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Correlação entre o teste de agilidade com e sem bola em jovens praticantes de futebol

O futebol é um dos esportes mais conhecidos do mundo. É um esporte dinâmico que vem crescendo assustadoramente na questão tática, na técnica e especialmente em relação ao desempenho físico dos atletas.

A técnica busca o aprimoramento máximo dos fundamentos da modalidade, busca a realização de um movimento específico, com maior eficiência diante de um menor gasto energético.

Dentro dos fundamentos técnicos do futebol, temos a condução de bola que é o ato de se deslocar pelo campo de jogo com a posse de bola. Entre as principais capacidades físicas utilizadas no futebol temos a agilidade, capacidade muito importante para o futebol devido às atitudes curtas em relação ao seu tempo, algo que sem dúvida pode alterar resultados de partidas. É a capacidade na qual todos os jogadores, independente de sua posição, necessitam de aprimoramento. Durante as partidas, essa agilidade pode ser executada com a posse de bola ou sem a posse de bola.

O objetivo principal dessa pesquisa foi identificar a relação entre agilidade com e sem bola em jovens praticantes de futebol. Como objetivo secundário, pretende-se verificar o déficit técnico, que é a diferença entre o menor tempo de realização sem bola dividido pelo menor tempo de execução com bola.

Para obtenção dos resultados foi aplicado o Illinois Agility Test (Roozen, 2004 apud MARIA; ALMEIDA; ARRUDA, 2009), que avalia agilidade com e sem bola em jogadores de futebol.

Foram avaliadas trinta e seis crianças (10,4±1,2 anos), do sexo masculino, todos devidamente matriculados em uma escola de futebol da cidade de Mogi Mirim-SP, com uma média de 1,2 ± 0,8 anos de prática de futebol.
As médias apresentadas para o teste de agilidade sem bola (19,4±1,02) e o teste de agilidade com bola (26,9±3,3 segundos) apresentaram diferenças significativas (p< 0,05) e correlação fraca (r = 0,35). Já os resultados de déficit técnico são satisfatórios. A média do grupo foi de 73%, os valores são analisados em porcentagem e a criança que apresentou maior déficit técnico obteve 56% de aproveitamento. Já a criança que melhor desempenhou a atividade obteve 91%. Podemos concluir nesse estudo, que não há relação significativa entre o teste de agilidade com e sem bola. De acordo com os resultados de déficit técnico, nenhuma criança ficou abaixo dos 50%, e verifica-se que todos os sujeitos perdem um pouco de rendimento na agilidade quando colocado o componente bola. Portanto, é importante que os professores desenvolvam, nas aulas e nos treinos, atividades de agilidade com e sem a posse de bola, para que o aproveitamento não diminua. Bibliografia

MARIA, Thiago S.; ALMEIDA, Alexandre G.; ARRUDA, Miguel. Futsal Treinamento de Alto Rendimento. São Paulo – SP: Phorte, 2009.

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Você está pronto para trabalhar com futebol?

Hoje vou fugir do habitual texto sobre questões táticas do jogo, para dissertar a respeito de algo que, aqueles que trabalham com futebol e passam mais tempo convivendo com as pessoas desse meio (jogadores, treinadores, preparadores físicos, roupeiros, massagistas, fisioterapeutas, médicos, etc.) do que com suas esposas, filhos e pais, vão entender muito bem (e aqueles que não são, mas querem ou já quiseram ser, certamente também).

A motivação para escrever o que se segue, nasceu de uma pergunta feita por um jornalista de conceituada rede de televisão (que estava, havia alguns dias longe da família, para “cobrir” os acontecimentos de uma partida de futebol), a um de meus companheiros de trabalho.

Ele (o jornalista) queria entender como “nós do futebol” conseguíamos ficar tanto tempo trabalhando em cidades distantes e longe da família, vendo filhos ou esposa, apenas 10 ou 20 dias por ano, e passando a maior parte do tempo longe de casa.

A pergunta não foi feita para mim, mas fiquei pensando nela.

Mais tarde, procurei o preparador de goleiros, o massagista (um chileno-brasileiro de grande coração, com duas décadas de futebol) e depois alguns outros amigos do trabalho, e fiz a seguinte pergunta para cada um deles:

Se você soubesse a data exata em que o mundo vai acabar (se é que o mundo vai acabar), onde e com quem, você gostaria de estar e de passar seus últimos momentos?

Com exceção do meu amigo preparador físico, que disse que gostaria de estar em um lugar distante (que tem para ele, um significado particular) aproveitando uma grande festa, com uma multidão de gente (sem a presença de ninguém em especial), todos meus outros companheiros de trabalho não vacilaram em dizer que gostariam de estar perto de suas famílias (filhos, esposa, pais), aproveitando o máximo possível o tempo juntos.

Todos eles amam o que fazem.

Trabalham todos os dias com o mesmo grande entusiasmo do primeiro dia de trabalho. Cada um com sua história diferente, cada um com suas metas e sonhos particulares. Todos com o Futebol (aqui como nome próprio) em comum.

Mas tão certo quanto a necessidade explicita de trabalhar com aquilo que trabalham, há escondido no peito de cada um, um vazio impreenchível, camuflado a não sei quantas dores e hábitos, que vão sendo criados, sem que se perceba, para que possam simplesmente se acostumar.

Interessante e surpreendente para mim, até certo ponto, que além de ter o futebol como elemento em comum, e também as respostas parecidas para a minha pergunta, todos eles estavam bem distantes do lugar e das pessoas que gostariam de passar seus últimos momentos.

Então, se por um lado, cada um deles faz o que gosta profissionalmente, por outro tentam, mergulhando no trabalho, administrar aquilo que lhes falta de mais importante.

O que sei, é que todos, mesmo focados no que tem que ser feito, trazem consigo a companhia da saudade.

Skype, MSN, E-mail, telefones celulares… A tecnologia que cura os sintomas não apaga as causas da dor, da falta de outras pessoas.

Muitos dos meus companheiros de trabalho, no final das contas, dizem que com o tempo vão se acostumando com as ausências… Não sei. Penso que o que deve mesmo acontecer não é um “acostumar com a dor”, mas sim um “ter domínio sobre ela”.

Se me acostumo, nem percebo, esqueço que ela existe (e realmente, não acho que eles esqueçam). Se a domino, sei o tempo todo da existência dela, e apesar dela, caminho controlando-a.

Por incrível que pareça, algumas pessoas no futebol dizem que saudade e dor são sinais de fraqueza. Se tiver saudade, não serve!

Não sei. Acredito mesmo, que fraqueza é perder o controle de si, deixar de ser o que se é.

