-se desastres na comunicação e preserva-se a imagem da equipe, comissão técnica, do próprio executivo e do clube, que cada vez mais se preocupa com a comunicação e relacionamento com seus stakeholders.
O futebol demanda cada vez mais de profissionais capacitados para que a sua profissionalização como modalidade esportiva seja alcançada em sua plenitude.
É neste momento que a capacitação destes profissionais para comunicação institucional pode fazer a diferença. Uma postura pró ativa, com mensagens claras e de forma técnica em momentos de crise pode facilitar o trabalho da imprensa na transmissão destas informações a sociedade e auxiliar diretamente a compreensão do público da situação ocorrida e a conduta institucional frente ao caso. Da mesma forma que profissionais capacitados através do media training podem representar de maneira eficiente suas instituições, a falta desta capacitação pode ser considerada de alto risco num ambiente onde o contato direto com a imprensa acontece a todo o momento.
Com este entendimento, não só considera-se a prática do media training como essencial aos executivos de futebol, como acredita-se que a sua aplicação a estes representantes institucionais seja um importante passo rumo a profissionalização definitiva dos clubes de futebol.

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Discurso de unidade

Não foi apenas pelos resultados recentes que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) escolheu Tite para ser o sucessor de Dunga, demitido após a fracassada campanha da seleção brasileira na Copa América Centenário. Os donos de cinco títulos mundiais caíram ainda na primeira fase, em um grupo em que Equador e Peru avançaram, e só conseguiram balançar as redes na partida contra o Haiti. O novo técnico da equipe nacional tem histórico extremamente prolífico nas temporadas em que comandou o Corinthians, é verdade (venceu um Paulista, uma Recopa Sul-Americana, uma Libertadores, um Mundial e dois Brasileiros em duas passagens, entre 2011 e 2015). O que os dirigentes que comandam o futebol em âmbito nacional buscaram nele, contudo, não foi desempenho: antes de ser uma proposta técnica ou uma solução para o rendimento da seleção, Tite é uma forma de abraçar o discurso de unidade.
Além de ter sido artífice de um período extremamente vencedor no Corinthians, Tite forjou imagem de profissional ilibado e comprometido. A despeito de não ter entrado em campo e de não ter protagonizado lances decisivos, transformou-se no grande símbolo dessa era e se tornou ídolo da torcida alvinegra. Emerson Sheik fez os gols que definiram a conquista da Copa Libertadores de 2012 e Paolo Guerrero definiu a vitória sobre o Chelsea na partida que valia o título mundial do mesmo ano, mas nenhum deles, por diversos motivos, desfruta do mesmo status do treinador.
Tite também se destaca por ter pouca rejeição. Construiu grande parte da carreira entre times do Rio Grande do Sul, São Paulo e Minas Gerais. Mesmo nas ocasiões em que foi demitido, saiu sem ter a imagem extremamente desgastada. Nas últimas temporadas de Corinthians, agregou a consolidação de um estilo respeitoso e até de reverência em relação a rivais. As pessoas podem até não gostar do estilo do técnico, mas é difícil acusá-lo de menosprezo ou de posturas polêmicas.
Foram muitas as facetas do seu trabalho no Corinthians. O time competitivo de 2011/2012 e a equipe brilhante da temporada passada, tiveram erros em proporções parecidas – escolha de atletas, categoria de base preterida, benevolência com erros e insistência com peças e formações, por exemplo. No entanto, o técnico deixou marcas que contribuíram para sua imagem: conseguiu blindar o vestiário, ganhou o respeito de diferentes grupos de atletas, sobreviveu a reformulações mal planejadas, forjou o desenvolvimento individual de uma série de jogadores e evoluiu.
Por todas essas características, incluindo a educação no trato com jornalistas e rivais, o respeito conquistado durante anos de trabalho e a evolução em aspectos técnicos e táticos, Tite era a única opção para a CBF. Se ele dissesse não, a entidade teria de substituir Dunga por outro nome com alto índice de rejeição e encontraria mais dificuldade para amainar o ambiente na seleção.
