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Origem, evolução e atualidade do futebol no cenário mundial

O futebol vem sendo muito estudado por várias áreas acadêmicas, como a Sociologia, a Antropologia, a História e principalmente a Educação Física. Estas, direta ou indiretamente, estão fomentado as pesquisas e contribuindo com o processo evolutivo da modalidade.

Talvez a principal razão para esse empenho da comunidade acadêmica em relação ao futebol esteja relacionado ao quanto a manifestação esportiva é capaz de mobilizar pessoas. Nota-se que essas mobilizações que atraem a grande massa não são recentes. Desde o império Romano, os esportes, embora violentos, eram muito apreciados e se configuravam também em necessidade social e política.

Há relatos de uma prática esportiva parecida com o futebol há mais de 2600 a.C, na China: era chamado de “Kemari”, um esporte tradicional, utilizado na época para a prática de exercícios físicos. A peculiaridade desse esporte era a bola de 22 centímetros, confeccionada de cabelos e crinas de animais (DUARTE, 2005).

Na idade média, especificamente na Inglaterra, o futebol tinha uma característica muito violenta – era chamado de futebol selvagem, do qual todos podiam participar, independentemente da cor, sexo ou condição social. Duarte (2005) descreve que nesta época existiu uma partida da atividade que contabilizou quinhentos jogadores para cada time, ou seja, 1000 mil jogadores ao total. O campo dessa partida era delimitado apenas pela entrada e saída de uma cidade inglesa.

Ainda na Idade Média, os italianos também praticavam um esporte que se chamava “cálcio”, muito semelhante ao futebol de hoje. O cálcio chegou à Inglaterra por volta do século XVII, foi adaptado pelos ingleses e exportado para o mundo como o futebol atual. Daí para a França, em 1872, Suíça, em 1879, Bélgica, em 1880, Alemanha, Dinamarca e Holanda, em 1889, Itália, em 1893, e no Brasil, em 1894 (DUARTE, 2005).

Embora existam vários relatos de quem foi o responsável pela introdução do futebol no território brasileiro, preferimos acreditar que o paulistano Charles Miller em 1894, que na época estudava na Inglaterra em Southampton depois de ter cursado a Banister Court School, desembarcou em Santos, no litoral paulista, com duas bolas de couro, deu início à modalidade esportiva por aqui.

A partir do pontapé inicial que Charles Miller deu ao futebol brasileiro até os dias atuais, houve uma grande evolução da modalidade, alterações nas regras, no sistema de jogo, na formas de treinamento, nos materiais utilizados, entre outras mudanças.

No sistema de jogo tudo teve início a partir de 1860, onde foi adotado o máximo de onze jogadores para cada lado. Em 1863, começou-se a pensar como os atletas deveriam se posicionar dentro de campo – assim, foi criado o primeiro sistema de jogo do futebol, um zagueiro e um médio volante, que teriam obrigações defensivas. O sistema ofensivo era formado por oito jogadores, caracterizado como sistema (1x1x1x8). Daí por diante vieram muitos outros sistemas, (1x1x2x7) em 1870, sistema (1X2X3X6) em 1871, sistema (1X2X3X5) em 1883 e os dois sistemas mais utilizados na atualidade (1X4X4X2), além do (1X3X5X2), comum na Europa.

Outra mudança significativa na modalidade refere-se à forma de se treinar os aspectos físicos do futebol. Quem da década de 70 e 80 não se lembra que os atletas deveriam dar inúmeras voltas no campo e chegavam a correr 10 km por dia? Nota-se que predominava o sistema aeróbio e pouco valor era dado ao sistema anaeróbio, que hoje chega a corresponder a 80% do treinamento físico total do esporte.

Outro exemplo da mudança no método de treinamento físico que ocorreu nas duas últimas décadas foi dado pela Revista Veja, quando publicou em 22 de agosto de 2008 o artigo intitulado “Mais forte, mais largo, mais sarado”, comparando a composição corporal dos jogadores Falcão e Cristiano Ronaldo, deixando visível a maior quantidade de massa muscular e o menor percentual de gordura corporal no jogador português.

Sob a ótica dos materiais, percebe-se também grande evolução. As famosas bolas de “capotão” foram substituídas por bolas revestidas de materiais sintéticos, muito mais leves e macias. As chuteiras anatômicas, as camisas mais frescas e confortáveis, as travas adequadas ao gramado aumentam a performance e contribuem para prevenção de lesões.

Talvez a mudança mais expressiva no futebol, particularmente no Brasil, seja atribuída à questão social, uma vez que o futebol no início da sua prática era considerado um esporte de elite, praticado apenas pelos sócios dos clubes existentes na época. Hoje, pertence à sociedade de modo geral, independente da raça ou diferença social.

Todas essas mudanças, aliadas ao forte apelo da mídia para a modalidade, fizeram com que o futebol passasse de um simples esporte praticado e visto por poucos a um esporte praticado e visto por muitos.

Hoje o futebol é responsável pela maior competição individual do mundo, a “Copa do Mundo de futebol”, realizada a cada quatro anos em algum país diferente. É caracterizado com um esporte jogado com poucos protagonistas e muitos espectadores e, por esse motivo, passou a ser um grande negócio para a indústria esportiva nacional e internacional. Transformou-se numa possibilidade de ganhar muito dinheiro.