Talvez aqueles que evitem a dor, tenham medo de perder o controle sobre ela.

Não sei o que está certo ou o que está errado.

O que sei é que eu Rodrigo (treinador, e homem do futebol) não posso me acostumar com ela, porque senão, perco a noção de quando ela se agrava, e se virar sintoma de coisa grave, acabo por ficar sem saber que posso morrer…

O que posso dizer é que não nego a minha, porque não tenho medo dela. O que me resta, é tentar chegar mais cedo em casa depois do trabalho e aproveitar ao máximo o tempo, porque eu não sei quando o mundo vai acabar…

E por falar em “se acostumar”, encerro com um texto de Marina Colasanti. “Acostumaram” a dizer pela internet que ele (o texto) é de autoria de Clarice Lispector (escritora que dispensa comentários – é excelente!). Não é.

“Eu sei mas não devia” (Marina Colasanti – Editora Rocco – Rio de Janeiro, 1996, pág. 09.)

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor.
E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora.
E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas.
E porque não abre as cortinas logo se acostuma
a acender cedo a luz.
E a medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã
sobressaltado porque está na hora.
A tomar o café correndo porque está atrasado.
A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem.
A comer sanduiche porque não dá para almoçar.
A sair do trabalho porque já é noite.
A cochilar no ônibus porque está cansado.
A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e
ouvir no telefone: hoje não posso ir.
A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso
de volta.
A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita.
E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar.
E a pagar mais do que as coisas valem.
E a saber que cada vez pagará mais.
E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma à poluição.
Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro.
À luz artificial de ligeiro tremor.
Ao choque que os olhos levam na luz natural.
Às bactérias de água potável.
Agente se acostuma a coisas demais, para não sofrer.

Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá.

Se a praia está contaminada a gente molha só os pés e sua no resto do corpo.
Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.
Se o trabalho está duro a gente se consola pensando no fim de semana.
E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos,
para poupar o peito.

A gente se acostuma para poupar a vida.
Que aos poucos se gasta, e que gasta de tanto se acostumar, e se perde de si mesma.

Para interagir com o autor: rodrigo@universidadedofutebol.com.br

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Paulo Jamelli, gerente do Santos

“Há muito mais vantagem para uma agremiação apostar em alguém que já esteve dentro de campo para ocupar cargos administrativos. Isso é fundamental para que exista a compreensão da diretoria em relação àquilo de que necessita o atleta, e, em um possível problema, poder opinar com mais propriedade”, opinou Paulo Jamelli, gerente de futebol do Santos.

Em entrevista exclusiva à Universidade do Futebol, o ex-jogador que, agora, ocupa cargos administrativos contou como se preparou para continuar dentro do futebol, mas atuando fora dos gramados. Além de ter se formado em Administração com ênfase em gestão de esportes, pela Universidade São Marcos, Jamelli também fez cursos ligados às diversas áreas que se relacionam com o futebol: nutrição, motivação, educação física, além de participar de palestras de técnicos consagrados.

Uma lesão grave no joelho encurtou a carreira do entrevistado que, aos 31 anos teve que abandonar os campos de futebol. No entanto, a partir dos 28 anos, ele já planejava a carreira para que houvesse continuidade mesmo quando ele se aposentasse como jogador.

Jamelli jogou em diversos clubes brasileiros: Corinthians, São Paulo, Juventus, Santa Cruz (1994), Santos, Atlético-MG e Barueri. Além disso, também atuou em equipes do exterior: Kashima Reysol, Zaragoza, Shimizu Pulse e Almeria. Como jogador, o entrevistado ainda foi convocado para a Seleção Paulista e para a Seleção Brasileira. Por fim, em cargos administrativos, ele atuou no Barueri, no Coritiba (2008), e, agora está no Santos.

Durante a entrevista, Jamelli falou sobre suas recentes experiências como dirigente, qual é a sua rotina de trabalho, como ele se preparou para a transição de jogador para administrador, sobre questões de gestão dos clubes brasileiros, a relação futebol-educação, como ele lida com a função de buscar reforços para o time e para a comissão técnica, e quais são os planos do Santos durante o seu período de gestão.

Universidade do Futebol – Desde que começou a atuar como dirigente, a visão que possuía em relação à administração de um clube, e em relação à própria profissão de jogador de futebol, sofreu alguma mudança?

Jamelli – Desde quando eu ainda era jogador profissional, sempre procurei me aprofundar nos assuntos, perguntando muito sobre os diversos temas ligados ao futebol, tanto no que dizia respeito à parte técnica da modalidade, a melhor maneira de se programar um treino, os métodos possíveis para o desenvolvimento físico.

O mesmo acontecia no que se referia às questões mais administrativas. Sempre perguntei muito para os diretores e supervisores com os quais eu trabalhei, interessado em saber como eles desenvolviam as suas funções e o que era possível de ser feito para que a realidade da época fosse melhorada.

Esse meu interesse pelas diversas funções ligadas ao futebol surgiu enquanto eu ainda era jogador. Além disso, eu consegui conciliar a minha vida de jogador profissional com a faculdade, praticamente no meu último ano como jogador.

Isso foi fundamental, pois eu consigo entender o lado dos jogadores, uma vez que joguei durante 16 anos como profissional, e há cerca de três anos, estou atuando como administrador dos clubes, o que é essencial para que eu entenda tanto o lado do atleta quanto o da agremiação.


Jamelli jogou em times brasileiros, da Espanha e do Japão

Universidade do Futebol – Antes de fazer parte da diretoria do Santos, você teve uma experiência anterior como dirigente no Coritiba. A sua saída ocorreu no final do mês de março de 2009. O que você pôde aprender dessa vivência e que pretende trazer para a sua carreira?

Jamelli – Antes de ir para o Coritiba, em 2008, eu já havia trabalhado como dirigente no Barueri, em 2007. Em março de 2009, sai do Coritiba.

Todas essas etapas da minha vida foram experiências que me fizeram crescer como profissional. Além disso, por mais que se esteja ligado ao futebol, em cada um dos clubes encontra-se uma realidade diferente. No Barueri, enfrentei determinados desafios, no Coritiba outros e, agora, no Santos, serão novos.

Por conta disso, é necessário que o profissional se adapte e se enquadre dentro do esquema que funciona o clube, mas tentando colocar em prática o seu estilo e as suas ideias, botando em prática aquilo que você pensa que vai gerar melhores resultados.

Por exemplo, enquanto eu estava no Barueri, fomos campeões do interior, e logo após a minha saída, houve o acesso à primeira divisão do Campeonato Brasileiro.

