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Dois não é, simplesmente, igual a um mais um

O futebol nos brindou com duplas que se consagraram nos gramados, cujo entrosamento era visível em diversos aspectos.

Podíamos dizer que era uma relação amorosa baseada no talento dos jogadores.

Washington e Assis, o famoso Casal 20 do Fluminense campeão brasileiro de 1984.

Bebeto e Romário na Copa de 1994.

Gullit e Van Basten na Holanda da Eurocopa e no Milan de Arrigo Sacchi.

Maradona e Careca no Napoli que dominou o Calcio no fim dos anos 1980.

Pelé e Pepe no mítico Santos.

Edmundo e Evair no Palmeiras e também no Vasco na década de 1990.

Ronaldinho Gaúcho e Eto’o no Barcelona.

Paulo Nunes e Jardel, no Grêmio de Felipão.

Rivaldo e Ronaldo na Copa do Mundo em 2002.

Também tivemos, na zaga, monstros sagrados atuando juntos, como Oscar e Dario Pereira no São Paulo, além de Maldini e Baresi no Milan.

O grau de conhecimento recíproco que um tinha do outro, nas suas forças e fraquezas, permitia cimentar a relação no campo, fazendo com que não mais se pudesse considerar apenas um ou o outro.

A referência era sempre conjunta.

A bola necessitava vê-los lado a lado.

Tal qual um casal de namorados, amantes, existia algo quase místico para que uma espécie de reação química promovesse a interação.

Os amigos os tinham como dupla perfeita. Bastava um olhar, ou até mesmo sem olhar entre ambos para as coisas funcionarem – algo premonitório, como dizia Chico Buarque, ao afirmar que “o drible de corpo é quando o corpo tem presença de espírito”.

Mal sabiam os vizinhos que isso também era construído, nos treinamentos, com muito empenho e dedicação. Às vezes com brigas, discussões, hiatos.

Mas sempre superados, já que os objetivos eram comuns e o respeito prevalecia.

Numa dupla ou casal, a comunicação não-falada existe e funciona.

Mas a verbalização deve sempre existir, para que o silencio não opere e possa ser interpretado, equivocadamente.

Isso se exercita todos os dias da semana e constantemente. Não se deve achar que é algo automático, divino ou que se ganha de presente.

Não é dado, é construído.

Um relacionamento a dois provoca um cenário complexo, em que A+B não é simplesmente “(A+B)”, mas sim um terceiro elemento “C”, que possui características próprias.

E não se trata de perder ou anular a identidade individual. Ao contrário.

Como canta o espanhol Joaquin Sabina, “Pero dos no es igual que uno más uno”.

Quando a relação de uma dupla é vista, nitidamente, por todos, como um elemento “C”, um ente uno, realmente atingiu o estado da arte.

A e B sempre poderão se lembrar do tempo em que passaram juntos com bastante alegria.

Ainda que se separem e formem um outro elemento C.

Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br
 

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Comparação de um teste de agilidade com e sem bola entre duas categorias de uma escola de futebol na cidade de Campinas-SP

O futebol é um dos esportes mais praticados no Brasil e no mundo, tendo fiéis espectadores, e desde cedo já encanta crianças e jovens na busca de um sonho, que é se tornar jogador profissional. Dentro das diversas variáveis de capacidades físicas que o futebol exige, a agilidade pode ser em alguns momentos um fator determinante para uma partida, estando diretamente relacionada à perfeição de passe (SILVA, et. al. 2006). Pensando nesta afirmação, podemos afirmar que o atleta que é mais ágil, consequentemente, terá um número menor de passes errados.

Segundo Schmid e Alejo, 2002, a agilidade no futebol é caracterizada quando um atleta consegue mudar o sentido de direção da forma mais eficiente possível, diante de situações imprevisíveis do jogo, tomando decisões rápidas e eficazes.

Portanto, o presente estudo teve como objetivo comparar a diferença da agilidade entre duas categorias, sendo sub-13 e sub-15 sem bola e sub-13 e sub-15 com bola.

Para obtenção dos resultados foi utilizado o Illinois Agility Test (Roozen, 2004 apud MARIA et al, 2009), que avalia agilidade sem e com bola em jogadores de futebol.

Participaram do estudo 43 sujeitos de uma escola de futebol, sendo que foram divididos em dois grupos: sub-13 (12,8 ± 0,51 anos) e sub-15 (14,6 ± 0,49 anos), conforme determinação da Federação Paulista de Futebol (FPF). Os resultados apresentados pela categoria sub-13 na realização sem e com bola foram 17,48±1,56 e 23,22±2,35 segundos, respectivamente. Para a categoria sub-15, a média dos resultados foi 16,64±1,02 segundos sem bola e 21,89 ±2,14 segundos com bola.

Os dados dos diferentes grupos foram comparados entre si por meio de análise estatística, utilizando o teste “t”, correlação de Pearson (p<0,05).

Discussão

Nos estudos de Mohammadtaghi, et. al., 2010 foi concluído que jogadores que possuem mais experiência dentro do esporte, ou seja, mais tempo de prática, possuem um melhor desempenho esportivo na realização de testes de agilidade.

