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Valores no esporte – o que estamos ensinando aos nossos atletas?

Muitas vezes, no ambiente onde o dinheiro impera, os valores pessoais são deixados em segundo plano.

Como sabemos, a competitividade está presente em nossas vidas. Somos educados e criados em uma sociedade na qual o primeiro lugar é extremamente valorizado e o segundo lugar é motivo de insatisfação.

Se partirmos do pressuposto de que os resultados são decididos nos detalhes como, por exemplo, em um jogo de basquete, em que muitas vezes o resultado é decidido no último segundo, não há lógica em desvalorizarmos e criticarmos o segundo colocado, pois um ponto a mais ou um ponto a menos não define a qualidade de sua equipe.

Na vida é assim, estamos sempre à procura de mais. Muitos esquecem de seus valores, de sua origem, e fazem tudo o que estiver ao alcance para conquistar o tão sonhado primeiro lugar.

Não estamos dizendo que é errado se dedicar ao máximo para conquistar a vitória, mas é errado se torturar por ter lutado com todas as forças e não ter atingido o objetivo principal, se considerando ou sendo considerado pela maioria como um perdedor. Os valores estão sendo distorcidos desde a nossa infância e esse é um fator extremamente preocupante, apesar de ser oculto.

Ganhar não pode ser considerado o objetivo principal do processo de crescimento de um jovem atleta, mas sim educar um profissional competente e dedicado, onde a busca pela melhora é constante, sempre desenvolvendo os valores mais importantes na vida, como: o respeito, a humildade, o saber trabalhar em grupo, confiança, entre outros que determinarão a personalidade de cada um.

Um grande exemplo de perda de valores nesse processo são os jogadores de futebol. Veja bem: jogadores e não atletas. Infelizmente, nesse esporte o termo atleta está distorcido. Existem poucos que podem ser considerados atletas e, esses sim, independente de títulos ou de dinheiro, teriam de ser reconhecidos como verdadeiros craques, não só no esporte mas na vida.

Se as crianças acompanhassem e seguissem esses exemplos positivos seriam motivo de orgulho. Com o aumento da visibilidade e com salários inimagináveis, a profissão de jogador de futebol é um verdadeiro sonho para os pequenos. Porém, esses não crescem sabendo da realidade, em que o Brasil, considerado o país do futebol, tem em torno de 200 mil jogadores profissionais e menos de 5% desses ganham mais de dois salários mínimos.

Realmente, os números impressionam e o assunto é sério. Convivi nesse meio durante toda a minha adolescência e a realidade é difícil. Os garotos que ingressam na categoria de base de algum clube profissional se iludem de uma tal maneira que deixam os estudos completamente de lado, sem pensar na possibilidade de não darem certo. São alienados pelos valores que a mídia impõe e esquecem dos verdadeiros valores que fazem a diferença na vida.

A culpa é deles? De forma alguma, mas, sim de quem comanda essas categorias de base, dos considerados “professores”, que colocam na cabeça desses jovens que o verdadeiro vencedor será aquele que se tornará profissional, e os outros serão apenas atletas frustrados.

Novamente, não quero generalizar. Existem profissionais que podem realmente ser considerados como professores e muitos clubes que têm um projeto que se preocupa com os seres humanos jovens que estão ali. Mas infelizmente são minoria no cenário nacional.

Fica a reflexão: até onde vale vencer no jogo se a comemoração é feita com bebidas, mulheres e festas sem limites? Até onde vale ser um jogador reconhecido se não tem respeito pelo próximo, fidelidade à sua esposa e exemplos positivos para seus filhos?

Até quando a mídia vai valorizar mais qual time foi campeão do torneio juvenil do que qual time tem o melhor projeto para educar futuros pais de família e grandes atletas?

Novamente, dou ênfase a esse termo, pois jogadores são muitos e atletas, infelizmente, são poucos.

*Membro do GEPEFF – Grupo de Estudo e Pesquisa em Futebol e Futsal – Metrocamp

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Detalhes

“… detalhe que faz a diferença…”

 

Alguém já parou pra pensar o que são os detalhes? Os detalhes da vida, os detalhes de um carro, de uma casa, de uma pessoa… Será que são só detalhes? Ou será que fazem toda a diferença? Muitas vezes, para alguns, são coisas imperceptíveis, mas para outras pessoas são esses detalhes que fazem a diferença. Fazem uma casa custar mais caro, um carro ter um valor maior, uma pessoa ser mais atraente… Enfim, são os detalhes que fazem a diferença na nossa vida.

