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O Mundial de Clubes deve evoluir

É da natureza do esporte a busca pela hegemonia. O melhor da rua, deseja se tornar o melhor do bairro, que por sua vez quer ser o melhor da cidade, após do Estado, do país, do continente e do mundo. No futebol não poderia ser diferente e por essa razão ano após ano a Libertadores e o Mundial de Clubes são a maior obsessão dos clubes brasileiros.

Na ausência de um campeonato de clubes verdadeiramente global, até 2004, era a realizada a Copa Intercontinental entre o melhor clube da América do Sul e o melhor da Europa e o vencedor se proclamava "campeão do mundo".

Em 2000, pela primeira vez a Fifa organizou um campeonato de clubes reunindo representante de todas as suas confederações. Infelizmente, por questões financeiras, a competição somente voltou a ser disputada em 2005.

O formato adotado na pela primeira competição é mais atrativo que o atual. Em 2000, além dos seis representantes continentais, participaram um representante dos donos da casa e o vencedor da última Copa Intercontinental. As equipes foram dividas em dois grupos de quatro, passando os dois primeiros à fase semifinal. Assim, o campeão disputou cinco partidas.

No formato atual, a competição conta com sete participantes, um de cada confederação e um do anfitrião. Os representantes de Conmebol e Uefa já iniciam a competição na fase semifinal, de forma que o representante da Oceania ou dos donos da casa fazem uma partida equivalente às oitavas de final.

A justificativa para tal formato é o calendário europeu e sul-americano que inviabilizaria às equipes destes continentes uma disputa com mais datas.

Não obstante isso, o Mundial de Clubes deve evoluir a fim de aumentar sua atratividade e seu valor no mercado publicitário. Uma ideia seria adotar um regulamento semelhante à primeira competição, permitindo a defesa do título ao atual campeão.

Uma alternativa interessante seria realizar uma competição com doze equipes, um representante de cada confederação (seis), um anfitrião, o atual campeão, os campeões das Supercopas da América do Sul e da Europa e mais dois entre as quatro confederações restantes, de acordo com o ranking da Fifa.

As doze equipes seriam divididas em quatro grupos de três, com os campeões de cada classificando-se às semifinais.

Tal formato traria participação de mais países, com a possibilidade grandes clássicos Brasil-Argentina, Itália-Espanha, Alemanha-Inglaterra, entre outros. Um verdadeiro deleite aos torcedores, aos consumidores e aos anunciantes.

Urge destacar que um maior rodízio de sedes, inclusive com a realização da competição nos grandes centros do futebol mundial, auxiliaria no engrandecimento da competição.

Dessa forma, deve a Fifa avaliar implementar uma evolução no formato da competição e na escolha de sedes a fim de valorizá-la esportiva e comercialmente.
 

Para interagir com o autor: gustavo@universidadedofutebol.com.br

 

 

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O atleta e a conquista da excelência pessoal – 4ª parte, visões e imagens positivas

Nesta semana irei comentar sobre o quarto elemento na busca de excelência profissional, as visões e imagens positivas. Relembrando a construção da jornada em busca de excelência, nós já falamos sobre a concentração, o comprometimento e o preparo mental.

As grandes realizações, as novas descobertas e os feitos aparentemente impossíveis começam com uma simples visão positiva do objetivo. As visões positivas daquilo que você quer realizar e as visões menores dos passos que você vai dar para chegar lá impulsionam a busca pela excelência. Precisamos compreender que as visões, sejam elas grandes ou pequenas, muitas vezes vivem em nossas mentes antes de se tornarem realidade. Parte do desafio contínuo da busca pela excelência é sustentar as visões positivas e uma perspectiva positiva ao longo dos vários estágios de sua jornada.

Suas visões ou imagens positivas dependem daquilo em que você se concentra e elas surgirão a partir do momento em que você se concentrar no uso do poder das visões, dos pensamentos positivos e da criação de imagens mentais para:

•Criar visões positivas de onde quer chegar com sua atuação e reconhecer o que você tem potencial para se tornar;
•Acelerar o aprendizado e a integração das habilidades técnicas, táticas, mentais e físicas;
•Criar imagens positivas dos passos que você precisa dar para chegar aonde deseja;
•Criar visões, imagens ou pensamentos positivos que lhe deem inspiração para prosseguir na busca de suas metas e de seus sonhos;
•Aprender com os seus melhores desempenhos e com as melhores partes dos seus desempenhos;
•Identificar objetivos diários claros e específicos para a melhoria contínua;
•Agir e reagir de modo positivo e decisivo;
•Fortalecer sua confiança;
•Melhorar a execução de suas habilidades.

Um dos principais benefícios de se ter uma grande visão positiva e visões menores de passo a passo é manter a concentração nos aspectos positivos e nas possibilidades, em vez de focalizar nos aspectos negativos. Suas chances de alcançar objetivos de alto nível e de viver prazerosamente são muito maiores quando você de concentra em pensamentos, imagens, visões e lições positivas.

Os grandes campeões não começam suas vidas ou buscas como grandes realizadores. Eles trabalham duramente com objetivo de tornar um hábito ver as coisas de modo positivo e imaginar-se executando as habilidades técnicas do jeito que gostariam. Na verdade, a maioria deles tem a habilidade de criação de imagens altamente desenvolvida, pois a usam diariamente para criar uma concentração positiva para a excelência. Eles recuperam memórias positivas, relembram a concentração e os sentimentos de seus melhores momentos vividos e criam visões positivas do futuro; além de usarem esses pensamentos para se preparar mentalmente para a prática esportiva de qualidade, com um desempenho superior.

Para melhorar o desempenho eles relembram cuidadosamente as coisas positivas de suas atuações anteriores e avaliam o que pode ser melhorado para que possam fazer os ajustes necessários. Alguns também utilizam as imagens positivas para relaxar e ou retomar o controle de sua concentração quando distraídos.

Os pensamentos positivos, combinados com imagens positivas e sentimentos positivos, podem ajudar a criar um equilíbrio mental e a concentração desejada para uma performance de alto rendimento. É necessário deixar que as visões positivas guiem as ações e consequentemente sua realidade de modo positivo.

