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São Paulo rebaixado?

São Paulo, Criciúma e Monte Cristo (GO) foram denunciados pela Procuradoria ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) em razão da transferência do atleta Iago Maidana.
O jogador, representado por agentes da FAI Sports, intermediária não cadastrada na CBF, transferiu-se do Criciúma para o clube goiano em operação feita pela empresa Itaquerão Soccer, o que é proibido pela Fifa desde maio.
Além disso, Maidana ficou apenas 25 horas e 15 minutos registrado pelo Monte Cristo – que disputa a terceira divisão de Goiás -, transferindo-se para o São Paulo por R$ 2 milhões, sendo que a multa rescisória era de R$ 50 mil.
Segundo normativas FIFA, as equipes corriam risco de multa, proibição de transferências por até dois anos, perda de pontos e até rebaixamento.
Entretanto, em julgamento realizado recentemente pelo STJD, os clubes foram multados em R$ 100 mil cada um e o atleta em R$ 10 mil.
Apesar disso, os times ainda não estão livres de penas desportivas.
Isso porque, no que tange às punições atinentes ao Regulamento Nacional de Intermediários, o STJD se declarou incompetente (sem atribuição legal para julgamento) e as demais sanções devem ser julgadas pelo Comitê de Resolução de Litígios da CBF.
Portanto, apesar de ser uma hipótese remota, o São Paulo ainda corre o risco de ser punido com o rebaixamento.

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Novamente, as cotas de TV – Parte 02

Eu retomo o assunto das cotas de TV, após a proposta de aplicar as métricas utilizadas no Campeonato Inglês, Francês e Italiano para aquilo que poderia ser adotado no Campeonato Brasileiro, com a respectiva distribuição mais igualitária destes recursos.
Nesta coluna, proponho um desenho híbrido de alguns critérios de distribuição das cotas de TV para o futebol brasileiro. É natural que os clubes de maior expressão ganhem mais! Mas, quanto mais estreita for esta diferença, mais atrativo será o campeonato pela busca e alcance de equilíbrio competitivo mais consistente entre todos os participantes.
Assim, tentei chegar em uma base de cálculo para aquilo que poderia ser a distribuição dos valores recebidos pelos direitos de transmissão para o Campeonato Brasileiro da Série A de 2016. A intenção era alcançar um valor em que a razão entre o clube que mais recebe sobre o que menos recebe fosse o mais próximo de dois possível (ou seja, o dobro) e que o desvio padrão rondasse a casa dos R$ 15 milhões.
O melhor modelo para atender a essa métrica foi:
– Divisão de 50% do montante total dos direitos de transmissão igual para todos os clubes participantes.
Referência: Campeonato Francês (49%) e Inglês (50%).
– Divisão de 20% do montante total dos direitos de transmissão sobre o critério “performance nas últimas quatro temporadas”, incluindo a performance ajustada dos clubes que participaram da Série B neste período, tendo pesos diferentes (40% sobre a temporada anterior, 30%, 20% e 10% sobre as temporadas subsequentes).
Referência: A Bundesliga adota este critério como único fator para a distribuição das verbas oriundas dos direitos de transmissão.
– Divisão de 15% do montante total dos direitos de transmissão sobre o critério de ranking de clubes da CBF, que é atualizado anualmente e leva em conta a performance dos clubes nos últimos cinco anos.
Referência: Campeonato Italiano (15%) e Campeonato Francês (5%).
– Divisão de 10% do montante total dos direitos de transmissão sobre o critério “torcedores e ingressos”, em que se levou em conta a quantidade de sócio torcedor de cada clube (de acordo com o Movimento por um Futebol Melhor) e os ingressos vendidos na temporada anterior.
Referência: Campeonato Italiano, que leva em conta pesquisas sobre torcidas pelo país.
– Divisão em 5% do montante total dos direitos de transmissão sobre o critério “cidade”, que leva em conta o tamanho de cada cidade em termos populacionais. O critério foi ajustado conforme o número de clubes em cada cidade.
Referência: Campeonato Italiano.
O critério de divisão do montante total dos direitos de transmissão ficaria como o expresso no gráfico abaixo:

