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Maracanã: meio século de paixão

A obra, como o nome sugere, conta a história do maior estádio do planeta, revelanto que o local é mais do que meramente uma construção arquitetônica de destaque na cidade do Rio de Janeiro.

O livro relata muitas dos momentos responsáveis por alegrias e tristezas da torcida brasileira. Por meio daquilo que aconteceu nos bastidores do mundo do futebol e do que foi visto por todos dentro das quatro linhas, o autor revive as emoções que desfilaram pelo Maracanã.

Além de apresentar fatos inéditos, comentar sobre os principais jogadores que já pisaram no gramado e deixaram suas marcas nas redes do estádio carioca, João Máximo conta lances ocorridos nas arquibancadas. Afinal, os torcedores são parte essencial do espetáculo.

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Histórias do Futebol: estórias da Bola

A obra foi baseada em dois anos de pesquisa sobre os acontecimentos do esporte de maior destaque no planeta: o futebol. O livro é um relato desde a fundação do primeiro clube, em 1855, na Inglaterra, até os dias de hoje.

Sem ater-se a apenas uma das maneiras de se enxergar e apreciar o esporte em questão, o autor procurou, com sucesso, abordar todos os campeonatos de futebol do mundo: olímpicos, feminino, futsal, beach soccer, juvenis, virtual e fundamental e as Copas do Mundo.

Na publicação, há um minucioso relato da evolução do futebol, da importância da televisão no desenvolvimento do esporte, a fundação do Football Association da Inglaterra, da Fifa e criação da Copa do Mundo.

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Contos e causos de futebol – paixão e ficção

A publicação é uma reunião de “causos” que envolvem o futebol, contados por grandes nomes das letras e de dentro das quatro linhas. Em ritmo bastante descontraído o livro é uma leitura leve sobre o esporte com o qual os brasileiros mais se identificam.

O jornalista baiano Luís Pimentel reuniu: Aldir Blanc, Armando Nogueira, Flávio Augusto Falcão, Jeferson de Andrade, Mario Filho, Nani, Rafael Casé, Renato Maurício Prado, Reynaldo Velinho Alvarez e Zico, com ilustrações de Amorim.

Com já conhecida desenvoltura com as palavras e as construções gramaticais, os autores dos relatos ainda provam que sabem sobre futebol e, também, como passar as emoções da modalidade.

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O novo profissional de comunicação

Na era em que a tecnologia se tornou ainda mais eficiente, em que celulares adquirem a função de câmeras, câmeras assumem as vezes de telefones, e máquinas fotográficas viram filmadoras, o esporte se encontra de pernas para o ar.

O atleta, o treinador e o dirigente esportivo têm, cada vez menos, condições de terem uma vida social “relaxada”. Por serem figuras públicas, têm cada vez menos o direito de escorregar e cometer algum ato falho.

No passado, escândalos envolvendo atletas e dirigentes esportivos só eram notícia quando o caso parava na delegacia. Hoje, com celulares equipados com câmeras e, principalmente, com o consumidor no papel de reprodutor da informação, a situação é totalmente diferente.

Michael Phelps é flagrado fumando maconha numa festa. Quantos atletas não viveram tal situação? A diferença é que Phelps foi flagrado por uma câmera de um telefone celular, e depois foi parar na rede… Belluzzo foi cantar “vamos matar os bambis” na festa da torcida do Palmeiras. Quantos dirigentes não cometeram absurdos iguais ou até maiores ao longo da carreira?

As mídias sociais alçaram o torcedor no papel do dono da mídia. Não é mais só o que o jornal, a TV, a rádio, a revista ou o grande portal decidem que será notícia. E isso tem causado uma revolução na forma de se comunicar.

Com o consumidor no papel de dono da mídia, o esporte e as figuras públicas têm de abrir os olhos. A vida social tem de se tornar muito menos interessante. Do contrário, as mídias sociais serão as novas “culpadas” pelos atos falhos que todos estão sujeitos a cometer, mas que as figuras públicas não podem se dar ao luxo de ter.

O vídeo de Belluzzo dizendo para “matar os bambis”, que ganhou o noticiário da semana, é o exemplo mais bem acabado de como deve se comportar, e se preocupar com a informação, a figura pública deste século 21.

E azar de quem trabalha com a comunicação. Qualquer assessor de imprensa terá de ser agora, antes de tudo, um grande estrategista. Ele tem de se colocar à frente das mídias sociais. A mídia tradicional ainda dependerá dos seus serviços, mas provavelmente será ela a responsável pelas menores dores de cabeça para o gerenciamento de crise.

O novo profissional da comunicação precisa saber como funciona essa tal de mídia social. Se não souber, estará fadado a ser um mero – e ineficaz – produtor de releases.

Para interagir com o autor: erich@universidadedofutebol.com.br

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Pepe Guardiola vs José Mourinho: o que tem o treinador espanhol, que falta ao português

O FC Barcelona e a Internazionale de Milão se enfrentaram no dia 24 de novembro na Espanha, pela Uefa Champions League 2009/2010.

A equipe espanhola venceu a partida por 2 a 0.

Não bastasse o fato de serem duas das melhores equipes da Europa, o jogo chamou a atenção, também, pelo confronto entre dois treinadores de grande (e rápido) sucesso.

De um lado Pepe Guardiola, atual campeão da competição, com sensacional desempenho na última temporada. Do outro, José Mourinho, com grandes feitos e marcas de grande expressão (como, por exemplo, estar a mais de 100 jogos sem perder em competições nacionais, jogando “em casa” com suas equipes), buscando reafirmar a condição de grande treinador mesmo em competições internacionais.
 


