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Doping no Esporte

O esporte mundial se assombrou com os exames que apontaram o “doping” do lutador Anderson Silva, logo após o seu retorno ao octágono.

Considera-se doping o uso de qualquer droga ou medicamento que possa aumentar o desempenho dos atletas durante uma competição. Também é considerado doping a utilização de substâncias que não tragam necessariamente ganho esportivo como a maconha.

A proibição da dopagem tem por objetivo assegurar a paridade de condições entre os competidores. Assim, garante-se que as regras desportivas estabelecidas sejam respeitadas, permitindo-se que os atletas, individualmente ou em equipe, possam disputar as competições com fair play (o jogo limpo).

A fim de uniformizar as regras do doping e as substancias proibidas, foi a criada em 1999, pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), a Agência Mundial Antidopagem (WADA).

A WADA, por sua vez, criou um Código Mundial Antidopagem que deve ser respeitado por todas as Federações filiadas ao Comitê Olímpico Internacional.

Como a Federação Internacional de MMA não é filiada ao COI e, consequentemente, as artes marciais mistas fazem parte do calendário olímpico, o UFC não é obrigado a seguir as regras da WADA, razão pela qual o julgamento de Anderson Silva não se dará com base no Código Mundial Antidopagem.

Doutro giro, o futebol, como modalidade olímpica, tem a obrigação de seguir todas as regras antidopagem estabelecidas pela WADA.

Assim, caso um jogador de futebol faça uso de algum estimulante, diurético, anabolizante ou hormônio, o atleta sofrerá severas penas, como ocorreu com o atacante brasileiro Jobson. O doping pode acarretar até mesmo o banimento do esporte.

A importância da garantia da lisura das competições e do combate ao doping é tão grande que o Governo Brasileiro criou a ABCD (Agência Brasileira de Controle de Dopagem) que tem a missão de consolidar a consciência antidopagem e defender no âmbito nacional, o direito dos atletas de participarem de competições esportivas livres de quaisquer formas de dopagem.

Importante destacar, ainda, o exemplo que os atletas de ponta trazem aos jovens que, muitas vezes, espelham suas atitudes e ações nos seus ídolos do esporte.

Portanto, há um movimento mundial no combate à fraude de resultados desportivos por meio de substâncias proibidas e, para que as competições tenham sua credibilidade asseguradas, é imprescindível que haja punições severas aos atletas que utilizem substâncias dopantes. 

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O poder do conjunto no futebol

É interessante vermos acontecer no futebol casos em que os clubes fazem inúmeras contratações no início da temporada e muito se espera quanto aos resultados positivos logo nos primeiros jogos ou competições. Mas será que estamos compreendendo o impacto que causa a uma equipe todas as mudanças ocasionadas por muitas alterações tanto na comissão técnica quanto no elenco?

O treinador enquanto líder do elenco, sendo ele recém-chegado no clube ou não, tem uma dura missão de conseguir promover uma rápida e eficaz sinergia entre os atletas para que eles possam desempenhar em campo o que se imagina e espera que eles possam fazer. Com isso, espera-se igualmente a chegada dos resultados positivos. Mas, eventualmente isso não acontece.

Recentemente li um texto de Daniel Goleman falando sobre o poder do “nós” e o quanto isso está sendo esquecido por líderes da atualidade. Eles vivem se perguntando os reais motivos pelos quais não se conseguem construir um time, que trabalhe de maneira colaborativa e sinérgica. Conforme Goleman, o autoconhecimento impulsiona a autogestão. A autoconsciência também impulsiona empatia. Se um líder não entrar em sintonia com ele próprio, não será capaz de se sintonizar bem com os outros. Estas competências irão permitir que um líder possa criar ressonância e mover as pessoas a sua volta na direção de uma visão autêntica e convincente. Quando existe um propósito comum compartilhado, isso torna o trabalho emocionante e envolvente.

Neste contexto o poder do “nós” pode ter alguma relação com o resultado de um time. Atualmente estudos de felicidade e bem-estar mostram que quando uma pessoa é uma parte de uma comunidade, tente a ser próspera e produtiva. Assim, um treinador enquanto líder que esteja consciente da importância dos relacionamentos com sua equipe, poderá criar um ambiente no grupo que envolva os atletas a colocarem o seu melhor na conquista de um bem comum.