Adotando-se este critério, teríamos a seguinte distribuição do montante total dos direitos de transmissão aos clubes que disputariam o Campeonato Brasileiro da Série A de 2016:
* Todos os valores da tabela estão expressos em R$.
** Levou-se em consideração os clubes que estariam na Série A do Campeonato Brasileiro de 2016 a partir da classificação das Séries A e B de 2015 registrada em 19 de outubro de 2015.
Por este critério, a razão entre o maior valor e o menor valor ficou em 2,2 pontos, o que é um ótimo indicador. O desvio padrão seria de R$ 15,1 milhões, muito abaixo a adoção de critérios de outros países, conforme cálculo da semana passada, em que se registrou o menor desvio padrão em R$ 19 milhões, de acordo com o critério adotado pelo Campeonato Francês.
Uma medida como esta para a distribuição dos recursos oriundos dos direitos de transmissão não só equilibra as finanças e eleva o potencial de disputa de uma competição, como também oferece indicadores que são dependentes da performance da gestão dos clubes, como, por exemplo, é o caso das relações com torcedores e com a venda de ingressos, o que deverá impactar também o resultado global de faturamento dos clubes com melhores práticas neste sentido.
Para finalizar, não podemos nos esquecer de algo importantíssimo: o debate sobre esse tema, talvez, já comece antigo (ou antiquado)! Especialmente em um momento em que a NFL fez transmissão de um jogo exclusivamente via Streaming pelo Yahoo Sports e obteve média de audiência superior às alcançadas em alguns dos seus principais horários na TV; e o Barcelona anuncia jogos a serem transmitidos pelo YouTube. Ou seja, vamos debater a nossa realidade presente mas já pensando naquilo que se é possível construir daqui a poucos anos…
 

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A entrevista de Alexandre Pato

