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Nível de hidratação

Para saber qual seu nível de hidratação, é possível utilizar a Tabela de Coloração da Urina. Compare a cor de uma amostra de sua urina com as cores dispostas nas barras a seguir. Se sua amostra estiver mais próxima das cores equivalentes aos números 1, 2 e 3 da tabela, parabéns, você está bem hidratado!

Se a cor de sua urina estiver próxima das barras 4, 5 e 6, fique atento, pois você não está hidratado o suficiente, precisa beber líquidos.

E se a cor de sua amostra estiver mais próxima das colorações de números 7 e 8, cuidado, você está desidratado e deve ingerir líquidos!

Fique atento à tabela e não espere a sede chegar.

Lembre-se: a sede já é sinal de desidratação.

Hidrate-se antes, durante e depois dos exercícios para poder repor os líquidos e sais minerais perdidos na atividade! Isso irá contribuir em seu desempenho e com sua saúde.


 

Fonte: ARMSTRONG, S., C. M. MARESH, J. W. CASTELLANI, M. F. BERGERON, and R. W. KENEFICK. Urinary indices of hydration status. International Journal of Sports Nutrition 4:265-279, 1994.

*GSSI – Gatorade Sports Science Institute (www.gssi.com.br)

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Viajar nas férias

Acredito que deveríamos ter uma mudança na legislação trabalhista nacional.

Que, nas férias, todo homem deveria ter não só o direito, mas o dever de viajar.

Esse cenário compulsório, garantido como princípio básico de bem-estar profissional e pessoal, deveria ser complementado com algo na linha de “e quanto mais longe e mais diferente o destino da viagem, melhor”.

Não estou falando do direito, já existente, ao período de férias para ficar em casa.

Invoco o pensamento do pai da língua espanhola e grande romancista Miguel de Cervantes, para defender meu pleito:

“Andar por terras distantes e conversar com diversas pessoas torna os homens ponderados”.

Cervantes escreveu um dos mais importantes e originais romances da história, qual seja, Dom Quixote de La Mancha, em 1605 e 1615.

Na trama, o protagonista, oriundo da pequena nobreza castelhana, é ávido leitor de romances de cavalaria, cujas histórias relatavam os feitos de nobres homens sempre com nuances de aventuras idealizadas.

De tanto ler, acaba por acreditar que as aventuras e desventuras dos seus heróis aconteceram de verdade e resolve se lançar em sua própria jornada pela Espanha, junto ao seu fiel escudeiro, Sancho Pança, e ao cavalo Rocinante.

Naturalmente, da diferença entre a projeção idealizada e a realidade encontrada na viagem, Quixote percebe que é justamente isso que tempera e dá gosto à vida.

Existe muita coisa interessante para ser vista e experimentada em terras distantes. No futebol não seria diferente.

Não se trata, simplesmente, de se negar que há coisa boa em nossa paróquia, em nosso terreiro.

Ao contrário, apenas buscar o discernimento no novo, no inusitado, no diferente.

Metaforicamente, o futebol brasileiro foi chamado à reflexão no recente jogo entre Barcelona e Santos pelo Mundial de Clubes.

Creio que todos os envolvidos nesse cenário deveriam ter suas viagens de férias – reais ou imaginárias – para, ao regressar, tornar-se pessoas e profissionais mais ponderados, em prol da evolução administrativa do futebol brasileiro.

Alguns destinos recomendados no exterior, além de Madrid e Barcelona, podem ser Londres, Manchester e Liverpool (onde há uma importante universidade dedicada à indústria do futebol), Milão, Alemanha (a Bundesliga realiza um trabalho fantástico), Portugal (entender a dimensão humana do futebol em Lisboa com Manuel Sérgio).

Para os que preferem o Novo Mundo, valeria a pena ir aos Estados Unidos para conhecer de perto o lado do showbiz e do sportainment, em especial no basquete, futebol americano e hóquei.

Boas férias a todos.

Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br

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Driblando o Natal longe de casa

Para os brasileiros em geral, o Natal é um momento para celebrar, agradecer, dar abraços carinhosos, desejar o “tudo de bom” e pedir a renovação. Cada um celebra de uma maneira diferente, como pode, faz a ceia a seu modo. Uns vão para a praia ou viajam, outros permanecem nas cidades. Há quem ame e espere as festas com uma ansiedade gos¬tosa desde outubro! Mas um detalhe é unânime do Oiapoque ao Chuí: a noite (e o dia) de Natal foi feita para estar em família. Os corações ficam maiores e todos são bem vindos! Quanto mais gente, mais legal e especial fica. Não é?

Bem, assim idealizamos. Mas o que fazer se você está longe, muito longe, jogando em campos estrangeiros, geograficamente impossível de estar com todas essas pessoas amadas?

Conheço jogadores que se deprimem e ficam desolados gastando minutos a fio aos prantos no telefone. Sofrimento dos dois lados da linha, pouca celebração… Contudo, também conheço aqueles que se permitem vivenciar o Natal de um jeito diferente e criativo. É momento para comemorar a vida, certo? Então, se você está do outro lado do oceano, faça-o de um jeito diferente! Sem comparações… é di-fe-ren-te.

É como estar em um grande campeonato, e a cada time que se enfrenta, há uma estratégia nova, um jogo diferente. É necessário jogo de cintura (e de adaptação!) para se dar bem a cada situação. A vida é um grande campeonato, certo?

Bem, é sinal de amor e cuidado telefonar e derramar lágrimas com um saudoso “Feliz Natal, mãe!”, “Queria estar aí com vocês, gente”. Mas positivo e saudável é desligar o telefone, limpar as lágrimas, e desfrutar o que a vida lhe oferece onde você está. Como é passar o Natal na Espanha? E no Vietnã? Como eles festejam? O que eles pensam dessa comemoração? O que eles comem? Você sabe? Não tem peru e farofa? Nem roda de samba?

Ainda bem! Deixe para comer isso na volta, no Natal que vem. Nesse país novo deve-se comer outras coisas deliciosas. Experimente!

