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Diretoria: uma das pernas na qual descansa o trabalho em equipe

Todo mundo sabe disso, mas no futebol é comum que a gente acabe se concentrando unicamente em indivíduos, mesmo que o resultado seja devido à um esforço coletivo. Pense em bônus por desempenho, promoções ou contratações. O foco está sempre em um ou outro, e isso acaba sendo um grande erro. Entretanto, para que o todo funcione muito bem, é evidente que se deve escolher corretamente aqueles que exercerão determinados cargos dentro do clube. Neste caso, não se escolhe somente a pessoa, mas fundamentalmente suas ideias e seu comportamento.
Após a escolha, o papel da direção do clube passa a ser um tanto amplo, ou seja, além de compartilhar as informações, deve-se fazer cumprir os projetos do clube por meio de um alinhamento absoluto de objetivo e confiança. Este caminho só pode ser percorrido com conceitos claros, contenção de excessos e um processo de avaliação constante.
Aqui recai uma das habilidades mais importantes de um diretor: a capacidade de perceber e desenvolver o potencial das pessoas. Todos nós temos limitações em determinadas áreas, em contrapartida somos muito bons em várias outras. Em uma equipe, os conhecimentos se completam e o respeito pelas habilidades e limitações de cada um é a chave para o bom andamento do trabalho. Não se trata de saber mais ou saber menos, mas sim de somar e potencializar os “diferentes saberes” em função do clube na busca pelos resultados desejados.
Vale lembrar que o resultado desejado no processo de formação, inclusive para o diretor, é fazer com que jogadores formados pelo clube se destaquem e subam ao profissional, ano após ano! Formar uma grande equipe, constituída em sua totalidade por jogadores do clube, não deveria ser tão utópico como parece; deveria ser o objetivo a ser alcançado. Mas para realizar um trabalho desta magnitude, o diretor não pode tratá-lo como um hobby. É preciso ser bem informado, observar a conduta de todos os envolvidos no processo, estar disponível para os staffs (principalmente para orientá-los), tomar decisões e agir respeitando sempre a identidade do clube, e o mais importante de tudo, ser o responsável pela construção e manutenção deste ciclo bem-sucedido.
 

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Entre o Intermediário e a CBF