Muitos estão falando dos detalhes que fazem a diferença no esporte de alto nível. Ainda mais em época de Jogos Olímpicos, é comum ouvir que o atleta “perdeu por detalhes”, ou ainda, “que o detalhe fez a diferença”. Atletas de alto nível sempre buscam se aperfeiçoar nos detalhes e acreditam piamente que esses detalhes farão toda a diferença. Estão certos!

No mundo dos esportes, nada pode faltar. Um atleta que tem toda a estrutura necessária para dar conta do seu alto nível de competitividade é considerado um atleta 100%. Já um atleta que tem quase tudo, faltando, por exemplo, uma nutricionista para assessorá-lo no aspecto nutricional, é considerado um atleta 99%. Se estes dois atletas competirem entre si, é bem provável que o primeiro vença, pois é um atleta mais completo do que o segundo. Eu disse: “bem provável”. Claro que muitas variáveis poderão intervir na performance destes atletas.

Mas se pensarmos em todas elas, com certeza, as chances do primeiro atleta errar serão menores e, com isso, o seu desempenho não corre o risco de ser prejudicado.

Uma das qualidades de um técnico esportivo é saber observar esses detalhes e aguçá-los, desenvolvê-los em prol do atleta, seja no sentido de minimizar os erros como também no sentido de maximizar os pontos fortes. Por isso, cabe lembrar: ser técnico é totalmente diferente de ter sido somente atleta. Ser técnico exige um conhecimento específico que será desenvolvido de acordo com a área de conhecimento responsável: a Educação Física!

O técnico deve ser o responsável em observar os detalhes que farão a diferença. Ele trabalhará pontualmente os detalhes específicos da sua profissão, porém precisa também conhecer as necessidades essenciais que serão trabalhadas por outros profissionais.

Mas um atleta não se faz somente de componentes técnicos. Alguém se lembra da imagem de um carro de Fórmula 1 durante um “pit stop”? Existem várias pessoas que cercam o carro na sua chegada e possuem poucos segundos para trocarem pneus, abastecer, entre outras coisas. Podemos imaginar um atleta como um carro de Fórmula 1. Existem diversos profissionais que devem atuar em função única e exclusivamente do atleta.

Hoje em dia, falamos de diversas áreas do conhecimento que devem compor uma comissão técnica de um atleta ou equipe esportiva. E todos os trabalhos, as ações, devem ser em função deste atleta ou desta equipe. É inconcebível, hoje em dia, com o avanço da tecnologia e da ciência, que um atleta queira disputar um alto nível de uma determinada modalidade esportiva sem ter um suporte no aspecto técnico, médico, estatístico, fisiológico, na preparação física, nutricional, fisioterápica, psicológica, no plano administrativo e operacional. E olha que enumerei o que seria essencial! A lista poderia ir longe. E todos, cada um na sua área, estariam trabalhando em função do atleta ou da equipe, fazendo com que o seu desempenho seja melhorado a cada sessão de treino.

Para encerrar, reforço a necessidade que nossos atletas têm de melhorar as condições de treinamento para que possam ter seus resultados superados. Não que isso deva ser feito nesta temporada de Jogos Olímpicos! Este é um investimento que deve ser feito desde cedo, de maneira planejada. Assim, aquele discurso de que o atleta “perdeu por detalhes”, ou ainda, que “o detalhe fez a diferença”, ganharia outra entonação. O discurso não seria reproduzido de forma incontrolada e a culpa não cairia mais nos “detalhes” de maneira descompromissada.

O problema está em “acusar” os detalhes deste modo descompromissado, como se o vilão, o responsável pela derrota, fosse algo desprezível: apenas detalhes! Não! Estes elementos são cruciais e devem ser trabalhados ao longo dos anos, dos meses, das semanas, dos dias, dos treinos… Pensem nisso e parem de culpar os “detalhes” num sentido torpe!

 

*João Guilherme Cren Chiminazzo é Mestre em Ciência do Treinamento – Unicamp, Docente Metrocamp e Unipinhal e Assessor e Consultor Esportivo – INC
 

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Vantagem de se jogar em casa no futebol

Atualmente são vários os estudos que buscam identificar os fatores que podem influenciar diretamente nos resultados do jogo de futebol. Um dos fatores mais indicados é a vantagem de se jogar em casa (VC), ou seja, no seu próprio estádio.

A metodologia que vem sendo utilizada para a quantificação da VC é a de Pollard (1986), a qual caracteriza que existe a VC quando o aproveitamento é maior que 50%. O cálculo é realizado da seguinte maneira: o número de pontos ganhos em casa pelo mandante dividido pelo número total de pontos adquirido no campeonato. Por exemplo, o mandante registrou 300 pontos em casa e 100 pontos fora de casa. A VC seria calculada dessa maneira: 300 / (300+100) = 0,75 = 75%.