O São Paulo tinha acabado de derrotar o Coritiba por 2 a 1 em duelo válido pelo Campeonato Brasileiro – no último domingo (25), jogando em Curitiba. O gol da vitória dos visitantes foi marcado pelo atacante Alexandre Pato em um lindo chute colocado, de pé esquerdo, de fora da área. Um repórter do “Sportv” interpelou o camisa 11 da equipe tricolor logo depois do apito final e perguntou sobre a importância do “talento individual”. E aí começou uma das conversas mais nonsense da temporada.
“Pato, num jogo difícil como esse, no fim o talento individual acabou prevalecendo?”, questionou o repórter.
“Cara, eu troquei a camisa com o goleiro [Wilson, do Coritiba] porque ele fez uma grande defesa na minha tentativa de gol. Eu olhei para trás e acho que perdi a concentração. Achei que ele já estava em cima de mim e tentei chutar rápido. Poderia ter deixado ele para trás e pensado só na hora de concluir, mas acho que ele fez uma grande defesa. Às vezes a gente tem de dar mérito para o goleiro, também. Foi por isso que eu troquei a camisa com ele”, respondeu Pato.
A absoluta falta de conexão entre pergunta e resposta remete a um trecho da autobiografia do tenista Andre Agassi (Agassi – autobiografia, da editora Saraiva, lançada em 2010). No trecho em que fala sobre entrevistas, o norte-americano admite que não se lembrava da maioria das conversas que havia tido logo depois de partidas. Talvez por excesso de concentração, por adrenalina ou simplesmente por cansaço, o fato é que esse está longe de ser um bom ambiente para manter uma conversa lúcida.
Alguns personagens motivaram estratégias nesse sentido. Jogadores como os ex-goleiros Fabio Costa eram sempre os primeiros interpelados depois de uma derrota ou de uma falha. Todos os jornalistas sempre souberam que a chance de eles falarem algo controverso ou inapropriado.
Todos esses casos são exemplos da série de fatores que interfere em qualquer declaração. Há componentes como a pressão, o cansaço, a insatisfação com o próprio desempenho ou com o outro, a euforia por um bom resultado, a tristeza por um mau resultado ou mesmo as convicções momentâneas. Amadurecimento é um processo constante, e isso também precisa ser considerado.
Ninguém deve ser reduzido a uma declaração ou a determinado posicionamento. Rótulos são fáceis demais de pespegar, sobretudo em personalidades mais conhecidas, e nós muitas vezes não temos discernimento para entender isso.
Os artífices da Democracia Corintiana, por exemplo, não desenvolveram essa consciência política desde sempre. O mesmo vale para o outro lado: aposto que todas as personalidades do esporte têm posicionamentos ou entrevistas que gostariam de apagar – alguns mais, outros menos.
O esporte é, afinal, uma reprodução de todos os problemas que temos como sociedade, e os tropeços decorrentes da urgência são parte disso. De toda forma, há dois aspectos relevantes nessa discussão:
– Que nós consigamos evoluir sempre, ainda que isso signifique trair ou retrair posicionamentos e convicções. Mudar de ideia também é fundamental para o amadurecimento;
– Que nós saibamos trabalhar essa evolução e cobrar das personalidades do esporte um nível de consciência cada vez mais acurado. Essas pessoas são, pois, espelhos para uma enorme parcela da sociedade.
Todo esse processo é relevante no esporte por uma questão de disseminação pelo exemplo, mas apenas repete necessidades de toda a sociedade. Qualquer evolução no debate passa por um combate aos rótulos e às soluções perenes. Com tantas variáveis, nenhuma solução na comunicação pode ser perene.
Essa lógica vale para o esporte, mas vale também para a sociedade. É fundamental ter isso em conta após a polêmica do tema da redação do Enem. O exame nacional do ensino médio, realizado em âmbito nacional no último fim de semana, ofereceu como tema a violência contra a mulher. Foi a senha para muitos classificarem a prova como “instrumento de doutrinação esquerdista”.
O simples fato de um tema como esse aparecer em uma prova tão relevante já é prova de evolução do debate. Temos falado mais, e falar mais sobre assuntos tão delicados é fundamental para formar uma geração mais crítica.
Sim, é preciso combater reações de misoginia e desconstruir o machismo que interfere em diferentes âmbitos da sociedade atual. Sim, é fundamental que isso não seja aceito ou legitimado. Entretanto, também é importante que comportamentos e entendimentos distorcidos não sejam vistos como provas irrefutáveis de que algumas pessoas não podem evoluir.
No esporte, o que fazemos muitas vezes é privilegiar apenas a virtude. Da seleção feita pelas peneiras ao comportamento da comunicação de qualquer instituição, tudo é dirigido às manifestações natural (o atleta mais talentoso, o torcedor mais apaixonado e o clube com maior popularidade, por exemplo).
E o que é feito para desenvolver o restante da cadeia? Quem se preocupa com a formação de mais torcedores apaixonados, com a possibilidade de burilar atletas menos talentosos ou com a ascensão de clubes menos populares?
Comunicação também é um processo de formação social. O esporte tem um papel incrível para isso e pode fomentar evoluções que poucas searas conseguem. Para isso, porém, é fundamental despir as ações de conceitos pré-estabelecidos. Segregar não é bom para ninguém – principalmente se for uma segregação em detrimento da possibilidade de aprendizado.

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Profut: primeira adesão, primeira controvérsia

