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Relação do futebol com o futsal

Cada vez mais temos ouvido falar da relação entre o futebol e o futsal, especialmente da importância do futsal na formação de jogadores. O que mais tem chamado atenção é que outros paralelos vêm sendo comentados na atualidade sobre a transferência de conceitos. Além da importância da vivência do jovem jogador na modalidade da bola pesada precocemente para aumentar seu engrama motor, juntamente com a qualidade individual do jogador pelo excesso positivo de relação com a bola e a inteligência funcional do jogador devido às tomadas de decisão, ouve-se falar muito que a fluidez do jogo sem separar ataque e defesa, o jogo a dois toques, as quebras de pressão e linhas, as manobras, os triângulos, as diagonais e paralelas, as posturas defensivas, e outros transferes qualitativos do dinamismo funcional peculiares ao futsal estão cada vez mais presentes no futebol.

E realmente, tudo isso, atualmente, está muito presente no futebol. Uma pena que tradicionalmente as modalidades são entendidas isoladamente, perdendo essa oportunidade de interação por meio de um fluxo intenso de transferência de conceitos, informações e conhecimentos. Claro que alguns profissionais procuram beber das duas fontes e inter-relacionar cada vez mais as modalidades, devido a tudo isso acima e suas características peculiares como jogos esportivos coletivos de progressão (JECP), atentando-se a lógica interna, a característica organizacional-funcional e a condição de jogo-complexo.

E é nisso que quero chegar. Sabendo que o futebol é distinto do futsal devido as suas dimensões do campo, regras e outros aspectos, a sua evolução permite afirmar, cada vez mais, que nesse momento existe uma circunvizinhança maior.

Bem, o que mais se observa no futsal é a constante busca por espaços livres permitindo que a interação entre os jogadores crie superioridade qualitativa, cinética, posicional ou numérica. Essa é uma constante disputa durante toda a partida e exige tomada de decisões instantâneas por parte dos jogadores, tendo em vista o espaço reduzido da quadra de jogo. No futebol atual, presenciamos cada vez mais isso devido à intensidade organizacional que o jogo desenvolveu. A primazia pela compactação horizontal e vertical, pelos perfis distintos de organização defensiva e ofensiva e pela valorização das transições (troca rápida de atitude), exige uma mudança de perspectiva no jogo atual, obrigando os jogadores a encontrar soluções cada vez mais rápidas, tecnicamente eficazes e imprevisíveis também.

Nesse contexto, o futebol precisa cada vez mais de jogadores técnicos e inteligentes? A busca pelo domínio do espaço e o ganho de espaço que no futsal sempre foi uma questão vital, e claro, no futebol também, mas sem tanta velocidade, relações curtas, geométricas e estruturadas, nesse momento da evolução do jogo torna-se preponderante?

É aí que entra nossa sensibilidade como treinadores. Para que exista realmente uma conexão respeitando a natureza desses dois jogos, é condição importante um mergulho profundo no ambiente complexo dessa relação sobre as bases da essencialidade do jogo, a criatividade, as mutações individuais, grupais e coletivas interacionando qualitativamente com as dimensões organizacionais, emocionais e fisiológicas.

Mas, como em qualquer jogo esportivo coletivo de progressão (JECP), apesar das similaridades estruturais e funcionais, muitas são as possibilidades de jogo acendidas palas relações dos jogadores relacionadas com as ideias de jogo a fim de buscar o efeito final: a vitória. Assim, infinitas possibilidades podem acontecer com diferentes perfis de jogo existentes. Isso também repercute na formação de jogadores, por isso, como treinadores temos que ter essa sensibilidade apesar de apresentarmos as nossas preferências. O que não podemos é castrar os jogadores e criar paradigmas.

Para Lewis Maté Weschenfelder Heineck, treinador de futsal formativo no município de Pinhalzinho-SC, “O futebol sempre foi o palco de grandes atletas com comportamentos de futsal, muitos deles oriundos da referida modalidade. Ofensivamente percebe-se mais essa similitude, devido à necessidade de tomadas de decisão rápidas e interações com ou sem bola em caráter agressivo. Penso que o que diferencia as duas modalidades está no terreno de jogo, na relação com a bola, espaços maiores-menores e a regra do impedimento. As aproximações conceituais relativas a rupturas, fintas sem bola e orientações corporais são semelhantes, para não dizer idênticas. Penso que os conceitos e princípios básicos (ofensivos e defensivos) são os mesmos para todas as modalidades coletivas. Controle de amplitude, profundidade e triangulações. Manipular a defesa para gerar superioridade quantitativa ou qualitativa em determinados setores, visando a entrada em zona de finalização, e a defesa tentando neutralizar ao máximo as zonas fortes do adversário. O fato de vermos cada vez mais as equipes de futebol jogando em compactações verticais e próximas ou idênticas em distância ao futsal, equipes com densidade defensiva em amplitude, tentando ao máximo evitar o jogo interior, valoriza bastante os profissionais de nossa área. Aqueles que dominam esses conceitos, e os trabalham na formação, podem fazer com que o futsal seja sim um berço formador de atletas para o futebol, respeitando sempre as suas peculiaridades.”