O Brasil é hoje o sexto colocado nas Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo de 2018, que será disputada na Rússia, e apenas os quatro primeiros têm vaga assegurada no torneio – o quinto ainda pode se classificar via repescagem. O trabalho do novo técnico não é simples: recuperar a autoestima do grupo, reincorporar jogadores desprezados por Dunga, recobrar a relação entre seleção e torcida e, formar um time capaz de chegar ao Mundial. Isso sem contar a criação de um ambiente positivo com os atletas – o antecessor dele tinha problemas de relações pessoais e já não funcionava como um líder incontestável.
O treinador tem na seleção um desafio profissional praticamente inigualável: se vencer, subirá a um patamar de idolatria em âmbito nacional; se perder, terá justificativas como a falta de talentos ou o início ruim de trabalho sob a gestão de Dunga. A escolha, contudo, não podia ser mais respaldada. A CBF buscou a unidade ao elegê-lo para o cargo
Além disso, Tite se preparou para o cargo. O treinador sempre deixou claro que almejava trabalhar na seleção e vinha fazendo o possível para estar pronto quando o convite aparecesse – ele esperava ter sido chamado em 2014, depois da Copa do Mundo, quando a CBF preferiu Dunga.
Ao contratar o treinador, portanto, a CBF faz um apelo à popularidade dele. É uma tentativa de resgatar o apoio do público à seleção e ao menos reduzir a crise de imagem vivida pela equipe nacional nos últimos anos. Para fazer isso, a entidade aposta num profissional carismático, defendido pela massa e com pouca rejeição, mas também entrega uma mensagem subliminar de valorização do trabalho e da preparação para as oportunidades.
Se souber usar isso, o treinador desfrutará de uma autonomia que ninguém tem no posto desde Luiz Felipe Scolari na seleção pré-Mundial de 2002. Na época, o dilema era parecido: a seleção acumulava crise de identidade e resultados ruins, e a CBF atravessava momento político conturbado – Ricardo Teixeira, presidente no período, convivia com denúncias e estava fragilizado, situação que também emula o panorama atual de Marco Polo del Nero. Felipão usou o influxo e conseguiu liberdade em aspectos como planejamento, convocações e metodologia.
A presença de Edu Gaspar, que era gerente de futebol do Corinthians e servirá como elo entre Tite e a diretoria da CBF, sugere que o técnico também conseguiu algum respaldo. O ex-jogador pode ser um preposto ou um representante em assuntos políticos. Assim, além de isolar o trabalho de campo, evitaria um contato mais próximo entre o comandante e dirigentes – Tite assinou em dezembro, é bom lembrar, um manifesto pedindo a saída de Del Nero e de toda a atual cúpula da CBF.
Até por isso, Tite perdeu uma chance de fazer história. Ele teria dado um recado incrível se renunciasse ao cargo e anunciasse ter feito isso em nome das questões políticas da CBF. Mas esse era apenas um caminho e não, necessariamente, o mais eficiente. Se tiver autonomia e tempo, o treinador pode promover mudanças em aspectos concernentes a seu trabalho – o campo, a postura dos atletas e o orgulho da seleção, por exemplo.
Ter confiança no caráter de seus superiores é sempre o cenário ideal, evidentemente, mas não é sempre a única solução (infelizmente, diga-se). É possível trabalhar com pessoas que tenham posturas discutíveis, desde que isso não contamine suas escolhas ou prejudique sua autonomia. O ambiente é uma influência relevante, é claro, mas não é tudo. Dizer coisas como “todo político é corrupto”, “todo mundo é corrupto em determinada empresa” ou “trabalhar para tal pessoa é ser conivente com as ações dela” é um reducionismo perigoso e ignora noções extremamente pessoais.
É lícito que Tite tenha o sonho de dirigir a seleção brasileira e é justo que ele imagine ter algo a contribuir com o futebol nacional. É perfeitamente compreensível que ele entenda que estar dentro é a melhor forma para isso. Desde que exista liberdade de trabalho, é claro.
Por isso o discurso de unidade é tão importante agora. Tite não é apenas uma aposta diferente para o comando técnico da seleção brasileira, mas uma chance de mudança real na equipe e no futebol nacional. Basta saber se ele e as pessoas que comandam o esporte local saberão aproveitar isso.

