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Quanto mais ideias de qualidade, mais jogos de qualidade

Quando falamos de esportes coletivos, falamos de equipe, uma união de jogadores com a finalidade de conseguir algo em comum. Todavia, cada jogador tenta alcançar o que é melhor para si, trabalhando no/e para o coletivo, assim como o coletivo tem que extrair o melhor de cada jogador para alcançar o seu propósito enquanto instituição. No intuito de pôr em ordem diversos jogadores, distintos objetivos (que podem se contrariar) e principalmente diferentes formas de interpretar, pensar e “gostar” do jogo de futebol, há a necessidade de organizar esse emaranhado de elementos que constituem o grande fenômeno futebol. Organizar no sentido de tomar forma regular. Equipe com um perfil frequente ao longo do jogo e dos jogos. Regularidade que advém dos hábitos da equipe e do jogador. Hábitos que se adquirem na prática (ecoando, aqui, algumas reflexões de uma coluna anterior).

Portanto, o que dá corpo a “organização” é o que acontece no treino. Contudo, primeiramente precisamos nos desvencilhar da interpretação convencional de “treino”. Devemos pensar o “treino” como prática, sobre o que fazemos diariamente, o que estamos nos habituando a fazer. Tudo aquilo que acontece antes do jogo, com o objetivo de se preparar para este jogo. E nisso entra os exercícios, as orientações, a comunicação (fator crucial), a convivência, as interações, dia a dia, etc. Podendo estes fatores serem arquitetados deliberadamente ou não. Premeditados pelo treinador (ou qualquer outro agente do meio) ou simplesmente fruto das interações dos jogadores (o hábito da convivência edifica, em certo nível, a organização do coletivo). Com essas peculiaridades, o que causa mais inquietação e indagação é a própria construção da organização. Por isso o treino é indispensável. Tudo que precisamos para estruturar uma organização (que pretendemos). Ao meu ver, neste fator que se encontra um dos grandes pontos a ser melhorado em nosso futebol, o treino. Precisamos nos dedicar mais para compreender melhor o treino. Precisamos treinar mais aquilo que queremos fazer no jogo. O treino faz a competição. Treinar de uma determinada forma para jogar desta maneira. Treinar para alcançar aquilo que queremos.

A organização da equipe vem do que ocorre no treino. Aquilo que acontece no treino vai definir a qualidade da organização. Se é oriundo das ordens (ideias pré-concebidas, principalmente pelo treinador) ou da espontaneidade das interações dos jogadores. Se pretendemos uma organização mais complexa (flexível e adaptativa) é preciso saber “consertar” esses convívios. Fazer com que cada jogador faça o seu melhor dentro de uma perspectiva coletiva. Caso se pretenda uma organização mais rígida, quanto mais “ordens”, principalmente de caráter terminante, melhor.

Não sou apologista de deixar “a reveria” o treino. Contudo, precisamos entender que ordens (ideias, princípios, etc.) limitam, coíbem, de uma certa maneira, o desregramento, a desordem. Esta que se manifesta na criatividade, autointerpretação, na tomada de decisão do jogador no jogo.  Não obstante, precisamos lembrar que o jogador deva tomar a melhor decisão para ele e o grupo. Pois, a decisão dele depende e é influenciada pela decisão do(s) outro(s) jogadores. Provavelmente essa seja a diferença entre “liberdade” e “libertinagem”.

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A importância da comunicação no futebol

Para quem acompanha diariamente o noticiário esportivo, sabe bem que a palavra “marketing” está cada vez mais presente nos textos, no rádio e na televisão. Muito se fala disso, muito se discute sobre, muito se estuda e muito se deturpa também. Como se o “marketing esportivo” fosse a solução para a gestão do futebol, ou de todos os problemas financeiros. Uma coisa é gerir, outra coisa é colocar um produto no mercado (‘marketing’) e outra terceira coisa é comunicar para que este produto chegue ao consumidor final, você torcedor.

Um clube de futebol, uma federação ou uma confederação possuem vários produtos ligados à modalidade: a equipe, o jogo, o craque, o estádio, o bar, o restaurante. Obviamente, todos estes itens precisam ser geridos de acordo com os recursos financeiros disponíveis. Por exemplo, a gerência de um plantel ou gerir um estádio em um dia de partida ou de um treino. Não parece, mas estes itens já são parte do conceito do mix de marketing, são os produtos. Quanto mais “azul” for o caixa disponível, maior a possibilidade de se investir no time ou no recinto de jogo, a fim de colocar à disposição do público um produto mais atraente para ser consumido. Aí os respectivos gestores terão que saber lidar com as suas áreas. Os das equipes, com o trabalho dos agentes, com o “vestiário” ou as janelas de transferências para o exterior. Os dos estádios, em proporcionar o melhor conforto e segurança, ou seja, a experiência em frequentá-lo, cujo torcedor teve conhecimento do jogo através de uma comunicação abrangente e eficiente do clube, que chegou até ele e foi capaz de fazê-lo decidir em comprar a partida de futebol. Simultaneamente, as marcas vinculadas ao esporte nele se posicionam e se comunicam com o público-alvo. Quanto melhor comunicado, mais simpática será a mensagem, mais receptiva à vista do torcedor. E uma marca, associada a uma instituição esportiva, quer se comunicar através dela. Quanto mais barreiras e falta de transparência encontrar para expor sua marca, menor o interesse em associar-se ao produto esportivo.