No duelo entre os times comandados pelos dois, melhor para o espanhol: Barça 2-0 Inter

As estatísticas do jogo refletiram tanto o comportamento das duas equipes quanto o resultado final da partida, que foi de vitória para o FC Barcelona.

Pois é, mas talvez uma das coisas que mais chamaram a atenção daqueles que acompanham o trabalho dos dois treinadores – mais até do que o próprio jogo -, tenha sido o que disse o jogador Ibrahimovic, que até pouco tempo atrás era jogador da Inter de Milão (portanto, treinado por Mourinho), e agora está na equipe espanhola (treinando com Guardiola).

O jogador sueco fez uma breve comparação entre os dois treinadores. O noticiário do site português O JOGO publicou suas declarações. Abaixo segue o texto (sem adaptações idiomáticas) publicado no site (disponível em: www.ojogo.pt):

“(…) O avançado sueco Zlatan Ibrahimovic define Guardiola e José Mourinho como treinadores “com enorme atitude” e “ambiciosos”, mas considera o técnico do FC Barcelona mais activo.

“A grande diferença é que Guardiola é mais activo e com isso quero dizer que quando ele explica algo nos treinos também demonstra fisicamente o que pretende”, referiu Ibrahimovic em entrevista ao site da FIFA.

O internacional sueco considera ambos treinadores de topo, uns “vencedores”, mas explica que a razão pela qual Josep Guardiola é mais activo tem a ver com o facto de ter sido também um futebolista de topo.

“O Mourinho nunca jogou ao mais alto nível, mas ambos têm uma grande atitude e um enorme desejo de sucesso. Os dois têm a capacidade de explicar claramente o que querem e serem muito directos com os jogadores. São dois vencedores”, disse.

A um nível mais pessoal, o avançado sueco referiu que tanto o técnico do FC Barcelona, como Mourinho (no Inter Milão) conseguem ter boas relações com os jogadores e que no seu caso isso sempre aconteceu com ambos.

“Não posso falar pelos outros, mas sempre me dei muito bem com Mourinho. Tal como me dou agora com Pep (Guardiola)”, acrescentou Ibrahimovic.(…)”.

Como podemos observar, sem muitas delongas, Ibrahimovic considera que os dois treinadores em questão têm características de vencedores, mas destaca que em sua opinião Guardiola é mais ativo, porque faz demonstrações “físicas” daquilo que quer. Atribui essa diferença ao fato de José Mourinho não ter sido grande jogador, como foi Guardiola.

Segundo o site da CNN International, em uma lista que classificou os treinadores de futebol na temporada 2008/2009, a partir do seu aproveitamento (lista em que figura o treinador brasileiro Mano Menezes), Pepe Guardiola foi o melhor de todos (com 87,6% de aproveitamento, e três títulos – dois nacionais e um internacional).

Mourinho ficou em terceiro, bem distante em aproveitamento, do treinador espanhol (67,9% de aproveitamento e dois títulos – ambos nacionais).

O fato é que os números em longo prazo do treinador português realmente são impressionantes (dado o número de jogos) e ainda precisam ser batidos – também por Guardiola, que tem uma curta carreira.

 

 

Não estou aqui a escrever para tomar partido deste ou daquele treinador. Gosto do trabalho (ou melhor, da expressão do trabalho) dos dois, assim como gosto de outros tantos (aos quais incluo os brasileiros Luis Felipe Scolari, Mano Menezes, Zagallo, Vanderlei Luxemburgo, Carlos Alberto Parreira, Vagner Mancini). Porém, quero salientar que talvez a principal qualidade destacada por Ibrahimovic sobre Guardiola, comparando-o a Mourinho, seja na verdade um dos seus pontos fracos.

Mostrar “fisicamente” aquilo que se deseja, aquilo que se espera que os jogadores façam no jogo, pode ser um tiro saindo pela culatra. Quando um treinador entra em campo para ser “jogador do treino que ele preparou para os seus jogadores treinarem”, algo precisa ser revisto. Treinador não entra em campo na hora do jogo!

Isso quer dizer, em outras palavras, que ter que entrar em campo (no treino) para “fazer” pode ser resultado de uma incapacidade de elaborar estratégias de treinamento que didaticamente levem os jogadores a fazerem bem o que precisa ser feito por eles próprios!

Na hora do jogo, quem toma as decisões e resolve os problemas de imediato são os jogadores. Se forem “adestrados”, terão dificuldades em saber o que fazer. Se tiverem o treinador, no treino, fazendo por eles, podem estar “pulando” alguma etapa importante do processo de treinamento, e por isso apresentar dificuldades de expressar em campo o “jogar” individual e coletivo “desejado” – e isso quer dizer, em outras palavras, que a construção da compreensão sobre o jogo, pelos jogadores, pode ficar comprometida e, portanto, dificultar a solução de problemas circunstanciais que no jogo apareçam (em resumo, também terão dificuldades em saber o que fazer).

O modelo de treino no FC Barcelona está muito evoluído. O modelo de jogo, comparado aos seus adversários, também – e isso contribui para que treinadores com o perfil “Barcelona” administrem uma “máquina de jogar futebol”, que está sempre funcionando muito bem.

Isso pode mascarar erros da ação do treinador, mas certamente não por tanto tempo.