Utilizando esse método e fazendo a análise de 1.520 partidas dos campeonatos nacionais de 2007 de quatro países (Brasil, Espanha, Inglaterra e Itália), identificou-se o favorecimento da VC em todos os campeonatos estudados, sendo: Brasil (65%), Espanha (59%), Inglaterra (62%) e Itália (62%) (Pinto et. al., 2008).

Buscando observar essa VC no Campeonato Paulista de futebol entre os anos 2007 e 2011, foram analisados 1.010 jogos das equipes profissionais e, utilizando a mesma forma de quantificação da VC, ficou evidente que em todos os anos de disputa do principal campeonato estadual brasileiro houve a VC. Os resultados foram: no ano de 2007 (59%), 2008 (67%), 2009 (63%), 2010 (57%) e 2011 (57%) (Mascara et. al., 2011).

Analisando as categorias de base do Campeonato Paulista de futebol de 2007 (infantil, juvenil e juniores), totalizando 1.590 partidas, sendo 533 jogos do infantil, 537 jogos do juvenil, 260 partidas da equipe juniores da 1ª divisão e 260 jogos da equipe juniores da 2ª divisão, viu-se que a VC não se apresentou favorável em todas as categorias.

O grupo infantil apresentou 49% da VC e o juvenil registrou 48%. Já para os grupos de juniores, a VC se mostrou favorável, computando 56% na equipe da 1ª divisão e 61% na equipe da 2ª divisão (Coledam et. al., 2008).

Com os atuais dados da literatura seria possível ponderar que a vantagem de jogar em seu campo de jogo exista para as categorias profissionais, tanto do Brasil como de outros países.

O fenômeno, porém, não parece apresentar regularidade nas categorias de base. Notoriamente, há a necessidade de se desenvolver um corpo de pesquisa mais sólido a respeito. Realizar estudos que possam se aprofundar nas inúmeras questões pertinentes do fenômeno.

Referências bibliográficas:

Coledam, D. H. C.; Pinto, F. P.; Santos, J. W. Comparação da vantagem de jogar em casa nas categorias Infantil, Juvenil e Junior no campeonato paulista de futebol do ano de 2007. Revista Motriz, Rio Claro, v. 14, n. 2, p. S1-S141. abr./jun. 2008.

Mascara, D. I.; Carvalho, D. M.; Chiminazzo, J. G. C. Vantagem de jogar em casa no campeonato paulista de futebol. Anais 4° Congresso Brasileiro de Ciências do Futebol, 2011.

Pinto, F. P.; Coledam, D. H. C.; Santos, J. W. Comparação da vantagem de “jogar em casa” nos campeonatos nacionais brasileiro, espanhol, inglês e italiano da primeira divisão na temporada de 2007. Revista Motriz, Rio Claro, v. 14, n. 2, p. S1-S141. abr./jun. 2008.

POLLARD, R. Home advantage in soccer: a retrospective analysis. J. Sports Science, v. 4, n.3, p. 237-248, 1986.

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Comparação de um teste de agilidade com e sem bola entre duas categorias de uma escola de futebol na cidade de Campinas-SP

O futebol é um dos esportes mais praticados no Brasil e no mundo, tendo fiéis espectadores, e desde cedo já encanta crianças e jovens na busca de um sonho, que é se tornar jogador profissional. Dentro das diversas variáveis de capacidades físicas que o futebol exige, a agilidade pode ser em alguns momentos um fator determinante para uma partida, estando diretamente relacionada à perfeição de passe (SILVA, et. al. 2006). Pensando nesta afirmação, podemos afirmar que o atleta que é mais ágil, consequentemente, terá um número menor de passes errados.

Segundo Schmid e Alejo, 2002, a agilidade no futebol é caracterizada quando um atleta consegue mudar o sentido de direção da forma mais eficiente possível, diante de situações imprevisíveis do jogo, tomando decisões rápidas e eficazes.

Portanto, o presente estudo teve como objetivo comparar a diferença da agilidade entre duas categorias, sendo sub-13 e sub-15 sem bola e sub-13 e sub-15 com bola.

Para obtenção dos resultados foi utilizado o Illinois Agility Test (Roozen, 2004 apud MARIA et al, 2009), que avalia agilidade sem e com bola em jogadores de futebol.