Eu sempre tento trabalhar com a visão de que o importante não são apenas os títulos que se conquista durante a sua gestão, mas sim, o que se deixa de legado para o clube. É essencial que se deixe o clube em melhores condições do que aquelas que você encontrou quando assumiu um cargo administrativo.

Da mesma forma que no caso do Barueri que eu já citei, no Coritiba, também tive sucesso. Fomos campeões paranaenses, fizemos um Campeonato Brasileiro excelente, com um time que havia acabado de subir da segunda divisão, conseguimos ficar muito bem posicionados, chegando até a brigar por vaga na Libertadores. Em 2009, quando eu deixei a agremiação, ela estava em primeiro lugar no Campeonato Paranaense e estávamos nas quartas-de-final da Copa do Brasil.

Ou seja, nessa minha ainda breve carreira como dirigente, eu sempre sai contente dos clubes em que eu trabalhei, porque eu os deixei em uma situação melhor do que a que eu presenciei quando da minha chegada.


Como dirigente, Jamelli atuou no Barueri, no Coritiba e, agora, no Santos


Universidade do Futebol – Qual é a sua rotina de trabalho? Explique quais as funções que você está encarregado de desenvolver no Santos. Você faz alguma interface de trabalho com as categorias de base? Como se dá esta relação?

Jamelli – No Santos, o meu papel é diferente daqueles que eu possuía quando estava no Barueri e no Coritiba. Nestes dois clubes, quando eu fui contratado, já havia um organograma e uma estrutura anterior. Por isso, eu possuía papéis já bem delineados.

Aqui no clube da Vila Belmiro, praticamente, fui eu quem montou todo o organograma do futebol profissional, desde o treinador até o roupeiro. Como se tratava da entrada de um novo presidente, com uma maneira diferente de gestão, esse processo foi trabalhoso, uma vez que todas as etapas de todos os departamentos passavam por mim, para que se pudesse montar o organograma.

Obviamente que esse processo que eu liderei sempre teve que passar pela aprovação do presidente e do diretor de futebol do clube, mas, o importante é que teve que se criar uma nova estrutura para o desenvolvimento dos trabalhos conforme a nova ideia de gestão do Santos.

Em relação à ligação do profissional com as categorias de base da agremiação, logicamente, existe o diálogo. Também existe, para essas categorias um gerente de futebol e o meu trabalho está totalmente ligado ao dele.

Periodicamente, nós realizamos reuniões para conversarmos sobre o que está acontecendo nas categorias de base, que também passaram por uma enorme reformulação.

Acredito que é essencial que o trabalho de quem administra o futebol profissional de um clube deve estar intimamente ligado àquilo que acontece nas suas categorias de base. Prova disso é que, atualmente, a equipe principal do Santos possui cerca de 10 jogadores que foram revelados nas suas categorias de base.

Portanto, a ideia é manter a tradição do clube da Vila Belmiro de ser um grande revelador de jogadores para o profissional, sempre com um ou dois atletas por ano.

Universidade do Futebol – Como você se preparou para realizar essa transição de jogador para dirigente?

Jamelli – Eu parei de jogar futebol profissionalmente não por vontade própria, mas por conta de uma lesão séria no joelho, o que acabou por afetar o meu planejamento. Gostaria de ter jogado até os 35 anos de idade, mas tive que abreviar a minha carreira e parar aos 31 anos.

Quando eu percebi que já estava chegando ao final a minha carreira como jogador, eu decidi começar a me preparar para exercer outras funções dentro do futebol.

Na época, eu estava jogando na Espanha. Lá, durante os meus últimos anos como atleta, eu participei de diversos cursos, ligados as diferentes áreas do futebol: nutrição, motivação, complementação nutricional, educação física, além de participar de várias palestras de treinadores.

Nessa fase, ainda não tinha certeza se, após me aposentar como jogador profissional, eu ingressaria no futebol como técnico ou como gestor. No entanto, sabia que era importante eu me preparar para ocupar qualquer uma dessas funções. Por isso, iniciei esse processo quando tinha cerca de 28 anos de idade.

Alguns anos mais tarde, entendi que eu não possuía o perfil de treinador e que, não só o futebol brasileiro, mas mundial, sofre da carência de gestão da modalidade. Não há qualidade no que se refere a diretores, supervisores, secretários-técnicos, managers e as demais funções administrativas.

Sendo assim, decidi que iria me aprofundar nessa área. Para isso, procurei cursos, pessoas, fiz estágios em alguns clubes, perguntando a maneira como eles trabalhavam e o que poderia ser feito para melhorar a situação em que eles se encontravam do ponto de vista gerencial.

Universidade do Futebol – O que você pensa da entrada de vários ex-atletas em funções de dirigentes de clubes? Ter sido jogador é uma vantagem para quem pretende comandar uma agremiação? Por quê?

Jamelli – É muito interessante essa nova realidade, pois, antigamente, jogadores de uma ou duas gerações antes da minha, paravam de jogar profissionalmente e iam atuar de treinador ou de auxiliar em algum time de menor expressão.

Havia a continuidade da sua relação com a modalidade, mas sempre algo ligado ao campo. Dificilmente via-se um atleta que encerrava a sua carreira e ia trabalhar na parte de gestão e suporte dos clubes.

No entanto, hoje, esse tipo de situação é uma tendência, pois o ex-jogador entende tudo por aquilo que passa um atleta, pois ele vivenciou situações semelhantes quando era profissional. Por exemplo, durante os treinos, quem já viveu aquilo sabe quando um jogador está se empenhando 100%, quando ele está triste, e quando ele tem algum problema.

É importante o dirigente ter vivido o futebol como jogador profissional, porque, dessa maneira, ele entende que se, por exemplo, um atleta está com algum problema familiar ou contratual, isso poderá afetar no seu desempenho dentro de campo.

Além disso, existem várias outras situações em que, por ter passado por episódios semelhantes quando se era atleta, o dirigente que foi jogador pode dar conselhos, e até antever um problema.

Portanto, acredito que seja uma tendência os atletas que param de jogar, assumirem cargos de direção dos clubes. E eu não creio que haja quem pense que esses ex-jogadores não se preparam. Com certeza, eles fazem cursos, faculdade e estágios.

Enfim, há muito mais vantagem uma agremiação apostar em alguém que já esteve dentro de campo para ocupar cargos administrativos. Isso é fundamental para que exista a compreensão da diretoria em relação àquilo de que necessita o atleta, e, em um possível problema, poder opinar com mais propriedade.


