Categorias
Conteúdo Udof>Colunas|Sem categoria

Paciência no novo processo flamenguista

O resultado imediato e a qualquer custo no futebol é um dos grandes empecilhos para a evolução da qualidade do jogo. Em todo o mundo isso acontece. Também na Europa. Mas por aqui, no futebol brasileiro, isso se dá de uma maneira desmedida e quase que incontrolável.

O caso atual do Flamengo chama demais a atenção. Bastou um início irregular no Brasileirão para inúmeros questionamentos virem a tona. Se com Jorge Jesus no comando o papo era de uma hegemonia sulamericana, batendo de frente com os gigantes europeus, agora com Domenec Torrent que perdeu as duas primeiras partidas, tudo já é colocado em xeque. Ou oito ou oitenta. Ou água ou vinho.

Quando se muda o comando técnico toda a estrutura sente. Dentro e fora de campo. Até porque o resultado que se vê nas quatro linhas é produto de tudo o que o clube como um todo produz. E o treinador é uma figura central nisso. Não existe a possibilidade de “deixar no piloto automático” e simplesmente fazer o que vinha sendo feito. Domenec e nenhum outro ser humano do mundo conseguiria fazer isso justamente porque estamos tratando de pessoas. Uma nova comissão técnica traz diferentes relacionamentos, outros conceitos de jogo de metodologia de treinamento, uma nova linguagem, enfim, tudo muda. A tendência natural é um tempo normal de adaptação de todos que fazem parte desse ambiente.

Culpar a cultura do futebol brasileiro por essa pressão parece simples, fácil, mas não eficaz para as coisas mudarem. A diretoria do Flamengo tem que estar mais do que nunca no controle da situação e dar todo o respaldo para Domenec implementar suas ideias. A tão rara convicção no trabalho proposto tem que imperar de dentro para fora no atual campeão brasileiro. Para não ser mais do mesmo. Para continuar ganhando. E não para que se diga que foi apenas pelo excelente trabalho de Jorge Jesus.

Sobre o autor 

Marcel Capretz é jornalista, apresentador da rádio 105 FM e do SBT Futebol Esporte Show. Busca entender e explicar o jogo através do conhecimento.

Categorias
Conteúdo Udof>Artigos|Sem categoria

O erro como ferramenta de aprendizado

“Bons treinadores corrigem erros, treinadores brilhantes ensinam a pensar” – Augusto Cury

“O treinador tem que fazer jogadores de futebol, e os jogadores têm capacidade de assimilação para corrigir erros, mas, é claro, eles também podem ser corrompidos se ninguém disser a eles o que fizeram bem e o que fizeram mal. Em suma, não há nada pior do que permitir que os jogadores sigam o caminho errado” – Johan Cruyff

“Errar é um caminho que, bem conduzido, pressagia sucesso. Sempre que algo indesejado acontece, eu digo: vamos tentar que esse erro nos ajude em um sucesso futuro” – Marcelo Bielsa, ao comentar o erro de um jogador de sua equipe que resultou em gol do adversário

Com base nas afirmações destacadas, percebemos como o erro é uma ferramenta poderosa no processo de aprendizagem, e dessa forma, o ambiente de treino, que é de aprendizagem, precisa acolher essas situações, tanto na formação, quanto na equipe principal. Para potencializar a aprendizagem, também por meio do erro, o processo de treino deve estimular a liberdade, desenvolvendo a criatividade. Nesse processo, errar e se equivocar nas decisões poderão fazer o atleta crescer ainda mais, pois estarão aprendendo na prática.

O erro pode ser uma experiência negativa para o jogador no treino e no jogo. Nestes cenários, o treinador precisa ser capaz de ressignificar tais situações através de uma abordagem que sinalize “futuros” potencialmente positivos. Ajudar o jogador a refletir e guiá-lo na busca de melhores caminhos é uma excelente alternativa.

