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Construção de saberes dentro e fora da quadra

Crédito imagem – Jogos estudantis do Rio de Janeiro/Divulgação

Eu cresci jogando futebol na rua. Quando queríamos variar um pouco, eu e meus vizinhos jogávamos queimada ou vôlei. Mas o futebol era o preferido, e por isso havia regras rígidas: quem chutar a bola, tem que ir buscar; se passar alguém na rua, todo mundo tem que parar; e se vier carro, tem que parar também; lembrando que não pode chutar a bola no portão da casa de fulano, e se a bola cair na casa de ciclano, decidimos no jokempô quem vai buscar. Decerto, não há quem não sinta saudade desse período e quem não tenha aprendido algo com essa fase. 

Concomitantemente aos jogos e brincadeiras de rua, eu disputava as Olimpíadas Estudantis, que era mais um caminho de aprendizado. Por cinco anos de minha jornada escolar, o meu ano letivo iniciava com um chamado dos Professores de Educação Física para participar das turmas de treinamento de Futsal e a partir das respostas positivas eles estampavam os nossos nomes num pedaço enorme de papel kraft no pátio da escola. Dali em diante era só alegria e atenção ao que estava por vir, que era: representar a escola numa competição externa, vestir o uniforme completo que indicava qual escola nós pertencíamos, sair de lá com um ônibus fretado até o local do jogo, aprender a controlar o frio na barriga e não deixar ele atrapalhar em nada, entrar na quadra junto com as colegas e treinadores, ouvir apito daqui e dali, gritos disfarçados de instruções vindos de todos os lados, aplicar as jogadas ensaiadas em quadra, dar o melhor de si naqueles três tempos de oito minutos, voltar para a escola e, nos dias (ou anos) seguintes, recomeçar o ciclo (com um frio na barriga menor, talvez). Tudo isso fazia parte da atmosfera que envolvia os jogos escolares, de que até hoje lembro com um carinho imenso.

Por tudo isso que o esporte me despertava e por mais algumas coisas, escolhi a Educação Física e virei Professora. Certa vez ouvi alguém dizer que no exercício da docência eu deveria ter paciência para “esperar o presente virar passado…”. Outros, numa linguagem menos filosófica, me aconselhavam o seguinte: “não adianta esperar resultados agora, pois só iremos colher no amanhã. E provavelmente, nós nem teremos consciência do que será colhido. ”

Entendendo o poder que o esporte tinha tido na minha formação, eu busco levar isso aos meus alunos. Vejo o esporte como um meio fundamental para a difusão de valores. Valores não somente esportivos, mas humanos. Olha aí a força do esporte na escola e porque ele tem que ser mais valorizado nesse contexto. Nesse sentido, ainda hoje meus olhos brilham quando eu entro numa quadra e lembro daqueles momentos de treinos e de jogos; quando eu ouço sons de apito e um falatório de crianças e adultos no meio de qualquer jogo. Sabe aquele frio na barriga? Eu ainda sinto antes, durante e após os jogos dos meus alunos. E isso para mim não é um mero acaso. O esporte me desperta algo que não se explica, não se compreende, apenas se sente. 

Toda essa mistura de sentimentos me fez observar o mesmo brilho nos olhos em cada criança com a qual pude ter contato, a mesma importância para um simples chamado para participar das turmas de treinamento, a mesma felicidade em vestir a camisa e representar a escola… notei que, independentemente de vitória ou derrota, eles iam ali para usufruir de toda aquela atmosfera indescritível da melhor maneira que, sem saber direito, marcaria para sempre a trajetória de cada um. 

A prática esportiva, independentemente do contexto, despertou em mim as melhores sensações e influenciou diretamente em minha formação; não de atleta, mas de cidadã. Preciso dizer que fui inspirada pelo esporte e por professores que transformaram minha trajetória. Por isso, aos professores que me inspiraram, a minha gratidão eterna; aos professores leitores, talvez os resultados virão a longo prazo, e pelos caminhos naturais da vida possivelmente não tenhamos mais contato com nossos alunos e nem ciência dos frutos colhidos, mas saibam que, ao tratar o nosso objeto de ensino com paixão, os resultados obtidos se mostrarão não só no campo esportivo, mas na forma de alunos conscientes de suas próprias ações, atestando, assim, a quadra como ambiente de preparação para a vida.

