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A Lei do Ato Olímpico

Muito se discutiu sobre a “Lei Geral da Copa”, mas sem muito alarde. Em 01 de outubro de 2009, foi promulgada a lei 12.035, que institui o Ato Olímpico, equivalente a “Lei da Copa” no que tange aos Jogos Olímpicos.

Conhecida como “Lei do Ato Olímpico”, a lei 12.035/2009, no âmbito da administração pública federal, tem a finalidade de assegurar garantias à realização dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016 na cidade do Rio de Janeiro.

Tal como a “Lei Geral da Copa”, a “Lei do Ato Olímpico” legitima uma série de exigências da entidade organizadora dos Jogos Olímpicos, conforme será demonstrado.

Segundo a “Lei do Ato Olímpico”, ficam dispensadas a concessão e a aposição de visto aos estrangeiros vinculados à realização dos Jogos em 2016, considerando-se o passaporte válido, em conjunto com o cartão de identidade e credenciamento olímpicos, documentação suficiente para ingresso no território nacional, sendo, entretanto, vedado o exercício de qualquer outra função, remunerada ou não, além da ali estabelecida.

No entanto, a permanência no país será restrita ao período compreendido entre 5 de julho e 28 de outubro de 2016, podendo ser prorrogada por até 10 (dez) dias.

O poder executivo poderá revisar contratos, permissões e concessões, que tenham por objeto a utilização de bens, de imóveis ou de equipamentos pertencentes à União e a suas autarquias, desde que sejam indispensáveis à realização dos Jogos no Rio, assegurada a justa indenização.

Por exemplo, o estádio Engenhão foi concedido ao Botafogo, mas, durante os Jogos Olímpicos a referida concessão, por interesse do evento esportivo, poderá ser suspensa e o clube terá de mandar seus jogos em outro local.

No que concerne às marcas e patentes, estas serão protegidas pelas autoridades federais que, no âmbito de suas atribuições legais, atuarão no controle, fiscalização e repressão de atos ilícitos que infrinjam os direitos sobre os símbolos relacionados aos Jogos no Rio em 2016.

A “Lei do Ato Olímpico” define como “símbolos relacionados aos Jogos 2016”:

a) Todos os signos graficamente distintivos, bandeiras, lemas, emblemas e hinos utilizados pelo COI (Comitê Olímpico Internacional);

b) As denominações “Jogos Olímpicos”, “Jogos Paraolímpicos”, “Jogos Olímpicos Rio 2016”, “Jogos Paraolímpicos Rio 2016”, “XXXI Jogos Olímpicos”, “Rio 2016”, “Rio Olimpíadas”, “Rio Olimpíadas 2016”, “Rio Paraolimpíadas”, “Rio Paraolimpíadas 2016” e demais abreviações e variações e ainda aquelas igualmente relacionadas que, porventura, venham a ser criadas dentro dos mesmos objetivos, em qualquer idioma, inclusive aquelas de domínio eletrônico em sites da internet;

c) O nome, o emblema, a bandeira, o hino, o lema e as marcas e outros símbolos do Comitê Organizador dos Jogos Rio 2016;

d) As mascotes, as marcas, as tochas e outros símbolos relacionados aos XXXI Jogos Olímpicos, Jogos Olímpicos Rio 2016 e Jogos Paraolímpicos Rio 2016

Ademais, para proteger as marcas e patentes, é vedada a utilização de quaisquer dos símbolos relacionados aos Jogos Rio 2016 elencados acima, bem como, a utilização de termos e expressões que, apesar de não se enquadrarem no rol, possuam semelhança suficiente para provocar associação indevida de quaisquer produtos e serviços, ou mesmo de alguma empresa, negociação ou evento, com os Jogos Rio 2016 ou com o Movimento Olímpico.

Ficam suspensos igualmente pelo período compreendido entre 5 de julho e 26 de setembro de 2016, os contratos celebrados para utilização de espaços publicitários em aeroportos ou em áreas federais de interesse dos Jogos Rio 2016, na forma do regulamento. Dessa forma, eventuais futuros instrumentos contratuais deverão conter cláusula prevendo a suspensão nele referida.

Ressalte-se que a suspensão mencionada condiciona-se a um requerimento do Comitê Organizador dos Jogos, devidamente fundamentado, com antecedência mínima de 180 (cento e oitenta) dias, com faculdade de opção de exclusividade na utilização dos referidos espaços publicitários, a preços equivalentes àqueles praticados em 2008, devidamente corrigidos monetariamente.

Esta prerrogativa de adquirir os referidos espaços publicitários poderá ser transferida pelo Comitê Organizador do evento a quaisquer empresas ou entidades constantes do rol de patrocinadores e colaboradores oficiais do COI e do próprio comitê.

Durante os Jogos Rio 2016 serão aplicadas as disposições contidas no Código da Agência Mundial Antidoping (Wada) bem como nas leis e demais regras de antidoping ditadas pela entidade e pelos Comitês Olímpico e Paralímpico Internacionais vigentes à época das competições.

Na hipótese de conflito entre as normas citadas e a legislação antidoping em vigor no território nacional, deverão as primeiras prevalecer sobre esta última, específica e tão somente para questões relacionadas aos Jogos de 2016.

O governo promoverá a disponibilização para a realização dos Jogos no Rio sem qualquer custo para o seu Comitê Organizador: segurança; saúde; serviços médicos; vigilância sanitária; alfândega e imigração.

Fica assegurada às pessoas envolvidas no evento (comitês olímpicos, atletas, autoridades) a disponibilização de todo o espectro de frequência de radiodifusão e de sinais necessário à organização e à realização da Olimpíada, garantindo sua alocação, gerenciamento e controle durante o período compreendido entre 5 de julho e 25 de setembro de 2016.

Inclusive, durante este período e para a finalidade de organização e realização dos Jogos Rio 2016, o uso de radiofrequências pelas entidades e pessoas físicas enumeradas relacionadas às Olimpíadas será isento do pagamento de preços públicos e taxas ordinariamente devidos.

Por fim, caso seja necessário, a “Lei do Ato Olímpico” autoriza a destinação de recursos para cobrir eventuais défices operacionais do Comitê Organizador dos Jogos, a partir da data de sua criação, desde que atenda às condições estabelecidas na lei de diretrizes orçamentárias e esteja prevista no orçamento ou em seus créditos adicionais.

Diante de todo o exposto percebe-se que a aceitação de exigência não se restringiu à organização da Copa do Mundo, mas, apesar de não ter havido polêmica, estendeu-se aos Jogos Olímpicos.

Para interagir com o autor: gustavo@universidadedofutebol.com.br

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Ciência x Empirismo: qual o melhor caminho para se vencer no futebol?

