Categorias
Sem categoria

A violência vencerá o futebol?

O mundo do futebol foi surpreendido pela vitória da violência sobre o futebol. Isso porque o Governo da Grécia decretou a suspensão do campeonato nacional por tempo indeterminado em razão de graves incidentes que antecederam o clássico entre o Panathinaikos e o Olimpiacos.

Os torcedores do Panathinaikos invadiram o campo quando o treinador da Equipe adversária realizava seu ritual de tocar nas redes em frente à torcida.

Infelizmente, a violência tem sido uma constante nos estádios de futebol pelo mundo a fora e, alguns países em específico, dentre eles o Brasil, parecem estar na iminência de deixar o futebol sucumbir.

No Brasil, o Estatuto do Torcedor traz alguns dispositivos que buscam combater a violência nos estádios de futebol, mas tem se mostrado insuficiente. Ademais, não há previsão legal para suspensão das partidas de futebol, como se deu na Grécia.

O ano de 2015 começou com alguns lampejos de genialidade no combate à violência. A primeira grande medida se deu no recife quando a campanha “security moms” levou ao clássico Sport e Náutico as mães dos torcedores como seguranças que receberem treinamento. A campanha trouxe certa comoção aos torcedores que emocionados abraçaram suas mães.

No Paraná, as Diretorias de Atlético e Coritiba sob o slogan “Uma Disputa Sadia. Um aperto de mão” lançaram a campanha “Sempre Rivais. Nunca Inimigos.” A campanha foi, de pronto, abraçada pelas torcidas organizadas que fizeram uma bela festa sem violência no primeiro clássico do ano.

Finalmente, no Rio Grande do Sul, Inter e Grêmio criaram o “clássico da paz” ao reservar um espaço de dois mil lugares para que colorados e gremistas sentem-se lado a lado no primeiro Grenal do Gaúcho. Neste espaço, o colorado terá o direito de levar um acompanhante colorado.

Estas medidas, ao mesmo tempo que representam uma forma da sociedade civil se movimentar, demonstram um incrível amadurecimento dos Dirigentes que deixaram a rivalidade agressiva de lado e decidiram usar a paz para promover o evento.

Tais medidas nos trazem a sensação de que algo de muito bom está para acontecer e de que logo estaremos muito longes do caos instalado no futebol Grego. 

Categorias
Conteúdo Udof>Artigos

Desempenho financeiro do Flamengo em 2014

Desempenho financeiro do Flamengo

O Flamengo foi até o momento o clube brasileiro que mais chamou a atenção, em termos financeiros em 2014.

O clube da Gávea viu suas receitas crescerem ainda mais que em 2013 e manteve um controle efetivo dos custos com futebol.

Paralelamente resolveu o problema histórico do clube renegociando débitos fiscais, contribuições sociais e FGTS com o Governo Federal.

Todos esses pontos são realmente destaques extremamente positivos da gestão do atual presidente Eduardo Bandeira de Mello. 

Para ler o artigo na íntegra, basta clicar aqui.

Categorias
Sem categoria

Razão e Emoção

O eterno dilema da razão ante a emoção aparece com alguma frequência no ambiente do futebol. Isso não é nenhuma novidade! No entanto, compreendê-lo em seus pormenores é fundamental para tentar explicar algumas tomadas de decisão que parecem incompatíveis com a vida real, mas extremamente comuns em um mundo de fantasias como o que se vive frequentemente no esporte.

Para ilustrar um pouco do processo racional, um estudo recente do Itaú BBA sinaliza os grandes problemas identificados nas contas dos principais clubes do futebol brasileiro (veja na notícia aqui: http://goo.gl/QItB1n ou com comentários aqui: http://goo.gl/QjoK47). Por sinal, ótimos estudos financeiros que balizam muito bem a compreensão sobre o estado periclitante do futebol brasileiro. Outros, de consultorias ou institutos de pesquisa igualmente indicam problemas similares.

A pergunta, no final das contas, é sempre a mesma: se é tão evidente que o problema existe, por que não há solução? Por que o futebol anda em círculos há tanto tempo, uma vez que os mesmos problemas somem e reaparecem como um passe de mágica?

A resposta está, sem dúvidas, no fator emocional, que impacta diretamente nos processos de gestão e respectivas tomadas de decisão. Enquanto não houver uma solução prática para o controle ou orientação aos clubes no sentido dos negócios com vistas a sua sustentabilidade econômico-financeira que gere benefícios reais e tangíveis tanto institucionais quanto pessoais (aos dirigentes), continuaremos a manter este estado de paralisia.

E, por mais incrível e inusitado que possa parecer, hoje, na forma que está, existem mais benefícios de curto prazo em não manter as contas em dia do que mantê-las “no azul”. Os efeitos negativos só aparecem no médio-longo prazo, quando o dirigente já não está mais no clube (e, às vezes, com alguns títulos no currículo, o que reforça ainda mais sua atitude nefasta perante a opinião pública em geral).

A resposta para explicar tudo não pode ser restrita a análise fria de balanços financeiros. Enquanto não houver uma solução para o efetivo equilíbrio entre razão e emoção na estrutura de gestão dos clubes, o assunto permanecerá recorrente por longas décadas!!! 

Categorias
Sem categoria

O planejamento e a gestão esportiva

Hoje, caro amigo leitor, quero compartilhar com vocês uma reflexão breve sobre a importância do bom planejamento para a eficácia da gestão esportiva.

Sabemos que todo bom projeto de sucesso começa por um ótimo planejamento, pois todo esforço e tempo investido na fase do planejamento do seu negócio significa mais eficiência na execução do seu plano de ação e consequentemente aumenta consideravelmente as chances de sucesso na busca por atingir seus objetivos corporativos.