Seguem algumas reflexões sobre as visões e imagens positivas:

•Você tem uma visão concreta de onde gostaria de chegar com seu desempenho, sua profissão ou sua vida?
•Você consegue manter essa visão clara em sua mente? Recorre a ela regularmente?
•Você pode se imaginar agindo exatamente do jeito que gostaria, realizando as coisas que quer realizar?
•Você se imagina realizando pequenas coisas diariamente e que te levarão aos seus objetivos?

Com estas reflexões concluímos o quarto elemento da excelência: as visões e imagens positivas. Aguardem os demais elementos e vamos juntos compreender a importância deles na conquista de excelência. Até lá!
 

Para interagir com o autor: gustavo.davila@universidadedofutebol.com.br

 

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O cérebro do futebol

Há alguns meses, um fabricante de lubrificantes de automóvel levou Cristiano Ronaldo a um centro de alto rendimento em Madrid para detectar quais são as armas que o fazem tão especial.
Além de suas capacidades físicas evidentes, também analisaram suas habilidades mentais. Puseram-no um óculos de rastreamento porque pretendiam registrar aonde o atacante português fixa sua atenção quando joga.
O resultado foi impressionante. Seu olhar fazia movimentos precisos desde a bola à cintura do adversário, antecipando-se sempre ao movimento que o marcador iria fazer. Segundo a psicóloga do esporte Zoe Wimhurst, “se perguntarem a ele, não saberá dizer aonde estava olhando, porque tudo está em seu consciente. Ele sabe aonde recorrer à informação que necessita para obter os melhores resultados”.
Muitas horas de treinamento e milhares de partidas jogadas o ensinaram, inconscientemente, como qualquer um de nós é capaz de chegar ao trabalho dirigindo sem pensar em qual marcha estamos colocando. Na década de 1970, o neurólogo Benjamin Libet revolucionou a neurociência ao revelar que nosso cérebro toma decisões antes que sejamos conscientes delas. “Trata-se de um mecanismo de supervivência que desenvolvemos depois de anos de competência por sobreviver e reproduzir-nos em um ambiente hostil”, diz Manuel Martín-Loeches, neurocientífico do Instituto Carlos III de Madrid.
E o corpo?
Experts em ciências dos esportes, entre eles, o pesquisador do Instituto de Biomecânica de Valência, Luis Garcés, analisaram Cristiano Ronaldo por alguns meses para descobrir o que faz dele um jogador excepcional. Para fazer isso, ele foi submetido a testes de força corporal, capacidade mental e de controle motor.
Como características antroprométricas: “Ele tem as melhores condições que poderia ter um atleta para correr, saltar e chutar a bola”. Um dos segredos do seu êxito é a diferença do volume entre a coxa e a panturrilha, que se traduz em uma grande hipertrofia de seus quadríceps em relação à panturrilha. “O ideal para um futebolista é ter uma boa musculatura ao redor da zona pélvica: abdomen, coxas e glúteos”, assegura Garcés.
Depois de analisar seu chute livre e seu knuckleball, comprovaram o segredo do seu sucesso. Trata-se do efeito chicote que produz a força combinada de seu abdomen e coxa, que se incrementa com o menor peso relativo da panturrilha. E tudo isto, a uns 100 km/h.
A Nasa FC
O mundo do futebol há propiciado o desenvolvimento de tecnologias que depois têm sido generalizadas para os mortais comuns. Isso acontece em medicina com a artroscopia, que começou a ser utilizada em desportistas de elite e também em estudos biométricos que se fazem para criar chuteiras e roupas desportivas que evitam lesões em campos de futebol.
Também há tecnologias, como a holografia em 3D, para ver partidas à distância e para a detecção de gol, virão em um futuro próximo. Além disso, treinadores, como Rafa Benítez, tem tornado seus conhecimentos de estratégia em uma aplicação para todos os públicos.
Mais inteligentes
De fato, segundo o próprio Martín-Loeches, os jogadores de futebol profissional atual não são nada mais do que o maior exemplo do caçador e guerreiro com cérebro altamente preparado desde que se tornou no Homo sapiens moderno. “Uma partida de futebol atual é o equivalente a um campo de batalha primitivo ou de caça em grupo de um antílope da Savana, porque é normal que os jogadores demonstrem ter algumas capacidades físicas e mentais muito superiores para a atuação rápida e coordenada em um espaço amplo que contém amigos, inimigos e objetivos que precisam ser alcançados”, aponta Martín-Loeches.
Isto é demonstrado em um estudo realizado por pesquisadores do Instituto Karolinska de Estocolmo e publicado na revista Plos One em abril, que conclui: “Os futebolistas profissionais têm mais capacidades cognitivas que a média da população. E estas [capacidades] são maiores quanto maior for a categoria em que o atleta jogar”.
Seus autores estudaram as funções vinculadas com o pensamento e raciocínio abstrato de 83 jogadores de distintas categorias da liga sueca de futebol. Entre as coisas que foram analisadas, destacam-se a antecipação visual, o reconhecimento de padrões, o cálcuo de probabilidades em uma situação, a criatividade e a tomada de decisões estratégicas. Em todas estas habilidades, os futebolistas obtiveram melhores resultados que o registrado pelos mortais, sobretudo se sobressaíram na função cerebral executiva, ou seja, aquela que implica em uma boa capacidade mental para solucionar problemas imediatos de forma criativa e levar a cabo várias tarefas de uma vez, assim como a memória precisa para recordar informação armazenada no passado e aplicá-la no presente.
De fato, segundo André Roca, pesquisador do Research Institute for Sport and Exercise Sciences da Universidade John Moores, em Liverpool: “Estas habilidades de inteligência de jogo são as que dão ao futebolista uma vantagem para adivinhar os movimentos do adversário e antecipar-se ao jogo. E também são a chave que diferencia um bom jogador de um craque. É o caso de Messi, por exemplo, que tem uma capacidade extraordinária para adivinhar qual é a melhor decisão, graças a sua grande capacidade para ler o jogo e concentrar-se somente na informação relevante”.