Para o bem-estar emocional e riqueza de aprendizado, sugiro que se planeje carinhosamente o momento. Se dê esse presente: uma noite que pode não ter presentes materiais e nem muita gente por perto, mas tem você mesmo, se alimentando de bons pensamentos, aprendendo algo novo, comendo algo inusitado, exercitando a sua criatividade e capacidade de ser seu melhor amigo! Acredito ser um grande benção você estar aí.

Jogar em um clube estrangeiro não deveria apenas ser um espaço para melhorar as habilidades técnicas com a bola. Quando bem aproveitada, a experiência é uma oportunidade de sofisticar habilidades emocionais e comportamentais, como a flexibilidade, criatividade, força emocional, resiliência, determinação.

Lembre-se que a gente tem sempre o poder de dar a cor e o brilho para os momentos da vida. Amo o Natal em família, como amo! Mas quando me vi sozinha na Inglaterra cinzenta e gelada, resolvi buscar o charme da situação e perguntar a mim mesma quais seriam os planos B, C e D que me deixariam satisfeita e possibilitariam desfrutar o momen¬to e a oportunidade de estar por lá. Achei a resposta e valeu a pena! Não doeu tanto e o mais legal foi que me dei conta que posso contar comigo mesma. Pense, também, que os vínculos formados quando se está longe, se tornam um pedaço da nossa família. Divida com eles seu coração cheio de amor e carinho.

Aproveite para fortalecer os laços com quem está longe. Mande aquela carta ou email, dizendo aquilo tudo que muitas vezes presencialmente não se tem coragem. A distância é física, mas os corações certamente estão mais perto do que nunca.

Gosto de lançar desafios que tornam as pessoas mais fortes, e por isso, deixo aqui um presente (que não é de grego!) para aqueles que aceitarem a brincadeira: o que você vai fazer para que o seu Natal em 2011 seja especial, diferente e feliz?

*Gabriela Ribeiro é psicóloga com formação na PUCRS, em Porto Alegre. Há 5 anos vem recebendo profunda formação na metodologia Intercultural Training®, desenvolvida pela Equipe Andrea Sebben. através de sua longa trajetória de estudos e trabalhos na Europa e Brasil. Fez cursos de formação nas Ciências Interculturais em países como o Chile, Argentina, Venezuela, Costa Rica e Colômbia. Ministra palestras e Treinamentos Interculturais em todo Brasil, em diversos idiomas, é colunista da Revista Falamos Português na Austrália, e também membro da IACCP. Gabriela já morou na Inglaterra e Nova Zelândia.
 

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Reflexões práticas: onde estamos e para onde vamos?

O título da coluna pode parecer um tanto quanto filosofia existencial, mas quero transportar essas questões para a prática e para o momento vivido pelo nosso futebol perante o cenário internacional.

Como de praxe, o final de ano é marcado por grandes reflexões.

Esse ano em específico um fato trouxe luz a uma questão que muitos não queriam e não conseguiam ver sobre o nosso futebol: não somos os melhores do mundo e nossos jogadores não resolvem individualmente os problemas do jogo!

Alguns podem concordar, outros não…

Mas o fato é que o Barcelona nos deu, como disse Neymar, uma aula de futebol.

Aula que nos mostrou – na verdade vem nos mostrando há muito tempo – que nosso futebol ainda está preso no paradigma cartesiano, onde as partes e sua soma são mais importantes que o todo complexo.

Na final do Mundial, vimos um choque de paradigmas, no qual de um lado os elementos se integravam, interagiam e formavam um todo complexo, já do outro as partes tentavam se sobressair ao todo do adversário e no fim vimos o resultado.

Depois do jogo vimos ainda que as respostas para a derrota ainda se focavam nas partes, onde o esquema tático foi a parte eleita como preponderante para a resultado…

E o restante do modelo de jogo?

Enquanto tentamos explicar a derrota da equipe santista através da utilização ou não de dois ou três zagueiros, uma revista espanhola apresentou um dossiê com os pontos fortes e fracos de todo o modelo de jogo do Santos.

Onde estamos, então?

Estamos em um momento de mudança, em que o mundo está nos mostrando que a qualidade individual é importante, mas já não resolve os problemas do jogo por si só.

Precisamos olhar o jogo com um olhar complexo! Precisamos aprender mais!

Não podemos deixar esse confronto entre Barcelona e Santos se perder ao longo do tempo, pois o resultado nos mostra que nosso futebol precisa evoluir e buscar uma nova forma de organização.

Não podemos mais jogar, nem treinar como há 20 anos!

E, vejam, o Barcelona há alguns anos não jogava desta maneira, nem formava jogadores como agora. Em determinado momento de sua história eles sentiram a necessidade de mudar e transformar o seu modo de jogar e como o processo de formação era elaborado.

Hoje eles colhem os frutos dessa mudança…

O que faremos, então?

Mudanças…

Para onde vamos?

Não sei. Espero que para frente, para um novo momento de nosso futebol…

Um momento nosso, onde nossa cultura de jogo se manifestará complexamente em nossas equipes. Onde o futebol bonito será nossa marca, mas sem copiar o Barcelona ou quem quer que seja, pois podemos, sim, ser novamente o número um do futebol, tanto na questão individual como coletiva como fomos um dia.

Mas infelizmente esse é um processo lento. Temos que lutar e fazer de tudo para contribuir com a evolução de nosso futebol.

O que podemos fazer?

Cada um terá suas respostas e poderemos refletir, ou não, neste final de ano.

Por fim, desejo um feliz Natal e um ano novo cheio de sucesso!

Até a próxima!

Para interagir com o autor: bruno@universidadedofutebol.com.br 

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Como Ernesto Guevara de la Serna apropriou-se do esporte como forma de comunicação e liderança na América Latina

Resumo

Este artigo aborda o esporte como meio de comunicação de massa e o modo como ele foi utilizado pela política, a fim de criar uma identidade e conseguir uma aproximação com a população. Para ilustrar essa instrumentalização do esporte, será utilizado o caso do líder político Ernesto Guevara que, além de seu envolvimento políttico, teve uma vasta ligação com o esporte.