No futebol, se pensarmos no planejamento de uma temporada ou até sendo mais otimistas num sonhado planejamento de três ou cinco anos, de imediato aparece à importância de criarmos um plano de ação que seja robusto e que envolva toda a direção do negócio, bem como todas as áreas envolvidas. Atualmente não só no esporte, mas também nas demais organizações, essa percepção começa a ser valorizada e muitos gestores já estão sensíveis a necessidade de se fazer um planejamento estratégico e buscar com ele definir metas factíveis e mensuráveis para a evolução do negócio em questão. Mas talvez seja justamente neste ponto que muitos gestores possam cair na armadilha de acreditar que apenas por se ter uma ou mais metas o jogo esteja ganho e ao compartilha-las com toda a sua organização ou clube, no caso do futebol, isso já é o suficiente para que elas sejam atingidas no final do ciclo.

Aqui, neste exato ponto, quero dividir com vocês a importância se identificar de maneira mais próxima da realidade qual é a real distância entre a situação atual do seu negócio e a sua(s) meta(s) e em muitos casos falhamos nesse exercício de clarificação. Muitas vezes, enquanto gestores, evoluímos das metas diretamente para a elaboração dos planos de ação pelo simples fato de acreditarmos que conhecemos exata e profundamente os problemas que possuímos e as suas causas raiz, então elaboramos um plano de ação de forma empírica e sem o menor trabalho de análise sobre a situação. Neste momento a armadilha da pressa nos pega e o risco de executarmos um plano, falho em atender os objetivos do negócio, vira um fato e nos perdemos na execução do nosso trabalho de gerir e alavancar o negócio esportivo.

Como dicas para os gestores atuais e futuros, sugiro que usem e abusem das ferramentas básicas de gestão que podem contribuir para uma análise adequada da situação atual do seu clube enquanto negócio, com isso terão fatos e dados e identificação de causas que uma vez validadas, possibilitarão a elaboração de um plano consistente e com ações mais diretamente relacionadas aos seus objetivos estratégicos. Isto feito o desdobramento das metas em grandes ações, baseadas na análise das raízes dos seus problemas, permitirão o detalhamento de projetos e/ou tarefas (com seus respectivos responsáveis e prazos) que muito contribuirão efetivamente ao atingimento das metas desejadas. É importante também que sejam definidos indicadores relacionados às suas metas e que permitirão o devido acompanhamento do efeito da execução do seu plano em relação aos objetivos desejados.

Ah, por falar em acompanhamento, muita atenção com a gestão da sua rotina pois ser fiel as suas reuniões de acompanhamento e avaliação dos seus resultados são de fundamental importância para a manutenção do caminho a seguir e também permitirá que você como gestor do negócio possa ter possibilidade de corrigir rotas em caso de não eficácia das suas ações.

E aí, amigo leitor, acredita que o futebol por se beneficiar de uma boa gestão?

Até a próxima. 

Categorias
Conteúdo Udof>Artigos

Mudanças no futebol brasileiro

Identificar necessidades de mudanças e conseguir propor uma ou mais soluções são as partes mais fáceis de se pensar em mudar alguma coisa. A cada problema, ou conjunto de problemas, uma ou mais soluções podem ser encontradas e chegar até aqui não tem sido problema pois os especialistas no tema onde se deseja mudanças conseguirão, via de regra, desenvolver propostas factíveis. A maior dificuldade tem sido colocar a mudança em marcha e para isto é preciso um planejamento cuidadoso, um método estruturado que possa guiar as ações na direção do objetivo pretendido e a gestão atenta em todo o processo, incluindo a avaliação da efetiva assimilação após as mudanças implantadas.


Estruturando uma mudança

O planejamento cuidadoso acima referido constitui o detalhamento de todo o plano de mudanças com suas várias etapas, prazos, responsáveis, resultados esperados, indicadores, ações corretivas, alternativas de desvio e outros ingredientes que podem variar de acordo com o perfil da empreitada. O método estruturado em um processo de mudança é o elemento guia que vai auxiliar os gestores que vão conduzi-la e atingir os objetivos.

A gestão atenta é a atuação ostensiva sobre todas as ações planejadas, bem como a identificação de atrasos, descumprimento de etapas ou qualquer intercorrência que possa impactar as ações. Atuar na manutenção do rumo e na otimização de tudo que se pretende é o eixo central da gestão. Gestão em resumo, é assegurar o uso do método selecionado, cumprir o planejamento e tomar as medidas necessárias para correção dos desvios.

Antes porém de iniciar o planejamento é preciso entender o perfil de mudança e classificá-la dentre três perspectivas: Pessoas, Processos e Tecnologia. Esta classificação é norteada pela ênfase que a mudança trará à tona. Se a necessidade disser respeito à, por exemplo, um redesenho da estrutura de cargos e salários de uma empresa, o perfil estará caracterizado por aspectos de ordem pessoal e emocional de grandes dimensões. Uma alteração desta natureza mexe com a remuneração das pessoas, com a estrutura de poder da organização, relaçoes hierárquicas e outras consequências de ordem econômica, financeira e de estabilidade das pessoas no emprêgo, caracterizando seu perfil pela perspectiva Pessoas.

No caso de uma mudança tecnológica em uma empresa de Engenharia, até poderá haver impacto para as pessoas que, eventualmente precisarão aprender uma nova forma de trabalhar, mas terá um impacto muito mais forte no que tange a infra-estrutura da organização, reforçando a perspectiva de Tecnologia do projeto em questão. Já a persepctiva Processos caracteriza-se pela mudança na forma de gerir a organização, envolvendo suas rotinas, suas práticas, seu fluxo das operações e sua dinâmica de funcionamento. É claro que uma transformação de processos também envolverá as pessoas na organização porém o foco e, portanto sua perspectiva, estará nos processos face ao meio onde será necessária a mudança.