No entanto, estas capacidades, são inatas ou são adquiridas com o decorrer do tempo? Para saber, Roca avaliou estas habilidades, as relativas à antecipação e à tomada de decisões em jogadores de futebol com diferentes níveis de treinamento durante sua infância e adolescência. O resultado?
“Nossa conclusão é que o treinamento intensivo, como é o dos jovens que jogam futebol na rua diariamente entre 6 e 12 anos, é a chave para desenvolver este tipo de inteligência para o jogo em um futuro”, afirma Roca.
A biografia de alguns dos melhores jogadores do mundo, como o próprio Messi, Pelé e Cristiano Ronaldo, demonstra que isto é assim. Por outro lado, nos últimos tempos, os neurocientíficos têm concluído que muitas das decisões que tomamos de forma inconsciente são oriundas das emoções. “O sistema cerebral que as processa reage rapidamente ante os estímulos muito antes do que somos conscientes deles. A sensação emocional resultante nos colocaria imediatamente em posição para atuar: fugir ou atacar”, finaliza Martín-Loeches.
Frequentemente, quando falamos de emoções, pensa-se que se trata de algo impulsivo que não requer conhecimentos nem lógica. Mas não é assim. As emoções também podem ser educadas e treinadas. E aqui é onde os psicólogos esportivos, cada vez com mais presença no futebol profissional, têm muito que contribuir.
Jogadores no divã
Patricia Ramírez, psicóloga desportiva do Betis (da Espanha), explica isso muito bem: “Nosso trabalho consiste em controlar as variáveis psicológicas que afetam o rendimento desportivo. A concentração, a atenção, a tomada de decisões, o estilo cognitivo, o manejo da sorte, a atribuição da responsabilidade, manejar a ansiedade competitiva, etc. Tudo isso pode incrementar ou diminuir a eficácia dentro de campo. Ter estas variáveis sob controle é tão importante quanto estar bem alimentado e fisicamente treinado”.
No caso do Betis, sua intervenção foi especialmente apontada como um dos segredos da boa temporada que fizeram para conseguir de novo o acesso à Primeira Divisão. De fato, seu rosto tornou-se popular entre os aficionados por futebol porque os jogadores se dedicaram muito nesta temporada.
Uma das situações em que parece mais difícil manter a concentração é quando uma equipe tem pela frente uma partida decisiva, como o que teve a seleção espanhola na última Eurocopa. Para estes momentos, Ramírez recomenda que se aprenda a manejar a pressão: “Necessitamos saber controlar os níveis de ativação, tanto por excesso como por omissão. Cada jogador tem um nível de atividade em que é eficaz. Existem técnicas para incrementar a ativação (autoinstruções, dinâmicas de grupo, a mesma música em volume alto, visualização, etc) e outras que diminuem e controlam os níveis de ansiedade, como a respiração, o relaxamento e a maneira como falamos de nós mesmos”.
Quanto ao eterno debate sobre a inteligência de um futebolista de elite, Ramírez aponta: “É pouco correto assegurar que os jogadores de futebol são pouco inteligentes porque não têm estudos acadêmicos. Há uma inteligência para as matemáticas e outra relacionada com o talento para o esporte. Os futebolistas a manifestam no modo como se antecipam ou como entendem as regras do jogo. Para jogar a certos níveis, há que se ter um talento sobrenatural, treiná-lo de forma profissional e ter a cabeça muito bem centrada para ser capaz de se atingir o máximo rendimento e entender o que o grupo e o treinador esperam de você”.
Rafa Benítez, treinador com muitos títulos em sua carreira, incluindo a Liga dos Campeões com o Liverpool, assegura: “Para ser um jogador de elite há que contar com uma personalidade suficiente para desenvolver-se em situações diferentes, estressantes e muitas vezes difíceis de controlar. Quanto melhor se adaptar a todas essas circunstâncias, mais tempo pode permanecer em uma grande equipe de elite”.
Se perguntar a qualquer um de nós (eu verifiquei), quais são os jogadores mais inteligentes que conhecemos, asseguro que coincidiríamos em citar quem joga no meio de campo, como os Xavis (Alonso e Hernández) levariam o ‘troféu’. Por que?
“Isto acontece porque eles são responsáveis por analisar o que se passa no jogo e encontrar soluções aos problemas em uma zona com muitos adversários e muito pouco espaço. Eles têm atletas da equipe rival a seu redor e que não sabem o que irá acontecer, qual será a sequência seguinte. Por isso, os bons são os que têm a capacidade de acertar a tomada de decisão rapidamente, de forma decidida, e isso, logicamente, não está ao alcance de qualquer futebolista. Por isso, alguns são considerados mais valiosos em tipos específicos de missões; embora todos sejam muito importantes, pois trata-se de um jogo coletivo”, afirma Benítez.
Todos por um
Antes da final da Liga Europa, o jornal espanhol “Marca” entrevistou o jogador que havia sido uma das revelações do torneio, o brasileiro Diego Ribas, que afirmou: “Quando o resultado coletivo é bom, os jogadores têm um grande rendimento individual. E foi isso que aconteceu comigo”.
Efetivamente, o futebol não é somente a soma de bons jogadores. É na equipe que se reside a inteligência definitiva, o coletivo. É justamente o treinador que se faz às vezes de um diretor de orquestra. Vicente del Bosque, na seleção espanhola, Josep Guardiola e suas últimas temporadas no Barcelona, José Mourinho e seus êxitos dentro e fora de Madrid e, a excelente temporada de Marcelo Bielsa no Athletic Bilbao, são alguns dos exemplos de técnicos com excelentes resultados e formas distintas de fazer as coisas.
De acordo com o neurocientífico Antonio Damasio, no documentário Futebol, inteligência coletiva: “Cada jogador deve ter uma ideia de como funciona o conjunto, e um bom treinador deverá saber transmitir esta ideia geral para que o jogador saiba aonde ele se encaixa, qual é a sua contribuição e que relação se tem com aqueles que interagem”.
Para Damasio, encaixar o mecanismo geral é muito importante para poder compartilhar também as emoções coletivas das que, segundo este neurólogo, nasce a criatividade em uma equipe. É só observar a harmonia e a beleza do jogo da seleção da Espanha para saber o que é isto. Esperamos poder disfrutar muito tempo dela.