Então, que venha o tempo para nos dizer quem – se Mourinho, Pepe Guardiola, ou algum outro que ainda não se sabe quem é – é o melhor…

Para interagir com o autor: rodrigo@universidadedofutebol.com.br

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As apostas ilegais na Europa

Caros amigos da Universidade do Futebol,

Como nós sabemos, e já foi bastante discutido neste espaço, na Europa as apostas desportivas não estão sujeitas ao monopólio do Estado (como acontece no Brasil). Lá, as casas de apostas são consideradas pela União Européia uma forma de negócio como outra qualquer, que pode ser explorado por investidores particulares, sob a supervisão legal do Estado.

No Brasil, as apostas são monopólio do Estado. Uma casa particular não pode, por exemplo, criar uma segunda loteria esportiva ou outra forma de jogos de apostas.

Por um lado, esse sistema europeu pode ser considerado bastante democrático, liberal, e incentivador do princípio da livre iniciativa. Por outro, entretanto, dá margem para grandes manobras ilegais, que podem colocar em risco toda a credibilidade do futebol profissional e a viabilidade econômica do jogo como negócio.

As apostas desportivas se baseiam nos jogos e em seus elementos (gols, vitórias, artilheiros, etc). E essa, digamos, “matéria prima” das apostas está sujeita (principalmente no futebol) a vários juízos subjetivos dos árbitros, jogadores, treinadores, etc.

Com isso, torna-se fácil, ou ao menos plenamente possível, que uma grande organização consiga manipular as pessoas que participam desse juízo subjetivo, para fins ilícitos, principalmente para fraudar resultados e favorecer determinados apostadores.

Desta forma, apesar de historicamente as apostas estarem muito ligadas ao jogo (muito em razão do fanatismo dos ingleses por apostas, mesmo povo que presenteou o mundo com a atual versão do jogo do futebol no início do século passado), o convívio de apostas com o futebol tem se tornado bastante problemático.

Mesmo no Brasil, com o monopólio, tivemos a máfia do apito. Em Portugal, mesmo problema (máfia do Apito Dourado). E agora, temos um grande escândalo na Europa. Possivelmente diversos clubes envolvidos, vários jogos sob suspeita, inclusive da Liga dos Campeões.

O atual caso começou com uma investigação por parte das autoridades públicas na Alemanha, e hoje já conta com uma investigação privada por parte da Uefa. A confederação continental da Europa já divulgou uma lista com cinco clubes que poderiam estar envolvidos em jogos suspeitos, e a coisa pode ir muito mais longe.

Como já dissemos anteriormente, a aposta ilegal é um dos grandes problemas do futebol moderno, pois, ao contrário de muitas outras interferências ilícitas, esta pode levar jogadores e times a perderem propositadamente seus jogos, indo de encontro ao princípio básico do esporte, qual seja o de jogar para vencer.

Imaginem o torcedor, a mídia e os investidores assistindo jogos que poderiam estar sendo disputados com a suspeita de armação. O afastamento seria inevitável. Esse cenário poderia destruir o universo do futebol profissional, construído por tantas gerações, clubes e dirigentes.

Não podemos deixar que isso aconteça, em hipótese alguma. Resta saber se, para isso, teremos que proibir definitivamente as apostas no futebol – ou melhor, regulá-las e fiscalizá-las…

Para interagir com o autor: megale@universidadedofutebol.com.br  

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Aqui quem manda, sou eu!

Era pra eu ficar surpreso. Mas eu não fiquei surpreso.
Estava lá. Pra quem quisesse ver. E, enquanto estiver, eu sempre vou mencionar.
Arrisco começar todas as colunas iguais até o fim do Campeonato Brasileiro de 2009.
Novamente do lado esquerdo.
Dessa vez um pouco mais próxima da linha de fundo.
Trip Side, estampava a faixa.
Dessa vez com dois símbolos da LDU, um de cada lado.
E tinha outra, menor, na linha de fundo. Estão se multiplicando.
É o imperialismo brasileiro na confecção surfista.
E indica, claramente, uma coisa: ninguém da Globo e tampouco da TyC lê esta coluna.
Coisa que do contrário, convenhamos, eu de fato ficaria surpreso.

Assim como você pode ficar surpreso com decisões de árbitros de juízes.

Confesso que evito falar de arbitragem.
Primeiro, porque não entendo “lhufas” do assunto. Segundo, porque também não entendo o motivo pelo que leva alguém a ser árbitro. Tamanha incompreensibilidade, portanto, me desqualifica para comentar qualquer coisa sobre o tema.

Também não falo sobre o STJD.
Primeiro, porque acho chato. Segundo, porque tem gente muito mais sabida no assunto pra falar sobre ele, vide dois colunistas da Universidade do Futebol, os sábios André Megale e Rodrigo Barp.

Mas uma coisa eu sei, tanto sobre árbitros quanto sobre o STJD: os dois são acessórios. Quando o futebol foi criado, eles não existiam. Como o próprio nome já diz, ambos só existem para arbitrar. Ou seja, para resolver conflitos quando eles aparecem. De tal forma, que só existem por conta da fragilidade humana derivada, ou do fato de não perceber o próprio erro, ou então de errar de propósito para obter vantagem. Não são a essência do jogo, muito pelo contrário.

Entretanto, porém, todavia, está lá. No finzinho da página 20 do livro ‘Cartão Vermelho’, que é uma espécie de autobiografia do Edilson Pereira de Carvalho, focada no background do mundo da arbitragem e das apostas ilegais. Diz Edilson a um jogador: “Aqui quem manda, sou eu!”. E, imagino, é assim que os árbitros e o STJD se sentem. Mas a verdade é que não, não mandam. E essa é a perigosa inversão que causa uma boa parte dos problemas.