Há algum tempo, a metodologia vigente no futebol era o empirismo. Esse método é uma das ferramentas mais comuns para alcançar o sucesso no futebol, sendo empregado em sua maioria por treinadores que também são ex-jogadores, valendo-se de suas experiências adquiridas dentro dos gramados para dar seus treinamentos e do feeling apurado para “caçarem” e lapidarem jovens talentos.

Com o passar dos anos, a ciência entrou na história, com a difícil missão de aumentar a qualidade e o controle dos treinamentos, além de auxiliar na detecção de jovens talentos. A função da ciência seria reduzir a subjetividade do treinamento empírico “sem base científica” e da aleatória detecção de talentos feita geralmente por olheiros, agentes e também por membros da comissão técnica.

A maioria dos clubes brasileiros adotou a ciência como solução de seus problemas e profissionais com curso superior passaram a ter mais oportunidades no mercado de trabalho futebolístico. Importante fazer uma observação neste ponto: nada impede que o profissional “empírico” também tenha formação acadêmica, assim como nada garante que o profissional que tenha faculdade não trabalhe “empiricamente”.

A metodologia científica de trabalho faz uso da interdisciplinaridade, ou seja, algo comum a diversas disciplinas; neste caso específico, no futebol. Ganharam mais espaço nas comissões técnicas dos clubes preparadores físicos, nutricionistas, psicólogos e fisiologistas. Sem dúvida, foi uma evolução.

O futebol subjetivo passou a ser questionado e o que é científico passou a ser considerado correto. Há casos extremos de o que não é explicado por números (estatísticas ou scouts), estudos experimentais comparativos, ou tecnologia de ponta (análises biomecânicas em geral), nem pode entrar na conversa. Em minha opinião, está errado!

Entendo e respeito que muita gente tenha interesse em vender artigos científicos, leia-se, artigos sobre o físico no futebol e a tal tecnologia de ponta como a solução para os problemas da prática. Contudo, tenho minhas dúvidas quanto à transferência favorável dessas informações científicas para a prática, para se identificar talentos, jogar um bom futebol, ou até mesmo um pobre futebol de resultados imediatos.

Inicio a minha reflexão com a frase do francês Michel Montaigne, que, referindo-se ao jogo de xadrez escreveu: “O xadrez é muita ciência para ser jogo e muito jogo para ser ciência”. Esta frase aplica-se perfeitamente ao jogo de futebol: muita ciência para ser jogo e muito jogo para ser ciência!

O futebol é um jogo de cooperação versus oposição, em um meio bastante instável e altamente imprevisível. Para ter sucesso em um meio com estas características, os jogadores devem sofrer constantes adaptações impostas por este meio e o bom desempenho está diretamente associado à velocidade e à qualidade das tomadas de decisão dos praticantes.

Daí o futebol ser um esporte em que todos os perfis físicos podem ter sucesso: jogadores baixos, altos, fortes, magros, com pernas tortas e assim por diante! Pode-se compensar a “deficiência” física de diversas maneiras e assim transformar a “deficiência” em qualidade.

Um excelente exemplo é Lionel Messi, que em uma campanha publicitária, sobre sua pouca estatura disse: “Acho que pelo fato de eu ser o menor jogador, eu talvez fosse um pouco mais ágil e rápido, o que me ajudava a jogar futebol. Sinto que, inicialmente, o que era desagradável e parecia mau, possibilitou-me conseguir muitas coisas boas no futuro.”

Para mim, o maior erro da abordagem científica no futebol é vê-lo fragmentado em físico, técnico, tático e psicológico. Enquanto o futebol for um fenômeno complexo, em que as suas valências interagem entre si, sem se saber ao certo, em uma ação, onde termina uma valência e onde começa a outra, a ciência terá dificuldades em atender às necessidades da prática.

O treinamento “fragmentado”

Aplicado tanto no método empírico, quanto no método científico, o treino “fragmentado” tem por base treinar separadamente as valências exigidas pelo jogo de futebol para melhorar a performance dos jogadores como um todo e desta forma melhorar o rendimento da equipe.

Trabalhar o físico (descontextualizado o jogo), o técnico (mecânico e repetitivo) e o tático “paradão” (treinador manda e jogador cumpre sem pensar) é a melhor forma de preparar uma equipe para jogar futebol?

Neste modelo de treino, o jogador treina suficientemente a essência do jogo, que é a tomada de decisão em um meio instável? Acredito que não. Talvez esta “falha” seja a principal causa de “problemas mentais” de muitas equipes, como por exemplo, a falta de controle psicológico e a reduzida capacidade de concentração durante os jogos.

Acredito que o treinador tenha de trabalhar (e muito!) nos seus treinos, situações que propiciem estímulos mentais que o jogo requisita e de que o tradicional treino “fragmentado” carece.

Detecção científica de talentos

A detecção científica de talentos normalmente é baseada em algumas avaliações fragmentadas. Vou citar algumas muito comuns:

– Realizar testes físicos e técnicos descontextualizados;

– Traçar perfis psicológicos dos jogadores;

– Verificar medidas antropométricas e a data de nascimento dos jovens (divisão do ano em 1º, 2º, 3º e 4º quartis)

Sobre os testes físicos (velocidade de deslocamento, agilidade, resistência aeróbia, entre outros) e técnicos descontextualizados (passe, chute, controle de bola etc.) não vou me alongar muito. Caso estes testes fossem prioritários na detecção de talentos no futebol, teríamos muitos jogadores provenientes do atletismo e muitos “freestylers” (malabaristas da bola) em campo e não é o que acontece na prática.

Há estudos científicos recentes, publicados em revistas internacionais com excelente fator de impacto (IF), que concluíram que testes físicos e técnicos por si só não podem ser considerados como indicadores confiáveis de boa performance no jogo de futebol (Williams & Reilly, 2000; Vaeyens et al., 2006).

Quanto aos aspectos psicológicos, para Williams & Reilly (2000), ainda não foi cientificamente possível traçar um perfil ideal para identificar talentos no futebol.

Em relação às medidas antropométricas, em especial a altura do jogador, eu acredito em uma hipótese, referida nos estudos de Carling et al. (2009) e Baker et al. (2003). A maior parte dos treinadores de jogadores jovens tem preferência por jogadores mais altos e fortes visando obter vantagens físicas em campo.

Quando um estudo é feito sobre uma amostra de jogadores de elite e estes têm uma média de altura “x”, pode-se incorretamente concluir que quem não mede “x” tem menos capacidade de se tornar um jogador de topo. Na verdade, o que fez a maioria dos jogadores profissionais ter esta altura “x” foi a oportunidade inicial de treinar em alto nível, além do ganho de experiência por jogarem mais, concedida pela maioria dos treinadores de jovens em processo de formação, visando obter vitórias imediatas.