Participaram do estudo 43 sujeitos de uma escola de futebol, sendo que foram divididos em dois grupos: sub-13 (12,8 ± 0,51 anos) e sub-15 (14,6 ± 0,49 anos), conforme determinação da Federação Paulista de Futebol (FPF). Os resultados apresentados pela categoria sub-13 na realização sem e com bola foram 17,48±1,56 e 23,22±2,35 segundos, respectivamente. Para a categoria sub-15, a média dos resultados foi 16,64±1,02 segundos sem bola e 21,89 ±2,14 segundos com bola.

Os dados dos diferentes grupos foram comparados entre si por meio de análise estatística, utilizando o teste “t”, correlação de Pearson (p<0,05).

Discussão

Nos estudos de Mohammadtaghi, et. al., 2010 foi concluído que jogadores que possuem mais experiência dentro do esporte, ou seja, mais tempo de prática, possuem um melhor desempenho esportivo na realização de testes de agilidade.

Em outro estudo de Fogo, et. al., 2010, que visou avaliar a aptidão física de crianças do interior da cidade de São Paulo, analisou 41 crianças e dentro dessas, 19 tinham idade para participar da categoria sub-13. Dentre os diversos testes realizados, os utilizados para mensurar a agilidade foi o illinois agility test que possuía a condução de bola, onde neste foram encontradas diferenças significativas entre as idades analisadas que foram de 9 e 12 anos, 10 e 12 anos e 11 e 12 anos.

O presente estudo concluiu que, quando comparadas às duas categorias sem bola entre sub-13 e sub-15 e com bola entre sub-13 e sub-15, não foram encontradas diferenças significativas para a realização do Illinois Agility Test (p<0,05).

Referências

FOGO, M. A; CHIMINAZZO, J. G. C; SANTOS, C. F. Avaliação da aptidão física em crianças de 09 a 12 anos praticantes de futebol. Anais – 14° Congresso Paulista de Educação Física – 3 a 5 de junho de 2010 – Fontoura – Jundiaí – SP.

MARIA, Thiago S.; ALMEIDA, Alexandre G.; ARRUDA, Miguel. Futsal Treinamento de Alto Rendimento. São Paulo – SP: Phorte, 2009.

MOHAMMADTAGHI, A. K; MANSOUR, S. S; KOUROSH, G. T; ASHRIL B. Y.Acute Effect of Different Stretching Methods on Illinois Agility Test in Soccer Players. The Journal of Strength and Conditioning Research, v. 24, n. 10, 2010.

SILVA, L.J.; ANDRADE, D.R.; OLIVEIRA, L.C.; ARAÚJO, T.L.; SILVA, A.P.; MATSUDO, V.K.R. Associação entre “shuttle run” e “shuttle run” com bola e sua relação com o desempenho do passe no futebol. Revista Brasileira de ciência e Movimento. 2006; 14(3): 7-12.

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Incidências de gols no futebol nacional e internacional

No futebol de alto nível, cada detalhe pode representar o êxito ou o fracasso de uma equipe (LEITÃO et al, 2003). O futebol é um esporte extremamente complexo, pois necessita de perfeita interligação entre os aspectos físicos, técnicos, táticos, psicológicos que geram componentes fundamentais do atleta (GOMES & SOUZA, 2008; BARROS NETO & GUERRA, 2004) e os fatores nutricionais também devem ser considerados para minimização dos efeitos da fadiga (AOKI, 2002; DINIZ DA SILVA, 2007).

O gol é o principal objetivo desta modalidade esportiva e o seu momento mais marcante. Os gols marcados tornam os jogos atraentes de se assistir e é o fator que pode melhor explicar toda paixão do torcedor por sua equipe e pelo espetáculo em si (DINIZ DA SILVA & CAMPOS JÚNIOR, 2006). Ele reflete o desequilíbrio de um ou vários desses componentes resultantes da preparação da equipe (LEITÃO et al, 2003).

Pesquisas revelam que as chances de gol aumentam no decorrer do tempo (DINIZ DA SILVA, 2006). Se torna cada vez mais evidente a utilização de recursos eletrônicos e da informática para diagnosticar o rendimento técnico-tático nos treinos e jogos, e essas informações cientificas podem auxiliar nas avaliações das equipes e dos jogadores (GARGANTA, 2001).

Podemos observar em todas as pesquisas que a maioria dos gols acontecem no segundo tempo versus o primeiro tempo, nossa primeira informação relevante desse estudo (Tabela 1).

 

As pesquisas indicam que, não importa o nível do evento (nacional ou internacional), ou o país no qual ele ocorre (América do Sul e Europa), o número de gols convertidos no segundo tempo de jogo é maior versus o primeiro tempo.