Che é conhecido por seu envolvimento com lutas políticas, mas também contribuiu com o desporto. Através da metodologia de revisão de literatura, encontram-se diversas oportunidades em que Ernesto demonstrou a sua paixão pelo esporte, fator que contribuiu para o apoio das pessoas. Guevara tinha asma, uma doença crônica. Por isso, desde pequeno praticou esportes, alguns estudos dão conta de que chegou a praticar vinte e seis modalidades.

Além disso, Ernesto contava com o fator do carisma que estava sempre ligado ao esporte, o que ajudou com a liderança. Os valores do esporte que foram agregados a sua personalidade e a sensação de pertencimento transmitida para a população, foram outros fatores que contribuíram para o exercício da liderança. Assim, a sua relação com o esporte tornou-se conhecida em toda América Latina, proporcionando uma aproximação com a população e refletindo em apoio de seus ideais políticos.

Introdução

A atividade física e o esporte foram incorporados no cotidiano da população. Desde cedo as pessoas são atraídas pelas práticas esportivas e motivadas a participarem, praticando ou acompanhando. Essa ligação com o esporte tomou grandes proporções e despertou o interesse de aproximação por diversas entidades e sistemas. Hoje, pode-se dizer que o esporte se tornou uma fonte de conexão com a população, independente do país e da modalidade esportiva utilizada.

Assim, o papel do esporte na sociedade foi além de um mero passatempo. A grande quantidade de apreciadores do esporte atraiu os olhares daqueles que buscavam uma aproximação com a massa. Nesse contexto, também surgiram as ligações do esporte com as referências políticas ou com determinados sistemas econômicos que buscaram vínculos com eventos e práticas esportivas.

Neste trabalho, o esporte será tratado como meio de comunicação e um instrumento para a política. Para isso serão usados estudos que mostram o avanço do esporte e sua relação com a massa, como uma forma de comunicar-se com todas as classes sociais e em diversos países ao mesmo tempo. A partir dessa evolução do esporte, o trabalho fará uma ligação com a política em que serão apresentadas e exemplificadas as formas como a política se aproximou da população nas últimas décadas.

Com o conhecimento inicial das relações entre esporte, política e massa, será apresentado o caso de Ernesto “Che” Guevara, no qual, possivelmente, o esporte pode tê-lo ajudado na construção de sua imagem pública, por meio do alcance de suas práticas esportivas. Ainda nessa segunda parte, o caso em si, será baseada em informações e livros publicados sobre o esportista Ernesto Guevara, mostrando algumas passagens marcantes do líder político praticando ou apoiando o esporte na América Latina. Uma das possíveis diferenças entre a ligação de Che com o esporte e a ligação de outros líderes políticos seria a prática esportiva, na qual busca-se informações para compreender se esse motivo influenciou no apoio da população, assim como o seu trabalho com a medicina e o social.

Para ler o artigo na íntegra, clique aqui.

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O jogo jogado com a cabeça

Sabiamente, o treinador Rodrigo Leitão mencionou em sua última publicação para a Universidade do Futebol que a esperada vitória do Barcelona sobre o Santos começou bem antes do apito inicial.
Deve ser com este pensamento, o de vencer o adversário antes do início do jogo, que a atual gestão do Figueirense tem pensado o futebol.

Representado no VIII Footecon por Renan Dal Zotto, diretor de marketing, e Marcos Moura Teixeira, diretor de futebol, o clube deu mostras por que em tão pouco tempo saiu da segunda divisão do Campeonato Brasileiro e de uma campanha mediana no estado para, no ano seguinte, brigar pelo título do Campeonato Catarinense, sendo a equipe com melhor pontuação nos dezoito jogos do primeiro e segundo turnos e, principalmente, disputando ponto a ponto uma vaga (que escapou na última rodada) para a Copa Libertadores da América, no torneio nacional.

Na palestra realizada no fórum, Renan e Marcos apresentaram as ideias, iniciadas há vinte meses (abril/2010), que têm como objetivo ascender o Figueirense da quinta para a terceira força do Sul do Brasil, num período de cinco anos.

Quando a atual gestão assumiu o clube, mapeou o cenário e detectou um grave problema que acomete diversas equipes do futebol brasileiro: a imensa maioria do elenco não tinha seus direitos econômicos vinculados ao Figueirense, logo, uma das maiores possibilidades de receita para um clube, o jogador, estava nas mãos de agentes que utilizavam a equipe catarinense para exposição dos seus “produtos”.

Para reverter este quadro, iniciaram sete grandes planos de ação indicados a seguir: investimento em capital intelectual, geração de novas receitas, alinhamento político, inteligência competitiva, parcerias, sistemas de apoio e planejamento estratégico.

Com processos bem delimitados e a criação de uma Matriz de Indicadores que posiciona a equipe no futebol do Sul do país, nesses vinte meses, o Figueirense deu largos passos em direção ao cumprimento de sua meta.

A Matriz de Indicadores é composta pelos itens: estádio próprio, centro de treinamento, posição no ranking da CBF, receita com produtos licenciados, média de público, ranking da Conmebol, posição no Campeonato Brasileiro série A, títulos e quantidade de dívidas no curto, médio e longo prazo. Comparada a outras equipes da região, atualmente, o Figueirense está atrás de Inter-RS, Grêmio-RS, Atlético-PR e Coritiba-PR.

Dos planos de ação estabelecidos, o planejamento estratégico em relação às categorias de base compreende a criação do Projeto Jovem Furação. Este projeto, além do desenvolvimento do jogador dentro das quatro linhas, pretende capacitá-lo para lidar com a fama, manter uma boa imagem, ter capacidade de adaptação à mudança, realização dos seus objetivos financeiros e definição de um planejamento pós-carreira.

Já no que tange o departamento profissional, a montagem do elenco passa a ter critérios mais rigorosos que, como ponto de partida, preconizam os direitos federativos e econômicos de um atleta ao Figueirense.