Quando fazemos esta opção de escolher jogadores altos, podemos estar excluindo do processo (longo prazo) grandes jogadores de pequena estatura. Nada impede que jogadores altos e fortes sejam competentes, mas apenas ter um físico avantajado não é garantia de bom desempenho no futebol. Em outras modalidades esportivas talvez, no futebol definitivamente não!

Com referência à data de nascimento, o motivo dos jogadores nascidos nos primeiros meses do ano serem mais “bem vistos” pelos avaliadores no processo de seleção é majoritariamente em função das “vantagens físicas” imediatas que estes podem apresentar em campo.

Quanto mais velhos, normalmente mais desenvolvidos fisicamente são os jogadores. Por este motivo, grande p
arte dos futebolistas profissionais nasceu nos primeiros meses do ano (devido às escolhas iniciais dos treinadores no início do processo de seleção) e não por falta de capacidade dos jogadores nascidos mais tarde.

O estudo de Carling et al. (2009) concluiu que quando são dadas as mesmas oportunidades de treinamento e ganho de experiência aos jogadores nascidos nos últimos meses do ano, estes têm as mesmas chances de se profissionalizarem. Ronaldo (setembro), Maradona (outubro), Ibrahimovic (outubro), Pelé (outubro) e David Villa (dezembro) são alguns dos exemplos de grandes jogadores nascidos nos últimos meses do ano.

Detecção empírica de talentos

A detecção de talentos empírica na maioria das vezes se faz pela observação de jogos 11×11, seja nas tradicionais “peneiras”, seja em alguma competição.

Aqui, depende-se muito do feeling subjetivo do avaliador. Cito a seguir, grandes problemas deste tipo de avaliação e algumas situações em que esta maneira de avaliação é comprometida:

– Quando há grande desequilíbrio nas equipes (nas “peneiras” ou nas competições);

– Dos 22 (ou mais) participantes, nem todos terão tido chances suficientes para serem bem avaliados;

– Devido à pequena participação de alguns, um mau jogador em um dia bom pode ser bem visto e um bom jogador em um dia ruim pode passar sem ser notado

Estes jogos no modo 11 contra 11 também não me parecem ser o melhor caminho. Neles, se gasta bastante tempo para ver muito pouco do que os jogadores têm a mostrar. Além das grandes margens de erro e subjetividade deste sistema de avaliação.

Conclusão

Ver o futebol como um todo é para mim o melhor caminho. Avaliar e treinar o físico, técnico e psicológico isolados da tática e de tomadas de decisão deixa muito a desejar na construção do treinamento, na forma de jogar e na detecção de talentos. O que está acontecendo hoje é tentar justificar na prática os dados coletados cientificamente nos estudos. Isto é, trazer os “problemas” da teoria para a prática, quando na verdade, os problemas da prática deveriam estar sendo resolvidos pela teoria.

Nesta “guerra” ciência x empirismo (sobre qual é o melhor meio de ter sucesso no futebol), não há vencedores e quem certamente perde é o futebol. Estamos perdendo muito tempo para achar respostas que já não respondem a quase mais nenhuma pergunta.

O treinamento e a detecção adequada de talentos devem resolver, ou pelo menos minimizar, os problemas apresentados pelas principais metodologias vigentes. De acordo com a forma que a equipe joga ou pretende jogar, o ideal seria propiciar uma maior participação dos jogadores, um melhor aproveitamento do tempo de atividade e avaliar e treinar as tomadas de decisão e os princípios táticos unidos à técnica, ao físico e à parte psicológica dos jogadores.

Treinar e detectar talentos no futebol sem a presença de um modelo de jogo como referencial nestes processos é complicar ainda mais o que já é complexo por natureza. Neste caso, façamos o simples: quem sabe o que procura certamente tem maiores chances de encontrar.
 

Referências Bibliográficas

– BAKER, J.; HORTON, S.; ROBERTSON-WILSON, J.; WALL, M.; Nurturing sport expertise: factors influencing the development of elite athlete. Journal of Sports Science and Medicine, 2, 2003, 1-9.

– CARLING, C.; LE GALL, F.; REILLY, T.; WILLIAMS, A.M.; Do anthropometric and fitness characteristics vary according to birth date distribution in elite youth academy soccer players? Scand J Med Sci Sports, 19, 2009, 3-9.

– VAEYENS, R.; MALINA, R.M.; JANSSENS, M.; VAN RENTERGHEM, B.; BOURGOIS, J.; VRIJENS, J.; PHILIPPAERTS, R.M.; A multidisciplinary selection model for youth soccer: the Ghent Youth Soccer Project. British Journal of Sports Medicine, 40, 2006, 928-934.

– WILLIAMS, A.M.; REILLY, T.; Talent identification and development in soccer. Journal of Sports Science, 18, 2000, 657-667.

*Alberto Tenan é mestrando em Treino Desportivo (ULHT – Lisboa)

Para interagir com o autor: alberto@tenan.com.br

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Calendário

A CBF anunciou nesta semana o calendário do futebol brasileiro para 2013, contemplando desde amistosos da seleção brasileira até a Série D do Campeonato Brasileiro, passando pela Copa das Confederações, que será um dos principais focos do ano vindouro.

As duas grandes novidades foram a ampliação da Copa do Brasil para sete meses, seguindo em partes os moldes das copas disputadas em alguns países da Europa, e o retorno da Copa do Nordeste, ainda demasiadamente enxuta no meu modo de entender, mas representando um importante avanço a ser trilhado para as próximas temporadas como mote para desenvolvimento do futebol local.

O resultado deverá reservar um novembro/dezembro de 2013 bastante interessante, que culminará com as finais da Copa do Brasil, as últimas rodadas do Brasileirão e ainda a possibilidade de ter uma equipe brasileira se preparando para as finais do Mundial de Clubes em meados de dezembro.

O perfil de hoje, em que o campeão da Copa do Brasil (e também da Taça Libertadores, quando é um time brasileiro) se acomoda ao longo de todo o ano na disputa do Campeonato Brasileiro tenderá a não ocorrer.

Neste breve cenário desenhado, somado às inúmeras possibilidades de combinação de resultados e desempenho dos principais clubes do Brasil, reforçará o viés do planejamento, uma vez que teremos um final de temporada recheado de capítulos finais e a natural necessidade de os clubes manterem ao longo do ano um elenco bastante qualificado, não só os 11 titulares habituais.

Para interagir com o autor: geraldo@universidadedofutebol.com.br
 

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Ter respeito pelos bons relacionamentos

Saudações a todos!

Ao comemorar grandes conquistas, a tendência da maioria das pessoas é falar sobre as dificuldades enfrentadas até chegar ao topo, como superaram as dificuldades, quais as pessoas que prejudicaram de alguma forma seu trabalho, como se livraram dos contratempos, etc. Nesse momento de empolgação, típica de quem acabou de vencer, não é difícil se esquecer de falar de quem as ajudou.