Em outro estudo de Fogo, et. al., 2010, que visou avaliar a aptidão física de crianças do interior da cidade de São Paulo, analisou 41 crianças e dentro dessas, 19 tinham idade para participar da categoria sub-13. Dentre os diversos testes realizados, os utilizados para mensurar a agilidade foi o illinois agility test que possuía a condução de bola, onde neste foram encontradas diferenças significativas entre as idades analisadas que foram de 9 e 12 anos, 10 e 12 anos e 11 e 12 anos.

O presente estudo concluiu que, quando comparadas às duas categorias sem bola entre sub-13 e sub-15 e com bola entre sub-13 e sub-15, não foram encontradas diferenças significativas para a realização do Illinois Agility Test (p<0,05).

Referências

FOGO, M. A; CHIMINAZZO, J. G. C; SANTOS, C. F. Avaliação da aptidão física em crianças de 09 a 12 anos praticantes de futebol. Anais – 14° Congresso Paulista de Educação Física – 3 a 5 de junho de 2010 – Fontoura – Jundiaí – SP.

MARIA, Thiago S.; ALMEIDA, Alexandre G.; ARRUDA, Miguel. Futsal Treinamento de Alto Rendimento. São Paulo – SP: Phorte, 2009.

MOHAMMADTAGHI, A. K; MANSOUR, S. S; KOUROSH, G. T; ASHRIL B. Y.Acute Effect of Different Stretching Methods on Illinois Agility Test in Soccer Players. The Journal of Strength and Conditioning Research, v. 24, n. 10, 2010.

SILVA, L.J.; ANDRADE, D.R.; OLIVEIRA, L.C.; ARAÚJO, T.L.; SILVA, A.P.; MATSUDO, V.K.R. Associação entre “shuttle run” e “shuttle run” com bola e sua relação com o desempenho do passe no futebol. Revista Brasileira de ciência e Movimento. 2006; 14(3): 7-12.

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Treinador europeu x treinador brasileiro: entendendo as diferenças

Ser treinador de futebol no Brasil e na Europa. Um sonho que, apesar de muito comum entre os profissionais nativos (eu me incluo neste grupo), é muito difícil de se realizar. Mas por que um país que possui tanta facilidade para expandir atletas para o exterior tem tanta dificuldade para fazer o mesmo com seus treinadores para a Europa e recebê-los aqui?

Ao contrário de muitos, não acho que a resposta desta pergunta esteja na falta de qualidade dos brasileiros ou somente na língua. Acredito que a língua pode até ser um fator, mas as grandes dificuldades deste intercâmbio estão na mentalidade e nas formas de trabalho dos dois ambientes.

No Brasil, o treinador é uma figura muito instável dentro do cenário do futebol. Em um esporte ainda “pouco evoluído”(embora esteja melhorando) em questões administrativas, o técnico é contratado “apenas “para cuidar do time e, logo em suas primeiras derrotas, é dispensado, ficando desempregado, o que geralmente cria uma alta pressão por resultados e impede o profissional de deixar um legado ao seu clube.

Em contrapartida, quando ocorre o resultado positivo aqui, o treinador é bem mais valorizado do que no Velho Continente.

Na Europa, nos trabalhos de alto nível, o treinador é encarado como uma figura mais importante e em geral é escolhido de acordo com o projeto do clube, o que gera maior estabilidade para trabalhar, e mais condições para realizar um trabalho e deixar sua marca no clube.

No exterior, existe uma maior preocupação com categorias de base, e na maioria dos casos o treinador do profissional é diferentemente do Brasil: ele é o grande responsável por fazer a integração de atletas com o departamento profissional.

Esta integração ocorre com uma filosofia de trabalho a ser seguida por ambos, que é definida pelo treinador do time principal.

Não estou querendo dizer que é melhor trabalhar em um ou outro, mas apenas mostrar as diferenças entre ambos – o que, para mim, é o que dificulta este intercâmbio.
 

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Ano Novo, vida nova

Saudações a todos!

Mesmo que seja um símbolo, pois na prática a vida é uma sequência ininterrupta de acontecimentos, o calendário gregoriano, a cada 12 meses, nos dá a oportunidade de recomeçar. Nessa época, as pessoas renovam suas energias, ficam mais motivadas, querem fazer diferente, pensam em novos planos, objetivos e metas.

Acredito que o Ano Novo possa ser um marco, no qual podemos fazer um balanço sobre o que fizemos ao longo do ano anterior e assim avaliar os pontos positivos, os pontos negativos, o que deve ser mantido, o que pode ser mudado, o que deve ser abandonado, quais serão as novas rotas e assim por diante.

Geralmente, os clubes esportivos, alguns de forma mais estruturada e planejada, pensam no longo prazo e, outros, menos estruturados, pensam no curto prazo. Costumam realizar esse balanço antes de iniciarem suas pré-temporadas para avaliar o que deu certo e será mantido e o que não deu certo e será melhorado, mudado ou excluído. Na sequência determina-se a escolha do treinador, comissão técnica, os jogadores, as metas a conquistar (campeonatos) e só depois partem para o jogo.