Com o perfil definido será mais fácil estruturar a equipe que vai gerenciar o processo e definir os Gestores que a conduzirão pois do perfil da mudança depende a formação da equipe que vai fazer acontecer. Isto aumenta as chances de sucesso. Cada gestor tem seu papel bem definido de acordo com o referido perfil.


Mudanças no futebol brasileiro

No âmbito esportivo, mais precisamente no futebol, ao que parece, existem soluções já visualizadas e formuladas que podem transformar para muito melhor, efetivamente, toda a dinâmica do seu gerenciamento a partir de regras de base que alterarão a forma como hoje este esporte é gerenciado no Brasil.

Resta então saltar de um lado para o outro do abismo representado pela situação atual e o futuro desejado, ou seja, já se sabe “o que fazer” e falta agora saber “como fazer”. Utilizando a classificação Pessoas, Processos e Tecnologia, mencionada anteriormente, é fácil perceber que a trasnformação proposta para o futebol brasileiro classifica-se como Processo pois é o processo de gestão deste esporte que precisa ser redesenhado. Assumindo agora que o perfil está definido, segue-se a definição dos gestores que irão compor a equipe de gestão de mudanças.


Montando a Equipe de Mudanças

Liderados por um Gestor de Mudanças Organizacionais – GMO, como o mercado chama, será importante que esta equipe possua um Gestor de Comunicação que vai se encarregar de manter todo o público interno e externo, informado o que está acontecendo. Junto a este gestor deve trabalhar o Gestor de Informação que deve registrar informações sobre o projeto de mudança, as ocorrências, as realizações sobre o seu andamento, como também sobre tudo que for veiculado externamente sobre o projeto. Em alguns projetos como este as gestões de comunicação e de informação são exercidas por uma única pessoa sem prejuízo da distinção das duas funções.

Considerando a efervescência provocada pelos múltiplos interesses envolvidos no futebol e o sistema de poder vigente, é natural que existam resistências às mudanças propostas além de conflitos de opinião, de ideias e sobretudo com relaçao à forma com que se pretende implantar uma nova maneira de gerir.

Nestes casos, um Gestor de Resistências e um Gestor de Conflitos devem ser instituídos. O primeiro deve agir preventivamente, procurando antever situações, grupos de pessoas, autoridades e outros atores que irão resistir ao todo ou à alguma parte do projeto de mudança. A segunda, embora também possa trabalhar preventivamente, terá que atuar em muitas situações onde o conflito já está instalado, devendo observar até que ponto ele pode afetar os caminhos para chegar ao objetivo pretendido. Embora resistência e conflitos sejam eventos diferentes e é sempre bom discernir um do outro, em alguns projetos de mudança, as diuas gestões podem estar sob a responsabilidade de um único gestor.

Um outro aspecto importante destes projetos é acompanhar e avaliar prazos, compromissos, resultados e suas consequências, cuidando para que todo planejamento seja cumprido ou mesmo, se ajustado, por alguma necessidade justificável, esteja assegurado o alcance dos objetivos. Para esta função, um Gestor de Qualidade deve ser instituído.

E, por último, mas não menos importante, um Gestor de Processos deve também ser criado para monitorar todo o projeto de mudança, de forma macro e assegurar que todos os processos necessários à boa consecução venham a acontece
r de forma efetiva, eficiente e eficaz. Este gestor deve registrar de forma detalhada, como os processos que ocorrem na instituição passarão a operar. A exemplo de outras gestóes, em alguns casos é possível fundir a Gestão de Qualidade com a de Processos, sem prejuízos para as duas funções e seus efeitos.

Outras gestões poderão ser utilizadas a partir de uam análise minuciosa e específica de cada caso. Da mesma forma, ao longo da execução da mudança, há casos onde gestões novas podem ser inseridas ou descontinuadas em função de necessidade ocasional. A flexibilidade na condução de um processo de mudança é importante, especialmente, em eventos de médio e longo prazo.

Elaborando o planejamento da mudança

Com a Equipe de Mudanças criada segue-se a elaboração do planejamento com a descrição das ações a serem empreendidas, o cronograma, os responsáveis, equipes envolvidas em cada ação, custos, planos alternativos e revisões de cronogramas. Concluído o planejamento, revisá-lo nunca será demais.

Executando a mudança

Equipe de Mudanças criada, planejamento elaborado e revisado e objetivos totalmente entendidos e assimilados, é hora de colocar a mudança em marcha, comunicando às partes interessadas a estrutura criada com a Equipe de Mudanças e o planejamento a ser seguido.

Avaliando a mudança

A avaliação do planejado deve ser permanente, com o Líder da Equipe de Mudanças, ou seja, o Gestor de Mudança Organizacional – GMO coordenando os demais gestores mencionados neste texto, para avaliar o andamento e após a última etapa, realizar uma avaliação global. Neste ponto, chegou-se ao ponto crucial que é carimbar a efetiva concretização da mudança a partir da comparação dos objetivos planejados com os resultados obtidos. Dentro de resultados é preciso confirmar se tudo o que foi projetado foi implantado e assimilado e a nova forma de operar, sugerida inicialmente no projeto de mudanças, está internalizada.