Em agosto, a presidente Dilma Rousseff promulgou a Lei 13.155, conhecida como “Lei do Profut”, que trata da Responsabilidade Fiscal do Esporte – estabelece princípios e práticas de responsabilidade fiscal e financeira e de gestão transparente e democrática para entidades desportivas profissionais de futebol.
Para aderir ao Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro, o Profut, a entidade desportiva deve atender aos seguintes requisitos:
– Estar em dia com as obrigações trabalhistas e tributárias federais correntes, vencidas a partir da data de publicação da lei;
– Prever em seu estatuto a fixação do período do mandato de presidente ou dirigente máximo e demais cargos eletivos em até quatro anos, permitida uma única recondução;
– Possuir conselho fiscal autônomo;
– Como regra, não antecipar ou comprometer as receitas referentes a períodos posteriores ao término da gestão ou do mandato;
– Redução do deficit para até 10% de sua receita bruta apurada no ano, a partir de 2017; e para até 5% de sua receita bruta apurada no ano anterior, a partir de 2019;
– Publicar as demonstrações contábeis de forma padronizada, separadamente, por atividade econômica e por modalidade esportiva, de modo distinto das atividades recreativas e sociais, após terem sido submetidas a auditoria independente;
– Cumprir contratos e pagar regularmente os encargos relativos a todos os profissionais contratados, referentes a verbas atinentes a salários, FGTS, contribuições previdenciárias, obrigações contratuais e outras havidas com os atletas e demais funcionários, inclusive direito de imagem, ainda que não guardem relação direta com o salário;
– Prever no estatuto ou contrato social o afastamento imediato e inelegibilidade, pelo período de, no mínimo, cinco anos, de dirigente ou administrador que praticar ato de gestão irregular ou temerária;
– Os custos com folha de pagamento e direitos de imagem de atletas profissionais de futebol não podem superar 80% da receita bruta anual das atividades do futebol profissional;
– Manter investimento mínimo na formação de atletas e no futebol feminino, bem como oferecer ingressos a preços populares.
O Clube Atlético Mineiro foi a primeira entidade brasileira a aderir ao programa. O clube parcelou uma dívida de cerca de R$ 170 milhões.
De acordo com o artigo 9º da Lei, os valores oriundos da transferência do Bernard que estão bloqueados (cerca de R$ 50 milhões) não podem ser liberados. Em razão disso, o Atlético requereu judicialmente que o valor bloqueado seja utilizado para abatimento da dívida antecipando-se cerca de oito anos de parcelas mensais (cerca de R$ 400 mil cada uma).
O pedido do clube alvinegro foi negado, o que não interfere na adesão ao programa, pois basta o cumprimento dos requisitos e o pagamento pontual das parcelas.
Apesar da Lei do Profut não prever expressamente a possibilidade da compensação por meio de valores bloqueados judicialmente, trata-se de princípio geral do direito à possibilidade de se compensarem débitos e créditos.
Outrossim, a manutenção do bloqueio é ruim tanto para o clube devedor quanto para a União (credora), já que o clube terá seus cofres onerados mensalmente com cerca de R$ 400 mil e a União não poderá receber os R$ 50 milhões enquanto o Atlético manter os pagamentos em dia.
Em eventual compensação, a União teria liberado em seu favor, imediatamente, R$ 50 milhões e o Atlético teria suas parcelas adiantadas por um longo período, viabilizando, assim, melhor planejamento e eficiência na redução do deficit.
Situações como essas, além de estarem em desacordo com o espírito da lei que é de oportunizar a reorganização financeira das entidades esportivas, acaba por desestimular outros clubes a aderi-lo.
Se por um lado a Lei do Profut apresenta inconsistências, é importante que o Poder Judiciário por meio de outras fontes do direito adeque sua aplicação e permita o atendimento do melhor interesse da União, das entidades esportivas e do interesse público.

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Avaliação em atletas de futebol: sua relação com a periodização do jogo

Diante da imensa variabilidade de métodos de avaliação da performance destacados na literatura, há dificuldades em aplicar, selecionar e organizar os conteúdos de jogo relacionados à prática competitiva de uma determinada modalidade desportiva, que, por sua vez, necessita de métodos de avaliação dentro dos períodos inseridos em um macrociclo anual, em especial no futebol profissional. Também parece difícil encontrar equipes que planejam e escolham um método de avaliação entre tantos métodos parciais de avaliação no jogo.
Nessa perspectiva, Costa et al (2010) destaca que pesquisas na área do treino esportivo vêm mostrando que o conteúdo da planificação baseado no ensino/ treinos táticos é essencial para o desempenho de jogadores e equipes de futebol; porém, apesar dessa importância, a avaliação ainda tem se centrado em aspectos técnicos, fisiológicos e biomecânicos.
Para ler o artigo na íntegra, basta clicar aqui

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Performance consistente do atleta