O caminho para conseguir materializar o poder do conjunto talvez esteja na integração, para com isso chegar num engajamento sustentável dos envolvidos. Hoje sabemos que uma maneira de criar um senso de comunidade é integrar as várias partes de um grupo e o papel do líder se faz em reconhecer e promover a percepção de que todos estão juntos nessa. A competição não é diretamente de uns com os outros e se faz necessário reconhecer que cada atleta traz algo de valioso para o grupo, com o objetivo de melhorar continuamente todo o elenco.

Quando o treinador começa a perceber todos os envolvidos no elenco como parte de um todo, ele vê a importância do conjunto e passa a ser capaz de criar os vínculos necessários para a sua integração. Começa-se a perceber que as pessoas não são apenas elementos individuais, mas sim um conjunto que atua em harmonia e os laços de colaboração começam a serem mais efetivos.

Assim, reflito sobre este desafio adicional das equipes recentemente montadas e suas respectivas capacidades de utilizarem o poder do conjunto ou do “nós” em seu cotidiano, para com isso vencer a barreira do tempo curto na busca por melhores resultados em campo.

Um grande desafio, não acham? 

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A lei funciona?

A Lei Pelé, de 1998, e suas subsequentes alterações trouxe uma série de inovações na forma de regulamentação da legislação pertinente ao esporte no país, dentre as quais a responsabilização dos dirigentes que mal conduzem as entidades as quais assume mandato por tempo determinado.

Vou ignorar, neste contexto, a Lei Zico, de 1992, que igualmente previu sanções a dirigentes por má administração – apenas para facilitar e tornar mais objetivo esta coluna, embora extensa pela complexidade do tema.

Vamos destacar os seguintes artigos e redações: (1) no Artigo 2º, que fala em “responsabilidade social de seus dirigentes” – o “seus”, grifado, refere-se as entidades do desporto; (2) no Artigo 23, que aborda a “inelegibilidade dos dirigentes” que forem condenados por crime doloso, inadimplentes na prestação de contas de recursos públicos ou da própria entidade que dirigem, afastados de cargos eletivos ou de confiança de entidade esportiva, inadimplentes das contribuições previdenciárias e trabalhistas ou falidos. Reforça ainda que o dirigente, mesmo que o estatuto da entidade esportiva não preveja, estará afastado preventivamente ao incorrer em uma das hipóteses supra citadas, prevendo-se a sua destituição; (3) no Artigo 27 há a previsão de que dirigentes de entidades de administração ou prática esportiva de competições profissionais sujeitam seus bens particulares (grifo meu, por remeter ao Código Civil), além das sanções e responsabilidades previstas também no Código Civil, que é, em síntese, a devolução do prejuízo à entidade na hipótese de gerar proveito próprio ou de terceiros; (4) o Artigo 27 vai além, prevendo em seu parágrafo 6º que o financiamento com recursos públicos ou os programas de recuperação econômico-financeira só poderão ocorrer se atenderem a condições como apresentação de um plano de resgate e de investimento (inciso II), garantia de independência dos conselhos fiscal e de administração (inciso III), adotar modelo profissional e transparente (inciso IV), apresentar suas demonstrações financeiras em conjunto com relatórios de auditoria, conforme já estipulado na própria Lei (inciso V). Complementa no parágrafo 7º que a implementação de um eventual plano de resgate deverá ser utilizado para a quitação prioritária de débitos fiscais, previdenciários e trabalhistas (inciso I), subsidiariamente para investimentos na construção ou melhoria de equipamentos esportivos (inciso II); (5) permanecendo no Artigo 27, parágrafo 13, reforça-se que, para fins de fiscalização e controle, as entidades esportivas com atividades profissionais equiparam-se às sociedades empresárias; (6) no Artigo 46-A, reforça-se o viés da transparência, obrigando as entidades esportivas com atividades profissionais de darem publicidade a suas demonstrações financeiras, separando as atividades econômicas e regidas por critérios estabelecidos pelo Conselho Federal de Contabilidade. Como sanção, prevê-se a inelegibilidade de dirigentes (por até 10 anos) ou a nulidade de atos praticados, com aplicação da lei vigente.

Com base nesta narrativa e todas estas amarrações legais, vou listar aqui o nome e a agremiação de todos os dirigentes já punidos por meio da legislação vigente:

Exatamente! Nenhum dirigente até hoje foi punido (se estiver enganado, me avisem! Pelo menos posso afirmar que não tive conhecimento…). Apesar de vermos que o legislador se preocupou com diferentes questões ligadas a sanções e fiscalização das entidades esportivas, o resultado prático é o que temos visto nos últimos anos: o crescimento exponencial do endividamento dos clubes. Nenhuma entidade de prática ou de administração do esporte abriu denúncias ou foi efetivamente responsabilizada por seus atos.