Diversos ex-jogadores, após pararem de jogar, assumiram cargos administrativos em clubes

Universidade do Futebol – Segundo o “Fair Play Financeiro” que será implementado pela Uefa a partir de 2012, os clubes não devem gastar mais do que ganham. O controle será feito por meio de auditoria e o descumprimento das regras ocasionará punições severas. Isso também é viável no futebol brasileiro?

Jamelli – Não sei se essa resolução vai entrar em vigor ou não. Porém, acredito que essa seja uma regra básica de administração, seja na vida particular, no clube ou em uma empresa.

Não se deve gastar mais do que o que se vai recolher. A sua receita nunca pode ser menor do que a sua despesa, pois, caso isso ocorra, no final de alguns meses ou anos, chega-se a uma situação que não é possível de reverter.

Na realidade, essa é uma medida que não deveria ser levada em conta para ao ponto de ser necessária uma fiscalização, uma vez que se trata de um procedimento básico em gestão.

No entanto, os clubes brasileiros acabaram por incorrer nesse erro por uma questão de necessidade de títulos e de contratações.

No Santos, nós possuímos essa noção de manter os pés no chão, e sabemos que as contas têm que estar dentro daquilo que está ao nosso alcance. Não adianta vendermos uma ideia para a torcida de que iremos montar super-times, contratando jogadores com salários astronômicos , porque depois, torna-se uma bola de neve e o time não consegue pagar o atleta, o que vai deixar o jogador descontente, ele não vai render aquilo que deve, e torna-se um ciclo que vai piorando cada vez mais.

Portanto, se fosse implementada uma medida dessas para o futebol brasileiro, para a administração do Santos não faria muita diferença, pois proceder conforme indica essa resolução é algo que já fazemos.

Nota da redação: O Santos anunciou a volta de Robinho para o seu elenco. O jogador será emprestado pelo Manchester City até o próximo dia 4 de agosto.

O atleta, que foi um dos principais destaques do time da Vila Belmiro na conquista do Campeonato Brasileiro de 2002, justificou o seu retorno pela necessidade da manutenção de uma sequência de jogos como titular, o que, de acordo com ele, não aconteceria se permanecesse na equipe inglesa. Isso poderia prejudicar o seu desempenho na Seleção Brasileira.

Segundo o acordo assinado entre as partes envolvidas, Robinho vestirá a camisa santista, mas o clube brasileiro será o responsável por pagar o salário do jogador.

Universidade do Futebol – Atualmente, o que coloca em destaque um clube brasileiro em relação ao outro? (jogadores, gestores, torcida, estádio etc.).

Jamelli – Acredito que seja a junção de todos esses fatores. Se um time possui uma boa estrutura, uma boa organização, ele conseguirá fazer um campeonato de maneira adequada e obter bons resultados.

Isso faz com que fique mais fácil a atração de um bom investidor, ou algum novo patrocinador que trará mais receita para a agremiação, que poderá investir em novas e mais fontes, melhorando ainda mais a sua atuação dentro do aspecto esportivo e, consequentemente, administrativo.

Portanto, a minha visão é que todos esses aspectos devem ser levados em consideração e melhorados o máximo possível dentro das possibilidades da equipe.

Ou seja, dinheiro e resultados são os motores do futebol. Se um clube tiver dinheiro e bons resultados, fica mais fácil a evolução da equipe do ponto de vista esportivo, e da agremiação no que se refere a aumento de receitas.

No entanto, o que acontece com certa frequência é que, às vezes, a equipe não consegue render, a agremiação passa por um período de crise financeira, e é preciso que os gestores sejam criativos, buscando outras saídas, como, por exemplo, trazer jogadores das categorias de base ao invés de comprar atletas consagrados, ou vender alguns dos seus principais nomes para conseguir bons valores. É preciso que os administradores saibam que é necessário que os clubes estejam equilibrados.

Contudo, é difícil de dizer que no futebol brasileiro uma agremiação é melhor do que a outra, pois em todas elas existem ótimos profissionais e estruturas minimamente razoáveis. O que faz a diferença é uma organização um pouco melhor de um time que o torna mais apto a chegar a títulos e usufruir de todos os benefícios que eu citei sobre isso.


No Brasil, o destaque de um clube em relação aos demais pode ocorrer devido a diferentes fatores. O ideal é que haja a junção de todos eles

Universidade do Futebol – Você entende que os clubes, de uma forma geral, têm que ajudar na formação escolar e educativa dos jogadores de futebol? As exigências profissionais de um jogador de futebol não são conflitantes com o tempo necessário para que eles estudem de verdade?

Jamelli – Logicamente que aquilo que se exige dentro de uma escola entra em conflito com o que pede a formação de um jogador profissional, pois, com 11 anos, os garotos já têm que ficar concentrados, cinco ou seis dias viajando, e, quando chega aos 18 anos, que seria a idade em que eles deveriam entrar na faculdade, eles já estão realizando um trabalho profissional dentro das equipes, com muitas exigências e cobranças.

Portanto, para a maioria dos casos, não é possível conciliar o que é preciso de dedicação na escola com o que é necessário de empenho para se tornar um jogador de futebol profissional.

Se pudesse voltar no tempo, quando eu tinha 18 anos, e tive a oportunidade de fazer vestibular e ingressar no curso superior, eu tentaria. Mas, na época, foi inviável por causa do futebol. Se pudesse, teria feito uma graduação, nem que fosse indo três vezes por semana, ou tendo um tratamento especial para que eu pudesse garantir uma melhor estrutura educacional.

Creio que o clube deva investir nos seus jogadores não somente na parte educacional, mas também no que se refere às questões de saúde e de formação do caráter da pessoa, porque se analisarmos, no início das categorias de base há cerca de 120 garotos, mas apenas dois ou três desses que vão vingar como profissionais.

A agremiação e a sociedade têm que se preocupar com os outros meninos que iniciaram nas categorias de base, e que não obtiveram sucesso, e têm que ser bons cidadãos. Mesmo porque entrarão na sociedade, talvez, com a frustração de não terem conseguido ser jogadores profissionais, mas podem ser bons engenheiros, médicos, arquitetos, ou exercer bem qualquer outra função.

Porém, eu entendo o lado dos clubes também, porque, hoje, os atletas com menos de 16 anos, mesmo sendo emancipados, não podem assinar um contrato profissional. Então, a agremiação, desde os 11 anos de idade do garoto, garante dentista, médico, assistente social, escola e outros benefícios, e, quando o jogador tem 14 anos, aparece um empresário que dá dinheiro, um par de tênis, um celular ou um carro, e ele deixa o clube.

Nessa situação, tudo o que foi investido desde quando o indivíduo iniciou nas categorias de base se perde, por conta de uma realidade como essa. Eu defendo que esse tipo de relação deveria ser revista, pois caso fosse feito algo mais interessante para o clube, ele investiria muito mais nos seus atletas, caso ele tivesse uma maior proteção.

