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Por que todos erraram no caso Felipe Melo

Felipe Melo foi uma das principais contratações do Palmeiras para a temporada 2017. Titular da seleção brasileira na Copa de 2010, o volante chegou à equipe alviverde após passagens de relevo por algumas das principais equipes do futebol europeu (Inter de Milão, Juventus e Galatasaray, por exemplo), com proposta de agregar ao elenco um combo de experiência, espírito guerreiro e qualidade na saída de bola. Em muitos aspectos, era uma mudança de perfil em relação ao que existia no clube durante a campanha vitoriosa no Campeonato Brasileiro do ano anterior. Na noite da última sexta-feira (29), essa aposta acabou de forma desastrosa. Em meio a uma sucessão de erros no processo de comunicação, o jogador foi afastado pelo técnico Cuca e liberado para procurar outra equipe.

No sábado (30), depois de o Palmeiras ter batido o Avaí no Allianz Parque, Cuca fez um pronunciamento sobre Felipe Melo. Disse que o volante não se adequa às ideias de jogo do comandante e que sua personalidade poderia se transformar num problema se ele ficasse fora dos planos da equipe. O meio-campista tem apenas cinco partidas no Campeonato Brasileiro e ainda pode reforçar outro time da primeira divisão.

Toda a condução do caso Felipe Melo diz muito sobre uma característica desse Palmeiras: impulsionado pelo dinheiro oriundo da Crefisa e do ex-presidente Paulo Nobre e alicerçado na sanha do diretor-executivo Alexandre Mattos, o time alviverde tornou-se um dos brasileiros mais ávidos no mercado da bola. Desde o começo de 2015, contrata e dispensa num volume assustador. Reforços viraram a resposta para tudo, e isso criou um senso de urgência assustador.

Com dinheiro e reforços, criou-se no Palmeiras a sensação de que o time precisa aproveitar o momento e colecionar títulos. É essa a ideia propalada por torcedores, imprensa, conselheiros e até dirigentes da equipe há três temporadas. O time vive sob pressão de conquistas e entende o mercado como solução para tudo. Se claudica ou percebe instabilidade em qualquer competição, corre às compras.

Foi essa a lógica que fez com que o Palmeiras contratasse e depois abandonasse jogadores como Erik, Rafael Marques, Arouca, Lucas Barrios e Borja. Também é esse raciocínio que minou o espaço de jogadores como Fernando Prass e Victor Hugo, que em poucos meses trilharam o caminho entre destaques do time titular e opções no banco de reservas.

Tudo no Palmeiras é urgente. Também foi por isso que o time desistiu em poucos meses de Eduardo Baptista, treinador que havia sido contratado para o início desta temporada. Quando ele foi demitido, a diretoria recontratou Cuca, campeão brasileiro no ano anterior, que havia saído por questões pessoais. Se era necessário ter uma resposta em pouco tempo, nada melhor do que alguém que já conhecia o ambiente e contava com apoio dos torcedores.

No entanto, o período em que Cuca ficou distante mudou o Palmeiras em aspectos basilares. É o caso da contratação de Felipe Melo: o volante tem um perfil radicalmente diferente das ideias que o treinador tem para a posição. Além disso, carrega aspectos comportamentais complicados para um gestor de grupo: é extremamente competitivo, explosivo e pouco racional.

O diagnóstico se assemelha muito ao do Flamengo, outro time brasileiro que investiu muito nos últimos anos. É essa lógica imediatista que fez com que o time carioca tivesse três goleiros diferentes no Campeonato Brasileiro de 2017 – o último é Diego Alves, contratado do Valencia, que estreou no último domingo (31).

Quando o Campeonato Brasileiro começou, o Flamengo tinha Alex Muralha, goleiro que havia sido convocado por Tite para a seleção brasileira. Em pouco mais de três meses, virou a terceira opção do elenco comandado por Zé Ricardo.

Em times que mudam tanto e com tanta velocidade, como um jogador pode ter confiança e trabalhar sem o medo de perder espaço a qualquer erro ou instabilidade? Jogadores são profissionais como qualquer outro, e por isso estão sujeitos a questões como problemas pessoais ou apenas irregularidade. Os times brasileiros estão preparados para lidar com isso?

Existe um contraexemplo no Campeonato Brasileiro. A diretoria do Corinthians até tentou desistir de jogadores contratados recentemente, como Giovanni Augusto e Marquinhos Gabriel, mas o técnico Fabio Carille bancou ambos e disse que preferia tentar recuperá-los. Nenhum se consolidou como titular ou virou destaque da competição nacional, mas os dois contribuíram em ocasiões específicas e ajudaram a explicar a regularidade do campeão do primeiro turno.

O episódio Felipe Melo tem uma série de erros de comunicação. Cuca foi mal ao tentar dizer que a explicação era apenas tática e foi pior ainda ao não conseguir um acordo com um jogador de bom nível. Do jeito que ficou, o discurso do treinador pareceu intransigente e colocou pressão sobre o restante do elenco. A partir de agora, quem não cumprir exatamente as determinações de posicionamento do comandante correrá enorme risco de não seguir no clube.