A mais recente amostra do esporte mercantilista divulgada pelos meios de comunicação nacionais e internacionais é a contratação do jogador Ronaldo, do Corinthians, que na época se encontrava impossibilitado de exercer sua profissão “jogar futebol”, devido a diversos “limitantes fisiológicos”, mas mesmo assim rendeu ao clube muito dinheiro com vendas de camisas e outros “bibelôs” relacionados ao “Fenômeno”.

Apesar de concordar com iniciativas de tentar manter os nossos jogadores em nosso país, acredito que esta super-valorização do atleta profissional mascara a desvalorização das categorias de base dos clubes.

De acordo com Alcântara (2006), cerca de 76% de todosos jogadores de futebol que atuam no país ganham até dois salários mínimosmensais enquanto atletas como Rogério Ceni, atuando no Brasil, e Ronaldinho Gaúcho, na Itália, ganharam aproximadamente 300 mil reais e 23 milhões de euros respectivamente neste mesmo período.


Alcântara destaca em seu texto intitulado “
Negócios, transações e personagens”:

“Vou ser jogador de futebol profissional.” Essa é uma das frases mais ouvidas entre garotos brasileiros na faixa etária compreendida entre os 12 e os 16 anos. O curioso é que o “quero ser” foi substituído pelo “vou ser”. O que, à primeira vista, pode parecer uma demonstração de absoluta autoconfiança, provavelmente é a ignorância quase total em relação aos percalços e às enormes dificuldades que essa “vontade” ou decisão representa.(p.297)
 
 
Assim como o autor citado anteriormente, a minha principal preocupação com o futebol não está no departamento profissional, e sim no departamento amador dos clubes, pois a maioria dos dirigentes conduz suas equipes de base fazendo destas uma indústria de especialistas, utilizando métodos de treinamentos sistematizados, mesmo sabendo que os maiores jogadores do mundo na atualidade saíram de uma escola bem diferente.

A desvalorização do esporte de base ocorre com mais frequência em clubes menores e de cidades do interior, onde a contratação de profissionais sem formação acadêmica e principalmente pedagógica é prática comum. Em grande parte dos casos, esses profissionais contratados são apreciadores, mas não professores de futebol, geralmente são ex-jogadores que fizeram parte da história do clube e que precisavam fazer um “bico”.

Sei que para toda regra existe uma exceção e da mesma forma que não podemos descartar o conhecimento pedagógico de um professor especializado, também não podemos eliminar as qualidades de um ex-jogador nas suas competências técnicas e táticas. No entanto, o trabalho das categorias de base deve ser direcionado pedagogicamente por profissionais que estejam preparados ou no mínimo tentando se preparar para a atuação na área.

Pela grande abrangência e profundidade em nossa sociedade, o futebol deve ter um tratamento pedagógico que respeite os estágios de crescimento e desenvolvimento da criança. Seu treinamento deve ser organizado de acordo com essas fases e os procedimentos metodológicos envolvido no processo ensino-aprendizagem avaliados constantemente.

É importante que todos os envolvidos com o esporte coletivo futebol entendam que a modalidade não deve se restringir a um fazer mecânico, mas sim, uma possibilidade de aprender atitudes, habilidades e outros componentes educacionais.

O grande problema para conseguir fazer do futebol um esporte educacional é a super- valorização dos jogos competitivos, que enfatiza cada vez mais a vitória e deixa de lado aspectos importantes na formação integral dos praticantes, aspectos estes que devem ser valorizados e priorizados (BRASIL, 1998).

Tenho convicção de que o esporte-educação é a melhor forma de se conduzir o futebol nacional na atualidade. Se o esporte futebol é tão influenciador em nossa sociedade, porque não usá-lo como uma ferramenta para trabalhar a educação das nossas crianças e jovens? 

Apesar de existirem muitas áreas acadêmicas estudando a modalidade esportiva futebol e inúmeros trabalhos científicos descritos na literatura, ainda há certa resistência dos professores, técnicos, treinadores e supervisores em buscar métodos baseados em estudos científicos.

Assim, com a preocupação de resgatar o uso do esporte futebol com finalidade educacional e de estudá-lo usando métodos científicos é que em 2007 e 2008 nosso grupo de estudo em futebol iniciação e rendimentoGefir – publicou dois resumos em congresso e um artigo referente ao festival de mini-futebol na antiga Cidade do Futebol. As publicações foram feitas no formato de relato de experiência e mostra a possibilidade de se trabalhar o futebol de forma simplificada e educacional, tanto dentro como fora da universidade (RAVAGNANI, 2008).

Por fim, a produção desse texto teve como objetivo o fomento de discussões relacionadas à modalidade, ou seja, contribuir para que o futebol cresça cada vez mais e possa ter a possibilidade ser utilizado de forma educativa pela sociedade.  

 
Bibliografia
 

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais (PCN): Educação Física / MEC / SEF, p. 114, 1998.

Alcântara, H. A magia do futebol: Negócios, transações e personagens.estudos avançados, 2006.

KUNZ, E. Didática da educação física: Futebol. 2º ed. Unijui, 2005.

DUARTE, O. Futebol regras e comentários. SENAC, São Paulo, 2005.

GOLIN, C.H.; NETO, M.P.; MOREIRA, W.W. Educação física e motricidade: Discutindo saberes e intervenções. Seriema Indústria Gráfica e editora, 2008.

RAVAGNANI, F.C.P. Relato de experiência: 2º Festival de mini-futebol da Universidade Católica Dom Bosco 2008. [http://cidadedofutebol.uol.com.br/cidade07/], 2008

SEAGLIA, A.J. Escolinha de futebol uma questão pedagógica. Rev. Motriz, V. 2, N.1, junho, 1996.