Não sou muito chegado em biografias. Li quatro até hoje: a do Edilson, a do Roy Keane, a do Slash e a da Luiza Ambiel.

São todas surpreendentes.

Para interagir com o autor: oliver@universidadedofutebol.com.br

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Doping e hipocrisia

Estava às voltas com o escrever minha crônica para esta coluna, diante das várias possibilidades que os debates dos últimos tempos me propiciavam…

De início pensava em falar da questão da religiosidade ou fé de nossos atletas, tema empolgante por tão presente no meio futebolístico… Se por um lado não parece ser fácil a missão de Deus em levar todos à vitória, por outro parece confortável ser responsabilizado por todas as vitórias e nunca pelas derrotas… Manuel Sergio, mestre amigo e amigo mestre, colega de coluna desta Universidade do futebol, é que deve ter razão ao dizer ser agnóstico devoto, ou seja, em suas palavras, “Não sei se Deus existe, mas vivo como se existisse”…

A Copa de 2014 também fez com que me coçasse, seduzido pela quantidade de portas que via abertas à minha frente para abordá-la… Bem… Mais dia, menos dia, ela será alvo de minhas reflexões…

Tudo isso sem falar das Eliminatórias para o Mundial (vocês percebem que nem há necessidade de dizermos que é de futebol, pois não passa pela nossa cabeça outra hipótese!…). Que sufoco da nação argentina, né! Também me lembrei do segundo lugar de nossa seleção sub-17 e da reta final do Campeonato Brasileiro (hepta competição empolgante!)…

Mas, diante disso tudo, fui envolvido pelas notícias da volta do Dodô aos gramados e dos episódios de doping no atletismo e na ginástica, envolvendo nada mais nada menos do que a nossa Daine dos Santos…

Lendo as matérias jornalísticas e ouvindo os comentários sobre o assunto nos programas de TV não pude deixar de ficar revoltado… Com a hipocrisia reinante em nossa sociedade!

Hipocrisia, sim! Pois não somos nós que exigimos a vitória a qualquer custo, atribuindo ironicamente a frase o importante é competir aos perdedores?

A coisa funciona mais ou menos assim: você é atleta e sabe que fama, sucesso e dinheiro vêm com resultados esportivos! Não com qualquer resultado, mas sim somente com a vitória. E você faz tudo o que está ao seu alcance para obtê-la. Submete seu corpo a um árduo treinamento físico, horas e horas a fio, abrindo mão, em plena juventude, de descobrir as loucuras da paixão, do amor, da vida… Sua cabeça não pode estar naquela menina/mulher ou menino/homem que faz seu coração como que pular pela boca, e sim na competição que se avizinha. Focado, dizem… Você tem que estar focado!

Com os treinos vêm os resultados e deles, seu salário. Salário, sim, pois você tem com o esporte uma relação de trabalho. É… Você é um trabalhador da bola, das pistas, das barras assimétricas e coisas e tais…

Mas eis que os resultados começam a ficar cada vez mais difíceis de serem obtidos e por mais que aumente a carga de treinamento, seu corpo já não responde a ele como antes… Mas você aprendeu que seu patrocinador só lhe patrocina porque você vende com suas vitórias o que ele deseja vender…

Seu salário está intimamente vinculado a elas… As entrevistas e notícias de jornal estão diretamente ligadas ao seu sucesso…

Então você diz: tudo isso precisa continuar a existir, custe o que custar… Pronto! Está feito! Daí pro doping é um pulinho…

Muitos sabem, mas fingem não ver o que está acontecendo com você. Afinal, você continua vencendo e dando o retorno que eles desejam… Aos produtores do produto que anuncia, aos dirigentes e torcedores do clube onde se encontra vinculado, ao país que une ufanisticamente sua bandeira às suas vitórias…

Bem… Aí, um exame surpresa acusa aquilo que todos teimavam em não querer ver e… O mundo lhe cai sobre a cabeça! As mesmas pessoas que o glorificavam, agora lhe apontam o dedo acusando-o do crime mais vil: o uso do doping? Não! Ter se deixado pegar em flagrante, dando visibilidade a uma realidade que desejam mascarar, isso sim…

Qual realidade? A única, insofismável: o doping não é manifestação patológica do esporte de alto rendimento, e sim parte constitutiva de sua lógica.

É isso. Simplesmente isso… O esporte é uma prática social, portanto produto do trabalho humano, que traz em sua materialização as intencionalidades definidoras de nossas ações, as quais se dão em um determinado contexto e momento histórico. Neste ordenamento societário pautado pela exploração do Homem pelo Homem, somente a hipocrisia explica o ar de espanto e surpresa de muitos desavergonhados.

Para interagir com o autor: lino@universidadedofutebol.com.br

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Warren Buffett e o futebol – parte final

Conhecidos os mandamentos positivos e negativos do ícone que nos brinda com os títulos das colunas das últimas semanas, somados às diferenças entre a escola fundamentalista, de Buffett, e a escola técnica, chega-se a hora da tomada de decisão no que tange as estratégias operacionais de investimento.

Tendo como premissa que os riscos são inerentes aos investimentos, cabe ao investidor administrá-los, não simplesmente fugir deles.