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Adeus 2012, alô 2013!

Saudações a todos!

Se pensarmos racionalmente, 31 de dezembro é apenas o final de um mês e início de outro, fato comum que acontece a cada 30 dias. No entanto, emocionalmente, a passagem de dezembro para janeiro representa muito mais do que uma simples virada de mês, é um período que nos habituamos a pensar em renovação, avaliar novas oportunidades, enfim, tempo de fazer uma boa reflexão sobre acertos e erros.

Por esta razão, o final de ano é tudo de bom. Bom para aqueles que não tiveram um ano como desejavam e podem renovar suas esperanças. Bom para aqueles que tiveram um ano de conquistas e podem comemorar.

Mas a pergunta de ouro nesta época do ano é: como faço para aproveitar este período e fazer de 2013 a minha virada?

Para auxiliar você a planejar a sonhada virada tenho algumas sugestões que parecem simples, mas que exigem reflexão e muita disciplina para serem executadas. São elas: ter vontade acima de tudo. Ter memória e paciência.

Estas sugestões foram inspiradas na filosofia de vida de uma figura conhecida por todos os brasileiros, o sr. Arthur Antunes Coimbra, mais conhecido como Zico. Em uma entrevista, ele citou duas frases que fizeram a virada na vida dele e que se encaixam muito bem neste período de renovação. Assim que ouvi as duas frases, pensei em repassá-las aos leitores, pois a filosofia de vida de alguém tão vitorioso quanto o "Galinho de Quintino", tem de ser aproveitada.

As duas frases são: "o medo de perder tira a vontade de ganhar" e "para vencer, duas qualidades são muito importantes: ter memória e paciência. A memória para não esquecer que é necessário ter paciência".

São duas frases fortes que, se minimamente avaliadas e servirem de orientação, farão de 2013 um ano novo de fato. Além do que o Zico falou, acrescento ainda que é necessário ter memória para não se esquecer de ter paciência, persistência, esforço, dedicação, etc.

Tenho certeza de que os pedidos de muito de vocês para que 2013 seja o ano de suas vidas já foram enviados ao Papai Noel, mas saibam que somente pensar nos pedidos, não é suficiente, é necessário fazer algo "a mais" para ganhar seus presentes.

Vamos voltar à época de criança e lembrar os pedidos que fazíamos ao Papai Noel: "quero ganhar um carrinho", "quero ganhar uma boneca", "quero ganhar um tênis" etc., e o Papai Noel automaticamente respondia: "você obedeceu a mamãe e o papai? estudou? passou de ano? Foi bom com os amiguinhos? Respeitou os mais velhos?".

Se as repostas fossem sim, o presente estava garantido.

Acredite: é exatamente igual ao que acontece na fase adulta. Para cada pedido é necessário um esforço para ser atendido. Para ajudar na reflexão darei alguns exemplos de "pedidos" e do "esforço" necessário para que eles virem realidade:

Pedido: Quero ser promovido.
Perguntas: Você dá o máximo de si no cargo atual? É o melhor da função entre os que almejam uma promoção? Tem estudado e se aperfeiçoado para atender os requisitos da nova função?

Pedido: Quero ser chefe.
Perguntas: Você conhece profundamente suas atividades atuais? Sabe lidar com pessoas? Sabe que o chefe, o verdadeiro líder, tem de trabalhar mais que todos? Está disposto a encarar tudo isso?

Pedido: Quero mudar de emprego.
Perguntas: Você avaliou se na sua própria empresa existem oportunidades de crescimento? Tem um currículo bem elaborado? Está estudando e se atualizando? Conhece outro idioma? Tem bons relacionamentos? Está de olho nas vagas oferecidas pelo mercado?

Pedido: Quero ser destaque da minha turma.
Perguntas: Você estuda mais do que todos? Abdica de ir a baladas nos finais de semana? Está preparado para estudar nos feriados?

Se a maioria das respostas foi sim, ótimo, seu 2013 promete! Agora, se a maioria das respostas foi não, não se iluda, Papai Noel terá poucas chances de passar pela sua vida em 2013.

Já ouviu uma expressão em inglês "Do your best", que em uma tradução livre significa "Faça o seu melhor"? Creio que lembrar e praticar este ensinamento é a chave para você merecer seus presentes em 2013, 2014, 2015…

É isto pessoal, se estiverem de fato em busca de uma virada, avaliem com carinho as sugestões acima, reflitam e, o mais importante, façam o seu melhor sempre. Um ótimo 2013 para todos nós!

Agora, intervalo, vamos aos vestiários e nos vemos no próximo ano.

Abraços a todos!

*Cezar Tegon é graduado em Estudos Sociais, Administração de Empresas e Direito. É presidente da Elancers e sócio diretor da Consultants Group by Tegon. Com experiência de 30 anos na área de RH, é pioneiro no Brasil em construção e implementação de soluções informatizadas para RH. Diretor de novos produtos da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-Nacional)

Para interagir com o autor: ctegon@universidadedofutebol.com.br

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Nosso maior ativo

A última quarta-feira e o último domingo nos mostraram (e provaram) que o ativo mais importante de um clube de futebol permanece sendo seu torcedor e a identidade criada por ele com a agremiação.

Dos fatos marcantes, a final da Copa Sul-americana entre São Paulo e Tigre-ARG no Morumbi, que levou mais de 60 mil pessoas ao estádio, e a participação vitoriosa do Corinthians no Mundial de Clubes da Fifa.

A lição é perceber que eles existem e estão dispostos a consumir o clube. Independente do sucesso esportivo dos supracitados, o fato é que, ao entregar algum valor diferenciado para o torcedor, ele está apto a fazer de bom grado.

O faturamento superior a R$ 4 milhões na grande final pelo São Paulo, fruto da venda direta de ingressos somente pela internet, e o gasto médio de aproximadamente R$ 6.500,00 entre os 30.000 torcedores estimados que foram ao Japão ver o Corinthians atestam a noção de que o público em geral quer ampliar seu contato com os clubes.