Ou seja, mudar lei achando que irá mexer no sistema é um debate anacrônico. Já se tentou isso várias vezes ao longo da nossa história recente. O fato é que sempre vamos para o caminho mais fácil, que é o da sanção ante a previsão de regras que, ao serem descumpridas, tem-se efetivamente a punição a A ou B, que dificilmente acontece.

Na prática, a morosidade ou a ausência de punição torna o desvio algo estimulante na cabeça da grande maioria dos dirigentes – é bom que se diga que tal linha de raciocínio e sistema não são privilégios do esporte de uma maneira geral.

Falar que as entidades esportivas são, há anos, coniventes com administrações nefastas também não é nenhuma novidade. Que o poder judiciário segue a mesma premissa também não o é. Está claro que há um descumprimento massivo da legislação vigente. Aí pergunto: por que devemos acreditar que agora será diferente?

Reforça-se ainda, dentro deste contexto, que a “transferência de responsabilidade” das entidades esportivas para o governo, com a criação de uma “Agência Reguladora” a partir do refinanciamento de dívidas fiscais, em um momento que, ironicamente, o Governo Federal passa por severos ajustes fiscais, é algo extremamente questionável.

Mas, como diz o ditado, “águas passadas não movem moinhos”, vamos ao que interessa: teremos uma Agência Reguladora! É o que foi definido em um ciclo de reuniões no Ministério do Esporte na última semana.

Por se tratar de uma premissa que parece irrefutável, resta-nos pensar em soluções para o cenário que foi construído por linhas não tão retilíneas assim. Para que uma Agência Reguladora no esporte seja efetiva e para que não precisemos voltar ao mesmo assunto daqui 10 anos, insisto, como venho fazendo há algum tempo, que o sistema inverta a sua direção e forma de abordagem, encarando o problema definitivamente.

Ao invés de punitivo, que se crie um SISTEMA DE ESTÍMULOS. Para mudar de fato a gestão dos clubes, a única solução que consigo enxergar é o de aplicação da MERITOCRACIA, ou seja, aqueles que fazem bem feito, terão BENEFÍCIOS. Aqueles que não cumprirem com determinados indicadores, serão sistematicamente esquecidos.

Seria algo como o que a Agência Moody’s faz, sinalizando ao mercado quais são as empresas que merecem investimentos e quais são aquelas que não vale a pena manter qualquer tipo de relacionamento comercial, pontuando-as periodicamente.

Para o caso do futebol, seria o indicador para que patrocinadores e mídia saibam quem são as entidades boas para se investir e quais são aquelas com maiores riscos de imagem e credibilidade que podem impactar negativamente seus negócios.

Para atletas saberem quem são bons contratantes e quem são os maus pagado
res, utilizando a informação como poder de barganha para as suas negociações (ou em uma via de mão-dupla se pensarmos com a cabeça dos clubes com melhores avaliações na hora de negociar contratos). Para fornecedores de quaisquer naturezas a premissa é similar a dos atletas. Para empréstimos ou benefícios fiscais, se teria um balizador importante, tanto para o governo quanto para bancos no momento de calcular os juros, por exemplo.

Neste âmbito, apenas as entidades com boas práticas de gestão teriam facilidades para se relacionar com o mercado e, consequentemente, serem competitivas no meio esportivo. Automaticamente, educa-se o mercado esportivo para uma concorrência sadia por aperfeiçoar suas práticas de gestão.

Para finalizar, vamos a mais uma analogia do nosso cotidiano para poder reforçar o conceito: o que se está tentando fazer ao se criar mais um sistema de sanções às entidades esportivas é o mesmo que achar que a segurança pública se resolve com mais presídios e não com mais educação e projetos sociais de longa duração e elevado impacto… Voltando a pergunta do título: “Só a Lei funciona?”. 

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A comunicação e o combate à violência no esporte

A despeito de ter sido feita de forma empírica ou de ter sido alicerçada em casos isolados durante muitos anos, existe no marketing uma área destinada a estudar a experiência do consumidor. Esse desenho é parte fundamental em qualquer plano de comunicação e inclui toda a relação que as pessoas têm com a marca, da percepção ao consumo. Esse é mais um conceito que o esporte precisa aprender. Urgentemente.