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Harder x Marozsán no duelo que pode definir a Champions

Neste domingo teremos mais uma final de Champions League na qual Lyon e Wolfsburg decidirão quem fica com o título. A partida será disputada as 15h do horário de Brasilia, no estádio Anoeta – onde a Real Sociedad manda seus jogos – no País Basco, região da Espanha. A Women’s Champions League é uma competição disputada desde 2001, e mais uma vez o francês Lyon decide o título com o alemão Wolfsburg, nas últimas 5 edições da competição será a 3º vez que os clubes se enfrentam na final. Nas outras duas oportunidades, em – 15/16 e 17/18 – as francesas se sagraram campeãs. A final desta temporada promete rivalidade e clima de revanche!

Um aspecto extremamente importante a fundamental a se destacar é que esta reedição de confronto na final é fruto de um seríssimo trabalho realizado por ambos os clubes. Tanto Lyon quanto o Wolfsburg disponibilizam a suas atletas e staff uma estrutura do mesmo nível que oferecem a suas equipes masculinas, ambos os projetos são geridos de forma paralela e com o mesmo profissionalismo e importância para os clubes. O Wolfsburg conta com o suporte da Federação Alemã que organiza o campeonato nacional de forma ininterrupta desde 1990, além de possuir outras diversas competições de base, dos 11 aos 17 anos. Já o Lyon investiu pesado na estrutura para a modalidade, possuindo inclusive sua própria academia de formação de jogadoras. Cases de sucesso a serem estudados e utilizados como referência.

Para esta final, trouxemos em destaque duas jogadoras, quem tem papel fundamental da criação de jogadas que resultam em gols para suas equipes, são elas Pernille Harder, meia dinamarquesa do Wolfsburg, e Dzsenifer Marozsán, meia húngara – que tem cidadania alemã – do Lyon.

Pernille é a vice-artilheira da competição com 9 gols e a 3º jogadora que mais finalizou a gol. Muito dinâmica, a jogadora busca a todo momento estar se desmarcando e criando linhas de passe, conduz a bola de maneira rápida e muito próxima do pé, facilitando seus dribles e conseguindo assim condições de finalizar ao gol. Pernille já foi premiada com o título de melhor jogadora da Europa em 2018, ela também aproveita a influência que conquistou através do esporte para dar apoio no combate ao preconceito contra pessoas da comunidade LGBTQI+.

Marozsán é uma multicampeã, tendo conquistado 4 Champions League, 1 Eurocopa, 1 ouro olímpico e 1 Mundial Sub-20, foi eleita por 3 anos consecutivos a melhor jogadora da Liga francesa e já esteve entre as finalistas do premio de melhor do mundo da FIFA. Nesta edição da Champions é a jogadora com maior número de assistências para gol. Uma jogadora com uma grande capacidade de leitura de jogo, sempre bem posicionada e atenta ao posicionamento das companheiras, que aliada a sua alta capacidade técnica lhe dá a condição de encontrar passes chaves na articulação de jogadas ofensivas.

Confira a seguir a área de atuação no campo e as análises quantitativa e qualitativa das duas jogdoras.

Infelizmente não teremos nenhuma representante brasileira jogando esta final. Porém, seria uma grande injustiça se não ressaltássemos aqui uma das principais jogadoras da história do futebol brasileiro e que há quatro temporadas defende as cores do PSG, semifinalista da competição. Miraildes Maciel Mota, a “Formiga”. Aos 42 anos de idade e há mais de 20 anos nossa meiocampista exibe seu dinamismo e classe nos gramados, infelizmente desta vez não conseguiu chegar a mais uma final em sua carreira, o que em nada diminui sua vitoriosa trajetória na modalidade, um grande exemplo de perseverança, profissionalismo e amor pelo esporte.

Um grande jogo nos aguarda neste domingo, e que a organização e investimento evidenciados
nesta final, sejam modelos a inspirar e seguir para o futebol feminino em nosso país.

Desfrutem do JOGO!

Sobre os autores

Danilo Benjamim é bacharel em treinamento esportivo, possui a Licença B pela CBF/FIFA e cursa atualmente as licenças A/B da ATFA. Tem passagens pelo Paulínia FC, Coritiba, Athletico Paranaense, Ferroviária e, recentemente, Guarani FC.

Acompanhe as redes sociais do Danilo Benjamim: InstagramFacebook

Aurélio Estanislau é graduado em Ciências do Esporte pela Unicamp e analista de desempenho do Sub17 do S.C. Corinthians Paulista.