Logicamente que não irá gastar todo este montante a cada final de semana. São situações esporádicas. Mas o fato a ser repensado está nos ativos e nas mais valias que podem ser encontradas em uma aproximação junto ao torcedor.

Precisamos muito mais do que aumentar o valor da cota de patrocínio. Há a necessidade de aumentar as entregas que fazemos para o torcedor até fazê-lo compreender que o bom do futebol é estar próximo do clube do coração nos 365 dias do ano.

Para interagir com o autor: geraldo@universidadedofutebol.com.br

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O ‘titês’ e a comunicação

O título conquistado pelo Corinthians no último domingo, no Japão, tem um personagem especial. Cássio foi eleito o melhor jogador da Copa do Mundo de clubes da Fifa, Guerrero anotou o gol que definiu a vitória e muitos outros atletas tiveram participações relevantes, mas ninguém foi mais determinante para toda a trajetória do que o técnico Tite. E a comunicação tem grande participação nisso.

Tite soube ler as virtudes táticas e técnicas de adversários e soube montar o time de acordo com esses atributos. Contudo, há um episódio que resume bem o grande mérito dele à frente do Corinthians: a mudança que o comandante efetuou no time titular.

Porque Douglas, o camisa 10, líder de assistências na temporadas, foi preterido no jogo que definiria o título mundial. Na semifinal do torneio da Fifa, o meia havia dado um passe para Guerrero anotar o gol da vitória. Ainda assim, perdeu o lugar no time.

Aí começa a história que explica com perfeição a personalidade de Tite. O técnico estava preocupado com Hazard, jogador mais agudo da linha de armadores do Chelsea, sobretudo porque o belga é driblador e incisivo. Ele bateria de frente com o lateral-direito Alessandro, capitão e um dos jogadores mais experientes do elenco corintiano.

A decisão de Tite foi dar proteção a Alessandro. O técnico queria evitar que Hazard ficasse diante de apenas um marcador (mano a mano, para usar a expressão mais comum no futebol para designar esse tipo de situação). Esse tipo de confronto é a situação favorita do belga. O Chelsea trabalha para propiciar a ele situações assim.

Depois de cogitar escalar Romarinho, Tite escolheu Jorge Henrique. O camisa 23 foi eleito exatamente pela dedicação tática. A ordem passada a ele foi dar sustentação a Alessandro. Ele não podia deixar que o lateral ficasse mano a mano com Hazard.

Esse raciocínio mostra que a decisão de Tite é totalmente compreensível. Ainda assim, o técnico tirou do time o camisa 10. Esse é o tipo de alteração que pode demolir a relação entre um chefe e um comandado.

Para tentar amenizar o problema, Tite usou comunicação. Decidiu que Douglas seria o primeiro a saber da decisão. Contou ao camisa 10 antes mesmo de dar a boa notícia a Jorge Henrique.

Tite relatou a conversa antes mesmo de o Corinthians encarar o Chelsea. Disse que Douglas reagiu. O camisa 10 admitiu que estava chateado. “E tem de ser assim, mesmo. Mas eu preciso saber se você vai estar pronto se eu precisar”, respondeu o técnico.

É evidente que o resultado do Mundial deu sustentação à decisão de Tite. No entanto, o técnico não esperou a vitória. Antes de mostrar que estava certo, preocupou-se com os danos, mostrou o porquê de ter adotado um caminho e se esforçou para não comprometer o ânimo de nenhum dos comandados.

Nenhuma dessas atitudes foi planejada por alguém da diretoria. Tite tem uma habilidade inata para lidar com gente, e a base desse talento é a honestidade. Honestidade deveria ser requisito básico, mas o mundo atual transformou esse atributo em virtude.

Alguém que demonstra preocupação e que fala com honestidade pode até gerar animosidade. Contudo, não vai perder o respeito das pessoas que participam do ambiente.

Tite usou estratégias básicas de comunicação, ainda que tenha feito isso de forma natural. E graças à comunicação, uma alteração que tinha potencial para um trauma contundente pode ser contornada com mais facilidade.

Foi isso que faltou, em episódios da semana anterior, a Grêmio e São Paulo. Ambos realizaram jogos internacionais em seus estádios, e os dois casos geraram repercussão negativa.

O Grêmio fez um amistoso para inaugurar uma nova arena. O jogo foi contra o Hamburgo, rival dos gaúchos no Mundial de 1983. Porém, os alemães saíram de Porto Alegre com uma extensa lista de reclamações.

Os problemas relatados pelos alemães vão de buracos no gramado a falta de água para banho no vestiário. Essa é a versão deles, evidentemente, e a versão deles não é necessariamente a verdade. Mas a comunicação podia ter minimizado as reações.

Se tivesse agido como Tite, o Grêmio teria interpelado os alemães antes do jogo. Teria explicado que o estádio é novo, e que toda obra nova sempre carece de pequenos ajustes. Teria explicado caminhos para resolver pequenos incidentes.

Não sei se isso foi feito, mas a reação dos alemães faz pensar que não. A ordem dos fatos também leva a crer que não houve réplica do Grêmio, e isso é outro erro. Para a mídia e para os convidados, o time tricolor precisava ter mostrado que os problemas eram casos isolados e que não têm a ver com a qualidade do estádio.

Vale a lógica de lojas ou restaurantes: o cliente sempre tem razão. O clube adversário pode ter exagerado em algumas reclamações ou pode até ter inventado problemas, mas o Grêmio tinha de se posicionar. Só vi uma nota oficial sobre o gramado, mas não achei nada sobre as outras críticas.

A lógica de tratamento a clientes também vale para o São Paulo. Não estou comparando nenhum caso, até porque faltam informações concretas sobre o que aconteceu nos vestiários do Morumbi. Só faço um alerta: o risco que o time paulista corre é transformar um episódio em uma rusga do clube com o mercado argentino.