Todos os estudos buscaram também fracionar a partida em períodos de 15 minutos. Podemos observar que a maior incidência de gols foi convertido nos 15 minutos finais dos jogos, quando comparado aos outros períodos em todas as pesquisas, sendo a segunda informação relevante do nosso estudo (Tabela 2).

 


 

Podemos observar que, não importa o nível do evento (nacional ou internacional), ou o país no qual ele ocorre (América do Sul e Europa), a maior incidência de gols ocorre nos 15 minutos finais das partidas comparados as outras frações de 15 minutos.

O gol é o principal objetivo desse desporto, as equipes de futebol buscam a todo o momento a vitória, que acontece quando uma equipe consegue marcar mais gols que o adversário.

Com essas informações relevantes, a comissão técnica de cada equipe deve trabalhar os componentes fundamentais dos atletas, sejam físicos, técnicos, táticos, psicológicos e nutricionais, para que não haja queda de desempenho e não se entre em estado de fadiga, cheguando no período final em condições ideais para marcar gols e também para não sofrê-los.

Referências

AOKI, M. S. Fisiologia, Treinamento e Nutrição Aplicados ao Futebol. Jundiaí. Fontoura. 2002.

BARROS NETO, T. L.; GUERRA, I. Ciência do futebol. São Paulo: Editora Manole, 2004.

DINIZ DA SILVA, C. Fadiga: evidências nas ocorrências de
gols no futebol internacional de elite.
Lecturas Educación Física y Deportes, Revista Digital, Buenos Aires, Año 11, n° 97, 2006.
Disponível em: http://www.efdeportes.com/efd97/gols.htm – Acesso em 26 Abr. 2011.

______________________. Gols: uma avaliação no tempo de ocorrência no futebol internacional de elite. Lecturas Educación Física y Deportes, Revista Digital, Buenos Aires, Año 12, n° 112, 2007. Disponível em: http://www.efdeportes.com/efd112/gols-uma-avaliacao-no-tempo-de-ocorrencia-no-futbol.htm – Acesso em 26 Abr. 2011.

DINIZ DA SILVA, C; CAMPOS JÚNIOR, R. M. Análise dos gols ocorridos na 18ª Copa do Mundo de futebol da Alemanha 2006. Lecturas Educación Física y Deportes, Revista Digital, Buenos Aires, Año 11, n° 101, 2006. Disponível em: http://www.efdeportes.com/efd101/gols.htm – Acesso em 26 Abr. 2011.

GARGANTA, J. A análise da performance nos jogos desportivos. Revisão acerca da análise do jogo. Revista Portuguesa de Ciências do Desporto. Porto, vol. 1, n. 1, p. 57-64, 2001

GODIK, M. A. Futebol – Preparação dos futebolistas de alto nível. Editora Grupo Palestra Sport, 1996.

GOMES, A. G; SOUZA, J. de. Futebol: treinamento desportivo de alto rendimento. Porto Alegre, RS: Artmed, 2008.

LEITÃO, R. A; GUERREIRO JUNIOR, F. C.; ZAGO, L; MORAES, A. C. de. Análise da incidência de gols por tempo de jogo no campeonato brasileiro de futebol 2001: estudo comparativo entre as primeiras e últimas equipes colocadas da tabela de classificação (2003) Disponível em: http://www.unicamp.br/fef/publicacoes/conexoes/v1n2/6_analise.pdf – Acesso em 26 Abr. 2011.

MASCARA, D. I; CHIMINAZZO, J. G. C; FERREIRA, R; OLIVEIRA, L. F. de; LEAL, K.A; SILVA, C.S. da. Análise da incidência de gols no campeonato paulista 2007.. In Anais do XXX Simpósio Internacional de Ciência do Esporte – Mitos e evidências na atividade física e no esporte, 2007, São Paulo. Revista Brasileira de Ciência e Movimento – Suplemento Especial. São Paulo, SP: CELAFISCS, 2007. v. 15. p. 246-246.

MASCARA, D. I; CHIMINAZZO, J. G. C; FERREIRA, R; TRAMONTINA, J; DEL VECCHIO, F. B. Análise da incidência de gols no campeonato paulista 2008 – série A1.. In Anais do XXXI Simpósio Internacional de Ciência do Esporte – Da teoria à prática: do fitness ao alto rendimento, 2008, São Paulo. Revista Brasileira de Ciência e Movimento – Suplemento Especial. São Paulo, SP: CELAFISCS, 2008. v. 16. p. 246-246.