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Zagueiro ‘diferente’, filho de cartola do Inter faz curso e desafia clichê

Um jogador de futebol não precisa apenas treinar, comer e dormir. Um zagueiro pode fazer mais do que simplesmente rebater e dar carrinho. Giordano Piffero, 22, acredita nisso. Filho de Vitorio Piffero, presidente do Internacional, ele foge do estereótipo do boleiro e defende um perfil de atleta diferente.

Com passagem pela base do Inter, Vasco, Juventude e Beira-Mar, de Portugal, ele recém-chegou ao Tubarão, de Santa Catarina. E lá aposta em uma arrancada na carreira.

“Como as pessoas pensam que o jogador só joga, curte pagode e tudo mais no clichê, eles botam os jogadores na vala comum. Falam que o jogador é burro, mas está mudando. Tem muita gente procurando se qualificar. Eu procurei também”, conta Giordano.

Nos últimos meses, ele fez curso de Gestão Técnica no Futebol, na Universidade do Futebol, e completou a licença C nos cursos para formação de treinadores da CBF. No currículo ainda está a faculdade de administração, ainda incompleta.

“Existe um preconceito com jogador que vem de classe diferente, que teve uma condição maior. Mas isso nem me incomoda mais”, comenta. “Estou em um clube que olha o perfil todo do atleta, não só os atributos no campo e entendo que isso significa um ótimo momento para a minha carreira”, completa.

Até os 15 anos, Giordano praticava outro esporte: o tênis. O início tardio no futebol, em relação à maioria dos outros jogadores, rendeu uma defasagem na evolução da carreira. Apesar da diferença, o zagueiro é elogiado pela capacidade técnica e leitura de jogo.

Em Santa Catarina, ele assinou contrato até o final do ano. O Tubarão inicia no próximo mês a disputa da segundona estadual e Giordano, vê uma chance de decolar.

“O projeto do clube aqui é muito bom. Estou mais maduro também”, aponta Giordano. “Muitas vezes é difícil se destacar como jogador. Não depende só de ti, mas de um todo maior”, acrescenta.

 

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A visão de um líder

O técnico Tite até então comandante do Corinthians, concedeu uma entrevista para a Universidade do Futebol falando sobre a necessidade de capacitação profissional, para atletas e área técnica, dentro do futebol.

Para o treinador Corinthiano, a maior qualificação que um bom profissional tem que ter nos dias de hoje, é encontrar virtudes técnicas, físicas e, inclusive de inteligência de jogo, para que assim ele possa perceber em qual função o jogador se adaptará e trará resultados esperados, tanto para o clube quanto para si mesmo.

O novo técnico da Seleção Brasileira acredita que as duas maiores ferramentas que impulsionam o futebol é o tempo e a virtude. Na entrevista realizada em 2012, veremos o porque Tite é considerado um dos maiores treinadores do Brasil.

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Reveja a entrevista.
[youtube https://www.youtube.com/watch?v=_fbGEYS-KLo]

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Zagueiro 'diferente', filho de cartola do Inter faz curso e desafia clichê

Um jogador de futebol não precisa apenas treinar, comer e dormir. Um zagueiro pode fazer mais do que simplesmente rebater e dar carrinho. Giordano Piffero, 22, acredita nisso. Filho de Vitorio Piffero, presidente do Internacional, ele foge do estereótipo do boleiro e defende um perfil de atleta diferente.
Com passagem pela base do Inter, Vasco, Juventude e Beira-Mar, de Portugal, ele recém-chegou ao Tubarão, de Santa Catarina. E lá aposta em uma arrancada na carreira.
“Como as pessoas pensam que o jogador só joga, curte pagode e tudo mais no clichê, eles botam os jogadores na vala comum. Falam que o jogador é burro, mas está mudando. Tem muita gente procurando se qualificar. Eu procurei também”, conta Giordano.
Nos últimos meses, ele fez curso de Gestão Técnica no Futebol, na Universidade do Futebol, e completou a licença C nos cursos para formação de treinadores da CBF. No currículo ainda está a faculdade de administração, ainda incompleta.
“Existe um preconceito com jogador que vem de classe diferente, que teve uma condição maior. Mas isso nem me incomoda mais”, comenta. “Estou em um clube que olha o perfil todo do atleta, não só os atributos no campo e entendo que isso significa um ótimo momento para a minha carreira”, completa.
Até os 15 anos, Giordano praticava outro esporte: o tênis. O início tardio no futebol, em relação à maioria dos outros jogadores, rendeu uma defasagem na evolução da carreira. Apesar da diferença, o zagueiro é elogiado pela capacidade técnica e leitura de jogo.
Em Santa Catarina, ele assinou contrato até o final do ano. O Tubarão inicia no próximo mês a disputa da segundona estadual e Giordano, vê uma chance de decolar.
“O projeto do clube aqui é muito bom. Estou mais maduro também”, aponta Giordano. “Muitas vezes é difícil se destacar como jogador. Não depende só de ti, mas de um todo maior”, acrescenta.
 