E para o conteúdo destas abordagens não existe receita, afinal, o erro é multifatorial, o jogo é coletivo e cada indivíduo único em suas potencialidades e fragilidades. É missão do professor/treinador compreender a complexidade destas questões, o que permitirá contextualizar os erros e, dessa forma, ampliar as possibilidades de ser assertivo em suas intervenções. Sendo assim, não é suficiente trazer a resposta pronta ao jogador ou simplesmente apontar-lhe o erro. Pois, para alguns jogadores a demanda é de coragem, para outros, de leitura de jogo, ou de execução, de diminuição da fadiga, de um maior nível de atenção, de excesso de confiança, entre outros. Vale citar também que, provavelmente, alguns jogadores terão mais de uma demanda. Além disso, devemos considerar os erros que derivam da própria natureza do jogo.

E, para finalizar, deixamos a você as seguintes reflexões:

Você costuma refletir sobre a origem do erro de seus jogadores?

Para você o erro é uma oportunidade de crescimento?

O quanto a exigência para resultados imediatos limita a sua possibilidade de aceitar o erro como parte do processo de ensino-aprendizagem?

Abraços e até a próxima!

Sobre o autor

Júlio Neres é treinador de futebol com as licenças C e B pela CBF e nível 1 pela UEFA e analista de desempenho pela CBF. Graduando em Educação Física e coordenador técnico da PSG Academy – Salvador.

Acompanhe o Júlio Neres no Instagram.

Categorias
Conteúdo Udof>Artigos|Sem categoria

Upamecano e Muller – craques silenciosos nas semis da Champions

Reta final da Champions League!

Neste semana, teremos os confrontos das semifinais e, no domingo, conheceremos o grande Campeão! PSG, RB Leipzig, Bayer de Munique e Lyon são as quatro equipes que chegaram a esta fase da competição e seguem disputando o título.

No texto de hoje, traremos dois jogadores “silenciosos”, que aparecem pouco na mídia, mas que tem sido fundamentais para o sucesso de suas equipes. Upamecano, do RB Leipzig e Muller, do Bayern.

Dayot Upamecano é um jovem zagueiro francês, nascido na região da Normandia (norte da França), mas de raízes africanas (sua família é de Guiné-Bissau, no noroeste africano). Ele se destacou bastante na atual temporada e tem tido o nome veiculado a grandes potências do futebol europeu. Um defensor dinâmico e versátil, que não se limita a atuar somente em sua zona originária do campo. Além da grande capacidade da utilização de passes de ruptura (80% de acerto nos passes em direção ao ataque), por vezes também rompe as linhas adversárias por meio de dribles e condução da bola. Outro aspecto a destacar é sua capacidade nos duelos individuais defensivos, o francês tem o melhor percentual (82,86%) de êxito da atual edição da Champions League. Destacamos também que a forte cultura do futebol de rua na França teve importante papel na formação de Dayot, ele é amigo de infância de outro jogador francês, Ousmane Dembele (Barcelona), os dois desenvolveram competências fundamentais do jogo nas ruas e quadras do bairro onde cresceram, a boa relação com a bola, coragem para o jogo e para executar ações não triviais (como um drible ou um passe de ruptura, em situações onde a maioria daria um passe de lado), e a capacidade de oferecer soluções rápidas e criativas aos problemas do jogo, são aspectos amplamente presentes e potencializados na cultura do futebol de rua.

Thomas Müller, o consagrado e multicampeão jogador alemão está no Bayern desde seus 11 anos. Fruto do conhecido e consagrado projeto de renovação do futebol germânico, não coincidentemente esteve presente em dois recentes fatos históricos do futebol mundial: Brasil 1 x 7 Alemanha (2014) e Barcelona 2 x 8 Bayer (2020). Müller é um meio-campista altamente versátil: com a mesma eficácia que ataca também contribui defensivamente. De movimentação constante e diferente do estereótipo normalmente valorizado no Brasil, Müller não é o jogador de alta plasticidade em suas ações, discreto, busca executar o que é necessário e da forma mais eficiente possível. Demonstra, assim, sua alta capacidade de leitura de jogo que potencializa a qualidade das decisões tomadas com e sem a bola. Dono de uma média de 3 finalizações e 3 assistências para finalização por jogo na Champions (uma das melhores entre os meias), e de 69% de êxito nas tentativas de roubadas de bola (uma das maiores entre os jogadores de ataque), Müller tem contribuído de maneira significativa para que o Bayern tenha chegado a mais uma semifinal do campeonato de clubes mais importante da Europa.