MASCARA, D. I. ; CALICCHIO, L. ; CHIMINAZZO, J.G.C. ; NAVARRO, A. C. . Análise da incidência de gols no campeonato paulista 2009: série A1, A2 e A3. RBFF. Revista Brasileira de Futsal e Futebol, v. 2, p. 42-46, 2010.

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Correlação entre o teste de agilidade com e sem bola em jovens praticantes de futebol

O futebol é um dos esportes mais conhecidos do mundo. É um esporte dinâmico que vem crescendo assustadoramente na questão tática, na técnica e especialmente em relação ao desempenho físico dos atletas.

A técnica busca o aprimoramento máximo dos fundamentos da modalidade, busca a realização de um movimento específico, com maior eficiência diante de um menor gasto energético.

Dentro dos fundamentos técnicos do futebol, temos a condução de bola que é o ato de se deslocar pelo campo de jogo com a posse de bola. Entre as principais capacidades físicas utilizadas no futebol temos a agilidade, capacidade muito importante para o futebol devido às atitudes curtas em relação ao seu tempo, algo que sem dúvida pode alterar resultados de partidas. É a capacidade na qual todos os jogadores, independente de sua posição, necessitam de aprimoramento. Durante as partidas, essa agilidade pode ser executada com a posse de bola ou sem a posse de bola.

O objetivo principal dessa pesquisa foi identificar a relação entre agilidade com e sem bola em jovens praticantes de futebol. Como objetivo secundário, pretende-se verificar o déficit técnico, que é a diferença entre o menor tempo de realização sem bola dividido pelo menor tempo de execução com bola.

Para obtenção dos resultados foi aplicado o Illinois Agility Test (Roozen, 2004 apud MARIA; ALMEIDA; ARRUDA, 2009), que avalia agilidade com e sem bola em jogadores de futebol.

Foram avaliadas trinta e seis crianças (10,4±1,2 anos), do sexo masculino, todos devidamente matriculados em uma escola de futebol da cidade de Mogi Mirim-SP, com uma média de 1,2 ± 0,8 anos de prática de futebol.
As médias apresentadas para o teste de agilidade sem bola (19,4±1,02) e o teste de agilidade com bola (26,9±3,3 segundos) apresentaram diferenças significativas (p< 0,05) e correlação fraca (r = 0,35). Já os resultados de déficit técnico são satisfatórios. A média do grupo foi de 73%, os valores são analisados em porcentagem e a criança que apresentou maior déficit técnico obteve 56% de aproveitamento. Já a criança que melhor desempenhou a atividade obteve 91%. Podemos concluir nesse estudo, que não há relação significativa entre o teste de agilidade com e sem bola. De acordo com os resultados de déficit técnico, nenhuma criança ficou abaixo dos 50%, e verifica-se que todos os sujeitos perdem um pouco de rendimento na agilidade quando colocado o componente bola. Portanto, é importante que os professores desenvolvam, nas aulas e nos treinos, atividades de agilidade com e sem a posse de bola, para que o aproveitamento não diminua. Bibliografia

MARIA, Thiago S.; ALMEIDA, Alexandre G.; ARRUDA, Miguel. Futsal Treinamento de Alto Rendimento. São Paulo – SP: Phorte, 2009.

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O futebol nas aulas de educação física escolar: proposta pedagógica baseada em João Batista Freire

“Quando vejo uma criança, ela me inspira dois sentimentos, ternura pelo que ela é, e respeito pelo que pode ser”.
 
Jean Piaget
 
 
Para Freire (2006), o futebol brasileiro foi gerado nos centros urbanos, onde se jogavam as famosas “peladas” nas chamadas várzeas. Com o processo de urbanização nas grandes metrópoles brasileiras, essas várzeas onde as crianças brincavam e jogavam bola foram desaparecendo. Então, as crianças que viviam nas grandes cidades encontraram nas quadras de futebol de escolas, clubes, condomínios, igrejas e locais possíveis para a prática, um refúgio para brincar e jogar bola, orientadas por professores ou não.
 
Na rua e nos “rachas” no campinho as crianças são livres, agem segundo a sua determinação, criam seu mundo de fantasias. Todo mundo ensina todo mundo, criança ensina criança, mais velho ensina mais novo. Até demonstram malícia e crueldade.
 
Como afirmamos anteriormente, o futebol é um fenômeno urbano, que era jogado na rua. Devido à eliminação desses espaços onde praticavam brincadeiras referentes ao futebol, com frequência cada vez maior, os alunos chegavam às escolas sem a experiência adequada, o que não permitia uma base para desenvolver suas habilidades esportivas. Portanto, a escola deve trabalhar as formas básicas de movimentos para enriquecer a motricidade da criança ou do adolescente.
 