A exceção para esta regra são os verdadeiros campeões. Eles, quando celebram grandes conquistas, lembram e destacam quem os ajudou a chegar lá. Agindo assim, além de fazerem “justiça”, mantêm por perto pessoas importantes e dispostas a ajudar.

Ter uma rede de relacionamentos ativa e disposta a contribuir é um dos grandes segredos dos verdadeiros campeões que, não por acaso, se mostram grandes líderes. Exemplos não faltam para confirmar esta realidade.

Citarei nesta coluna dois deles, por terem conquistas importantes, conhecidas por todos e bem recentes, assim como serem emblemáticas.

O primeiro exemplo é o Tite. Não preciso falar da dimensão da conquista dele até porque acho que ainda é imensurável. Além de ganhar a Libertadores, que por si só já é uma conquista ímpar, o treinador gaúcho ganhou sendo invicto, com o time super ajustado, ganhou pelo Corinthians – que sonhava há anos com esse título. Superou o Santos de Neymar na semifinal (tido por muitos como o melhor time da América) e na final venceu o Boca (tido como o “papão” do torneio).

A magnitude dos fatos que levaram a esta conquista são tão relevantes que posso apostar que estará entre os três maiores destaques do esporte na América Latina em 2012.

O segundo exemplo é o Felipão, que conquistou a Copa do Brasil, outro campeonato que só pela conquista e importância merece destaque. Mas ele foi além da “simples” conquista: foi campeão invicto com um time considerado limitado tecnicamente; além disso, lidou com situações políticas internas e com muita pressão já que não conquistava um título de maior importância há 13 anos e vinha sonhando em voltar a disputar a Libertadores.

A maioria das pessoas no lugar deles agradeceriam os atletas, a comissão técnica, as pessoas mais próximas no clube, a direção, o presidente e contaria as dificuldades e como as superou e já estava bom, né? Afinal, nestas horas, todos querem os flashes e os holofotes em si. Certo? Errado! Nem todos…

Os verdadeiros campeões, os líderes de fato, como o Tite e o Felipão, no momento das grandes conquistas, também agradecem a “todos mais próximos”, mas, além disso, agradecem quem está longe, quem ajudou na conquista e ninguém sabia e teoricamente “não precisava” ser lembrado.

Essa parte, só os nobres campeões sabem fazer! E fazem de forma exemplar.

Vejam os fatos no caso do Tite e do Felipão:

O Tite falou que a ajuda do Abel Braga foi fato muito importante para a sua conquista. Abel, treinador do Fluminense e que recentemente havia sido eliminado pelo Boca, deu dicas, contou “segredos”, deu sugestões, etc. e, claro, ajudou na conquista do corintiano.

O que chama atenção é que mesmo o Tite citando este fato, ele teve pouco destaque e tenho certeza de que muita gente ainda não sabia disso. O mais importante para o Tite é que o Abel que foi quem o ajudou, ouviu isso e com certeza ficou orgulhoso pela contribuição e sempre estará disposto a repetir!

O Felipão, da mesma forma, destacou que a contratação do Betinho, jogador de atuação decisiva nas finais – que marcou um gol e sofreu um pênalti –, foi avalizada pelo volante Márcio Araújo, que trabalhou com o jogador no São Caetano.

À época da contratação, ao ser questionado pelo Felipão, Araújo, além de “dar o seu aval”, conferiu dicas sobre a personalidade do atleta e de como aproveitá-lo melhor.

O que chama atenção mais uma vez é que mesmo o Felipão citando este fato, a mídia deu pouquíssimo destaque. Com certeza o volante ficou orgulhoso por ser lembrado e contribuirá novamente!

E você, tem essa atitude nobre que tiveram o Tite e o Felipão quando obtém conquistas?

Com o mercado de trabalho aquecido, as oportunidades tendem a surgir com maior frequência e se você for um dos “premiados” com uma conquista – uma promoção, um aumento salarial, a conquista de um emprego melhor, uma venda importante, uma barreira superada na carreira ou na família, etc., comemore muito e não se esqueça de relembrar sua trajetória até a conquista. E, principalmente, não deixe de agradecer e enaltecer quem contribuiu para que ela fosse possível.

Depois de refletir um pouco sobre isso, lembre as dicas dos seus primeiros chefes, as broncas, como isso te ajudou, ou os seus clientes mais exigentes (internos ou externos) que te cobraram e que te deram “pistas” de como fazer melhor. Ou ainda lembre os colegas para os quais você ligava quando precisava saber como fazer algo…

Depois de relembrar tudo isso, ligue para eles ou mande um SMS, um e-mail, conte sobre suas conquistas e ressalte a importância das contribuições deles na conquista.

Tenho certeza de que eles ficarão felizes e orgulhosos por terem sido lembrados e saiba que, quando precisar, estarão ali com você novamente.
É isto, pessoal!

Vejam se estão agindo como verdadeiros campeões, compartilhado e agradecendo suas conquistas com quem contribuiu para que elas fossem possíveis ou então viverão êxitos solitários e de pouco valor real.
Agora, intervalo, vamos aos vestiários e nos vemos no próximo mês.

Abraços a todos!

Para interagir com o autor: ctegon@universidadedofutebol.com.br

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O FC Barcelona, o treinador José Mourinho, a Periodização Tática e os treinos analíticos: fatos e reflexões

“Para quem tem como única ferramenta o martelo, todos os problemas são pregos.”
 

Parafraseando Mark Twain, que é o autor da frase acima, proponho nesta semana uma reflexão sobre alguns fatos que envolvem discussões (e problemas) que têm cercado o momento “metodológico” e “filosófico” do nosso (brasileiro) futebol profissional e de base.

De início, vamos aos fatos.

Fato 1: Quando começou a ganhar destaque no cenário mundial do futebol, conquistando títulos internacionais pela equipe do FC Porto, o treinador José Mourinho deu início também a uma eufórica e desenfreada série de reportagens, matérias, vídeos e livros reverenciando sua ação como treinador e os seus métodos inovadores de trabalho.

Estar ao lado dele, conhecê-lo, ser seu amigo ou mesmo ter sido seu professor em alguma etapa de sua formação acadêmica passou a ser, de alguma forma, vantajoso. Qualquer tipo de associação com a sua imagem fez aumentar o capital simbólico de publicações, pessoas e mais especificamente para a nossa discussão, de metodologias de treino.

Fato 2: Quando o Santos FC foi “atropelado” (me desculpem pelo “atropelado”) pelo FC Barcelona na partida final do Mundial de Clubes da Fifa 2011, emergiu no Brasil uma série de debates propondo nas entrelinhas (e sobre as linhas) que o “modelo” Barcelona de jogar e formar jogadores precisava, por que não, ser seguido pelas equipes brasileiras – sugerindo que os clubes no Brasil estavam (ou estão) atrasados em planejamento, conhecimento, modelos de treino, nível de profissionais, e etc.