Bem-vindos ao nosso fechamento de abril aqui no “Entre o Direito e o Esporte”. Nesse mês a gente conversou bastante sobre os intermediários no futebol brasileiro e hoje vamos fechar com o sistema registro que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) mantém para e que todo intermediário tem que saber. É um dos primeiros passos para todo mundo que quer trabalhar representando clubes e atletas do nossofutebol.
E para deixar tudo mais tranquilo de seguir, o nosso mapa de hoje é o seguinte: vamos começar falando sobre como os “regulamentos do mundo do futebol” veem esse sistema de registro; para daí conversar sobre os requisitos para o registro do intermediário na CBF; e fecharmos o mês trocando algumas ideias sobre alguns pontos importantes que é bom a gente saber.
Bora?
O “mundo do futebol” vive dos seus regulamentos, certo? E os intermediários dão de cara com essas regras no seu dia a dia – como a gente conversou na segunda semana de abril. Isso vale também para a questão do registro. Registro… é, imagina que é época de Copa do Mundo (FIFA, marca registrada, e tudo mais). Imagina que você é muito fã de tudo isso. Imagina que você é tão ligado no 220v do futebol que coleciona o álbum (Panini, mais uma marca registrada) da Copa do Mundo (FIFA®).
Você recebeu esse álbum em mãos. Esse álbum não tem nenhuma figurinha ainda. Só que no lugar dessas figurinhas já tem o espaço de cada um. Né? Colar a figurinha é só registrar e deixar mais claro (e brilhante) quem é quem ali – e no caso da CBF é a mesma coisa! Esse registro é apenas para deixar mais claro (e transparente) quem é quem no “mundo do futebol”. E cada associação nacional tem que fazer isso – ou seja, é uma ordem da FIFA e não é só por aqui. E mais: esse sistema é público, assim como o álbum (da Panini®).
Na CBF esse registro é anual, é como se fosse um CPF (ou CNPJ) dos intermediários – dá “vida” a essas pessoas (ou empresas) para o “mundo do futebol”. E o intermediário para ter esse seu CPF da CBF tem que mostrar algumas coisas necessárias, algumas exigências que estão lá nesses regulamentos. É que nem no álbum da Copa® que só vão aqueles que “cumprem um pré-requisito” (como a gente fala no juridiquês), e nesse caso são só aqueles jogadores que tem a possibilidade de ir para o Mundial.
Já pelos lados da CBF… os intermediários têm que ter e demonstrar uma reputação impecável. Beleza, e o que é isso? Bom, por aqui o jeito é mostrar as chamadas “certidões negativas” – como as criminais, civis e de protestos de títulos. Além disso, o intermediário tem que entregar uma declaração de que não tem qualquer relação contratual com liga, federação, confederação ou com a FIFA que possam levar a um conflito de interesse – que a gente viu semana passada. Até aí tranquilo, né?
Para conseguir esse “CPF da bola” o intermediário tem que pagar uma “taxa de registro” e juntar uma cópia da apólice de seguro de responsabilidade civil que esteja de acordo com o que a CBF acredita ser necessário – e isso custa dinheiro, que nem o seuseguro de vida, do carro, saúde… Esse seguro é uma maneira de “garantir” os clientes caso “dê ruim” por culpado intermediário. Ou seja, é por um bom motivo, vai!
Beleza, agora é que você me diz que já é intermediário e se registrou. Então tudo tranquilo e favorável, né? Quase… todo e qualquer contrato que você participe (jogador com clube ou clube com clube) tem que ser registrado na própria Confederação Brasileira de Futebol também. Lembra, o sistema é público e tem que ser transparente (mesmo que seja transparente só para a CBF de vez em quando).
Aí é tipo a Receita Federal e o seuimposto de renda, sabe? Lembra da pizzaria? Então, tudo que você vendia lá tinha que ir para o livro-caixa da sua empresa e ser declarada no imposto de renda (de pessoa jurídica) para que tudo fique certinho. E aqui a ideia é a mesma! A CBF quer saber o que você fez e faz (sistema transparente e claro), e por isso cada intermediário tem que registrar esses contratos.
É agora que você vira para mim e fala: “e se eu não quiser?”. Cara, sugestão de amigo… melhor fazer tudo direitinho. A Confederação Brasileira de Futebol pode punir jogador, clube e intermediário se alguém “esqueceu” qualquer um desses detalhes– e vários outros. Inclusive, a CBF pode julgaressas pessoas no seu Comitê Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) e decidir um monte de coisa.
Decidir que o jogador não pode mais atuar em qualquer atividade relacionada ao futebol (até treinar!), decidir que o clube vai ser rebaixado (pois é!), e decidir que o intermediário não pode mais trabalhar no sistema CBF (e todos os seusclientes vão embora). Claro, esse tipo de decisão (sanção) só acontece em casos muito absurdos – mas é bom lembrar que é sempre uma possibilidade, né? Imagina acontece com você! É quase como ser dono de uma pizzaria e não poder comprar mais farinha e tomate… o fim!
E, falando em fim, chegamos ao nosso aqui esse mês do “especial sobre intermediários” na nossacoluna. Aliás, pessoal, eu sei que deixei esse ®no mistério aqui hoje, né? Então, é que é esse o tema do nosso próximo mês quando vamos conversar sobre propriedade intelectual no futebol – e deixo assim, no ar!
Espero que tenham gostado desse nossoabril aqui “Entre o Direito e o Esporte”. E nos vemos daqui a uma semana no site da Universidade do Futebol para conversar sobre esse ®. Beleza? Deixo meu convite para falarem comigo por aqui, pelo meu LinkedIn ou pelo meu Twitter. Bom final de semana para vocês, e até logo!
 

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Não é coincidência o São Paulo não ganhar nada há tanto tempo

Mais do que ninguém sou apaixonado pela imprevisibilidade do futebol. Um esporte em que nem sempre o melhor vence, é algo que me prende e me fascina. E, entender o caos e a complexidade que circunda o jogo é algo que me move a estuda-lo cada vez mais.
Porém, mesmo diante desse cenário, o sucesso no futebol não é obra do acaso. Ele é planejado. É merecido. E deixa rastros e pistas para todos.
Clubes que foram vitoriosos por pelo menos um período médio de tempo – e não apenas ganharam um troféu aqui e outro alí – tiveram algo em comum na maioria das vezes; a manutenção de uma ideia de jogo. Uma identidade. Uma filosofia.
Vamos lembrar de equipes que ganharam com consistência no futebol brasileiro recentemente? Anote aí: nos anos 90: o São Paulo do inicio da década, o Palmeiras nos meados dela e o Corinthians da virada do século. Nos anos 2000, o Santos ressurgindo com os meninos da Vila, o São Paulo soberano e esse Corinthians que ressurgiu da Série B para ganhar praticamente tudo até agora.
Repare que não falei de jogadores e treinadores. Falei de eras. De conceitos. E todos representado por vários e diferentes atletas, técnicos e estilos. Mas cada um mantendo uma identidade padrão.
Basta uma mínima análise para ver as pistas que esses sucessos deixaram: continuidade, convicção, manutenção de filosofia de gestão e ideia de jogo.
Trazendo para os dias de hoje, qual clube grande paulista é o menos vitorioso dos últimos anos? Será que por mera coincidência é o que mais trocou de filosofia de futebol? – e aí entra no balaio mudança brusca não só no perfil de técnicos e jogadores, mas também de dirigentes. Pois é, falamos do São Paulo.
Que em abril já trocou de treinador. Que em abril tem jogador estreando (Everton). Que em abril já pensa em liberar para outro clube a sua grande aposta da temporada (Diego Souza). Que em abril já sabe que não será neste ano que ocupará sua galeria de conquistas com um troféu da Copa do Brasil.
É fato que no futebol, assim como na vida, sucesso e fracasso são opções. São escolhas. Algumas variáveis não podemos controlar dentro de um jogo de futebol. Mas outras variáveis, principalmente fora das quatro linhas, podemos. E é aí que a interferência deve ser mais assertiva e determinante. Tanto para o bem, como para o mal.