DARIDO, S.C. ; RANGEL, I.C.A. Educação física na escola: Implicações para a prática pedagógica. Guanabara Koogan, 2005.

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As equipes brasileiras vs o 1-4-4-2 com duas linhas de quatro

Por que as equipes brasileiras mostram dificuldades para jogar quando enfrentam equipes da América do Sul que jogam com “duas linhas de quatro jogadores”?

Essa pergunta foi feita por um dos notáveis, do Café dos Notáveis, logo após o 1º jogo entre Palmeiras e Nacional do Uruguai pelas quartas-de-final da Taça Libertadores da América 2009. O jogo terminou empatado (1 a 1). Muito interessante sob vários aspectos.

O futebol brasileiro vive um momento interessante. Do “passado discurso recente” de que no futebol não há mais nada para se “inventar” ao “presente discurso recorrente” de que temos coisas novas para aplicar, um sem número de discussões tem surgido para defender essa ou aquela tese. Jogadores de sucesso internacional vêm sendo repatriados, e tem se tornado comum que, vez ou outra, um deles defenda em público a idéia de que o futebol brasileiro está muito atrasado com relação ao europeu – fora de campo (nenhuma novidade!) e dentro dele.

O posicionamento desses jogadores sobre as questões táticas do jogo comumente causa polêmica. Aqueles mais intelectualizados (poucos!) sustentam facilmente seus argumentos e deixam jornalistas e “especialistas” esportivos sem espaço para seus devaneios “boleirísticos”. Os outros pensam que têm razão, mas não conseguem materializá-la em palavras, e logo são vencidos por retóricas mais incisivas.

Pois bem. Na pergunta inicial do texto, a evidência de um fato: equipes brasileiras têm dificuldades para enfrentar esquemas táticos que estruturam duas linhas de quatro jogadores para marcar. Mas como a questão voltou à tona em função do jogo entre Palmeiras e Nacional do Uruguai, ao invés de falar especialmente das dificuldades das equipes brasileiras em geral, vou falar da equipe do Palmeiras especificamente no jogo mencionado.

Sim, a equipe brasileira teve dificuldades contra o 1-4-4-2 com duas linhas de quatro da equipe uruguaia. Jogadores foram substituídos, mudanças foram feitas e de resultado efetivo… nada!

Em primeiro lugar eu diria que os problemas palmeirenses não estiveram presentes especificamente nas “linhas de quatro” uruguaias, mas sim no fato de que elas (as linhas) foram construídas tendo referências zonais; e aí a minha antiga tese: como confundimos marcação zonal com marcação individual por setor, não sabemos exatamente o que fazer contra marcações zonais – diagnóstico equivocado, remédio errado; como confundimos marcar à zona com jogar à zona, centramos o problema na construção defensiva do adversário e não no jogo em si.

Quando uma equipe constroi em seu sistema defensivo referências zonais, passa a ter como norte para a ação dos jogadores a ocupação inteligente dos espaços do campo de jogo, porque a preocupação fundamental dela está em marcar esses espaços, fechando linhas de passe e protegendo setores específicos do campo. Então, o problema primário dessas referências não está em não deixar o jogador adversário sozinho em zonas de risco, mas sim impedir que a bola efetivamente chegue até ele em condições reais de perigo.


Quando a referência zonal, em um 1-4-4-2 está estruturada em duas “linhas de quatro”, solicita-se à equipe que o aplica uma manutenção permanente das linhas, flutuando de um lado ao outro do campo de jogo de acordo com a posição da bola, sem permitir que elas se quebrem, sofrendo apenas algumas conformações em função das situações criadas pelo adversário.

Uma de suas fragilidades está no espaço “vazio” que surge entre as duas linhas (que é um espaço de responsabilidade dos jogadores das duas linhas, e que por ser uma área de transição entre elas, traz possibilidades de indecisão e quebra na estrutura por parte de quem marca), que se torna, portanto, região intensamente protegida para impedir que a bola penetre nela.

A equipe do Palmeiras aproveitou muito mal essa fragilidade. Foram raros os momentos em que um de seus jogadores ocupou esse espaço (sendo àquele que medianamente o fazia [Keirrison], dando um pouco mais de trabalho à equipe uruguaia, substituído por Luxemburgo).

Para não ter dificuldades em estruturar as suas linhas zonais sem bola no campo de defesa durante as transições defensivas, o Nacional, quando tinha a posse da bola no seu campo de ataque, também se estruturava de forma zonal, mas aí, ao invés do 1-4-4-2 em linha, construía um 1-4-4-2 com um quadrado na “linha” do meio-campo (que era rapidamente desmanchado para transicionar à linha propriamente dita).

A opção pelo 1-4-4-2 em quadrado (em equipes que marcam no 1-4-4-2 em linha) se deve principalmente ao fato de que essa estrutura, comparada ao 1-4-4-2 em linha, propicia um balanço defensivo mais sólido na transição ataque-defesa, especialmente pela melhor ocupação da faixa central do campo de jogo.

Então outro aspecto que tem se tornado marca no Palmeiras, que é a construção de contra-ataques incisivos quando recupera a posse da bola, acabou por se dissolver na boa estrutura de transição defensiva da equipe uruguaia, que, para as bolas curtas, apostou no seu quadrado zonal do meio-campo e nas bolas longas no posicionamento congruente de seu goleiro, que foi elemento efetivo da composição do sistema defensivo do Nacional (possibilidade aproveitada por poucos treinadores no Brasil).