Acompanhe as redes sociais do Aurélio Estanislau: InstagramTwitter.

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Vencendo o medo no processo de aprendizagem do futebol

Você acredita que o medo seja uma reação humana muito presente nos jogadores e profissionais do futebol? Como podemos lidar com esta questão no processo de ensino-aprendizagem da modalidade?

De acordo com o dicionário on-line de português (Dicio), o medo é um estado emocional provocado pela consciência que se tem diante do perigo, uma grande inquietação em relação a algo desagradável ou possibilidade de um insucesso.

Diante desse grande grande adversário, profissionais da área de psicologia e especialistas tentam listar maneiras de como podemos enfrentar esse sentimento. No ambiente de formação de jogadores esse desafio também existe, afinal, aqui também estamos lidando com seres humanos. Diante desse contexto podemos tomar algumas medidas para tentar ajudar esses jovens e lidar com esse sentimento da melhor maneira possível. Veja, a seguir, algumas delas.

1. Procure entender a reação e colocar-se no lugar do jovem jogador. Explique que esse sentimento é normal diante de certas situações.

Durante o processo de formação, o papel do treinador é o de ajudar o jovem jogador a aprender a gerenciar suas emoções, incluindo o medo. Se o professor tem sensibilidade e empatia para perceber que sentir medo será normal durante o processo de aquisição de uma nova competência de jogo, lidará de forma muito melhor com os estímulos que tendem a amedontrar os jogadores, como sair jogando sob pressão, ter de marcar o adversário em linhas altas mesmo fora de casa, ter de enfrentar um adversário tecnicamente superior, ter de fazer uma regra de ação que não é habituado ou até jogar em uma nova posição.

2. Ofereça suporte e compreensão. Mostre que você pode ajudá-lo a perder o medo de algo específico.

Nesse ponto é necessário assumir e aceitar que os erros são permitidos e, principalmente, compreendidos. O medo de errar não pode impedir a atitude de tentar e arriscar. Nesse sentido, a coragem, que não significa ausência de medo, pode ser estimulada como a capacidade e disponibilidade de se arriscar diante de um possível perigo.

3. Ajude o jogador a analisar racionalmente que o medo pode estar hiperdimensionado.

Sair jogando sob pressão representa, de fato, um perigo real ou uma ameaça à vida? Estar numa região do campo em que não se está habituado é motivo suficiente para se esconder do jogo? Precisamos realmente recuar por jogarmos fora de nossos domínios? Convidar o jogador para refletir sobre seus medos, ajudando a trazê-lo para a consciência e melhor dimensioná-lo pode ser uma ótima alternativa.

4. Ensine-o a se acalmar usando alguma técnica de respiração.

Durante o jogo podemos transmitir, mesmo que de forma sutil, insegurança, nervosismo e desconforto. Aprender, no calor do jogo, a respirar e se acalmar diante de um erro ou de vaias da torcida por exemplo, é uma habilidade importante. Para além da respiração, a calma pode se manifestar se o jogador adquire confiança naquilo que está fazendo. Você, treinador, é um grande guia para que o jogador atinja este nível. Alguma vez você já ajudou o seu jogador a respirar para se acalmar e confiar no que está sendo construído?

5. Crie cenários de treino em que será necessário encarar o medo.

É comum pensarmos o treino para o desenvolvimento de aspectos físicos, técnicos e táticos. Porém, ao encararmos o jogo como uma atividade humana e numa perspectiva sistêmica, temos ciência que  podemos, metodologicamente, criar ambientes em que os jogadores sejam demandados a enfrentar alguns de seus medos.

Para encerrar, deixamos algumas reflexões:

Como você lida com o medo de seus jogadores?
Como você lida com os seus medos? Eles, de alguma forma, influenciam sua equipe?

Até breve!

Referência 

Seis consejos ayudan niños a superar miedos y fobias

Sobre o autor

Júlio Neres é treinador de futebol com as licenças C e B pela CBF e nível 1 pela UEFA e analista de desempenho pela CBF. Graduando em Educação Física e coordenador técnico da PSG Academy – Salvador.

Acompanhe o Júlio Neres no Instagram.

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Reflexões e possibilidades de utilização da saída em 3

O Futebol está em constante evolução, sempre com novas ideias ou até mesmo outras que retornam do passado para solucionar problemas do presente. Algo que podemos dizer que “está na moda”, principalmente no futebol europeu é jogar com 3 zagueiros(as). Há muitas equipes se utilizando de estruturas táticas onde a base defensiva é com 3 zagueiros(as), alguns exemplos são Atalanta, Wolverhampthon, Internazionale, Borussia Dortmund.