Paixão faz parte do esporte, faz! Mas não é o quinto “P” do “marketing”! Assim como o esporte, também o clube, o craque, o estádio e outros produtos esportivos se comunicam com o público-alvo (o torcedor, o fã, o simpatizante), que é justamente o “P” de promover, da promoção, em se comunicar. Um exemplo disso, quando se aplaude e parabeniza ao se ver os mascotes das equipes se encontrando para promover um jogo. É um tipo de comunicação bem bacana para um produto interessante no mercado: a partida de futebol. O Manchester City bolou algo interessante: camarotes no túnel de acesso aos jogadores e árbitros (quem está no túnel não chega a ver quem está nos camarotes), para potencializar os rendimentos do clube. O preço por jogo para estar no túnel: R$1.200,00 (mil e duzentos reais).

Mascotes do São Paulo FC e do América FC em frente ao Mineirão. Foto: Divulgação
Mascotes do São Paulo FC e do América FC em frente ao Mineirão. Foto: Divulgação

 

Com tudo isso, o marketing é uma ferramenta da gestão que trabalha em cima do conceito dos quatro “Ps” (Produto, Preço, Praça e Promoção). O produto (um desses quatro “Ps”) deve ser muito bem elaborado para ser promovido (outro desses quatro “Ps”) em um competitivo mercado – com um leque imenso de opções de lazer e entretenimento – e só vai alcançar o consumidor através de um processo de comunicação estratégica, eficiente e efetiva, capaz de fazê-lo preferir este produto, não os outros.

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O papel do futebol na formação de crianças como indivíduos

O futebol constitui-se num veículo para uma série de representações da sociedade brasileira, permitindo a expressão e vivência de problemas nacionais. Ele transcende sua qualidade esportiva, criando relações sociais e identidades, bem como representa um forte universo simbólico. Identificar os caminhos pelos quais o futebol constrói essas identidades, especificamente através das nossas crianças é o objetivo deste artigo.

Segundo alguns historiadores, o futebol pode ter sido originado no Japão, através do Kemari, um jogo de bola que se disputava ali no século V antes de Cristo. Logo, no século V, havia o cálcio italiano, um jogo muito parecido ao futebol que se jogava nas praças públicas italianas. Os romanos jogavam com a bola, a esferomaquia, palavra que deu origem à bola. No Caribe também jogavam um jogo parecido ao futebol chamado batú. No entanto, o nascimento do futebol, como o conhecemos hoje, pode datar-se de 26 de outubro de 1863, dia em que começaram a definir as bases do futebol que conhecemos. E constituiu-se a Associação de Futebol, entidade que rege o futebol inglês até a atualidade.

O futebol é uma linguagem universal de milhões de crianças no mundo, , independentemente de onde sejam, o idioma que falem, ou a religião que sigam. O jogo não é um privilégio, mas um direito fundamental das crianças, de acordo com a Convenção dos Direitos da Criança. O futebol desempenha um importante papel na preservação desse direito infantil. O denominador comum é a bola, com a qual eles brincam numa quadra, no campo, nas ruas, em acampamentos, estacionamentos, ou até mesmo (para o desespero de muitas mães) na sala de casa.

Na etapa de crescimento, as crianças desenvolvem condições ideais para treinar a habilidade. A partir dos 5 anos de idade, a maioria das crianças está preparada para dar seus primeiros passos no futebol. Adaptam-se aos movimentos e podem apresentar melhor coordenação. Bem controlado e com uma adequada preparação, este esporte pode contribuir com grandes benefícios:

–  Aumenta a potência muscular das pernas.

–  Melhora a capacidade cardiovascular.

–  Estimula a velocidade de reação, a coordenação motora, e a visão periférica.

–  Contribui com aumento da densidade óssea femural.

–  Aumenta a potência do salto.

–  Aumento dos níveis de testosterona, o que fará com que se forme mais tecido muscular.

–  Oxigena o sangue.

Além dos benefícios citados acima, o futebol sociabiliza as crianças, e lhes insere no importantíssimo processo de trabalho em equipe. O esporte melhora sua relação com os demais, e lhes dão mais segurança em si mesmos.

Mas para de fato o futebol passar para nossas crianças tantos benefícios como os pontuados acima, ele deve ser ministrado por profissionais capacitados da área. Segundo João Batista Freire (2006), “escola não é rua e nunca será demais repetir isto. Professores são profissionais especialistas em ensinar e devem se orientar por ideias, teorias, princípios”, levando em consideração os conhecimentos trazidos pelos alunos. É preciso ensinar futebol bem a todos. Todo processo pedagógico exige paciência, e no ensino do futebol não seria diferente, mas se ensinarmos com paixão e disponibilidade, os alunos mostrarão habilidades para jogar futebol, mesmo que elas inicialmente estejam “introvertidas” no aluno.

O Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), reconhece que o futebol é um instrumento educativo valioso que pode ajudar as crianças a superarem traumas e frustrações. Crianças maiores podem recuperar a infância perdida através do futebol. O Unicef utiliza o futebol de muitas formas e em muitos países, para educar as crianças em suas relações com os demais, diverti-los, a protegê-los da violência, dos abusos, e de outros males. E, para esse desenvolvimento é necessário um profissional capacitado na área e disposto a oferecer seu melhor.

Esse profissional também promoverá atividades onde os alunos aprendam a conviver em grupo, construir normas, discutí-las, concordar e/ou discordar, fazendo com que dessa forma haja uma rica contribuição para seu desenvolvimento como cidadão. Como exemplo, ao discutir sobre os acontecimentos da aula, colocando-o em situações desafiadoras, estimulando-o a criar suas próprias soluções para situações-problemas e falar sobre elas, levando-o a compreender suas ações, esse profissional está contribuindo para o desenvolvimento da inteligência do aluno, não pensando apenas como atleta, mas em sua condição humana, principalmente sua condição infantil.