Contando apenas o período no Palmeiras, Cuca já teve problemas com pelo menos cinco jogadores por falta de adaptação às propostas táticas que ele tentou impor. Da lista, nomes como Barrios e Felipe Melo acabaram preteridos. Outros, como Borja e Michel Bastos, seguiram no elenco a despeito de não fazerem parte dos planos do comandante.

Cuca ainda jogou pressão sobre o próprio trabalho. Se o Palmeiras não passar pelo Barcelona no dia 9 de agosto, na partida de volta das oitavas de final da Copa do Brasil, como o técnico vai justificar a briga que comprou com a própria diretoria? Se Felipe Melo era o problema e o problema foi resolvido, o que ele vai alegar agora?

A sensação é que Cuca se colocou numa posição de extremo risco. Se o Palmeiras for eliminado da Libertadores, sobretudo em um ambiente tão imediatista, o clima para o treinador vai ficar complicado. Além disso, outras certezas serão geradas daqui até o fim da temporada. Dependendo dos resultados, outros nomes podem virar fracassos ou culpados da vez.

Todo o atual momento do Palmeiras foi montado sobre erros de comunicação. Todas as convicções da equipe são imediatistas e não se sustentam diante de adversidades. Se o time não sabe bem o que quer ou muda de desejo a cada sopro do vento, como montar um projeto vitorioso ou instituir no elenco uma cultura vitoriosa? No futebol, como em qualquer outra seara, tudo é sobre tempo.

Não é errado um técnico achar que um jogador não serve mais. Não é errado um time mudar ou tentar antecipar problemas. Errado é comunicar isso como se tudo fosse tão descartável e tantas mudanças consecutivas não atrapalhassem todo o processo de comunicação. Não se faz futebol com pressa.

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Posse de bola – vencer na estatística ou vencer o jogo?

posse de bola

É isso mesmo, não é ilusão de ótica o gráfico representado no cabeçalho da coluna; ter a bola a todo o momento no jogo é garantia de vitória?

Várias discussões acercam dessa problemática, que tais números ou convicções, não são capazes de provar o que é eficiente ou não frente a uma partida de futebol. Na verdade o que vamos fazer nessa coluna de hoje é refletir e não trazer verdades absolutas em questão. Primeiro vamos analisar alguns números isolados em relação a algumas das competições pelo mundo:

Leicester Campeão da Premier League 2015 – 2016
Leicester Campeão da Premier League 2015 – 2016

 
Corinthians, atual líder do Campeonato Brasileiro da Série A, 2017.
Corinthians, atual líder do Campeonato Brasileiro da Série A, 2017.

 

Analisando os números, percebe-se o “menosprezo” da posse de bola, em virtude aos resultados obtidos por Leicester em 2016 e Corinthians em 2017. Mas isso, remete a um menor desempenho técnico em campo? Essa é uma das nossas reflexões; vamos ver outros números:

Números do FC Barcelona em 2014 comandados por Pep Guardiola (Campeão da Liga BBVA)
Números do FC Barcelona em 2014 comandados por Pep Guardiola (Campeão da Liga BBVA)

 

Você deve estar se perguntando, por que o autor deste artigo quer confundir minha cabeça, colocando dados ambivalentes em relação à posse de bola? A seguinte análise que deve ser feita é a seguinte: qual é a lógica do jogo?

A resposta a essa pergunta pode parecer simples, mas ela nos instiga a perceber muitos outros fatores envolvidos. A resposta é: fazer mais gols que o adversário. Essa é a lógica de qualquer jogo em que se há um alvo para atacar e para defender: basquete, handebol, pólo aquático, etc. Superado a questão de fazer mais gols que o adversário, a lógica do jogo nos traz outra reflexão: como quero chegar ao gol do adversário? Se com posse ou sem posse de bola, você chegar ao gol do adversário, obviamente cumpriu seu objetivo em relação à lógica. Agora voltando ao enunciado da coluna, posso afirmar que o FC Barcelona, tinha apenas a posse de bola, como ferramenta principal? O objetivo era a bola chegar nos pés do jogador que mais cumpriu a lógica naquela equipe em ocasião: Lionel Messi! Isso mesmo! Percebe-se que a maioria das ações executadas pela “Lenda” de 2015, eram execuções que buscavam passes verticais, dribles em direção ao gol e tabelas que sempre terminavam em finalização.

Sob esta análise em relação ao Messi, podemos identificar uma saída da nossa problemática em relação à posse de bola; quem vence jogos não é a posse de bola em si, mas sim a execução em algum momento do jogo em cumprimento à lógica do jogo, “plim”! Agora sim está ficando claro!

Tanto nos exemplos de Leicester e Corinthians, como no exemplo do Barcelona, ambos em algum momento da partida cumpriram a lógica do jogo. Tanto que se percebermos em uma das figuras do exemplo do FC Barcelona, no jogo contra o Celtic por mais que a posse de bola foi o destaque principal, podemos ver que houve 23 finalizações, sendo que 14 foram em gol, ou seja, cumpriram a lógica do jogo e bem. Agora que vem o “pulo do gato”, que é a próxima reflexão: o quanto de tempo (chronos), a posse de bola pode me atrasar a buscar a lógica do jogo por mais vezes em um jogo? Aí é o X da questão!