Já o treinador da Associação Female Futsal, Eder Popiolski e ex-coordenador das Categorias de Base da Associação Chapecoense de Futebol: “Creio que a relação do futsal com o futebol formativo esteja um pouco explorada talvez pela dificuldade de relacionamento dos treinadores entre as duas modalidades ou pelo baixo entendimento processual. Contudo, muitos jogadores de futebol tem sua formação iniciada no futsal pela facilidade de acesso e isso pode ajudar a nos entender que a quadra tem influências positivas. O ponto crucial favorável ao uso do futsal é a frequente participação do jogador no jogo, seja devido à quantidade de ações de relação com a bola ou nos aspectos cognitivos nas tomadas de decisões, pois o espaço reduzido requer bastantes movimentos intencionais à procura de posicionamento, já que o menor número de participantes exige maior quantidade de busca de espaços com e sem a bola e a marcação próxima reduz o tempo para a realização das interações entre os jogadores. Tudo isso, resulta num processo de leituras muito rápidas, acelerando o processo de raciocínio tático do jogo”. 

O mais marcante dessa relação é que em cada zona do campo de futebol, e são muitas, muitos futsais podem acontecer e ganhar vida. O problema está no desentendimento de oito leis vitais, mais claras no futsal, mas que também estão presentes no futebol, e negligenciadas algumas vezes por acreditarmos que o glamour do jogo de futebol e as coisas acessórias são mais importantes que a essência básica: qualidade dos jogadores, inteligência de jogo, tempo, espaço, engano, pausa, velocidade e precisão.

Abraços e até a próxima quarta!

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Avaliação da preparação física e desempenho dos árbitros da Federação Goiana de Futebol

A preparação física é um processo de treinamento no qual o desportista é submetido e tem por objetivo alcançar o ápice de sua forma física (DANTAS, 2003). Viana (1981) ensina que o treinamento das capacidades físicas na área do esporte tem o papel principal na melhoria significativa dos resultados esperados (VIANA, 1981). A preparação física é uma área de atuação multiprofissional, onde diversos profissionais da área do esporte podem colaborar para o conhecimento e o trabalho integral na parte física (ROSCHEL, TRICOLI E UGRINOWITSCH, 2001).

Para pensar a forma de organização do treinamento é necessário levar em consideração os princípios do treinamento cientifico que, segundo Weineck, (1999) devem ser respeitados em todas as modalidades esportivas em vista do treinamento.

A periodização é uma ferramenta indispensável na elaboração do treinamento, pois possibilita a forma de pensar e programar as atividades que serão realizadas ao longo do tempo. Este tempo é dividido em micro, meso ou macrociclo, estes fatores estarão relacionados com os objetivos e o tempo disponível para o treinamento.

Existe toda uma constituição histórica que edifica a atuação da arbitragem no futebol. Um dos parâmetros que deve levar em consideração para atuação dos árbitros (árbitros e árbitros assistentes) são as questões físicas. Com a evolução do futebol profissional o árbitro deve acompanhar o nível físico da partida que é imposto pelos jogadores (CERQUEIRA, MARINS E SILVA, 2011).

Diante de toda importância da parte física, surge então um profissional para auxiliar nos treinamentos da arbitragem. Este profissional é o preparador físico dos árbitros, que tem como função principal pensar e periodizar o treinamento dos árbitros e assistentes para potencializar a sua atuação frente às necessidades que lhes são impostas.

Com todo desgaste e responsabilidade dos árbitros, podemos concluir que a arbitragem não é uma profissão regulamentada, pois raros sãos os casos de árbitros que não possuem outro trabalho, o que impede a dedicação exclusiva aos treinos e aos estudos (GUSSEN E SÁ, 2010).

Este trabalho surge a partir de experiências que tive desde a infância com futebol. Então, ingressei no curso de Educação Física com interesse de estudar a área do esporte, mais especificamente o futebol.

*Para ler o artigo na íntegra, clique aqui.

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A tradição ditou a regra nas ligas secundárias europeias

Se nas 4 principais ligas nacionais europeias não tivemos surpresas entre os seus campeões, na maior parte das ligas secundárias os resultados também não trouxeram grandes novidades frente ao que era esperado antes de seu início.

Na França, a Ligue 1 tem chegado cada vez mais próximo dos principais campeonatos do continente, muito por conta do dinheiro injetado em alguns clubes. A expectativa era que o PSG dominasse a disputa e conquistasse mais um título, porém viu o Mônaco surpreender com uma equipe repleta de jovens promessas. Há anos atrás, o clube do Principado foi comprado por um bilionário russo que movimentou o mercado com grandes contratações, plano desfeito no ano seguinte, quando iniciou uma nova política de apostar em jovens talentos. Além do título francês, também alcançou a fase semifinal da UEFA Champions League. Apesar da conquista, o clube amargou uma das piores médias de público do campeonato, muito por conta da sua localização.

Em Portugal, deu a lógica. Benfica campeão, Porto vice, Sporting em terceiro. O predomínio de Benfica e Porto é uma das maiores do futebol mundial. Dificilmente, o troféu tem ido para outras mãos. Apesar de não ter o poder financeiro da elite europeia, os clubes portugueses construíram uma imagem que gera muitos frutos. Hoje Portugal é uma grande ponte entre o futebol sul-americano e os gigantes clubes europeus. Muitos jogadores de países como Brasil, Argentina e Colômbia rumam ao país com o sonho de ganhar visibilidade e, assim, obterem contratos multimilionários na Espanha, Inglaterra ou Alemanha. O sucesso nos cofres desses clubes com esse modelo de compra e venda tem sido a balança para o futebol português prosperar.