A experiência do consumo começa com a relação que as pessoas têm com marcas e eventos. O esporte sai na frente nesse caso – times precisam fazer nada ou quase nada para criar nos torcedores uma relação que oscila entre a empatia e o amor. E aí as perguntas servem para qualquer um no Brasil: o que seu time faz para ter uma relação ainda mais próxima com você? O que os outros times fazem para tentar conquistar você?

Parte desse descaso afeta a própria imagem das instituições. O desenho de qualquer experiência depende fundamentalmente do que as pessoas pensam sobre a marca. A Disney, exemplo mais bem acabado e mais antigo desse tipo de estratégia, não é um sucesso comercial apenas por ter boas atrações ou bons personagens. O planejamento da empresa inclui a criação de um conceito que transforme os parques e produtos em objetos de desejo.

Independentemente da modalidade, times brasileiros não se esforçam para construir marcas que sejam objetos de desejo. Não há planos de comunicação que sejam focados no que os torcedores querem consumir (e consumir aqui é um conceito infinitamente maior do que “comprar produtos oficiais”).

O desleixo com eventos esportivos é apenas parte desse problema. Como não se preocupam com a imagem que vendem, times não pensam em quais consumidores eles querem atingir, em quais momentos e com quais mensagens. Tampouco ponderam quais são as pessoas a serem atraídas em jogos e como levá-las às arenas.

No início de 2015, essa falta de conceito sobre eventos esportivos afetou diretamente dois dos principais Estaduais de futebol do Brasil. A venda de ingressos tornou-se motivo de discussão no Rio de Janeiro e em São Paulo.

No Rio, Flamengo e Fluminense insurgiram-se contra a política de ingressos imposta pela Federação Estadual do Rio de Janeiro (Ferj). Eduardo Bandeira de Mello, presidente da equipe rubro-negra, chegou a ameaçar retirar os titulares do Estadual para evitar prejuízos pelo controle de preços.

Após pressão, a Ferj admitiu que Flamengo e Fluminense estabelecessem preços superiores ao limite que a entidade havia estabelecido. Os dois clubes alegam que precisavam de valores mais altos para custear a operação das partidas e obter lucro. E em nenhum momento o perfil de público foi tema de debate.

Aqui cabe uma comparação com as principais ligas esportivas dos Estados Unidos. O tíquete médio cobrado em jogos de beisebol é muito menor do que o valor de um ingresso para o futebol americano. A lógica incutida nisso é que são atrações para diferentes tipos de público – e diferentes tipos de público carregam diferentes demandas.

Em São Paulo, a polêmica teve a segurança como plano de fundo. Palmeiras e Corinthians disputaram clássico no último domingo (08), no Allianz Parque. Por influência do Ministério Público de São Paulo e da diretoria alviverde, a Federação Paulista de Futebol (FPF) chegou a anunciar que a partida teria torcida única. Após ameaça do presidente corintiano, a entidade mudou de ideia.

FPF e Ministério Público usaram a segurança como justificativa para defender torcida única no clássico; O Palmeiras também citou aspectos comerciais (a separação de público exigiria uma série de adaptações e inutilizaria uma série de cadeiras do estádio). E ninguém pensou na experiência do torcedor.

O Corinthians também entra nessa discussão. Quando teve acesso a uma carga de ingressos, o time alvinegro destinou essas entradas a torcedores organizados. Talvez tenha pesado o apoio que esses grupos oferecem ao time, mas será que houve ao menos uma discussão sobre o melhor perfil de público para destinar um número pequeno de bilhetes?

A relação é de oferta e procura. Se eu tenho um universo de milhões de torcedores e acesso a pouco mais de mil entradas, qual é o critério para escolher a quem destiná-las? A partir da definição do critério, em que a experiência do jogo é modificada para atender a apenas esse contingente?

A ideia que um torcedor oganizado tem de um jogo ideal é radicalmente diferente da ideia de alguém menos fanático ou assíduo, por exemplo. São pessoas com necessidades e vontades distintas, e entender isso é parte de um plano de comunicação adequado para um evento.

O esporte é um segmento plural, que permeia diferentes classes sociais e atrai pessoas com perfis muito diferentes. Além disso, é um segmento democrático, que coloca todos esses grupos em um mesmo ambiente. O problema é confundir democracia com tratamento homogêneo.

Entender isso é ponto fundamental para determinar questões como preço e serviço. O ingresso de um jogo de futebol é caro? A resposta é: não sei. Barato e caro são conceitos muito subjetivos, que não têm relação apenas com a quantidade de zeros da conta bancária do consumidor. Você já deve ter achado que pagou muito por um produto barato, mas que foi inútil. Da mesma forma, deve ter achado uma pechincha quando teve uma experiência inesquecível, mesmo após ter desembolsado um bom dinheiro.