Assim como aconteceu no caso do treinador português José Mourinho, passou a ser vantajoso para defender certos pontos de vista, utilizar o FC Barcelona como referência para justificar argumentos em uma ou em outra direção.

Pois bem.

Colocados os fatos, é bom esclarecer que não tenho intuito com esse texto de apontar verdades, mentiras, erros ou acertos, nem tampouco fazer julgamentos exatos sobre qualquer coisa.

O que desejo realmente é provocar reflexões.

Então, vamos lá.

Estive, entre 2010 e 2012, em três momentos distintos (simpósio, fórum e competição – não nesta ordem) com profissionais das categorias de base do FC Barcelona debatendo e trocando informações sobre futebol, processo formativo, meios e métodos de treinamento.

Tive acesso às planilhas do clube, assisti a vídeos de treinos e pude filmar alguns. E para os que dizem o contrário, posso afirmar: são realizados sistematicamente nos treinamentos das categorias de base do clube exercícios analíticos (fragmentados, previsíveis e centrados na técnica).

E que relação tem isso com o “fato 2” mencionado acima?

Muitos de nós, na justa ânsia de romper com paradigmas impregnados no nosso “brasileiro futebol” e expandir as fronteiras do conhecimento – em prol da disseminação de uma ideia de Complexidade – acabamos muitas vezes por associarmos nossas ideias àquilo que seria feito nas categorias de formação do time catalão (naquilo que, nos nossos sonhos, justificaria a avassaladora aula de futebol dada por eles na final do Mundial de Clubes).

Essa associação justificou muitas vezes a não utilização de atividades analíticas de treino. Mas, como, se o FC Barcelona se utiliza desse tipo de atividade em seus treinamentos?

Não estou defendendo os exercícios analíticos. O que estou sugerindo é a análise crítica dos fatos, e acima de tudo da Complexidade.

Não podemos aceitar os argumentos a favor de uma ou outra metodologia de treino, contrária a atividades analíticas, utilizando o FC Barcelona como referência dessa não utilização.

Continuemos.

Da mesma maneira que argumentos são associados ao FC Barcelona para dar valor a certas ideias, muitas e muitas vezes, foi e continua sendo vinculada à forma de trabalhar do treinador português José Mourinho a metodologia portuguesa (concebida pelo professor Vitor Frade) de concepção dos treinamentos chamada “Periodização Tática”.

Ainda que tenha grande valor, será mesmo que Mourinho se utiliza da Periodização Tática para planejar e construir seus treinos?

Por muito tempo os portugueses vêm dizendo que sim. E isso tem aumentado cada vez mais o simbolismo da Periodização Tática.

Estive com Rui Faria (adjunto do treinador português) em uma visita ao centro de treinamento do Real Madrid, por ocasião de uma viagem a Espanha, e em uma conversa informal, pude perguntar sobre o seu trabalho com Mourinho e sobre a relação desse trabalho com aquilo que foi “batizado” de Periodização Tática (tema que o próprio Rui debateu em trabalho acadêmico no passado).

Objetivamente, ele apontou para o fato de que não aplicavam a “Periodização Tática” de Vitor Frade, mas sim, uma periodização que também levava em conta a ação tática do jogador dentro do planejamento geral.

Disse que o jogo de José Mourinho é um jogo muito maior do que aquele de dentro do gramado, e que afirmar que eles (Mourinho e sua comissão técnica) trabalhavam e alcançavam sucesso a partir da Periodização Tática seria uma redução demasiada da qualidade e complexidade do trabalho que realizavam.

Não estou criticando a Periodização Tática; especialmente porque ela é um marco na história metodológica do treinamento dentro do futebol – ainda que apresente lacunas em nome da própria Complexidade que defende. O que estou sugerindo mais uma vez é a observação crítica dos fatos.

Não podemos construir a base dos nossos argumentos em falsas verdades (ou no desconhecimento dos fatos reais) – porque assim eles perdem consistência. E não estou aqui dizendo que sou eu o conhecedor dos fatos reais.

Reforço novamente que o que desejo é propor reflexões.
Citando Bruno Pivetti, “sabemos que no futebol existem muitas verdades e mentiras, que há possibilidade de o certo resultar em errado, e de o errado transfigurar-se em correto” (livro “Periodização Tática”, que recomendo).

E será isso obra do acaso, ou resultado da nossa incapacidade de compreender a ordem dentro do Caos?

Por que não avançarmos e tentarmos perceber, de posse de um martelo como única ferramenta, outros problemas, que não sejam somente pregos – dando ao martelo outra utilidade?

Por que não sustentarmos e apoiarmos nossos argumentos na essência das coisas, e que, certos ou errados, não precisemos fazer associações incorretas para aumentar o capital simbólico deles?

Tem um martelo? Então, qual o seu problema?

Para interagir com o autor: rodrigo@universidadedofutebol.com.br
 

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Os princípios e a leitura de jogo

Durante o recesso dos campeonatos europeus, os olhares se voltaram para o futebol brasileiro. E tanto nos campeonatos nacionais, como nos estaduais de divisões inferiores, poucos minutos de acompanhamento por jogo são suficientes para a constatação de que muitas de nossas equipes estão aplicando princípios de jogo de maneira incoerente e os jogadores executando (demasiadamente) leituras de jogo equivocadas.

Os estudos do futebol apontam que para uma equipe apresentar/manter um bom desempenho ela deve convergir (e ter coerência) em seus princípios de jogo para cada um dos momentos do jogo. Tais convergências e coerências (que não podem perder a relação com o Todo e com a Lógica do Jogo) fazem com que os comportamentos individuais e coletivos pretendidos sejam mais facilmente aplicados e, dessa forma, o sistema-equipe se mantenha mais organizado.

É comum observar equipes que pretendem jogar em posse, mas não têm os onze jogadores posicionados no campo de ataque para circular a bola enquanto buscam a finalização. Sem os onze jogadores no ataque, as coberturas ofensivas, a superioridade numérica e a formação de triângulos (que dão coerência ao jogar em posse) ficam mais difíceis. Facilitar o comportamento de manutenção da posse implica zagueiros com qualidade de jogo no campo ofensivo, quesito raramente observado em nosso futebol.

Também é comum observar equipes que, dentro de casa, estão operacionalmente orientadas para buscar a recuperação da posse de bola. Com pressões individuais, ausência de referências espaciais ou atitudinais para a pressão e excessiva distância entre linhas, este comportamento se mostra, frequentemente, pouco eficaz.