Na Holanda, o campeão foi um clube bastante tradicional que estava na fila há 18 anos. O Feyenoord conquistou o seu 15º título da Eredivisie. Após duas décadas de glória entre os anos 60 e 70, onde inclusive conquistou uma Taça de Campeões da Europa, o clube passou por altos e baixos e ficou para trás em comparação aos seus dois grandes rivais Ajax e PSV, mais ricos e populares.

Na Turquia, o domínio também costuma ficar entre 3 clubes. Galatasaray, Fenerbahce e Besiktas praticamente ganharam todos os campeonatos até então disputados no país. Em 61 temporadas, venceram 54. Nesse último domingo, o Besiktas conquistou o bicampeonato em um país onde o futebol é uma enorme paixão. A rivalidade entre os três grandes extrapola o campo de jogo e o povo turco vive a semana dos grandes clássicos como em poucos países no mundo.

Um outro país que merece atenção pela paixão despertada pelo futebol é a Grécia. Lá também temos uma rivalidade clara entre 3 clubes, Olympiakos, Panathinaikos e AEK Athens, porém é o país onde há um predomínio tão grande de um deles. Nos últimos 20 anos, o Olympiakos sagrou-se campeão em 18 oportunidades. Historicamente, possui mais do que o dobro de títulos do que o segundo colocado Panathinaikos.

Independente do país, o que vimos nessa temporada das ligas europeias foi uma consolidação da tradição e da riqueza, duas características que andam lado a lado no futebol. Quanto maior a história do clube, maior a perspectiva de ter a maioria de fãs em seu território.

Sob o ponto de vista do negócio, é mais fácil associar uma marca a um clube vencedor e que estará em contato com uma massa mais ampla de consumidores, do que apostar em um clube menor que demandará tempo e dinheiro para trazer resultados relevantes.

O ponto de equilíbrio para que essas hegemonias locais não tornem o futebol desinteressante por falta de concorrência está em fatores como a distribuição justa de direitos de televisão. Modelos como existentes na Alemanha e na Inglaterra podem não eliminar o favoritismo dos maiores e mais tradicionais, mas tornam a competição mais acirrada e dão a oportunidade de surpresas aparecerem no meio do caminho.

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CBF diz não à Globo

A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) está longe de ser exemplo de inovação ou celeridade. Portanto, quando uma tendência chega à entidade é sinal de que existe um clamor latente no mercado. Para fazer a instituição que comanda o futebol em âmbito nacional se distanciar da TV Globo, então, é preciso mais do que um desacordo comercial ou político: um abalo em uma parceria tão longeva e simbiótica depende de um cenário totalmente alinhado.

Esse preâmbulo é necessário para determinar o tamanho da notícia veiculada nesta segunda-feira (29) pelo jornal “Folha de S.Paulo”: sem acordo com a Globo, a CBF decidiu comprar espaço na TV Brasil, que é pública, e vai se encarregar das transmissões de amistosos da seleção contra Argentina e Austrália (ambos na Austrália). É possível que o sinal seja repassado também para a Bandeirantes e até existe chance de a negociação com a Globo avançar, mas o fato é que a entidade mudou drasticamente a postura.

Historicamente, o comportamento da CBF na relação com a mídia sempre foi alinhado às práticas mais comuns no esporte brasileiro. A entidade sempre viu os direitos como fonte de receita, mas enxergava a cessão a grupos de mídia como única forma de obter essa renda. Em outras palavras: sabia que tinha nas mãos um produto valioso, mas revendia a possibilidade de explorá-lo em vez de testar os limites.

A Globo, como grupo de mídia, tem mais expertise e conhecimento para lidar com direitos de transmissão. Sabe gerar transmissões de qualidade, por exemplo, e tem uma estrutura mais pronta para oferecer isso ao mercado. No entanto, é indiscutível que a emissora carioca faz disso uma operação extremamente lucrativa: paga um valor parrudo aos donos, cria uma embalagem adequada e obtém superávit em diferentes frentes (anúncios, audiência, venda de pacotes de pay-per-view e comercialização do sinal no mercado internacional, por exemplo).

Há uma miríade de fontes de renda a ser explorada em relação a direitos de mídia no esporte. Ao fechar um contrato de cessão com uma emissora de TV, uma entidade (seja confederação, federação, clube ou liga) joga nas mãos do parceiro esse conjunto de possibilidades. Ok, abre mão também do trabalho de geração – e dos riscos atrelados ao processo –, mas também reduz o alcance.

Mais do que isso, a cessão de direitos de mídia é uma forma de abrir mão do controle da narrativa. É algo que todo mundo no esporte brasileiro menosprezou durante anos, mas existe uma movimentação irreversível em âmbito mundial. A CBF não descobriu a roda ao comprar espaço em uma emissora para veicular seus jogos; ela apenas seguiu uma tendência que não é sequer limitada ao futebol.