Na equipe do Palmeiras, por exemplo, o posicionamento do goleiro não esteve associado à estrutura do balanço defensivo, porque na grande maioria das vezes em que isso poderia se evidenciar acabou não se mostrando regra. Vale destacar, claro, que essa não participação efetiva e permanente do seu goleiro no balanço defensivo, apesar de não representar problema visível no nível da estratégia (especialmente pela forma com que se construiu o jogo), pode atrair os padrões de auto-organização coletiva da equipe do Palmeiras a direções não desejadas.


E como se não bastassem os problemas que o jogar zonal da equipe uruguaia trouxe ao jogar da equipe brasileira, escapou ainda ao Palmeiras a compreensão para identificar princípios operacionais e regras de ação mais adequadas para a construção do seu atacar, defender e transicionar (por exemplo, apesar de ter como princípio operacional ofensivo a progressão ao ataque – o que poderia parecer adequado para confrontar o princípio operacional de defesa da equipe uruguaia, especialmente a partir da “linha 3”, que era o de impedir progressão – o Palmeiras errou na maior parte do tempo adotando como prin
cípio operacional de transição ofensiva retirar a bola da zona de recuperação/pressão; isso fez a equipe perder tempo para construir sua fase de ataque, permitindo ao Nacional ocupação do espaço equilibrada para cumprir sua organização de defesa).

A partir daí, só restou ao Nacional, direcionar a equipe brasileira para as faixas laterais do campo, ora para forçá-la a circular a bola sem objetividade, ora para encaixar a marcação e recuperar sua posse.

Pois é. Enquanto apostamos no surgimento de novos talentos, craques e fenômenos ao prazer do acaso (já que, em geral – ainda que haja exceções -, o trabalho de base no Brasil, com aplicação efetiva de Ciência, quase não existe), outros países têm investido cada vez mais em processo de formação e conhecimento (de jogadores e treinadores!). Claro, poucos são os que podem se dar ao luxo de ter muitos milhões de praticantes de futebol, para que mesmo “aos trancos e barrancos” apareça alguém especial.

E o pior de tudo é que não percebemos que não é só na Europa, mas alguns de nossos vizinhos já passaram à nossa frente; em modelos, métodos e meios de trabalho. Mas fazer o quê, enquanto tivermos nossos grandes jogadores resolvendo os problemas, que não são deles (no jogo e fora dele), continuaremos ainda perdendo e ganhando sem saber realmente por quê. E aí, bom, aí deixa pra lá…

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Os números da bola

Caros amigos da Universidade do Futebol,

Gostaria de utilizar o espaço desta semana para destacar o trabalho de Casual Auditores, que já vem se consolidando como uma contribuição rotineira e fundamental nas temporadas desportivas do futebol profissional brasileiro.

A cada semana expressamos aqui o nosso desejo de ver um futebol no Brasil tão profissionalizado e organizado como na Europa. Temos um mercado consumidor com grande potencial e a grande maioria dos talentos do futebol mundal.  Então, o que falta para termos um campeonato local tão valorizado como é o caso de certas ligas européias nacionais, como a inglesa, a alemã, a italiana, a espanhola, a francesa, etc.

Falta força financeira e, certamente, maior governança corporativa, tranparência, acesso à informação, etc.

Nesse cenário, relatórios comparativos, análises financeiras e publicações especializadas são fundamentais não só para alertar a todos sobre a atual realidade dos clubes, mas como, principalmente, para auxiliar os atuais dirigentes a melhor visualizarem um planejamento estratégico adequado.

A Casual Auditores acaba de publicar um documento preliminar de seu costumeiro exame anual extensivo, contendo já importantes números sobre os clubes nacionais, com comparativos entre a atual temporada e temporadas passadas.  Essa já é a quinta edição de tal publicação (a publicação integral está previsata para julho deste ano).

O estudo mostra a manutenção de São Paulo e Inter como os clubes mais poderosos em termos financeiros, com leve redução quando comparada com o ano passado. Mostra também a evolução de Palmeiras e Flamengo. Indica ainda o sucesso de novos clubes, com o caso do Barueri que, apesar de uma pequena redução frente a 2008, já está conquistando seu espaço definitivo entre os grandes clubes do futebol brasileiro.

No âmbito regulatório, essa análise é de igual importância. Não podemos pensar em reformas legislativas ou regulamentares que visem melhorar a condição dos clubes, se não soubermos com precisão quais são os reais problemas, e qual é a real situação das agremiações. 

É com base nesses números, podemos avaliar, por exemplo, se a atual distribuição de recursos obtdidos com a comercialização dos direitos televisivos dos diversos campeonatos em nosso país merece ou não ajustes. Se é preciso haver maior solidariedade com os clubes menores e com clubes preponderantemente formadores, que estão na base da pirâmide.

A viabilidade econômica também é algo que pode ser “gerenciada” por meio da análise aprofundada do estudo. Sabemos que clubes que dependem de transferência de seus jogadores ao exterior (fonte variável de receita) sempre andam “na corda bamba”.  O estudo em comento mostra, por exemplo, o Grêmio, que teve uma redução nas receitas com jogadores, mas que conseguiu solidificar suas finanças por meio de fontes alternativas. Segundo a análise da Casual, o Grêmio “registrou uma melhora significativa nos recursos gerados com bilheteria, sócios e royalties, que atingiram R$ 4,1 milhões, evolução de 450% em comparação com 2007”.