Se esse tipo de medida para garantir retorno aos investimentos feitos pelas agremiações não acontecer, elas vão deixar de apostar na base e começar a contratar atletas com 18 anos. Isso seria totalmente contra o futebol e a maneira de gestão que eu defendo.

Universidade do Futebol – Como se dá a sua preparação no projeto de observação e antecipação ao mercado para efetuar aquisições de jogadores? Você possui algum banco de dados específico ou profissionais contratados espalhados pelas mais variadas regiões do país? E a interação com a comissão técnica nesse sentido?

Jamelli – Eu possuo um banco de dados, não sei precisar o número, mas com certeza, com mais de dois mil jogadores, o qual eu posso consultar para que sejam feitas possíveis contratações.

Além disso, diariamente, converso com pessoas ligadas ao futebol que estejam em contato com outros clubes, tanto do Brasil quanto do exterior, afim de buscar atletas e profissionais que possam acrescentar no aspecto estrutural de campo e de áreas da comissão técnica, como médicos, fisiologistas, nutricionistas, supervisão, etc.

Na verdade, o trabalho consiste em permanecer investigando e perguntando para as pessoas capazes, e recebendo alguns currículos, para que se construa uma estrutura cada vez melhor, com pessoas competentes que possam fazer com que o clube, esportiva e gerencialmente, evolua.

No que se refere diretamente à contratação de jogadores, o Santos possui uma rede de funcionários que estão constantemente vendo jogos no interior do estado e em outras regiões do país, buscando os talentos que ficam esquecidos ou não são reconhecidos por estarem fora do grande centro.

Universidade do Futebol – Quantos profissionais (se possível elencar as profissões – assistentes técnicos, psicólogos, assistentes sociais, fisiologista, dentista etc.) trabalham nas comissões técnicas ou em apoio a elas no Santos? Quem coordena as ações técnicas de toda esta equipe de trabalho?

Jamelli – No Santos quem coordena todas as áreas ligadas ao futebol profissional sou eu. Cada uma das áreas possui um responsável, e todos se reportam a mim.

Para a nossa comissão técnica do time principal, o Dorival Junior (técnico) trouxe consigo o Ivan Izzo (auxiliar técnico) e o Celso Rezende (preparador físico), e o resto da equipe é toda formada por profissionais contratados pelo Santos. Aliás, essa é uma tendência que os clubes de futebol vão adotar de permitir que o treinador traga consigo, no máximo, dois profissionais (um auxiliar e um preparador físico) e o resto do grupo sejam funcionários de carreira da agremiação que já estão a algum tempo na função e que possuam uma identificação grande com o time.

Especificamente no Santos, toda a equipe estrutural, que faz com que o clube realize as suas funções, é contratada pela própria agremiação, independente de quem é o treinador. Isto é, a maior parte da comissão técnica santista é permanente. Esse grupo de profissionais: médicos, massagistas, fisioterapeutas, fisiologistas, nutricionistas, psicólogos, roupeiros, secretárias, e muitos mais. É como se fosse uma empresa.


A comissão técnica do Santos é formada por vários profissionais (médicos, nutricionistas, preparadores físicos, massagistas, etc), como se fosse uma empresa

Universidade do Futebol – Quais as metas do futebol do Santos para 2010? Há algum planejamento de longo prazo?

Jamelli – Logicamente, existe um planejamento, em primeiro lugar, levando-se em conta a questão do orçamento do clube, depois, traçando os objetivos que tentamos estabelecer para os dois anos da gestão do presidente. Esse é o mini-ciclo que temos para determinar quais serão as metas.

Também é claro que são fixados alguns objetivos para os quais tentamos levar a agremiação. No entanto, o futebol não é uma ciência exata, ou seja, não se pode mensurar com certeza aquilo que se está realizando e o que vai acontecer no futuro, uma vez que diversos fatores influenciam na trajetória do time.

Quando a diretoria se reúne para estabelecer as metas a serem atingidas, nós sabemos o quanto temos de dinheiro, quanto disso pode ser gasto, e até onde o clube pode chegar durante aquele mini-ciclo. Isso no Santos é algo bem claro, e para manter essa transparência e a melhor execução das atividades, fazemos reuniões estratégicas para que se tracem os objetivos e tentar analisar os meios pelos quais vamos chegar até elas.

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Segunda azul

Prepare-se. É bem possível que aquilo que você vai ler a seguir não se encontre em nenhum outro lugar. Nenhum.

Primeiro, porque envolve uma informação retirada de um cartaz de propaganda de um jornal que ficava do lado da porta de um trem e foi vista por mim em 2008, quando ia de Narborough, uma pequena vila do condado de Norfolk, para Londres. Não sei exatamente como, tampouco a razão, mas fiquei com aquela propaganda na cabeça até hoje. E segundo, porque envolve experiência pessoal, que permite contextualizar a razão das ações.

Esses dois motivos somados me permitem sugerir, mas não afirmar, que a história de que o Robinho está voltando para o Brasil por conta da tática que os técnicos usam é a mais balela.

Não conheço o Robinho. Não sei o que ele pensa, tampouco como age. Porém, as coincidências são tão grandes que não há como não imaginar que esse discurso é ensaiado.

A propaganda do jornal no trem, creio que era do ‘The Times’, listava uma série de fatos curiosos e banais e dizia que quem lesse o jornal saberia dessas coisas. Você pode até argumentar que é uma propaganda idiota, mas um ano e meio depois ela ainda está na minha memória. Tudo por conta de um dos itens da lista, que dizia: ‘Você sabia que o dia XX de janeiro é o dia mais deprimente da Inglaterra?’.

Eu nunca me lembrava que dia era esse exatamente. Até o momento em que eu vi que Robinho queria sair do Manchester City. E vi a entrevista dele falando sobre a volta ao Brasil, em claro tom de alívio. A primeira nota a respeito que li, foi no dia 21 de janeiro, logo a notícia é do dia 20.

Algumas palavras jogadas no Google, em sites de jornais ingleses e está lá: o dia mais deprimente da Inglaterra é a terceira segunda-feira de janeiro, também conhecida como ‘Blue Monday’. Em 2010, foi dia 18 de janeiro. Dois dias antes do manifesto interesse de Robinho em voltar ao Brasil. Que, curiosamente, também foi próximo do dia que o Anderson faltou ao treino do Manchester United. A depressão inglesa, portanto, parece ter desempenhado um papel fundamental nessas ações.