O que a CBF pode ganhar com isso: padronização da narrativa, com criação de produtos atrelados ao jogo e definição de um formato próprio em aspectos como posicionamento de câmera e assuntos abordados; estreitamento de relação com o mercado, que será consultado na negociação comercial relacionada ao produto; desenvolvimento de conteúdos que podem ser fontes de receita num futuro de médio ou longo prazo e que atualmente só rendem para a Globo; receita (o lucro da Globo mostra que um trabalho bem feito nesse caso tem potencial de ser prolífico para a entidade se o intermediário for eliminado do processo).

Tomemos como exemplo um produto de sucesso da Globo no âmbito nacional: a emissora criou um jogo chamado Cartola FC, que usa estatísticas do Campeonato Brasileiro para funcionar como um fantasy game. É um conteúdo decorrente de um contrato que a empresa tem para explorar comercialmente os direitos de times, atletas e da própria competição. Atualmente, além de responder por uma audiência expressiva na internet, o jogo se espalha pela TV fechada e pela rede aberta.

O Cartola FC não é apenas um exemplo de sucesso na Globo; também é um exemplo de como a CBF e os clubes brasileiros negligenciam (e negligenciaram durante anos) propriedades comerciais de enorme valor.

Cito recorrentemente aqui o exemplo da Red Bull, fabricante de bebidas energéticas, que desenvolveu um braço próprio de mídia e tem diminuído gradativamente a dependência do mercado publicitário para fazer com que sua marca repercuta. Na semana passada, o Manchester United também anunciou a investidores que vai ter uma equipe própria para desenvolver conteúdos e oferecer ao mercado.

O controle da narrativa é um caminho irreversível no esporte. Há uma lista incrível de possibilidades atreladas a isso (da geração de receita à relação com os fãs). E se até a CBF já percebeu, a história mostra que a tendência deixou de ser uma ideia tão remota assim.

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Atenção plena no futebol

Já abordei, em colunas anteriores, a questão de ansiedade gerada nos atletas em início de competições ou em véspera de grandes disputas de copas de futebol. A ansiedade causa grandes impactos, na maioria das vezes negativos, nos atletas, mas ainda damos pouca atenção ao tema nestes momentos relevantes dentro do futebol.

Procurando aprofundar um pouco mais o debate sobre o controle emocional necessário aos atletas de futebol, trago ao amigo leitor o conceito de atenção plena que pode ser aplicado ao universo do futebol.

A atenção plena pode ser compreendida como um estilo de vida, que pode exercer influência em nossa saúde, no equilíbrio mental, no bem-estar e felicidade.  A terapia cognitiva com base na atenção plena (também conhecida pela sigla em inglês MBCT – mindfulness-based cognitive therapy), que se originou da obra de Jon Kabat-Zinn, professor e pesquisador da Faculdade de Medicina da Universidade de Massachusetts.  Esta terapia tem sua eficácia comprovada cientificamente e por este motivo acabou por ser adotada como um dos tratamentos mais recomendados pelo Instituto Nacional de Excelência Clínica, do Reino Unido.

Para conhecermos e podermos aplicar a atenção plena imediatamente, vou compartilhar uma técnica, dentre várias que compõem a Atenção Plena, possibilitando que membros de uma comissão técnica possam aplicar em seus atletas mais afetados pela ansiedade pontual ou generalizada, para que estes possam reagir da melhor forma nos momentos mais importantes de uma temporada. Esta técnica citada é a meditação de um minuto, descrita no livro Atenção Plena, de Mark Williams.

Meditação de um minuto

  1. Sentar de forma ereta em uma cadeira com encosto reto. Se possível, afastar um pouco as costas do encosto da cadeira para que sua coluna vertebral se sustente sozinha. Os pés podem repousar no chão. Fechar os olhos ou abaixar o olhar.
  2. Concentrar a atenção em sua respiração enquanto o ar flui para dentro e para fora de seu corpo. Perceber as diferentes sensações geradas por cada inspiração e expiração. Observar a respiração sem esperar que algo de especial aconteça. Não há necessidade de alterar o ritmo natural.
  3. Após alguns instantes, talvez a mente comece a divagar. Ao se dar conta disso, trazer sua atenção de volta à respiração, suavemente. O ato de perceber que a mente se dispersou e trazê-la de volta sem criticar a si mesmo é central para a prática da meditação da atenção plena.
  4. Sua mente poderá ficar tranquila como um lago, ou não. Ainda que você obtenha uma sensação de absoluta paz, poderá ser apenas fugaz. Caso se sinta irritado ou entediado, perceba que essa sensação também deve ser fugaz. Seja lá o que aconteça, permita que seja como é.
  5. Após um minuto, abra os olhos devagar e observe o aposento onde se está novamente.

Uma meditação típica consiste em concentrar toda a atenção na respiração (ver quadro “Meditação de um minuto” acima). Isso permite que você observe os pensamentos surgindo em sua mente e, pouco a pouco, pare de lutar contra eles.

Ao praticar, o atleta começará a perceber que seus pensamentos vêm e vão por si próprios, e descobre que ele não é seus pensamentos. Ele poderá observá-los enquanto aparecem de repente e enquanto desaparecem como uma bolha de sabão. Quando se dá conta disso, fica mais claro que pensamentos e sensações (mesmo os negativos) são transitórios e que todo atleta poderá ter a opção de agir com base neles ou não.

Ao observarmos essa orientação de meditação simples, eventualmente questionamos a sua eficácia como técnica de atenção plena, mas ela traz muitos benefícios se feita com frequência, conforme os descritos abaixo.