Esperamos que os nossos dirigentes, de fato, utilizem essas informações para o bem de seus clubes, e, indiretamente, para o bem do futebol brasileiro.

Para interagir com o autor: megale@universidadedofutebol.com.br

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Os desafios da BMW

Esqueçamos por um minuto do Barça, do Manchester e dos gladiadores com roupas estranhas da Champions League. Muito do que se pode falar sobre o jogo já foi ou será falado nos próximos dias. Sem razões, portanto, para eu me delongar sobre o assunto. Talvez apenas sobre a roupa estranha do gladiador.

Muito mais importante do que a Champions League foi o que aconteceu no final de semana. Em particular com três clubes, cujas iniciais ilustram o título da matéria. O B é o Burnley, clube de uma cidade de 70 mil habitantes que conseguiu ganhar o jogo mais caro do mundo, dizem, que é o play-off da Championship da Inglaterra, a segunda divisão. O clube que ganha a partida leva para casa automaticamente 60 milhões de libras, valor da cota de televisão para o ano seguinte na Premier League. 

O desafio agora é saber o que fazer com o dinheiro. Afinal, Burnley é uma cidade realmente pequena. Posso falar porque estive lá, visitando o clube no ano passado. Tem um bom restaurante italiano, no qual fui confundido com um potencial reforço brasileiro para o clube. A cidade é uma espécie de subúrbio de Blackburn, que por sua vez é uma espécie de subúrbio de Manchester. Apesar de simpática, a economia não é das coisas mais desenvolvidas. Até por isso, o clube sabe que estar na Premier League é um luxo do qual não vai poder desfrutar por muito tempo. 

O Burnley tem planos para reformar o seu estádio e o seu centro de treinamento, o que deve consumir aproximadamente um quarto do novo dinheiro. Precisa também pagar algumas dívidas, uma vez que, todo ano, o clube fecha no vermelho e é parcialmente financiado pelos seus próprios donos. Nisso tudo vão mais uns 5 milhões de libras. Sobram 40 milhões pra montar um time pra Premier League. É muito pouco. A possibilidade do Burnley voltar pra segunda divisão no ano que vem é muito grande, e seus dirigentes sabem disso. A tendência agora é que o clube capitalize com a venda de alguns jogadores e monte um time modesto com parte da nova verba. O resto deve ficar como contenção. Apostar as fichas em um bom desempenho do time que representa a menor cidade a fazer parte da Premier League na história certamente não é uma boa ideia.

O W é pro Wolfsburg, clube duma cidade de 120 mil habitantes que foi campeão da Bundesliga meio que sem querer. Nem o técnico acreditava nisso. Aliás, ninguém devia acreditar, principalmente porque o clube virou o meio da temporada em uma posição intermediária na tabela. Mas aí o time encaixou, o Grafite descambou de fazer gols, e eles foram campeões. O que fazer na temporada que vem? Investir no time para fazer bonito na Champions League e tentar o bi no Alemão ou tentar capitalizar ao máximo para permitir que o clube tenha desempenhos respeitáveis pelos próximos anos? Se eu bem conheço a cultura alemã, a torcida do Wolfsburg não deverá invadir o gramado no ano que vem. Pelo menos, não para comemorar um título.

E o M é pro Newcastle. Certo. Newcastle não começa com M. Mas o título perderia a graça se eu colocasse um N. Além do mais, o Newcastle também é conhecido como Magpies, então o M acaba não ficando tão perdido assim. De qualquer maneira, o Newcastle é da cidade de Newcastle upon Tyne, que tem aproximadamente uns 200 mil habitantes. É um dos piores lugares do mundo pra morar. Diz a lenda que quando o Kluivert foi jogar lá, a mulher dele começou a chorar quando eles foram procurar um lugar pra morar. E não foi de alegria.

De qualquer maneira, o Newcastle está ferrado. É um clube que há tempos não consegue jogar bem, apesar de contar com jogadores bastante renomados, como Owen, Martins, Butt, Viduka, Duff e … Caçapa. A folha salarial na temporada que acabou consumiu cerca de 70 milhões de libras. Por conta do rebaixamento, a receita deve cair aproximadamente os mesmos 60 milhões que o Burnley vai ganhar. Para piorar, nenhum dos jogadores possui cláusulas de reduções de salário por conta do rebaixamento, o que significa que ou o clube vende e renegocia salários, ou a quebradeira é certa.

Os desafios para esses três clubes são enormes, principalmente agora que é o período do planejamento da próxima temporada. É certo que hoje clubes estão mais cautelosos com suas finanças, mas vai ser curioso observar qual será o comportamento desses três clubes citados acima. Dependendo do que acontecer, qualquer um deles pode ser o próximo Leeds United rapidinho. E o que os dirigentes precisam ter na cabeça é que independente do que eles decidirem, dificilmente eles poderão ser o Barcelona de amanhã.

Para interagir com o autor: oliver@universidadedofutebol.com.br

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Pesquisa e desenvolvimento

O Internacional desenvolveu e produziu, no fim de 2008, um boneco em miniatura do seu capitão e ídolo da torcida, o argentino Guiñazu. Resultado: vendeu 5.000 unidades em cinco meses ao custo de 50 reais cada, com faturamento de R$ 1.500.000. Na esteira deste sucesso comercial, o clube acaba de lançar a miniatura de outro craque argentino de seu elenco, D’Alessandro.