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Por onde também passa o futuro do futebol feminino no Brasil

Há algumas semanas esta coluna tratou do crescimento e desenvolvimento do futebol feminino no Brasil. Foram levantados alguns aspectos da modalidade, do seu envolvimento com a sociedade, algo sobre gênero e algumas hipóteses do porquê da falta de interesse por parte do público. Entretanto, o futuro deste esporte, praticado entre as mulheres, também passa pela maneira como é comunicado. 
Por como é comunicado se entende em como a mensagem do futebol é transmitida para determinado público-alvo. Pode ser ele com base na faixa etária, localização, equipe preferida e, claro, gênero. Nesse sentido, algumas emissoras de rádio e televisão contam com profissionais especializados em futebol para o público-alvo de interesse. É inegável que as mulheres formam hoje grande parte do mercado da modalidade – muito diferente de um tempo não tão distante – e, desta maneira, precisam de respostas que atendam às suas demandas (o tratamento da informação e a maneira como ela será transmitida, por exemplo).
Neste sentido, é crescente o número de narradoras e mulheres especialistas em futebol. E não apenas em futebol feminino. Que bom! Infelizmente, é comum perceber que elas precisam romper inúmeras barreiras ainda. No entanto, este cenário é uma realidade (não apenas com o futebol do Brasil, mas também com todas as questões relacionadas ao gênero na sociedade brasileira) sine qua non para que se alcance, de fato, uma igualdade plena de gêneros em nosso país. Muito se fala da projeção do futebol feminino dentro de campo, só que é preciso que o mesmo aconteça fora dele. Com o tempo, a contribuição das mulheres com o universo do futebol aumenta e a difusão do futebol praticado por elas, também: dependendo da qualidade da mensagem que é transmitida, vai haver mais meninas se interessando em praticar o jogo. 

Isabelly Morais, da Rádio Inconfidência, em jogo no Estádio Independência, em Belo Horizonte/MG. Foto: mg.superesportes.com.br

 
Portanto, é muito saudável perceber que mais mulheres estão envolvidas com o futebol, não apenas dentro de campo. Na gestão do esporte, elas vão ter um papel bastante semelhante. Quem dera fosse outra realidade a do Brasil – que isso surgisse natural e espontaneamente. Haver exemplos é fundamental para a continuidade de um propósito. No caso, o da igualdade de gêneros. Que surjam mais iniciativas como esta! 

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“O momento de reflexão do futebol nos EUA”