Os benefícios da meditação da atenção plena

No livro citado, Atenção Plena, obtemos a informação sobre estudos que mostram que os praticantes da técnica da meditação regulares são mais felizes e mais satisfeitos do que a média das pessoas. Esses resultados têm uma importante repercussão na saúde, já que as emoções positivas estão associadas a uma vida mais longa e saudável. E isso pode igualmente melhorar a saúde geral dos atletas e seu desempenho dentro de campo.

  • A ansiedade, a depressão e a irritabilidade diminuem com sessões regulares de meditação. A memória melhora, as reações se tornam mais rápidas e o vigor mental e físico aumenta.
  • Estudos feitos no mundo todo comprovam que a prática da meditação reduz os principais indicadores do estresse crônico, incluindo a hipertensão.
  • A meditação é eficaz também para reduzir o impacto de doenças graves, como dor crônica e câncer, podendo até auxiliar no combate à dependência de drogas e álcool.
  • Além disso, pesquisas indicam que a meditação fortalece o sistema imunológico, ajudando a combater resfriados, gripe e outras doenças.

E assim, posso concluir que existem cada vez mais formas de combater a ansiedade e contribuir efetivamente com a saúde emocional dos atletas de futebol. Basta aos envolvidos, o desejo e a intenção genuína de abordar o tema de maneira clara e objetiva, trazendo assim mais benefícios e valor a saúde geral do atleta profissional.

Até a próxima!

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Discutindo treino…

Olá, leitor! Esporadicamente irei trazer aqui alguns exemplos de treinos para determinadas competências do jogo, a fim de que possamos discutir sobre sua aplicabilidade, dinâmica, coerência com os objetivos e que vocês possam trazer suas opiniões a respeito. Sempre no intuito de contribuir com a evolução de cada um e do nosso futebol, buscando alcançar a premissa desta casa: transformação pelo conhecimento.

Antes de propor as atividade de treino se faz necessário deixar claro alguns princípios que norteiam minha atuação profissional, princípios enraizados no pensamento complexo, numa visão sistêmica da vida e, consequentemente, do jogo de futebol:

  • Estou treinando “pessoas que se movimentam”: vejam a fala do Professor Manuel Sérgio no vídeo abaixo.


Antes de tudo, busco enxergar meus jogadores como pessoas, como alguém semelhante a mim, passíveis das mesmas mazelas e regozijos da vida como eu e que, acima de tudo, merece respeito. Visão que não me impede de lhe cobrar um elevado nível de performance, principalmente no esporte de alto rendimento, até porque buscar os mais altos níveis junto de meu atleta é uma das maiores formas de o respeitar. “Melhores pessoas serão melhores jogadores.”

  • Princípio da especificidade e sobrecarga: Se quero treinar meus jogadores para jogar futebol, entendo que não há maneira mais eficaz e mais específica para isso do que jogando, e jogando futebol (questões de ordem especificamente profiláticas serão sempre respeitadas e contempladas). Competindo num jogo de futebol, a competitividade que se deseja dos jogadores, pode e deve ser estimulada e desenvolvida dentro da sessão de treino. Dentro do jogo, posso manipular suas referências (alvos, bola, espaço, tempo, regras e número de jogadores) a fim de gerar uma sobrecarga do objetivo ao qual proponho para a sessão de treino.
  • Conduzir os jogadores ao “estado de jogo”: assunto abordado na coluna “Que desafios você propõe?”. Atividades que proporcionem tal estado aos atletas, podem gerar um alto índice de performance e absorção do conteúdo proposto para a sessão de treino. Mas logicamente, a atividade fechada em si mesma é insuficiente, é necessário sempre a sua transposição.
  • Não adianta trazer respostas para perguntas que não foram feitas: é analisando o jogo, como cada atleta e como minha equipe joga, que irei encontrar a resposta para pergunta “O que treinar?”. São os atletas, de acordo com suas competências, desempenho e desenvolvimento quem vão direcionando o trabalho, sempre alinhado à cultura e objetivos do clube em que se está inserido e às necessidades dos atletas/equipe/categoria.
  • Buscar cumprir a lógica do jogo: outro assunto já discutido na coluna “O quanto a sua equipe tem se aproximado de cumprir a lógica do jogo?”. Vencer o adversário é uma busca a cada jogo, a cada treino, portanto, essa busca pela vitória, por estar sempre 1 gol a frente, é conteúdo de treino. A cada treino devemos buscar a melhores maneiras para se alcançar esse gol a mais que o adversário.
  • O jogo deve promover prazer em quem joga e em quem assiste: a grande maioria dos que vivem o futebol, o fazem pelo prazer que este lhes proporciona ou proporcionou em algum momento. Se os jogadores não tiverem prazer, alegria, paixão, amor por jogar, por um jogar que seja prazeroso, dificilmente se empenharão sempre ao máximo nos treinos e jogos.
  • “A didática transcende o método”: Mesmo que eu respeite todos os princípios acima, será incompleta minha atuação se não cuidar de minha didática, da forma como me comunico e interajo com meus jogadores. Se não cuidar para abordar e intervir de forma eficaz, poderei não atingir os máximos níveis de desempenho que desejo para minha equipe.

