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O painel de publicidade – também – não pode falhar

Semana passada, a maior parte do primeiro jogo entre Barcelona (EQU) e Grêmio, pela semifinal do principal e mais visto torneio de clubes do continente, ficou sem a publicidade no perímetro do campo, projetada por painéis eletrônicos. Na final da Copa do Mundo sub-17 no último fim de semana, algumas falhas nesta publicidade de mesma natureza. É cada vez mais comum optarem por esta modalidade para dar visibilidade aos parceiros comerciais do clube, do campeonato ou de uma liga – o campeonato brasileiro da primeira divisão é exceção. Ao mesmo tempo não é raro observar falhas no seu funcionamento, nos mais diversos torneios.

No jogo entre Barcelona e Grêmio por quase quarenta minutos as marcas parceiras (ou patrocinadoras, como preferirem) não apareceram. Por falha na operação dos painéis, elas deixaram de ser vistas. Não foram, naqueles instantes, relacionadas a um grande jogo (pelo menos para os gremistas) que é transmitido pelo mundo todo.

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Barcelona (EQU) x Grêmio, sem publicidade no perímetro do campo. /Foto: Lucas Uebel (Grêmio FBPA)

 

Ora, quando uma empresa se associa ao esporte, pressupõe-se que, no mínimo, sua marca seja exposta. Tão importante quanto o retorno financeiro em uma relação de patrocínio, são os ganhos de atribuições conquistados quando marcas se associam: uma esportiva (o evento) e outra que com ele se relaciona.

Foram milhões no mundo todo que não viram quais se relacionavam ao jogo e ao torneio. Por analogia, é o mesmo que um futebolista, quando ao marcar um gol em partida com transmissão da TV para o país inteiro tirasse a camiseta. O patrocinador deixa de ser visto e associado ao momento máximo do futebol.

Os responsáveis pelas marcas que deixaram de ser expostas nos painéis eletrônicos em Guaiaquil devem ter se irritado bastante. É necessário extremo cuidado e zêlo nestas operações, afinal são elas as principais fontes de financiamento destes torneios. Ademais, não tão menos importante, uma falha no painel descaracteriza o espetáculo esportivo, ao torná-lo esteticamente desagradável dentro de um campo de visão como um todo, o que pode ter consequências na audiência da TV.  Em um espetáculo esportivo de alto nível, também o painel não pode falhar.

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O futsal em um clube de futebol

A relação existente entre uma criança brasileira com todo e qualquer espécie de material que possa ser – independente de sua forma, tamanho e peso – controlada com os pés, pode ser vista em todos os cantos do país em virtude de ser o futebol, uma das expressões máximas da identidade cultural deste, onde como se por osmose adentrar-se nos corpos e almas de todos.

No entanto, as características formais do jogo de futebol, em dado momento da história esportiva de um atleta, ainda que embrionária, distanciam-se da melhor possibilidade de uma formação sólida, em termos de entendimento, conhecimento declarativo e procedimental do jogo, assim como a capacidade da intencionalidade do ato e outros aspectos inerentes a um jogar em alta performance, visto as suas grandes dimensões, o número baixo de situações-problemas a resolver quando comparadas a outras modalidades esportivas semelhantes como o futsal e o ambiente social de um grande número de atletas para desenvolvimento da criticidade.

Ainda que haja o desenvolvimento e a lapidação dos aspectos técnicos em função do diminuto e escasso tempo para decidir em relação aos opositores diretos, e o constante contato com a bola em função dos espaços reduzidos da prática formal quando comparados ao futebol, assegurar-se apenas da prática pela prática da modalidade como formadora para o grande jogo, é vestir-se com a capa do autoengano na busca de uma polarização egocêntrica esportiva e dessa forma descaracterizar a complexidade do currículo formativo de um atleta dentro de uma ideia reducionista.

O futsal, ou modalidades semelhantes, para participar como parte integrante da formação esportiva curricular de um atleta de futebol precisa ser praticado por meio de uma metodologia definida pelo clube que atendam o seu modelo de jogo e princípios, dentro uma prática contínua e competitiva, que possibilitem a aquisição máxima do que a modalidade proporciona quando praticada em sua intensidade de concentração e cultura que está inserido.

A modalidade da antiga bola pesada, quando praticada com intenção pedagógica poderá desenvolver aos atletas de futebol sua maior capacidade de percepção do jogo, ao entender que esta é uma ação intencional na busca de referenciais para decidir; estimulará o entendimento e a aplicação dos conceitos de jogo em virtude da quantidade de vezes praticadas em uma sessão de treino organizada; desenvolverá uma cultura do jogar por meio de uma disciplina organizacional do jogo, pois a prática do futsal é segmentada em inúmeros fractais; determinará maior perícia técnica e a intencionalidade de sua ação, assim como a escolha das variantes que a mesma possui para a obtenção de sua construção prévia mental exteriorizada no ato motor; desenvolverá no atleta a capacidade crítica por meio das constantes análises de jogo realizadas e discutidas em grupos menores auxiliando no desenvolvimento social do atleta quando visto dentro de um grupo cooperativo em seus anseios; desenvolverá sua competitividade em todos os momentos de ação por ser uma modalidade de intensa oposição.