Já fora de casa, observam-se equipes orientadas para impedir progressão. Para dar coerência a este princípio, a gestão do espaço entre bola e alvo, a recomposição, a boa flutuação e o direcionamento para setores de menor risco são fundamentais. O que se observa, porém, é um acúmulo desordenado de jogadores próximos à bola, a negligência ao espaço e a atenção excessiva ao adversário como referência para marcação.

Quanto à transição ofensiva, para aquelas equipes que buscam a retirada vertical do setor de recuperação, pedem-se leitura e passe de quem recuperou a posse, um balanço ofensivo bem posicionado e jogadores que buscam deslocamento ofensivo para receberem a bola em setores mais próximos do alvo adversário. É mais comum, no entanto, a falta de recurso técnico-tático para a transição, o mau posicionamento dos jogadores responsáveis pelo balanço ofensivo, que ignoram sua função defensiva quando se encontram à frente da linha da bola e a lentidão dos jogadores distantes dos setores de recuperação que dariam sentido à pretendida retirada vertical.

E na transição defensiva, para as equipes que buscam a recuperação imediata, ao invés de serem detectados a pressão coletiva de espaço e tempo na região em que se perdeu a posse de bola e o rápido mecanismo de fazer campo pequeno a defender, a prevalência é de ataques isolados à bola, combinados com perdas preciosas de segundos para mudanças de atitude por parte de alguns jogadores.

Toda esta incoerência na aplicação dos princípios de jogo exemplificados evidenciam os graves problemas de leitura de jogo que acometem o jogador brasileiro. Num olhar direcionado para as individualidades do sistema é certo que para o mesmo problema os jogadores apresentem quatro, cinco ou seis respostas diferentes. A equipe joga apenas um jogo e a diferente leitura expressa pelos jogadores resulta numa unidade coletiva desorganizada. Um grande passo para o insucesso de um treinador.

Enquanto nos nossos treinos não predominarem a resolução de situações-problemas, vinculadas ao Todo e à Lógica do Jogo, o cenário não irá mudar. Enquanto não buscarmos uma leitura de jogo coletiva e maiores previsibilidade e ordem aos imprevisíveis problemas do jogo, nosso desempenho seguirá minimizado. Teremos, por exemplo, que suportar scouters do futebol europeu debocharem do futebol brasileiro ao mencionarem que nosso jogo está taticamente ultrapassado, de seis ou sete Copas atrás. Ou então, corroborar com Tostão que aprecia o jogo europeu, pois vê mais jogadores procurando o passe.

Chegamos ao triste ponto de, neste ano, uma equipe comemorar um título tendo vibrado durante o jogo ao se desfazer da bola com um chutão.

Percebam que a discussão parou na coerência dos princípios. Imaginem se nas análises forem consideradas suas inter-relações…

O nosso futebol merece mais! Capriche no seu treino!

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Copa do Mundo: evolução, lei geral, polêmica e legado

A Copa do Mundo de futebol foi concebida em 1928 pelo então presidente da Fifa, o francês Julies Rimet, e teve sua primeira edição realizada dois anos depois no Uruguai.

A primeira Copa que foi vencida pelos anfitriões contou com 13 participantes e um público de 434.500 torcedores.

Vinte anos depois, em 1950, o Brasil organizou o Mundial, também vencido pelo Uruguai, com 13 seleções e público de 1.043.500 torcedores, ou seja, mais do que o dobro do primeiro evento.

Em 1978, a Argentina organizou e venceu sua primeira Copa, desta vez disputado por 16 países e com público de 1.546.151 torcedores. Pela primeira vez houve preocupação quanto à visibilidade dos anunciantes. Ademais, a Fifa constatou que a Copa do Mundo poderia ser lucrativa por meio da venda de direitos de exibição e publicidade.

Aliás, o responsável pelo crescimento do evento e de sua audiência é o publicitário Patrick Nally, pois foi a sua agência, a West Nally, que criou o modelo seguido atualmente pela Copa do Mundo e pelos Jogos Olímpicos.

Neste contexto com uma série de exigências, em 1982, na Espanha, a Fifa, pela primeira vez vendeu publicidade e direitos de transmissão. O número de participantes aumentou para 24, o público foi de 2.109.723 e a competição foi vencida pela Itália.

Em 1998, na França, novamente o número de participantes cresceu, passando para 32. O Mundial foi vencido pelos anfitriões e contou com público total de 2.785.100.

No intuito de “ganhar” o mercado asiático, em 2002, a Copa foi co-organizada pela Coreia do Sul e pelo Japão com a participação de 32 equipes e público de 2.705.19 torcedores. O Mundial que teve jogos também na Coreia do Norte foi vencido pelo Brasil.

Em 2006, a Alemanha organizou pela segunda vez o evento (a primeira vez foi em 1974). Com 32 países, público de 3.359.439 torcedores. O Mundial foi vencido pela Itália. Apesar disso, segundo o então técnico alemão, Klismann, a Alemanha perdeu a Copa mas ganhou um país, em alusão à unidade do povo alemão pós-queda do muro de Berlim.

Finalmente, 2010, a Copa do Mundo chega ao continente africano. Organizado pela África do Sul, a competição teve 32 participantes, público 3.178.856 torcedores e foi vencida pela Espanha.

Diante do exposto percebe-se que de pouco menos de meio milhão de torcedores, a Copa do Mundo chegou a mais de três milhões de torcedores, tornando-se o maior evento esportivo do planeta e o Brasil terá a missão de sediá-lo em 2014. Isso sem contar os bilhões de telespectadores.

Para tanto e a fim de proteger a qualidade do evento e seus patrocinadores, a Fifa realiza uma série de exigências. Aliás, ao se candidatar, o país já sabe o que deverá fazer para receber o evento. Estas exigências foram legitimadas por meio da Lei Geral da Copa.

A referida lei logo no início demonstra uma estrutura semelhante a um contrato, eis que se tem de um lado a Fifa, dona do evento, e do outro o Brasil, querendo organizá-lo.

Ao ser sancionada, a presidente Dilma Roussef vetou alguns pontos:

-Parágrafo que separava 10% dos ingressos para jogos do Brasil (300 mil ingressos na Copa do Mundo e 50 mil na Copa das Confederações) para venda a preços populares (cerca de R$ 50)

-Artigos que não permitiam que o serviço de voluntários substituísse empregos assalariados ou precarizassem relações de trabalho já existentes

-Trecho que suspendia leis locais sobre meia-entrada para os estádios

-Dois artigos que determinavam que os estrangeiros tirassem seus vistos em seus países de origem com prazo mínimo de 30 dias

Vale lembrar que os vetos podem ocorrer por inconstitucionalidade ou interesse público. Além disso, muitos foram os pontos polêmicos, com destaque especial para a venda de bebidas alcoolicas em estádios de futebol e proteção às marcas da Fifa e de seus parceiros.