Outros critérios para fazer parte de uma das vinte oito peças julgadas pela gestão como suficientes para uma temporada (acreditem, soube de uma equipe que iniciará a temporada 2012 com 51 atletas no elenco profissional) são: a versatilidade, o desempenho nos clubes anteriores, o nível dos clubes anteriores, o comportamento extra-campo, a qualidade técnica, a experiência, a possibilidade de integração no atual elenco e o custo e prazo de contrato.

Com essas práticas o Figueirense obteve 57 pontos no Campeonato Brasileiro e um custo/ponto de R$ 300.000,00, totalizando cerca de R$ 17 milhões. Se vocês, leitores, estão atentos às notícias econômicas do futebol, saberão que algumas equipes ultrapassaram 150 milhões de reais em gastos na referida competição.

E o cenário atual é bem diferente daquele em abril de 2010. Com uma vaga na Copa Sul-Americana, com contratos televisivos mais rentáveis, com praticamente todas as cotas de patrocínio encerradas para o próximo ano, com a reestruturação dos deptos. de futebol de base e profissional em andamento e com melhorias em infraestrutura, o Figueirense iniciará o ano de 2012 com uma grande responsabilidade. A de dar continuidade neste projeto que segue coerentemente a tendência de mercado, que é a de produzir mais, melhor, em menos tempo e com menos dinheiro.

Aproximar a teoria da prática, para alguns, é algo impossível. Felizmente, exemplos como este acontecem para que, como tudo que possa contribuir para a evolução do nosso futebol, sejam propagados e elogiados. E neste exemplo, até uma ação simples, mas que ajuda a ganhar o jogo antes do apito inicial, foi feita e nos permite refletir sobre a transcendência dos fatores (gestão, jogadores, treinadores, métodos de treino, torcedores, etc) que envolvem o futebol: cada funcionário do clube ganhou uma camisa (e tiraram foto) para se sentirem parte do todo que é este novo projeto. Projeto que começa com boas cabeças e termina com a bola na rede.

Você já ganhou uma camisa do clube em que você trabalha? Parabéns, Figueira!

Para interagir com o autor: eduardo@universidadedofutebol.com.br

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O Rugby e seu potencial no país

O brasileiro é apaixonado por esporte, sobretudo pelo futebol. Mas há outras modalidades que encantam o país, como automobilismo (Fórmula 1), voleibol e basquetebol.

Mais recentemente, desde 2009, quando foi incluído no programa dos Jogos Olímpicos de 2016, o rugby tem atraído investimentos e atenção da imprensa.

Historicamente, o rugby surgiu de uma dissidência do futebol, uma vez que várias formas de jogo com bola já existiam pela Europa no século XIX, e tanto o Rugby Football (o rugby atual que atualmente é controlado pela IRB) quanto o Football Association (o futebol atual que agora é controlado pela FIFA) tiveram caminhos correlatos, sendo, portanto, dissidências de uma mesma forma de jogo.

O rugby surgiu devido a um desentendimento do clube de futebol Blackheath (um dos fundadores da FA) sobre a retirada de duas regras do futebol pela Football Association (uma era sobre carregar a bola com as mãos, a outra sobre os tackles).

Há algumas variações de rugby. A versão mais tradicional é o “15-a-side”, ou simplesmente “Rugby 15”. O número faz referência à quantidade de jogadores em cada equipe. As outras modalidades como o “Rugby 7”, “Tag” e o “Beach Rugby” vêm crescendo rapidamente nos últimos anos.

A Copa do Mundo de Rugby é o principal evento entre seleções deste esporte e é disputada a cada quatro anos desde 1987. Trata-se do terceiro evento desportivo mais visto no planeta (atrás apenas da Copa do Mundo de Futebol e dos Jogos Olímpicos).

O rugby chegou ao Brasil no século retrasado, por Charles Miller (exatamente quem trouxe o futebol ao Brasil) que organizou em 1895 o primeiro time de rúgbi brasileiro, em São Paulo; e o primeiro clube a praticar o esporte, o Clube Brasileiro de Futebol Rugby, teria sido fundado em 1891.

Em 20 de dezembro de 1972 foi fundada a Associação Brasileira de Rugby, em substituição à União de Rugby do Brasil. A nova entidade foi reconhecida pelo Conselho Nacional do Desporto.

No início de 2010, a Associação Brasileira de Rugby mudou seu nome para Confederação Brasileira de Rugby a fim de se adequar a estrutura administrativa esportiva do Brasil prevista na Lei Pelé e viabilizar o apoio por parte do COB (Comitê Olímpico Brasileiro).
A Confederação Brasileira de Rugby, nos termos do Inciso I do Art. 217 da Constituição Federal, goza de autonomia administrativa quanto a sua organização e funcionamento.

Com a vaga olímpica garantida por sermos anfitriões, com o repasse de verbas do COB e melhores patrocínios, o rugby tem passado por imensa evolução sendo que, neste ano, o Sportv transmitiu ao vivo partidas da Liga Nacional.

O rugby é hoje o segundo maior esporte em número de praticantes no mundo e a modalidade Seven é justamente a que o Brasil possui mais potencial e melhores resultados. O rugby tem crescido bastante no Brasil e segundo dados da International Rugby Board o país conta com 230 clubes e 10.130 atletas registrados. Portanto, após o início como um esporte para “universitários”, hoje atinge praticamente todo o país.

O caminho para popularizar o rugby é longo, porém, o primeiro grande passo, já foi dado, pois sediar o primeiro torneio olímpico traz imensa responsabilidade e uma oportunidade única para desenvolver definitivamente o esporte.

A todos os leitores desejo um Feliz Natal e que a noite deste sábado seja mais um momento de reflexão e confraternização e menos expressão do consumismo social.