Se compararmos o tipo de planejamento dos clubes de futebol com as empresas, podemos perceber que dentro das organizações esse processo é mais acanhado e amador. Vejo, então, uma oportunidade de como as empresas podem aprender com as pré-temporadas dos clubes mais estruturados, pois são poucas que de fato realizam um balanço dos acontecimentos e que baseadas nesse balanço planejam mudanças estruturais. É comum que a grande parte das empresas faça, no máximo, um planejamento orçamentário ou de headcount para o ano fiscal seguinte.

Se nas empresas a situação já é complicada por não existir uma “pré-temporada”, imagine quando olhamos para as nossas vidas, vemos que o problema é ainda maior, pois todos nós temos desejos de mudar, de aproveitar o Ano Novo para fazer algo realmente “novo”, mas infelizmente na prática poucas pessoas pensam nos meios que terá para chegar lá, nas “acabativas”, e aí a vontade de mudar vai minguando, os desejos vão sendo esquecidos e depois do Carnaval tudo está como sempre foi e nada de novo será feito ou pensado até o próximo Ano Novo, quando uma nova motivação surgirá.

Faço sempre uma parábola para exemplificar esta situação: imagine se, em uma corrida de F1, primeiramente o Vettel recebe o troféu de vencedor, estoura o champanhe comemorando no pódio e só depois ele vai para a pista para tentar ganhar a corrida. É óbvio que essa cena não existe, pois primeiro o Vettel corre, ganha a corrida e só então acontece o ritual de comemoração. É neste momento que percebemos que seu objetivo foi atingido. Já que para ele chegar lá, precisou de muitos treinos, lutar por uma boa classificação, se preparou fortemente, e só depois, de passar por tudo isso, é que vem a vitória.

Quando eu conto esta história, as pessoas concordam que é um absurdo e aí enxergam o quanto é complicado querer algo, ter um objetivo, desejar um cargo ou uma posição melhor, sem antes pensar nos meios para alcançar esse objetivo, sem trabalhar e se capacitar para isso.

Para os que querem de fato mudar e cumprir suas promessas de Ano Novo – como conseguir um emprego melhor, ser valorizado, ter sucesso e etc., eu tenho algumas dicas, já conhecidas pelas pessoas com as quais eu convivo e me relaciono ou meus leitores. Creio que minha experiência mostra que elas são essenciais para atingir os objetivos, para antecipar resultados, para buscar novas oportunidades e para alcançar o sucesso almejado.

Lembro ainda que uma mudança pode ser feita a qualquer hora, não precisa do Ano Novo, mas como ainda estamos vivendo esta fase em que o sentimento de renovação está mais latente, que tal aproveitá-las?

Veja abaixo as dicas:

0.Trabalhe todos os dias com se fosse seu primeiro dia na empresa. Lembrem-se: “Sucesso só vem antes do trabalho no dicionário”.

1.Conheça seu perfil comportamental. Conhecendo seu perfil, você poderá mapear com mais clareza quais as áreas e posições que deseja e que pode atuar com desenvoltura. Não se esqueça de apontar as atividades nas quais você terá melhor desempenho.

2.Tenha suas metas bem definidas, documente seu plano e faça revisões periódicas.

3.Faça uso da tecnologia. Em qualquer área ou profissão, tecnologia é fundamental, e não é porque você utiliza o e-mail que estará atualizado com as ferramentas tecnológicas. Esteja sempre antenado com o que a tecnologia oferece para aperfeiçoar suas funções. Com certeza você encontrará várias opções!

4.Não se acomode com a situação atual. Como eu disse no item 0, “Trabalhe sempre como se fosse seu primeiro dia na empresa”. Contribua, seja participativo. Quando detectar um problema, aponte sempre uma solução.

5.Aproveite o bom momento do mercado e estude.

Se não tem graduação, faça já; Se já tem, faça uma pós.

Estude um segundo idioma. Minha sugestão é que cuide do idioma, antes de fazer uma pós.

Se tiver um segundo idioma, estude um terceiro.

Se puder ter uma experiência no exterior, não perca a chance, essas vivências fora do país são muito valorizadas pelas empresas.

Participe de cursos, seminários, eventos, palestras em sua área de atuação. Dinheiro não pode ser desculpa, existem vários cursos bons e baratos, alguns até mesmo gratuitos.

6 – Mantenha sua rede de relacionamento (seu networking) ativo, e mais:

a)Deixe uma imagem boa por onde passar: mantenha um bom relacionamento em todas as empresas por onde passar: com seus superiores, com seus pares, com seus subordinados, clientes e fornecedores. Agindo dessa forma você será sempre uma referência positiva e consequentemente manterá o seu networking ativo. Mantenha o grupo informado sobre suas atividades profissionais, mudança de emprego, promoções, um novo empreendimento, um grupo que participe ou lidere, etc.

Participe de eventos (cursos, seminários, palestras, reuniões, etc.).

b)Acesse as Redes Sociais – Dicas de Uso: uma das características fundamentais na definição das redes é a sua abertura e porosidade, possibilitando relacionamentos horizontais e não hierárquicos entre os participantes, portanto:

Tenha um perfil nas principais redes sociais – Facebook e Linkedin são mais profissionais. As empresas e grande parte de seus executivos consultam essas redes, portanto, ao fazer um perfil, evite brincadeiras inadequadas, podem ser mal interpretadas por quem ainda não te conhece.