O futebol nos EUA entrou em uma fase de redefinição e reflexão após a eliminação para a Copa do Mundo recentemente. A CONCACAF possui 3 vagas para a Copa e mais uma para repescagem o que na teoria permite amplas possibilidades aos EUA.  Apesar de ter tido chances grandes de se classificar como sempre (até o último minuto do último jogo, o time americano estava no páreo), a sensação no meio do desporto aqui tem sido de que a evolução nos últimos anos não tem sido suficiente para o potencial da nação.
Considerando-se o potencial econômico dos EUA, o número de jovens praticando futebol, a estabilidade financeira da federação americana, o sucesso das categorias de base nos mundiais da FIFA, e o sucesso do futebol feminino, muito se esperava dessa geração. Muito dinheiro foi investido em treinamento, técnicos, amistosos, e preparação e tudo veio abaixo com a eliminação.
Então se iniciaram muitas discussões em todos os sentidos no que se deve mudar, melhorar ou “apagar”. As principais preocupações estão relacionadas ao desenvolvimento das categorias de base (desde jovens aos jogadores universitários), quando o modelo do futebol profissional e a parte administrativa da federação.
Desses meus 26 anos nos EUA, eu vi uma evolução muito grande na estrutura dos clubes e da participação de jovens no desporto. Com milhões de adeptos num país tão grande, é possível se dizer que há mais garotos jogando futebol aqui do que em muitos países que se classificaram para a Copa do Mundo. No entanto, há um problema sério quanto ao conceito aqui: “pay to play” (pagar para jogar). Um garoto que queira jogar futebol tem que pagar inscrição, custos de viagens, alimentação, etc. para participar em competições. Isso limita participação a famílias com mais posse e poda muitas oportunidades. Há uma discussão muito grande agora em relação a maneiras de se mudar esse modelo, desde a bolsas, subsídios, etc.
O segundo ponto de discussão é o nível universitário. Como essa “categoria” continua sendo a categoria de base para o profissional, há muita preocupação na falta de imersão no desporto para um jovem dessa idade. Como as ligas universitárias limitam o número de jogos por ano (a temporada dura um semestre), um jogador nessa faixa etária acaba tendo uma desvantagem muito grande em comparação com outros países. No momento há uma discussão muito séria em se estender a temporada universitária para o ano todo (uma reclamação que já vinha do Jürgen Klinsmann, ex-técnico da seleção).
O terceiro ponto de discussão é o modelo do futebol profissional. Muito se diz que a não existência de acesso e descenso na primeira e segunda divisão do profissional cria um ambiente de conforto extremo. O jogador não se sente pressionado e na teoria não se dedica ao extremo em se desenvolver sabendo que seu contrato está garantido. De fato, a “punição” para os últimos colocados no campeonato é de se ter primeira escolha nos jogadores do draft do ano seguinte…esse modelo funciona por exemplo no basquete dos EUA mas é importante de se notar que o resto do mundo ainda está muito aquém para se poder comparar (aliás o domínio dos EUA tem caído nesse desporto também).
Por último, a discussão envolve também a liderança da federação americana (USSF – https://www.ussoccer.com/). Apesar de ser uma das federações mais ricas do mundo, a USSF ainda é regida de forma ambígua (o presidente tem um cargo não remunerado) embora haja outros cargos altamente remunerados (há empregados que recebem até 660 mil dólares ao ano). Uma reforma na instituição se faz também necessária.
Em conclusão, os EUA passam por um processo de redefinição e devem encontrar soluções condizentes com a cultura, poderio e ambição do povo americano. Os próximos quatro anos serão bem interessantes.

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Entre o Intermediário, o atleta e os clubes

Bem-vindos ao nosso terceiro encontro nesse abril aqui no “Entre o Direito e o Esporte” – o “mês dos intermediários” aqui na nossa coluna! E hoje vamos conversar sobre o “modelão” na intermediação para seguir na linha do que combinamos no começo do mês. Hoje é o dia daquele contrato básico, aquele mínimo do mínimo que todo intermediário vê no seu escritório. É hoje que a gente vai ver o que o intermediário precisa no seu contrato.
É mais fácil seguir o jogo se as regras são claras, então já deixo aqui as quatro linhas bem desenhadas: as duas linhas de fundo são as bases do contrato de representação do intermediário. Já a lateral onde ficam os bancos é a forma de pagamento do intermediário. E a linha que sobrou são os detalhes importantes para fechar o campo de jogo.
Vamos lá?
No contrato-modelo de representação de um intermediário a gente vai ver o básico do básico e isso a gente já sabe. Agora, o que é esse básico? É fácil, juro. É que nem quando a gente quer fazer brigadeiro e meio que já sabe que tem que colocar na panela em fogo médio o leite condensado, o chocolate em pó e a manteiga.
No contrato de representação esses ingredientes são vários, como os nomes do representante (intermediário) e representado (clube ou atleta) com todas as informações possíveis. Além disso é importante colocar quanto tempo esse contrato vai durar, os tipos de serviço (e onde), e como esse contrato chega ao seu fim.
Daí é só misturar uma vez que a gente tem tudo isso, e esperar ferver para comer. Ou, no caso do intermediário, cobrar. Aliás, aí é outro ponto importante para se colocar no contrato: como que se dá o pagamento do intermediário – afinal, essa pessoa também precisa comer e viver.
Imagina agora que você vai começar um trabalho novo. Imagina que nesse trabalho novo você vai poder negociar o seu salário. Imagina que o seu trabalho é vender esses brigadeiros que o seu amigo fez para restaurantes na região central da cidade de São Paulo. Esse seu contrato tem que ter como que a pessoa que te contratou vai calcular o quanto que vai te pagar por isso, certo?
O contrato de representação do intermediário vai ter a mesma coisa. Alguns preferem trabalhar com um valor que fica lá pelos três por cento (3%) do que o jogador vai ganhar. Outros preferem trabalhar com um valor fixo fechado num pacote de vários serviços. Seja como for a preferência, esse valor é pago por alguém e esse alguém é quem contratou o intermediário – a não ser que o seuclube concorde em pagar o intermediário do atleta, daí vai ser uma exceção à essa regra geral.
Agora, ainda tem três detalhes importantes.
Imagina que você vende esses brigadeiros do seu amigo e esse amigo é menor de idade. E aí? O responsável por esse seu amigo (como os pais) tem que autorizar e o mesmo vale para o atleta profissional de futebol que for menor de idade.
Imagina que você vende esses brigadeiros do seu amigo e descobre que mais alguém vende esses brigadeiros no mesmo lugar que você. E aí? O seu amigo pode escolherse você é o único representante dele e o mesmo vale no “mundo do futebol” – seja esse seu amigo um atleta ou um clube.
Imagina que você vende esses brigadeiros do seu amigo e te perguntam até quando você pode representar o seu amigo. E aí? O contrato com o seu amigo vai ter um tempo fixo para  você vender esses brigadeiros e a mesma coisa vale para o nosso esporte – o intermediário vai ter um contrato com o seuclube ou um atleta de no máximo 24 meses que pode ser renovado por escrito desde que todo mundo concorde.
Fazer um contrato básico de representação é como fazer um brigadeiro. É simples na hora de colocar os ingredientes só que a gente sempre corre o risco de errar no ponto, ainda mais se o fogão ou a panela são novos. Agora, nem sempre tem espaço para o básico. Né?
É por isso que é importante pensar no que mais a gente quer que tenha no contrato antes de assinar, e pensar bem sobre isso. Desde o que pode dar errado depois e até o que pode dar certo. Quanto mais completo for o contrato, melhor. Essa qualidade a mais fica muito mais fácil de mostrar depois na hora de contar a história de quem você representa.
E quem prestou atenção em tudo até aqui já sabe que falta um último passo para terminar o brigadeiro, né? Colocar o granulado! Afinal, esse contrato tem que ser registrado na Confederação Brasileira de Futebol. E é bem isso que a gente vai ver semana que vem, fechou?
Espero que tenham gostado do nosso “Entre o Direito e o Esporte” aqui na Universidade do Futebol. A gente continua nossa conversa na próxima sexta-feira para fechar o nosso “mês dos intermediários”. Aproveito e deixo meu convite para falarem comigo por aqui, pelo meu LinkedIn ou pelo meu Twitter. Bom final de semana para vocês, e até logo!