Nesse sentido, a migração dos atletas de futsal para a prática do futebol de campo será menos agressiva, de melhor adaptação e mais rápida se algumas alterações técnicas e conceituais forem adaptadas tais como: a técnica do domínio e posição corporal no futsal, assim como a exercitação e o comando técnico dos treinos na primeira participação dos mesmos para a assimilação da linguagem e dos conteúdos propostos, sendo condição sine qua non dentro da estrutura funcional do clube que o treinador que receba tais atletas possua a capacidade de operacionalização dos treinos semelhantes aos praticados no futsal.

O entendimento do senso comum que apenas a prática do futsal é responsável pela formação dos craques do futebol precisa ser superada por uma prática realizada com métodos, objetivos e pedagogia adequada para realizar o transfer para o campo de forma continuada, determinados pelo clube com suas ideologias para que desenvolvam atletas de alto nível em maior quantidade gerando ativos para os clubes e melhores seres-humanos-profissionais conscientes de sua profissionalidade no desenvolvimento integral de suas competências.

*Treinador da categoria sub-20 da equipe JEC/Krona e Auxiliar Técnico da equipe principal.
*Ex-treinador da seleção brasileira de futsal sub17.

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O nome das coisas

A Fifa anunciou na última sexta-feira (27), após congresso realizado na Índia, que havia decidido reconhecer como mundiais as Copas Intercontinentais disputadas entre 1960 e 2004, período em que os embates entre campeões da América do Sul e da Europa foram feitos sem chancela da entidade. Até então, apenas o torneio de 2000 e as edições disputadas de 2005 em diante eram consideradas. E o que isso muda? A resposta passa diretamente por muitos conceitos de comunicação.

Pergunte ao torcedor de Santos, Flamengo, Grêmio ou São Paulo, times que haviam sido campeões mundiais no período que a Fifa ainda não tinha reconhecido, se eles deixaram para celebrar apenas agora. Pergunte se isso mudou o valor ou o sentimento que envolveu essas conquistas.

A resposta é que o reconhecimento da Fifa nunca foi imprescindível. A chancela da entidade tem seu peso, é claro, mas não muda a história. O nome das coisas é apenas o nome, e isso é somente um elemento em um contexto de um título. Reduzir a festa ao “é Mundial” ou “não é Mundial” é reduzir também o valor da taça.

É por isso que é tão questionável o comportamento do Palmeiras sobre a Taça Rio de 1951. A competição foi relevante, contou com grandes clubes, e chamar o torneio de Mundial é uma demanda que apenas diminui o valor do certame.

O Brasil já acompanhou um episódio semelhante quando a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) resolveu reconhecer como Brasileiros o Roberto Gomes Pedrosa e a Taça Brasil. Houve uma canetada para mudar o status e o nome de duas competições que foram nacionais, como se equipará-las ao Brasileiro fosse fundamental para o valor delas. De certa forma, é uma linha de comunicação que diminui os próprios eventos.

Se você depende de chamar um objeto de cadeira para que as pessoas se sentem, existe uma falha em diversos níveis de comunicação não verbal sobre o artefato. A teoria lacaniana de comunicação diz que a cadeira só existe a partir do momento em que alguém se refere a ela como cadeira. Essa construção, contudo, não depende apenas do nome. É uma soma de elementos que se aglutinam e moldam um perfil palatável.

Comunicação é feita de sutilezas e não depende apenas de nomes, ainda que nomes sejam elementos que ajudem a dar identidade.

 

A queda do Corinthians

Não foi apenas a vantagem do Corinthians que derreteu no Campeonato Brasileiro; foi o próprio Corinthians. Líder do certame nacional, o time paulista fez campanha histórica no primeiro turno e abriu vantagem que parecia intransponível. Depois, perdeu rendimento e ressuscitou o Palmeiras, a despeito de o time alviverde também ter questões a resolver – basta lembrar que a diretoria mudou o comando técnico há menos de um mês, quando demitiu Cuca e efetivou Alberto Valentim.

A história do Campeonato Brasileiro pode ser a de times que conseguiram chegar ao título apesar das temporadas acidentadas – casos de Palmeiras e Santos. Mas se o ano não acabar com título do Corinthians, vai ser contado sempre sobre a decadência vertiginosa (pela proporção e pela velocidade) do time paulista.

No momento, o que parece acontecer é um enorme cenário de problema de comunicação entre diretoria, comissão técnica, jogadores e torcedores do Corinthians. Há uma carga evidente de desmobilização, de falta de confiança e de pressa.

O Corinthians tem muitas questões a resolver até o clássico contra o Palmeiras, agendado para a próxima rodada. Muitas dessas perguntas têm a ver com comunicação: como fazer para que um grupo recupere o elã e retome a confiança em tão pouco tempo? Como preparar a mentalidade desses jogadores para uma necessidade que o time não teve neste ano, que é a de vencer sempre?

Independentemente do resultado final, as últimas rodadas do Campeonato Brasileiro serão marcadas por estratégias e pelo discurso. Vai ser curioso ver a abordagem que cada equipe terá.

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Resgatando a nova geração de torcedores brasileiros do canto de sereia do futebol europeu

Andando pelas ruas de qualquer cidade brasileira, cruzamos com crianças e adolescentes vestindo a camisa de algum clube de futebol europeu.