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Conversando sobre “a lógica do jogo de futebol”…

Olá amigos!
Após um pequeno tempo ausente, retorno aqui para mais uma discussão, em cima do seguinte questionamento: qual é a lógica do jogo de futebol? Bom, como sempre, vale lembrar que a ideia não é conceituar (até porque alguns autores já o fizeram em um espaço muito maior que este). A ideia é debater, provocar, refletir, pensar, conversar…
Buscando algumas referências na literatura, encontraremos autores dizendo que há uma lógica comum a todos os jogos desportivos coletivos. Outros dirão que o futebol tem uma lógica interna específica. Alguns defenderão que cada equipe tem (conscientemente ou não, bem estruturada ou não) sua própria lógica interna de jogo, e que uma equipe deve procurar fazer prevalecer sua própria lógica. Encontraremos muitas informações relacionadas também às maneiras de cumprimento da lógica do jogo de futebol a partir do conhecimento e utilização de suas regras, princípios e referências norteadoras. Recomendo a busca de autores franceses (Gréhaigne), portugueses (Garganta, Castelo) e brasileiros (Scaglia, Leitão, Freire, Daolio) para aprofundar os detalhes conceituais desta questão.
Conversando informalmente com algumas pessoas que transitam no meio futebolístico, fiz a pergunta tema desta coluna, solicitando uma resposta simples de um parágrafo (eu sei, o tema é complexo, mas o fiz de propósito). A ideia era que as respostas viessem de um sistema cognitivo de fácil acesso – responda aquilo que lhe vem na cabeça espontaneamente e de imediato. Foram interessantes respostas. Sem querer generalizar, encontrei algumas ideias similares (na minha interpretação, que fique claro), outras nem tanto. As respostas mais comuns foram “a lógica do jogo de futebol é fazer mais gols do que o adversário” ou “vencer o adversário”. Outros disseram que a lógica do jogo está relacionada com fazer o gol com o menor esforço possível, ou ainda, com o menor número de ações possíveis, ou chegar ao gol de maneira mais óbvia e efetiva. Também ouvi que a lógica do jogo está relacionada aos caminhos que levam ao cumprimento do objetivo do jogo (este sim seria fazer mais gols do que o adversário), e outra muito interessante também, onde a lógica do jogo está diretamente relacionada ao prazer em jogar. Este rápido levantamento não tem cunho científico, era apenas uma busca informal por padrões de respostas imediatas.
Mas para que discutir sobre a lógica do futebol? Seja a lógica interna ao jogo de futebol ou comum a todos os jogos, interna à equipe, relacionada aos meios de cumprir o objetivo do jogo, relacionada ao prazer em jogar, devemos conhecê-la no nosso ambiente para buscar o acesso ao bom jogo. Entre os vários motivos para isso, vou me atentar apenas a dois aqui neste espaço. O primeiro deles é, a partir do conhecimento da lógica do jogo, ter um norte para modulação do treino. Cada sessão de treino, cada detalhe, cada atividade, deve ter como norte a melhora no cumprimento da lógica do jogo, seja ela qual for. Por exemplo, se para efetuar a lógica do jogo devemos fazer mais gols que o adversário, é pertinente sabermos, entre outras várias coisas, como acontece a maioria dos gols no jogo de futebol – regiões de finalizações, melhores regiões e momentos para recuperação da posse, estruturação de espaço para aumentar as chances de fazer o gol, entre outros – e assim estimularmos isso no dia a dia. Outro motivo para conhecermos a lógica do jogo é termos uma diretriz para avaliação do trabalho, e as ferramentas que serão utilizadas para mensurar a performance da equipe.
Conhecer a lógica do jogo e preparar-se adequadamente para seu cumprimento não garante a vitória, infelizmente, por conta de um pequeno detalhe: a imprevisibilidade. Mas sem dúvida, nos aproxima de jogar de maneira bem elaborada e estar mais perto da conquista dos nossos objetivos. A ideia não é simplesmente definirmos a lógica do jogo, até porque simples ela não parece ser. A ideia é pensar, discutir, questionar.
Proponho o seguinte exercício para finalizar. Como sua equipe (que você treina, que você torce) ou a equipe adversária, ou ainda, alguma equipe qualquer de alto nível busca cumprir a lógica do jogo? Que elementos você consegue reconhecer e relacionar com o cumprimento da lógica? Aguardo sua resposta. Escreva para rafael@universidadedofutebol.com.br e vamos debater!
Um grande abraço e até a próxima!