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Quer entender o Atlético-PR de Fernando Diniz? 

Entender o jogo de Fernando Diniz não é fácil. Juro que já tentei. Falando diretamente com ele. Algumas vezes. A mais recente foi no final do ano passado. Ele desempregado. Rebaixado com o Audax.
Diniz nos brindou com sua presença no grupo de estudos que temos na Universidade do Futebol, capitaneado pelo brilhante professor João Paulo Medina. Me lembro como se fosse ontem: no final da reunião, após termos debatido e estudado o assunto do dia, puxei o meu celular e peguei um vídeo enviado por mais um amigo, o auxiliar de Diniz, Eduardo Barros: esse vídeo mostrava o Audax em organização ofensiva, encurralando o Palmeiras, em pleno Aliianz Parque. Eu na minha fome de estudar o jogo, sedento por entender tudo de tática, análise de desempenho e metodologia de treinamento, já fui indagando Diniz sobre os princípios e sub-princípios que estavam ali envolvidos.
E ele calmamente me respondeu que antes da tática vem as relações pessoais. Poxa, como assim as relações? Por exemplo: para jogar apoiado, em que o portador da bola tem duas opções de passe na formação de um triângulo pelo menos um jogador vai ficar sem receber a bola. Como se diz na gíria, vai ter ‘corrido a toa’. Para o goleiro fazer parte do modelo de jogo e da construção ofensiva o grupo todo tem que confiar nele. É contra-cultura aqui no Brasil o goleiro jogar com os pés. Afinal, se ele fosse bom estaria na linha, argumentam os mais conservadores. Para toda hora ter cobertura defensiva, há de se ter um espírito de equipe. E aí, está: se não houver grupo, companheirismo, senso coletivo e ajuda mútua esse tipo de jogo não vai rolar.
É por isso que Fernando Diniz considera muitas vezes mais importante fortalecer as relações do que treinar princípios e sub-princípios.
O atual técnico do Atlético-PR acredita piamente que com esse espirito e com esse tipo de jogo sua equipe estará mais próxima da vitória.
Ele diz sempre que todo garoto que vira jogador em algum momento da sua adolescência foi o melhor ou da rua ou da escola. Por que engessa-lo e podá-lo quando chega ao profissional? Resgatar o homem antes do jogador é o que mais fascina Diniz, que também é psicólogo. Entender o porque de esse jogador talvez não ser mais o melhor do pedaço faz com que Diniz dedique quatro, cinco horas conversando com esse homem e desvendando tudo o que passou. Eles se abraçam, choram, riem. Tudo junto.
Portanto, depois dessa conversa passei a entender melhor. Realmente antes da amplitude, da profundidade, da ultrapassagem e da compactação vem a forma com o que o grupo é construído. Diniz é assim na derrota e na vitória. Um time é o retrato fiel da personalidade de seu treinador. Não pense que o técnico do Furacão está empolgado com os últimos elogios. Assim como ele não mudou suas convicções quando foi rebaixado com o Audax e passou mais de seis meses desempregado. Você pode gostar ou não. Mas Fernando Diniz é um dos poucos, senão o único aqui no Brasil, que joga por uma filosofia, por uma missão, por um propósito.
 