Famílias inteiras, mulheres, crianças e adolescentes, cada vez se sentem mais atraídos por times do “velho” continente repetindo, de certa forma, o comportamento que ainda existe em vários estados do Norte, Nordeste, Centro Oeste e até do Sul do país, onde até hoje torcedores se envolvem mais com equipes do Sudeste do que com os clubes de sua cidade ou estado.

As transmissões pela Tv, por conta do fuso horário europeu, acontecem durante a semana no horário da tarde, no qual crianças e adolescentes estão disponíveis em casa, nas ruas ou no clube. Enquanto isso, os jogos de meio de semana, de maior apelo dos campeonatos no Brasil, são transmitidos às 22 horas terminando próximo à meia noite, o que inviabiliza as crianças de acompanhá-los e de desenvolver o hábito de ver nosso futebol.

No fim de semana, enquanto os jogos europeus continuam sem praticamente nenhuma concorrência no mercado nacional, acontecendo a partir das nove da manhã e seguindo até o fim da tarde, os jogos locais são transmitidos na noite de sábado, quando as crianças estão com suas famílias e os jovens com os amigos, ou no fim da tarde de domingo, único horário em que realmente todos estão disponíveis.

Vemos claramente que o futebol europeu está seduzindo os jovens fãs brasileiros da mesma forma que os times do Rio de Janeiro, quando capital do Brasil, seduziam os torcedores de quase todo o país por conta da Rádio Nacional.

Além de gradativamente buscarmos um reencaixe da programação da Tv para não continuarmos perdendo a nova geração para os europeus, transmitindo os jogos de quarta às 21h, tendo alguma partida relevante na tarde de quarta e/ou quinta no lugar da Sessão da Tarde, ampliando um pouco mais os horários de sábado e domingo para, literalmente, batermos de frente com as transmissões de fora, precisamos também atrair essas crianças e jovens de volta ao estádio onde, ali sim, somos imbatíveis.

A atmosfera do estádio, a festa nas arquibancadas, as bandeiras, os cânticos, a batucada, a entrada do time em campo, a energia durante a partida, a comemoração dos gols, ou seja, tudo que envolve uma partida de futebol dentro do estádio fazem aquelas duas horas únicas, sedutoras. Ali sim, no estádio eles sentem a presença e a energia do time.

Os adolescentes e crianças assistem e interagem com a festa, com seus times e seus ídolos, se sentindo parte do clube do coração e, somente assim deixarão de lado os times europeus, os quais eles só podem, na grandessíssima maioria das vezes, assistir pela Tv.

Claro que precisamos melhorar os acessos, facilitar o transporte, cuidar da segurança fora e dentro do estádio para que os pais se sintam seguros em trazer seus filhos para as partidas.

Além de tudo isso, temos que criar pacotes com preços família, com espaço de estacionamento e áreas específicas no estádio, exatamente como faz o Tottenham Hotspurs, um dos clubes europeus que visitei em 2013.

Com todos esses cuidados, e a repetição ad nauseum desse padrão, em pouco tempo os pais se sentirão confortáveis e seguros em trazer seus filhos e filhas, e esses se engajariam cada vez mais no espírito de torcedor do seu clube de coração.

É uma guerra de mercado, e precisamos cuidar do nosso.

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Síndrome do excesso

Relatei um pouco no último texto o quanto percebo e observo o futebol jogado aqui no Brasil, tanto pela minha obrigação profissional, como pela minha pesquisa e estudo. A sensação que me passa é de que às vezes (para não falar na maioria das vezes) não se sabe muito bem o que se fazer no jogo, com e sem bola. Uma das desculpas plausíveis é a criatividade, ou a intenção de se dar mais oportunidades para expressar a “criatividade do brasileiro” durante o jogo de futebol. A velha “desculpa” de não engessar ou mecanizar o jogador de futebol brasileiro (um assunto para outro texto).

Na falta de saber o que se deve fazer, faz-se qualquer coisa. Na dúvida, corre! Escuta-se muito por ai. Ao “fazer qualquer coisa” pelo menos se tem a desculpa de que “fez alguma coisa”, e não ficou parado esperando e/ou olhando as coisas acontecerem. Claro que o “certo” é relativo, depende de muitos fatos para quem está jogando e para aquele que gerencia quem está jogando. Mas fico com a impressão, quando observo alguns jogos, que muitos atletas preferem fazer qualquer coisa do que pensar, do que se predispor a fazer o “certo” para aquele momento, para a equipe e para o jogador.

Será esse um pensamento correto ou mais uma daquelas ideias vivas há muitos anos e não sabemos por quê? Errar por excesso, nem sempre é a melhor opção, principalmente quando se fala de jogo de futebol. E, esse paradigma do futebol brasileiro ainda se encontra muito enraizado na cultura de jogo da maioria dos jogadores e treinadores.