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Quando as pessoas não falam a mesma língua

Kaká fez tratamento médico intensivo para estar na Copa do Mundo de 2010 com a seleção brasileira; em 2016, um dia antes de ser cortado da Copa América Centenário, viajou com outros jogadores da equipe nacional para assistir ao jogo entre Golden State Warrios e Cleveland Cavaliers na decisão da liga profissional de basquete dos Estados Unidos (NBA). Neymar, capitão e principal referência técnica do elenco (ainda) comandado por Dunga, não comprou briga com o Barcelona para estar na competição disputada em solo norte-americano; enquanto o time canarinho era eliminado ainda na primeira fase após derrota para o Peru, o camisa 10 curtia férias e festejava em Las Vegas.
Foram seis as dispensas da seleção brasileira antes da Copa América (além de Kaká, Dunga perdeu Douglas Costa, Ederson, Luiz Gustavo, Ricardo Oliveira e Rafinha). Neymar nem chegou a ser convocado – a comissão técnica priorizou os Jogos Olímpicos, e o Barcelona não liberaria o atacante para as duas competições.
Lesões, desgaste mental, calendário e outros aspectos que podem ter influenciado nos cortes são assuntos recorrentes para qualquer seleção no atual momento da temporada. Não é essa a discussão sobre o time brasileiro: especificamente falando do elenco montado para 2016, o que chama atenção é o distanciamento de objetivos.
E aqui, sem querer parecer oportunista, existe um problema de comunicação nevrálgico no trabalho de Dunga. Ao contrário do que aconteceu no ciclo anterior do treinador na seleção – ele trabalhou no time nacional entre 2006 e 2010 –, o grupo atual não “comprou” o discurso do comandante. Os exemplos são grandes, como Kaká ou Neymar (que estavam totalmente dentro do direito deles, diga-se), ou pequenos, como jogadores que não se encaixaram no que o comandante imaginou para o funcionamento coletivo da equipe.
Porque sim, a crise da seleção brasileira passa diretamente por um problema de comunicação. Isso não é uma simplificação – existe um problema maior, que passa pela estrutura do futebol nacional e que inclui toda a cúpula da falida CBF (Confederação Brasileira de Futebol), mas um aspecto relevante na lista é a dissociação entre o discurso do treinador e as atitudes de seus atletas.
Antes de 2010, Dunga conseguiu moldar um elenco que cumpria suas determinações táticas com a mesma voracidade com a qual assimilava a ideia de grupo que o treinador tinha fora de campo. Esse elã não se repetiu em momento algum na atual jornada. Independentemente da lista de convocados ou da equipe disposta em campo, o Brasil não conseguiu repetir a formação de um elenco orgânico e disposto a representar os pensamentos de futebol e de mundo de seu criador.
Isso passa, é claro, por alterações na comissão técnica. O Brasil de Dunga na passagem anterior tinha Jorginho como auxiliar técnico. Hoje treinador do Vasco, era ele o responsável por atividades diárias e por muitas conversas com os atletas – o grupo que se unia em torno da fé evangélica, principalmente. Andrey Lopes, o Cebola, auxiliar da vez, é descrito por atletas como um estudioso. Tem treinos mais atualizados e ajuda na construção de um time que troca passes e muda rapidamente de direção, mas não contribui para os problemas de Dunga na gestão de pessoas.
A mudança de perfil dos atletas também influencia, é claro. Jogadores – e jovens – de hoje têm objetivos de vida distintos e maneiras diferentes de assimilar discursos. O treinador nunca foi um bom gestor de grupo, mas tornou essa característica ainda mais evidente ao não se atualizar.
Dunga de hoje não é como o Dunga de outrora. O técnico mudou em vários aspectos, do visual ao trato com a imprensa. No entanto, a sua personalidade segue com um problema intrínseco: é difícil formar um grupo coeso se você não souber como abordar personalidades diferentes usando caminhos diferentes.
Não é apenas pela falta de resultados que a situação de Dunga na seleção brasileira é insustentável. A demissão do técnico é questão de tempo porque ele não conseguiu ser o gestor de pessoas que o elenco necessita. E isso, por ser um problema pessoal, não tem a ver com crise técnica, problemas de gestão ou com a formação do atleta brasileiro, embora tenha relação de causa e efeito com tudo isso.
O futuro da seleção brasileira pode passar por diferentes perspectivas de jogo, diferentes atletas ou diferentes estratégias. Em todos os casos, contudo, é fundamental que a CBF pense em caminhos para que o espaço entre treinador e elenco seja menor do que o buraco existente atualmente.
A seleção brasileira não vive uma crise apenas dentro de campo. Enquanto a discussão for sobre fulano escalado em determinada posição ou beltrano ausente em sei lá quantas convocações, seguiremos vendo problemas como a avalanche provocada pela atual gestão de Dunga. O time nacional não deixou de ser prioridade para os atletas apenas por questões de status ou de carreira. Existe um problema de comunicação em aspectos como formação de grupo, clareza de objetivos e transparência sobre funções. E isso o treinador não parece sequer preocupado em mudar.
 