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Contra ataque e transição não são sinônimos

Ao longo do tempo tudo na vida se ajusta e adapta, novas ideias aparecem e o que já existe é melhorado, atualizado.
No futebol esses ajustes também acontecem ao florescer de novas ideias, conceitos aparecem contagiando o meio para buscar novos caminhos para a melhora do esporte.
Dificilmente se cria algo novo no futebol, o que já existe é adaptado, analisado e estudado para que se ganhe em dinamismo e velocidade buscando um jogo envolvente e criativo.
Pelo contexto do esporte, que caminha em uma linha tênue entre o tradicional e o contemporâneo, muitas vezes nos deparamos com uma resistência ao novo, ou pior ainda, presenciamos pessoas que não tem a vontade em buscar a informação integral em estudar de verdade, mas criam opiniões com o mínimo que leram, escutaram ou ouviram falar.
O passo seguinte é sair propagando as ideias sem buscar a informação correta e precisa.

Uma mentira contada muitas vezes, se torna verdade em grande escala.

Dentre as grandes falsas informações propagadas nos meios de comunicação e por consequência de forma massificada, é que os contra ataques são transições.

Quantas vezes ouvimos que um time só joga em transição, que tal time defende para poder atuar em transição, que a transição está muito rápida, e assim em diante.

Antes de entrarmos no mérito de transição/contra ataque, vamos discutir as fases do jogo.

Fases do jogo
Já é bem difundido que o jogo é feito em quatro fases:

  1. Organização defensiva
  2. Transição ofensiva
  3. Organização ofensiva
  4. Transição defensiva.

Não temos o objetivo em entrar nos detalhes de cada uma das fases do jogo nesse texto.
Contudo, para fácil entendimento podemos ilustrar da seguinte forma:
A equipe sem bola precisa se organizar para poder recuperar essa bola (organização defensiva), ao recuperar a bola ela busca estratégias para poder se organizar ofensivamente (transição ofensiva), ao se organizar a equipe precisa criar mecanismos para poder chegar ao gol adversário (organização ofensiva) e no momento em que perder a bola os jogadores devem saber como abordar o adversário até se reorganizar defensivamente (transição defensiva).
Esse ciclo não acaba nunca, ele é constante ao longo de todas as disputas da partida.
A união dessas quatro fases de forma equilibrada tende a fazer uma equipe vencedora.
Ao privilegiar uma em detrimento da outra, é o inicio de problemas para a equipe técnica e para os jogadores.
Modelo de jogo
Ao falarmos em modelo de jogo, pensamos que ele representa a ideia do treinador e por muitas vezes da instituição, do histórico da equipe.
O modelo de jogo será o norte de cada momento, de cada fase do jogo. Nele que se definirá como a equipe deverá atuar em cada momento com e sem a bola.
Quando se define bem o modelo de jogo, se modula os treinos, sessão por sessão e introduz, posteriormente se fixa os conceitos da ideia de jogo do treinador na equipe.
Assim como todas as fases do jogo, a transição ofensiva deve ser treinada através da forma que o treinador definiu para seus jogadores. Ela precisa estar enquadrada dentro de todo o contexto da equipe e relacionada de forma sincrônica e equilibrada aos demais momentos do jogo.
Transição ofensiva 
Podemos entender transição ofensiva como o momento em que se recupera a posse de bola, e definimos como se deve atacar o adversário. Também pode ser entendida da seguinte forma:
Transição Ofensiva é (didaticamente) a transição como um momento, um instante, que se inicia antes mesmo da conquista da posse de bola.
Para a Transição Ofensiva devemos treinar a equipe para as seguintes situações:

  • Como a equipe prepara-se para a transição ofensiva?
  • O que a equipe tenta fazer (de forma intencional e coletiva) no exato momento em que recupera a posse da bola?
  • O que a equipe tenta fazer (de forma intencional e coletiva) na sequência se isso não for eficaz?