Como apresenta Freire (2006, p.08), “escola não é rua e nunca será demais repetir isto. Professores são profissionais especialistas em ensinar e devem se orientar por idéias, teorias, princípios”, sem desconsiderar conhecimentos trazidos pelo aluno.
 
Concordamos com o mesmo autor em trabalhar com quatro princípios básicos norteadores: ensinar futebol a todos, ensinar futebol bem a todos, ensinar mais que futebol a todos e ensinar a gostar do esporte.
 
As práticas comuns do futebol na várzea, nos clubes ou nas escolas, costumam dar atenção somente para os mais habilidosos. O futebol deve ser ensinado a “todos”, “[…] de modo que aqueles que já sabem jogar futebol devem ser orientados para aprender a jogar melhor; aqueles que sabem muito pouco ou nada de futebol devem receber toda a atenção até que aprendam, no mínimo, o suficiente” (FREIRE, 2006, p.9).
 
É preciso ensinar futebol bem a todos. O autor acredita que todos podem jogar futebol de qualidade, alguns em menor, outros em maior tempo. Todo processo pedagógico exige paciência, mas se ensinarmos o mesmo, bem a todos, os alunos mostrarão habilidades para jogar futebol.
 
Além disso, devem ensinar mais que futebol a todos, mas também promoverem atividades onde os alunos aprendam a conviver em grupo, construir regras, discutí-las e até discordar, podendo mudá-las, para que haja uma rica contribuição para seu desenvolvimento moral e social. Contribuir para o desenvolvimento da inteligência do aluno, não pensando apenas no craque, mas em sua condição humana; discutir sobre os acontecimentos da aula, colocando-o em situações desafiadoras, estimulando-o a criar suas próprias soluções para situações- problemas e falar sobre elas, levando-o a compreender suas ações.
 
Devemos ensinar ao aluno gostar do esporte, ensinar o futebol com brincadeiras, com diversão, com carinho, com atenção, com liberdade, pois antes de qualquer ensinamento, o aluno precisa aprender a gostar do que faz, sem precisarmos enganar os alunos com promessas de um futuro glorioso e levá-los a engolir treinamentos exaustivos, práticas desagradáveis, tristes, repetitivas ou autoritárias e fazer com que acreditem que isso os transforme em futuros craques. É fácil entender que o aluno costuma gostar mais daquilo que lhe é prazeroso do que aquilo que lhe causa sofrimento.
 
Saber ensinar as crianças de uma maneira simples e de fácil entendimento, para que elas gostem do esporte e tenham prazer em praticá-lo, desenvolvendo suas habilidades com qualidade e competência. E principalmente transformar essa criança num futuro cidadão é uma das mais difíceis e desgastantes tarefas humanas – quem ensina sabe disso.
 
A escola não é o único lugar onde aprendemos e desenvolvemos coisas importantes. As brincadeiras de rua, jogos infantis, histórias/experiências de vida e muitas outras atividades fora do âmbito escolar serão fundamentais para o desenvolvimento motor e intelectual do aluno. Uma bagagem de experiências formará bases sólidas para a inteligência, afetividade e sociabilidade do aluno; por outro lado, uma bagagem pobre levará ao comprometimento dessas estruturas.
 
Na escola devemos promover atividades com qualidade para o aprendizado, preservando o lúdico. Preservar esse espaço lúdico, trazendo essa cultura para dentro da escola, é de grande mérito e prestígio para que esse aprendizado não perca seu ambiente natural. Mas é evidente e inevitável que adaptações sejam necessárias para se ensinar futebol na escola.
 
O autor Freire (2006) diz que esse conhecimento trazido pelo indivíduo durante toda a sua vida de fora do ambiente escolar não pode ser ignorado pelos professores. Temos que trabalhar em cima deste conhecimento durante as aulas de educação física escolar. Essa meta de construção de conhecimento, respeitando o universo cultural dos alunos, explorando a gama múltipla de possibilidades educativas de sua atividade lúdica, propõe tarefas cada vez mais complexas e desafiadoras.
 
“O construtivismo na área de educação física tem o mérito de considerar o conhecimento que o aluno previamente já possui, resgatando sua cultura de jogos e brincadeiras. A abordagem busca envolver essa cultura no processo de ensino e aprendizagem, aproveitando as brincadeiras de rua, os jogos de regras, as rodas cantadas e outras atividades que compõem o universo cultural dos alunos. Ela representa uma alternativa aos métodos diretivos de ensino, pois o aluno constrói o seu conhecimento a partir da interação com o meio, resolvendo problemas” (DARIDO & SANCHES NETO, 2005, p.11).
 