Ensinar o aluno a se apaixonar pelo esporte, ensinar o futebol com diversão, com paixão, dando liberdade, pois antes de qualquer ensinamento, a criança precisa aprender a gostar do que faz. É fácil entender que o aluno costuma gostar mais daquilo que lhe é prazeroso do que aquilo que lhe causa sofrimento. Sendo assim, certamente veremos futuros craques, que jogam o que conhecemos como futebol arte, apaixonados pelo esporte.

O objetivo deste artigo é alertar aos companheiros de profissão que, saber ensinar as crianças de uma maneira simples e de fácil entendimento, para que elas gostem do esporte e tenham prazer em praticá-lo, desenvolvendo suas habilidades com qualidade e competência, é a principal ferramenta que temos nas mãos para um futuro melhor do nosso país e do mundo. Transformar essa criança num futuro cidadão é uma das mais difíceis e desgastantes tarefas humanas – nós profissionais da área sabemos bem disso – mas não há nada mais gratificante em saber que você está formando para o mundo não somente um atleta, mas sim um cidadão que terá nas mãos o poder de transformar nossa sociedade em um lugar digno para as próximas gerações de apaixonados, não somente pelo futebol mas pela vida!

 
Bibliografia
FREIRE, J. B. Pedagogia do futebol. Ed. 2ª Campinas, SP: Autores Associados, 2006.

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Gerindo mudanças no futebol

Tenho me questionado constantemente sobre como se pode auxiliar os clubes, durante os vários processos de mudanças que ocorrem durante uma temporada e entre as temporadas. São mudanças oriundas de questões técnicas e políticas, mas que invariavelmente geram impactos no desempenho dentro de campo e sendo assim, como potencializar os impactos positivos e minimizar os negativos?

Buscando respostas para esse questionamento, recentemente recorri ao tema Gestão de Mudanças Organizacionais, no qual tenho alguma vivência no mundo corporativo, e rapidamente me vi pensando na aplicação do conceito no futebol. E acreditem, faz todo sentido.

Com as grandes e necessárias mudanças que a gestão do futebol busca implementar nos clubes, estas deixam de ser meros acontecimentos esporádicos e se tornaram algo cada vez mais cotidiano.

Podemos conceituar uma mudança organizacional como uma adequação às exigências do cenário ou mercado, gerada por influência do ambiente externo ou do ambiente interno. Na prática, o uso da Gestão de Mudanças Organizacionais, objetiva a redução do tempo de adaptação de uma organização às mudanças impostas por novos projetos ou processos de negócio. Compreendendo o conceito, podemos ver claramente que o contexto no qual acontecem as mudanças não são uma exclusividade do mundo corporativo, mas sim, tem total aderência no mundo do futebol, onde as mudanças acontecem com uma frequência maior do que em muitos nichos de mercado. Basta imaginarmos a quantidade de projetos que são idealizados e iniciados nos clubes, por sua gestão administrativa e técnica, para alavancar o desempenho dentro e fora dos campos.

Durante a realização de um projeto, o ato de gerir mudanças organizacionais na prática envolve ações relacionadas a:

  • Avaliação de prontidão da organização à mudança
  • Gestão dos impactos organizacionais, devido ao projeto de mudança
  • Gestão de todas as partes interessadas no projeto
  • Gestão da comunicação envolvida, durante o projeto
  • Gestão de toda capacitação necessária, para implementar as mudanças que serão geradas pelo projeto

Cabe ressaltar que todos esses pontos de ação acontecem, de forma sequenciada e organizada, durante todas as fases de um projeto.

Então amigo leitor, pensando na dinâmica política dos clubes e nos necessários projetos que cada gestão necessita implementar para gerar os resultados que se esperam, acredito plenamente que a adoção de uma Gestão de Mudanças Organizacionais, nos clubes de futebol aqui no Brasil, pode colaborar fortemente para elevar a taxa de sucesso de implementação destes projetos.

Até a próxima.

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Pela volta do mata-mata

Desde 2003, o Campeonato Brasileiro é disputado no sistema de pontos corridos, ou seja, é declarado campeão o clube que, após disputar duas partidas com cada equipe (uma em casa e outra fora) somar mais pontos. Esse modelo é utilizado com muito sucesso na Europa.

Até 2003 o regulamento do Brasileirão previa uma fase de mata-mata (ou playoffs) na qual as equipes decidiam a classificação e título em confrontos diretos, normalmente, em dois jogos, um no campo de cada clube. Essa forma de disputa é adotada com extremo sucesso nos Estados Unidos.

Os defensores dos pontos corridos argumentam que é a forma de disputa mais justa, pois, coroará o clube mais organizado, com melhor planejamento e que mantenha a regularidade. Por outro lado, os amantes do mata-mata entendem que se trata da forma mais emocionante de disputa e que é vencida pela equipe mais apta a enfrentar a pressão e situações adversas.

De fato, na Europa, onde se joga o melhor futebol do mundo, o modelo de pontos corridos é utilizado há décadas e com bastante sucesso. Entretanto, este sucesso se deve a algumas peculiaridades do continente europeu.

Primeiramente, trata-se de países com área pequena. Das principais Ligas, a França é o maior país, com 547.030 Km2, menor que o Estado de Minas Gerais que tem 587,6 Km2. Dessa forma, torna-se fácil para o torcedor acompanhar sua equipe nos mais diversos cantos do país, razão pela qual os campos estão sempre cheios.