Confira nas imagens abaixo a análise dos dois jogadores.

 

Vale lembrar aqui que das 4 equipes que disputam as semifinais, 3 são treinadas por alemães (Hans-Dieter Flick – Bayer; Julian Nagelsmann – RB Leipzig; Thomas Tuchel – PSG). Nunca é demais ressaltar que não se acomodar em conquistas passadas e manter investimento em formação, avaliação e reflexão sobre suas práticas é conduta padrão daqueles que desejam seguir nos mais altos níveis de excelência.

Grandes partidas teremos nesta semana, muitas aspectos a se observar e avaliar. E um fato a constatar: pelo terceiro ano seguido, um treinador alemão disputará a final do principal campeonato de clubes do futebol europeu.

Desfrutem dos JOGOS!

Sobre os autores

Danilo Benjamim é bacharel em treinamento esportivo, possui a Licença B pela CBF/FIFA e cursa atualmente as licenças A/B da ATFA. Tem passagens pelo Paulínia FC, Coritiba, Athletico Paranaense, Ferroviária e, recentemente, Guarani FC.

Acompanhe as redes sociais do Danilo Benjamim: InstagramFacebook

Aurélio Estanislau é graduado em Ciências do Esporte pela Unicamp e analista de desempenho do Sub15 do S.C. Corinthians Paulista.

Acompanhe as redes sociais do Aurélio Estanislau: InstagramTwitter.

Categorias
Conteúdo Udof>Artigos|Sem categoria

Jogar bonito ou jogar bem?

Há quase 30 anos, em 1992, no programa Roda Viva, o treinador Telê Santana foi questionado se abriria mão de suas convicções para ter um resultado melhor do que na Copa do Mundo de 1982.

A resposta foi genial, empolgante e inspiradora. Ele levantou uma discussão que, por incrível que pareça, ainda é muito atual: jogar bonito x jogar bem.

É improvável que o jogar bonito esteja divorciado do jogar bem, não podem entrar em discussão, pois andam de mãos dadas o tempo todo.

É muito importante que as pessoas consigam entender que o jogar bonito e bem tem uma única e exclusiva intenção: vencer.

A seleção brasileira de 82 apresentava características de um jogo belo e eficiente, que controlava o jogo através da posse de bola, que construía com passes curtos e que trocava de posições para envolver os adversários. Havia muito espaço para a manifestação da técnica, da inteligência, do improviso e da intuição. Ter a bola como aliada, além de aproximar das vitórias, alimentava em todos um sentimento de prazer e satisfação. O resultado não deveria vir a qualquer custo!

O mestre Telê, a partir das suas convicções, criava um ambiente que permitia o protagonismo dos jogadores, proporcionando aos mesmos a liberdade necessária para que pudessem se expressar com a bola e tomassem a iniciativa do jogo.

Posto isso, deixamos as seguintes reflexões:

Que tipo de jogo você persegue?
O futebol do resultado a qualquer custo que, muitas vezes, empobrece o jogo, te consome?
Será que se o jogo de uma equipe se aproximar do belo irá se distanciar das vitórias?

Sobre o autor

Júlio Neres é treinador de futebol com as licenças C e B pela CBF e nível 1 pela UEFA e analista de desempenho pela CBF. Graduando em Educação Física e coordenador técnico da PSG Academy – Salvador.

Acompanhe o Júlio Neres no Instagram.

Categorias
Conteúdo Udof>Artigos|Sem categoria

As implicações das ideias de jogo no cenário das finalizações

Na busca pelo desenvolvimento do futebol e do entendimento de suas tendências, a Universidade do Futebol propõe, há muitos anos, debates que geram reflexões e também inovações. Dando sequência a ideias apresentadas em um texto de 2013 , publicado aqui, na UdoF, pelo treinador Rodrigo Leitão, foi realizado um estudo que será exposto a seguir.