Com o seu perfil inserido nas redes, entre em grupos relacionados à sua área de atuação, dê opiniões, proponha soluções, conte suas experiências e evite falar de problemas, evite fazer críticas.

Redes sociais são ótimos pontos de networking, mas para ter um relacionamento efetivo exigem o famoso “ganha-ganha”, você extrai resultados, mas deve contribuir com o grupo.

Colabore com os membros do seu networking, esteja sempre presente. Estar presente é fundamental para manter o networking ativo e fortalecido, os dias são corridos para todos, mas um e-mail ou um telefonema não exigem tempo ou deslocamento e mostram que você cultiva os relacionamentos frequentemente (datas especiais como aniversário ou felicitações por uma promoção nunca podem ser esquecidos).

Não procure o grupo apenas nos momentos que precisa de ajuda, criar uma imagem de que “só procura o grupo quando precisa” é difícil de mudar e tem consequências desastrosas para o networking. Fique atento também aos colegas que precisam de apoio, apoiar nessas horas garante networking duradouro.

É isto, pessoal. Agora, intervalo, vamos aos vestiários e nos vemos no próximo mês.

Abraços a todos!
 
Para interagir com o autor: ctegon@universidadedofutebol.com.br  

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Uma visão tática da Copa São Paulo de Futebol Júnior 2012

Todo início de ano temos a tradicional Copa São Paulo de Futebol Júnior. Em tal competição podemos observar equipes de todos os cantos do país se enfrentando em busca do título e, mais do que isso, em busca da visibilidade nacional que o torneio proporciona.

Para obter essa tão sonhada visibilidade é preciso mostrar algo diferente e que chame a atenção dos holofotes.

Como acompanhei muitos jogos com o olhar voltado para as “questões táticas”, tentei identificar algo diferente em relação aos comportamentos táticos e aos modelos de jogo apresentados pelas equipes.

Confesso que em diversas equipes não observei nada de novo. As mesmas apresentaram modelos baseados em poucas referências e sem muita elaboração nos diferentes momentos do jogo; contudo, observei exceções que tinham modelos bem elaborados com conceitos sólidos.

Vi que o esquema tático predominante é o 1-4-4-2 com dois volantes e dois meias, que muitas vezes foi alterado para um esquema com três volantes quando se estava ganhando ou para três meias quando se estava perdendo. Pude observar inúmeros outros esquemas que variaram do 1-2-4-4, caso extremo onde a equipe precisava fazer o gol, ao 1-6-4-0, onde a equipe precisava segurar o jogo.

O esquema tático foi uma referência que as equipe modificaram bastante em função do resultado. O mesmo era confundido muitas vezes com o modelo de jogo em si.

Em relação à ocupação do espaço para além do esquema tático, vi que muitas equipes se posicionam em função do adversário, tanto no momento ofensivo como no defensivo. Quando isso acontecia por parte das duas equipes na partida, o jogo ficava “amarrado” e o que se via eram várias disputas de 1×1 no campo todo.

Outras equipes por sua vez ocupavam o espaço de forma mais zonal e chamavam a atenção de alguns desavisados que gritavam da arquibancada: “tá sozinho, pega”, dentre outras coisas.

A amplitude foi pouco observada – as equipes ocupavam mal o espaço do lado oposto ao da bola, e assim o jogo ficava muito “condensado” nas regiões próximas à bola.

A compactação na maior parte das equipes era bem feita defensivamente, mas ofensivamente era ruim.

As transições geralmente eram lentas, principalmente as defensivas. Equipes que se destacaram pela velocidade e pela regra de ação circunstancial adequada nesse momento do jogo conseguiram bons resultados.

Os balanços defensivos e ofensivos não fugiram do tradicional, em que no defensivo cada um marcava um adversário e um jogador ficava na sobra. No ataque ficavam os dois atacantes, geralmente um aberto e outro centralizado.

A marcação foi em sua maioria individual por setor, com equipes marcando por zona, e outras individual aos pares.

Nas bolas paradas foi o ponto no qual observei as maiores variações. Movimentações distintas, marcações distintas e muitos gols nesse tipo de jogada.

Vi equipes jogando no chutão, outras com um bom jogo de progressão apoiada, outras com jogo de manutenção.

Algumas equipes pressionavam a bola o tempo todo, umas bem estruturadas, outras não, em que os jogadores “corriam” à toa e ficavam bravos com seus companheiros.

Muitos modelos distintos e algumas evoluções vistas com bons olhos.

Que venham as próximas competições e que os destaques continuem aparecendo para além das questões individuais.

Até a próxima!

Para interagir com o colunista: bruno@universidadedofutebol.com.br

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Para ampliar a discussão e acelerar a evolução do futebol brasileiro

Na semana passada, a Universidade do Futebol publicou na íntegra o post feito pelo zagueiro do Corinthians Paulo André, em seu blog oficial, a respeito das categorias de base, mais especificamente em relação ao clube que atua.

Uma semana depois, um importante canal de televisão brasileiro, em seu portal de notícias, promoveu uma matéria com um atleta corintiano recém-contratado, em que o tema principal era a qualidade da “resenha” do jogador e as mais de 500 mulheres com as quais ele já saiu.