Pensando em situações nas quais atletas precisam seguir em busca de atingir os objetivos e metas traçadas na carreira, lembrei de quantos eventualmente não conseguem evoluir em seus desejos e me perguntei sobre as formas de contribuir para que isso não aconteça rotineiramente com os jogadores profissionais.
Na verdade, todo ser humano passa por momentos em que tudo parece planejado, na direção certa e com tudo caminhando para o melhor caminho possível para a realização dos seus mais sinceros objetivos de vida e carreira. Porém, apesar de tudo estar na direção certa, os resultados desejados não chegam conforme se planeja e como se espera. Como contribuir numa situação dessas? Complicado não é mesmo, pois podem se apresentar inúmeras variáveis no contexto e ocorrer uma demora em se ter a visão clara do que pode e merece ser ajustado.
Vou compartilhar com vocês os passos de uma ferramenta que uso no processo de coaching e que contribui efetivamente para que se tenha a noção exata sobre quais pontos estão contribuindo para a alavancagem do sucesso do atleta e quais podem eventualmente estar atrapalhando esta evolução.
São passos simples e tem origem na teoria dos campos de Kurt Lewin, psicólogo alemão-americano, já comentada em colunas anteriores aqui na Universidade do Futebol.
Os passos são os seguintes:
Passo I: Defina sua situação atual (o problema)
Passo II: Defina o seu objetivo (resultado desejado)
Passo III: Identifique todas as possíveis forças impulsionadoras
Passo IV: Identifique todas as possíveis forças contrárias
Passo V: Analise as forças se concentrando em:
a. Redução das forças contrárias de resistência
b. Fortalecimento ou adição de forças impulsionadoras e favoráveis ao processo.
Passo VI: Desenvolva um plano de ação para atender os itens acima
Essa prática tem contribuído para que muitas pessoas, atletas ou não, possam identificar claramente as forças que estão impulsionando seu objetivo desejado e aquelas que estão contrárias, uma vez conhecendo isto é possível a criação de um plano de ação valioso para que qualquer pessoa possa avançar forte e continuamente na direção dos seus objetivos, com o mínimo de interferências e com foco apurado sobre o que deve ser realmente feito para que se conquiste as metas planejadas.
E você amigo leitor, existe algo lhe atrapalhando na busca por seus objetivos?
Até a próxima.

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Novamente, as cotas de TV – Parte 01

Nos últimos dias, voltou à tona o debate em torno da divisão das cotas de televisão para o triênio 2016-2018. E, mais uma vez, as negociações seguem de forma individual, clube a clube, com o meio de comunicação que comumente adquire esses direitos. Este formato, aplicado no futebol brasileiro desde 2011, vai na contramão de um processo global de negociação de forma coletiva.
O noticiário geral dá conta de um aumento do abismo dos valores recebidos por Corinthians e Flamengo ante os que menos recebem pelos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro. Se antes, a relação do que mais recebe para o que menos recebe era de 4,07 para 1, agora, será de 4,85. Um aumento de 19,2% desta diferença. Mais adiante veremos que esta diferença é ainda maior quando comparada com o formato de negociação de outras ligas do futebol pelo mundo.
Pensando nisso, fiz uma simulação para aquilo que seria a divisão de cotas do Campeonato Brasileiro da Série A para 2016, projetando a participação dos quatro que sobem da Série B (que estavam no G4 da Série B em 19-outubro-2015) e os quatro que caem da Série A (que estavam no Z4 da Série A em 19-outubro-2015), a partir dos critérios de distribuição das receitas com direitos de transmissão dos Campeonatos Italiano (Serie A), Francês (Ligue 1) e Inglês (Premier League).
Cada liga tem um modelo próprio. O que é comum é a divisão em partes iguais de uma parte do bolo (40% no caso do Campeonato Italiano, 49% no caso do Campeonato Francês e 50% no caso do Campeonato Inglês) e, as demais partes, seguem critérios técnicos ou de mercado, o que oferece as merecidas vantagens para as grandes marcas do futebol, mas sem deixar uma diferença tão grande entre elas.
A tabela a seguir apresenta a comparação com a aplicação dos critérios de cada campeonato europeu citado e a respectiva possível distribuição dos direitos de transmissão para o Campeonato Brasileiro. Considerou-se um total de R$ 1,36 bi para o Campeonato Brasileiro de 2016 como um todo.