Esta caracterização que faço das atitudes durante o jogo de futebol, nos leva a pensar na famosa “vertigem da pressa”. Uma síndrome (da sociedade humana) que afeta os jogadores em campo a fazerem tudo de forma apressada e acelerada. Sempre em excesso, corre-se demais, pressiona-se demais (inevitavelmente de forma descompactada), grita-se demais, cobra-se demais, etc. O que contraria o futebol de qualidade, onde há pressupostos conceituais que te exigem a ler o jogo e saber exatamente o que se vai fazer. Nos quais é decisivo correr e parar, acelerar e travar, antecipar e esperar, fundamentos essenciais para um futebol de alto nível.

Aliás, a melhor posse de bola é aquela que sabe mudar o ritmo da bola, saber transitar na própria posse. Um tempo ideal para melhor atacar, para melhor transitar entre posse apoiada-ataque rápido e ataque rápido-apioada. Acredito que tal como é impossível ler com pressa um bom livro, é impossível ler um jogo em alta velocidade. O jogador precisa aprender saber pensar o jogo e tentar, com isso, controlar o impulso de querer atacar sempre.

Quase um futebol de impacientes. Onde o planejamento não tem espaço, muito em virtude desse desespero da pressa em fazer e na pressa em remediar. Sempre será melhor previnir do que remediar. E a melhor prevenção de todas, sempre será o treino. E quando falo de treino, quero dizer treinos, muitos treinos. Como sabemos, somos animais de hábitos e precisamos estar habituados a sempre jogar de determinada maneira, se quisermos alcançar a excelência nessa determinada maneira de jogar.

Esse pensamento passa muito pelo treino, e de como nos importamos com um treino elaborado e devidamente pré-estruturado. Estruturado de uma forma intencional, sabendo onde se quer chegar e o que alcançar com cada exercício, com cada treino. Precisamos saber criar o treino com antecedência e de forma deliberada. Já tive a experiência de trabalhar e observar alguns treinadores que tinham por costume elaborar a sessão de treinamento minutos antes do início do treino, ou deixar esta tarefa para o seu auxiliar e/ou preparador físico. E, geralmente, acaba não sendo uma experiência muito agradável. Contra censo maior é quando o treinador cobra determinados comportamentos coletivos e individuais que não foram treinados, por vezes, minimamente orientados.

Às vezes, penso que a cada evolução que conseguimos no futebol brasileiro, sempre nos deparamos em segregar mais as áreas de conhecimento. Continuamos separando o corpo da mente. Parece que estamos tendendo a formar cada vez mais jogadores atléticos do que jogadores pensantes, com um instinto dominante que faz correr desenfreadamente quando tem a bola, ou se desfazer dela de qualquer forma sem nenhum critério coletivo ou circunstancial.

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O passe e a diferença entre movimentar e desmarcar

Há um longo tempo venho refletindo internamente sobre alguns aspectos pormenorizados do jogo, observando, assistindo, lendo, e também conversando com treinadores de futebol, especialmente com meu grande amigo Willian Batista de Almeida, amigos do futsal e outras modalidades coletivas. Dentre algumas inquietudes, de muitas, surgiu a diferença conceitual entre o movimentar e o desmarcar.

É tradicional e de praxe enxergamos muitos treinadores pedirem para seus jogadores se movimentarem. Nos treinamentos ou na área técnica, muitos gritos de “movimenta”, “movimenta” e “movimenta”, são ouvidos. E claro, naturalmente, os jogadores vão para lá, giram para cá, circundam para lá, correm para cá, correm para lá; um sem fim de movimentos, muito contínuo, na mesma direção, sem sentido e sem troca de ritmo. Nisso, muitos movimentos que são vistos soam interessantes aos olhos de quem vê, mas quase todos sem intencionalidade e coordenação entre os jogadores.

Então, existe excesso de movimentos desnecessários, que beiram um movimentar por movimentar, ficando muito visível que os jogadores se movimentam de qualquer jeito quase o jogo todo. Nisso, três problemáticas podem ser levantadas:

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Essa identificação faz da ideia do movimentar muito ouvida, um movimentar de qualquer jeito, que rouba tempo-espaço dos companheiros de equipe. E o que mais vemos, especialmente aqui no Brasil, são movimentos sem uma lógica comum e um entendimento. O que mais se enxerga são esses movimentos abaixo:

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Isto acima corrobora que muitos movimentos se produzem na mesma direção, velocidade e momento dos oponentes. Assim, quando o passe acontece, defensor e atacante correm ao mesmo tempo para a mesma direção, tirando o fator surpresa e a possível vantagem. Além disso, confirma-se também uma suposta superioridade que não gera vantagem posicional e um exagero de espaços inadequados de intervenção.

Suplantando a constatação acima, primeiramente, a ideia é melhorar a localização dos jogadores no terreno de jogo para que tenham variadas opções e ampliem suas probabilidades. Então, os jogadores devem se separar em distâncias de relação encontrando-se “num futuro próximo”. Ou seja, se ficarem demasiadamente próximos ou excessivamente separados, com movimentos sem inteligência posicional e distância adequada, diminuirá a eficácia da fluidez nas interações. Ainda mais que o jogo de futebol é de progressão, e focalizando na localização do passador e na localização do receptor, quando o objetivo é ganhar espaço, é importante que o oponente tenha dificuldades para ver receptor e o passador simultaneamente. Portanto, um eixo diferente entre ambos fará muito mais dano ao oponente, devido a sua atenção ser dividida e a progressão poderá acontecer com maior naturalidade.