Para interagir com o autor: gustavo@universidadedofutebol.com.br

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O “quando” da especialização no futebol

Resumo

Existe uma grande procura por escolinhas de futebol para crianças, cujas aulas são muito relevantes para o processo de desenvolvimento fisiológico e psicológico. Essa procura também acontece, pois os pais sustentam a idéia de que o esporte serve como fator educacional. Em todo o mundo, existe preocupação com alternativas para o trabalho de atividade desportiva para jovens. Na verdade, as crianças e os jovens merecem uma atividade desportiva a sério, fundamentada, orientada e dirigida corretamente nas suas práticas de aprendizagem de iniciação e de competição. Portanto, há uma elevada importância da prática desportiva, ao lado do acentuado aumento de competições num quadro desportivo altamente especializado. Por isso a ciência desportiva tem procurado determinar a faixa etária mais adequada para haver a especialização de uma modalidade especifica, para que não aconteça uma especialização precoce. Contudo, o presente estudo tem como objetivo verificar e analisar através de uma revisão bibliográfica a idade ideal para se especializar no futebol.

Introdução

O principal problema na prática esportiva é a cobrança de resultados, levando os praticantes ao adestramento, ou seja, melhorar as técnicas e buscar as vitórias de qualquer maneira. Já no jogo o que prevalece é o prazer, o caráter de riso e os jogadores tem espaço para a criatividade. (PAES, 1997)

Nos clubes, nas chamadas categorias de base o que mais acontece é a especialização precoce, ficando muito fácil de identificarmos. Devido a várias características que possuem do esporte de alto rendimento reproduzidas nesse contexto, onde há técnicos maltratando seus atletas por erros cometidos, pais xingando árbitros, frases agressivas entoadas pela torcida. Aprofundando um pouco o nosso olhar para além do momento da competição, encontramos crianças submetidas a peneiras (testes) para a seleção da equipe e a seções de treinamento exaustivas, muitas vezes incompatíveis com a continuação dos estudos (KORSAKAS, 2002, apud LEITE, 2006)

A especialização esportiva precoce vem sendo cada vez mais usada por professores em clubes e escolas. Isso reflete a busca de treinadores e de instituições por mais status na sociedade e uma melhor afirmação de seus nomes. Isso por sua vez reflete a necessidade de auto-afirmação do sistema capitalista vigente. Porém, há quem diga que essa metodologia é muito eficaz, pois descobre muitos talentos esportivos. Entretanto, os danos são maiores que os benefícios: se muitos se preocupassem em desenvolver atividades que contribuem para o desenvolvimento integral das crianças, com certeza teria um maior número de atletas e talentos.

O “quando” da especialização no futebol

É difícil precisar a idade ideal para começar um treinamento específico nos jogos coletivos, mas existem alguns estágios que o ser humano precisa ultrapassar para chegar à maturação biológica, neurológica e motora que permita a aprendizagem dos fundamentos específicos de uma modalidade esportiva, devendo obedecer as individualidades. (BIZZOCCHI, 2004)

Greco (2001) afirma que, acima de tudo, a especialização motora deve ser uma opção de vida que, além de exigir uma dedicação exclusiva, parece estar reservada apenas para uma minoria.

Para Gallahue ( 2005), os movimentos relacionados às habilidades esportivas devem iniciar dos 7 aos 10 sem especificação de determinada modalidade, propiciando total liberdade para o descobrimento e a vivência em geral. Entre os 11 e 13 anos já deve haver a especificação de algumas habilidades e a concretização de movimentos, sem a imposição de uma modalidade esportiva. A partir dos 14 anos, a criança estará apta a se dedicar a um esporte determinado , participando de qualquer esporte formal ou informal, recreativo e competitivo.

Segundo Paes (1997, p.39) :
 

“Para iniciação desportiva especializada é necessário que a criança, a nível de competições formais, atinja um desenvolvimento psicomotor e que tenha condições de desempenhar as funções necessárias para a situação proposta, tais como: um grau de intelectualidade para compreender, e também manutenção psicológica para o momento de glória e as frustrações que ocorrem na competições”.
 

Para Greco (2001), a melhor fase para se iniciar a especialização e o aperfeiçoamento técnico de uma modalidade esportiva é dos 14 aos 16 anos, não devendo ultrapassar a freqüência de três vezes por semana. Entretanto, é importante que o jovem participe de duas ou três modalidades esportivas para que tenha um enriquecimento motor.

Entre 10 e 11 anos de idade, nesta fase já pode haver o aperfeiçoamento desportivo, pois as crianças já têm maturidade para participar de jogos que apresentam ações baseadas em cooperação e colaboração. O objetivo dessa etapa é introduzir elementos técnicos fundamentais, táticas gerais e atividades com regras e jogos educativos. Também nesta fase deve ampliar o repertório de movimentos básicos de diversos esportes, pois essa faixa é considerada como excelente para o aprendizado. (ALMEIDA, 2005, apud RAMOS e NEVES, 2007) Para o autor, dos 12 aos 13 anos, que é conhecida como fase de introdução ao treinamento.

O objetivo desta fase é o aperfeiçoamento das técnicas individuais, dos sistemas táticos, qualidades físicas necessárias para a prática do desporto, pois o jovem já tem significativo desenvolvimento intelectual e físico. Os professores devem oferecer atividades que atendam as necessidades individuais e coletivas, através de jogos dos diversos desportos. (ALMEIDA, 2005, apud RAMOS e NEVES, 2007)

Já Arena (2000) considera a faixa etária de 12-14 anos como a mais indicada para que a criança comece a participar do treinamento de uma modalidade específica, assim como, de eventos competitivos. Porém as crianças até os 12 anos não deve participar de atividades esportivas específicas e de competições formais, por não possuir maturidade suficiente para compreender e assimilar tudo o que está envolvido em um processo competitivo.

Paes (2004) postula que a especialização esportiva deve ocorrer após o pico de velocidade do crescimento da estatura, tomando por base a idade biológica da criança. O pico de velocidade da estatura tem, para os meninos, a idade aproximada de 14 a 15 anos e para as meninas, 13 a 14 anos. Deste modo, ao especializar os atletas, o professor/técnico tem uma tarefa difícil e delicada para identificar o momento ideal na aplicação dos métodos de treinamento.