Por meio de excelentes dicas do próprio Rodrigo, além do apoio incondicional do orientador do trabalho José Vítor Vieira Salgado, o estudo teve o objetivo de verificar características nas sequências ofensivas terminadas em finalização de equipes com ideias de jogo distintas, a partir da análise de jogos da Copa do Mundo de 2018.

No estudo, foram analisadas equipes que se diferenciavam no que se refere às ideias de jogo, apresentando diferenças no percentual de posse de bola. Dessa maneira, elas foram separadas em dois grupos: “donos da bola” e “donos do espaço”, como definidos por Rodrigo Leitão, em trabalhos anteriores.

Confira, abaixo, um infográfico contendo os principais resultados do estudo realizado.

 

É importante esclarecer que, embora tenham sido encontradas diferenças na eficiência das finalizações em favor das equipes “donas do espaço” em detrimento às “donas da bola”, o intuito do estudo não é defender uma das ideias de jogo, mas sim apresentar algumas características típicas que, ao serem entendidas, podem contribuir para a melhora do desempenho da equipe, seja qual for a ideia. Para isso, é fundamental entender como essas informações podem ter utilidade prática.

Nesse sentido, a relevância se dá, principalmente, no suporte que essas informações podem fornecer para a elaboração de treinamentos coerentes com o que acontece com maior frequência nos jogos de acordo com a ideia de jogo utilizada. Isso pode ser considerado tanto para o futebol profissional, pensando na otimização do tempo, quanto nas categorias de base, oportunizando estímulos diversos para uma boa formação.

Outra perspectiva de utilização prática das informações consiste na possibilidade de verificação constante de algumas medidas e métricas oriundas de análises quantitativas que, em alguns casos, permitem definir possíveis limiares e metas para o sucesso da ideia de jogo proposta.

Afinal, o conhecimento pode ser um grande diferencial para que o acaso não seja justificativa frequente para a bola que “insiste em não entrar”, basta saber o que fazer com ele.

Sobre o autor

Matheus Dupin é bacharel em educação física pela UEMG, possui a licença B da CBF Academy e tem passagem como analista de desempenho no Club de Regatas Vasco da Gama. Atualmente é auxiliar/analista das categorias de base do Club Athletico Paranaense.

Acompanhe Matheus Dupin nas redes sociais.  Instagram; Facebook; Twitter.

Referências

DUPIN, M.O. Análises de sequências com finalização no futebol de acordo com a ideia de jogo das equipes. Trabalho de conclusão de curso – Universidade Estadual de Minas Gerais, Divinópolis. 2018. 24p

LEITÃO, R.A.A. Futebol: criar mais oportunidades ou aproveitar melhor as chances criadas? – reflexões a partir da Lógica do Jogo. Coluna Tática. 2013. Disponível em http://149.28.100.147/udof_migrate/futebol-criar-mais-oportunidades-ou-aproveitar-melhor-as-chances-criadas-reflexoes-a-partir-da-logica-do-jogo/

LEITÃO, R.A.A. Organização Sistêmica de Jogo: Ideias! Modelos? Bola e/ou Espaço!? Universidade do Futebol. Coluna Tática. 2013. Disponível em http://149.28.100.147/udof_migrate/organizacao-sistemica-de-jogo-ideias-modelos-bola-e-ou-espaco/

LEITÃO, R.A.A. Os aspectos táticos e a construção da Ideia de Jogo no futebol. Universidade Estácio. Material de apoio didático. Curso de pós-graduação em Futebol e Futsal. 2016.

Categorias
Conteúdo Udof>Colunas|Sem categoria

Os impactos jurídicos da pandemia no futebol brasileiro

É fato público e notório que o novo coronavírus atingiu toda a sociedade, notadamente sob os aspectos da saúde pública e econômicos. Por determinação do Poder Executivo, com a decretação do estado de calamidade pública, bem como o esforço conjunto de todos os atores sociais para a contenção da disseminação do novo coronavírus,
seguindo as orientações da OMS, inúmeras foram as atividades paralisadas e/ou reduzidas.

No futebol, não foi diferente.