A estratégia que cada equipe vai adotar para cumprir a lógica do jogo é algo muito particular e faz parte do modelo de jogo singular deste time. Jogar com lançamentos, no contra ataque ou com posse de bola, isso não interfere ao cumprimento da lógica em algum momento do jogo, até porque ninguém joga um jogo somente para empatar, em algum momento em que o adversário vacilar, a equipe vai atacar para fazer o gol. Mas não fugindo do raciocínio, não fica muito óbvio que buscar o gol por mais vezes em um jogo, aumentam as chances da equipe sair vencedora? Talvez a inversão na estatística fosse à troca entre percentual de posse de bola X número de finalizações em gol (que também não é garantia de vitória).

Sendo assim, a percepção subjetiva nos traz outro tipo de reflexão: será que a bola parada colocada na área, não faz a equipe buscar o gol de maneira mais rápida? O mesmo com cobranças de lateral dentro da área? Tiro de meta longo? Essas são maneiras reducionistas de buscar o gol de maneira mais rápida; como a pressão no campo adversário, transições ofensivas rápidas, enfim, o que se entende são componentes “facilitadores” ao cumprimento mais rápido da lógica do jogo. Se isso é garantia de vitória? Nem sempre! O futebol é um jogo de erros ofensivos e acertos ofensivos, erros defensivos e acertos defensivos e quem errar menos maximiza as chances de sair com a vitória, quem fizer mais gols que o adversário, obviamente ganha o jogo! Essa é a lógica, queridos leitores!

 
*Anderson Gongora – Treinador de futebol que trabalhou nas equipes do Paulínia FC, Desportivo Brasil, Coritiba FC e Capivariano FC. Atualmente, treinador do Projeto de Intercâmbio para os EUA – HWT.

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Positivando o desempenho

Vejo diversas situações dentro do futebol, nas quais os atletas passam por momentos de dúvidas, seja por uma lesão ou até por uma eventual mudança de clube. Então, cabe a questão: como ele poderá se preparar mentalmente para reagir positivamente a estes desafios?

Bem, acredito que uma mente positiva pode elevar a confiança e potencializar o desempenho destes atletas após esses períodos de desafios pessoais. Mas, partindo desse ponto de reflexão, surgem as dúvidas sobre como eles poderiam, na prática, tornarem-se mais positivos e com isso colherem melhores resultados nestas situações. Tenho a certeza que um grande aliado do atleta nesses momentos são as afirmações positivas!

Em seu livro O Poder das Afirmações Positivas, Louise Hay, esclarece o conceito e o poder das afirmações positivas na vida de todos nós e os benefícios podem ser obtidos por qualquer atleta profissional, se colocá-las em prática. Podemos compreender uma afirmação como sendo qualquer coisa que dissemos ou que pensamos. A autora comenta que geralmente não nos damos conta deste fato, porém muitas vezes nossos pensamentos são bastante negativos, seja a nosso próprio respeito, seja a respeito dos outros, das experiências que vivemos e do nosso futuro. E, sabemos muito bem que esses pensamentos povoam a cabeça de um atleta profissional em momentos de dúvida que se apresentam em sua carreia.

É importante reconhecermos que uma afirmação abre a porta; ela é o ponto de partida de um caminho para a mudança. É como se disséssemos ao subconsciente: “Estou assumindo a responsabilidade. Estou consciente de que posso fazer algo para mudar”; devemos então estar atentos, pois cada pensamento que temos ou cada palavra que pronunciamos é uma afirmação e todo diálogo interno é um fluxo de afirmações.

Esses pensamentos constroem nossas crenças e elas são capazes de nos fazer felizes, como também podem nos limitar em nossa possibilidade de melhorar ou nos desenvolvermos.

Mas falando diretamente na cabeça do atleta, na prática podemos contribuir para que eles possam iniciar uma construção de pensamentos positivos, com o objetivo de potencializar seu desempenho no retorno de uma lesão ou no início de uma jornada em um novo clube.

Podemos auxiliar o atleta nesta elaboração de afirmações que possam explorar os pontos fortes e fundamentais destes atletas e que os trouxeram até a situação de desempenho elevado na carreira. Para ilustrar, podem ser elaboradas afirmações como:

  • Exemplos para situações de mudança de time ou de comando técnico
    • Tomar decisões é fácil para mim. Acolho novas ideias e cumpro o que digo.
    • Sei que quando dou o melhor de mim no trabalho a recompensa vem de muitas formas.
    • As oportunidades estão por toda parte. Tenho várias possibilidades de escolha.
    • Exemplos para situações de recuperação de lesão ou perda de posição numa equipe, que exigem recuperação da performance esportiva
    • Ao acordar, planejo um bom dia. Minha expectativa atrai experiências positivas para mim.
    • As dificuldades são oportunidades de crescimento. Uso-as como passos em direção ao sucesso.