Esse tipo de estrutura é geralmente reconhecida como uma formação que prioriza a solidez defensiva, mas pensando nos exemplos citados e no modelo jogo dessas equipes, reflita. Atuar com 3 zagueiros(as) pode trazer vantagens apenas defensivamente?

Como tais equipes se utilizam dessa formação para potencializar o seu jogo no momento ofensivo?

Atualmente, jogar com 3 zagueiros(as) não é uma opção utilizada apenas para o aumento da consistência defensiva, mas também uma estratégia que pode ser utilizada para criar vantagens e desequilíbrios no adversário já na primeira fase de construção do jogo. Para que essa estrutura seja formada, a equipe não precisa, necessariamente, atuar com três zagueiros(as), uma outra possibilidade é utilizar outros jogadores para formar a saída em 3 no momento da construção das jogadas de ataque. Uma das maneiras mais utilizadas para essa construção é a entrada de um(a) volante entre os(as) zagueiros(as), conhecida como saída “saída lavolpiana”.

Aqui, convidamos você leitor para as seguinte reflexões

Quais as vantagens que essa saída pode nos trazer?

Você utiliza a saída em 3 na sua equipe?

Esse mecanismo é utilizado para se criar vantagem de fato ou apenas porque “está na moda”?

As vantagens que a saída em 3 podem oferecer dependem de uma série de fatores, entre elas as características da própria equipe e a maneira como o adversário(a) faz a pressão. A seguir, apresentamos alguns questionamentos que podem ajudar você a enxergar de maneira mais clara algumas dessas variáveis e em que casos as possibilidades de explorar as vantagens criadas com a saída de 3 podem ser maiores, levando em consideração os diferentes momentos do jogo.

Sobre a sua própria equipe, tente responder às seguintes questões:

Sua estrutura tática já tem 3 jogadores(as) na base para construção? Se não, como você pretende executá-la?

Com o(a) volante/meia entrando no centro ou na lateral? (foto)Imagem: Reprodução/Aurélio Estanislau

Com um(a) lateral base para a saída? (foto)Imagem: Reprodução/Aurélio Estanislau

Com o(a) goleiro(a)? (foto)Imagem: Reprodução/Aurélio Estanislau

Em qual momento o 3º jogador(a) vai entrar? E porque?

Quais serão os critérios para fazer a saída em 3?

Já sobre o adversário:

Com quantos(as) jogadores(as) o(a) adversário(a) faz a primeira pressão? É preciso ter 3 jogadores(as) na base?

3×1 Imagem: Reprodução/Aurélio Estanislau

3×2 (foto)Imagem: Reprodução/Aurélio Estanislau

3×3 (foto)Imagem: Reprodução/Aurélio Estanislau

O que podemos explorar em cada um destes confrontos?

Em que altura e distância estarão os(as) jogadores(as) nessa saída?

Será necessário fazer a saída em 3 em todos os momentos ou apenas em situações específicas do jogo?

Por exemplo: É necessário criarmos um 3×1 na primeira fase de construção ou o 2×1 já é suficiente para a progressão? Ou irei fazer o 3×1 fazendo com que 1 dos 3 progrida e ande com bola, deixando 2×1 como cobertura no balanço defensivo?

Todos os movimentos pensados para o jogo devem ser realizados em busca da criação de vantagens na construção, nesse sentido é importante termos em mente as respostas para as seguintes perguntas: vou criar vantagem para a próxima fase do jogo? Como, quando e por quê?

Sobre o autor

Aurélio Estanislau é graduado em Ciências do Esporte pela Unicamp e analista de desempenho do Sub17 do S.C. Corinthians Paulista.

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Di Maria ou Lewandowski – Quem leva mais um caneco na Champions?

A tão esperada final da Champions está definida! Bayer e PSG disputam, no domingo, um dos títulos mais cobiçados do futebol europeu e do mundo! A equipe alemã busca sua sexta conquista, enquanto os franceses perseguem seu primeiro título da Liga. Dois renomados e multi-campeões jogadores buscam trazer o título a seus clubes: Ángel Di Maria para o PSG e Robert Lewandowski para o Bayer.Di Maria iniciou a carreira de poderio financeiro modesto, mas tradicional, o Club Atlético Rosário Central, da cidade de Rosário na Argentina. Filho de pai minerador de carvão, ofício que Di Maria também exerceu até os 15 anos, tinha dificuldade para pagar a passagem para ir aos treinos; ainda assim, fez sua estreia na equipe principal com apenas 17 anos. Chegou até o estrelato na Europa, onde atuou ao lado de jogadores como Cristiano Ronaldo e passou por grandes clubes como Manchester e Real Madrid. Di Maria acumulou títulos e, hoje, aos 32 anos, vive sua 5o temporada pelo PSG buscando sua segunda Champions League.