A discussão sobre aspectos como preços e cargas destinadas a torcedores em eventos esportivos deve ser abrangente, levando em conta fatores como segurança, custo da operação e comportamento do público. Mas também deve passar necessariamente por um desenho da experiência, e isso tem de ser feito a partir de um plano de comunicação. Afinal, que tipo de torcedor o esporte quer atrair para um evento? E que tipo de experiência o esporte quer proporcionar? 

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Planilha de aproveitamento semanal de treinamento

Há cerca de dois anos foi discutida a importância de controlar o aproveitamento semanal dos jogadores ao longo de um microciclo de treinamento. Em tempos de mensuração de inúmeras variáveis do treino, foi apontado (e cada vez mais é confirmado) que dados sutis e relevantes da equipe são colocados em segundo plano e, na imensa maioria das vezes, desconsiderados.
Recentemente, acompanhando uma declaração de Diego Simeone, técnico do Atlético de Madri-ESP, sobre um dos seus segredos de gestão da equipe, ele apontou o máximo estímulo à competição entre os atletas. Tal fato despertou o tema da coluna desta semana, que pretende reacender a discussão sobre um controle de treinamento específico à modalidade.
Quanto à opinião de Simeone, mais do que competir internamente, o atleta deve ser educado ao longo de um processo de formação e mesmo profissionalmente, a competir com ele mesmo. Numa busca constante por crescimento, autoconhecimento e, basicamente, por ser melhor do que ontem e pior do que amanhã.
Nesta perspectiva, uma planilha de aproveitamento semanal de treinamento atua como uma ferramenta simples, porém, de significativa relevância por proporcionar reflexões não somente aos jogadores, mas também às comissões técnicas.

Em linhas gerais, ao longo do microciclo de treinamento, os vencedores de cada jogo são registrados para que após o término da semana a Comissão Técnica (e os próprios jogadores) tenham ciência do aproveitamento da equipe. Na planilha, para cada dia são indicados os pontos disputados, os pontos feitos e o peso do dia, estabelecido em função da complexidade estipulada para a sessão de treino. Nas últimas colunas a planilha contabiliza o total de pontos feitos, pontos disputados, além do percentual de aproveitamento.

Nas atividades, cada vitória vale 3 pontos e empate 1 ponto. Como indicador de desempenho para o aproveitamento semanal, a sugestão de classificação é a seguinte:
Até 33,33% – Nota 1 – (aproveitamento baixo)
De 33,34% a 50% – Nota 2 – (aproveitamento regular)
De 50,01% a 60,00% – Nota 3 – (aproveitamento bom)
De 60,01% a 70,00% – Nota 4 – (aproveitamento muito bom)
De 70,01% a 100% – Nota 5 – (aproveitamento excelente)
Nas últimas temporadas, os grupos que foram submetidos a este controle de treino foram os seguintes:
Grêmio Novorizontino – equipe sub 20
Grêmio Novorizontino – equipe sub 17
Clube Atlético Paranaense – equipe sub 13
Clube Atlético Paranaense – equipe sub 17
Atualmente, tal controle também está sendo realizado na categoria que trabalho.
Quem teve oportunidade de acompanhar a aplicação permanente desta ferramenta de controle, seja através de estágios, visitas técnicas ou até os integrantes da Comissão Técnica da categoria que desconheciam este controle afirmam que a “intensidade” do treinamento impressiona.
Na tentativa de aproximar o Jogo do treino, classifico esta ferramenta como indispensável!
Como, muitas vezes, somos atraídos por números para nos certificarmos e chegarmos às conclusões quanto à validação/aprovação/promoção de um atleta, é válido afirmar que o aproveitamento semanal é somente mais uma das inúmeras variáveis que devem compor a Avaliação Interdisciplinar de um jogador. Por exemplo, seguramente, aquele atleta não maturado numa categoria sub 15, tem grandes chances de ter um baixo aproveitamento semanal em virtude da dificuldade de conseguir suportar o jogo em comparação a outros atletas. Talvez, para este jogador, o que valha não é saber qual a sua média de aproveitamento semanal e sim, como é a sua resposta a ela.
Caso tenha interesse, clique aqui e realize o download da planilha.
Abraços, bons treinos e até a próxima!