Como devemos respeitar as diferentes interpretações/visões da realidade, feitas por cada indivíduo/sociedade, e compreender que questões como estas, ou então, de Luiza, do Michel Teló, além do episódio no BBB, são mais atrativas do que questões ideológicas e revolucionárias, prefiro, ao invés de criticar a referida matéria, divulgar a louvável iniciativa do zagueiro Paulo André e “brigar” para que ela ganhe maiores dimensões.

Há alguns dias, participei de uma matéria feita pelo canal SporTV que abordava a perda de prestígio dos treinadores brasileiros no cenário mundial. De uma maneira simplificada, a reportagem permitiu a compreensão de somente um pequeno fragmento do todo que tem desprestigiado nossos treinadores e, é claro, nosso futebol. A repercussão da matéria: mínima!

Da grande parte das ideias que tentei transmitir em cerca de cinco minutos de entrevista, somente alguns segundos foram ao ar. Estou certo de que muitas, senão todas as ideias que mencionei à jornalista já foram bastante discutidas/exploradas/evidenciadas na Universidade do Futebol. Porém, estas ideias (as minhas, as suas, as dos demais colunistas e colaboradores) não podem ter suas divulgações restritas somente a este espaço.

E é neste ponto que o atleta Paulo André pode contribuir com nossas reflexões diárias acerca do futebol.

Atleta profissional de um clube de massa, com respeito de diretoria, torcedores e mídia em geral, o valor simbólico da sua opinião é infinitamente superior a minha, colunista semanal e técnico adjunto do pequeno Paulínia FC.

Ao ler o post de Paulo André, redigi a seguinte opinião:

“Qualquer comentário sobre a atual situação do futebol brasileiro pode parecer pobre quando comentada em poucas linhas, ainda mais quando o assunto se refere às categorias de base, ou melhor, ao FUTURO do nosso futebol.

Já mencionei em uma das minhas publicações na Universidade do Futebol que o Brasil tem material humano suficiente para ter pelo menos um Barcelona (clube modelo de formação) por Estado. Para isso, falta o principal: gestão competente do departamento de futebol profissional dos mais de mil clubes espalhados pelo país.

Poderia comentar a visão da gestão para os diferentes perfis de clubes (formadores, clubes de massa, clubes pequenos) e também sobre os diferentes perfis de administração (terceirização, abandono, descaso, investimentos exorbitantes), que possibilitaria uma maior visão sobre as categorias de base no Brasil, porém, como você relata o case Corinthians (clube de massa com investimento anual exorbitante na Base), é nele que irei me prender.

Concordo plenamente que poucos jogadores estão maduros (fisica-técnica-tática-emocionalmente) aos 18 anos para ingressarem em alto nível no Depto. Profissional, porém, emprestar jogadores penso que não é a alternativa mais viável. Disputar competições com uma equipe B é uma opção plausível. O elenco principal teria mais tempo para a pré-temporada (e você mais tempo de preparação que tanto deseja) se vocês jogassem somente alguns jogos do Campeonato Estadual. Num ano em que vale o título ainda não conquistado (Libertadores), Campeonato Paulista não deve ser prioridade de título da diretoria. Eis um momento importante para jovens jogadores amadurecerem!

Sobre a mudança de idade da Copa SP, na minha visão, é indiferente. Clubes bem planejados, não devem fazer deste torneio o divisor de águas sobre um bom ou um mau trabalho. O São Paulo foi Campeão Paulista sub-20 e eliminado na 1ª fase da Copinha; sinal que está tudo errado e que alguém deve pagar por isso? De maneira alguma.

Caso o Corinthians seja campeão (assim como foi), também não significa que muitos estarão em condições de jogar no profissional. Com diversas competições nacionais e internacionais de categorias de base, a Copa SP é somente mais uma com mais visibilidade do que as demais devido ao recesso do futebol profissional.

Desfazer-se da categoria de base, no caso do Corinthians, é desfazer-se da grande identidade futura do clube. Qual o melhor ambiente para a raça corintiana (idolatrada pela torcida) ser adquirida que não no depto de formação do clube? Será que, ao longo do tempo, todos os jogadores contratados viriam com este sentimento/atitude?

Será que as contratações se encaixariam perfeitamente no Modelo de Jogo do clube (e não no Modelo do treinador)? Se tal Modelo estiver sendo desenvolvido desde o Dente de Leite (como faz o Barça) ao sub-20/sub-23, pouquíssimos jogadores precisariam ser contratados.

Este meu argumento poderia ser facilmente batido ao mencionar que o Real Madrid quase não tem jogadores da base. É fato, como também é certo que é muito custoso (muito mais que R$ 15 milhões) e que não é garantia de título. Faz anos que o Real não disputa uma final de Champions.

Concluindo, passa tudo pelo principal: gestão competente do depto de futebol profissional que deve estreitar a comunicação com a base, contratar profissionais capacitados para o depto. de formação, aproveitar as mudanças da Lei Pelé que privilegiam o clube formador com um contrato, transmitir uma filosofia desejada e supervisionar sua aplicação, profissionalizar com salário coerente, atletas em potencial e preparar os jogadores (fisica-técnica-tática-emocionalmente) com o que há de mais atual em relação à metodologia de treinamento e se desvincular de agentes/empresários que limitam a evolução do futebol brasileiro e prejudicam os clubes.