No entanto, questiona-se: quais são os principais impactos jurídicos causados pelo novo coronavírus no futebol? O primeiro deles é quanto à possibilidade de caracterização de doença ocupacional, caso algum atleta, membro da comissão técnicas, funcionário e/ou colaborador seja contaminado pela COVID-19. No período de março à meados de maio de 2020, os treinos e partidas de futebol estavam totalmente paralisados, a fim de impedir a contaminação.

A CBF, em junho de 2020, editou o “guia médico de sugestões protetivas para o retorno às atividades do futebol brasileiro”, no qual sugeriu a adoção de uma série de medidas protetivas para a retomada das atividades dos clubes, de forma a conter a disseminação da COVID-19 aos atletas, membros das comissões técnicas, funcionários e colaboradores.

Ainda, a CBF editou a “diretriz técnica operacional” referente ao retorno das competições, a qual, como o próprio nome indica, traça regras para a retomada dos torneios.

Após a fixação dos cuidados necessários e das diretrizes, os campeonatos estaduais, de forma gradual, foram retornando, com um formato totalmente atípico. Cita-se aqui o campeonato carioca, o qual retornou em 18/06/2020, sendo o primeiro no Brasil.

Em que pese as diretrizes e as orientações editadas pela CBF, poderá ser travada uma discussão judicial acerca da ocorrência de doença ocupacional, caso algum atleta, membro da comissão técnicas, funcionário e/ou colaborador, seja contaminado pela COVID-19, durante a jornada de trabalho, por exemplo, durante uma partida de futebol.

O novo coronavírus, ao contrário do que muitos pensam, é tratado como qualquer outra doença.

Ou seja, para que a COVID-19 seja declarada como doença ocupacional, deverão ser comprovados os requisitos para tal, devendo ser analisado caso a caso. Assim, será do empregado que alegar a COVID 19 como doença ocupacional, a “responsabilidade” de comprovar tal fato. Lado outro, tem-se que caberá ao clube demonstrar que adotou todas as medidas necessárias referente à saúde e segurança do trabalho, bem como seguiu as orientações das autoridades sobre a contenção do coronavírus, como por exemplo as diretrizes ditadas pela CBF.

O STJD, recentemente, deferiu o pedido de adiamento da partida de futebol realizado pelo Goiás E. C., o qual enfrentaria o São Paulo F. C.. Destaca-se que o pedido se embasou na verificação de que 10 atletas do Goiás E. C. testaram positivo para o novo coronavírus, o que colocaria em risco a saúde de outros atletas, comissão técnica, árbitros, auxiliares, repórteres e qualquer pessoa que tivesse contato com os mesmos, em razão da possibilidade de transmissão do vírus.

Nesse caso, por exemplo, caso a partida fosse realizada e algum jogador viesse a ser contaminado, haveria grandes chances de caracterização da doença ocupacional, em eventual reclamatória trabalhista.

Outro efeito jurídico é a possibilidade de não rebaixamento dos times que tiveram as piores colocações nos campeonatos, mantendo-os na sua atual divisão no ano de 2021. Como se sabe, a pandemia gerada pela COVID-19 criou uma situação excepcional no futebol mundial.

Ora, treinos foram paralisados e campeonatos foram suspensos. Os atletas profissionais são de alta performance, sendo certo que qualquer alteração em suas rotinas, influencia diretamente nos seus rendimentos em campo. Ademais, é inegável que vários clubes tiveram prejuízo financeiro e técnico, tendo inclusive que alterar o elenco após o retorno das competições.

Ante a paralisação das atividades, vários clubes perderam o entrosamento e qualidade, o que direta ou indiretamente influenciou nos resultados das partidas.

Ocorre que, a baixa no rendimento e, por conseguinte, a derrota nas partidas, pode ter sido ocasionada pelo novo coronavírus, o que caracterizaria um evento de força maior. A força maior trata-se de um fenômeno que até pode ser previsto, mas não impedido, sendo, no Direito Civil, uma hipótese de excludente de responsabilidade do devedor, a
qual pode ser plenamente aplicável ao futebol.