O Flamengo também anunciou, neste mês, o lançamento de bonecos de ídolos históricos, a começar pelo folclórico Nunes, chegando ao recém-aposentado Fabio Luciano e ao “Imperador” Adriano.

Confesso que não sei se já virou notícia, mas é provável que a estas iniciativas se somem o mini Ronaldo Fenômeno do Corinthians muito em breve…

Agências de turismo especializadas nas viagens do clube e de seus fãs também podem servir como ótimos exemplos (no Brasil, já percebemos esta realidade em alguns deles).

O licenciamento de produtos dos clubes sob esta forma de brinquedos e ícones dos ídolos não é inédito. Clubes europeus têm tido êxito com uma vasta gama de produtos licenciados, geralmente fabricados na Ásia (China), o que acaba aumentando ainda mais suas margens de lucro – ressalvas sobre direitos humanos à parte… Eu mesmo pude ver na Europa coleções completas dos melhores jogadores de Barcelona, Valencia e Real Madrid à venda nos principais magazines, com preços e tamanhos variados. 

Tais exemplos são significativos do potencial de geração de novas fontes de receita para os principais clubes do futebol brasileiro.

Entretanto, para que se possam ampliar os efeitos positivos desta segmentação de mercado, os clubes deveriam dedicar atenção à criação de um setor especializado em pesquisa e desenvolvimento de produtos, serviços e projetos, que poderia ser vinculado diretamente ao seu departamento de marketing.

Para corroborar com o cenário favorável, os clubes podem realizar pesquisas de forma privilegiada, principalmente junto aos torcedores ou sócio-torcedores, cuja avidez em fazer parte da vida cotidiana do clube é notória. Isso possibilita o desenvolvimento de produtos com risco de insucesso minimizado e não deixaria o clube refém de lançamentos de “oportunidade”, muito condicionados ao timing correto.

Os sócio-torcedores e torcedores representam o melhor perfil de consumidor, pois advogam em favor da marca do clube e multiplicam os efeitos do posicionamento dos produtos e serviços junto às suas redes sociais.

Somem-se a isso as maravilhas do e-commerce atualmente e o mercado poderá vivenciar taxas exponenciais de crescimento.

Não obstante, os processos de desenvolvimento de novos produtos e serviços demandam análise aprofundada de informações e fatores de influência, tais como dados demográficos, socioeconômicos, mercado consumidor, custos de produção, capacidade de produção, de distribuição, de promoção e de comercialização.

Portanto, cumpre destacar que o termo consagrado no mundo dos negócios, e que o futebol deve obedecer é, nessa ordem, pesquisa e desenvolvimento – não o contrário.

Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br

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Periodização física x periodização tática

“A verdade jamais é pura e raramente é simples.” (Oscar Wilde)

Muito se fala, nos dias atuais, a respeito da periodização tática e na redução de espaço nas comissões técnicas para o preparador físico. Este mesmo autor que aqui vos escreve, em um dos artigos, destaca o fim dessa função. Na verdade, no fim da forma reduzida em que se encontra inserido esse profissional.
 
O que ocorre de fato é uma onda de admiradores da nova forma de pensar o futebol (periodização tática), em que os jovens profissionais, impulsionados pelo anseio de se tornarem sofisticados e atualizados, se jogam de cabeça numa metodologia de treinamento que vai muito mais além do que acontece no dia-a-dia de trabalho.
 
Na periodização tática, nada ou quase nada tem a ver com rendimento físico puro. Nesse conceito, tudo é dependente do modelo de jogo, organizado em princípios, sub-princípios e sub-princípios dos sub-princípios de jogo. Ainda podemos reforçar que o conceito de fadiga está totalmente agregado ao desenvolvimento de situações- problema envolvendo exigências cognitivas em que os aspectos psicológicos, físicos e táticos estão embutidos.
 
Enfim, podemos sugerir ou ainda definir que nessa linha de trabalho não há espaço para o preparador físico, decisivamente, salvo na sala de musculação, função esta que pode ser destinada, também, ao fisioterapeuta. Assim, no campo de trabalho, as questões motoras específicas da modalidade são destinadas ao treinador e auxiliares técnicos que, em perfeita sintonia, têm plena consciência do modelo de jogo (anteriormente mencionado) e trabalham apenas em função dele.
 
Pela periodização física, dentro dos vários modelos existentes (períodos, blocos, ciclos, etc.) e dos vários autores conhecidos (Verkoshansky, Matveev, Valdivielso, etc.), podemos definir como a forma de treinamento ou preparação em que os aspectos técnicos e táticos estão agregados ao treinamento físico.
 
Os componentes físicos são organizados em períodos para a obtenção de melhor desempenho em determinado momento da temporada, ou em blocos, buscando um nível de trabalho alto em grande parte do ano.
 
Com isso, a figura do preparador físico é peça fundamental para a manutenção, aquisição de rendimento físico, recuperação física e principalmente no planejamento do trabalho. Mesmo no trabalho integrado com aspectos táticos e técnicos, a carga de trabalho respeita capacidades e intensidades físicas e seus objetivos.
 
Ainda sim, um treino tático de 11×11 (também conhecido como coletivo), mesmo considerando a carga cognitiva, esta última, ainda assim, caminha no mínimo ao lado com a carga física.
 