Basta ver a repercussão que o caso teve na mídia argentina. Muitos veículos de lá “compraram” a versão do Tigre – jogadores disseram que foram agredidos por seguranças do São Paulo durante o intervalo, e por isso se recusaram a voltar para o segundo tempo da decisão da Copa Bridgestone Sul-Americana. A parcialidade ficou clara, por exemplo, na transmissão do canal “Fox Sports” portenho, cujas imagens abasteceram a cobertura do homônimo brasileiro.

Repito: nos dois casos, não há discussões sobre responsáveis, erros ou versões contraditórias. A questão é sobre comunicação e posicionamento. O São Paulo tinha de ter feito ações direcionadas ao povo argentino – uma nota oficial e peças de publicidade, por exemplo – para mostrar que o clube não é o que os jogadores do Tigre tentam construir. A reação não podia ser simplesmente contestar a versão dos atletas.

Aí entra outro aspecto fundamental: já que tudo comunica, a comunicação não pode ser isolada. Grêmio e São Paulo precisavam ter feito ações emergenciais que unissem assessoria de imprensa, publicidade e até iniciativas de marketing.

Tite devia dar aulas de comunicação, e não apenas porque sabe interagir com jornalistas e porque dá entrevistas saborosíssimas. Devia ser professor porque entende a necessidade de estratégia e de comunicação. E isso vale para qualquer realidade.

Para interagir com o autor: guilherme.costa@149.28.100.147

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O 'titês' e a comunicação

O título conquistado pelo Corinthians no último domingo, no Japão, tem um personagem especial. Cássio foi eleito o melhor jogador da Copa do Mundo de clubes da Fifa, Guerrero anotou o gol que definiu a vitória e muitos outros atletas tiveram participações relevantes, mas ninguém foi mais determinante para toda a trajetória do que o técnico Tite. E a comunicação tem grande participação nisso.

Tite soube ler as virtudes táticas e técnicas de adversários e soube montar o time de acordo com esses atributos. Contudo, há um episódio que resume bem o grande mérito dele à frente do Corinthians: a mudança que o comandante efetuou no time titular.

Porque Douglas, o camisa 10, líder de assistências na temporadas, foi preterido no jogo que definiria o título mundial. Na semifinal do torneio da Fifa, o meia havia dado um passe para Guerrero anotar o gol da vitória. Ainda assim, perdeu o lugar no time.

Aí começa a história que explica com perfeição a personalidade de Tite. O técnico estava preocupado com Hazard, jogador mais agudo da linha de armadores do Chelsea, sobretudo porque o belga é driblador e incisivo. Ele bateria de frente com o lateral-direito Alessandro, capitão e um dos jogadores mais experientes do elenco corintiano.

A decisão de Tite foi dar proteção a Alessandro. O técnico queria evitar que Hazard ficasse diante de apenas um marcador (mano a mano, para usar a expressão mais comum no futebol para designar esse tipo de situação). Esse tipo de confronto é a situação favorita do belga. O Chelsea trabalha para propiciar a ele situações assim.

Depois de cogitar escalar Romarinho, Tite escolheu Jorge Henrique. O camisa 23 foi eleito exatamente pela dedicação tática. A ordem passada a ele foi dar sustentação a Alessandro. Ele não podia deixar que o lateral ficasse mano a mano com Hazard.

Esse raciocínio mostra que a decisão de Tite é totalmente compreensível. Ainda assim, o técnico tirou do time o camisa 10. Esse é o tipo de alteração que pode demolir a relação entre um chefe e um comandado.

Para tentar amenizar o problema, Tite usou comunicação. Decidiu que Douglas seria o primeiro a saber da decisão. Contou ao camisa 10 antes mesmo de dar a boa notícia a Jorge Henrique.

Tite relatou a conversa antes mesmo de o Corinthians encarar o Chelsea. Disse que Douglas reagiu. O camisa 10 admitiu que estava chateado. "E tem de ser assim, mesmo. Mas eu preciso saber se você vai estar pronto se eu precisar", respondeu o técnico.

É evidente que o resultado do Mundial deu sustentação à decisão de Tite. No entanto, o técnico não esperou a vitória. Antes de mostrar que estava certo, preocupou-se com os danos, mostrou o porquê de ter adotado um caminho e se esforçou para não comprometer o ânimo de nenhum dos comandados.

Nenhuma dessas atitudes foi planejada por alguém da diretoria. Tite tem uma habilidade inata para lidar com gente, e a base desse talento é a honestidade. Honestidade deveria ser requisito básico, mas o mundo atual transformou esse atributo em virtude.

Alguém que demonstra preocupação e que fala com honestidade pode até gerar animosidade. Contudo, não vai perder o respeito das pessoas que participam do ambiente.

Tite usou estratégias básicas de comunicação, ainda que tenha feito isso de forma natural. E graças à comunicação, uma alteração que tinha potencial para um trauma contundente pode ser contornada com mais facilidade.

Foi isso que faltou, em episódios da semana anterior, a Grêmio e São Paulo. Ambos realizaram jogos internacionais em seus estádios, e os dois casos geraram repercussão negativa.

O Grêmio fez um amistoso para inaugurar uma nova arena. O jogo foi contra o Hamburgo, rival dos gaúchos no Mundial de 1983. Porém, os alemães saíram de Porto Alegre com uma extensa lista de reclamações.

Os problemas relatados pelos alemães vão de buracos no gramado a falta de água para banho no vestiário. Essa é a versão deles, evidentemente, e a versão deles não é necessariamente a verdade. Mas a comunicação podia ter minimizado as reações.

Se tivesse agido como Tite, o Grêmio teria interpelado os alemães antes do jogo. Teria explicado que o estádio é novo, e que toda obra nova sempre carece de pequenos ajustes. Teria explicado caminhos para resolver pequenos incidentes.

Não sei se isso foi feito, mas a reação dos alemães faz pensar que não. A ordem dos fatos também leva a crer que não houve réplica do Grêmio, e isso é outro erro. Para a mídia e para os convidados, o time tricolor precisava ter mostrado que os problemas eram casos isolados e que não têm a ver com a qualidade do estádio.