O conhecimento das regras, processos e procedimentos do mercado onde se quer investir (ações ou futebol) é que funcionará como divisor entre o bom e o mau investidor na diversificação dos riscos, bem como boas práticas que se recomendam subjetivamente.

O primeiro passo é exercitar o autocontrole emocional. Não estamos, naturalmente, preparados para lidar com fortes emoções quando devemos tomar decisões, eminentemente, racionais. Deixar misturar dinheiro com o fígado poderá fazê-lo perder ambos.

Disciplina, convicção e estratégia são necessárias.

A convicção diz respeito à blindagem que se deve ter diante da enxurrada de informações, opiniões e análises, pretensamente de experts nos assuntos, sobre o que irá acontecer (na bolsa ou no futebol) amanhã. “Achismos” e opiniões descompromissadas não dão dinheiro a ninguém.

Uma boa estratégia de investimentos necessita eliminar a percepção do dia-a-dia, comprar e vender pelos motivos certos, captar tendências e monitorar preços.

Cotidianamente, as pessoas acham, adivinham o futuro, têm sentimentos, seguem amigos, dicas e previsões…

Deve-se comprar e vender pelos motivos certos. Pessoas perdem dinheiro em investimentos porque falta disciplina, falta paciência, não administram medo x ganância, agem por feeling e por impulso.

O bom investidor também sabe captar tendências. Fazendo a leitura apropriada dos mercados, percebe-se que o princípio da inércia ocorre neles também. Se um ativo está num movimento contínuo de alta ou baixa, provavelmente, irá continuar até que reverta o processo. A sabedoria está em encontrar o ponto de reversão.

Finalmente, saber monitorar preços. Preços sobem porque a força de compra é maior que a de venda. Preços caem porque a força de venda é maior que a de compra.

A rentabilidade de uma carteira de investimentos é determinada pela habilidade em comprar e vender, por antecipar os movimentos do mercado e pela seleção de ativos com maior potencial de apreciação.

Na tomada de decisão em investimentos, cabe ao investidor planejar e saber de quanto dispõe, o nível de assunção de riscos e escolher a estratégia de maneira convicta.

Não se trata apenas de exigir do investidor que saiba, ele mesmo, absolutamente tudo. Mas, como lembra o ditado, se você não sabe fazer sozinho, deve pagar para que alguém o faça por você.

No futebol ou na bolsa de valores. Em ambos, existe a chamada curva de aprendizado, e ela resulta do embate entre tempo, conhecimento e dinheiro investidos.

Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br

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Football Manager: quando o virtual imita e se relaciona com o futebol real

Introdução

A identificação do objeto deste estudo que apresentamos aconteceu de forma curiosa e serviu de inspiração para a descoberta de um intrigante fenômeno que une o futebol jogado dentro de campo e no mundo virtual. O primeiro contato se deu em um corredor da Universidade Federal de Juiz de Fora, quando ouvimos o seguinte comentário entre dois alunos do curso de Comunicação: “O Olaria vai disputar a Libertadores. Consegui”. Imediatamente veio a dúvida: será que o clube carioca estava disputando uma competição desse nível em alguma modalidade diferente ou o nome do time tinha sido revelado de forma equivocada? Quando veio a resposta do outro aluno: “Fiquei tão decepcionado com aquele jogador do Bahia, o Ávine, lateral-esquerdo. Vi ontem na TV o jogo e ele não é nada daquilo que falavam”. Afinal, que conversa era essa?

O Olaria que tinha ido para a Libertadores era no Football Manager, um jogo de futebol virtual que virou uma mania internacional. O jogador do Bahia, que tanto decepcionou os alunos/jogadores da Comunicação era um nome apontado no jogo virtual como craque desde as divisões de base do clube baiano e com interesse de times estrangeiros e que, no futebol real, não correspondia a tanto. À medida que fomos indagando sobre o que estava sendo conversado mergulhamos num instigante fenômeno de comunicação que merece estudos urgentes, diante do avanço da tecnologia e do uso muito mais amplo do que se imagina já nos bastidores do futebol.

Sabíamos que o futebol, especialmente no Brasil, sempre foi inspiração para outros jogos ou modalidades: o futsal, o futebol de botão, totó e, também, jogos eletrônicos. Em todos eles, nunca faltou a utilização de expressões da cobertura midiática para associar o jogo de campo a esses outros jogos. O que não se imaginava era que o Football Manager chegasse ao grau de sofisticação e imbricação com o futebol, provocando uma mistura de real e virtual profundamente instigante.

Começa o jogo

Importante destacar que nunca jogamos o Football Manager, mas passamos a estudá-lo com interesse a partir desses fatos relatados e do conhecimento do que se trata com o contato com aqueles que o praticam. Antes de mais nada, é relevante informar que o desenvolvimento da indústria de informática e de videogames movimenta hoje valores na ordem de 9,5 bilhões de dólares, segundo a Entertaiment and Leisure Sftware Publishers Association². Portanto, também fora de campo, o jogo se tornou altamente rentável e, cada vez, atraindo mais praticantes e investidores.

Tal qual o futebol profissional (real), o virtual passou a ser encarado como um grande negócio e empresas japonesas, americanas, inglesas e coreanas, entre outras, vêm investindo pesado nessa área. No entanto, o que chama a atenção no Football Manager é que sua estrutura está montada em dados dos clubes reais, de seus atuais jogadores, comissões técnicas e utiliza, entre outros recursos da disputa, a entrevista coletiva como mecanismo de avaliação de desempenho. Bem como aspectos de condicionamento físico, psicologia, marketing e mercado.