Porém, isso está longe de ser algo cientificamente confiável. Muito pelo contrário. A definição da ‘Blue Monday’ é fruto de um release que colocava uma fórmula científica completamente sem sentido, feita por um cara totalmente desconhecido que era meio-professor de uma universidade galesa. Soube-se depois que o release foi obra de um canal de televisão especializado em viagem, o Sky Travel. A equação que determinava qual era a data mais deprimente da Inglaterra era desprovida de qualquer nexo e levava em conta variáveis como tempo ruim, dívidas contraídas no final do ano, resoluções de ano novo já descumpridas, distância para o dia do pagamento, distância do Natal e a ânsia pra tomar alguma ação. Uma equação cientificamente idiota.

Mas que, pelo menos, dá uma referência sobre o que é viver na Inglaterra nesse período.

E eu posso dizer, por experiência pessoal, que morar na Inglaterra não é fácil. E quanto mais para o norte, como é o caso de Manchester, pior. O céu é incrivelmente cinza, a comida é ruim, a temperatura é baixa e o comportamento das pessoas é um tanto quanto violento. Não dá a menor vontade de fazer nada. Para piorar, em janeiro, o sol aparece umas 8h30 – 9h, e some às 16h30. Isso quando ele aparece.

E para piorar mais um pouco ainda, esse é o mesmo período em que todos os seus amigos brasileiros estão de férias, na praia, falando do sol, da cerveja e das outras coisas inclusas no pacote. E você vendo tudo isso pela câmera do computador. Na escuridão das 17h.

Uns alegam que o Robinho e o Anderson são pouco profissionais. Que ganham muito dinheiro e deviam se esforçar um pouco mais. Concordo. Mas também entendo o que eles passam. O tempo frio te faz refletir bastante. Eventualmente, você chega à conclusão que significativas horas de sol a mais valem mais do que alguns milhões na conta. Obviamente que eu nunca refleti sobre isso, mas enfim.

Clubes ingleses, por tradição, pouco se importam com seus jogadores. Eles pagam o salário e, de resto, cada um que se vire. Não é a toa que são raríssimos os casos de jogadores latinos que se dão bem no futebol inglês. Os que se adaptam são mais raros ainda. Tevez, por exemplo, está longe de estar feliz na Inglaterra. Na mesma entrevista que ele chamou o Gary Neville de puxa saco do Ferguson, ele também declarou que apesar de estar a quatro anos na Inglaterra, não fala uma palavra em inglês. E também que está louco de vontade de sair de lá.

Ouvi alguém dizer que o jeito que o Tevez joga em relação ao Robinho mostra que os argentinos são mais profissionais que os brasileiros. Talvez. Mas casos como Crespo e, principalmente, Verón, que foram tão ou mais decepcionantes que Robinho, mostram que o buraco é muito mais embaixo. Mostram que o problema está longe de ser pessoal, mas sim ambiental.

Se ao menos os jogadores pudessem seguir a típica tradição britânica e pudessem descarregar a depressão do inverno na cerveja… Nem isso. Coitados.

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Contribuição da Copa do Mundo para as escolas de futebol

O evento que acontece neste ano tomará espaço de mídia considerável nos meios de comunicação e, mesmo quem não goste de futebol terá acesso a uma gama relevante de informações sobre os povos que terão vosso selecionado da modalidade em campo.

Serão 32 seleções apresentando suas vestimentas famosas em Copas do Mundo, estilos e sistemas táticos diferentes, comemorações inusitadas e muita disputa dentro das quatro linhas.

Diante disso, ouso citar que professores, treinadores e instrutores de futebol terão ótimas ferramentas para utilizar no sentido de transmitir maiores conhecimentos aos jovens futebolistas.

Observando desta forma, pode-se utilizar essa exposição de mídia para explorar aspectos culturais e sociais no tocante a contribuir com o desenvolvimento de maneira global dos alunos de uma escola de futebol.

Use a criatividade e elabore atividades e pesquisas sobre como funciona o processo de ensino-aprendizagem do futebol, quais as características culinárias desses países, qual o clima em que eles praticam futebol e inúmeros outros fatores que podem ser investigados, criados e recriados.

Todavia, será válido um plano de aula objetivando que cada aluno traga para o treino de futebol as informações que colheram sobre determinado país para discutir com os demais colegas e, principalmente, trocar conhecimentos salutares para a vida.

Atitudes como essas poderão lhe render excelentes resultados, mas tudo dependerá da forma como conduzirá este processo de intervenção. Afinal de contas, o conteúdo a ser repassado só terá valor e alto índice de assimilação se tiver relação com o esporte praticado por estes jovens.

*Augusto Moura de Oliveira, pós-graduado em futebol pela Universidade Federal de Viçosa/MG, é autor do livro ‘Escola de Futebol- dicas administrativas e pedagógicas para alcançar o sucesso’.

Além disso, é coordenador técnico das escolas de futebol do Águia Futebol/PR.

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Virada de mesa

Vem dos pampas o vento que sopra uma mudança significativa – espera-se – na gestão dos clubes de futebol no Brasil.

O Internacional encaminha mudanças estatutárias para, a partir de 2013, profissionalizar de fato e de direito, a administração do clube, remunerando os quadros executivos do clube.

Não só o presidente, mas também os vices de cada departamento receberão salários, segundo o novo estatuto a ser votado até 2011. O presidente e o vice de futebol deverão ter dedicação exclusiva à agremiação.

Coisa que hoje ocorre apenas com o vice-presidente de marketing do clube, com o segundo e terceiro escalões, passará a estar institucionalmente arraigado de cima para baixo.

Muito se comenta, ao longo da história do futebol brasileiro, o envolvimento pernicioso dos dirigentes dos clubes com as finanças (mal) versadas em causa própria.

Futebol, política e administração pública costumam ter muitos aspectos em comum em nosso país.

A administração pública brasileira, em especial em âmbito federal, tem a ensinar ao futebol.

Antes da promulgação da Constituição Federal, em 1988, na esteira de governadores e prefeitos biônicos, indicados pela ditadura militar, o penduricalho de cargos em comissão e contratados por laços pessoais era o que prevalecia nos quadros administrativos.

A nova ordem político-institucional exigia a qualificação do funcionalismo público, por meio de concursos transparentes, estáveis e com credibilidade. Além de muito bons salários e estabilidade para o desempenho das atividades aos profissionais.

Não à toa vemos a enorme procura por estes concursos nos âmbitos federal, estadual e municipal.

Melhores salários, com a garantia de concorrência leal para a busca das vagas, por meio da seleção em concursos, atraíram os melhores candidatos e melhorou em muito o nível da gestão pública.