Assim, os clubes, podem alegar que a pandemia gerada pelo novo coronavírus causou inúmeros prejuízos, sendo um evento totalmente alheio à sua vontade, requerendo, por conseguinte, o afastamento da consequência jurídica do baixo desempenho e seguidas derrotas, qual seja, o temido rebaixamento.

Cumpre salientar que alguns clubes já realizaram tal pedido para o STJD, os quais tiveram liminar deferida, a fim de obstar o rebaixamento até a julgamento final do Tribunal Desportivo. A expectativa é que o STJD defira os pedidos, haja vista as inegáveis e nefastas consequências geradas pela COVID-19, que atingiram toda a
sociedade, inclusive os clubes de futebol.

Por fim, salienta-se que a pandemia gerada pela COVID-19 é muito dinâmica, sendo certo que a qualquer tempo pode alterar uma situação já consolidada, criando, assim, novos efeitos jurídicos, os quais serão tratados oportunamente.

Sobre a autora

Izabella Rosa dos Santos Vaz é advogada, cursando pós-graduação em Direito e Compliance trabalhista pelo IEPREV, MBA em Direito do Trabalho pela Fundação Getúlio Vargas, especialista em Direito Público pela Universidade Cândido Mendes, graduada em Direito pela PUC/MG.

Categorias
Sem categoria

Quem treina o treinador? – O contexto de atuação

Salve, salve amantes do futebol! Em nossa primeira coluna abordando as questões que envolvem a formação dos treinadores, ou o que chamamos de treinar o treinador, falamos um pouco acerca do que se deve fazer para iniciar uma trajetória profissional na área aqui no Brasil. Já na coluna de hoje, falaremos sobre preparar o treinador para atuar nos diferentes contextos que compreendem essa função.

Geralmente, treinadores que atuam em escolas desejam atuar em categorias de base, e a maioria dos que atuam em base almejam trabalhar no profissional. Entretanto, quem treina o treinador para que este saiba adequar a didática, metodologia, comunicação, liderança e outras competências nesses diferentes contextos? Muitos, por não serem orientados ou por inexperiência, ao lerem um livro do Guardiola, Mourinho ou Klopp, ou assistirem treinamentos no youtube de Bielsa, Sampaoli ou Simeone, se precipitam e reproduzem o que leram/viram acriticamente e de forma descontextualizada. Essa precipitação no processo de ensino do futebol é conhecida entre os pesquisadores como ansiedade pedagógica.

De modo geral, os contextos que mencionamos acima podem ter 4 diferentes classificações, dentro de dois grandes ambientes, o da participação e o do rendimento, conforme apresentado abaixo:

a) ESCOLAS E PROJETOS SOCIAIS – Contexto de PARTICIPAÇÃO crianças e jovens
b) RECREAÇÃO E AMADOR – Contexto de PARTICIPAÇÃO adulto
c) CATEGORIAS DE BASE – Contexto de RENDIMENTO crianças e jovens
d) PROFISSIONAL – Contexto de RENDIMENTO adulto

Nesse sentido, para que o treinador tenha uma prática eficaz, o mesmo deve adequar suas competências aos diferentes contextos nos quais ele pode atuar ao longo de sua carreira. Além disso, a melhor maneira de desenvolver-se, independente do meio onde o profissional está inserido, é por meio da prática deliberada, como vimos na semana passada. Portanto, para quem quer atuar em um ambiente diferente, recomenda-se:

a) atuar como auxiliar de um treinador expert contextual, ou seja, aprender com um treinador que possui experiência no contexto no qual se pretende trabalhar;

b) após vivenciar a nova conjuntura, realizar cursos que abordam tal realidade;

c) dialogar com pares mais experientes no referido contexto;

d) obter licenças de atuação para o novo contexto;

e) refletir sobre erros e tratar as “dores” do novo cenário (porque vão existir muitos no início);

f) criar links e adaptar criticamente os conhecimentos do contexto anterior;

g) buscar uma mentoria.

Fez sentido? Continuaremos na semana que vem com mais uma coluna sobre treinar o treinador. Grande abraço e até lá!

Referências

CÔTÉ, J.; GILBERT, W. An Integrative Definition of Coaching Effectiveness and Expertise. International Journal of Sports Science and Coaching. v. 4, n. 3, p. 307-323, 2009.