Alguns dos jogos que antecederam o FM já apresentavam algumas coisas curiosas, com a narração dos lances feitas por narradores dos meios tradicionais de comunicação, alguns deles, inclusive, “pirateados”. Estamos diante, agora, de uma disputa mais sofisticada e com desdobramentos que merecem a discussão acadêmica e a análise dos impactos que o mundo real pode sofrer com o que está acontecendo no virtual. E é importante, então, recorrermos a Pierre Levy, que fala que “o virtual tende a atualizar-se sem ter passado, no entanto, à concretização efetiva ou formal” (1996, p13).

Mais do que a simples ausência efetiva da realidade, da existência e de uma presença tangível, o virtual caracteriza um fenômeno próprio, completo e com características definidas, que não necessariamente dependem de concretização, de vínculo ou de transformação em real. (PRAZERES, 2009, p.31)

Toda a base de dados do Football Manager é construída a partir de uma rede internacional de observadores, que alimentam as novas versões (sucessivamente lançadas). Esses “olheiros” ficam responsáveis pela inclusão dos dados dos jogadores reais (profissionais e de divisões de base) no jogo virtual. Assim, quem pratica o FM coloca em campo os mesmos jogadores que estão em atividade, por exemplo, no atual Campeonato Brasileiro, ou nas grandes equipes européias. Todas as competições acontecem paralelas nos dois mundos.

Portanto, quem iniciar sua participação no Football Manager, por exemplo, com o time do Botafogo, encontrará à sua disposição o mesmo elenco que disputa o Brasileiro para a disputa do jogo virtual. Todos os jogadores aparecem com suas características físicas, habilidades e detalhamento de pontos altos e baixos, bem como o histórico de onde já passaram. Tudo isso real, mas no virtual. A partir daí, começa a interferência do “novo treinador”, no caso, o jogador. Aí, então, começa o jogo.

O que chama a atenção é que, diante da dimensão do interesse que a disputa passou a ter, essas informações passaram a ser fundamentais para a “credibilidade” do jogo diante dos seus praticantes, bem como passaram a servir como espaço de divulgação de jogadores, especialmente de possíveis promessas do futebol. Contam os que jogam o FM que é comum que eles saibam, com grande antecedência, nomes que despontam com destaque no futebol.

“Muitos dos jogadores que hoje aparecem como revelações nos times, tanto aqui no Brasil, como na Europa, já conhecíamos do FM”, contam Thamara Gomes e Pedro Brasil, estudantes de Comunicação e praticantes.

O professor de Educação Física da UFJF, Marcelo Matta³, que teve uma participação na comissão técnica do Tupi Futebol Clube (Juiz de Fora/MG), em 2007, ficou surpreso ao ver que seu nome estava dentro do jogo, com seu perfil e até faixa salarial. E assim, certamente, muitos jogadores e profissionais do futebol não sabem que estão lá. Mas, ao mesmo tempo, os que sabem e muitos empresários já utilizam o virtual para se beneficiar dessa “central de informação”. Em dezembro de 2008, o portal Globo.com* publicou uma matéria com o seguinte título: “Equipes da NBA usam videogames para avaliar jogadores e esquemas táticos”.

O diretor geral do Houston Rockets não joga videogame por entretenimento ou fantasia. Enquanto as crianças se divertem, Darlyl Morey simula partidas da NBA por razões profissionais, para ajudar a avaliar talentos… Na ficção, diz ele, você pode testar inúmeras possibilidades de jogadas, esquemas ofensivos e defensivos, saber quantas vezes um jogador teve sucesso em um certo tipo de jogada.

A matéria termina com o lamento do treinador de que o jogo virtual só não conseguia prever aquele jogador que cai de rendimento por ter ficado numa noitada ou que esteja com uma contusão não identificada previamente. O jornal Lance!, de 8 de maio de 2009, chama a atenção em uma página inteira para a relação tão presente entre real e virtual. Com o sub-título era “Do virtual para o real”, o periódico estampa o título maior: “Imperador também no videogame”. A chamada acrescenta: Erick Flores é fã de Adriano no Playstation e agora joga com ele de verdade. Junto, um gráfico sobre os atributos de Adriano no jogo virtual.

O atacante do Flamengo aparece com nota 84 em velocidade; 86 em drible; 80 em agilidade; 99 na força do chute e 80 na cabeçada.

Eu sempre joguei com a Inter de Milão no vídeo game justamente por causa do Adriano. Nunca imaginei que um dia fosse jogar com ele. Só via ele jogando Copa do Mundo ou lá na Europa. Agora, ele vai estar do nosso lado e isso é incrível, comentou Erick Flores, no Lance!.

Erick Flores, por exemplo, é um dos nomes que os praticantes apontam como antecipadamente
anunciado no FM como futuro craque e que agora surge no “futebol real” como revelação. Outra situação que comprova que o virtual literalmente está em campo no dia-a-dia é o registro feito após uma partida entre Livorno e Milan, pelo Campeonato Italiano. O goleiro Marco Amelia, após defender um pênalti cobrado por Ronaldinho Gaúcho, revelou que foi vendo a forma como o atacante cobrava no jogo virtual que aprendeu como defender suas cobranças.