Não que isso tenha excluído a lentidão burocrática e a corrupção. Mas todo o processo depurou muita sujeira que entupia nossos canos enferrujados.

Mudança como essa é fundamental e obrigatória, para que os clubes consigam perseguir o equilíbrio financeiro num cenário esportivo nacional ainda em consolidação. Ademais, o sistema atual do futebol, no tocante à gestão dos clubes, tem se revelado, perigosamente, deficitário.

Um exemplo prático de mudança vem do Poder Judiciário que, até pouco tempo atrás, permitia que os procuradores estaduais também exercessem a advocacia. Atualmente, isso não é possível, e as procuradorias melhoraram em muito a prestação do serviço público dela esperado.

O Conselho Nacional de Justiça também cobra produtividade dos Tribunais e seus juízes e desembargadores. Existem metas para o julgamento de processos.

Será que ainda existe espaço para que os diretores e altos executivos dos clubes deem meio expediente? Se sim, o futebol continuará refém de tentativas pouco consistentes de evolução, vindas de fora do sistema, como a Timemania…

Necessitamos de mais dirigentes com coragem para somarem-se aos do Internacional, visando promover a desestabilização do ambiente letárgico de nossa gestão no futebol.

Acredito que o primeiro passo é pagar muito bons salários para atrair pessoas qualificadas. Como num concurso público. Quem sabe, até mesmo com um concurso.

Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br

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Os interesses diversos no desenvolvimento da tecnologia esportiva

A cobertura midiática e o status econômico no esporte cresceram vertiginosamente na ultima década. O mercado de produtos e serviços, talvez, seja um dos que figure mais em evidência dentre os diversos segmentos do universo esportivo que marcam tal crescimento, com destaque aos investimentos e novidades em tecnologia dos produtos.

O famoso lema olímpico – mais rápido, mais alto, mais forte, em latim, “Citius, Altius, Fortius” – contribue para a busca de excelência no esporte e para a decorrente manifestação dos investimentos em equipamentos para se alcançar a alta performance. Mas, assim como seus reflexos são nítidos no esporte de alto desempenho, é mais claro e perceptível a forma que alcançam o consumidor comum, isto é, quantidade de produtos e serviços desenvolvidos a partir de inovações que chegam primeiro ao esporte de competição e se proliferam em variedades para as demais manifestações de esporte, na prática pela saúde, estética, lazer.

Muitas vezes, somos levados a pensar nessa ordem: as coisas se desenvolvem para o esporte de alta performance e, com o passar do tempo, chegam aos grandes centros de consumo. Não é um pensamento equivocado, mas também é evidente que o desenvolvimento de novos produtos, cada vez mais atrelados à pesquisa, planejamentos e, sobretudo, recursos tecnológicos de ultima geração são pensados, também, no grande público, na busca de novos mercados, e se utiliza do esporte de ponta como um potente difusor ou catalisador.

Tais relações independentemente do sentido em que ocorrem, do esporte de ponta para o mercado ou ao contrário, envolvem os profissionais que lidam com o rendimento esportivo como os próprios atletas, os treinadores, os preparadores físicos, em um universo recheado de tecnologia e recursos inovadores, que requer que tais profissionais estejam capacitados para lidar e compreender esses mecanismos, utilizando suas competências para filtrar os excessos e se beneficiar com base em seus objetivos e fatores determinantes para o resultado. Pois como fruto do interesse de quem desenvolve além dos resultados (que interessa quem o utiliza como ferramenta de trabalho), estão juntas as preocupações com ergonomia, design que agrade o público, estética, assim como as emoções que despertam em que utilizará o produto.

Quem participa do desenvolvimento desses novos produtos, das inovações que chegam tanto ao publico quanto ao atleta e treinador?

Imaginamos que, por de trás de um desenvolvimento, muitos profissionais estão associados, especulamos sobre alguns deles em relação à tecnologia para o futebol:

– Engenheiro de computação;
-Atletas;
-Técnicos;
– Acadêmicos;
– Gestores;
– Publicitários;
– Educadores físicos.

Isso, sem contarmos as especificidades de cada produto, serviço ou software, pois, se levadas em consideração poderiam acrescentar novos membros ao grupo de profissionais (médicos, nutricionistas, fisioterapeutas, arquitetos, biomecânicos, etc).

Assim, como estabelecer um diálogo partindo dos interesses de cada? Como suprir as necessidades dos técnicos e atletas sem distanciar-se das necessidades do público em geral e aproximando-se dos interesses do gestor ou investidor?

Talvez, seja pretensão demais, talvez não existam possibilidades para tal diálogo, talvez sim. O que você, meu amigo leitor, acha? Nas próximas semanas, avançaremos neste tema, numa série de debates sobre os interesses e anseios tecnológicos de alguns desses profissionais, na busca para entendermos um pouco como cada um age, ou precisa agir frente ao desenvolvimento de inovações.

Para interagir com o autor: fantato@universidadedofutebol.com.br

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Negocião

Futebol é negócio. E dos bons! A expressão está cada vez mais popularizada, e tem começado a fazer parte do cotidiano da bola no Brasil. Mas talvez não tenha um torneio que mais expresse esse conceito do que a Copa São Paulo de Juniores, que se encerra nesta segunda-feira, dia 25 de janeiro.

Essa é a única tradição mantida pela Copinha no século 21. A decisão do campeonato continua a ser no dia do aniversário da cidade de São Paulo. Tirando isso, a competição é a essência do “negocião” em que se transformou o futebol no Brasil.

Segunda-feira, 10h da manhã, transmissão pela TV aberta, clássico decisivo inédito entre Santos e São Paulo. Até chegar a essa final, outros 90 clubes ficaram pelo caminho, numa maratona de jogos que começou no segundo dia do mês. E para por aí o interesse da mídia na Copinha.

Se, anteriormente, o foco de cobertura da imprensa era quase todo para a Copa, única competição do mês de janeiro no país, agora a mídia já dividiu suas atenções entre contratações, novos patrocinadores, reapresentações, pré-temporadas e velhas novelas de transferências. Se fosse só isso, tudo bem, até que ainda haveria espaço para a Copinha.

Mas, já há uma semana, o noticiário esportivo é ocupado pelas rodadas dos campeonatos estaduais dos times profissionais. Desde que o Brasileirão por pontos corridos foi instaurado, com mais 23 absurdas datas para os Estaduais, que o calendário do futebol nacional foi espremido. Para dar conta de tanta data, só terminando no início de dezembro o Nacional para, já na metade de janeiro, começar os Estaduais.

Foi a partir daí que teve início, na Copinha, o processo de transformação do campeonato numa imensa e interessante vitrine para a atuação de clubes e empresários do futebol. O maior negocião da bola, em que as maiores quantias e maiores rentabilidades de grana estão envolvidas.