Sobre a questão das bebidas alcoolicas, imprescindível destacar que não há qualquer vedação no Estatuto do Torcedor, o que a lei de proteção do torcedor proíbe é a venda de produtos que prejudiquem a segurança do evento.

Destarte, o álcool não é causador de violência, pois esta é fruto de diversos elementos, a saber:

•Emoção

•Descarga de frustrações cotidianas

•Falta de infraestrutura adequada e de atenção aos direitos dos torcedores

•Ausência de medidas pedagógicas e educacionais

•Sensação de impunidade

•Ausência ou demora de medidas punitivas

No que tange às marcas, é natural que o Brasil combata a pirataria e também que impeça o maketing de emboscada, ou seja, que uma empresa não patrocinadora ou parceira “pegue carona” no evento e divulgue a sua marca.

Na África do Sul, por exemplo, um incidente ganhou detaque. Na partida entre Dinamarca e Holanda, uma marca de cerveja utilizou-se de belíssimas mulheres com microvestidos para divulgar o produto durante a partida, em detrimento da patrocinadora oficial, a Budweiser. As modelos foram presas e deportadas.

Ora, trata-se de empresas que investem milhões de dólares, viabilizam o evento e querem, portanto, assegurar o seu retorno publicitário.

Conferiu-se muita atenção a estes pontos e esqueceu-se de que durante a Copa do Mundo alguns artigos do Estatuto do Torcedor foram revogados, com destaque para a responsabilização objetiva do mandante e do organizador do evento. A responsabilidade objetiva corresponde à desnecessidade de comprovação de culpa do agente, basta comprovar o dano e o nexo de causalidade com o evento.

Assim, se o torcedor sofrer um dano em uma partida da série A-3 do Campeonato Paulista, os organizadores serão responsabilizados objetivamente. Mas, se o dano ocorrer na final da Copa do Mundo, caberá ao torcedor comprovar a culpa da Fifa.

Urge destacar que concordar com eventuais exigências da federação não corresponde a uma afronta à soberania, eis ser soberano corresponde à autonomia para aceitar ou rejeitar o que se propõe. Se o Brasil não quer aceitar, basta dizer “não” e a entidade máxima do futebol realizará a Copa do Mundo em outro país.

O fato é que não passa pela cabeça de nenhum brasileiro deixar de receber a Copa em razão de venda de bebidas, proteção de marcas, ou qualquer outro item da Lei Geral.

O importante é que o país utilize os grandes eventos que se aproximam para trazer um legado ao seu povo. Os Jogos Olímpicos de Barcelona (1992), por exemplo, revitalizaram a cidade e hoje a capital catalã é uma das cinco cidades mais visitadas do mundo. A Alemanha dobrou o número de turistas no ano seguinte ao Mundial.

Além disso, há o investimento em infraestrutura que tem como foco a Copa e/ou os Jogos Olímpicos, mas cujos benefícios serão usufruidos para sempre.

Portanto, percebe-se a magnitude e a importância de se receber um grande evento esportivo, cabendo ao Brasil conduzir a sua realização de forma que tenhamos dias inesquecíveis e um legado fantástico.

Para interagir com o autor: gustavo@universidadedofutebol.com.br

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Periodização tática: por que a metodologia ainda não se consolidou no país

Creio que, para abordarmos os caminhos da Periodização Tática no Brasil precisamos compreender como aprendemos a pensar, desde o início da fase escolar, passando pelos cursos de pós-graduação até pelo ambiente do meio futebolístico.

Aprendemos desde cedo a analisar tudo para explicar cada fenômeno, bem como dissecar o ser humano em partes isoladas para colocar os “pedacinhos” num mesmo saco e tentar produzir conhecimento. Paralelamente a isto, o futebol brasileiro, com todo seu conservadorismo e prepotência pentacampeã, se nega a aceitar novos paradigmas e se mantém ao economicamente interessante ou politicamente seguro.

Na ânsia de parecerem modernos, muitos profissionais se defendem ao dizer que é possível trabalhar a Periodização Tática e a Tradicional juntas apenas por usarem bola nos treinos físicos ou em pequenos jogos. É importante ressaltar que existem os dois caminhos para desenvolver performance de equipes de futebol.

O que acontece na prática é: não dá pra andar pelas duas ao mesmo tempo; quem mora em Minas Gerais chega a São Paulo pela Fernão Dias, quem mora no Rio chega lá pela Dutra. Não é possível usar as duas estradas ao mesmo tempo. Por isso é importante entender o Cartesianismo e o teoria sistêmica e/ou Holismo.

Descartes tinha visão analítica do universo, ou seja, ele era composto de partes articuladas, como um relógio. Assim, o método cartesiano consiste em dividir o todo em partes e estudá-las separadamente.

A primeira regra é a evidência: jamais aceitar uma coisa como verdadeira que eu não soubesse ser evidentemente como tal. A segunda, a regra da análise: dividir cada uma das dificuldades que eu examinasse em tantas partes quantas possíveis e quantas necessárias para melhor resolvê-las.

Já a terceira, a regra da síntese: conduzir por ordem meus pensamentos, a começar pelos objetos mais simples e mais fáceis de serem conhecidos, para galgar pouco a pouco, como que por graus, até o conhecimento dos mais complexos.

E finalmente a quarta: fazer em toda parte enumerações tão complexas e revisões tão gerais que “eu tivesse certeza de nada ter omitido”.

No dicionário de filosofia Abbagnano (1995) o reducionismo é apresentado e definido como algo que foi reduzido, transformado, modificado, manipulado, em nome da ciência.

Em modo geral na filosofia, o reducionismo é o nome dado a teorias correlatas que afirmam, grosso modo, que objetos, fenômenos, teorias e significados complexos podem ser sempre reduzidos, a fim de explicá-los, as suas partes constituintes mais simples.

Outros termos também são utilizados para expressar a ideia de especialidade, como o mecanicismo e atomismo. Assim a ênfase nas partes tem sido chamada de mecanicista, reducionista ou atomística. O reducionismo nada mais é do que a redução de algo, ou seja, a transformação, a modificação, a manipulação de algo, a fim de buscar a verdade ou a falsidade.

Ou seja, pela preparação tradicional, baseada pelo fisicismo ou tecnicismo, o treino físico melhora as capacidades físicas exigidas num jogo de futebol, o treino técnico analítico melhora isoladamente os fundamentos técnicos e o treino tático aprimora o sistema de jogo, a tomada de decisão dos jogadores etc. Mesmo quando falam em físico-técnico ou físico-tático, em que sugerem estarem treinando tudo ao mesmo tempo, os adeptos acabam “dissecando” os treinos em variáveis e justificando o jogo como meio de melhorar determinada capacidade.