É aí que entra a ideia de desmarque, que é uma interação coordenada e antecipatória, que busca a ocupação e um ganho de um espaço efetivo antes do defensor, evitando sua marcação. O desmarque deve oportunizar a possibilidade de ganho de tempo-espaço para o jogador que se desmarca em benefício próprio ou em benefício de um companheiro. Equipes que se movimentam demasiadamente, sem intencionalidade, com pouco respeito a interações coordenadas, acabam ficando desequilibradas e engatadas. Entender isso, a essência do desmarque, equivale muito mais do que se movimentar, e tem em conta várias dimensões:

 
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Para isso ser eficaz, os 11 jogadores precisam dominar e ter conhecimentos de como utilizar o desmarque em benefício próprio e depois em benefício do companheiro. No Brasil, vários jogadores quando possuem a bola como primeiro homem, demonstram dificuldades de dominar o tempo-espaço com ações técnicas, sendo assim, diminuem suas próprias possibilidades de modificar o contexto do jogo. E, é esse primeiro homem que sempre se transforma como o portador da bola, que em primeiro momento leva a todos outros tempo-espaço. O segundo homem é o que gera a capacidade de tempo e espaço em seu benefício, em benefício do primeiro e de um próximo, pois ao estar sem a bola, com seus desmarques, torna-se de fundamental importância para a continuidade de progressão. Através dessa coordenação, surge o terceiro e os demais homens que são fundamentais para o jogo. Se a fluidez entre 1, 2 e 3 homem não for adequada, por meio de trajetórias diferentes, diminui muito a possibilidade de êxito e a progressão pelo chão.

Isso exige reconhecimento do espaço e consciência de jogo para realizar o desmarque no momento certo, que dê tempo à equipe e tire tempo do adversário. O passe é o estágio final de uma interação que envolve a intenção do oponente direto, o perfil do desmarque para o momento e a execução técnica do passe. Essa é a diferença de passar por passar e passar para jogar. Passar para jogar carrega um sentido comum e um tempo-espaço individualizante e coletivo ao mesmo tempo. Pois é na coordenação (individual-coletiva) que cada um acha esse tempo-espaço individualizante com distintos timings de espaço-tempo (distância, orientação, direção, trajetória, momento e velocidade) que o jogo fica coletivo e a progressão acontece. Esse ajuste dos parâmetros dá uma maior possibilidade de êxitos.

Nesse contexto, existem vários aspectos que devem ser coordenados com o momento do passe e o ganho das costas do oponente, pois para progredir, temos que ganhar as costas. O passe deve ser efetuado sempre que o receptor inicia seu deslocamento, sendo que ele é quem leva a iniciativa sobre o momento do passe. Já o deslocamento do receptor, nas costas do oponente, deve ser efetuado depois de ter obrigado a defesa ficar parada ou defender para frente, após a fixação ter acontecido.

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Além disso, uma correta utilização e realização do desmarque exige um domínio, especialmente de trocas de direção e trocas de ritmos, pois o objetivo é variar a intenção e jogar contra o movimento do adversário, tanto em velocidade como em direção, e isso também depende da resposta do defensor em cada caso.

Assim, a questão vital é saber se reconhecer no espaço para utilizar o perfil do desmarque necessário e, muitas vezes ficar parado realizando pequenos deslocamentos, pode gerar muito mais vantagem para se beneficiar ou beneficiar o companheiro, do que se mover demasiadamente, pois nesses pequenos perfis de desmarque, consegue-se controlar as distâncias e transformar o jogo em duelos em zonas individualizantes ou zonas de atração, fixando o oponente, obrigando que ele fique estático, defenda duas ações, percorra maiores distâncias e se distancie da bola, o que automaticamente gera vantagens posteriores, encontrando homens livres pra progredir e posteriormente utilizar outros perfis de desmarques em zonas prováveis.

Então, pode-se considerar que o desmarque teve êxito se conseguirmos certo desequilíbrio do defensor, ludibriando sua decisão e afastando de sua área de ação. E para isso, é muito importante que os receptores evitem dar informação ao oponente com sua posição corporal, por exemplo. O desmarque as costas, seja fixando ou vindo de trás após uma fixação com bola, faz dano quando a defesa corre para frente, fica parada ou inicia sua corrida. Claro, os deslocamentos as costas da linha defensiva são mais prejudiciais quando se inicia desde trás (2 linhas) e num espaço entre dois defensores (entre linhas) e não na altura do último defensor, apesar que essa questão também pode gerar danos capitais.

Enfim, tudo se resume na coordenação entre jogadores, porém, por vezes e muitas, pode-se ter vantagem qualitativa pela circunstância que o jogo de futebol proporciona. Mesmo realizando movimentos precipitados, invadindo zonas individualizantes, a vitória acontece. Enxerga-se isso muito, especialmente por aqui. Esse é o futebol, e é aí que tem graça. Agora, se existir relação fidedigno-dinâmica entre passe, coordenação dos jogadores, intenção do desmarque e progressão coletiva, a qualidade do jogo aumenta consideravelmente, indo além de movimentos demasiados e sem sentido.

Abraços a todos e até a próxima quarta!