Então, caro amigo leitor, para todo atleta ter uma inteligência emocional desenvolvida, a prática das ações e o fortalecimento das crenças serão fundamentais para que ele tenha o autocontrole, que o auxiliará no pleno desenvolvimento técnico, físico e emocional.

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Universidade do Futebol e UNICEF lançam iniciativa para a proteção de jovens atletas em formação. E o Esquadrão de Aço foi o primeiro clube escolhido.

A Universidade do Futebol e o UNICEF se uniram para lançar um programa inovador de responsabilidade social no futebol, focado na proteção e promoção dos direitos de crianças e adolescentes na formação esportiva: a iniciativa JOGUE LIMPO, JOGUE BEM.

Diversos clubes de diferentes regiões do Brasil manifestaram interesse no programa. Dentre eles, o Esporte Clube Bahia foi o primeiro clube a se comprometer com a iniciativa e oficializar sua participação, funcionando como modelo e exemplo. A assinatura do termo de adesão e o início da implementação das ações ocorreu nesta sexta-feira, dia 28 de julho.

Ao longo da difícil jornada rumo à profissionalização, crianças e adolescentes estão sujeitos a uma série de situações como o afastamento da escola, a ruptura do convívio familiar e comunitário, o comprometimento da sua integridade física, o abuso sexual, a exploração econômica e a profissionalização precoce.

Diante deste panorama, a iniciativa JOGUE LIMPO, JOGUE BEM tem o objetivo de apoiar os clubes de futebol brasileiro para que avancem em sua responsabilidade social para além de campanhas sociais pontuais e invistam na necessária identificação e gestão dos riscos, impactos e oportunidades relacionados à formação de crianças e adolescentes atletas. Assim, a iniciativa visa contribuir para que o desenvolvimento de jovens jogadores de futebol ocorra em um ambiente saudável, seguro e acolhedor.

1- Garantia do bem-estar das crianças e adolescentes atletas (CAA)

2- Garantia de condições adequadas para a prática do esporte seguro e inclusivo

3- Preparação da equipe do clube para proteção dos direitos das CAA

4- Adoção de códigos de conduta visando a proteção dos direitos das CAA

5- Monitoramento e avaliação regular da condição física das CAA

O programa está baseado em 10 compromissos voltados para a proteção e a promoção dos direitos de crianças e adolescentes no contexto da formação esportiva. Por meio da adesão ao programa, os clubes de futebol recebem orientação técnica da Universidade do Futebol e do UNICEF e se comprometem a adotar e implementar ações específicas em áreas como proteção, saúde e educação, entre outras.

A iniciativa contará com uma Plataforma Virtual, que estará disponível ao público a partir de agosto de 2017. Esta plataforma conterá, além de todas as informações sobre o funcionamento do programa, uma Ferramenta de Autodiagnóstico para clubes de futebol identificarem o status de suas práticas e políticas em relação aos atletas do futebol de base, e obterem recomendações sobre como avançar em sua responsabilidade social.

A Plataforma disponibilizará ainda um Painel de Monitoramento, que auxiliará os clubes a monitorar os seus avanços, por meio de um conjunto de indicadores pré-estabelecidos. Os clubes também poderão recorrer ao Centro de Recursos da Plataforma, que conterá uma série de materiais de referência e boas práticas para auxiliar as agremiações na elaboração e adoção de novas práticas e políticas.

O programa JOGUE LIMPO, JOGUE BEM traz benefícios não somente para os jovens atletas, mas também para os clubes e para o futebol brasileiro como um todo.

A conscientização dos clubes sobre sua responsabilidade na garantia de direitos de crianças e adolescentes associada a uma gestão mais eficaz dos riscos e das oportunidades relacionadas à formação esportiva, geram maior profissionalização da gestão dos clubes, melhor rendimento técnico, maior redução de riscos e de custos, maior sustentabilidade financeira, maior probabilidade de captar recursos no mercado e maior reconhecimento e prestígio do clube perante a sociedade.

Jogar limpo significa jogar bem e, nesta perspectiva, a iniciativa JOGUE LIMPO, JOGUE BEM representa um jogo no qual todos saem ganhando.

Mais um gol de placa do Esquadrão!

6- Garantia do acesso à educação formal

7- Garantia do direito ao convívio familiar e comunitário

8- Garantia do direito ao descanso e tempo livre

9- Respeito à faixa etária mínima para a formação de alto rendimento

10- Contribuição para a promoção e garantia dos direitos das CAA.

Fonte: Esporte Clube Bahia

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Governança em organizações sem fins econômicos: princípios básicos da governança no futebol – Parte 2

O tema governança está muito em pauta no ambiente do futebol. Mas todos nós sabemos o que é governança? Segundo o Instituto Brasileiro de Governança Cooperativa-IBGC, Governança é: “Sistema pelo qual as organizações são dirigidas, monitoradas e incentivadas. Envolvendo o relacionamento entre Conselho, equipe executiva e demais órgãos de controle. As boas práticas de governança convertem princípios em recomendações objetivas, alinhando interesses com a finalidade de preservar a reputação da organização e de otimizar seu valor social, facilitando seu acesso a recursos e contribuindo para sua longevidade”.