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Agência Reguladora no futebol

Nesta semana a criação de uma Agência Reguladora do Futebol foi objeto de debate e consenso em reunião do grupo interministerial formado pela presidente Dilma Rousseff para estudar a reforma do futebol brasileiro juntamente com jornalistas e especialistas convidados.

As Agências Reguladoras são criadas por Lei, tem natureza de Autarquia com regime jurídico especial e possuem poderes especiais para fiscalizar e regular determinada atividade de interessa público exercidas pela iniciativa privada.

No Brasil há Agências Reguladoras em setores fundamentais como transportes, telecomunicações, petróleo, saúde energia e seus dirigentes são nomeados pela Presidente da República após prévia aprovação pelo Senado Federal.

A existência das Agências Reguladoras está previsto no artigo 174, da Constituição Brasileira, que estabelece o papel do Estado na fiscalização e regulação do setor privado,

O grande cerne da questão é avaliar se o futebol é, de fato, um setor que demande fiscalização pelo Estado Brasileiro, especialmente, considerando que se trata de um país à beira de um colapso energético e com carência em setores básicos como saúde e educação.

A Constituição Brasileira, em seu art. 1º estabelece a livre iniciativa como um dos fundamentos do Estado Democrático de Direito. O texto constitucional garante, ainda, em seu art. 217, a autonomia das entidades desportivas dirigentes e associações.

O futebol corresponde a uma atividade privada gerida e praticada por entidades privadas e com objetivos estritamente privados.

O interesse público no esporte se atem à prática lúdica com o objetivo de promover a saúde e para fiscalizar a eventual utilização de recursos públicos por ventura oferecidos e utilizados pelas entidades desportivas.

Por mais que o futebol faça parte da cultura brasileira e esteja arraigado nela, sua prática profissional é supérflua sob o ponto de vista estatal.

Ademais, o momento econômico do país exige controle de gastos e não a criação de nova estrutura autárquica com a contratação de novos servidores e investimento em infraestrutura.

Mesmo com todos os problemas enfrentados pelo futebol brasileiro, não há justificativa constitucional ou de interesse público para a criação de uma Agência Reguladora do Futebol.

O Estado deve agir de forma a viabilizar o pagamento (e recebimento) de tributos atrasados, exigindo o adimplemento das obrigações tributárias por parte dos clubes de futebol e não interferindo no funcionamento das entidades desportivas.

Para deslinde da questão, urge ressaltar que o artigo 5º, XVIII, da Constituição Brasileira proíbe expressamente a interferência estatal no funcionamento de associações, o que se aplica à CBF, às Federações Estaduais e à maioria dos clubes de futebol. 

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Incompetência única

Dérbi da paz?

Dérbi da pá. De cal na alegria do futebol.

Clássico com torcida única é a melhor maneira de acabar com a humanidade.

A institucionalização da intolerância é a falência do poder público que não é poder, não é público, e lava as mãos enquanto tira da reta.

A imensa maioria de paz das torcidas é refém da violência de bandidos cúmplices da incapacidade das autoridades de serem minimamente capazes com a falta de autoridade escondida como vergonha debaixo de um capuz. Capachos de um batalhão que choca o cidadão.

Só nos resta chorar a morte dolorosa do direito e do dever de saber que para vencer é preciso alguém perder. A arte de gozar e ser zoado. O contraditório ainda que a contragosto. A convivência de contrários tão distintos que acabam iguais.

Parabéns, MP e PM. A ordem dos fatores adulterou o produto.

Posso só fazer uma pergunta: se eu convidar alguns amigos corintianos para um churrasco lá em casa vocês vão me prender?
 

*Texto publicado originalmente no blog do Mauro Beting, no portal Lancenet.

 
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Quando um atleta deve procurar um coach?

Eventualmente temos percebido que dia após dia o tema Coaching tem sido abordado na mídia, mas quero colaborar com uma reflexão em relação ao momento em que se deve recorrer a este tipo de trabalho.

Como todos nós sabemos o Coaching pode ser entendido como um meio para se chegar a um determinado fim e sua definição mais simples e conhecida é a de que este é um processo que contribui para o desenvolvimento humano através do atingimento de metas ou realização de sonhos. Posso complementar e ir mais além, reconhecendo que ele é uma forma de contribuir genuinamente para que as pessoas possam levar uma vida mais plena e com significado.

Mas aqui nesta coluna quero especificamente abordar a questão que passa na cabeça de todo atleta ou ex-atleta que é: Quando devo procurar um coach?