Enfim, é um processo demorado, trabalhoso, mas que pode dar sentido (lucro e sustentabilidade) à existência das categorias de base dos clubes de massa.

Talvez, com a operacionalização de tudo isso, jogadores mais “maduros” (atletas e não boleiros) apareçam em maior número e já nas idades de transição da categoria Júnior.”

O Paulo André ainda irá fazer mais três publicações sobre o mesmo tema. Irá, inclusive, contrapor a opinião da postagem inicial. Não deixe de se posicionar! Entre no blog do atleta e o instigue com reflexões, questionamentos e comentários. Enfim, faça sua parte. Quanto mais pessoas pensarem e intervirem nas questões do futebol de formação, mais rápida será nossa evolução.

Por enquanto, agradeço ao Paulo André pela iniciativa. Bem que poderíamos ter um jogador (atleta e não boleiro) como este por clube grande do futebol brasileiro!

Para interagir com o colunista: eduardo@universidadedofutebol.com.br

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Mecanismo de solidariedade: incentivo ao clube formador

Com o fim do passe, que segundo Luciano Brustolini, Diretor do Instituto Mineiro de Direito Desportivo, “era a compensação financeira, a quantia que um clube pagava a outro para transferir determinado jogador” (Acesso em www.boletimjuridico.com.br/doutrina/texto.asp?id=971_), aventou-se que poderia haver desestímulo aos clubes para a formação de atletas. Inclusive, o referido tema foi objeto de artigo de Danilo Ricchetti Basso, aqui na Universidade do Futebol.

Conforme destaca Carlezzo, “as transferências de jogares de futebol envolvem bilhões de dólares por ano e empregam milhões de pessoas ao redor do mundo. Praticado por mais de 242 milhões de pessoas em todo o mundo, o futebol faz parte do ‘segmento de massas’ e justamente por isso, tornou-se um negócio global multibilionário.”

Assim, objetivando incentivar os clubes formadores de atletas, a Fifa criou uma maneira de compensá-los financeiramente por meio de percentual dos valores das transferências internacionais dos jogadores de futebol, conforme estabelece o artigo 21 do Regulamento de Transferências da Fifa:
 

Artigo 21. Mecanismo de Solidariedade Se um Profissional for transferido antes do termo do seu contrato, qualquer clube que tenha contribuído para a sua educação e formação receberá uma percentagem da compensação paga ao clube anterior (contribuição de solidariedade). As disposições relativas às contribuições de solidariedade constam no Anexo 5 do presente Regulamento.
 

Segundo este Regulamento, para que um clube possa pleitear o pagamento do mecanismo de solidariedade, basta haver a existência de transferência internacional onerosa de jogador profissional de futebol.

Dessa forma, 5% do valor da transferência serão destinados aos clubes formadores. Havendo mais de um clube que registrou o atleta entre os 12 e 23 anos, esse valor será dividido proporcionalmente.

Segundo o Regulamento da Fifa, o pagamento do mecanismo de solidariedade deverá ser feito pelo clube que estiver contratando o atleta, em até 30 dias após o pagamento do valor da transferência. Ademais, caso necessário, o jogador deverá auxiliar o seu novo clube a cumprir a obrigação, informando todos os clubes que tenha atuado durante o período de formação, ou seja, entre os 12 e 23 anos de idade.

No caso de transferências nacionais, inspirado no Regulamentos da Fifa supracitado, a Lei Pelé, em seu artigo 29-A, inovou no direto brasileiro com o chamado mecanismo de solidariedade, pelo qual, conforme já mencionado, busca-se a valorização das entidades de prática desportiva que contribuíram para a formação do atleta profissional, fazendo com que elas, sempre que ocorram transferências, recebam percentual dos valores transacionados, obrigatoriamente distribuídos entre as entidades de prática desportiva que contribuíram para a formação do atleta, na proporção de: um por cento para cada ano de formação do atleta, dos quatorze aos dezessete anos de idade, inclusive; e meio por cento para cada ano de formação, dos dezoito aos dezenove anos de idade, inclusive.

Cabe à entidade de prática desportiva que recebe o atleta profissional a incumbência de reter do valor a ser pago à entidade de prática desportiva cedente (5%), distribuindo-o às entidades de prática desportiva que contribuíram para a formação do atleta.

Na hipótese do atleta se desvincular da entidade de prática desportiva de forma unilateral, mediante o pagamento da cláusula indenizatória desportiva, caberá à entidade de prática desportiva que recebeu a cláusula indenizatória desportiva distribuir cinco por cento de tal montante às entidades de prática desportiva responsáveis pela formação do atleta.

Os valores a serem repassados às entidades de prática desportiva formadoras deverão ser proporcionais ao tempo de permanência em formação do atleta, mediante comprovação por certidão expedida pela entidade nacional de administração do desporto (no caso, a CBF), no prazo máximo de trinta dias da efetiva transferência.

A entidade de prática desportiva formadora do atleta terá o direito de assinar com ele, a partir de 16 (dezesseis) anos de idade, o primeiro contrato especial de trabalho desportivo, cujo prazo não poderá ser superior a 5 (cinco) anos.