Após ler esta definição, me questiono se administração e gestão do futebol brasileiro caminha para esta prática.

Princípios básicos de uma organização disposta a ter uma governança é pautado pela: transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade.

A importância de uma governança correta e bem aplicada é fundamental para saúde de toda organização, seja ela pública, privada ou do 3° setor. Pois é ela que permite atingir os objetivos da organização, previne seu fracasso, protege os interesses dos stakeholders, contribui para gerar confiança junto a estes e eleva a efetividade da organização.

Dentro deste estudo identificamos alguns Modelos de Comitês Gestores, são eles:

Comitê trabalhador:
1. Estabelece o direcionamento estratégico e gerencia sua implementação, conduzindo todo o trabalho da organização.
2. Neste formato, normalmente o comitê demonstra grande comprometimento e conhecimento dos negócios da organização e de seu funcionamento.
3. As reuniões do comitê tendem a ser focadas prioritariamente em assuntos mais relevantes no presente momento.
4. Este tipo de comitê é principalmente mais apropriado:− para organizações menores, iniciais, e/ou totalmente voluntárias; − em operações menos numerosas e complexas.
Riscos: Funcionários e voluntários têm a percepção de que o comitê “está se intrometendo nas atividades do dia a dia”.  Excesso de atividades e consequente esgotamento dos membros do comitê. Falta de tempo para questões estratégicas.
Quando é efetivo?: Quando as funções e responsabilidades estão bem estabelecidas. Quando as prioridades estão bem definidas. Quando os assuntos estratégicos da organização já estão absolutamente definidos.
Comitê exclusivo de governança: 
1. Comitê restringe sua atuação a prover liderança ao focar exclusivamente em questões estratégicas, visão, missão, objetivos estratégicos, e prioridades.
2. Papel principal: decisor / avaliador.
3. Este tipo de comitê é principalmente mais apropriado:
− quando trata-se de organizações maiores e maduras, com operações numerosas e complexas;
− quando a organização pode contar com profissionais treinados e competentes em nível executor.
Riscos: Grandes chances de tornar-se um “mero batedor de carimbo”. Membros sem conhecimento suficiente para tomar decisões que necessitem mais informações, devido ao reduzido envolvimento com a operação. Distanciamento dos membros do comitê com o dia a dia da operação do negócio. Falta de confiança no comitê por parte de funcionários e voluntários.
Quando é efetivo?:  Quando há um entendimento compartilhado por todos dos níveis políticos e das questões relativas à governança da organização. Quando há sistemas disponíveis e acessíveis para alimentar o comitê com informações pertinentes às decisões inerentes ao comitê.
Modelo misto: 
1. Comitê não é puramente de trabalho, mas também não fica confiando à questões estratégicas.
2. Depende da existência de conhecimento e expertise técnica por parte de membro ou membros do comitê.
3. Este tipo de comitê é mais apropriado principalmente quando:
− é possível determinar ocasiões e momentos específicos em que o membro do comitê deve ser envolvido;
− há diálogo saudável entre o comitê e administradores para discutir possibilidades de compartilhamento de autoridade e responsabilidade;
− assuntos gerenciais e/ou operacionais são trabalhados em comissões/forças-tarefas específicas.
Atributos de um bom comitê gestor
Liderança transcendente: Sucessão / continuidade
Diversidade: habilidades / perspectivas
Padrões e melhores práticas: aprendizado contínuo / impessoalidade
Paixão: estar presente / contribuir
Estas práticas quando adotadas podem e devem elevar o nível de exigência, avaliando o desempenho de cada dirigente e gestor regularmente. Sendo responsável e estimulando a responsabilidade. Dedicando-se integralmente e esteja comprometido!
Escolha o melhor formato para seu clube e bom trabalho!
 
Marcelo Duarte durante 15 anos atuou como Preparador Físico de Futebol em clubes profissionais do Brasil e exterior. Após migrar de área, desde 2014 atua como Gestor Profissional em Clubes de Futebol. É Sócio Diretor da MD SPORTS Assessoria e Consultoria Esportiva e Coorcenador Geral do seminário Futebol & Gestão

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Jogar futebol por Riquelme e Fàbregas

Juan Román Riquelme e Cesc Fàbregas em entrevistas ao treinador argentino Angel Cappa para o livro “Hagan Juego” de 2009, explanaram de forma madura suas visões de futebol. Jogadores de grande nível, inteligentes, de refinamento técnico, mostraram discernimento apurado para a tendência e filosofia de futebol que mais se identificavam.