Conclusão

A partir das abordagens acima pudemos ter noção de como muitos ou a maioria dos treinadores e professores estão despreparados. Não se importando com o desenvolvimento integral das crianças, apenas estão preocupados com o status que possa vir a adquirir nesta sociedade capitalista, caso torne sua equipe campeã de alguma modalidade ou se porventura descobrir algum talento esportivo. Para o bem da criança e do próprio esporte é melhor pararmos de investir nas crianças nossas aspirações pessoais, nossos interesses, nossos desejos. Porque muitas crianças param de praticá-lo no melhor momento, na hora em que estão amadurecendo quantitativa e qualitativamente. Porque, quem foi criança e parou de jogar por sentir-se pressionada, rotulada, insegura, lesionada, não esquece a terrível experiência. E, pior do que isso, passam anos no esporte e o abandonam. Saem do mesmo desgastadas emocionalmente, fragmentadas, inseguras, lesionadas, levando, vida afora, as possíveis conseqüências. Algumas param, pois sentem-se desgastadas, desmotivadas em conquistar mais aquele título, aquele campeonato (pois em alguns anos de prática intensiva já conquistaram títulos municipais, estaduais, prêmios individuais) e preferem freqüentar outros ares. É a tal da saturação esportiva. O garoto não quer mais continuar a prática esportiva porque começou muito cedo, foi várias vezes campeão, está saturado (PINI & CARAZZATTO, 1978).
 

Albert Einstein relata muito bem o que vem a ser uma especialização inadequada:

“Não basta ensinar ao homem uma especialidade. Porque se tornará assim uma máquina utilizável, mas não uma personalidade. É necessário que se adquira um sentimento, um senso prático daquilo que vale a pena ser empreendido, daquilo que é belo, do que é moralmente correto. A não ser assim, ele se assemelhará, com seus conhecimentos profissionais, mais a um cão ensinado do que uma criatura harmoniosamente desenvolvida. Deve aprender a compreender as motivações dos homens, suas quimeras e suas angústias para determinar com exatidão seu lugar exato em relação a seus próximos e à comunidade. Os excessos do sistema de competição e de especialização prematura, sob o falacioso pretexto da eficácia, assassinam o espírito, impossibilitam qualquer vida cultural e chegam a suprimir os progressos nas ciências do futuro. É preciso, enfim, tendo em vista a realização de uma educação perfeita, desenvolver o espírito crítico na inteligência do jovem.”
 

Com base nos autores acima é difícil precisar a idade ideal para a iniciação ao treinamento especializado, porém afirmam que é a partir dos 12 anos que a criança já tem maturidade para praticar o futebol. Entretanto, por experiência em treinamentos e com base nas novas tendências de ensino do futebol, poderá haver uma especialização desde os 8 anos, portanto a metodologia de ensino deverá ser pautada no “jogo”.

*Graduado em Educação Física pela FAEF/UNASP e Pós Graduando em Futebol e Futsal pela UGF.


Referências bibliográficas:

ARENA, S.S. Programas de iniciação e especialização esportiva na grande São Paulo. Revista Paulista de Educação Física. 14 (2), 184-95, 2000.

BIZZOCCHI, Carlos. O voleibol de alto nível : da iniciação à competição – Barueri, SP : Manole, 2004.

GALLAHUE, D. OZMUN. Compreendendo o desenvolvimento motor: bebês, crianças, adolescentes e adultos. 3a edição. São Paulo: Phorte, 2005.

GRECO, Pablo Juan, Rodolfo Novellino Benda., Organizadores. Iniciação Esportiva Universal. Belo Horizonte – MG: Ed. UFMG, 1998.

NETO, João Baldoino de Almeida. Jogos coletivos na educação física escolar. Hortolândia, FAEF-UNASP, 2008.

PAES, Roberto Rodrigues. Aprendizagem e competição precoce: o caso do Basquetebol, 3.ed. – Campinas, SP : editora da UNICAMP, 1997.

PAES, Roberto Rodrigues. A pedagogia da iniciação esportiva: um estudo sobre o ensino dos jogos desportivos coletivos. http://www.efdeportes.com/ Revista Digital – Buenos Aires – Año 10 – N° 71 – Abril de 2004

RAMOS, A.; NEVES, R.. A Iniciação esportiva e a especialização precoce à luz da teoria da complexidade – notas introdutórias. Pensar à prática. Goiânia, 11 20 03 2008.

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Efeito da temporada na composição corporal e na aptidão física em jogadores de futebol

Com o intervalo ou término dos principais campeonatos de futebol no mundo todo, já em clima natalino abordaremos os efeitos do treinamento durante o período competitivo ao longo de uma temporada.

Um estudo realizado na Grécia investigou a interferência de uma temporada nos parâmetros de composição corporal, consumo máximo de oxigênio, máxima velocidade aeróbica e velocidade do limiar de lactato (4mMol.L-1).

Os autores avaliaram 12 atletas da elite do futebol com idade de 25±5 anos no início da pré-temporada, no início do período competitivo e no meio do período competitivo.

Os resultados encontam-se resumidos na Tabela 01:

Tabela 01: Análise de variáveis antropométricas e fisiológicas durante uma temporada.

Ao longo da temporada, os resultados indicaram redução da gordura corporal e melhora de todas as variáveis fisiológicas máximas e submáximas em relação à pré-temporada, porém não houve diferença em nenhuma variável entre o início do primeiro turno e o início do segundo turno.

Apesar de algumas limitações como a realização dos testes de VO2 e de limiar de lactato serem realizados em esteira e a amostra ser pequena e não haver dados para variáveis de força/velocidade, esse estudo indica que a preparação realizada na pré-temporada parece ser importante e suficiente para garantir a manutenção da potência e da capacidade aeróbica ao longo do campeonato. Além disso, a melhora encontrada nesse estudo condiz com levantamentos científicos já realizados previamente; contudo, a maioria deles foi feita com jovens ou com atletas amadores.