* O Campeonato Alemão (Bundesliga) não foi considerada por não ter sido possível identificar claramente os critérios de distribuição dos direitos de transmissão, que está todo pautado em performance esportiva nas últimas quatro temporadas, envolvendo também a segunda divisão no critério. O Campeonato Espanhol também não foi considerado por ainda ter seus direitos de transmissão negociados individualmente, a exemplo do Campeonato Brasileiro, embora esteja trabalhando para mudar este formato

 
Vê-se, claramente, que em qualquer critério destes países, teríamos uma distribuição de valores muito mais equilibrada do que a se percebe atualmente no futebol brasileiro. Há uma sensível vantagem para o formato do Campeonato Francês aplicado ao Campeonato Brasileiro, especialmente pelo resultado do Desvio Padrão, que indica uma maior proximidade entre todos os envolvidos, embora o Campeonato Inglês apresente uma menor diferença comparativa entre o que mais recebe com o que menos recebe das verbas de televisão.
Na próxima semana, farei uma proposição híbrida de modelos para tentar chegar em um valor mais próximo possível de 2 para relação entre o maior e o menor valor, de modo a baixar sensivelmente também o Desvio Padrão, como ideia para as futuras negociações de Direitos de Transmissão do Campeonato Brasileiro de Futebol.

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O legado causado pela falta de escolas para treinadores de futebol

O futebol brasileiro, goleado pela Alemanha na Copa de 2014, a cada dia se vê mais distante da imagem de vencedor e modelo para as outras seleções.

Depois do vexame dos sete a um ficou clara a falta de alternativas para se manter no topo sem depender, exclusivamente, de talentos individuais. Na Copa América, disputada no Chile, sofremos nova goleada, agora por seis a um, e justo para a Argentina. Desta vez fomos superados pelo número de treinadores argentinos que estão em atividade nas seleções de países da América do Sul.

Fica evidente que não somos mais a meca do futebol como já fomos logo após a conquista do tricampeonato mundial disputado em 1970, no México. Com o tri atraímos candidatos a técnicos de futebol da América Latina que vinham estagiar com os treinadores brasileiros enquanto frequentavam o curso de especialização oferecido pela Escola de Educação Física e Esporte da USP. O técnico colombiano que dirigiu a seleção da Costa Rica em 2014 foi aluno do professor José de Souza Teixeira, coordenador do curso, na década de 70 na Universidade de São Paulo. Depois Jorge Pinto foi estudar na Alemanha em sua constante busca pela especialização. Naquela época, a falta de conhecimento científico e as raras obras publicadas sobre a modalidade não atraíam os treinadores brasileiros para os bancos da academia. Os clubes ignoravam a necessidade do diploma, como acontece até hoje, embora mudanças radicais tenham acontecido.

A CBF só começou a incentivar a especialização muito recentemente e ainda longe do ideal. Não temos escolas de treinadores tradicionais como na Europa, Argentina e no Chile porque, por aqui, nunca se valorizou o aperfeiçoamento. Nós, os pentacampeões, não precisamos aprender com ninguém, assim como os outros descobriram que também temos pouco para ensinar. Como motivar treinadores a frequentar escolas se já tivemos até presidente da república que não estudou?

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O que os jogos da NBA no Brasil dizem sobre o esporte no país

O Orlando Magic venceu o Flamengo por 90 a 73 no último sábado (17), na Barra da Tijuca, na terceira edição do NBA Global Games no Rio de Janeiro – as duas anteriores haviam reunido apenas equipes da liga profissional de basquete dos Estados Unidos. São apenas jogos de pré-temporada, mas o planejamento dos norte-americanos diz muito sobre o esporte no Brasil e a comunicação no segmento. Mas será que essas mensagens repercutem como deveriam?