Mensagem final

Este texto procura resumir um movimento de mudança cuja complexidade, em geral, exige um detalhamento mais rigoroso. Maiores detalhes sobre projetos de mudanças podem ser conhecidos no livro” Gestão de Mudança na teoria e na prática e o Método das Gestões”, deste mesmo autor.
Finalizando, para os que pensam que é possível fazer mudanças sem método, a tentativa será um caminho árduo e desconexo, desgastante e confuso, hesitante e turbulento. A escolha será sempre daqueles que têm o poder constituído para tomar decisões, porém o sofrimento e o desgaste serão de todos os que estiverem no caminho da mudança pretendida.

 

 

*Professor e Consultor em Gestão Empresarial. Especialista em Gestão de Mudanças, Gestão do Conhecimento, Estratégia e Inteligência Empresarial. Autor do livro “Gestão de Mudanças na teoria e na prática e o Método das Gestões”

 

Categorias
Conteúdo Udof>Artigos

Arremesso lateral: um detalhe pouco aproveitado

O futebol vem sendo cada vez mais estudado no mundo de hoje. Com diversos analistas e muita tecnologia, os clubes, imprensa e torcedores vem se atentando cada vez para os detalhes que compõe uma partida. Uma situação porém, vem me chamando atenção em qualquer a esfera: A forma displicente como tratamos algo recorrente numa partida: O arremesso lateral.

Num estudo realizado entre 2012/2013 observei vários jogos me atentando para este detalhe, ( de diversas categorias, e países) e foi possível perceber que o arremesso lateral, quando não é próximo da área rival ( em uma situação que se possa arremessar a bola para uma tentativa jogada área ofensiva) o arremesso lateral é tratado com certo descaso pela equipe que o possui que, muitas vezes põe a bola que está sob seu controle no momento do arremesso em disputa novamente ou apenas direciona a bola ao atleta da equipe mais próximo geralmente sem se preparar para construir algo que o permita manter a posse da bola ou criar uma nova situação a partir do lateral.

Pode-se considerar um tanto quanto estranho, num jogo onde muito se fala sobre a necessidade de ter posse de bola para chegar a vitória ( algo que na verdade, só vale se a equipe for efetiva com a mesma) que uma situação onde a equipe detém a bola sob seu controle e sem a pressão do adversário para roubá-la (pelo menos num primeiro momento) equipes não se preparem para continuar com a bola sob seu domínio em regiões que não permitam o arremesso na área( jogadas no meio campo ou intermediária ofensiva por exemplo), ou até mesmo tratem o arremesso lateral como uma situação em que se deve mandar a bola para longe ( zona defensiva) se livrando de seu domínio e novamente a pondo em disputa.

Arremessos laterais, poderiam ser trabalhados com a mesma atenção por exemplo que se dá a escanteios ou outros tipos de bola aérea, a grande questão é: Como fazer isso? Cada treinador deve ir em busca de sua resposta da maneira como julgar mais efetiva, mas sugiro aqui uma boa possibilidade.

Em 2009, Paulo Autuori (então no Grêmio), disse que o incrível Barcelona, jogava todo em triângulos, algo que ele definiu como “pequenas sociedades”. Nesta fala, pode estar a solução para o bom aproveitamento do arremesso lateral em várias regiões do campo: quando a equipe possuir a bola no arremesso, a formação de um triângulo, dando assim 2 opções ao batedor; o receptor da bola após a cobrança consequentemente terá 2 opções para fazer o passe, dando condições da manutenção da posse de bola pela equipe permitindo uma nova jogado.

Caso o adversário traga 2 atletas para marcar as opções de passe do triângulo formado, abrirá algum espaços nas costas, permitindo a projeção de algum outro atleta em condições de receber a bola livre.

Esta proposta não é a única maneira de se aproveitar cobranças de laterais, deve-se sempre buscar uma maneira que melhor se adapte a equipe, no entanto, é fundamental ressaltar que detalhes como este, podem ajudar a definir uma partida.

Categorias
Conteúdo Udof>Artigos

O treino contextualizado no futebol: prioridade ou totalidade?

No futebol como em outras modalidades esportivas voltadas para o alto rendimento, o treino surge como ponto crucial da preparação das equipes para atuação em ambiente competitivo. Tratando-se do futebol brasileiro e do fatídico jogo contra a seleção alemã na Copa do Mundo de Futebol de 2014, a má atuação da seleção nacional trouxe a tona uma enxurrada de apreciações vinculadas à preparação dos futebolistas brasileiros, tanto em curto, como em longo prazo.

Dentre essa disposição, as condições do treino estabelecidas pelos treinadores brasileiros, tanto nas equipes formativas, quanto no grupo profissional foram fortemente questionadas. A preparação vinculada aos aspectos tático-técnicos foi tema de muitas considerações, reportando-se especificamente na falta de coerência entre o modelo de jogo e os procedimentos de treino.

Nessa relevância, o treino realizado em consonância com o modelo de jogo da equipe visa à criação de hábitos de ordem individual e coletivo, assim elevando o nível organizacional da equipe em meio à complexidade sistêmica do jogo. O desenvolvimento de competências específicas do futebol surge como ponto prioritário no treino, no qual o jogador deve compreender os comportamentos utilizados pela equipe em momentos defensivos e ofensivos, sem e com a posse da bola e nos mais diferentes setores do campo, bem como atrelados a oposição do adversário.

Com esse propósito, emanam algumas propostas de ensino e treino esportivo (Teaching Games for Understanding – TGfU, BUNKER e THORPE, 1982 – Inglaterra; Tactical Decision Making Approach – JOHN et al., 2000 – França; Tactical Approach – CARMEL e AGARWAL, 2001 – EUA; Game Sense – LIGHT, 2004 – Austrália; Game Concept Approach, ROSSI et al., 2007 – Singapura) que vinculam o jogo como mote balizador do processo, buscando aproximar situações específicas do jogo para o ambiente de treino. No caso do futebol, a Periodização Tática (Portugal) surge como uma nova perspectiva de treino no âmbito nacional, mas que ainda não se consolida no campo prático.