Segundo a Lei Pelé é considerada formadora de atleta a entidade de prática desportiva que forneça aos atletas programas de treinamento nas categorias de base e complementação educacional; e satisfaça cumulativamente os seguintes requisitos:

 

  1. estar o atleta em formação inscrito por ela na respectiva entidade regional de administração do desporto há, pelo menos, 1 (um) ano;
  2. comprovar que, efetivamente, o atleta em formação está inscrito em competições oficiais;.
  3. garantir assistência educacional, psicológica, médica e odontológica, assim como alimentação, transporte e convivência familiar;
  4. manter alojamento e instalações desportivas adequados, sobretudo em matéria de alimentação, higiene, segurança e salubridade;
  5. manter corpo de profissionais especializados em formação tecnicodesportiva;
  6. ajustar o tempo destinado à efetiva atividade de formação do atleta, não superior a 4 (quatro) horas por dia, aos horários do currículo escolar ou de curso profissionalizante, além de propiciar-lhe a matrícula escolar, com exigência de frequência e satisfatório aproveitamento;
  7. ser a formação do atleta gratuita e a expensas da entidade de prática desportiva;
  8. comprovar que participa anualmente de competições organizadas por entidade de administração do desporto em, pelo menos, 2 (duas) categorias da respectiva modalidade desportiva; e
  9. garantir que o período de seleção não coincida com os horários escolares.

À Confederação Brasileira de Futebol compete a fiscalização das operações pertinentes aos repasses previstos, bem como deverá certificar como entidade de prática desportiva formadora aquela que comprovadamente preencha os requisitos legais.

Portanto, o mecanismo de solidariedade constitui incentivo aos clubes para o investirem nas categorias de base, uma vez que pode representar importante fonte de receita para o custeio das atividades esportivas que demandam cada vez mais recursos para garantia de performances dos atletas de alto nível, além de atrair investidores.

Para interagir com o autor: gustavo@universidadedofutebol.com.br
 

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Coluna de estreia

Assim que conquistou o direito de organizar a Copa 2014 e as Olimpíadas 2016, o foco de notícias e investimentos voltou-se para o Brasil, principalmente em torno dos estádios e equipamentos que sediarão os eventos. No entanto, o país possui pouca experiência e é natural que busquemos exemplos internacionais como referência. Mas, também, nada nos impede que criemos nossa própria bagagem com novos experimentos, elaboração de novos estudos (acadêmicos e em testes nos estádios) mais adequados à nossa realidade social e, também, visando os valores culturais brasileiros – não o mero cumprimento dos requerimentos da Fifa.

É dessa forma que o Brasil ganha, não somente com a visibilidade internacional, mas com a evolução acadêmica, social, humana e urbana. No entanto, isso exige esforço de muitas partes.

Com a aproximação dos dois megaeventos, ambos por aqui, venho com esta coluna abordar temas relacionados aos mesmos, principalmente, considerando os estádios, sustentabilidade, técnicas e tecnologias novas, exemplos de sucesso e/ou fracasso em equipamentos esportivos e em eventos deste porte.

Como arquiteta e urbanista, pretendo mostrar um lado mais técnico e conceitos que foram ou poderiam ser usados na construção, reforma e uso desses “velhos recauchutados” ou jovens estádios que teremos para o nosso país. Com base nos questionamentos e notícias atuais, elaborarei textos que mostrarão, a fundo, argumentos que possam dar base a diversas opiniões, a novas discussões e debates, abrindo, assim, novas visões de fatos que são superficialmente tratados ou esquecidos pela mídia, pelo governo e pelos organizadores dos eventos.

Gostaria também, através deste espaço, levantar assuntos diversos buscando novas soluções para velhos problemas, como a segurança em estádios, por exemplo, baseando-me em setores da arquitetura raramente utilizados no Brasil – até mesmo mundialmente – e que, às vezes, são brevemente mencionados nas universidades.

Acredito que estes assuntos podem ser levados para muitos investimentos preparativos, levando benefícios a clubes grandes e pequenos, bem como às cidades envolvidas direta ou indiretamente com a realização dos eventos e outros setores da sociedade. Mostrarei, também, como o comportamento humano é parte fundamental nesse processo de adequação de nossos estádios.

Espero que agrade, não a todos, pois não pretendo formar opiniões, mas que esta coluna ajude a elaborar a sua própria visão. Se possível, peço os comentários dos leitores para que o debate se prolongue e a evolução seja, de fato, buscada.

Até a próxima semana!

Para interagir com o autor: lilian@universidadedofutebol.com.br
 
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Entrevista: Lilian de Oliveira, arquiteta e urbanista

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Nem sempre o campeão forma…

Para fechar o assunto “Copa São Paulo de Futebol Júnior”, vamos aproveitar a grande final da competição para levantar mais uma vez a noção de gestão de um processo de formação de atletas pela relação entre promoção de jogadores ao profissional ante os títulos precoces durante tais fases de desenvolvimento.

É bem verdade que a Copa São Paulo não pode ser classificado como um “título precoce”. Mas também não pode balizar todo um trabalho de formação de jogadores feito anteriormente, inclusive por outros clubes.

E o que chama a atenção é que, via de regra, os dois maiores detentores de troféus da Copinha, Fluminense e Corinthians, não possuem um aproveitamento tão significativo de jogadores formados em sua base no elenco profissional.