Dados os princípios norteadores da elaboração e condução do trabalho, utilizo quatro matrizes (de acordo com as ideias do Prof. Alcides Scaglia) de jogos para operacionalização dos treinos, que são os Jogos Conceituais, os Jogos Conceituais em Ambiente Específico, os Jogos Específicos e os Jogos Contextuais. Cada um deles, resumidamente, se caracteriza por:

  • Jogos Conceituais: são aqueles onde pode haver uma maior manipulação das referências estruturais (espaço, alvos, bola e número de jogadores) e das regras do jogo, a fim de se desenvolver os conceitos de jogo que se pretende praticar.
  • Jogos Conceituais em Ambiente Específico: são aqueles onde as referências estruturais do jogo são exatamente as mesmas do jogo formal, sendo manipuladas as suas regras, a fim de se desenvolver e aplicar os conceitos que se pretende praticar em um ambiente especifico do jogo formal. Nestes jogos é onde deve ocorrer a transposição dos conceitos trabalhados nos jogos conceituais.
  • Jogos Específicos:  são aqueles onde as referências estruturais e as regras do jogo são exatamente as mesmas do jogo formal. Nestes jogos é onde deve ocorrer a transposição dos conceitos trabalhados nos jogos conceituais e conceituais em ambiente específico.
  • Jogos Contextuais: são aqueles onde as referências estruturais e as regras do jogo são exatamente as mesmas do jogo formal. Jogos que possuem relação especifica com as características do adversário do próximo jogo.

Assim sendo, trago neste primeiro momento um jogo conceitual com o objetivo principal de finalização, vamos ao jogo:

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  • Conteúdos: finalizar ao alvo de forma mais eficaz e rápida possível; confrontos 1×1 e 2×1; recuperar a bola e/ou bloquear a finalização; direcionar o adversário para as laterais, diminuindo seu ângulo de finalização.
  • Desenvolvimento: equipes de 1+6 x 1+6; 3×15’/2’; gol atrás da linha intermediária = 3 pts, entre a linha da grande área e linha intermediária = 2 pts, dentro da grande área = 1 pt; vale o gol da equipe que o marcar primeiro. Nos primeiros 15’ não há oposição do adversário, o jogador que está na linha de fundo faz um passe (alternando entre passes rasteiros e aéreos) para o que está na linha intermediária, este recebe a bola e finaliza ao gol, na sequência quem fez o passe vai para a finalização e quem finalizou vai fazer o passe. Nos 15’ sequentes se dá a mesma dinâmica, porém quem faz o passe é o adversário, que imediatamente faz a oposição a quem recebe a bola. Nos 15’ finais mantem-se a dinâmica da atividade com o adversário fazendo o passe da linha de fundo e criando a oposição na sequência, porém o confronto agora será de 2 atacantes para 1 defensor.
  • Feedbacks: são realizados com o intuito de que os jogadores busquem finalizar de forma mais rápida e eficaz possível, se fará necessária uma boa leitura para realizar ou não uma finalização de primeira, boa técnica de domínio e finalização, objetividade no confronto 1×1 e utilização da vantagem numérica no confronto 2×1. Impedir a finalização do adversário, recuperando a bola e/ou bloqueando (posicionar-se no intuito de proteger o alvo) a finalização, direcionar o adversário para as laterais, a fim de diminuir seu ângulo de finalização.

Bem caro leitor, está dado o pontapé inicial para a discussão, e você, o que achou deste treino? Como enxerga os princípios em que me pauto? Quais são os princípios que pautam a sua atuação? Em que concordamos e em que discordamos?

Discutir atividades de treino, metodologias, princípios norteadores, didática etc., é um exercício que contribui para o crescimento profissional de cada um, entender como cada um busca desenvolver determinada competência, tendo um olhar crítico para o nosso treino e o de outro profissional, nos ajuda a refletir de que formas podemos ser mais eficazes em nossa atuação. Conto com sua participação para que possamos crescer juntos.

Até a próxima!

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Cruzeiro é acionado na FIFA pelo Huracán

Na última semana, após manifestação em redes sociais do Ramón Ábila, voltou à tona a questão envolvendo pagamentos devidos pelo Cruzeiro ao Huracán, pela sua transferência.

O Huracán entende haver um débito de US$ 1,5 milhão (R$ 4,8 milhões), que deveria ter sido acertado inicialmente até 5 de dezembro.

Para tanto, o clube argentino iniciou demanda na Câmara de Resolução de Disputas da FIFA, responsável pela arbitragem e resolução de litígios do mundo do futebol, composta por representação equitativa de membros indicados por atletas e clubes.

Esta Câmara tem competência para lidar com: conflitos trabalhistas entre clubes e jogadores; disputas entre clubes, relativas à compensação pela formação e mecanismo de solidariedade; e ainda, questões disciplinares de atletas e clubes, resultantes do não cumprimento das normas e regulamentos da FIFA.

Vale ressaltar que a Câmara de Resolução de Disputas da FIFA atua em litígios de âmbito internacional, ou seja, entre clubes ou atletas de países diferentes de forma a facilitar e agilizar a busca por direitos.

Além disso, os pedidos e toda a documentação pode ser enviada por fax ou pelos correios. As comunicações da FIFA se dão da mesma forma.

Independente do idioma dos envolvidos, as partes deverão apresentar seus pedidos e encaminhar a documentação em um dos idiomas oficiais da FIFA que são: inglês, francês, espanhol ou alemão.