Considerando essas duas formas de se planejar, pensar e trabalhar o futebol, podemos compreender alguns pontos que são fundamentais ao se optar por uma delas:
 
ü       As duas formas são eficientes;
ü       O entendimento da linha de trabalho nas duas formas é fundamental;
ü       O preparador físico só existe realmente, de forma atuante, na periodização física;
ü       É importante entender a “cultura” esportiva das pessoas, países ou clube em que vai trabalhar, principalmente se for com categoria de base;
ü       O treinador em qualquer nível de treinamento é que irá definir se quer na sua comissão preparador físico ou auxiliar técnico (mesmo que o preparador físico o ajude também em questões técnicas e táticas);
ü       O objetivo do preparador físico e do auxiliar técnico é trabalhar em função do treinador, e não o contrário.
 
Continuando esse assunto, afirmo que o preparador físico continua “vivo”, não de forma descontextualizada, mas bem integrado às posições e pontos de vista do treinador, que é o chefe da comissão técnica que trabalha com os conteúdos técnicos e táticos agregados ao treino físico na planificação do desempenho.
 
Mas essa função acabou, com certeza, para os adeptos da periodização tática. Contudo, não acredito que uma das duas seja a melhor forma, mas sim que o melhor trabalho é aquele realizado em função das aspirações, pensamentos e metodologia utilizado pelo treinador.
 
A questão maior é que a periodização tática não é sustentada pelos trabalhos com jogos reduzidos ou mesmo treino físico com bola (como alguns acreditam, aliás, não há treino físico nessa forma), ela é justamente uma questão de entendimento de seus mecanismos e de uma compreensão profunda de como ocorrem as adaptações pelo treino sustentado no modelo de jogo.
 
Assim, não é aconselhável se aventurar por ela sem esse entendimento e, portanto, é melhor continuar com a outra linha em que a fragmentação pode facilitar o planejamento e o entendimento dos fatores.
 
Finalizo esse artigo aconselhando os jovens preparadores, treinadores e dirigentes a considerarem a última afirmação para que haja um entendimento único em seus respectivos clubes e comissões.
                    
*Wladimir Braga é preparador físico do Clube Atlético Mineiro e membro do Geaf
 
Contato: wladbraga@gmail.com
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São Paulo: poucas alternativas ofensivas e a “subutilização” do atacante Borges

Após terminar o Campeonato Paulista na 4ª colocação, a equipe do São Paulo se prepara para a sequência da Taça Libertadores da América e para a busca de um 4º título nacional, consecutivo, no Campeonato Brasileiro de 2009. Porém, até mesmo entre seus torcedores mais fanáticos, começam a surgir desconfianças e um certo descontentamento quanto ao desempenho deste atual elenco.

O sistema defensivo da equipe parece continuar eficiente, no entanto, nota-se que a eficiência na transição meio-campo/ataque parece estar muito concentrada nas jogadas laterais. Já quanto aos gols, estes surgem, em grande número, através de cruzamentos, faltas e cobranças de escanteios.

Como uma base pra essa afirmação, a tabela 1 nos mostra exatamente, em números, como se portou a equipe do São Paulo na construção de seus gols durante todo o Estadual deste ano:


Através desta tabela podemos verificar que quase a metade dos gols da equipe, durante a competição, saiu de jogadas pelas laterais do campo, seguidas de bolas alçadas na grande área e por jogadas de bola parada. Entretanto, também chama a atenção o fato de que o número de gols de cabeça se concentrou mais em jogadas provenientes das cobranças de faltas – uma clara evidência de que a equipe vem treinando bastante essas jogadas.

Por outro lado, a equipe são-paulina parece ter um jogador em especial capaz de contribuir um pouco mais para o rendimento de seu time se o sistema tático proporcionar-lhe um número maior de bolas recebidas, em boas condições de finalização, próximas à área.

Referimo-nos aqui ao atacante Borges.

Por intermédio da concentração de jogadas ofensivas nas tentativas de alçar bolas na área, o São Paulo privilegia os jogadores mais altos, como o centroavante Washington e os zagueiros da equipe – quando estes sobem ao ataque.

Para efeito de estudo, a tabela 2, a figura 1 e a figura 2, abaixo, se referem a alguns jogos decisivos, que determinaram o sucesso da equipe do São Paulo no Campeonato Brasileiro de 2008 e no início da Copa Libertadores da América 2009.

São eles: os seis últimos jogos no Nacional-2008 e os dois primeiros jogos no torneio continental deste ano. A tabela 2 especifica esses jogos, com suas datas, placares e o desempenho do atacante Borges nos mesmos.

Observando a tabela 2, podemos concluir que Borges não obteve números tão ruins em cabeceios nos jogos em questão. Principalmente levando-se em conta a sua eficiência no fundamento, e não sua participação em números absolutos.

Porém, observando a figura 1 (da sobreposição da área de atuação de Borges), juntamente com a figura 2 (da sobreposição das finalizações do atacante), vemos claramente que Borges é um jogador de bastante movimentação, que busca muitas jogadas também fora da área e próximo ao meio campo, que possui uma eficiência bastante positiva em suas finalizações e que, primordialmente, busca essas finalizações através de chutes.

As imagens e os dados são da Prancheta Eletrônica***, da ScoutOnLine Tecnologia Esportiva.



Figura 1: sobreposição dos campogramas com a área de atuação do atacante Borges, em cada uma das partidas relacionadas acima 

 

Em relação a essas informações, parece que um trabalho que vise uma maior variação de alternativas táticas para o setor ofensivo do São Paulo, que incluíssem triangulações pelo meio e algumas jogadas de infiltração, seriam de muita utilidade. Assim, talvez fosse possível aproveitar melhor toda a eficiência do que, a meu ver, é o melhor atacante do grupo de Muricy Ramalho.