Sobre o autor

Gabriel Bussinger é treinador e instrutor da CBF academy. Mestre em Educação Física pela UFSC, com 3 pós graduações na área. Já atuou em categorias de base e profissional, no Brasil e Dinamarca. Possui as licenças C e B da CBF e é parceiro de conteúdo da Universidade do Futebol.

Acompanhe as redes sociais do Gabriel Bussinger: YouTube Telegram; Podcast – Diário do treinador; Instagram

Categorias
Conteúdo Udof>Artigos|Sem categoria

Formar ou formatar?

Estamos formando atletas para serem melhores jogadores e pessoas ou estamos formatando atletas para jogarem futebol e nada mais?

Já há algum tempo, é sabido que os atletas do século XXI necessitam desenvolver habilidades que vão além das técnicas, táticas e físicas. O treinador precisa buscar a formação do atleta integralmente, respeitar as diversidades do grupo e necessidades específicas individuais.

O que você vem fazendo para desenvolver estas habilidades aos seus atletas?

Você conhece o termo life skills ou, para o português brasileiro habilidades para a vida (habilidades psicossociais)

Veja abaixo algumas dessas habilidades: 

– Aprendizagens;
– Comportamentos;
– Conhecimento;
– Lições;
– Características;
– Valores;
– Atitudes;
– Competências;
– Ativos pessoais;
– Caráter

 

Estes são alguns termos em português brasileiro incorporados pelo conceito de life skills.

Você acredita desenvolver essas habilidades em seus atletas intencionalmente durante suas sessões de treinos ou dirige toda sua atenção e foco aos conteúdos do jogo?

Para uma leitura mais aprofundada sobre o tema e como agregar estes valores aos processos de treinamento, recomendo a leitura do o artigo “o que são life skills e como integrá-las no esporte brasileiro para promover o desenvolvimento positivo de jovens?”, dos pesquisadores Vitor Ciampolini, Michel Milistetd, Sara Kramers e Juarez Vieira do Nascimento. 

Clique aqui para acessar o artigo.

Sobre o autor

Tiago Corradine é graduado e pós graduado em Educação Física pela Unicamp. Atua na formação de jogadores de futebol. Tem experiência em clubes do interior de São Paulo, Coréia do Sul e EUA.

Acompanhe o Tiago Corradine no Instagram ou entre em contato pelo email tiagocorradine@gmail.com

Categorias
Conteúdo Udof>Artigos|Sem categoria

Gomez x Neymar, quem leva a melhor na quarta de Champions League?

Gomez e Neymar tendem a ser protagonistas (ofensivos) por Atalanta e PSG, respectivamente, no confronto entre as equipes pelas quartas de final da UEFA Champions League, que acontece em instantes.

Gomez de 32 anos e seus 1,67 m de altura, realça o caráter democrático do jogo (não do negócio futebol, assunto para outras discussões…). O camisa 10 é o capitão de uma das equipes sensação da atual temporada européia, a Atalanta. O meia argentino não se intimida pelo menor porte físico, compensando esta limitação com sua aguçada leitura de jogo e grande capacidade de condução e drible em velocidade. Muito dinâmico e ágil, consegue resolver diversos problemas do jogo com poucos toques na bola e buscando posicionamento estratégico nos espaços deixados pelas defesas adversárias. O jogador tem fundamental importância na equipe italiana, recordista em assistências da série A italiana, é, na maior parte das vezes, o responsável por conectar o setores (defesa/meio/ataque) do time e ainda costuma contribuir de maneira importante nos momentos em que a equipe se encontra sem a posse da bola.

Neymar, o grande destaque técnico do atual futebol brasileiro, busca realizar o sonho dos parisienses e conquistar o maior título de clubes do futebol europeu. Há anos grande expectativa se deposita no brasileiro, que por vezes a corresponde, mas também por vezes deixa a desejar, especialmente por problemas extracampo e de comportamento. É inegável sua extrema capacidade na relação com a bola, e de resolver de forma criativa os problemas do jogo, porém se mostra em alguns momentos pouco participativo para se movimentar e gerar espaços aos companheiros ou para receber passes, assim como na fase defensiva do jogo. Há anos se esperam atuações de Neymar que o coloquem próximo ao nível de Messi e Cristiano Ronaldo, possibilitando a conquista do título de melhor jogador do mundo. Nestes playoffs da Champions League ele terá mais uma chance.