A periodização tática visa desenvolver o treinamento atrelado aos propósitos inerentes ao modelo de jogo da equipe, ampliando o conhecimento através da construção de princípios de ação em meio à funcionalidade do jogo. No contexto do futebol brasileiro, a inserção da periodização tática no campo prático ainda é dificultada, devido principalmente às condições operacionais e culturais.

Todavia, a periodização tática compreende na sua totalidade, o treinamento de conteúdos específicos do jogo e vinculados ao modelo de jogo da equipe, visualizando os jogadores como sistemas lineares, no qual potencializam conhecimentos e competências, criando hábitos e logo os reproduzindo no jogo. No entanto, o comportamento humano não se dissipa de forma linear, pois sua interação com outros indivíduos e em variados ambientes cria perturbações e modifica suas ações.

A operacionalização do treino contextualizado com o modelo de jogo certamente irá desenvolver comportamentos importantes para atuação dos jogadores no âmbito competitivo. No entanto, o jogo não permeia somente por nuances de previsibilidade, aloca-se em momentos menos previsíveis, no qual as soluções para as diversas situações-problema podem estarem “suspensas” na variabilidade do contexto.

Nesse sentido, o treino deve permitir o desenvolvimento de atividades fora das particularidades do jogo, no qual os jogadores estabeleçam diferentes relações interpessoais, aguçando o prazer e a motivação para o enfrentamento da rotina de treinos e jogos. 

Para tanto, a criação de hábitos para um “jogar” organizado, estimulado a partir do treino contextualizado deve ser o aspecto prioritário, mas não totalitário, pois a complexidade do jogo interpõe as situações controláveis e condiciona-se também por outras influências internas e externas ao seu cerne processual.

Categorias
Conteúdo Udof>Artigos

O treinamento infantil na ajuda da formação dos craques

Muitos dos artigos aqui publicados, debatem sobre a falta de jogadores com a perícia técnica quase perfeita que existiam décadas atrás e transformou o brasil no que consideramos, o país do futebol. Alguns acham que o problema está na falta de espaço que as crianças têm para se desenvolver no mundo do futebol, não podendo mais brincar nas ruas sem uma devida segurança, ou em algum espaço dentro do próprio bairro.

O futebol para a iniciação, normalmente é trabalhada com acompanhamento, hoje em dia por escolinhas de futebol geralmente, então porque houve essa perca no aprendizado do futebol por parte das crianças, se temos até o acompanhamento de um profissional da área parar supervisiona-la e dar segurança aos pais. A principal causa disso provavelmente seria a forma como se trabalha com o futebol para a iniciação esportiva, não dando dificuldades para as crianças enfrentarem, nem uma liberdade maior para elas se conhecerem melhor, como aconteceria se elas jogassem na rua.

Mas o principal problema é, como são ensinadas as crianças a obterem esse desenvolvimento físico, e o conhecimento do próprio corpo e do jogo?

Estudos e artigos já publicados mostram que a evolução das crianças nos aspectos físicos até os 10, 11 anos, é natural ou seja, independente de se treinar ou não, se brincar mais ou menos, o avanço nas habilidades físicas como velocidade, agilidade, força e resistência (características fundamentais para o futebol) apresentam essa evolução de forma gradual.

Apesar dessa comprovação teórica, a evolução das crianças que treinam/brincam e vivenciem em uma escolinha de futebol o esporte, proporciona a ela um avanço superior as demais, mesmo que o avanço venha com o tempo em todas as crianças de forma geral, essas apresentam uma habilidade motora mais aprimoradas, o que lhes concede um aprendizado futuro melhor do futebol, mais também de outros esportes, ou seja, se além do próprio ganha nos aspectos físicos naturais, a criança aprender e se conhecer melhor, terá mais oportunidade e possibilidades de uma mais fácil aprendizado no futuro, tanto no futebol como em algum outro esporte.

A forma de ensino-treinamento nas escolinhas para as crianças menores de 10 anos que não apresentam essa habilidade motora tão desenvolvida, é algo também a se repensar, por que não podemos deixar elas apenas com o ensino aprendizagem motora advinda do futebol, pois apesar de ser um esporte completo (em questão de movimentos, apresentando saltos, corridas, giros, quedas e diversos outros), ele tem seus movimentos principais, e com o ensino destes mais que outros, faz perder-se na criança a sua criatividade para inovar, padronizando os movimentos, tendo futuramente algo estático em seu subconsciente, na maioria das vezes, não conseguindo sair de situações problemas em que ela nunca enfrentou. Um problema considerado mais sério ainda quando falamos dessa criança futuramente engajada em um alto nível competitivo, e muito disso se passa na diferença onde as crianças de hoje e as de antigamente aprendem a jogar, quase não existindo hoje em dia o futebol de rua, que muitos atletas e ex atletas destacam como fundamental para sua carreira, como Zico chegou a afirmar.

’’Cresci a aprender a resolver os problemas no meio da rua (…) talvez daí venha parte da minha habilidade!’’
(ZICO, 2003 apud Fonseca e Garganta 2006)

A ideia de trabalhar uma variação maior na criança, busca habita-la motoramente para todas as práticas esportivas futuras a ser trabalhadas, para além de apresentar essa variação maior de movimentos e de fuga de situações problemas dentro do futebol, ela também ter habilidades motoras para se quiser mudar de esporte, dentro de seu gosto e preferência, consiga faze-la, pelo menos por parte das habilidades motoras.