Vale a lógica de lojas ou restaurantes: o cliente sempre tem razão. O clube adversário pode ter exagerado em algumas reclamações ou pode até ter inventado problemas, mas o Grêmio tinha de se posicionar. Só vi uma nota oficial sobre o gramado, mas não achei nada sobre as outras críticas.

A lógica de tratamento a clientes também vale para o São Paulo. Não estou comparando nenhum caso, até porque faltam informações concretas sobre o que aconteceu nos vestiários do Morumbi. Só faço um alerta: o risco que o time paulista corre é transformar um episódio em uma rusga do clube com o mercado argentino.

Basta ver a repercussão que o caso teve na mídia argentina. Muitos veículos de lá "compraram" a versão do Tigre – jogadores disseram que foram agredidos por seguranças do São Paulo durante o intervalo, e por isso se recusaram a voltar para o segundo tempo da decisão da Copa Bridgestone Sul-Americana. A parcialidade ficou clara, por exemplo, na transmissão do canal "Fox Sports" portenho, cujas imagens abasteceram a cobertura do homônimo brasileiro.

Repito: nos dois casos, não há discussões sobre responsáveis, erros ou versões contraditórias. A questão é sobre comunicação e posicionamento. O São Paulo tinha de ter feito ações direcionadas ao povo argentino – uma nota oficial e peças de publicidade, por exemplo – para mostrar que o clube não é o que os jogadores do Tigre tentam construir. A reação não podia ser simplesmente contestar a versão dos atletas.

Aí entra outro aspecto fundamental: já que tudo comunica, a comunicação não pode ser isolada. Grêmio e São Paulo precisavam ter feito ações emergenciais que unissem assessoria de imprensa, publicidade e até iniciativas de marketing.

Tite devia dar aulas de comunicação, e não apenas porque sabe interagir com jornalistas e porque dá entrevistas saborosíssimas. Devia ser professor porque entende a necessidade de estratégia e de comunicação. E isso vale para qualquer realidade.

Para interagir com o autor: guilherme.costa@universidadedofutebol.com.br

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Canonização

O goleiro Marcos, grande ídolo do Palmeiras e campeão mundial em 2002 pela seleção brasileira, encerrou a carreira.

Parou o tempo para todos os que o admiravam, pelo que fazia dentro de campo, dentro da pequena área, mas também pelo que cativava aos que lhe rodeavam e conheciam fora dele.

Tempo congelado na figura rara, atualmente, de um jogador que se dedicou exclusivamente a um clube, tal qual um casamento à moda antiga, na alegria – foram tantas – e na tristeza – ao não aceitar o convite do Arsenal após ter sido campeão mundial e preferir a vida dura na Série B nacional.

Mas antes da outorga do status de santo, Marcos fora nominado beato, nos primórdios da carreira.

Teve grande escola com os goleiros Veloso e Sergio e, a partir disso, começou a operar seus milagres.

A beatificação, primeiro passo no processo de canonização para que alguém seja alçado ao status de santo, pressupõe algumas condições.

Uma Congregação para a Causa dos Santos é responsável por investigar sobre a vida, virtudes, martírio, fama de santidade ou milagres atribuídos a alguém.

Instaurado o processo, se ao nominado lhe são imputadas virtudes em grau heróico (fé, esperança, caridade, prudência, justiça, etc.), alcança o status de “Venerável”.

Ao se comprovar a prática de um milagre – cura inconteste frente à Ciência e à Medicina – a beatificação ocorre.

Quando se dá a verificação de um segundo milagre, o processo de canonização finda com a cerimônia, presidida pelo Papa, em que se dá o nome de Santo àquele que teve vida virtuosa e milagrosa.

Marcos, seguramente, passou por todo esse processo probatório de canonização, cuja veneração também se deu junto aos torcedores de clubes de todo o Brasil.

A festa realizada, na semana passada, foi digna de um grande ser humano – que vem antes do grande jogador de futebol – que, como se supõe dos Santos, serve de exemplo para muitos.

Tomando ao pé da letra o Código de Direito Canônico, nota-se a importância da figura do Santo na relação íntima com os fiéis quanto ao exemplo de vida e amparo às causas mundanas:

"Para fomentar a santificação do povo de Deus, a Igreja recomenda à veneração peculiar e filial dos fiéis a Bem-aventurada sempre Virgem Maria, Mãe de Deus, que Jesus Cristo constituiu Mãe de todos os homens, e promove o verdadeiro e autêntico culto dos outros Santos, com cujo exemplo os fiéis se edificam e de cuja intercessão se valem."

Não ouvi falar, ainda, de como, oficialmente, se referem a este Santo, mas arrisco: São Marcos do Parque Antártica, o Bem-Aventurado e Bem-Humorado, Padroeiro das Defesas Milagrosas.

Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br

 

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Volta, Corinthians! Bi mundial!

Há exatos 22 anos, no Morumbi, Neto e companhia (bem) limitada venciam o Brasileirão pela primeira vez. Iniciando o processo de (inter)nacionalização inexorável do Corinthians. Há quase 13 anos, o Maracanã e o mundo eram do Todo-Poderoso Timão. Hoje, e para sempre, o primeiro sul-americano bicampeão mundial (da Fifa) é o clube que há 102 anos nasceu no Bom Retiro paulistano. É a nação que é Corinthians. Que foi ao Japão e voltou (bi)campeã. Povo que pode bater no peito alvinegro e gritar que ninguém mais pode cochichar nada contra o que se conquistou no campo em um século de paixão.

A Libertadores demorou – mas veio invicta, como desde 1978 não se via na América do Sul. Se há como discutir a presença (e não a conquista) alvinegra em 2000, não há como colocar em dúvida a competência e a capacidade do campeão mundial de 2012. Superando o campeão africano na semifinal e o europeu na final duas vezes com a cabeça de Guerrero. Com a alma de guerreiros.