Nesta edição do torneio, o argentino é o 4º jogador a realizar mais passes para o terço final do campo, o líder em número de assistências e em criação de chances reais de gol, dados que, se mantidos e ampliados para esta final, irão aumentar muito as chances de título da equipe francesa.

Lewandowski é polonês e filho de atletas profissionais, o pai foi judoca e a mãe jogadora de vôlei. Além disso, sua esposa é carateca e formada em Educação Física, assim como ele que se graduou na Escola Superior de Educação em Esportes da Universidade de Varsóvia em 2017. Lewandowski tem a marca de ter sido campeão e artilheiro da 3º, 2º e 1º divisão na Polônia, nesta ordem. Estreou aos 18 anos no Znicz Pruszków já sendo artilheiro e campeão da terceira divisão polonesa. Desde então, não parou de fazer gols por onde passou, o que, inclusive, já lhe rendeu a entrada para o livro dos recordes. O artilheiro tem as marcas de: hat trick mais rápido da história; marcar quatro
gols mais rápido na história; marcar cinco gols mais rápido na história; e mais gols anotados por um reserva. Tudo isso ocorreu na épica virada sobre o Wolfsburg em 2015, onde saiu do banco de suplentes e anotou 5 gols em 9 minutos.

Na Champions de 19/20, Lewandowski ainda busca superar a marca de Cristiano Ronaldo, de 17 gols anotados numa mesma edição. O polonês já marcou 15. Na atual temporada da competição, Lewandowski é o líder em número de finalizações (tendo uma média de 4,6 por jogo) e vice-líder em número de assistências, realizou 5 (uma a menos que Di Maria).

Confira abaixo a análise dos dois jogadores.

Ambos os jogadores tem sido fundamentais para a efetividade ofensiva de suas equipes, no domingo eles conseguiram assumir esse protagonismo demonstrado durante toda a competição? Quem conseguirá ser mais decisivo e levar sua equipe ao título?

Desfrutem do JOGO!

Sobre os autores

Danilo Benjamim é bacharel em treinamento esportivo, possui a Licença B pela CBF/FIFA e cursa atualmente as licenças A/B da ATFA. Tem passagens pelo Paulínia FC, Coritiba, Athletico Paranaense, Ferroviária e, recentemente, Guarani FC.

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Aurélio Estanislau é graduado em Ciências do Esporte pela Unicamp e analista de desempenho do Sub15 do S.C. Corinthians Paulista.

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O erro como ferramenta de aprendizado

“Bons treinadores corrigem erros, treinadores brilhantes ensinam a pensar” – Augusto Cury

“O treinador tem que fazer jogadores de futebol, e os jogadores têm capacidade de assimilação para corrigir erros, mas, é claro, eles também podem ser corrompidos se ninguém disser a eles o que fizeram bem e o que fizeram mal. Em suma, não há nada pior do que permitir que os jogadores sigam o caminho errado” – Johan Cruyff

“Errar é um caminho que, bem conduzido, pressagia sucesso. Sempre que algo indesejado acontece, eu digo: vamos tentar que esse erro nos ajude em um sucesso futuro” – Marcelo Bielsa, ao comentar o erro de um jogador de sua equipe que resultou em gol do adversário

Com base nas afirmações destacadas, percebemos como o erro é uma ferramenta poderosa no processo de aprendizagem, e dessa forma, o ambiente de treino, que é de aprendizagem, precisa acolher essas situações, tanto na formação, quanto na equipe principal. Para potencializar a aprendizagem, também por meio do erro, o processo de treino deve estimular a liberdade, desenvolvendo a criatividade. Nesse processo, errar e se equivocar nas decisões poderão fazer o atleta crescer ainda mais, pois estarão aprendendo na prática.

O erro pode ser uma experiência negativa para o jogador no treino e no jogo. Nestes cenários, o treinador precisa ser capaz de ressignificar tais situações através de uma abordagem que sinalize “futuros” potencialmente positivos. Ajudar o jogador a refletir e guiá-lo na busca de melhores caminhos é uma excelente alternativa.