O interesse da NBA pelo Brasil tem a ver com tamanho de mercado. A liga de basquete entendeu há anos que é impossível sobreviver se tiver foco apenas nos norte-americanos, e esse processo de abertura foi feito de diversas formas. Hoje há mais espaço para atletas estrangeiros, uma comunicação mais ostensiva em outros países e venda de produtos em âmbito internacional. Os “global games” são apenas parte disso.

No Brasil, por exemplo, a NBA participa da gestão do NBB, principal campeonato nacional de basquete. Além disso, criou um programa chamado NBA Brasil para levar o esporte a 8 mil crianças de Rio de Janeiro e São Paulo, com treinamentos, clínicas e criação de ligas locais. A lógica é desenvolver uma base de fãs de basquete e apostar que esse público naturalmente se interesse pelo principal evento da modalidade no planeta, que é a liga norte-americana.

A criação de uma base de fãs também passa pelo trabalho de comunicação. A NBA fez durante meses uma série de ações de promoção do jogo entre Orlando Magic e Flamengo. Isso ficou ainda mais claro nos dias que precederam a partida – atletas das duas equipes e até o troféu da liga fizeram tours pela cidade para interagir com o público e gerar conteúdo.

Os fãs, contudo, estão longe de ser o único foco da NBA. A comunicação da liga no Brasil também é voltada ao torcedor ocasional – aquele que vai ao ginásio e compra produtos, mas não é efetivamente um apaixonado por uma equipe. No fim, na conta de quem gere o evento, esse público também tem um papel relevante.

Tudo isso a NBA tem mostrado no Brasil desde a primeira edição do Global Games. São eventos bem promovidos, com comunicação clara e muito conteúdo gerado. Além disso, os jogos são associados a ações para promover o basquete em âmbito global e aumentar a base de fãs. Esse é um processo constante, que só tende a ser intensificado enquanto houver no país uma população numerosa, com poder aquisitivo e carente de eventos no esporte.

O planejamento internacional de comunicação, vale dizer, é desenvolvido pela NBA e feito com foco institucional. Localmente, as franquias têm estratégias próprias e fazem coisas com perfil menos abrangente em muitos casos. Novamente, é uma questão de planejar a venda e pensar em como desenvolver todo o mercado. É em casos assim que fica clara a relevância da liga como gestora no esporte.

O Brasil não é caso isolado para a NBA, mas existe um perfil único de abordagem para desenvolver o esporte no país. A liga tem um planejamento coletivo, com metas para a imagem de todo o campeonato, e isso é adaptado à perspectiva de cada região que eles pretendem abordar.

Pense agora na realidade do futebol brasileiro. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) comemorou neste ano a marca de 837 mil torcedores nos 34 jogos realizados às 11h de domingo (média de 24.611 por partida). O horário foi um sucesso de público e vai ser repetido na temporada 2016.

Um dos argumentos da CBF para a criação do horário foi facilitar a venda do Campeonato Brasileiro para o mercado internacional. No entanto, o que a entidade faz para promover isso? Que tipo de comunicação o futebol nacional tem em outras regiões?

O futebol brasileiro não tem qualquer planejamento de venda em outros países. Não existe, além disso, nenhuma estratégia de comunicação voltada a mercados específicos.

Mesmo em âmbito local, que tipo de comunicação é feita quando um time joga em outras cidades? O fenômeno da venda de mandos de campo tem sido comum nos últimos anos, mas qual clube tem uma estratégia adequada para aproveitar isso?

O futebol brasileiro deu apenas um “ensinamento” à NBA nesta temporada. No sábado, segundo o site da “ESPN”, um torcedor do Corinthians foi barrado quando tentava entrar na HSBC Arena. Vestido com o uniforme do clube, ele foi abordado por flamenguistas e ameaçado de agressões físicas.

“Vai ter que tirar essa camisa para entrar. É jogo do Flamengo, e não do Corinthians. Se eu for lá no Pacaembu, entro na porrada. O que vale lá vale aqui”, disse um torcedor da equipe carioca, segundo o site.