Juan Román Riquelme

riquelme
Juan Román Riquelme |Crédito: Alejandro Pagni/AFP

“Eu não posso falar do futebol de 40 anos atrás, mas é verdade que hoje os jogadores correm mais. Hoje em dia escutamos muito que a culpa é dos preparadores físicos, que se corre mais por que os jogadores estão mais bem preparados. Quando eu tinha 16/17 anos, e não tinha ainda debutado na primeira divisão, já jogava três horas com a bola e não me cansava. Ia para casa, comia, jogava mais três horas e não me cansava. E eu fazia isso todos os dias. Às vezes dizem que só podemos jogar um jogo de futebol por semana, e eu penso que é por que corremos mal e não por que um jogador é melhor ou pior preparado para jogar futebol. Claro, é necessário o preparador físico para que estejamos melhores, mas a verdade é que se joga mal.

A primeira vez que estive na Europa, a pré-temporada parecia rara, pois foi leve. Usamos o campo inteiro e com bola. Havia circuitos, freávamos, saltávamos, acelerávamos e finalizávamos para o gol. E, como jogadores, confundimos as coisas, por que acreditamos que correndo até acima da montanha e descendo, vamos driblar melhor. Não é assim. Eu penso que estamos dando pouca importância para a bola, e estamos tratando cada vez pior a bola. Já não nos divertimos tanto. Vamos ao gramado e lá vejo caras de preocupação mais que de alegria. Para mim, de segunda a sábado trabalho com um sentido, em um bom sentido, mas no domingo já não, é o dia mais lindo que eu desfruto.

Agora não se fala mais de jogar, quase ninguém fala em jogar uma partida de futebol, mas sim quem vai ganhar: a equipe que está mais concentrada, que cometa menos erros, essas coisas, que são esses pequenos detalhes que vão ganhar uma partida. Para mim, vai ganhar a equipe que joga melhor.

Há equipes que quando estão perdendo de 1×0 custa sair do planejado por que não estão preparadas para atacar. E atacam mal. O tema passa por não confiar na criação e preferir a especulação. E, eu não sei se o problema de jogar mal ofensivamente é apenas relativo ao entendimento de espaço. Para mim há um problema mais grave que é que não sabemos passar a bola. É difícil encontrar três passes seguidos. Eu vejo as vezes que o defensor não gosta de ter a bola. Temos medo de arriscar”.

Cesc Fàbregas

Cesc Fàbregas | Crédito: Hamish Blair/Getty Images
Cesc Fàbregas | Crédito: Hamish Blair/Getty Images

“No Barcelona, desde pequeno, trabalhamos a técnica. Os treinamentos eram todos com bola: controle, movimentos. Era muito divertido. Desfrutava muito. De trabalho físico, nada de nada. E essa é a cultura no Barcelona. E, quando vou para a seleção, aprendo muito com Xavi e Iniesta. São médios que tocam, que se movem, que buscam os espaços, e noto que gostam de futebol, por que nas concentrações assistem e conversam muito sobre futebol.
Aqui no Arsenal, é parecido, e desfruto desse futebol por poder tocar tanto na bola. Todos os jogadores são importantes, todos tocam na bola, trocamos ela de lado, realizamos paredes, combinações. Sinto-me identificado, por que é um jogo que todos da equipe gostam. E, muitas coisas saem naturalmente na nossa equipe por que temos pouco tempo para treinar. Jogamos a cada três dias, e um dia de descanso, outro de recuperação e na prévia se prepara a partida.
Aqui tenho liberdade, posso baixar e receber, ir para cima, posso arriscar dez passes e ninguém tira a minha liberdade. Gosto de arriscar. Minha forma de entender o futebol é arriscar. Se eu dou para o lateral e ele me devolve, arrisco e cruzo o campo com um passe. Também tenho a obrigação de defender, e isso está me obrigando a subir e descer, ir de área em área. Para o meu futuro é muito bom.
Como jogadores o melhor que podemos fazer é desfrutar em campo. Há treinadores que falam que o único que vale é ganhar, e eu respeito. Mas eu não me sinto muito identificado com isso. Ganhar é importante, mas não o único. Sentir-se bem também é importante. Deve-se ter amor pelo jogo. Eu vim para o Arsenal por que tem um treinador que acredita em mim para demonstrar meu valor. O dinheiro vem depois, se você merecer. Eu, ao menos, quando jogo mal, fico muito preocupado”.
Abraços a todos e até a próxima quarta!

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Os donos da bola

Como em outras searas, a inclusão de novos termos no vocabulário do futebol é consequência direta da popularização. O número de pessoas aptas a conversar sobre as diferenças entre 4-4-2 e 4-2-3-1 é diretamente proporcional ao contingente de interessados pelos princípios táticos do jogo, por exemplo. O mesmo vale para outras camadas: é possível entender o que acontece em campo sem teorizar, mas o domínio de fundamentos técnicos, físicos e emocionais, em contrapartida, demonstra apreço por uma narrativa que vá além do conteúdo raso. Todo esse contexto é fundamental para debater uma das questões mais recorrentes no futebol brasileiro em 2017: a posse de bola.