E para o conteúdo destas abordagens não existe receita, afinal, o erro é multifatorial, o jogo é coletivo e cada indivíduo único em suas potencialidades e fragilidades. É missão do professor/treinador compreender a complexidade destas questões, o que permitirá contextualizar os erros e, dessa forma, ampliar as possibilidades de ser assertivo em suas intervenções. Sendo assim, não é suficiente trazer a resposta pronta ao jogador ou simplesmente apontar-lhe o erro. Pois, para alguns jogadores a demanda é de coragem, para outros, de leitura de jogo, ou de execução, de diminuição da fadiga, de um maior nível de atenção, de excesso de confiança, entre outros. Vale citar também que, provavelmente, alguns jogadores terão mais de uma demanda. Além disso, devemos considerar os erros que derivam da própria natureza do jogo.

E, para finalizar, deixamos a você as seguintes reflexões:

Você costuma refletir sobre a origem do erro de seus jogadores?

Para você o erro é uma oportunidade de crescimento?

O quanto a exigência para resultados imediatos limita a sua possibilidade de aceitar o erro como parte do processo de ensino-aprendizagem?

Abraços e até a próxima!

Sobre o autor

Júlio Neres é treinador de futebol com as licenças C e B pela CBF e nível 1 pela UEFA e analista de desempenho pela CBF. Graduando em Educação Física e coordenador técnico da PSG Academy – Salvador.

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Jogar bonito ou jogar bem?

Há quase 30 anos, em 1992, no programa Roda Viva, o treinador Telê Santana foi questionado se abriria mão de suas convicções para ter um resultado melhor do que na Copa do Mundo de 1982.

A resposta foi genial, empolgante e inspiradora. Ele levantou uma discussão que, por incrível que pareça, ainda é muito atual: jogar bonito x jogar bem.

É improvável que o jogar bonito esteja divorciado do jogar bem, não podem entrar em discussão, pois andam de mãos dadas o tempo todo.

É muito importante que as pessoas consigam entender que o jogar bonito e bem tem uma única e exclusiva intenção: vencer.

A seleção brasileira de 82 apresentava características de um jogo belo e eficiente, que controlava o jogo através da posse de bola, que construía com passes curtos e que trocava de posições para envolver os adversários. Havia muito espaço para a manifestação da técnica, da inteligência, do improviso e da intuição. Ter a bola como aliada, além de aproximar das vitórias, alimentava em todos um sentimento de prazer e satisfação. O resultado não deveria vir a qualquer custo!

O mestre Telê, a partir das suas convicções, criava um ambiente que permitia o protagonismo dos jogadores, proporcionando aos mesmos a liberdade necessária para que pudessem se expressar com a bola e tomassem a iniciativa do jogo.

Posto isso, deixamos as seguintes reflexões:

Que tipo de jogo você persegue?
O futebol do resultado a qualquer custo que, muitas vezes, empobrece o jogo, te consome?
Será que se o jogo de uma equipe se aproximar do belo irá se distanciar das vitórias?

Sobre o autor

Júlio Neres é treinador de futebol com as licenças C e B pela CBF e nível 1 pela UEFA e analista de desempenho pela CBF. Graduando em Educação Física e coordenador técnico da PSG Academy – Salvador.

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Upamecano e Muller – craques silenciosos nas semis da Champions

Reta final da Champions League!

Neste semana, teremos os confrontos das semifinais e, no domingo, conheceremos o grande Campeão! PSG, RB Leipzig, Bayer de Munique e Lyon são as quatro equipes que chegaram a esta fase da competição e seguem disputando o título.

No texto de hoje, traremos dois jogadores “silenciosos”, que aparecem pouco na mídia, mas que tem sido fundamentais para o sucesso de suas equipes. Upamecano, do RB Leipzig e Muller, do Bayern.