O fanatismo é um componente que também existe no esporte dos Estados Unidos, mas a dificuldade de convivência é um aspecto muito local. A NBA deu uma série de lições de comunicação e gestão de evento ao mercado esportivo do Brasil, mas o episódio lamentável deu uma importante contribuição para o planejamento: além de criar uma base de fãs, é fundamental que os gestores do esporte ajudem a desenvolver cultura de evento.

O sociólogo Ronaldo Helal costuma dizer que eventos esportivos são microcosmos da sociedade, e que por isso eles reúnem perfis que são comuns no país. O gestor do evento, entretanto, não pode usar isso como muleta. É preciso trabalhar para que as pessoas que vão aos jogos sejam “catequizadas” em diferentes situações. Do consumo à violência, tudo é consequência disso.

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Faltas laterais defensivas

A imprevisibilidade é elemento inerente ao jogo de futebol. Na tentativa de tornar o jogo mais previsível, a comissão técnica deve ser capaz de construir inúmeras referências coletivas para que, no caos gerado pelo confronto de sistemas, a equipe responda positivamente e consiga cumprir com o objetivo do jogo. 

As faltas laterais defensivas são momentos de grande imprevisibilidade potencial devido à facilidade da bola ser alçada em diferentes regiões que permitem finalização, a grande concentração de jogadores próximos à própria meta e a variedade de movimentações que o adversário pode assumir na tentativa de causar desequilíbrios defensivos.

Para dar maior previsibilidade às ações coletivas defensivas nesse tipo de jogada, muitas equipes têm assumido a marcação zonal como forma de se defender. Na coluna desta semana serão apontados alguns elementos que devem ser considerados pela comissão técnica quando assumem esse tipo de marcação. São eles:

1 – Localização e distância da bola em relação à meta.
Influencia a composição da barreira e a altura da linha de marcação.

2 – Quantidade de jogadores posicionados para a cobrança.
Influencia a quantidade de jogadores na barreira, o seu posicionamento em função das variações de batida com pé aberto, fechado ou cobrança curta, além do posicionamento do goleiro.

3 – Posicionamento inicial do adversário
Influencia a distribuição da equipe e da sua linha de marcação, que pode ser mais esticada, encurtada ou sofrer mudança de distribuição dos jogadores na linha.

4 – Posicionamento geral da equipe
Cumprir posicionamento estabelecido de barreira, linha de marcação e rebote, além de neutralizar cobranças rápidas do adversário.

(Elementos 1,2, 3 e 4)

5 – Sincronia de movimentação dos jogadores da linha de marcação
Ter referência adversária e da própria equipe estabelecida para a realização de proteção do espaço. Movimento de corrida do batedor? Pé de apoio? Batida na bola? Primeiro homem da linha?

6 – Proteção das costas do companheiro a sua frente
A marcação zonal altera a responsabilidade individual no posicionamento defensivo. Enquanto na marcação individual o adversário é uma referência de grande atração, na marcação zonal, a proteção do espaço nas costas do companheiro à sua frente (e com quem pode ocupá-lo) é mais relevante.

(Elementos 5 e 6)

7 – Ajustes circunstanciais/estratégicos em função de jogadas do adversário
Caso sejam conhecidas as movimentações e jogadas ensaiadas do adversário, podem ser feitos ajustes no posicionamento inicial estabelecido, como, por exemplo, bloqueio de movimentação ofensiva adversária, aumento de jogadores na linha de marcação, alteração na altura da linha de marcação, ou então alteração na barreira ou rebote.

8 – Ataque à bola
Após a cobrança do adversário, ir ao encontro da bola para interceptá-la, direcionando-a para setores de menor risco e evitando a ação ofensiva oponente.

Veja, na sequência de lances abaixo, como Bayern de Munique e Corinthians têm se defendido em faltas laterais defensivas e compare-os com a sua equipe:

https://vimeo.com/142743190

Poderia ser discutida ainda a reorganização defensiva após a bola em disputa que se mantenha com o adversário. Esvaziar a área? Encaixar na área em situação de novo cruzamento? Proteger o gol? Dependem das circunstâncias e da característica da interceptação.

A imprevisibilidade é elemento inerente ao jogo de futebol!

Abraços e até a próxima.