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Futebol que gera entretenimento

Diante de uma feroz concorrência que se insere a indústria do esporte atualmente, a busca por novos mercados, sua cativação e fidelização é cada vez mais intensa. O futebol nacional concorre com a mesma modalidade (em outras categorias e campeonatos, como os estrangeiros), com outros esportes e com diversas opções de lazer que um indivíduo possui em um domingo à tarde, por exemplo. O produto que melhor resolver o “problema” do consumidor/torcedor em uma relação custo-benefício, vence.

Neste sentido o futebol tem sido observado – ainda que timidamente aqui no Brasil – como um produto. Muitos assustam ao ler a palavra “produto”. Por que não pensar assim? Já foi escrito neste espaço, que é possível desenvolver esta ideia quando respeitados os dois elementos mais importantes do esporte: o atleta e o torcedor. Discute-se muito sobre o potencial de mercado que o futebol brasileiro possui, não apenas o campeonato da primeira divisão, mas os campeonatos estaduais das diversas divisões, as categorias inferiores e as seleções brasileiras. O potencial é enorme!

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Camarote do túnel do Manchester City FC (ING)/Foto: Divulgação

 

Os clubes de futebol são donos do próprio conteúdo, através daquilo que são capazes de oferecer: um jogo de campeonato, um treino, uma coletiva de imprensa, um trabalho beneficente, até o próprio túnel de acesso ao campo nos instantes que antecedem uma partida (haja vista o trabalho recente do Manchester City FC). Tudo isso colocado de maneira organizada e sistematizada com todos os clubes, é capaz de fazer com que aos poucos haja esta transformação, novos mercados sejam conquistados, cativados e fidelizados. Para isso, é preciso planejamento estratégico e um trabalho de comunicação encaixado neste planejamento. Ao mesmo tempo, é necessário possuir espírito de iniciativa e inovação, capaz de romper com o círculo vicioso da política dos clubes de futebol do Brasil, acostumados ao fortalecimento do grupo interno em vez de terem uma visão de mercado.

Com tudo isso, é preciso enxergar o futebol como sendo um gerador de conteúdo e entretenimento. E isso não significa romper com a essência do esporte: o atleta e o torcedor. Pelo contrário, eles serão ainda mais respeitados, porque são quem gera e quem consome o conteúdo, respectivamente.

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Um erro nem sempre é só um erro

Jô usou o braço para fazer o gol que deu a vitória ao Corinthians contra o Vasco em partida válida pelo Campeonato Brasileiro. No último domingo (22), Lucas Pratto também balançou as redes depois de a bola ter batido em sua mão – o São Paulo venceu o Flamengo por 2 a 0 no Morumbi, também pelo certame nacional. Dois lances similares, com infrações similares, mas duas histórias absolutamente distintas: esse é um exemplo claro do quanto o contexto influencia em qualquer discussão – e não apenas no futebol.

Antes de avançar na discussão, apenas para deixar claro: Jô e Pratto cometeram irregularidades. Os dois lances deveriam ter sido invalidados e não há um que seja pior do que outro. O que existe, numa comparação entre ambos, é apenas uma diferença de entorno.

Como já foi dito por aqui, todo o episódio de Jô foi potencializado. Meses antes, o atacante havia sido protagonista de um lance com Rodrigo Caio, zagueiro do São Paulo, em partida válida pelo Campeonato Paulista. O corintiano foi advertido pelo árbitro naquela ocasião por um suposto choque com o goleiro rival, mas o defensor se adiantou para avisar que tinha sido o autor do toque. O cartão amarelo foi cancelado, e Rodrigo Caio acabou se transformando num enorme exemplo de fair play.

Depois daquele jogo, Jô enalteceu a atitude de Rodrigo Caio. Disse que aquele lance refletiria em outros episódios e que ele pretendia rever suas ações em campo à luz da honestidade demonstrada pelo são-paulino. O atacante, portanto, criou para si uma pressão que depois aumentou a proporção de um erro cometido.

A história de Jô é um exemplo do quanto podemos nos colocar em situações complicadas quando falamos demais ou adotamos discursos exageradamente assertivos. Ainda mais em um período de redes sociais e acesso rápido à informação, é difícil lidar com esse tipo de comportamento. Não é raro ver alguém ser cobrado pelo que disse ou por determinado comportamento do passado – a internet dá um caráter perene a qualquer opinião, independentemente do contexto.

Existe, portanto, uma decisão de comunicação que potencializou um episódio. Também há no caso de Jô um fator coincidência – o atacante havia sido justamente o beneficiado pela honestidade de Rodrigo Caio e teve chance de mostrar que havia evoluído a partir disso. Você pode até analisar o lance pelo lance, mas descartar esse contexto é não enxergar toda a tela.

Acho que nunca é demais pensar nessa lógica. Quando nos deparamos com um lance ou um episódio, o que ele representa no todo? Temos acesso ao cenário completo ou vamos tirar conclusões apenas por um pedaço?

O perfil @footure na rede social Twitter republicou recentemente um excerto de uma palestra do técnico argentino Marcelo Bielsa. No trecho, “El Loco” usa um exemplo que é pertinente também nessa linha de raciocínio. Ele pediu para nos atermos à ideia de Neymar, atacante e goleador, ajudando na marcação e roubando uma bola. Se isso gerar um contragolpe e o time vencer, o treinador que conseguiu esse nível de dedicação será incensado por extrair um nível diferente de um jogador extraclasse; se a equipe for derrotada, em contrapartida, será considerado culpado por fazer um craque atuar em uma zona mais distante da meta adversária. No fim, tudo é contexto.