Área de atuação no campo

Gomez x Neymar

Dados: WyScout e InStat

Análise quantitativa

Dados: WyScout e InStat

Análise qualitativa

Gomez x Neymar

Análise: Danilo Benjamim e Aurélio Estanislau

Daqui a pouco, Atalanta e PSG se enfrentam em jogo único, e seus camisas 10, muito provavelmente, nos presentearão com muitos dribles, assistências e, quem sabe, gols. Qual dos dois conseguirá responder melhor e ajudar sua equipe a conquistar a classificação?

Desfrutem do JOGO!

Sobre os autores

Danilo Benjamim é bacharel em treinamento esportivo, possui a Licença B pela CBF/FIFA e cursa atualmente as licenças A/B da ATFA. Tem passagens pelo Paulínia FC, Coritiba, Athletico Paranaense, Ferroviária e, recentemente, Guarani FC.

Acompanhe as redes sociais do Danilo Benjamim: InstagramFacebook

Aurélio Estanislau é graduado em Ciências do Esporte pela Unicamp e analista de desempenho do Sub15 do S.C. Corinthians Paulista.

Acompanhe as redes sociais do Aurélio Estanislau: InstagramTwitter.

Categorias
Conteúdo Udof>Artigos|Sem categoria

Marcar atacando – o conceito do balanço ofensivo

O conteúdo que trazemos para a reflexão de hoje é o conceito do balanço ofensivo, as imagens abaixo são de alguns exemplos de execuções realizadas por seleções na Copa do Mundo de 2018 e que tiveram sucesso para explorar o desequilíbrio no momento de transição de fases do jogo.

 

Nas imagens acima o momento da posse adversária e posteriormente a retomada, com a bola em poder do atleta destacado, o balanço ofensivo servindo de apoio para a transição. Imagem: reprodução/Aurélio Estanislau

 

Nas imagens acima o momento da posse adversária e posteriormente a retomada, os atletas responsáveis pelo balanço ofensivo se projetam em direção ao campo ofensivo. Imagem: reprodução/Aurélio Estanislau

 

Assim como no exemplo anterior, o momento da posse adversária e posteriormente a retomada, os atletas responsáveis pelo balanço ofensivo se projetam em direção à meta e espaços vazios na defesa adversária. Imagem: reprodução/Aurélio Estanislau

 

Nas imagens acima o momento da posse adversária, o jogador responsável pelo balanço ofensivo bloqueia a circulação de bola da equipe adversária. Na retomada, o mesmo atleta aparece como opção de apoio para o início da transição ofensiva. Imagem: reprodução/Aurélio Estanislau

O balanço ofensivo, assim como outros conteúdos, tem outros nomes utilizados no meio do futebol, o Glossário do Futebol Brasileiro publicado pela CBF Academy define o conceito como “equilíbrio de recuperação”, por exemplo.

Independentemente do nome utilizado, o conceito de atacar-marcando já está bem estabelecido no futebol, mas nesse caso, podemos dizer que se aplica é o ato de marcar-atacando?

Um detalhe importante para que esse conteúdo seja executado é que por mais que os(as) jogadores(as) estejam à frente da linha da bola eles não deixam de estarem participando ativamente do jogo.

Dessa forma, levanto as seguintes questões:

É necessário marcar com todos os jogadores atrás da linha da bola? 

Você utiliza esse conteúdo em sua equipe? Para você, qual a relevância desse conteúdo para a sua equipe ?

Você pensa em atacar ou incomodar o adversário mesmo quando está marcando?

Sobre o autor 

Aurélio Estanislau é graduado em Ciências do Esporte pela Unicamp e analista de desempenho do Sub15 do S.C. Corinthians Paulista.

Acompanhe as redes sociais do Aurélio Estanislau: InstagramTwitter.