A mídia não ter interesse na competição é um prato cheio para tirar o torcedor do estádio e levar o empresário para as pelejas, o olheiro, aquele cara que vai ficar ali, vendo mais de mil jogadores em ação para então começar a delinear um projeto para as suas carreiras.

A Copinha é hoje uma espécie de megaloja do futebol brasileiro. E o desinteresse da mídia pelo campeonato é a melhor mostra dessa mudança de comportamento.

Para interagir com o autor: erich@universidadedofutebol.com.br  

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Processo de treinamento: os conteúdos a serem desenvolvidos nos treinos não se resumem a preparação física

Tradicionalmente no futebol, o planejamento de treinos em curto, médio e longo prazo está associado a preparação física.

Isto quer dizer que é comum que a organização de cargas de treinamento seja, principalmente, orientada pela distribuição longitudinal de estímulos que desenvolvam capacidades “físicas”. Os aspectos técnicos, táticos, psicológicos e sócio-culturais ficam, então – ao menos para efeito de “planejamento” -, em segundo plano na programação.

São até folclóricos, no futebol, casos de treinadores que só resolviam o que treinar minutos antes da sessão de treino começar. Planejamento quase zero!

O processo de desenvolvimento do treino, para alcançar o jogar que se pretende, é um projeto de aplicação de cargas que devem estimular a evolução desse jogar, considerando todas as dimensões do jogo de futebol (física, técnica, tática e psicológica – dentro das particularidades que identificam as características sócio-culturais do meio).

Então, da mesma maneira que tradicionalmente os preparadores físicos vêm desenvolvendo e aplicando os conteúdos inerentes ao que chamam de “preparação física”, é necessário que para o desenvolvimento do jogar, outros conteúdos sejam considerados no planejamento.

Obviamente que mesmo que os conteúdos “físicos”, “técnicos”, “táticos”, etc., sejam levados em conta no planejamento para melhor preparação do futebolista, a grande contribuição deles na evolução do jogar só pode ser real se forem, os conteúdos, organizados como sobrecarga de treinamento de maneira integrada (e integral!).

Isso quer dizer que além de se conhecer e considerar os conteúdos das dimensões que englobam a preparação desportiva do jogador de futebol, é necessário que na prática do treino esses conteúdos sejam desenvolvidos de maneira não-fragmentada.

E se essa ideia não vale apenas para a preparação de uma equipe durante uma temporada qualquer, vale também, e muito mais, para o processo de desenvolvimento de conteúdos na formação de jogadores nas categorias de base.

Da mesma maneira que a dimensão física, fragmentada, é o conteúdo que acaba por reger os demais no planejamento e processo de treinamento em uma equipe profissional, nas categorias de base é também muito mais comum que se saiba que tipo de “estímulo físico” deve ser dado a cada faixa etária ou categoria, do que qual conteúdo técnico ou tático.

Se pensarmos em planejamento em longo prazo, para desenvolvimento de todos os conteúdos de maneira integrada, aí então que grande parte das nossas categorias de base, Brasil adentro, realmente está perdida, e não tem a menor ideia do que fazer.

Alguns projetos em nosso país começaram, ainda que de certa forma,
tardiamente, a se preocupar com isso.

E não tenho dúvidas: quando a grande maioria das equipes profissionais e departamentos de categorias de base acordar, aquelas e aqueles que hoje já vêm tentando estruturar esses conteúdos vão estar bem na frente.

Que toque o despertador!

Para interagir com o autor: rodrigo@universidadedofutebol.com.br

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Três rapidinhas

Três notas rapidinhas nesse úmido período de férias:

1) O futebol brasileiro deveria participar mais dos projetos de reconstrução do Haiti. É o mínimo que precisa ser feito para pagar a enorme dívida de gratidão. Afinal, acredite, a Copa do Mundo de 2014 só veio pro Brasil por causa do Haiti. Não fosse por ele, Lula não teria se encontrado tão cedo com Ricardo Teixeira, que ofereceu a seleção de graça para jogar o amistoso com o país, coisa que foi pedida pelo presidente Haitiano por conta da designação do Brasil como chefe de missão de paz da ONU. Se o amistoso não tivesse acontecido, Lula não teria se reunido tão cedo com Teixeira. E se essa reunião não tivesse acontecido, a Copa de 2014 provavelmente não viria para cá. E se a Copa não viesse para cá, o futebol brasileiro dificilmente viveria o “oba-oba” atual. Eis, portanto, razão suficiente para uma participação mais incisiva do futebol brasileiro na recuperação do Haiti. Coisa que, convenhamos, não vai acontecer.

2) É óbvio que os valores de patrocínio no Brasil estão super-inflacionados, o que não é algo necessariamente ruim. O que espanta é a curta duração dos contratos, coisa que nenhuma empresa sã que saiba o que está fazendo quando patrocina um esporte faz. Isso mostra uma certa imaturidade do mercado patrocinador, mas não do patrocinado. Ninguém pode imaginar também que o nível de exposição de uma marca justifique tamanho investimento no país, especialmente porque essa exposição é extremamente controlada por apenas um veículo. Isso pode levar a duas alternativas: ou está sendo criada uma bolha de patrocínio no país ou tem alguma estratégia muito diferente por trás disso tudo. De qualquer maneira, se for levado em conta que para ativar um patrocínio de maneira minimamente adequada uma empresa precisa investir praticamente duas vezes o valor que ela gasta com o patrocínio, a Hypermarcas vai gastar muito, mas muito dinheiro esse ano em promoção de seus produtos. Bom para o Corinthians e para o Flamengo. Para a Hypermarcas, talvez não tanto.

3) A crescente dívida do Manchester United mostra exatamente o porquê de não se salutar o modelo de clube-empresa. Quando um clube tem um dono, ele faz o que bem quiser com o clube. Afinal, ele é o dono. No caso do Manchester United, Malcom Glazer e sua trupe de filhos, que são os donos do clube, tiraram sacos e mais sacos de dinheiro do clube em forma de pagamento por serviços prestados e até empréstimos. Enquanto isso, a dívida do clube cresce. E os resultados em campo começam a preocupar. Se o Manchester United não ganhar nada esse ano, a torcida vai se revoltar. Vai xingar. Vai protestar. Mas vai ter pouco o que fazer, a não ser que autoridades públicas se envolvam com a questão. Afinal, os caras são os donos. E, como donos, eles fazem o que eles bem entenderem. Imagina se isso acontece por aqui?

Para interagir com o autor: oliver@universidadedofutebol.com.br