Um gol aos 23 minutos e 39 segundos que clonou aquele que, há 35 anos, encerrou 22 de jejum. O do Pé de Anjo de Basílio. O da Cabeça de Louco de Paolo. A do pulmão e pés hábeis de Paulinho, autor do lance sensacional que deu no gol e no título, depois de oito segundos após o toque de letra. Camisa 8 como Basílio. Camisa alvinegra como os campeões do mundo do Brasil em 2002. Da camisa amarela como a de Cássio. O goleiro que defendeu aquela bola de Diego Souza na Libertadores. O monstro que defendeu cinco bolas (duas impressionantes) em Yokohama contra o time do melhor goleiro do mundo. Mas não do campeão mundial de 2012. Muralha que só errou um lance no gol bem anulado de Torres. Zaga que bobeou no fim e levou um chute na trave na última bola do jogo. Só para deixar mais corintiana a decisão. Só para dar mais sabor ao amor campeão.

Quem torce ama. Quem deixou o coração em Yokohama torceu mais do que ninguém no mundo que é corintiano. Volta, Corinthians, agora para seu berço e para seu povo. Vai, Corinthians. A terra do gol nascente é sua. Vem, Corinthians. Se você não foi o Brasil todo, todo o mundo cabe no Parque São Jorge.

Para interagir com o autor: maurobeting@universidadedofutebol.com.br

*Texto publicado originalmente no blog do Mauro Beting, no portal Lancenet.

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A compreensão de um futebol solidário

Para falar sobre futebol tem de se ter em mente a dinâmica das relações humanas, pois estamos falando de um esporte no qual o comportamento coletivo entre os diferentes indivíduos se faz necessário para chegar aos objetivos comuns. O futebol praticado de maneira organizada e solidária, na busca da integração e interação em equipe, é a tendência para o sucesso.

Para um completo entendimento, é relevante enfatizar um futebol coletivo sob a perspectiva de uma organização tática, fato este, que foi um enorme aprendizado que obtive através de um trabalho observatório que fiz nos dois gigantes clubes portugueses: F.C. Porto e S.L. Benfica.

Recentemente, tive a oportunidade de vivenciar integralmente a rotina de treinamentos das equipes de formação do F.C. Porto, e conhecer a estrutura física e operacional do S.L. Benfica. O que vi e vivenciei durante esse período foi um despertar enriquecedor para o surgimento de uma nova compreensão de futebol.

Para dar sentido a essa proposta de futebol disciplinado e organizado taticamente, se faz necessário um retorno à história do ocidente para uma abordagem das filosofias cartesiana e pós-moderna, e seus respectivos modelos de pensamento.

Apoiada nos pensamentos analítico e mecanicista, a filosofia cartesiana tem como princípio a supervalorização da dimensão física do homem, e a divisão e separação do objeto de estudo em partes isoladas a fim de melhor entender, estudar e analisar o todo.

É a filosofia que rege a educação física, referindo-se à tradicional proposta do futebol brasileiro que trabalha de forma fragmentada os componentes técnicos (passes, cruzamentos e finalizações), táticos (sistemas defensivo e ofensivo, transições), físicos (aeróbios, anaeróbios, etc), e psicológicos, para então ordená-los integralmente em equipe durante os jogos.

Paradoxalmente, a filosofia pós-moderna embasada no pensamento sistêmico-complexo se sustenta na compreensão do todo com o propósito de entender o ser e a existência com a ajuda do sistema. Reflete em absoluto, uma moderna proposta de futebol fundamentada no próprio jogar o jogo em equipe (o todo), na qual as valências técnicas, físicas e psicológicas ficam subordinadas à organização tática.

Volto à experiência em Portugal, onde ao longo da observação detalhada de diversos jogos em diferentes campeonatos, de categorias de base a profissionais, pude comprovar a eficácia e a beleza de um futebol coletivo e taticamente estratégico.

De maneira geral, os clubes europeus implementam muito bem o comportamento coletivo nas equipes, visto de forma prática por meio da compactação e agrupamento das linhas de marcação, do balanço defensivo/ofensivo, da precisão e velocidade da troca de passes, das ações coletivas de pressing nas distintas zonas do campo, entre outros.

Contudo, é preciso destacar a excelência do sistema de trabalho do F.C. Porto, uma referência mundial no que diz respeito à proposta tática de jogo. Clube que padroniza em todas as suas categorias à intitulada Periodização Tática, uma metodologia de treinamento alicerçada no processo de organização tática em equipe.

Ilustrando esse pragmatismo de futebol, cito o estilo único de jogo do time juvenil do F.C Porto. Uma equipe que operacionaliza seu jogo em posse de bola, através de uma formatada linha de passes, uma marcação pressão à qual a equipe reage de forma organizada e coletiva à perda de bola, e também a constante movimentação e inversão das posições em seu sistema ofensivo, buscando invariavelmente conquistar superioridade numérica de jogadores para atacar o gol.

De Portugal à Espanha – imanente a esse contexto – menciono o catalão Barcelona que encanta o mundo com seu futebol de ações coletivas e organizadas ao qual a individualidade e genialidade de atletas como Messi, Xavi e Iniesta evidenciam-se a todo instante, porém complementares à equipe, ao todo.

Neste passo, devido à obsoleta proposta de futebol e, por consequência, a ausência de um trabalho específico no desenvolvimento dos padrões de comportamento coletivo nos nossos atletas, é preciso reconhecer que o futebol brasileiro está taticamente atrasado em relação ao jogo praticado no Velho Continente. Em contrapartida, é necessário destacar que em termos de talentos individuais, ainda permanecemos como a grande referência do futebol mundial.

Analisando e transpondo tais informações à realidade brasileira, em minha opinião, é preciso (re)caracterizar o futebol brasileiro como um esporte ao qual a solidariedade em equipe, por meio dos passes e posse de bola, prevaleça em detrimento aos dribles, firulas e ações individuais sem propósito. Não me refiro ao futebol mecânico e sem criatividade que acomete várias equipes, mas sim a um futebol moderno onde a habilidade individual e o improviso dos nossos atletas continuem presente, porém a serviço da equipe, do todo.

Por fim, vivemos num mundo globalizado onde independentemente da área de atuação, a informação e o conhecimento se fazem cada vez mais necessários à evolução e a qualificação dos profissionais, portanto é fundamental que treinadores, professores, e dirigentes de futebol, avaliem novos conceitos e ideias a fim de avançarmos no cenário futebolístico mundial.