É o caso do menor de idade que atirou em colegas de escola em um colégio particular de Goiânia. Filho de policiais militares, ele teve acesso a uma arma de fogo em casa e reagiu após ter sido vítima de bullying de colegas de classe. Foi o suficiente para fomentar discussões sobre armamento da população e limites de provocações/brincadeiras de mau gosto.

Ele pode ter cometido um atentado porque teve acesso a uma arma, mas esse é apenas um meio. Não fosse isso, o mesmo menino poderia ter reagido usando uma faca ou outro artefato. Também reagiu ao bullying, mas esse foi apenas um estopim. Se não fosse essa provocação, poderia ter sido outra.

O que é necessário discutir no caso é o entorno. Um menino capaz disso é antes de qualquer coisa um menino que entende que precisa reagir de forma definitiva quando se sentir oprimido. É alguém que acompanhou esse tipo de comportamento em diferentes âmbitos – a influência pode ter partido da família, da própria escola, de amigos, da TV ou do videogame, por exemplo. O fato é: ele achou que matar alguém era uma resposta para cessar um comportamento que o incomodava.

Entender o entorno, portanto, é fundamental para saber o que aconteceu no quadro todo. Quando algo assim acontece, não podemos discutir apenas o acesso às armas (ainda que seja fundamental discutir isso). Não podemos discutir apenas o bullying (ainda que seja fundamental discutir isso). É preciso entender o contexto.

Esse é um exercício que muitas vezes nós deixamos de lado no futebol. O Corinthians das últimas rodadas é um time que caiu de rendimento e que apresenta problemas de formação, e não uma equipe que lida com questões inerentes ao status atingido após campanha histórica no primeiro turno. Há muita discussão sobre momento ou sobre estopins e pouca análise sobre o quadro todo.

Os gols marcados por Jô e Pratto podem ter tido infrações similares, mas esse é apenas um recorte. Você vê o quadro todo quando fala de futebol?

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Os atalhos da crença

No passado dia 4 de outubro, aconteceu história para um modesto clube com o mesmo nome da cidade que o acolhe, Londrina, e que, pertencendo embora ao Estado do Paraná, dista da capital, Curitiba, cerca de quatrocentos quilômetros (380, mais precisamente), parecendo as suas gentes mais afetadas pelos temperos do Estado vizinho, Minas Gerais, do que pela agrura e frialdade do sul: o Londrina, atual nono classificado na Série B do Campeonato Brasileiro, sacando imprevistas forças lá dos fundos misteriosos de uma secreta crença, arrosta o poderoso Atlético Mineiro, O Galo, (com Robinho, Elias, Fred e companhia) e, segurando heroicamente o zera-a-zero durante os noventa minutos, acabaria, nos penalties, por sagrar-se campeão da Taça da Primeira Liga, a mais jovem competição do quadro competitivo brasileiro (esta é apenas a sua segunda edição) – uma verdadeira aparição que deixou as bancadas, vestidas de azul do céu e branco de candura, literalmente em estado de êxtase.

Mas nem é a singularidade do feito que me motiva à escrita, que nós bem sabemos todos como os jogos “mata-mata” têm o condão de nivelar as forças em contenda.