Após defender um pênalti de Ronaldinho Gaúcho no início da partida contra o Milan, o goleiro do Palermo, Marco Amelia, revelou uma arma secreta que ajudou a vitória do seu time por 3 a 1. O goleiro disse ter estudado os movimentos de Ronaldinho através do videogame Playstation: “Ele fez exatamente o mesmo movimento de aproximação da bola que é mostrado no console”. Amelia ainda brincou: “E a verdade é que é um pouco estranho”. No segundo pênalti a favor do Milan, Ronaldinho não desperdiçou. “Quase que eu pego também, mas aí seria demais”, disse o goleiro em declarações ao Canal 4.

Outra curiosidade a ser destacada é que o FM não é comercializado no Brasil. No entanto, sabe-se que mais de um milhão de brasileiros praticam o jogo. Segundo o jornalista Thiago Prazeres, que defendeu seu trabalho de conclusão de curso sobre o tema, somente através dos fóruns e sites de relacionamentos (comunidades do FM) é que se consegue baixar o jogo, assim mesmo, com muita dificuldade. Por que o país do futebol não desperta interesse dos fabricantes? Ou seria isso uma estratégia? Importante também informar que o jogo tem um patrocinador que aparece já na apresentação e divulgação do mesmo: a Nike.

“Agora, na versão 2009, já começam a aparecer alguns comerciais nas placas em torno do campo virtual. A maioria de produtos da própria fabricante do jogo, mas outras marcas começam a aparecer aos poucos”, conta Thiago. Outra novidade no FM, em sua atualização mais recente, é que agora é possível colocar como manager uma mulher. As treinadoras agora podem entrar em campo e dirigir qualquer equipe, inclusive com a entrevista coletiva focando o tema da discriminação da mulher no futebol.

Os exemplos de que a relação do futebol real com o virtual está a merecer uma reflexão maior surgem a todo momento. O canal fechado ESPN Brasil, toda semana, escolhe os gols mais bonitos nacionais e internacionais dos campeonatos pelo mundo, a partir de uma lista de cinco. Agora, além destes, cinco gols mais bonitos dos jogos eletrônicos também são vistos e votados. O mais votado ganha o direito de ter sua narração por um dos locutores da emissora. E quem assiste à votação percebe que os comentários da mesa de jornalistas trata de maneira igual a escolha. Real e virtual não têm distinção.
 

Os meios de comunicação também apresentam outra característica que denota seu papel nos processos de virtualização. O evento virtualizado atua na desterritorialização, no desengate espaço/tempo em que ocorre. Ainda de acordo com a definição de Piérre Levy, observa-se que o principal vínculo que faz com que o virtual não se transforme completamente independente dessa relação espaço/tempo é a necessidade de um suporte físico em seu processo de virtualização. Consideramos aqui os meios de comunicação como esses suportes, e, ao tratarmos especificamente sobre futebol, indispensáveis para a sua difusão e entendimento do esporte como espetáculo. (PRAZERES, 2009)
 

Existem vários aspectos que aparecem no Football Manager que merecem análise e, certamente, muitos desdobramentos ainda serão observados. Queremos nos ater agora ao fato de o jogo conter uma entrevista coletiva. Aliás, durante toda a disputa, o praticante, no papel de treinador, é chamado para encontros com a imprensa. O seu desempenho e o seu comportamento refletirão no time e na própria sobrevivência no comando do time. Um Muricy Ramalho, por exemplo, no FM, talvez não chegasse a duas rodadas de participação, já que aqui, ao contrário do que se viu recentemente, quando o treinador usava de agressividade e ironia com a imprensa, quem não consegue o mínimo de trato com os jornalistas perde o “emprego”.

Tão logo o praticante assume o papel de manager, é convidado para um primeiro encontro com a imprensa. É informado a ele quais são os jornalistas e veículos que participarão da coletiva. Por enquanto, no jogo, os nomes dos meios de comunicação e também dos jornalistas são fictícios. No entanto, há uma curiosidade: cada jornalista tem seu perfil (características) previamente informado ao jogador. Existem aqueles que são “mais críticos”, os “pouco confiáveis”, “os mais maleáveis”. Esses últimos são aqueles que têm vínculo de amizade com alguém no clube ou com algum jogador ou até o treinador. Nada mais real no virtual.

Durante a entrevista, o jogador tem as opções de resposta e sabe que, de acordo com o que optar, isso pode ter interferência no moral do time, nas relações com os torcedores ou com os próprios dirigentes do clube que está representando no jogo. Mas existem mais opções. O manager pode não ir à coletiva, mandando seu auxiliar em seu lugar. Claro que isso não pega bem, ainda mais se for uma constante. Mas o treinador também pode ir e se recusar a responder alguma pergunta e, finalmente, até mesmo sair de rompante do encontro, deixando os jornalistas na sala de imprensa.

Isso implica no que vem logo a seguir, que é a publicação do resultado do encontro. A repercussão da coletiva é logo publicada e mostra o que a imprensa captou do manager. Durante a própria entrevista a inteligência virtual procura pegar o entrevistado diante de algumas respostas. Por exemplo, quando não sente segurança, entra a pergunta: “você não parece seguro do que está me respondendo. Pode ser mais claro.” Afirmam os praticantes do jogo que, com o tempo, fica mais tranquilo lidar com as entrevistas coletivas, porque já cria o hábito de responder às mesmas perguntas.