Numa visão mais simplista podemos compreender que todas as pessoas que possuem um objetivo a ser atingido ou um grande sonho ou meta a realizar podem recorrer aos serviços de um coach para realizar um processo de Coaching. O fato de se desejar sair do ponto onde está em direção ao ponto onde se deseja chegar já é um bom motivo para fazer Coaching, pois em muitos e muitos casos avançar de maneira solitária rumo ao objetivo desejado é muito difícil e igualmente mais demorado.

Mas, quero aqui, colocar mais um tempero sobre uma das situações nas quais os atletas devem necessariamente pensar em passar por um processo de Coaching que é a sua inevitável transição de carreira. Este é um momento de fundamental importância para a vida do atleta e para o qual um processo de Coaching para transição de carreira se faz muito eficiente e eficaz, pois na grande maioria dos atletas de futebol pelo Brasil este momento da carreira é tratado de forma simplista e negligente, impactando direta e indiretamente muitas vidas humanas quando não tratado de forma adequada. Pelo que vejo atualmente, temos um longo caminho a percorrer em relação à contribuição que o processo de Coaching pode trazer no futebol e no esporte em geral, seja na busca por melhores rendimentos na carreira enquanto atleta profissional, ou seja, no momento de se refletir e planejar uma nova carreira (no esporte ou não). Para mim estes são os dois momentos na atualidade onde os atletas estão começando a procurar ajuda de um Coach, no desejo da melhoria de performance esportiva ou na necessidade de se preparar para uma nova carreira profissional.

Até a próxima. 

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O (eterno) problema da segurança nos estádios

Recentemente li um texto de um “grande” colunista (que prefiro, desta feita, não citar) versando sobre os “pais coxinhas” que não levam seus filhos nos estádios de clubes brasileiros e os deixam gostar do futebol europeu em detrimento ao que é praticado no Brasil. A não citação específica ao texto é para não expor especificamente uma opinião que considero o retrato da nossa cultura: é melhor transferir o problema para terceiros do que assumir para si e procurar resolvê-lo.

E digo isso movido pela série de notícias que já no início dos campeonatos estaduais estamos novamente assistindo, que é o da violência nos estádios. Desde a Copa São Paulo de Junior ao Campeonato Gaúcho, tenho acompanhado uma enxurrada de casos que só reforçam esta premissa. Tudo em menos de um mês. E aí volto a questão inicial para tentar entender se são “pais coxinhas” ou “pais zelosos”? Já fiz essa pergunta em outra coluna e volto a repeti-la: que tipo de torcedor os clubes querem escolher?

A questão da segurança nos estádios (ou novas arenas) vai muito além de fatos pontuais de violência que ocorrem e recheiam os noticiários policiais dos telejornais. O grande dilema é a sensação de segurança, que tem um valor inestimável.

Se a violência pode ser medida em números, como a quantidade de conflitos, brigas, arranhões, ferimentos ou até mortes, a sensação de segurança é um bem intangível mas que faz toda a diferença para o clima e ambiente que é criado dentro de um espetáculo esportivo.

Para um exemplo fora deste contexto, podemos citar a sensação de segurança existente quando se vai a um teatro ou ao cinema no shopping. Pode até ocorrer um caso de violência isolada que gere notícia, mas as pessoas que frequentam estes ambientes, via de regra, vivem em um clima harmonioso e tranquilo, o que faz com que elas voltem a este lugar frequentemente.

Nos estádios, ao contrário. O clima não é o mesmo. E é sobre este ambiente que precisa de uma intervenção urgente se o mercado do futebol brasileiro quiser efetivamente atrair um torcedor diferente – ou aquele que está migrando para um apreço maior ao futebol europeu (ou chinês ou até americano!!!).

E não adianta também transferir o problema apenas para a segurança pública, que esta não tem condições de resolver tudo. Tanto clubes quanto entidades de administração do esporte precisam de uma ação proativa e profilática.

Encerrando para reforçar um conceito: não adianta culpar o consumidor por gostar mais de A em detrimento a B. Tratam-se de escolhas de consumo e o consumidor irá preferir SEMPRE aquele que entrega melhor valor e benefícios para si. Se quiser mudar, trabalhe para cativar. Querer obrigar alguém a gostar de algo é coisa da ditadura!!! 