 
 

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A contribuição da Universidade do Futebol ao legado olímpico

Produzido pelo Comitê organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016 em parceria com escolas públicas e particulares, o projeto Transforma  Educação vem criando oportunidades, dentro das escolas de todo o Brasil, para estudantes de Ensino Fundamental e Médio vivenciarem os valores Olímpicos e Paralímpicos, através da prática de novos esportes que irão ocorrer dentro do território brasileiro.
A Universidade do Futebol, em conjunto com o Fundo das Nações Unidas para Infância (UNICEF), contribuiu com conteúdos de aulas para quatro tipos de multiplicadores (Coordenadores Pedagógicos, Professores de Educação Física, Agentes Jovens e Tutores de Agentes Jovens), que transmitirão as experiências para o restante da escola e, principalmente, para os alunos. Os seguintes conteúdos são:
Aula 1: A brincadeira, o jogo e o esporte na sociedade
Aula 2: O esporte como direito
Aula 3: Os princípios da educação pelo esporte
Aula 4: Aspectos didáticos do ensino dos esportes
O projeto atua em mais de 10 mil escolas dos 26 estados brasileiros e do Distrito Federal, envolvendo mais de 6 milhões de alunos direta ou indiretamente. O Transforma, desde 2014, já possibilitou mais de 7 mil vagas em formações, prática e teórica, e capacitações esportivas totalizando 40 mil horas de atividades.
Nós da Universidade do Futebol acreditamos que o esporte, assim como a brincadeira e o jogo, são excelentes ferramentas educativas que permitem aos alunos aprenderem bem mais do que técnicas, possibilitando bem mais do que diversão. Esses recursos, quando empregados claramente, favorecem a aprendizagem de valores, o desenvolvimento físico, motor, cognitivo e psicológico, entre outros.
 