Tomando-se ainda uma linha de raciocínio puramente analítica, com relação aos últimos jogos da equipe do São Paulo, poderíamos explorar pelo menos mais dois pontos como sendo também determinantes para essa atual concentração de jogadas ofensivas em bolas alçadas na área. São eles:

 
·         O 2º volante Hernanes é um excelente jogador. Porém, após ser “elevado” à condição de meia-armador e camisa 10 da equipe – talvez numa busca da diretoria em valorizar ainda mais o seu passe – não tem demonstrado o bom futebol que o levou a ser apontado como uma das grandes revelações do futebol mundial em 2008. Nesta “nova função”, o jogador não tem demonstrado muita eficiência.

·         Muricy prefere um meio-campo mais marcador, muitas vezes com três volantes, jogando à frente de três zagueiros, nesse setor. Isso dificulta muito as jogadas pela faixa central e privilegia os alas do time. Uma formação em 4x4x2 ou em 4x3x1x2, com Júnior César na lateral esquerda e Jorge Wágner como meia-esquerda (jogando com a mesma função tática com que jogava no Corinthians de 2002, com maior liberdade e chegando à frente quase que como um 3º atacante) talvez se configurasse numa ótima opção de variação tática. Principalmente para os atacantes.
 
Em suma, como críticos e teóricos do futebol, não vivenciamos o dia-a-dia dos treinamentos do São Paulo e não temos o conhecimento do que exatamente é testado junto à equipe em termos físicos, técnicos e táticos. Porém, analisando os dados da equipe e conhecendo os jogadores do elenco tricolor – principalmente por levarmos em conta suas passagens por outras equipes -, torna-se impossível não questionarmos: como um clube grande, com uma comissão técnica que “trabalha muito”, apresenta tão poucos recursos táticos?

Bem…

Aparentemente, o torcedor são-paulino tem realmente com o que se preocupar. E Borges, continuará tendo que se desdobrar para continuar fazendo seus gols decisivos e, assim, conseguir ter um pouco do prestígio e da visibilidade dos seus companheiros de ataque.

 
* Luciano de Souza é membro do Departamento de Esportes da ScoutOnLine.
 
*** “Prancheta Eletrônica” é uma ferramenta para acompanhamento de scout do jogo, em tempo real, da ScoutOnLine Tecnologia Esportiva.
 
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A saga corintiana – a maior prova de amor da Fiel ao Timão

O livro conta em detalhes o pedaço da história do Corinthians que vai desde a queda para a série B do Campeonato Brasileiro, em 2007, até a campanha quase que perfeita do clube no retorno para a elite do futebol nacional.

A queda para a segunda divisão foi um duro golpe para uma das maiores torcidas do Brasil. Mas seria, na prática, mais uma provação para uma nação que tem na fidelidade e no amor ao seu clube suas principais marcas. E foi baseado nessa ligação com a torcida que o time de Parque São Jorge teve forças de sobra para voltar a figurar entre os principais clubes do país.

Na obra “A saga corintiana – a maior prova de amor da Fiel ao Timão”, Luís Augusto Simon reuniu informações de bastidores para narrar, jogo a jogo, a volta do clube à elite do futebol brasileiro. O jornalista recupera os desafios de cada partida, os personagens e toda a devoção de uma fiel torcida ao seu time.

O autor reúne diversos textos livres muito bem amarrados e escritos, que fazem parecer que o ano em que o time ficou na série B do Campeonato Brasileiro foi como um período de férias, em que a equipe evoluiu muito, chegando àquilo que apresenta atualmente.

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Boleiros do cerrado – índios xavantes e o futebol

A obra é um estudo antropológico bastante aprofundado sobre os sentidos do futebol para parte do povo Xavante, habitante do cerrado do estado do Mato Grosso.

Em “Boleiros do cerrado – índios xavantes e o futebol”, o autor relaciona diversas antropologias: a do esporte obviamente, mas também a da dinâmica entre o global e o local, a do famoso dualismo-temperado-com-faccionalismo xavante e a das relações dos índios com o estrangeiro, no bojo de suas histórias recentes e de seus projetos de futuro.

No livro, são apresentados povos xavante para os quais o futebol é, além de presença certa no dia-a-dia, uma maneira de sociabilização e de encontros com outras aldeias e cidades brasileiras.

Ainda vemos na obra de Fernando L. Brito Vianna que muito da compreensão desses índios sobre o futebol dá-se por comparação com a corrida de toras, tradicional atividade física deles.

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Quando a bola era redonda

Ao contrário das conversas de botequins em que se esbraveja o amor por esse ou por aquele clube, nesta obra as impressões passadas são colocadas de maneira bastante clara e fundamentadas.

Além disso, em "Quando a bola era redonda", Ivan Soter conta que nem sempre a bola é a protagonista do jogo que sem ela não teria como existir. Nesses casos, dirigentes e outros personagens envolvidos com o futebol tomam os holofotes para si.

Contando diversas histórias e acontecimentos, explicitando o seu ponto de vista e enriquecendo com fatos a modalidade mais praticada em todo o planeta.

Em 132 páginas, o autor consegue resumir com clareza diversos aspectos do futebol mundial, com um pouco de nostalgia em relação à época em que a modalidade era jogada exclusivamente por amor à camisa ou pelos momentos de alegria que o futebol pode proporcionar.

Sobre o autor

Ivan Soter é escritor