Imediatamente ao recuperar a posse de bola, em relação à atitude, a equipe tem três ações que devem ser analisadas:
1- manter a bola na zona de recuperação, -não se preocupa em retirar a bola da zona de pressão-, com passes curtos e/ou condução, inicia-se o ataque.
2- retirada imediata vertical da zona de recuperação, -ao recuperar a bola, a equipe executa passes verticais na direção do gol do adversário-, aproveitando possíveis desequilíbrios e iniciando o contra ataque/ataque rápido (contra ataque).
3- retirada imediata horizontal da zona de recuperação, -ao recuperar a posse de bola-, a equipe executa passes horizontais ou para trás para retirar da zona de recuperação. Muito utilizado em ataques posicionais em um jogo equilibrado.
Essas três caraterísticas da transição ofensiva estão relacionadas ao momento do jogo, quanto mais equilibrado entre as três a equipe estiver, mais preparada estará para conseguir êxito no início de suas ações ofensivas.
A equipe deve treinar as três situações, pois dentro do caos do jogo, todas são importantes em algum momento para buscarmos atacar o adversário de acordo com seu desequilíbrio e desorganização ofensiva.
Evidentemente uma será sempre a prioritária de acordo com o modelo de jogo da equipe, definida pelo treinador.
Como visto acima, o contra ataque está dentro do processo de transição ofensiva, mas ele não é nem pode ser entendido como sinônimo, pois essa fase é muito mais ampla e complexa do que se difunde por ai.
Reduzir a transição ofensiva a apenas contra ataque é sintetizar e abrir mão de muitas informações que agregam a essa fase do jogo.
Com esse calendário tão cheio, denso e disputado, definir e entender quais são as fases do jogo e como será colocada cada uma na equipe de acordo com o modelo de jogo do treinador, é essencial para aperfeiçoar o tempo de treino e com ele atingir os objetivos traçados para o time.

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Começou o Campeonato Brasileiro: o maior do mundo

Certamente muitos discordaram do título deste artigo e vão dizer sobre as ligas da Inglaterra, e da Alemanha, sobretudo. Sem dúvida que o futebol de clubes do Brasil está longe de ter a estrutura (dentro e fora de campo), o profissionalismo, a governança e a cultura de mercado que outros lugares possuem. Fatores que permitem grandes investimentos, em favorecimento do esporte. Como consequência, um dos produtos finais, o jogo, acaba por tornar-se um “espetáculo”.

Abre parênteses: em uma análise mais densa, é possível considerar até que ponto a política (o tráfico de influência, o nepotismo, a impunidade) do país chega a influenciar más práticas de gestão do esporte, especificamente o futebol. Fecha parênteses.

Volta-se ao título do artigo: a começar pela Série A, são todos clubes grandes. Alguns possuem projeção mais nacional, mas em geral todos são. Os jogos são na maior parte competitivos e capazes de atrair grande público, preencher a capacidade máxima dos estádios. O porquê ou não de ocupar essa capacidade máxima é outra história e tema para outro texto. Os jogos destes grandes clubes sugerem vários clássicos. Para ser campeão brasileiro, é preciso vencê-los, praticamente um seguido do outro. O resultado de um clássico é imprevisível, o que chama ainda mais a atenção do torcedor e da mídia.

Já são quinze anos de Campeonato Brasileiro disputado no formato de pontos corridos. Premia-se a regularidade e a constância de uma equipe na competição, fundamentais para um trabalho a longo prazo no esporte, com sustentabilidade. Sem contratações curtas, desesperadas e caras – que comprometem as finanças da instituição -, a fim de salvar do rebaixamento ou conseguir na última rodada a classificação para a fase de “mata-mata”.

Cruzeiro Esporte Clube, vencedor do Campeonato Brasileiro da Série A quando disputado por pontos corridos pela primeira vez, em 2003. | Foto: cruzeiro.com.br

 

Por muitos anos o mercado brasileiro foi fechado para o mundo. Há pouco mais de duas décadas isso começou a mudar. Aos poucos o esporte do Brasil está mais voltado para o mercado e a internacionalização é necessária. O Real não é tão forte quanto a Libra, o Euro e o Dólar. Ademais, a América do Sul é a região mais isolada do planeta.

Por outro lado, o Brasil possui: um grande e forte mercado consumidor e publicitário, respectivamente. Uma população com considerável poder de consumo. Torcedores, que gostam, consomem o futebol e querem isso muito mais. É possível ser bem maior do que já é. Entretanto, é uma conjuntura que vai proporcionar as condições necessárias para que isso aconteça.

Diante disso, esta conjuntura será construída a partir de um discurso unificado sobre o futuro do futebol de clubes do Brasil. Qual o ponto-de-situação e onde se quer chegar. Mudanças de ordem de governança, transparência e cultura de mercado, sempre com respeito ao torcedor e ao atleta. Com o tempo, adquire-se credibilidade da opinião pública (imprensa, torcida e setores não ligados ao futebol) e, consequentemente, haverá o retorno financeiro. No texto, aqui, parece muito fácil. Mas não é! No entanto, basta trabalho e vontade. Muita vontade em fazer e mudar.