Dayot Upamecano é um jovem zagueiro francês, nascido na região da Normandia (norte da França), mas de raízes africanas (sua família é de Guiné-Bissau, no noroeste africano). Ele se destacou bastante na atual temporada e tem tido o nome veiculado a grandes potências do futebol europeu. Um defensor dinâmico e versátil, que não se limita a atuar somente em sua zona originária do campo. Além da grande capacidade da utilização de passes de ruptura (80% de acerto nos passes em direção ao ataque), por vezes também rompe as linhas adversárias por meio de dribles e condução da bola. Outro aspecto a destacar é sua capacidade nos duelos individuais defensivos, o francês tem o melhor percentual (82,86%) de êxito da atual edição da Champions League. Destacamos também que a forte cultura do futebol de rua na França teve importante papel na formação de Dayot, ele é amigo de infância de outro jogador francês, Ousmane Dembele (Barcelona), os dois desenvolveram competências fundamentais do jogo nas ruas e quadras do bairro onde cresceram, a boa relação com a bola, coragem para o jogo e para executar ações não triviais (como um drible ou um passe de ruptura, em situações onde a maioria daria um passe de lado), e a capacidade de oferecer soluções rápidas e criativas aos problemas do jogo, são aspectos amplamente presentes e potencializados na cultura do futebol de rua.

Thomas Müller, o consagrado e multicampeão jogador alemão está no Bayern desde seus 11 anos. Fruto do conhecido e consagrado projeto de renovação do futebol germânico, não coincidentemente esteve presente em dois recentes fatos históricos do futebol mundial: Brasil 1 x 7 Alemanha (2014) e Barcelona 2 x 8 Bayer (2020). Müller é um meio-campista altamente versátil: com a mesma eficácia que ataca também contribui defensivamente. De movimentação constante e diferente do estereótipo normalmente valorizado no Brasil, Müller não é o jogador de alta plasticidade em suas ações, discreto, busca executar o que é necessário e da forma mais eficiente possível. Demonstra, assim, sua alta capacidade de leitura de jogo que potencializa a qualidade das decisões tomadas com e sem a bola. Dono de uma média de 3 finalizações e 3 assistências para finalização por jogo na Champions (uma das melhores entre os meias), e de 69% de êxito nas tentativas de roubadas de bola (uma das maiores entre os jogadores de ataque), Müller tem contribuído de maneira significativa para que o Bayern tenha chegado a mais uma semifinal do campeonato de clubes mais importante da Europa.

Confira nas imagens abaixo a análise dos dois jogadores.

 

Vale lembrar aqui que das 4 equipes que disputam as semifinais, 3 são treinadas por alemães (Hans-Dieter Flick – Bayer; Julian Nagelsmann – RB Leipzig; Thomas Tuchel – PSG). Nunca é demais ressaltar que não se acomodar em conquistas passadas e manter investimento em formação, avaliação e reflexão sobre suas práticas é conduta padrão daqueles que desejam seguir nos mais altos níveis de excelência.

Grandes partidas teremos nesta semana, muitas aspectos a se observar e avaliar. E um fato a constatar: pelo terceiro ano seguido, um treinador alemão disputará a final do principal campeonato de clubes do futebol europeu.

Desfrutem dos JOGOS!

Sobre os autores

Danilo Benjamim é bacharel em treinamento esportivo, possui a Licença B pela CBF/FIFA e cursa atualmente as licenças A/B da ATFA. Tem passagens pelo Paulínia FC, Coritiba, Athletico Paranaense, Ferroviária e, recentemente, Guarani FC.

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Aurélio Estanislau é graduado em Ciências do Esporte pela Unicamp e analista de desempenho do Sub15 do S.C. Corinthians Paulista.

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As implicações das ideias de jogo no cenário das finalizações

Na busca pelo desenvolvimento do futebol e do entendimento de suas tendências, a Universidade do Futebol propõe, há muitos anos, debates que geram reflexões e também inovações. Dando sequência a ideias apresentadas em um texto de 2013 , publicado aqui, na UdoF, pelo treinador Rodrigo Leitão, foi realizado um estudo que será exposto a seguir.

Por meio de excelentes dicas do próprio Rodrigo, além do apoio incondicional do orientador do trabalho José Vítor Vieira Salgado, o estudo teve o objetivo de verificar características nas sequências ofensivas terminadas em finalização de equipes com ideias de jogo distintas, a partir da análise de jogos da Copa do Mundo de 2018.

No estudo, foram analisadas equipes que se diferenciavam no que se refere às ideias de jogo, apresentando diferenças no percentual de posse de bola. Dessa maneira, elas foram separadas em dois grupos: “donos da bola” e “donos do espaço”, como definidos por Rodrigo Leitão, em trabalhos anteriores.

Confira, abaixo, um infográfico contendo os principais resultados do estudo realizado.