Para ter acesso aos conteúdos, clique aqui e veja mais informações sobre o projeto:

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Novos rumos da Justiça Desportiva do Futebol

No meio do ano terminam os mandatos dos auditores e do Procurador Geral de Justiça do Superior
Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) da CBF.
Esta semana, Wellington Campos divulgou em primeira mão, na Itatiaia, os prováveis nomes dos novos
auditores e do novo Procurador Geral.
Importante destacar que o Pleno do STJD é composto por nove membros, sendo 2 indicados pela CBF, 2
indicados pelos Clubes da Série A, 2 indicados pelos atletas, 1 indicado pelos árbitros e 2 indicados pela
OAB.
Dentre os prováveis vários nomes conhecidos e, com grande respeito no direito desportivo nacional,
estão:
a)Indicados pela CBF
Dr. Mauro Marcelo de Lima e Silva (SP) é delegado de polícia e presidente do TJD da Federação
Paulista de Futebol. Lima e Silva leva para o STJD sua experiência como presidente da Justiça
Desportiva da principal Federação estadual do futebol brasileiro.
Dr. Paulo César Salomão Filho (RJ) está no pleno desde 2012 e deve ser reconduzido. Salomão é
auditor do STJD do basquete, foi presidente da Comissão de Direito Eleitoral da OAB/RJ e membro do
Tribunal de Ética e Disciplina da OAB/RJ.
b)Indicados pelos Clubes
Dr. José Perdiz (DF) atualmente presidente da Quinta Comissão Disciplinar (1ª instância) do STJD da
CBF. Sua indicação demonstra a importância da Comissão Disciplinar.
Dr. João Bosco Luz (GO) é ex-presidente do Goiás, ex-procurador do STJD da CBF e é advogado
atuante no Direito Desportivo. Membro da Academia Nacional de Direito Desportivo, Bosco leva ao
Tribunal o casamento da teoria acadêmica e da prática.
Os nomes indicados pelos clubes teriam surgido de um consenso entre os 12 clubes de SP, MG, RJ e
RS que disputam a Série A.
c)Indicados pelos Atletas
Dr. Décio Neuhaus (RS) está no Pleno desde 2012 e deve ser reconduzido. Nuhaus é advogado
atuante no Direito Esportivo, advogado do Sindicato dos Atletas de Futebol do Estado do Rio Grande do
Sul desde os anos 90. E, desde 2008, da Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol, a
Fenapaf. Já foi auditor do TJD-RS.
Dra. Arlete Mesquita (GO) é membro do TJD-GO e advogada do Sindicato de Atletas Profissionais do
Estado de Goiás. Mesquita advoga para uma série de entidades sindicais e deve ser a única mulher a
compor a cúpula do Tribunal. Conhecida pela boa fundamentação em seus julgamentos, ela levará ao
Tribunal os debates que tem proporcionado a Justiça Desportiva goiana.
d)Indicado pelos árbitros
Dr. Ronaldo Piacente (SP) atual vice-presidente do STJD, e cotado para ser o novo presidente, deve
ser reconduzido. Piacente foi presidente do TJD-SP .
e)Indicados pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)
Dr. Otávio Noronha (DF), advogado militante, atualmente é auditor da Primeira Liga e da Quinta
Comissão Disciplinar (1ª instância) do STJD da CBF. Sua indicação demonstra a importância da
Comissão Disciplinar.
Dr. Antonio Vanderler (RJ), advogado militante, foi presidente do TJD-RJ e possui o Legal Law Master
pelo IBMEC-RJ. Atualmente, é auditor do TJD-RJ.
f)Procuradoria-Geral
Dr. Felipe Bevilacqua (RJ) é auditor do STJD da CBF. Advogado militante e professor da Universidade
Cândido Mendes, Bevilacqua é bastante respeitado no meio jusdesportivo. Mais um nome que levará ao
Tribunal o casamento da teoria acadêmica e da prática.
Caso se confirmem os nomes divulgados pelo Wellington Campos, haverá significativa renovação na
Justiça Desportiva brasileira, apontando para uma grande gestão que deve ser pautada pela tecnicidade
dos votos e pela qualidade dos debates.
A maior missão do “novo STJD” deve ficar a cargo do Procurador Geral Dr. Felipe Bevilacqua que deverá
substituir o competente e polêmico Dr. Paulo Schimitt.
Como ponto negativo, a falta de um representante mineiro.