Práticas corporais para se ensinar o esporte a uma criança, tem e devem ser mais estudadas e melhor entendidas pelos profissionais da área.

Focando um pouco no futebol, porque alguns elementos do treinamento infantil (que deve ser visto pela criança ainda como uma brincadeira) da ginastica, por exemplo, não podem ser aderidos a um dia no treino da escolinha de futebol? Cambalhotas, bananeiras, pontes, exercícios basicamente da ginastica de iniciação, mais que apresentam uma carga de controle corporal bem alto para a idade, desenvolvendo assim um senso de locomoção corporal. Esse é apenas um exemplo de diversos que poderíamos usar, dos mais diversos esportes, para habilitar as crianças e melhora-las dentro do futebol.

Essa ideia de mesclar dentro do treinamento infantil diversos esportes, só tende a ser benéfica para a criança e seu desenvolvimento, fazendo a mesma a ter em seu subconsciente uma gama de habilidades e exercícios muito maiores, para poder usar em uma situação futura dentro do futebol, como também evita a iniciação precoce, que na maioria dos casos, tira a criança futuramente desse esporte por não suportar mais treinar essa determinada modalidade.

O avanço do conhecimento corporal pela criança proporciona uma gama muito maior de experiências positivas a ela, tendo assim uma evolução dos padrões motores muito habilitados para os treinamentos e jogos de alto nível.

Dessa ideia podemos tirar as habilidades motoras mínimas necessárias para se fazer um craque no futebol, ter um bom controle do corpo em campo em relação ao espaço em que se está inserido, e depois com um bom treinamento técnico dos diversos fundamentos do futebol, criarmos mais e mais craques como antigamente se via em todos os campos de várzea.

O jeito é inovar, mudar, e melhorar, para poder ver resultados futuramente dentro dos campos, vestindo a camisa amarela.

Referências Bibliográficas:

FONSECA, H. e GARGANTA, J. (2006). Futebol de Rua, um beco com saída

Categorias
Conteúdo Udof>Artigos

Bioenergética e treinamento no futebol

Pode-se com segurança dizer que o Futebol não é uma modalidade complexa apenas do ponto de vista técnico e tático, mas também, senão principalmente, do ponto de vista físico, fisiológico e metabólico, sendo que o entendimento da fisiologia básica que envolve a prática modalidade é de fundamental importância para a prescrição do treinamento físico, técnico e tático, bem como a integração entre os três.

Erros terminológicos podem levar a erros metodológicos graves, deste modo, podemos conceituar treinamento como todo e qualquer programa pedagógico de exercícios que possui como objetivo melhorar e aperfeiçoar as habilidades, bem como aumentar as capacidades energéticas de um indivíduo para uma determinada atividade e isso nos remete a um princípio básico do treinamento desportivo, o Princípio da Sobrecarga, que preconiza uma adaptação do organismo aos esforços físicos e psíquicos realizados durante o período de treino ou jogo propriamente dito (que nada mais é do que um verdadeiro treino de choque). (Barbanti, 2003). De maneira resumida, Weineck (2003) afirma que treinamento é o exercício cuja finalidade é o aperfeiçoamento em uma determinada área.

A área a qual o cientista alemão se refere perpassa o âmbito das capacidades físicas (força, flexibilidade, resistência cardiorrespiratória, velocidade), os fundamentos técnicos (capacidades coordenativas que são desenvolvidas com a prática certas vezes repetitivas dos movimentos de modo cartesiano ou global) e, por último, aquele que é produto dos dois anteriores, a tática esportiva, relacionada diretamente com a capacidade do atleta de solucionar problemas a ele imposto, levando em consideração o posicionamento dos seus companheiros bem como de seus adversários.

Definir Futebol, ao mesmo tempo que é uma tarefa relativamente fácil é uma tarefa de complexidade com proporções que desafiam os mais habilidosos estudiosos, e por isso o presente documento não irá se ater a este objetivo. Mas, do ponto de vista fisiológico, o que é Futebol?

Segundo Reilly & Thomas (1976) é uma modalidade em que os atletas percorrem uma média de 8.700m por partida, sendo que os mesmos utilizaram atletas ingleses para alcançar tal resultado, resultado este inferior ao alcançado por Ananias et al (1998) para os atletas profissionais do Brasil, que alcançaram média de 10.392m, sendo que destes a maior distância foi percorrida no primeiro período de tempo (5.446m) em contrapartida do segundo (4.945m). Depois de caracterizar a distância total percorrida, é a vez de identificar na literatura como os atletas chegaram a este valor, ou seja, com qual parâmetro de intensidade de esforço os atletas realizaram seus deslocamentos durante o jogo.

Recorrendo ainda ao estudo de Reilly & Thomas supra-citado encontramos que os atletas ingleses apresentaram seguinte perfil de deslocamento, expresso no gráfico a seguir.

Vários estudos comprovaram que os meio campistas, pela própria especificidade da sua posição, apresentaram maior distância percorrida quando comparado aos seus companheiros que atuavam como zagueiros, atacantes ou goleiros, que obviamente, percorreram as menores distâncias nos estudos analisados. (Bangsbo, 1992 e 1994; Reilly, 1994; Ekblom, 1996).

Deste modo, pode-se entender que o valor absoluto da distância percorrida de nada adianta para a prescrição do treinamento no Futebol, mas sim a caracterização do perfil de intensidade em que essa distância é percorrida, fato este que está intimamente relacionado com a máxima capacidade aeróbia e anaeróbia dos atletas, entendendo a primeira como a máxima capacidade de captação, transporte e utilização de oxigênio, enquanto a segunda está relacionada com o metabolismo glicolítico e imediato, que será abordado mais especificamente nas linhas que se seguem.