Além disso, é fácil e barato circular dentro dos países europeus. As estradas são boas, há trens e passagens aéreas baratíssimas nas empresas low cost. É possível, por exemplo, ir de Paris a Nice por 30 euros (pouco mais de cem reais).

Isso sem falar na segurança e na qualidade dos estádios.

Mesmo diante de tudo isso, a maior competição da Europa é a Champions League, cuja fórmula de disputa se dá por pontos corridos.

O Brasil é um país de dimensões continentais. Normalmente, 80% dos clubes do Brasileirão situam-se no eixo Sul-Sudeste, o que torna caro, custoso e cansativo para uma equipe do Norte e Nordeste ficar fazendo o “ping pong”. Talvez esse seja um dos motivos pelos quais grandes equipes com torcidas fantásticas como Bahia, Vitória, Náutico, Sport, Santa Cruz, Remo e Paysandu não consigam se firmar no cenário nacional.

Ademais, a alma latina do brasileiro clama pela emoção, pela disputa acirrada e pelos herois. Quem não se lembra de Alex Alves da Portuguesa em 1997, do Alex Mineiro do Atlético Paranaense em 2001, do Robinho em 2002 ou, mais recentemente do goleiro Victor (na Libertadores) em 2013?

Infelizmente, o campeonato por pontos corridos traz a cada rodada dois, três jogos com algum interesse e sete jogos sem atrativos. Normalmente, uma equipe dispara na frente e a competição se torna uma briga por vaga na Libertadores, ou seja, pelo sexto (!) lugar.

Antes de 2003, os clubes brigavam ponto a ponto para ficar entre os oito primeiros colocados e depois começavam uma “nova competição” nos mata-matas. O campeão era a melhor equipe do país, ou seja, aquela que vencia segundo as regras de competição e que se preparava física e emocionalmente para a fase dos playoffs.

Os Estados Unidos que possui dimensões continentais como o Brasil tem as Ligas esportivas mais valiosas do mundo e todas elas são disputadas no sistema de mata-mata.

O modelo brasileiro cultural e geográfico é muito mais próximo do americano do que do europeu.

A média de público do Brasileirão por pontos corridos e mata-mata, tem sido muito próxima, mas, indiscutivelmente a emoção caiu e o produto Campeonato Brasileiro se tornou menos atrativo.

Tudo isso se torna mais claro quando nos deparamos com jogos sensacionais na reta final da Copa do Brasil.

O grande ponto negativo do mata-mata que seria o fim de temporada prematuro para as equipes não classificadas, pode ser resolvido, por exemplo, com um playoff paralelo decidindo vagas nas competições sul-americanas como se deu, por exemplo, no Brasileirão de 1999.

Enfim, o debate é bastante complexo e há medidas que podem ser interessantes como a criação de “conferências” como ocorre nos EUA, mas, independente da conclusão individual, clamo pela volta dos grandes jogos, da expectativa de uma grande final e do surgimento dos mitos nos jogos decisivos.

#PelaVoltadoMataMata

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Um chute certo – sem gestão, a bola só entra por acaso!

Caro leitor, estamos observando há algum tempo no futebol brasileiro, e até mundial, que muito dinheiro não significa necessariamente resultados sólidos e conquista de títulos. A ótima notícia aqui no Brasil é: sobrou dinheiro para os clubes! Seria lógico crer que os dirigentes pagariam dívidas, fariam investimentos assertivos e até poupariam alguma coisa. Só que a realidade é bem diferente e o futebol é uma torneira que não para de pingar. Quanto mais ganha, mais gasta. E, no Brasil, onde não há nenhum órgão regulador para cobrar a devida responsabilidade de tais gestores, quando sobra é hora de gastar ainda mais…

Evidencia-se que o futebol brasileiro passa por um momento histórico de aumento de receitas e, até sem profissionalizar suas gestões financeiras, grandes clubes dispõem em 2017 de dinheiro em caixa e faturamento crescente. Paradoxalmente sem resolver seus intermináveis problemas de endividamento e de gestão, os clubes da primeira divisão estão faturando mais, o que contribuiu para melhorarem seus balanços nos últimos dois anos. Há crescimento de receita com a venda de jogadores, da renda obtida com o público nos estádios, cada vez mais sustentável graças aos programas de sócio-torcedor, da receita publicitária e dos valores pagos por direitos de transmissão, bem como pelos direitos de arena, entre outros. Enfim, parece tudo um sonho, mas porque mesmo assim os resultados não são visíveis dentro de campo? Uma certa vez conversando com um determinado dirigente, ele me indagou, mas Braun, “o que vale é a bola entrar” e eu pensei: Pode até se aplicar para o curto prazo, mas sem GESTÃO nada se sustenta por muito tempo. Gestão tem a ver com pensar em longo prazo. Não é difícil perceber que mesmo tendo dinheiro disponível em caixa, muitos clubes ainda são deficientes nas boas práticas de gestão e de governança.