Se faz necessária o acompanhamento das variáveis antropométricas, aeróbicas, de força e de velocidade, não somente ao longo da temporada, mas também entre um temporada e outra. Também seria importante obter esses dados de diferentes equipes com diferentes idades e nível técnico para sabermos se esse comportamento é um padrão nas equipes de futebol ou não.

Para finalizar, assumindo que os atletas terminam a temporada com o percentual de gordura baixo e iniciam a pré-temporada com ele aumentado, isso sugere que a interrupção dos treinamentos leva à redução da massa muscular e ao aumento da gordura corporal, já que o peso dos atletas não se alterou ao longo do campeonato.

Aproveitando que muitos de nós também estará com datas comemorativas e em fase de destreinamento, lembre-se: o que engorda é o que se consome entre o Ano Novo e o Natal e não entre o Natal e o Ano Novo.

Boas festas a todos!

Para interagir com o autor: cavinato@universidadedofutebol.com.br

Para saber mais:

Kalapotharakos VI, Ziogas G, Tokmakidis SP. Seasonal aerobic performance variations in elite soccer players. J Strength Cond Res. 2011 Jun;25(6):1502-7.

McMillan K, Helgerud J, Grant SJ, Newell J, Wilson J, Macdonald R, Hoff J. Lactate threshold responses to a season of professional British youth soccer. Br J Sports Med. 2005 Jul;39(7):432-6.

Miller DK, Kieffer HS, Kemp HE, Torres SE. Off-season physiological profiles of elite National Collegiate Athletic Association Division III male soccer players. J Strength Cond Res. 2011 Jun;25(6):1508-13.

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O "quando" da especialização no futebol

Resumo

Existe uma grande procura por escolinhas de futebol para crianças, cujas aulas são muito relevantes para o processo de desenvolvimento fisiológico e psicológico. Essa procura também acontece, pois os pais sustentam a idéia de que o esporte serve como fator educacional. Em todo o mundo, existe preocupação com alternativas para o trabalho de atividade desportiva para jovens. Na verdade, as crianças e os jovens merecem uma atividade desportiva a sério, fundamentada, orientada e dirigida corretamente nas suas práticas de aprendizagem de iniciação e de competição. Portanto, há uma elevada importância da prática desportiva, ao lado do acentuado aumento de competições num quadro desportivo altamente especializado. Por isso a ciência desportiva tem procurado determinar a faixa etária mais adequada para haver a especialização de uma modalidade especifica, para que não aconteça uma especialização precoce. Contudo, o presente estudo tem como objetivo verificar e analisar através de uma revisão bibliográfica a idade ideal para se especializar no futebol.

Introdução

O principal problema na prática esportiva é a cobrança de resultados, levando os praticantes ao adestramento, ou seja, melhorar as técnicas e buscar as vitórias de qualquer maneira. Já no jogo o que prevalece é o prazer, o caráter de riso e os jogadores tem espaço para a criatividade. (PAES, 1997)

Nos clubes, nas chamadas categorias de base o que mais acontece é a especialização precoce, ficando muito fácil de identificarmos. Devido a várias características que possuem do esporte de alto rendimento reproduzidas nesse contexto, onde há técnicos maltratando seus atletas por erros cometidos, pais xingando árbitros, frases agressivas entoadas pela torcida. Aprofundando um pouco o nosso olhar para além do momento da competição, encontramos crianças submetidas a peneiras (testes) para a seleção da equipe e a seções de treinamento exaustivas, muitas vezes incompatíveis com a continuação dos estudos (KORSAKAS, 2002, apud LEITE, 2006)

A especialização esportiva precoce vem sendo cada vez mais usada por professores em clubes e escolas. Isso reflete a busca de treinadores e de instituições por mais status na sociedade e uma melhor afirmação de seus nomes. Isso por sua vez reflete a necessidade de auto-afirmação do sistema capitalista vigente. Porém, há quem diga que essa metodologia é muito eficaz, pois descobre muitos talentos esportivos. Entretanto, os danos são maiores que os benefícios: se muitos se preocupassem em desenvolver atividades que contribuem para o desenvolvimento integral das crianças, com certeza teria um maior número de atletas e talentos.

O “quando” da especialização no futebol

É difícil precisar a idade ideal para começar um treinamento específico nos jogos coletivos, mas existem alguns estágios que o ser humano precisa ultrapassar para chegar à maturação biológica, neurológica e motora que permita a aprendizagem dos fundamentos específicos de uma modalidade esportiva, devendo obedecer as individualidades. (BIZZOCCHI, 2004)

Greco (2001) afirma que, acima de tudo, a especialização motora deve ser uma opção de vida que, além de exigir uma dedicação exclusiva, parece estar reservada apenas para uma minoria.

Para Gallahue ( 2005), os movimentos relacionados às habilidades esportivas devem iniciar dos 7 aos 10 sem especificação de determinada modalidade, propiciando total liberdade para o descobrimento e a vivência em geral. Entre os 11 e 13 anos já deve haver a especificação de algumas habilidades e a concretização de movimentos, sem a imposição de uma modalidade esportiva. A partir dos 14 anos, a criança estará apta a se dedicar a um esporte determinado , participando de qualquer esporte formal ou informal, recreativo e competitivo.

Segundo Paes (1997, p.39) :
 

“Para iniciação desportiva especializada é necessário que a criança, a nível de competições formais, atinja um desenvolvimento psicomotor e que tenha condições de desempenhar as funções necessárias para a situação proposta, tais como: um grau de intelectualidade para compreender, e também manutenção psicológica para o momento de glória e as frustrações que ocorrem na competições”.
 

Para Greco (2001), a melhor fase para se iniciar a especialização e o aperfeiçoamento técnico de uma modalidade esportiva é dos 14 aos 16 anos, não devendo ultrapassar a freqüência de três vezes por semana. Entretanto, é importante que o jovem participe de duas ou três modalidades esportivas para que tenha um enriquecimento motor.