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Por que no futebol tanto se fala em união e pensamento positivo?

Antropologia, Misticismo e Comportamento

A visão antropocêntrica e anímica do ser humano leva-o a supervalorizar sua condição em relação ao universo, mas não o conduz a uma atitude consentânea com sua crença.
União x Cooperação

O ambiente do futebol dá abrigo a uma série de crenças que, além de com ele não se coadunarem por inteiro, também não são aproveitadas, nem mesmo pela mais elementar abordagem metafísica.
A mais comum dentre essas concepções é a UNIÃO, conceito que deve ser substituído com premência por COOPERAÇÃO. O cooperar pressupõe estarmos ou não de acordo; o unirmo-nos, por sua vez, exige afinidade como condição essencial e insubstituível.
Se sentados a uma mesa estiverem vinte pessoas e não houver sequer entre duas delas coincidência na maneira em que pensam, não é desunião que estará havendo, e sim desigualdade no pensar.
A maneira de contornar as diferenças de apreciações entre as pessoas, é a promoção do diálogo, como busca pela descoberta de pontos comuns e para o estabelecimento de um consenso mínimo.
A cooperação, intrinsecamente, encerra o poder de superar as divergências de pensamentos entre as pessoas, para construir fora delas um ambiente produtivo de atitude e ação. Esta a razão por que a COOPERAÇÃO é imprescindível, a UNIÃO, nem tanto.
Pensamento positivo x Pensamento negativo

O maior embate entre os que veem o futebol como torcedores, é a refrega entre os desejos e interesses adversos das equipes que lhes representam. Logo, firmar pensamento não deve constituir, no caso em questão, uma ação relevante e muito menos produtora de quaisquer resultados significativos. Esta é uma situação típica em que os contrários se anulam.

 
De outra parte, a crença na lei da atração é uma disposição de cunho íntimo, e nem mesmo entre aqueles que a cultivam há uma atitude estruturada e planejada para seu melhor aproveitamento. Até porque, para isso, é necessário que se tenha instrução adequada e experiência. Numa palavra mística, ‘iniciação’.
Se quisermos atribuir valor a fatores como ‘pensar sim’ (+) ou ‘pensar não’ (-), antes valorizemos sobremaneira o trabalho enquanto atividade física e mental, empreendido segundo uma organização, um planejamento e uma metodologia – componentes de uma verdadeira ação didático-pedagógica.
Valorização da pluralidade de ideias
Por mais que as pessoas, em sua maioria, não alcancem o real valor da crítica, é irrefutável sua importância no processo de avaliação e reavaliação das nossas ideias, de construção e reconstrução dos nossos conceitos e juízos de valor.
Enquanto o elogio é uma atitude, por essência, unilateral, tendo muito de sectarismo, de dogmatismo, e, por vezes, servilismo, a crítica, filosoficamente, representa o verdadeiro critério da verdade, embora que uma verdade no mais das vezes relativa. Ou seja, a crítica é o mais elevado critério que nos permite apreendermos a verdade.
É evidente que as ferramentas para que possamos exercitar uma boa crítica, estão atreladas à qualidade do saber de cada um de nós, bem como à natureza do nosso caráter individual. Sim, porque de quase nada adianta nosso conhecimento, se tivermos um caráter deformado.
Se o direito ao elogio é legítimo – e na verdade o é -, da mesma legitimidade se reveste o direito à crítica. Até porque é a crítica que contém o elogio, pois, como de todos é sabido, o todo é que contém todas as suas partes e não o inverso. Logo, o elogio é filho da mãe crítica. Até gosto de elogiar, reconhecer e, acima de tudo, agradecer. Afinal, a gratidão e a atração são tidas como ‘leis’ que regem o Universo, visto a partir da metafísica. Isto, no entanto, não me impede de identificar a natureza meramente passiva e a atitude apenas reativa do elogio.
Por outro lado, é forçoso admitirmos que, na análise, na formulação da crítica, há implícita uma atitude proativa, havendo também um evidente desejo de reconstrução. Ao invés, pois, da passividade do elogio, há, imanentemente à crítica, uma manifestação de sua natureza ativa, que se expressa pelo aspecto de depuração da análise.
Ainda assim, é preciso que se observem dois importantes critérios para uma maior validação da crítica. São eles, de um lado, a verdade; de outro, o respeito.
Quanto ao elogio, o melhor critério para sua formulação é o mérito.
 
*Cronista Esportivo, Rosacruz, Gestor Esportivo autodidata, Membro do Conselho do Desporto do Estado do Ceará