Em contrapartida, pode-se dizer que o virtual novamente imita o real. Afinal de contas, os treinadores também se acostumam com as tradicionais perguntas em dias de vitória, de crise ou de um simples treinamento. Portanto, a crítica perde força porque a realidade está novamente retratada. Thiago Prazeres, diante dessa situação, coloca as seguintes questões:

A influência e importância fundamental da imprensa esportiva para o futebol profissional não é uma novidade, tanto que o jogo a reproduz e demonstra certo conhecimento específico dos produtores sobre o tema. O ponto a que devemos estar atentos nessa relação é justamente o constante diálogo entre o real e o virtual. O público alvo do FM 2009 é constituído em sua maioria por torcedores que já acompanham e se dedicam à busca de conhecimento sobre o futebol. O jogo, então, passa a ser mais um elemento que ajuda na constituição da base desse conhecimento entre os jogadores. (PRAZERES, 2009. P.64)

Portanto, no mínimo, o que acontece é uma troca de informações. Essa é a menor possibilidade nessa relação, embora as primeiras reflexões que apresentamos a seguir nos apontem para outras possíveis análises.

Primeiras reflexões

Os resultados das primeiras observações sobre o jogo nos alertam para uma série de coisas. Estamos diante de um novo espaço onde o marketing esportivo certamente ganha mais uma dimensão. Mas há um visível campo para novo investimento de empresários, que não perderão a oportunidade de utilização do jogo para negociações e promoção de seus empresariados.

Cabe aos chamados “olheiros” da empresa alimentar de dados o jogo, especialmente apresentando os atributos aos jogadores. Quem garante que, em breve, não teremos, especialmente em termos de Brasil, esses informantes sofrendo “pressão” de dirigentes, empresários e jogadores na
reformulação de qualidades que foram atribuídas.

Um desses “olheiros” da empresa, entrevistado por Thiago Prazeres, admitiu que um dos aspectos mais cobrados de cada um que ocupa essa função é a fidelidade e atualização das informações. No entanto, o mesmo entrevistado, que ocupa a missão de acompanhar os clubes de todas as divisões de Santa Catarina, admite que é um desafio que nem sempre consegue ser cumprido. Ele afirma que os clubes de maior expressão são acompanhados mais de perto e as mudanças repassadas para o virtual com maior fidelidade do que os clubes pequenos.

Portanto, os atributos encontrados em vários jogadores de clubes de menor expressão do futebol brasileiro correm o risco de ser equivocados. Na Europa, essa precisão de informação é bem mais confiável. Os países são menores, o número de jogadores e clubes também. Mas também há mais seriedade, embora se trate de um jogo. De qualquer forma, há sempre o risco de se criar o que não existe. Veja o exemplo de Masal Bugduv. Esse nome surgiu num dos jogos virtuais de futebol como grande revelação. Logo começaram as especulações em torno de seu nome e possíveis contratações por Chelsea e Liverpool. Era assim que ele era descrito no jogo e por vários veículos de comunicação:

Nascido na Maldóvia, país próximo à Romênia, Bugduv, com 16 anos, tem estilo técnico e clássico dos bons meias do futebol moderno. Versátil, alta velocidade e bom passe com precisão de quem parece ter muito mais experiência do que sua idade. Chelsea e Liverpool estão interessados nele, mas o Arsenal chegou primeiro e fez uma proposta pelo jogador.

O que surpreendeu a todos é que Bugduv, na verdade, não existe. Foi fruto da criação de um dos “olheiros” que alimenta um dos jogos virtuais para verificar até que ponto os clubes reais estavam atentos ao jogo virtual. O resultado foi esse, o que comprova que precisamos discutir muito mais os aspectos que estão por trás desta aparente brincadeira com o futebol. Portanto, esse é um risco, mas que não nos permite fechar os olhos e desconhecer que existe algo mais profundo nesta relação do virtual com o real.

O avanço da tecnologia e suas imbricações com o esporte, por mais que os responsáveis pelo futebol resistam a elas (vide o caso recente do jogo entre Brasil e Egito, quando o árbitro foi avisado de uma penalidade pelo quarto árbitro, que utilizou a imagem de uma tevê), parecem inevitáveis. O que o Football Manager chama a atenção é que a utilização de dados reais no jogo virtual cria possibilidades de “negócios” que utilizem o virtual em favor de vários interesses pessoais no real.

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Prof. Dr. Márcio de Oliveira Guerra é Doutor em Comunicação pela UFRJ, Mestre em Comunicação e Cultura pela UFRJ, Especialista em Marketing pela Fundação Educacional Machado Sobrinho, graduado em Comunicação pela UFJF. Profesor da Universidade Federal de Juiz de Fora na Pós-Graduação e Graduação do Curso de Comunicação.

Contato: marcio.guerra@ufjf.edu.br  

²Dados de 2008
 
³Membro do Núcleo de Pesquisa em Comunicação e Cultura da UFJF

*Globoesporte.com/Esportes/Noticias/Basquete

Bibliografia

BARBEIRO, Heródoto; RANGEL, Patrícia. Manual de Jornalismo Esportivo. São Paulo: Contexto, 2006.

LÉVY, Pierre. O que é o virtual? São Paulo: Editora 34, 1996.

LÉVY, Pierra. Tecnologias da Inteligência. São Paulo. Editora 34. 2000.

PICOLLO, Gustavo Martins. O jogo, sua construção social e as possibilidades de desenvolvimento humano. Disponível em http://br.monografias.com/trabalhos3/ojogo-construção-social-desenvolvimento-humano/o jogo-construção-social-desenvolvimento.shmtl;

PRAZERES, Thiago. Football Manager 2009: a relação do virtual com o futebol profissional e a imprensa esportiva. Trabalho de conclusão de curso da Faculdade de Comunicação da UFJF. Primeiro semestre 2009.