O gráfico abaixo procura ilustrar isto, quando fizemos um passeio sobre os últimos três anos dos dois clubes quanto à efetiva utilização de atletas formados na sua própria casa na equipe principal.


 

A leitura nua dos dados pode até revelar um bom aproveitamento numérico, em termos quantitativos, uma vez que a média gira em torno de 30% do elenco sendo formado na base, o que parece ser um número bastante razoável.

Contudo, quando se observa a efetiva utilização destes jogadores, percebe-se que o espaço fica bastante restrito, sendo que os jovens atletas têm dificuldade em manter uma sequência de jogos para a sua estabilização na equipe de cima, culminando quase que invariavelmente com empréstimos ou venda para mercados de menor expressão.

Apenas o Corinthians, neste exemplo dos dois finalistas da Copa São Paulo, pode ser citado por ter utilizado de maneira mais efetiva jogadores promovidos da base, como é o caso do goleiro Júlio César, titular absoluto da meta alvinegra, e do até pouco tempo ídolo do clube Dentinho, que acabou sendo vendido para o exterior. Os demais integrantes do elenco possuem participação coadjuvante dentro do elenco.

No caso do Fluminense, clube em que se percebe um investimento pesado para trazer grandes jogadores para o time profissional, os garotos das categorias de base possuem poucas chances de atuação na equipe principal, passando a seguir rumos profissionais longe das Laranjeiras.

A breve análise, que carece obviamente de um aprofundamento, além do levantamento de mais informações, serve para dar um panorama e fazer um alerta sobre a gestão de projetos ligados à formação de atletas, especialmente para casos em que se privilegia a exposição midiática precoce ante um desenvolvimento sustentável visando um aproveitamento otimizado de jogadores.

Para interagir com o autor: geraldo@universidadedofutebol.com.br
 

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Relação dos clubes com os incentivos e fomentos tecnológicos – parte I

Semana passada foi anunciada uma troca no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. O grande chamariz foi a saída de uma figura extremamente politica e sem relação nenhuma com a pasta para a entrada de um nome de respeito no setor, Marco Antônio Raupp.

O amigo deve estar se perguntando o que esse assunto está fazendo neste espaço. Mas, calma, vamos elucidar.

Muitas vezes falamos da necessidade de os clubes investirem em tecnologia de diferentes níveis e usabilidades para melhorar seus processos de gestão, processos de treino e planejamento, acompanhar desempenho, etc.

Em algumas palestras e através de algumas mensagens recebidas de amigos que acompanham a coluna, surgem questionamentos sobre a situação econômica dos clubes e o quanto de “saúde financeira” eles teriam para investir em tecnologia.

Um ponto que deve ser debatido previamente é que, ainda que financeiramente apresentem dificuldades, o que vemos é uma desvalorização do assunto por parte dos “profissionais” responsáveis pelas decisões. Seja pela incompetência, seja pelo receio de lidar com inovações, ou ainda pela incompreensão dos reais benefícios dos recursos tecnológicos, ora confundindo tecnologia com solução perfeita, ora considerando-a como gasto e não investimento em infraestrutura.

Assim, a ideia da coluna de hoje ao iniciar com a noticia da troca de ministros é justamente despertar a importância que deverá ser dada a essa temática.

Sabemos que no futebol os departamentos e vice-presidências se dividem e ganham ramificações cada vez maiores. Na última segunda-feira, mesmo, foi mencionada a diretoria de assuntos internacionais do Corinthians e a necessidade de fazê-la funcionar. Então, por que não vemos uma diretoria de tecnologia nos clubes?

O amigo pode questionar que alguns clubes apresentam hoje um “Data Center”, funcionários voltados à informatização (lembrando que informática não resume nem encerra todas as possibilidades tecnológicas). Porém, o que discutimos é que falta a figura de um departamento, ou alguém com poder de decisão e influência política, para dentre tantos outros assuntos estabelecer relações com o Ministério de Tecnologia, acompanhar editais de financiamento ou apoio a investimento em soluções tecnológica que surgem do governo e mesmo de outras instâncias, que elabore projetos de captação de recursos para o desenvolvimento de aparatos os quais supram e aprimorem as condições do clube.

Esse departamento tem de ser específico; não pode ser só técnico e operacional, tem e deve ser processual, criativo, planejado, articulado. Pois assim os recursos investidos em tecnologia teriam argumentos e análise mais aprofundada, e não veríamos comparações entre a capacidade de um computador fazer um gol com a de um atleta em vistas de ser contratado – e quando colocado na balança o dinheiro acaba indo para a contratação.

O investimento em tecnologia não deve concorrer com o investimento de contratações e administração do plantel. Ele faz parte dos recursos investidos pelo clube no aperfeiçoamento do desempenho de sua equipe e de sua gestão.

Assim, teríamos um departamento que estabelece relações, acompanha projetos de investimento público, consegue criar e desenvolver soluções captando mais recursos oriundos de um setor pareado com suas perspectivas.

Reforçamos que não adianta pedir ao marketing recursos para investir num equipamento, tão pouco para o departamento de futebol avaliar as qualidades de jogo de um recurso tecnológico. É preciso pensar em infraestrutura e, sobretudo, com mentalidade de inovação tecnológica.

Para interagir com o autor: fantato@universidadedofutebol.com.br