Entre 10 e 11 anos de idade, nesta fase já pode haver o aperfeiçoamento desportivo, pois as crianças já têm maturidade para participar de jogos que apresentam ações baseadas em cooperação e colaboração. O objetivo dessa etapa é introduzir elementos técnicos fundamentais, táticas gerais e atividades com regras e jogos educativos. Também nesta fase deve ampliar o repertório de movimentos básicos de diversos esportes, pois essa faixa é considerada como excelente para o aprendizado. (ALMEIDA, 2005, apud RAMOS e NEVES, 2007) Para o autor, dos 12 aos 13 anos, que é conhecida como fase de introdução ao treinamento.

O objetivo desta fase é o aperfeiçoamento das técnicas individuais, dos sistemas táticos, qualidades físicas necessárias para a prática do desporto, pois o jovem já tem significativo desenvolvimento intelectual e físico. Os professores devem oferecer atividades que atendam as necessidades individuais e coletivas, através de jogos dos diversos desportos. (ALMEIDA, 2005, apud RAMOS e NEVES, 2007)

Já Arena (2000) considera a faixa etária de 12-14 anos como a mais indicada para que a criança comece a participar do treinamento de uma modalidade específica, assim como, de eventos competitivos. Porém as crianças até os 12 anos não deve participar de atividades esportivas específicas e de competições formais, por não possuir maturidade suficiente para compreender e assimilar tudo o que está envolvido em um processo competitivo.

Paes (2004) postula que a especialização esportiva deve ocorrer após o pico de velocidade do crescimento da estatura, tomando por base a idade biológica da criança. O pico de velocidade da estatura tem, para os meninos, a idade aproximada de 14 a 15 anos e para as meninas, 13 a 14 anos. Deste modo, ao especializar os atletas, o professor/técnico tem uma tarefa difícil e delicada para identificar o momento ideal na aplicação dos métodos de treinamento.

Conclusão

A partir das abordagens acima pudemos ter noção de como muitos ou a maioria dos treinadores e professores estão despreparados. Não se importando com o desenvolvimento integral das crianças, apenas estão preocupados com o status que possa vir a adquirir nesta sociedade capitalista, caso torne sua equipe campeã de alguma modalidade ou se porventura descobrir algum talento esportivo. Para o bem da criança e do próprio esporte é melhor pararmos de investir nas crianças nossas aspirações pessoais, nossos interesses, nossos desejos. Porque muitas crianças param de praticá-lo no melhor momento, na hora em que estão amadurecendo quantitativa e qualitativamente. Porque, quem foi criança e parou de jogar por sentir-se pressionada, rotulada, insegura, lesionada, não esquece a terrível experiência. E, pior do que isso, passam anos no esporte e o abandonam. Saem do mesmo desgastadas emocionalmente, fragmentadas, inseguras, lesionadas, levando, vida afora, as possíveis conseqüências. Algumas param, pois sentem-se desgastadas, desmotivadas em conquistar mais aquele título, aquele campeonato (pois em alguns anos de prática intensiva já conquistaram títulos municipais, estaduais, prêmios individuais) e preferem freqüentar outros ares. É a tal da saturação esportiva.
O garoto não quer mais continuar a prática esportiva porque começou muito cedo, foi várias vezes campeão, está saturado (PINI & CARAZZATTO, 1978).
 

Albert Einstein relata muito bem o que vem a ser uma especialização inadequada:

“Não basta ensinar ao homem uma especialidade. Porque se tornará assim uma máquina utilizável, mas não uma personalidade. É necessário que se adquira um sentimento, um senso prático daquilo que vale a pena ser empreendido, daquilo que é belo, do que é moralmente correto. A não ser assim, ele se assemelhará, com seus conhecimentos profissionais, mais a um cão ensinado do que uma criatura harmoniosamente desenvolvida. Deve aprender a compreender as motivações dos homens, suas quimeras e suas angústias para determinar com exatidão seu lugar exato em relação a seus próximos e à comunidade. Os excessos do sistema de competição e de especialização prematura, sob o falacioso pretexto da eficácia, assassinam o espírito, impossibilitam qualquer vida cultural e chegam a suprimir os progressos nas ciências do futuro. É preciso, enfim, tendo em vista a realização de uma educação perfeita, desenvolver o espírito crítico na inteligência do jovem.”
 

Com base nos autores acima é difícil precisar a idade ideal para a iniciação ao treinamento especializado, porém afirmam que é a partir dos 12 anos que a criança já tem maturidade para praticar o futebol. Entretanto, por experiência em treinamentos e com base nas novas tendências de ensino do futebol, poderá haver uma especialização desde os 8 anos, portanto a metodologia de ensino deverá ser pautada no “jogo”.

*Graduado em Educação Física pela FAEF/UNASP e Pós Graduando em Futebol e Futsal pela UGF.


Referências bibliográficas:

ARENA, S.S. Programas de iniciação e especialização esportiva na grande São Paulo. Revista Paulista de Educação Física. 14 (2), 184-95, 2000.

BIZZOCCHI, Carlos. O voleibol de alto nível : da iniciação à competição – Barueri, SP : Manole, 2004.

GALLAHUE, D. OZMUN. Compreendendo o desenvolvimento motor: bebês, crianças, adolescentes e adultos. 3a edição. São Paulo: Phorte, 2005.

GRECO, Pablo Juan, Rodolfo Novellino Benda., Organizadores. Iniciação Esportiva Universal. Belo Horizonte – MG: Ed. UFMG, 1998.

NETO, João Baldoino de Almeida. Jogos coletivos na educação física escolar. Hortolândia, FAEF-UNASP, 2008.

PAES, Roberto Rodrigues. Aprendizagem e competição precoce: o caso do Basquetebol, 3.ed. – Campinas, SP : editora da UNICAMP, 1997.

PAES, Roberto Rodrigues. A pedagogia da iniciação esportiva: um estudo sobre o ensino dos jogos desportivos coletivos. http://www.efdeportes.com/ Revista Digital – Buenos Aires – Año 10 – N° 71 – Abril de 2004

RAMOS, A.; NEVES, R.. A Iniciação esportiva e a especialização precoce à luz da teoria da complexidade – notas introdutórias. Pensar à prática. Goiânia, 11 20 03 2008.