O assunto aparece em qualquer discussão sobre o Corinthians, líder do Campeonato Brasileiro. O time comandado por Fabio Carille somou 40 pontos em 16 rodadas (12 vitórias e quatro empates) e abriu confortável vantagem no topo da tabela. O início já igualou a maior arrancada invicta no certame nacional disputado por pontos corridos – o Flamengo havia ficado 16 partidas sem perder em 2011 –, e o aproveitamento dos paulistas supera o de gigantes europeus – na temporada passada, por exemplo, Bayern de Munique, Juventus e Real Madrid não haviam atingido essa pontuação após 16 compromissos. Uma das bases do bom desempenho do time alvinegro, que perdeu apenas duas vezes no ano – a última em 19 de março – é justamente a capacidade de se defender bem nos dias em que o rival controla mais a bola.

Foi assim no último domingo (23), por exemplo. Jogando no Maracanã, o Fluminense foi mais propositivo e teve domínio da bola na maioria da partida. Ainda assim, o repertório da equipe carioca ficou limitado a chutes de fora e cruzamentos – com exceção dos minutos finais, quando os mandantes conseguiram concentrar a partida em seu campo de ataque e tiveram oportunidades de frente para o goleiro Cássio.

No entanto, não é que o Corinthians tenha aberto mão de ficar com a bola. Quando teve chance, o time alvinegro trocou passes e mostrou muita competência na movimentação e nas triangulações. “Se deixássemos, eles tocariam a bola por 90 minutos”, admitiu Abel Braga, técnico do Fluminense, em entrevista coletiva.

O cenário remete ao que havia acontecido em outros jogos “grandes” do Corinthians no ano. O clássico contra o Palmeiras no mesmo Campeonato Brasileiro, por exemplo: o time alviverde, que jogava em casa, teve mais controle da bola, mas cruzou quase 50 vezes e não construiu nenhuma chance concreta de furar a melhor defesa do certame – a equipe alvinegra foi vazada apenas sete vezes. Em contrapartida, os comandados de Fabio Carille, que finalizaram apenas três vezes, construíram uma vitória por 2 a 0.

O desempenho nesses jogos transformou o Corinthians em exemplo de futebol reativo. Há outros casos, inclusive no sentido oposto. O São Paulo de Rogério Ceni teve rendimento claudicante nos primeiros meses do ano, a despeito de ter registrado altos índices de posse de bola e finalizações. Construiu, atacou, mas sofreu. O Atlético-MG de Roger Machado, outro treinador que já foi demitido em função de resultados, também virou case num futebol em que defender passou a ser a melhor arma.

Todas essas análises, contudo, ignoram fatores que vão além da casca. O Corinthians de Carille, por exemplo: não é um time reativo, apenas. É uma equipe que sabe intercalar momentos de pressão e marcação recuada, que consegue se defender sem gerar sofrimento e que não se desfaz da bola apenas por uma determinação para marcar.

Como costuma dizer o colunista Tostão, do jornal “Folha de S.Paulo”, o Corinthians é um bom exemplo de equilíbrio: sabe alternar a intensidade da marcação e escolher os locais mais adequados para tomar a bola. Sabe usar os chutões quando necessário, mas não deixa de procurar triangulações, tabelas e movimentações sem a bola. “O que mais chama atenção é que nenhum jogador deles toca e fica torcendo para o lance ter sequência. Todo mundo está sempre buscando uma linha de passe ou tentando ser opção para receber de volta”, completou Abel Braga.

Não é errado dizer que o Corinthians é reativo, mas essa é apenas uma parte da história.

O mesmo vale para exemplos como Atlético-MG e São Paulo. Os projetos malfadados de Roger Machado e Rogério Ceni tiveram posse de bola estéril, sim, mas reduzir o fracasso a isso seria ignorar erros muito maiores em aspectos como construção de elenco e conceitos de jogo.

O colunista Carlos Eduardo Mansur, do jornal “O Globo”, ponderou que a renúncia à bola tem sido tendência no futebol brasileiro de 2017. Que destruir é mais fácil do que construir e que o conceito reativo é um reflexo da falta de ideias consistentes. Se treinadores e elencos são tão suscetíveis e sofrem com qualquer sequência de resultados ruins, é mais fácil se proteger.

Entretanto, reagir nem sempre é sinônimo de repertório pobre. O Barcelona de Pep Guardiola era reativo em grande parte dos jogos, mas isso acontecia porque o time sabia pressionar seus rivais e muitas vezes tomava a bola nos setores do campo em que o caminho para o gol era mais curto, diante de uma defesa menos estruturada.

A dificuldade de construir no futebol brasileiro não é necessariamente o contrário de ser reativo. É preciso discutir os problemas de criatividade das equipes nacionais, sim, mas em um contexto muito mais amplo do que “tal time só se defende” ou “tal time ataca muito, mas não acerta as finalizações”.

Tomemos como exemplo o Atlético-MG: um elenco rico, com opções que propiciam diferentes formas de jogar. Roger Machado tinha várias formas de construir a equipe, mas nenhuma seria capaz de solucionar problemas básicos: os volantes podem até se movimentar, por exemplo, mas nenhum tem perfil de construção; Robinho e Cazares, dois dos mais criativos homens do setor ofensivo, gostam de atuar na mesma faixa do campo quando estão com a bola e são igualmente inócuos quando estão sem ela. E esses são apenas dois aspectos de um elenco que precisa ser dissecado e analisado com profundidade para entender a campanha de 2017.