Numa simples ilustração, é fato que muitos clubes não sabem explorar o direcionamento das empresas brasileiras em suas cotas publicitárias, onde a má gestão e falta de credibilidade estão entre as razões do baixo interesse do setor publicitário nos clubes de futebol do nosso pais. Segundo dados levantados pelo periódico ESTADÃO, dos quase R$ 130 bilhões investidos pelo setor publicitário no país em 2016, apenas 0,4% (ou R$ 550 milhões) foram aplicados diretamente em times de futebol, sem contar os aportes em televisão e nos torneios. Isso significa que os clubes não conseguem tirar proveito deste relevante mercado da publicidade na indústria esportiva. Estes dados estão contemplados no levantamento exclusivo realizado pelo Itaú BBA (sistema de análise de crédito). Muito deste baixo aproveitamento por parte dos clubes está diretamente ligado aos modelos defasados de gestão e a incapacidade de adotar um olhar estratégico e que se alinhe a gestão de marca, pois no final das contas todos os clubes são uma MARCA. Ainda, de acordo com Itaú BBA, o valor levantado pelos clubes brasileiros chama atenção quando são levados em conta os números dos times de outras grandes ligas mundiais. Na França, 2,7% de todo o dinheiro investido pelo setor publicitário em 2016 estava nas agremiações. Na Inglaterra e Alemanha, esta taxa foi de aproximadamente 5%. Os contratos de publicidade dos clubes italianos representam quase 8% de tudo que foi movimentado pelo setor. Na Espanha, a proporção chega a surpreendentes 16,6%. Mas, então, porque tudo isso acontece, num país que para muitos, ainda é o pais do futebol? A resposta é simples: falta gestão!

Ao fazer uma análise mais holística sobre a origem dos problemas gerados na gestão de muitos clubes em função do modelo de gestão utilizado por eles, chegamos a algumas conclusões. Dentre tantas a mais clara é que a visão é focada em ganhar títulos e resolver questões de curto prazo e não adotar um olhar de negócio, ou até de princípios de gestão. Ter a visão de negócios é gerenciar processos, sistemas de informação, gestão e capacitação de pessoas, administração de custos e de fluxo de caixa, contabilidade gerencial, etc. A cultura é ainda vivenciada pelos moldes amadores das suas origens de fundação, com pouco ou nenhum olhar profissional. E quando falamos em olhar profissional estamos falando de QUATRO fatores muito importantes e que muito diz sobre o nível de profissionalismo de qualquer empresa, aplicando-se também a clubes desportivos: pessoas, processos, produtos e finanças.

Acontece também em muitos clubes um fenômeno comum e similar ao meio dos negócios: a empresa (chamo aqui clube) cresce mais do que a capacidade da estrutura organizacional pode suportar. Este é o momento em que os problemas começam a aparecer, frutos da dificuldade interna de gerenciamento, da pouca eficiência ou falta de controle na operação do negócio (pessoas, processos, produtos e finanças). E isso não é algo que a diretoria percebe e muda de um dia para o outro, é um processo que muitas vezes custa caro para a imagem do clube e para os resultados organizacionais.

Os clubes precisam definir melhor suas estratégias e pensar em longo prazo. O estabelecimento da estratégia não é um processo gerencial isolado. É parte de um “todo” que tem seu início com a definição da missão da organização. Para se traduzir a missão em resultados almejados, percorre-se a trajetória que passa pelos valores essenciais – aquilo em que a organização acredita –, passa pela visão – o que se quer ser no futuro –, passa pela definição e implementação do sistema de medição – o BSC, por exemplo (Numa tradução livre, Balanced Scorecard significa Indicadores Balanceados de Desempenho que é uma metodologia voltada para otimizar a gestão estratégica das empresas e ensina que os indicadores de gestão não devem ser restritos ao âmbito econômico e financeiro,  mas sim subsidiar a tomada de decisão e a gestão estratégica) –, passa pelo estabelecimento das iniciativas estratégicas – o que é preciso ser feito – e se chegando ao nível pessoal (atletas, inclusive) – a contribuição de cada um para o alcance dos objetivos estratégicos.

Não existe uma fórmula exata para administrar um clube, uma vez que o cotidiano é repleto de surpresas e alterações inesperadas, por exemplo, se a bola não entra. Quando ganha, tudo é perfeito, começou a perder, nada é válido. Mudança de técnico é outro exemplo. Muitos são contratados na ilusão de um projeto, onde na verdade, o grito das arquibancadas e as pressões internas é o que prevalecem. Mas então não tem que demitir se os resultados não estão indo bem?! Ainda sou da época que contratar bem é o começo do sucesso de toda empresa e isso é aplicável também no futebol.  Se demitiu rápido, é porque não soube contratar! Entretanto, existem pontos específicos que devem ser observados com atenção para que sejam desenvolvidas ações efetivas que direcionem os clubes para um caminho promissor. O Brasil é um país que possui um altíssimo potencial de rentabilidade, quando a matéria é futebol. Como já citado no artigo, atualmente o futebol brasileiro movimenta cifras altíssimas, mas o nível de profissionalização deixa muito a desejar. Isto se deve, reforçando toda a dissertação deste artigo, à falta de uma gestão profissional dentro dos clubes de futebol brasileiros, principalmente quando observamos a conjuntura atual: gestão amadora, AINDA alguns estádios ultrapassados, pouco investimento em marketing e leitura equivocada do mercado atual. Paralelamente, é notória a percepção de que alguns clubes de futebol são percebidos e utilizados como um sistema político e como um instrumento de domínio, no sentido de favorecer a defesa dos próprios interesses de presidentes e elites envolvidas, muitas vezes permanecendo com “cadeira cativa” por infindáveis períodos. Assim, é quase impossível fazer gestão!