ENTENDENDO A BIOENERGÉTICA

Nós temos no organismo uma moeda energética, conhecida como adenosina trifosfato cuja sigla seria ATP. É a degradação de ATP no organismo que gera energia suficiente para a contração dos nossos músculos estriados esqueléticos, os quais são responsáveis pelos nossos movimentos voluntários.

Porém, depois de degradado, o ATP necessita ser ressintetizado, já que possuímos no organismo um estoque limitado desta biomolécula. Observemos o esquema abaixo:

Como se pode observar na imagem, o ATP nada mais é do que a junção de três moléculas de fosfato com uma molécula de adenosina, sendo que cada ligação entre essas moléculas armazena energia. Quando submetida à ação da enzima ATPase, o ATP é então degradado em Adenosina Difosfafato, sendo que a quebra do terceiro fosfato liberou energia que será agora utilizada para a contração muscular.

Depois de degradada, a Adenosina Difosfato precisa se recombinar com o fosfato inorgânico, gerando novamente ATP, como fora supra informado. A energia que deverá ressitentizar o ATP é proveniente de três sistemas distintos: imediato, glicolítico e oxidativo.

Sistema Imediato

Também conhecido como sistema anaeróbio alático é o sistema mais rápido de transferência de energia, relacionado às específicas fibras de contração rápida tipo IIb, agindo em atividades de força e potência com duração de até 10’’ a 12“, tempo este suficiente para causar a depleção de grande parte do conteúdo intramuscular de creatinafosfafo. Mas, do ponto de vista bioquímico, como funciona tal processo? Observemos o esquema abaixo:

Quando o exercício intenso é aumentado há uma geração muito rápida de energia e que necessita da quebra da molécula de ATP, gerando grande quantidade de ADP e Pi. A elevação destas duas últimas moléculas estimula a atividade da enzima creatina-quinase, enzima esta responsável pela degradação da molécula de creatina-fosfato (PCr) em creatina + fosfato (Cr + Pi). Como dito acima, toda quebra de reação química libera energia, sendo então que a quebra da molécula de PCr gera energia suficiente para ressintetizar 1 molécula de ATP. (KENNEY, WILMORE & COSTILL, 2013)

Ao mesmo tempo que o sistema imediato é muito rápido, envolvendo apenas uma reação química, o mesmo é muito limitado, não resistindo a atividades de alta intensidade por mais de 15 segundos, tempo este suficiente para determinar uma partida de futebol (chute, sprint, cabeceio, drible). (KENNEY, WILMORE & COSTILL
, 2013)

Recomendo ao prezado leitor que dedicou seu precioso tempo até o momento para a leitura deste que desfrute dos vídeos colocados abaixo, os quais apresentam de forma bem agradável lances habilidosos e determinantes do Futebol nos pés de Robben, Ronaldo e outros craques de igual importância para o sucesso mundial desta modalidade, e recomendo ainda que o leitor analise o vídeo observando o tempo de duração de cada estímulo que resultada no objetivo mais importante do Futebol: O GOL.

 

Categorias
Conteúdo Udof>Artigos

Capítulo V – Assessores Pessoais x Assessores de Imprensa. Trabalhando juntos podem fazer toda diferença

No capítulo anterior abordarmos e classificamos o atual relacionamento entre jornalistas e assessores de imprensa, dentro do futebol. Apontamos os erros e acertos na tentativa de tentar tornar a relação entre ambos mais saudáveis e menos desgastantes. E com isso, quem acaba ganhando é o público-alvo, com mais acesso às informações do seu time do coração, pelo menos no nosso conceito mediante pesquisa e enquetes.

Sendo assim, neste capítulo iremos mostrar a importância do “assessor pessoal”, tanto para o clube quanto para o seu cliente. Se souberem trabalhar de forma coesa, ambos os profissionais podem se ajudar, e com isso todos saem ganhando, entre eles: jornalistas, público-alvo, assessorados e assessores de imprensa. O objetivo é melhorar o relacionamento entre jornalistas x assessores de imprensa.

O trabalho dos assessores de imprensa vem crescendo no cenário esportivo, seja ele o pessoal ou o de clubes. Hoje em dia, e a tendência é que isso ocorra ainda mais, todo atleta seja ele de futebol ou não, conta com o serviço de um assessor de imprensa. Entre as suas tarefas, aparecem acompanhar todas as notícias veiculadas sobre seus clientes, em jornais, revistas, redes sociais e portais.

No futebol, como em qualquer outra área, existe uma relação bastante próxima entre os assessores pessoais e os assessores de clubes. É de extrema importância tanto para o clube, quanto para o jogador que a relação entre esses profissionais seja de muita confiança, para que um não atrapalhe o trabalho do outro.

Na maioria dos casos, a relação com os assessores individuais é muito boa, porém existem profissionais que querem aparecer demais. Vale lembrar que a palavra final é sempre a do clube e não a do jogador. No entendimento dos assessores de imprensa, os jornalistas devem entender que os atletas são funcionários do clube, por isso a instituição deve ser avisada para a liberação do jogador sobre eventuais entrevistas ou eventos.

O assessor de imprensa do clube precisa do assessor pessoal, uma vez que cuida de mais 30 jogadores, além da comissão técnica e dirigentes. Com a ajuda do assessor pessoal, os atletas são melhores treinados para as entrevistas com os jornalistas, diminuindo assim as chances de crises.