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Futebol americano ensina: até o silêncio pode ser boa comunicação

Escolhido MVP (sigla em inglês para “jogador mais valioso”) na edição 2015 do Super Bowl, jogo que decide a liga profissional de futebol americano (NFL), o quarterback Tom Brady é o arquétipo perfeito do herói moderno. Desacreditado no início da carreira, construiu uma história de recordes até se tornar um dos maiores de todos os tempos. Além disso, é bonito, fala bem, tem fama de bom moço e se casou com a brasileira Gisele Bündchen, modelo que é um dos nomes mais relevantes da moda contemporânea. Contudo, não veio dele a maior lição de comunicação do Super Bowl. O personagem da vez é Marshawn Lynch, running back do Seattle Seahawks, cujo perfil é extremamente oposto ao do astro do New England Patriots.

Ao contrário de Brady, Lynch sempre foi badalado. Incluído desde a adolescência entre os nomes mais promissores do país na posição, o running back foi escolhido pelo Buffalo Bills na primeira rodada do draft da NFL de 2007 – Tom Brady foi apenas o 199º selecionado em 2000.

Em sua segunda temporada na liga, Brady conduziu o New England Patriots ao título e foi eleito pela primeira vez MVP do Super Bowl (ele recebeu essa honraria em quatro edições do jogo). Lynch, por outro lado, sofreu com lesões e problemas pessoais em seu início de trajetória na NFL. Em 2009, chegou a ser processado por posse ilegal de armas.

Há outro ponto fundamental que distancia os dois personagens: Brady fala. Lynch, sempre avesso a entrevistas, foi punido diversas vezes por faltar a encontros com a mídia ou por se recusar a responder.

Em 2015, o running back do Seattle Seahawks encontrou um jeito curioso para driblar a pressão da NFL. Num dos momentos mais divertidos da temporada, ele passou uma entrevista inteira usando apenas versões de uma mesma resposta. Independentemente do teor do questionamento, ele sempre saía com algo como “Obrigado pela sua pergunta e pelo seu interesse. Próximo”.

O silêncio corroborou a imagem de bad boy de Lynch, e isso não fez mal a ele. Ao contrário, aliás. Na semana que precedeu o Super Bowl, o jogador apareceu em eventos oficiais usando roupas com marcas próprias. Instantes depois, camisetas e bonés com logotipos alusivos a ele estavam esgotados.

Aqui há dois pontos importantes. O primeiro, e é até repetitivo dizer isso, é a programação do Super Bowl. O jogo que decide a NFL não é um evento de uma noite – a noite do jogo é apenas o ápice de uma programação que se estende por toda a semana.

Outro ponto é sobre Lynch. O tal cara que não fala, que é avesso ao marketing pessoal e que não liga para a imagem, já lançou quatro marcas próprias. Outras três estão em processo de regristro, com ênfase no apelido “Beast Mode” (algo que tem relação direta com os videogames e que representa um momento especial, como se ele funcionasse sempre numa rotação superior à dos outros atletas).

Lynch nunca precisou ser bom moço para ser um bom personagem. Aliás, não precisou sequer falar. O running back virou protagonista por conseguir conciliar bom desempenho e um perfil que chama atenção pela marra e pelo estilo.

Quem acompanhou futebol na década de 1990 sabe o que Edmundo representou na realidade brasileira. Em 1997, principalmente, o atacante fez no Vasco o que poucos fizeram no planeta. Agora tente lembrar como foi trabalhada a imagem do jogador. Tente lembrar do que foi feito para que o “Animal” virasse uma marca ou vendesse além do esporte.

Sim, era outra época. Sim, era outro esporte. Mas o francês Éric Cantona também foi um jogador de futebol marcado pelo estilo bad boy naquele período, e isso não impediu que ele se tornasse o principal porta-voz da fabricante de material esportivo Nike.

Mesmo depois da aposentadoria, Cantona seguiu sendo uma espécie de embaixador global da empresa. Era ele o responsável por criar um elo entre tantos nomes que a Nike patrocinava no período.

Cantona nunca precisou ser bom moço para ser um bom personagem. Assim como Lynch, ganhou mercado por reunir atributos como autoconfiança e talento.

O caso do jogador de futebol americano só tem um componente a mais, que é o silêncio. Sim, isso não tem explicação apenas mercadológica – Lynch realmente detesta dar entrevistas. Mas a questão aqui é que as equipes que planejam a comunicação do atleta e do Seattle Seahawks – sim, isso é planejado – pensaram em como fazer disso um atributo para potencializar a imagem.

Para quem trabalha com comunicação, um dos maiores ensinamentos do Super Bowl de 2015 é que não é preciso pasteurizar nada para conseguir relevância. Há espaço no mercado para diferentes perfis, desde que exista um trabalho correto para alavancar os atributos corretos. Às vezes, não é preciso nem falar para conseguir isso.