 

É importante esclarecer que, embora tenham sido encontradas diferenças na eficiência das finalizações em favor das equipes “donas do espaço” em detrimento às “donas da bola”, o intuito do estudo não é defender uma das ideias de jogo, mas sim apresentar algumas características típicas que, ao serem entendidas, podem contribuir para a melhora do desempenho da equipe, seja qual for a ideia. Para isso, é fundamental entender como essas informações podem ter utilidade prática.

Nesse sentido, a relevância se dá, principalmente, no suporte que essas informações podem fornecer para a elaboração de treinamentos coerentes com o que acontece com maior frequência nos jogos de acordo com a ideia de jogo utilizada. Isso pode ser considerado tanto para o futebol profissional, pensando na otimização do tempo, quanto nas categorias de base, oportunizando estímulos diversos para uma boa formação.

Outra perspectiva de utilização prática das informações consiste na possibilidade de verificação constante de algumas medidas e métricas oriundas de análises quantitativas que, em alguns casos, permitem definir possíveis limiares e metas para o sucesso da ideia de jogo proposta.

Afinal, o conhecimento pode ser um grande diferencial para que o acaso não seja justificativa frequente para a bola que “insiste em não entrar”, basta saber o que fazer com ele.

Sobre o autor

Matheus Dupin é bacharel em educação física pela UEMG, possui a licença B da CBF Academy e tem passagem como analista de desempenho no Club de Regatas Vasco da Gama. Atualmente é auxiliar/analista das categorias de base do Club Athletico Paranaense.

Acompanhe Matheus Dupin nas redes sociais.  Instagram; Facebook; Twitter.

Referências

DUPIN, M.O. Análises de sequências com finalização no futebol de acordo com a ideia de jogo das equipes. Trabalho de conclusão de curso – Universidade Estadual de Minas Gerais, Divinópolis. 2018. 24p

LEITÃO, R.A.A. Futebol: criar mais oportunidades ou aproveitar melhor as chances criadas? – reflexões a partir da Lógica do Jogo. Coluna Tática. 2013. Disponível em http://149.28.100.147/udof_migrate/futebol-criar-mais-oportunidades-ou-aproveitar-melhor-as-chances-criadas-reflexoes-a-partir-da-logica-do-jogo/

LEITÃO, R.A.A. Organização Sistêmica de Jogo: Ideias! Modelos? Bola e/ou Espaço!? Universidade do Futebol. Coluna Tática. 2013. Disponível em http://149.28.100.147/udof_migrate/organizacao-sistemica-de-jogo-ideias-modelos-bola-e-ou-espaco/

LEITÃO, R.A.A. Os aspectos táticos e a construção da Ideia de Jogo no futebol. Universidade Estácio. Material de apoio didático. Curso de pós-graduação em Futebol e Futsal. 2016.

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Formar ou formatar?

Estamos formando atletas para serem melhores jogadores e pessoas ou estamos formatando atletas para jogarem futebol e nada mais?

Já há algum tempo, é sabido que os atletas do século XXI necessitam desenvolver habilidades que vão além das técnicas, táticas e físicas. O treinador precisa buscar a formação do atleta integralmente, respeitar as diversidades do grupo e necessidades específicas individuais.

O que você vem fazendo para desenvolver estas habilidades aos seus atletas?

Você conhece o termo life skills ou, para o português brasileiro habilidades para a vida (habilidades psicossociais)

Veja abaixo algumas dessas habilidades: 

– Aprendizagens;
– Comportamentos;
– Conhecimento;
– Lições;
– Características;
– Valores;
– Atitudes;
– Competências;
– Ativos pessoais;
– Caráter

 

Estes são alguns termos em português brasileiro incorporados pelo conceito de life skills.

Você acredita desenvolver essas habilidades em seus atletas intencionalmente durante suas sessões de treinos ou dirige toda sua atenção e foco aos conteúdos do jogo?

Para uma leitura mais aprofundada sobre o tema e como agregar estes valores aos processos de treinamento, recomendo a leitura do o artigo “o que são life skills e como integrá-las no esporte brasileiro para promover o desenvolvimento positivo de jovens?”, dos pesquisadores Vitor Ciampolini, Michel Milistetd, Sara Kramers e Juarez Vieira do Nascimento. 

Clique aqui para acessar o artigo.

Sobre o autor

Tiago Corradine é graduado e pós graduado em Educação Física pela Unicamp. Atua na formação de jogadores de futebol. Tem experiência em clubes do interior de São Paulo, Coréia do Sul e EUA.

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