A relação com os jogadores é muito próxima e de muita confiança. O atleta não quer falar com outra pessoa, a não ser com o profissional que contratou, sendo assim o relacionamento entre o assessor de imprensa e o atleta é tudo, menos o trato com o clube. Afinal, o profissional de comunicação não negocia transferência e salários do atleta, entretanto dependendo do caso, gerencia contrato de patrocínios, cuida da parte de comunicação, divulga notas e qualquer solicitação da imprensa. O comunicador deve se procurado para agendar possíveis entrevistas com seus clientes.

Mas, como a assessoria do clube se posiciona? São cientes que a palavra final é a do clube e as conversas diariamente com os assessores individuais, deixam claro que todos têm a consciência que palavra final é a da Instituição. É importante ressaltar que a assessoria do clube deve ser respeitada, porque afinal, o jogador é funcionário da agremiação.

O trabalho do assessor pessoal facilita o dia a dia do clube, pois a estrutura dos times não é o suficiente para atender a demanda de 30 jogadores, alguns rotulados como estrelas. Essa aproximação é necessária para haver o entendimento entre ambos os lados.

Um modelo a se seguir seria que assessores pessoais e assessores de clubes se falassem todos os dias. Não acho que a palavra final deva ser do clube, uma vez que um jogador que apareça demasiadamente acaba levando consigo a imagem do clube. Portanto, os dois lucrariam. É cabível para os assessores mudarem um pouco essa ideia de proibir entrevista aqui, ali. Eles devem ter a consciência que quanto mais o jogador aparece, mais o clube fica em evidência. É necessário mudar um pouco essa rotina.

Alguns profissionais entendem que o assessor de imprensa se divide em dois pontos: O primeiro é a divulgação do atleta e dos feitos conquistados, para que seja mais respeitado e visto pela torcida e imprensa. O trabalho é crucial, principalmente em jogadores mais jovens que visam jogar no exterior ou até mudar de clube. É dever do comunicador institucional procurar meios de divulgar o atleta, em especial, os que estão em evidência na mídia, assim como ressaltar o trabalho de seu cliente de maneira positiva, uma vez que surgem as polêmicas e o profissional tem a função de defender a imagem do assessorado.

A verdade é que o atleta vê no assessor de imprensa, um cara de confiança que responde por ele e também serve como um escudo, com o objetivo de tratar bem da imagem do atleta. Com o assédio atual, principalmente nos jogadores mais “badalados”, a presença de um assessor de imprensa se torna ainda mais importante.

Acima de tudo, ambos os profissionais devem possuir respeito um pelo outro, assim como aceitar o trabalho do oposto. O assessor do clube deve estar passando diariamente as possíveis entrevistas dos jogadores. Para que ele e o assessor pessoal possam juntos definir uma estratégia, com isso o assessor de imprensa pode se preocupar mais com o clube e o assessor pessoal com os respectivos atletas.

Cabe ao assessor individual antes de marcar qualquer entrevista, avisar o assessor de imprensa do clube, para que o mesmo veja a disponibilidade da Instituição em realizar ou não a matéria. É sempre bom ressaltar que o jogador acima de tudo é funcionário do clube, então a equipe deve estar ciente de possíveis entrevistas.

Ambos os assessores querem o melhor para os seus clientes. A diferença é que um só defende o interesse de seu cliente e o outro, do clube todo. O assessor não deve satisfazer todas as vontades do jornalista, mas sim analisar o que é melhor para ele e para a Instituição. Para que isso ocorra é importante que os dois assessores atuem juntos.

O trabalho do assessor pessoal, só ajuda o dia-a-dia de um assessor de clube. Em vez de se preocupar com alguns atletas, o assessor de imprensa do clube pode filtrar melhor as informações a respeito da entidade, e cuidar de outras “partes” no que diz respeito ao clube. E o assessor pessoal, exerce essa função, com cada cliente contratado por ele. Por meio dessa alternativa é possível que o trabalho do assessor do clube seja um pouco mais facilitado.

É dever também do assessor de imprensa, sempre procurar a imprensa para sugestões de pauta, enviando releases (não matérias) a respeito de algum tema específico. A partir da solicitação feita e aceita, entrar em contato com os jogadores para orientá-los sobre o tema e o repórter que conduzirá a entrevista. É importante que nesse momento os assessores expliquem para os atletas se a pauta foi feita por eles, ou então por um pedido de algum jornalista.

É importante também sempre estar atento com questões que ligam os atletas
. Por exemplo, acompanhar as estatísticas dos assessorados (jogo de número 1.000; 700 jogos com a camisa do time; Primeira vez que irá enfrentar o ex-clube, e etc). Quando isso acontecer, a probabilidade de gerar uma boa matéria é grande.

No próximo capítulo iremos mostrar o cotidiano dos jornalistas, dando enfoque para os profissionais que cobrem e atuam no ramo esportivo, mais precisamente no futebol. Quais são as suas principais funções e tarefas? E de que maneira podem exercer o seu papel de forma correta, sem faltar com a ética e os princípios básicos de um bom comunicador.
 

 

Leia mais:
Jornalismo Esportivo x Assessoria de Imprensa
Capítulo III – A figura do assessor ganha cada vez mais importância no meio esportivo
Capítulo IV – Jornalistas x Assessores de Imprensa. A popularização do futebol é inevitável, mas como melhorar esse relacionamento?

*Jornalista formado pela Universidade Católica de Santos – UniSantos – e pós-graduado em Jornalismo Esportivo e Multimídias, pela Universidade Anhembi Morumbi. Autor do livro “Manual de Assessoria de Imprensa Esportiva – Capítulo Futebol”