É relevante refletir que para se construir de maneira qualitativa e profissional, bem como proporcionar legados no futuro, os dirigentes e representantes esportivos estejam mais aptos e capacitados para uma atuação sólida, eficaz e duradoura, no sentido de transformar o sonhado “país do futebol” em “país da gestão profissional no futebol”. Pensando assim, é imprescindível não falar que gestão e governança, são os maiores entraves do futebol brasileiro. Podemos perceber que a principal causa desses problemas é a falta de profissionalização dos gestores de clubes de futebol, sejam esses clubes grandes ou pequenos. A culpa não pode cair apenas sobre a CBF, que é o órgão máximo do futebol nacional, mas também deve cair sobre os dirigentes que não tratam suas gestões de forma moderna, transparente e profissional, que ainda adotam soluções de curto prazo e deixando problemas das mais diferentes naturezas aos seus sucessores.

A ampliação da concorrência entre os mercados, proporcionada pela globalização, somada as mudanças sociais e culturais contemporâneas, tornou obsoletos vários sistemas tradicionais de gestão nas empresas, podemos incluir aqui clubes também. O torcedor mudou, o mundo mudou. Insistir num processo de melhoria contínua e no aperfeiçoamento das práticas empresariais é ponto fundamental para a profissionalização dos clubes do futebol brasileiro, bem como para diferenciação e conquista de qualidade e superioridade. Seguindo assim, acredito que a bola não entrará por acaso!

Pense nisso e até a próxima!

*É consultor empresarial, professor de MBA, Coach e Conferencista Internacional. Ele estuda in loco, anualmente, o modelo de gestão dos 10 clubes de futebol mais ricos do mundo. Seu trabalho é fundamentado no relatório da consultoria Deloitte –  Football Money League – Ranking dos clubes de futebol com as maiores receitas do mundo. Com base neste estudo, o consultor tem levado para as empresas brasileiras estratégias inovadoras inspiradas no mundo do futebol. Hoje, Marcos Braun é um dos maiores estudiosos no assunto fazendo esta rica analogia. O referido estudo ocorre desde 2015 com os 10 clubes mais ricos do mundo e desde 2012 com o Futbol Club Barcelona. Seu trabalho já foi visto em mais de 50 cidades brasileiras, e em 2016 na Cidade de Barcelona e nos EUA.

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Saber dosar

No futebol temos várias dimensões que devem ser levadas em consideração para a organização de um processo de treino-competição. Se alguns aspectos não forem dosados adequadamente, resíduos processuais podem ser acumulados e prejudicar a equipe.

Dosar significa medir com cautela o que está sendo feito, o que está sendo observado e o que está sendo aplicado. E nisso algumas perguntas podem ser levantadas: O que dosar? Como dosar?

O que dosar seria, dentre várias dimensões, a modificação do contexto, a progressão dos princípios de jogo, os exercícios a serem aplicados, os minutos, as repetições, a fadiga complexa (central/periférica), horários de treinamento, possíveis concentrações antes de jogos, liberação de jogadores para saírem em grupos, tempo com a família, alimentação e etc. Enfim, todos os fatores dentro e fora do campo que perfazem o modelo de jogo do treinador, o contexto, a cultura, os costumes.

Ao modelarmos um contexto, temos que ter muita sensibilidade e compreendermos tal complexidade deste processo. Algumas vezes ficamos obcecados por implantar algumas ideias e alguns treinamentos que fogem daquele determinado momento e acabamos colocando doses acima da recepção ideal e sadia para os jogadores. Isso aos poucos vai gerando uma desconfiança, que pode fazer com que os jogadores não acreditem no que se está fazendo. Por isso a dosagem do que é feito e do que pode ser feito é um dos requisitos principais. A modificação brusca e o excesso de algumas coisas serão sempre prejudiciais.

Nesse aspecto, uma das primeiras questões, quando uma equipe inicia um trabalho novo, troca de treinador, é o excesso de informação. O excesso de informações conceituais pode gerar um lapso cognitivo, que mais que ajudar o jogador a assimilar as novas estruturações criadas, arrastará uma estranha sensação do jogador não reconhecer mais o jogo e o seu jogo.

Também, o excesso de treinamentos, a famigerada obsessão pelo volume de treino ou excesso de treino organizacionais em campo aberto, pode ocasionar uma fadiga acumulativa que também mais que ajudar vai atrapalhar no dia do jogo.

Outra questão também é a concentração em hotéis. E será que isso é um fator tão importante assim, a ponto de não deixar os jogadores passarem horas a mais com filhos, esposa e amigos? Isso exige um olhar muito aguçado do treinador e de sua comissão, para que nada seja para mais ou para menos. Esses três exemplos são apenas simbólicos das variâncias que estão inertes ao futebol e sua dosagem.

Bem, se temos que ter equilíbrio da dosagem em tudo que perspectivamos, o fator “como dosar”, que depende primeiramente das estratégias criadas para lidar com questões que corriqueiramente estão no futebol, entra no plano principal.  E, esse entendimento é ajustável a cada realidade e a cada momento.

Por isso, nada deve ser feito pelo poder ou pelo autoritarismo dentro de um processo com regras pré-definidas. É idêntico às relações de trabalho dentro de uma empresa. Se existe uma dosagem contextual entre todos, as coisas tendem a andar da melhor forma possível. Os jogadores ficam felizes e com alegria trabalham em prol sempre do clube e do grupo que pertencem. Isso é dosar, é dividir para depois somar com sensibilidade.

Abraços e até a próxima quarta!

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Qual a importância da posse?