  • Um episódio, aliás, bem à brasileira, despertou a minha atenção: por detrás da baliza de todas as decisões, uma mulher, de branco vestida e de joelhos, com mãos ora erguidas em sinal de imploração, ora tecendo gestos sincréticos de sinal da cruz e outras bênçãos (o brasileiro gosta de misturar os antropomórficos ingredientes de sua fé) e implorando ao alto, sabe-se lá a quantas entidades, os favores de uma vitória, ardentemente anelada por estas gentes cansadas do jejum de glória.
  • Vamos lá saber porquê, mas o certo é que algo de estranho aconteceu: o Atlético Mineiro falhou dois dos remates da marca de grande penalidade, enquanto o Londrina convertia os quatro: 4– 2, no final! Onde, porém, a estranheza?
  • Nisto: enquanto o César, o jovem guarda-redes do Londrina, defendeu, com destreza, aparato e sorte, dois dos quatro remates efetuados, o Vitor, guardião do Atlético, quase defendia dois dos quatro. Sim, quase. E é neste “quase”, que se encerram motivos sobejos de estranheza: esses dois remates foram adivinhados e ambos bateram, inclusive, no corpo do desafortunado Vitor que, pese embora o nome de vencedor, nada conseguiu fazer para impedir o destino fatal do chuto: a bola anichando-se no fundo das redes – enquanto a fervorosa aliada dos deuses celebrava, com vénias de gratidão dirigidas ao alto: “gloria in excelsis…”
  • Vamos, então, à reflexão: nexo de causalidade entre as preces da devota “torcedora” e o desfecho vitorioso para o seu clube? Resposta: sim e não – ou, não e sim.
  • Não, no sentido de que não há um limbo intermédio, gravitando algures sobre as cabeças aflitas dos habitantes da Terra, alegadamente povoado de forças contrárias, por entidades falângicas pertencentes a exércitos opostos, como se o universo e a vida fossem regidos por dois princípios irreconciliáveis e equivalentes em poderio, numa popular ressonância da doutrina maniqueísta. Não: Deus não sofre dos caprichos do humor.
  • Sim, neste sentido, a crença, potenciada pela emoção e pelo desejo, converte-se em intencionalidade operante que, através de um processo conhecido como “processo de interferência’, transformou aquilo que era uma mera possibilidade de sucesso do Londrina em realidade experiencial.
  • Aquela mulher, vestida de sacerdotisa e implorando os favores do céu em acenos de esperança, ali exposta à contemplação de todos, em especial dos jogadores, a todos convocou ao exercício intensificador da crença, ou seja, ela constituiu ostensivamente um sinal desencadeante de um coletivo reforço mental, acreditando no desfecho favorável, tão nitidamente visualizado – por todos. A unidade na fé – eis a chave para o enigma. E, quando antes dos penalties, jogadores e equipa técnica, em círculo e abraçados, ensaiaram, de olhos fechados, aquilo que pareceu ser uma fervorosa oração, disse para comigo: o Londrina já ganhou!
  • Por isso, a bola, porque impelida por estado de firme crença, em vez de travar a sua marcha ao embater no corpo do guarda-redes, nada a deteve – como se guiada pelo invisível impulso de uma demiúrgica intenção de todos – e do próprio jogador que chuta.
  • É por estas e por outras que advogo há muito, sobretudo nos clubes de maior dimensão, a criação de um gabinete transdisciplinar de inteligência competitiva, uma espécie de laboratório do sucesso.
  • Mas os clubes continuam a preferir pagar ordenados astronômicos a atletas lesionados meses a fio e pagar obscenas comissões a agentes gulosos.
  • Até aparecer quem se adiante e antecipe o futuro.
  • Que conste: não estou à procura de emprego, embora tenha sido despedido desse sonho num clube que precisa como nunca de remédio para a sua astenia.
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Lutando contra o rebaixamento

Chegamos ao momento crucial da luta desesperada contra o rebaixamento, no campeonato brasileiro. Nestas situações sempre me questiono: qual ou quais seriam as melhores ações ou decisões para conseguir fugir do descenso de divisão no futebol brasileiro? Na verdade, só sabemos que as respostas não estão prontas e que cada alternativa de sucesso do passado não representa garantia de sucesso no presente. Então o que fazer?

No meu ponto de vista, essa luta desesperada nada mais é do que uma consequência de ações impróprias para uma gestão profissional do futebol, mas que agora não cabe aprofundar, pois não há mais tempo hábil para implementar ações de médio prazo, pois estamos falando de poucas semanas para o término do campeonato.

Porém você, amigo leitor, me questionaria, sobre o que realmente poderia contribuir nessa luta, com o objetivo de conseguir a desejada salvação do rebaixamento. Existe algo consistente a se fazer, para aumentar as chances de sucesso?

Acredito que sim, existem ações a serem feitas por diversos atores desse contexto, sendo que todas elas comporão o que chamo de círculo base da confiança e já vou esclarecer sobre isso agora.

Os atores envolvidos no contexto seriam:

  • Gestores do futebol
  • Comissão técnica
  • Atletas
  • Torcedores (fãs)

Os Gestores têm a responsabilidade de construir ou promover um ambiente de confiança, depositando suas crenças de sucesso na sua comissão técnica e nos atletas, além de demonstrarem congruência em suas ações de contribuição para o momento. Prometer o que não poderão cumprir, vai minar a relação de confiança da gestão. A eventual troca de comando na reta final não tem garantia de sucesso contra o rebaixamento e, além disso, parece mais uma ação sem fundamentos do que algo baseado em argumentos viáveis.

A comissão técnica possui a missão de reavaliar a melhor estratégia tática e capacidade técnica, conforme o elenco a disposição e os rendimentos coletivos e pessoais no ano, para adotar o mais adequado esquema de jogo conforme seu material humano disponível. Ao realizar essa missão e acreditar nela, a comissão reforça o compromisso com o clube e com seus atletas, fortalecendo a confiança no grupo, para conseguirem o êxito no final da competição.

Os atletas, por sua vez, possuem a responsabilidade de se engajarem nessa jornada. Acreditando no posicionamento da sua gestão e nas orientações, decisões e direcionamentos da comissão técnica. Neste momento é fundamental que os atletas possam demonstrar realmente suas capacidades de atuar em grupo, com foco nas metas coletivas da equipe.

E aos torcedores, cabe o papel de apoiar de forma efetiva as ações empreendidas pelos demais atores desse contexto, pois o apoio positivo e o voto de confiança, em situações como esta, podem sim aumentar a confiança de todos, rumo aos objetivos de curto prazo traçados.

Então, como havia comentado, aí está a minha percepção do ciclo base da confiança profissional entre os atores deste contexto, visto que dessa maneira todos os atores podem perceber que estão fazendo da melhor forma possível seus papéis e desta maneira existiria uma condição mais favorável para se lutar de forma eficaz contra o indesejado rebaixamento.

Até a próxima.