Pensar no futebol que queremos ver também tem a ver com quem domina a bola, é claro. Mas o maniqueísmo de “quem tem mais posse é melhor e quem tem menos posse é pior” só serve para quem enxerga o jogo sem querer ir além da camada superficial.

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Como você define “qualidade do jogo”?

Nós, da Universidade do Futebol, percebendo que este é um tema pouco debatido porém fundamental para a evolução do futebol brasileiro, fomos a campo colher opiniões de diferentes agentes do futebol a fim de tentarmos responder à pergunta título dessa matéria.

Saiba o que o Edmilson, Tche Tche (SE Palmeiras), Vagner Mancini, Paulo Calçade, Eduardo Freeland, Gabriel (Corinthians SC) e muitos outros grandes profissionais pensam sobre a qualidade do jogo do futebol brasileiro.

Para ter acesso ao material completo, clique aqui.

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Futebol, sociedade e gênero: um estudo de caso com o Guarani Futebol Clube

O futebol possui grande importância para a sociedade brasileira e mundial. Contudo, apesar de muitos estudiosos considerarem o futebol um espaço democrático, o vemos como um espaço ainda de exclusão.

Apesar dos grandes avanços e da crescente inserção das mulheres em todos os campos sociais, incluindo o esporte, a realidade do futebol feminino no Brasil é completamente diferente para homens e mulheres. A prática do futebol pelas mulheres ainda é circundada por preconceitos, estereótipos, desinteresse por parte dos dirigentes e falta de apoio sólido tanto na esfera pública quanto privada.

O Guarani Futebol Clube, um dos pioneiros no país, realiza trabalhos com o futebol feminino desde 1983 até a presente data (2009 – com algumas interrupções) e configura uma importante fonte para discutir e pensar o futebol feminino no país. O objetivo do estudo é traçar e entender o percurso histórico e a organização do futebol feminino no Brasil, além de compreender como as jogadoras de futebol do Guarani analisam o panorama da modalidade em seu clube e em nossa sociedade comparando com as opiniões das atletas da década de 1980.

Sendo assim, utilizamos tanto de pesquisa teórica (entrevistas semi-estruturadas) quanto de pesquisa de campo. Foi possível constatar que as dificuldades atualmente encontradas pelas atletas do Guarani se assemelham em alguns aspectos às relatadas por jogadoras dos anos 1980 e que a falta de apoio, investimentos e incentivos ao futebol feminino no Brasil ainda o deixam imerso no amadorismo.

Para ler o artigo na íntegra, clique aqui.

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Mudando na carreira, na prática

Muito tenho escrito sobre a questão das mudanças de fases e transições da carreira esportiva, sejam elas dentro da própria carreira ou ao final desta, visando uma segunda carreira profissional. Mas hoje, vou abordar especificamente uma forma ou método para que essas mudanças sejam as mais bem-sucedidas possíveis, para os atletas. Continue a leitura e tire suas conclusões.

Então vamos lá, este método que idealizei, foi fruto de experiência própria, do resultado de muitas pesquisas sobre o tema nos trabalhos desenvolvidos por outros profissionais publicados em literatura específica e do uso destas técnicas publicadas nestas literaturas específicas sobre psicologia esportiva e desenvolvimento humano em geral. Ele versa sobre as nuances do autoconhecimento, da autocorreção, dos ciclos de evolução do desempenho e das metas como forma de balizamento das carreiras esportivas.

O desejo abaixo representa o método de forma gráfica, para podermos compreender ainda melhor a sua forma de execução.

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Aqui, esclareço brevemente as intenções de cada etapa do método, para que possamos juntos reconhecer a contribuição de cada uma delas no processo evolutivo da carreira dos atletas.

O método, resumidamente, se inicia com uma etapa na qual o atleta se reconhece em termos de perfil comportamental, sequenciando uma etapa de ratificação de quem é realmente, com base no seu estado atual de vida e das percepções do seu autoconhecimento. Após estas duas etapas, o atleta elabora uma lista de desejos para a carreira, que serão acompanhadas de metas para serem alcançadas. Na 4ª etapa, o atleta elabora um planejamento de ações e tarefas que o possibilitarão atingir suas metas estabelecidas. Na próxima e 5ª etapa, ele executa seu planejamento e mede os avanços. Na última etapa, o atleta avalia todos os resultados obtidos e o quanto de metas concretizou para, então, iniciar um novo ciclo de desenvolvimento dentro da carreira ou rumo a nova carreira, a partir da 2ª etapa do método.

Sensível a esta questão da carreira esportiva, sempre me permiti buscar e testar técnicas e ferramentas que pudessem de alguma forma colaborar com o atleta em sua trajetória profissional. Agora, amigo leitor, se o método funciona na prática, só aqueles que o colocarem em execução poderão comprovar e tirar suas próprias conclusões. Mas eu posso lhes dizer que, este método tem grandes chances de elevar a efetividade e contribuir com o sucesso nas mudanças de carreira dos atletas profissionais.

Até a próxima!