Penso que temos que tomar cuidado ao indicar ou dar importância a determinado fator do jogo de futebol. Como tentei relatar, a posse de bola é um componente inerente ao jogo de futebol. Em todos os jogos existirão momento de posse, defesa, transição, bola parada, etc (enfatizei esse assunto na coluna anterior). O que faremos em cada um destes momentos é de escolha: própria, coletiva, imposta “empiricamente” pela cultura do clube e uma particularidade de cada partida.

Qual a importância da posse? Toda. Para o jogo, toda. Para a equipe, toda (porém, vista de diversos modos). A posse é um problema que teremos que resolver durante o jogo. Com a máxima importância, tanto quanto os demais momentos. Todavia, podemos tratar esse problema da posse como algo simples; simplesmente pelo fato de se preocupar mais com outros aspectos do jogo, como defesa, transição, bola parada, etc.

Talvez, pelo fato de se estar com a bola e sabendo que o futebol é um jogo de imposição, costuma-se dar a culpa ao individualismo do jogador quando não se consegue ultrapassar a defesa do adversário. A famosa “jogada individual”. Falta “jogada individual” para “quebrar” a defesa! Falam por ai (diversos “comentaristas”). Evidente que a criatividade individual, em prol do bem comum, vai trazer algo de produtivo. Contudo, ela por si só não resolve nada. Nunca vi com bons olhos o fato de tentarmos resolver um problema coletivo com uma solução individual.

Falamos tanto da criatividade individual, mas e a criatividade coletiva? Em alguns casos, as equipes têm aprimorado cada vez mais o momento defensivo. Os treinadores, cada vez mais, têm percebido a importância da marcação zonal. Eles têm tentado treinar e organizar melhor esta forma de defender (que possui por essência a gestão do espaço de forma inteligente). Corroborando com isso, temos o velho e bom princípio, que talvez sirva quase sempre para todos, de voltar o mais rápido possível para “reorganizar-se” defensivamente. E é neste ponto que precisamos nos desligar da ideia de que quem tem a bola, é quem controla o jogo. O espaço a ser ocupado se torna o artifício primordial para controlar (ou tentar) o jogo. Se a equipe não consegue gerir o espaço com a bola, então, talvez, seja melhor ficar o menor tempo com ela. E esse conseguir pode ser: preferir, não saber, não gostar, etc. Como também, pode ser algo cultural, como já falamos (algo que emerge da filosofia da instituição). O espaço a ser ocupado é o mais importante para “controlar” o jogo, até o momento de saber jogar o jogo. Aquele jogo.

Pois, cada jogo tem sua própria característica peculiar, ao ponto de dizermos que não há 2 jogos iguais. Essencialmente o próprio jogo, com sua devida particularidade, vai ditar o ritmo da partida. O jogo de futebol  é um jogo de imposição. Aproveitar as fragilidades do adversário e tentar superar, da melhor forma, as vantagens do mesmo. Sendo que o adversário vai tentar fazer o mesmo com a sua equipe. Caso não consigamos resolver os problemas do jogo e da partida (com seu adversário “único”), não conseguiremos colocar o que temos de melhor individualmente e coletivamente.

Precisamos antes de tudo analisar o contexto e (tentar) perceber tudo aquilo que envolve cada jogo e cada equipe. Temos que ter cuidado para não ser reducionista como qualquer outro “pensador” analítico. Não devemos separar as coisas. Parece que a cada ano que passa, procuramos separar e analisar isoladamente cada variável que compõe o futebol. Quando chegarmos ao ponto de perceber que não devemos separar as coisas, nomeadamente, quando estamos avaliando e analisando os resultados, começaremos o longo caminho da compreensão do futebol.

O problema “posse” não passa somente por saber sua importância. Pois isso, já sabemos, a importância é toda. Começaremos a entender e a resolver esse problema quando soubermos qual a intencionalidade quando se tem posse? O que quero e o que vou fazer quando estou com ela? E em cada situação do jogo? Lembrando que todo o problema inerente ao jogo é um problema para cada atleta/equipe/treinador/clube e, também, da(s) partida(s).

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Cruzeiro e Universidade do Futebol celebram parceria para categorias de base

Atento à formação dos profissionais de suas diversas áreas, o Cruzeiro anunciou, na tarde desta terça-feira, uma parceria com a Universidade do Futebol. A iniciativa tem o objetivo de aprimorar os conhecimentos dos profissionais das categorias de base do Clube, proporcionando um espaço de reflexão e discussão dos problemas e desafios do futebol.

Com a proposta de discutir os elementos centrais para o desenvolvimento de programas de iniciação e especialização no futebol, o curso “Currículo de Formação no Futebol” contará com a participação de 24 profissionais dos times sub-14, sub-15 e sub-17 do Maior de Minas. Os profissionais terão a oportunidade de elaborar e aperfeiçoar um currículo orientador de formação de acordo com cada realidade.

De acordo com Antônio Assunção Almeida, Superintendente de Futebol de Base, a parceria tem o objetivo de contribuir com a melhoria do trabalho realizado no dia a dia no Clube.  “A parceria com a Universidade do Futebol foi a decisão mais apropriada para provocar um ciclo de renovação interna sobre o entendimento do futebol moderno, visto que algo precisa ser feito para recuperarmos o protagonismo na formação de atletas em nível mundial”, comenta.

A iniciativa convidará os profissionais cinco estrelas a refletirem sobre como sistematizar os elementos de pedagogia de rua para os ambientes de aprendizagem como escolas e categorias de base.