A palavra sistema denota um conjunto de elementos interdependentes e interagentes ou um grupo de unidades combinadas que formam um todo organizado. Sistema é um conjunto de coisas ou combinações de coisas ou partes, formando um todo complexo ou unitário. (Chiavenato, 2000, p. 545)

O sistema é um conjunto de partes interagentes e interdependentes que, conjuntamente, formam um todo unitário com determinado objetivo e efetuam determinada função (Oliveira, 2002, p. 35). Já o holismo significa que o homem é um ser indivisível, que não pode ser entendido através de uma análise separada de suas diferentes partes.

Com a globalização (integração do mundo; povos e cultura) compartilhamos não somente as oportunidades que ela oferece, mas também os problemas. E para sua compreensão exige a aplicação da teoria sistêmica. Na busca de uma sabedoria sistêmica, que bem podemos interpretar como sendo a procura de uma visão holística.

Esta visão pode ser considerada a forma de perceber a realidade e a abordagem sistêmica, o primeiro nível de operacionalização desta visão. Já o enfoque sistêmico exige dos indivíduos uma nova forma de pensar; de que o conjunto não é mera soma de todas as partes, mas as partes compõem o todo, e é o todo que determina o comportamento das partes. Uma nova visão de mundo, que lhes permitirá perceber com todos os sentidos a unicidade de si mesmo e de tudo que os cerca.

O jogo pela visão sistêmica é o principal motivo do treinamento e não é passível de ser reduzido em partes isoladas descontextualizadas, mas sim sob um específico ponto de vista fractal, ou seja, partes do jogo. Pela PT, saltar mais, correr mais e mais rápido ou mesmo simplesmente executar um passe longo de forma repetitiva no pé do companheiro no outro lado do campo não tem nada a ver com o que se pretende no jogo de futebol.

Pela PT pretendemos o aprimoramento do modelo de jogo, pelo jogo, em sua totalidade, em seus momentos e pela especificidade das tarefas desempenhadas que vão exigir naturalmente de cada variável sem necessariamente ter de se pensar nelas em separado. Pela PT não há jogadores bem ou mal fisicamente, mas sim adaptados ou não com o jogo ou forma de jogar.

Fica evidente a diferença, a necessidade de números, testes, variáveis e quantas informações forem necessárias pelo pensamento cartesiano predominante e pelo conservadorismo do nosso futebol.

São formas diferentes de pensar, não estou falando em certo ou errado, mas sim de concepção, percepção dos fenômenos, do jogo.

E neste momento, o que aparece como aspecto mais importante pra mim, é a maturidade para embates e discussões e compreender o ponto de vista divergente. Aliado a isto, a ética para se comportar no mercado de trabalho, pois desta forma o esporte só tem a crescer.

*Wladimir Braga é preparador físico das categorias de base do Atlético-MG

Para interagir com o autor: wladimirbraga@hotmail.com

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Concurso e Olimpíadas buscando o espírito olímpico

O Comitê Olímpico, junto ao IAB-RJ, abre oportunidade para jovens graduados. A ideia de buscar novas oportunidades para os mais jovens arquitetos se concretizou com o lançamento do concurso de projetos para a área social do primeiro campo de golpe público (com 18 buracos, ou seja, completo) do Rio de Janeiro.

Não só será um projeto para as Olimpíadas como também visa fomentar o esporte no Brasil a partir deste equipamento, ficando, sim, como legado para a população.
 

O golfe nas Olimpíadas do Rio poderá aumentar o número de praticantes no Brasil

O concurso visa receber projetos de profissionais formados a partir de 1997 e inclui, como programa, um restaurante, área social, bar, loja, vestiários, local para eventos e administração e tem premiações para os três melhores projetos.

A importância de concursos públicos de arquitetura

Já faz tempo que defendo a causa. A abertura de concursos evita direcionismo a profissionais parceiros e democratiza a oportunidade de se projetar um equipamento público.

Se todos somos cidadãos, todos podem propor ideias para o poder público com igualdade. Tudo isso dá um leque maior de opções para o governo evitando projetos equivocados, uma vez que se pode escolher o melhor dentre muitas ideias e conceitos, o que dificilmente poderia ser enxergado com uma única proposta de um único profissional.

Desde que seja transparente, o concurso evita também corrupções. Não em todos os sentidos, mas, ao menos, em um deles.

O fator polêmico entre muitos arquitetos é que todos se esforçam, todos trabalham e somente cerca de três são pagos. Isso gera uma desvalorização do trabalho, uma vez que o cliente recebe inúmeras propostas e não paga pela maioria como se não fossem trabalhos com horas dedicadas.

No entanto, é uma oportunidade dada; quem se inscreve está ciente disto e está disposto a propor ideias, livremente, sem ser, necessariamente pago por isso.

O golfe nas olimpíadas

Nas Olimpíadas no Rio em 2016 “estrearão” duas modalidades: o golfe e o rugby. No entanto, o golfe foi praticado até 1904, ano no qual participou com somente dois países (Estados Unidos e Canadá).

Para o Brasil, teremos não só a reestreia do esporte, mas também podemos esperar muito mais países participando (cerca de 30, com participantes masculinos e femininos).

Além disso, o legado olímpico mencionado acima fica a favor desta ideia, democratizando o esporte no Brasil e aumentando o número de praticantes de um esporte que, até então, é elitizado por ter custos mais caros que outras modalidades.

Para interagir com o autor: lilian@universidadedofutebol.com.br

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Instalações e pessoas

Estamos assistindo a uma ampla revolução, qualificação e especialização de instalações esportivas por todo o país, impulsionado sobretudo pelos megaeventos esportivos que estão por ser abrigados no Brasil.

A lista é vasta: vai desde estádios de futebol com infraestrutura de primeiro mundo, sem precedentes por aqui, até pequenos e médios centros de treinamento que sonham em receber alguma delegação internacional para período de aclimatação de seleções e equipes estrangeiras.

Este lado é um ótimo indicador do desenvolvimento esportivo de uma nação. Mas, e as pessoas? Quem vai administrar estes equipamentos pós-2016? O plano estratégico que envolve a concepção e construção da instalação esportiva compreende a formação de especialistas para que a mesma se torne autossustentável no longo prazo?

A breve reflexão é no sentido de termos uma visão mais holística da gestão do esporte, que por vezes não está atrelada somente a bens tangíveis como fundamentais para o desenvolvimento da prática, mas é fruto principalmente do conhecimento acumulado por diversas ciências ligadas à gestão e ao esporte.

Este raciocínio lógico é fundamental em um momento após grandes eventos, como o ocorrido em Londres neste mês. A tendência de justificar bons e maus resultados recai em grande parte sobre a estrutura.

E a mídia e o grande público acabam acreditando que é só isso que resolve…

Para interagir com o autor: geraldo@universidadedofutebol.com.br