As regras procedimentais bem como os direitos e deveres dos atletas e clubes estão previstos nas normativas da FIFA.

Com a apresentação da demanda, o Cruzeiro apresentará defesa e, após, um dos árbitros da FIFA (nome conferido aos julgadores das Câmaras).

Em eventual condenação do clube mineiro, em caso de não pagamento, a FIFA poderá puni-lo com perda de pontos, suspensão, eliminação e até desfiliação.

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Justificativas para novas abordagens de treinamento de força no futebol

De alguns anos para cá, muitas metodologias importadas da Europa vêm tomando conta do cenário de treinamento aqui no Brasil. Elas se dizem mais específicas pois seriam metodologias voltadas para o futebol e não métodos de treinos de esportes individuais adaptados ao futebol, o que durante muito tempo aconteceu, exemplo são: os trabalhos físicos oriundos do atletismo que foram incorporados como verdades absolutas por anos.

Certamente todos os métodos apresentam resultados, porém a questão não é essa. Nossa preocupação é otimizar tempo e trabalho a fim de treinar o ótimo e ideal, e não o máximo.

Logo essas metodologias precisam de embasamentos teóricos para se fortalecerem, e não seria contrário no treinamento de força, que vem mudando um pouco suas abordagens.

Por isso apresento alguns aspectos que justificam teoricamente a introdução de novas abordagens para o treinamento de força.

Para ler o artigo na íntegra, clique aqui.

Confira também o artigo Força, futebol e especificidade.

*Fabrício Vasconcellos é Coordenador do Laboratório de Estudos em Futebol (LABESFUT) e docente da disciplina de futebol na UERJ.

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O futebol por jogadas mecanizadas ou jogado pelo jogar dos jogadores?

No futebol muitos são os jargões usados e palavras empregadas para procurar sintetizar as ocorrências e interações que acontecem dentro do retângulo mágico. A palavra jogada é utilizada com frequência. Corriqueiramente é demonstrada para expor algo que aconteceu dentro de campo, narrar que “aquela foi uma bela jogada”, que “tal jogador fez uma jogada espetacular” ou que “aquela jogada foi de cinema”.

Em contrapartida, para os treinadores, o verdadeiro significado do termo jogada é diferente. Jogada é entendida como a automatização de ações treinadas de uma forma determinada em uma região do campo, em algum momento do jogo ou em bolas paradas, e tem como fim predeterminar antecipadamente ações de jogo. Resulta que os jogadores memorizam possibilidades e executam, por vezes, de forma forçada e sem o entendimento real da situação.

Essa forma de estruturar o processo gera uma dicotomia-distância entre o jogo, jogador e treinador. Nela parece que tudo que acontece dentro de campo está submetido a ações preestabelecidas pelo treinador o tempo inteiro. O jogo e o jogador ficam em segundo plano. De certa forma, estas generalizações preestabelecidas se convertem em pensamentos automáticos e diminui muito a forma do jogador perceber situações do entorno, que simplesmente é o jogo.

Jogo, jogador e treinador são conceitos intimamente unidos. O treinador sozinho não existe. Sua figura nem consta no regulamento do jogo. Uma jogada predeterminada, também não existe sozinha e fica muito luminosa na prancheta do treinador. Jogo, jogador e treinador são palavras que não se desenvolvem de maneira independente. Elas seguem um processo de contínua influência recíproca.

Está claro que a repetição de uma mesma ação, a repetição constante ou uma série predefinida ou estabelecida, exercitada a toda hora, aparentemente pode ser um artifício eficaz, já que o ato repetitivo “teoricamente tem seus benefícios” pois, faz o jogador “deixar de pensar” ou desconectar o pensamento consciente. Agora, como essa repetição ocorre, a regularidade e que conteúdo inserido nela se desenvolve, é que pode fazer o jogador não jogar e apenas decorar jogadas ou ações.

E nosso cérebro tem uma capacidade de automatizar uma grande quantidade de informações. Mas questiono novamente que essa capacidade de enxergar a automatização, quando queremos apenas mecanizar jogadas e estabelecer ações num contexto que nunca se sabe realmente o que vai acontecer, carece de critérios reais e exponenciais para a natureza do jogo ou propriamente de um jogar específico, o que ocasiona na hora do jogo um “branco contextual”. É um paradigma. Parece que quando se decoram jogadas, tudo irá ser feito bem, mas quando o jogo inicia, o vazio entra em cena e os jogadores entram em um mundo paralelo esquecendo-se de tudo.

Agora, jogar criando interações, que de certa forma também existe repetição, por meio de mecanismos não mecânicos que vão além de jogadas, gerados por cenários criados, difere-se um pouco especialmente se inserirmos contextos reais e emoções positivas. E o jogo de futebol é isso: é jogado e exige desafios. Inegável que esses cenários criados devem ser construtivos e não criado de qualquer maneira, pois também podem virar uma “espécie” de mecanização e, tudo que tem forma mecanizada, pode bloquear informações importantes.

Por isso, ao criar probabilidades que ultrapassam a automatização e originam  automatismos expressivos e comunicam ao organismo que o jogo tem variabilidade, ele, ao sentir isso, fica propenso a receber identificadores gerados por emoções reais e positivas. Assumindo isso, mostramos a capacidade do nosso organismo criar interações qualitativas. A medida que elas vão sendo criadas, se desperta a curiosidade e níveis evolutivos de jogo com constância de novos automatismos não mecânicos.