O Diretor Comercial Robson Pires destaca que o investimento em seus profissionais é um dos principais pilares do Cruzeiro. “Entendo que essa parceria é o primeiro passo para que o Cruzeiro Esporte Clube e a Universidade do Futebol construam diversas alianças, fortalecendo a visão de vanguarda do clube. Tudo isso é feito em prol do Cruzeiro e do aperfeiçoamento dos nossos colaboradores”, afirma.

“A categoria de base no futebol brasileiro foi um dos setores que mais avançou nos últimos dez anos, com profissionais preparados para as demandas do futebol global e que buscam equilibrar a prática com o conhecimento científico. Trabalhar com profissionais do Cruzeiro Esporte Clube, auxiliando no processo de qualificação científica, é uma honra e um privilégio para nós e certamente aprenderemos muito”, conta Eduardo Tega, CEO da Universidade do Futebol.

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Uma escola de sonho

Sócrates, o brasileiro, o jogador de futebol que tinha pincéis no lugar dos pés, que pintou algumas das mais belas obras de arte nas telas verdes dos gramados do mundo disse, um dia, que “com uma bola nos pés a gente muda um país”. Os brasileiros não acreditaram no doutor da bola ou não lhe prestaram a devida atenção; e o país deixou de incorporar em seus perdidos planos educacionais a ferramenta que o gênio da bola sonhou. Os chineses acreditaram no brasileiro ou no sonho do brasileiro, que não era um sonho só seu, mas universal; talvez porque as artes e os pensamentos do Doutor Sócrates lhes tenha chegado por obra da comunicação muda da linguagem dos pés.

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O atual governo chinês decidiu que o futebol será aprendido por todas as crianças e adolescentes do país em suas escolas, como um dos temas centrais de um projeto de 20 anos de fortalecimento do esporte chinês e de seu povo. E hoje, nada do que vimos representa melhor o projeto chinês que a escola nos arredores de Beijing, a poucos quilômetros da legendária Muralha da China. Visitamos a escola, conhecemos as crianças e seus professores, assistimos a suas aulas de futebol e conversamos com seu diretor, o professor Ji Guiwu. Uma longa e inesquecível conversa. Há 13 anos, muito antes de o governo da China decidir transformar o futebol no carro-chefe de um projeto educacional para todo o país, Jin Zhiyang, o iniciador do trabalho na escola Beijing Yanqing Kangzhuangg, inspirou o projeto e ajudou Ji Guiwu a estimular os alunos e convencer pais e professores de que na sua escola todos deveriam jogar futebol. Apostou-se na ideia de que o poder de encantamento do futebol era tão grande que, em torno dele, todo um grande projeto educacional poderia ser viabilizado. Resistências aconteceram no início e somente 30 alunos se entregaram ao aprendizado do futebol. Com o passar do tempo, porém, essas resistências foram sendo quebradas. Os alunos se divertiam com a prática dessa modalidade esportiva e, aos poucos, foram demonstrando, não só um notável progresso na prática do futebol, como um desenvolvimento escolar acima do esperado. Em 2009 o projeto foi ampliado, chegando a abranger a totalidade dos alunos da escola em 2015. Hoje a Beijing Yanqing Kangzhuangg tem 730 alunos e todos praticam o futebol três vezes por semana, logo após o encerramento das atividades em sala de aula. “Mas o futebol praticado aqui em nossa escola não é só para revelar campeões”, nos disse o diretor Ji Guiwu. “Claro que os talentos serão bem-vindos, mas a nossa pretensão é maior. Queremos que nossos jovens sejam mais que jogadores de futebol; nossos alunos, além de jogar futebol, farão dança, teatro, artes marciais e estudarão a matemática, o mandarim, a história e serão bons alunos”, Ji Guiwu completou. Os anos se encarregaram de mostrar que ele tinha razão e a esperança de que os alunos de sua escola se tornem campeões na vida, aumentou. Aquilo que parecia ser apenas um sonho virou realidade e a escola Beijing Yanqing Kangzhuangg tornou-se uma referência para todas as escolas da região e, acreditamos, para toda a China.

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O diretor Ji Guiwu pretende agora que sua escola entre na quarta fase de desenvolvimento desse projeto educacional-esportivo. Após receber a comitiva da

Universidade do Futebol e UNICEF-Brasil, ele crê que uma parceria entre essas instituições e a sua escola pode representar a elevação da qualidade educacional do projeto nos próximos anos. Ji Guiwu exerce forte liderança na educação da região em torno de Beijing, uma área que congrega cerca de 40 escolas que adotaram o “beautiful game” como sua inspiração pedagógica. E o diretor ainda nos sinalizou que pretende, com o apoio da Universidade do Futebol, estender às demais instituições escolares os benefícios desse encantador projeto educacional.

Saímos muito animados da visita à Beijing Yanqing Kangzhuangg, que tem o futebol como sua referência. Acordamos fazer nessa escola-modelo uma espécie de laboratório de práticas e teorias a respeito do futebol educacional, integrando os conhecimentos da “pedagogia de rua”, aquela que ensinou aos brasileiros a arte do futebol, e a cultura chinesa. Nos excelentes campos de grama sintética com que o governo chinês equipa as escolas da China atualmente, a Universidade do Futebol quer espalhar a ideia tão bem acolhida pelos chineses: a de um esporte que ensine o futebol a todos, que ensine bem o futebol a todos, e que, sobretudo, ensine mais do que futebol a todos. Nosso saudoso Sócrates Brasileiro, o grande artista da bola, gostaria de ter conhecido a Beijing Yanqing Kangzhuangg, e ficaria feliz vendo seu sonho ser realizado, mesmo que tão longe de sua querida pátria, o Brasil.

Blog do Juca Kfouri