Então, não importa a quantidade de jogadas ou variações, tudo tem um prazo de validade e de certa forma essa mecanização ao longo do processo competitivo gera um lastro negativo. Por incrível que pareça, por mais que uma quantidade excessiva de jogadas repetidas pareça gerar benefícios com a automatização, se não assimiladas emocionalmente pelos jogadores, os cenários que transmitem uma aleatoriedade maior, sem essa automatização mecânica, podem “ser mais recordados” pela emotividade que os jogadores vivenciaram.

Está claro que o que fizermos como treinadores influencia e modifica os jogadores. Temos uma parcela muito grande, especialmente se virarmos estratégias ou treinadores de jogadas. E, acredita-se em benefícios com isso mas, na realidade, traz muitas sequelas a longo prazo para os jogadores, sobretudo na formação. Conectar os atletas com o jogo é algo que o treinador deve fazer antes que qualquer coisa, já que dessa forma os jogadores compreendem o jogo realmente como ele é: de maneira interativa e intuitiva.

Abraços e até a próxima quarta!

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20 perguntas sobre Categorias de Base que incomodam

O Brasil é reconhecido mundialmente como o país que fabrica grandes craques. No entanto, esse rótulo e a nossa atualidade, não deveriam nos impedir de refletir sobre as perguntas a seguir:

1. Se o trabalho das categorias de base dos clubes é, de fato, fundamental para o desenvolvimento do futebol, por que a maioria investe tão pouco neste setor?

2. O trabalho com as categorias sub-13 e sub-15 são menos importantes que as categorias sub-17 e sub-20? Se não são menos importantes, por que os profissionais que trabalham com atletas mais jovens, geralmente recebem salários menores?

3. Se formar atletas nas categorias de base é mais importante que vencer campeonatos, por que treinadores são demitidos quando não ganham competições?

4. Um clube de futebol estruturado deve ter um modelo de jogo definido que se reproduz em todas as suas categorias, das escolinhas até as suas equipes profissionais?

5. Um Modelo de Jogo ofensivamente baseado na posse de bola e qualidade dos passes, ajuda a desenvolver a criatividade para outras habilidades como o drible, por exemplo?

6. Destacar a individualidade deste ou daquele jogador ajuda na formação do jogador inteligente ou do fortalecimento da “inteligência coletiva” do jogo?

7. Se realmente valorizamos o jogo bonito e criativo do futebol brasileiro, por que não permitimos o erro quando um jogador arrisca algumas jogadas?

8. A nossa fonte natural de formação de jogadores de futebol (“pedagogia da rua”) está crescendo ou diminuindo? E por quê?

9. Pedir para um jogador: dar chutão, “jogar feio”, não fazer firula ou inventar e etc, estimula a formar que tipo de atleta?

10. Se a fonte de inspiração do futebol brasileiro sempre foi a “pedagogia da rua”, onde as crianças e adolescentes jogam livremente (ou com as regras próprias), com alegria, imaginação e criatividade, por que a maioria das escolinhas e clubes de futebol inibem estas manifestações?

11. As comissões técnicas das categorias de base estão mais preocupadas em formar equipes ou formar jogadores?

12. Afinal, dá para conciliar a alta competitividade que busca resultados em qualquer competição disputada e a formação adequada dos jogadores jovens?

13. O jogador de futebol com estudos e visão crítica ajuda ou atrapalha um treinador que não valoriza os estudos?

14. Será que os clubes de futebol e os seus treinadores e responsáveis pelas categorias de base, de fato, estimulam os seus jovens a estudar?

15. Como podemos melhorar a qualidade do jogo em um ambiente que não valoriza o preparo de seus profissionais e responsáveis?

16. Se houvesse um plano de carreira, que apoiasse e valorizasse os treinadores e demais profissionais que estão na categoria de base e tem perfil para trabalhar na formação de atletas, diminuiríamos o fato deles próprios verem seus trabalhos com crianças e jovens apenas como uma passagem para trabalhar com equipes profissionais?

17. É correto que dirigentes de clubes estatutários (sem fins lucrativos) tenham interesses financeiros quando discutem os contratos de jovens atletas?

18. A Lei Pelé, como afirmam alguns, acabou com o futebol brasileiro porque abriu espaço para os empresários tomarem o lugar dos clubes?

19. Por que os jogadores brasileiros, hoje em dia, não têm mais tanto “amor à camisa”?

20. Quem são os responsáveis pelo desenvolvimento do futebol brasileiro?

Buscando proporcionar um espaço de reflexão e discussão sobre as questões conceituais e práticas do futebol de base, desenvolvemos o curso Currículo de Formação no Futebol.

Este curso propõe um novo modelo de formação de jogadores no Brasil, oferecendo ferramentas teóricas e práticas para aplicar na formação dos atletas, além de sistematizar os elementos da pedagogia de rua para os ambientes de aprendizagem como: escolas, escolinhas e categorias de base, com enfoque na melhoria do jogo do futebol brasileiro.

É indispensável para quem trabalha, ou pretende trabalhar, com crianças e jovens no futebol.

Para saber mais, acesse: https://universidadedofutebol.com.br/produto/curriculo-formacao-futebol/

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