Portanto, a proposta privilegia o jogo como principal conteúdo, porque enquanto se joga ou brinca, a criança aprende em um ambiente lúdico e prazeroso. E a avaliação caminha no sentido de evitar punições, com ênfase no processo de auto-avaliação (DARIDO & SANCHES NETO, 2005).
 
Como mostra os Parâmetros Curriculares Nacionais, é preciso saber que:
 
“A proposta teve o méri
to de levantar a questão da importância de se considerar o conhecimento que a criança já possui na Educação Física escolar, incluindo os conhecimentos prévios dos alunos no processo de ensino aprendizagem. Essa perspectiva também procurou alertar os professores sobre a importância da participação ativa dos alunos na solução de problemas” (BRASIL, 1998, p.24).
 
Podemos perder um pouco desse ambiente de aprendizagem das brincadeiras de rua, mas com a inclusão de bons profissionais nas escolas, podemos produzir um efeito real positivo, para se ensinar futebol.
 
Não precisamos ter pressa. Principalmente quando se trata de criança, nada pode ser mudado na vida dela de um dia para o outro. Como cita Freire (2006, p.23), “[…] a criança, quando chega à escola de esportes, deve continuar brincando de esportes, sendo que as sistematizações para aquisição de técnicas devem ocorrer lentamente, sutilmente”. Seguindo o pensamento e adaptando nas aulas de educação física, precisamos que o aluno brinque de praticar esportes, jogos, lutas, ginástica; desenvolvam conhecimento sobre o próprio corpo; sejam expostos a atividades rítmicas e expressivas, blocos de conteúdos que devem ser trabalhados nas aulas de educação física apresentados (BRASIL, 1998).
 
O brincar de praticar esportes faz com que o aluno aprenda a construir suas habilidades motoras, combinar essas habilidades e socializá-las, enriquecer sua motricidade, favorecendo as construções intelectuais, sociais e motoras do (FREIRE, 2006).
 
Apresentamos uma proposta pedagógica, fundamentada por João Batista Freire, buscando acrescentar algo na formação dos profissionais que atuam na educação física escolar, para que tratem a disciplina com mais atenção e respeito, transformando a educação física em uma disciplina respeitada pelos alunos e corpo escolar, que não seja só a hora da diversão, mas da aprendizagem e do desenvolvimento psico-motor, sócio-afetivo e cognitivo-moral.
 
 
Bibliografia
 
BRASIL, Ministério de Educação e do Desporto. Parâmetros curriculares nacionais: terceiro e quarto ciclos: Educação física / Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília: MEC / SEF, 1998.
 
DARIDO, S. C; SANCHEZ NETO, L. O contexto da educação física na escola. In DARIDO, S. C; RANGEL, I. C. A. Educação Física na escola: implicações para a prática pedagógica. Rio de Janeiro, RJ: Guanabara Koogan, 2005.

FREIRE, J. B. Pedagogia do futebol. Ed. 2ª Campinas, SP: Autores Associados, 2006.

 

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Organização no planejamento de goleiros de futebol

Grande parte da graduação, o entendimento de se organizar para um treinamento ou uma aula é parte importante e uma das prioridades da matéria “Treinamento”. Mesmo assim, a duvida é o que colocar neste planejamento? 

Esta é a pergunta que vamos responder com este artigo, e claro, refletir o porquê de cada conteúdo, lembrando que este pensamento foi discutido no grupo de estudos Gepeff, desenvolvido na Faculdade Metropolitana de Campinas, e no Ceaf, desenvolvido no clube Paulínia Futebol Clube. Portanto, tentei assimilar o máximo de informação e criar algo para expandir nossos conhecimentos e experiências da prática e da teoria aplicada.

Como especialista em treinamento de goleiros, esta organização esta sendo pautada exclusivamente para os mesmos. Portanto, quando forem citados “atletas”, estou me referindo aos goleiros.
 
Procuro sempre declarar que o treinamento deve ser pensado em conjunto com a comissão técnica, de forma integrada, aplicando o conteúdo para um bem maior do grupo como um todo. 

A primeira grande área a se pensar não é a preparação física, a preparação técnica ou mesmo tática, e sim, o desenvolvimento do atleta que esta em suas mãos. Pensar em que fase sensível de desenvolvimento ele se encontra, pensar a formação dos atletas durante um processo de vários anos, sem deixar faltar fatores intrínsecos de aprendizagem desqualificando atletas em potencial. Sendo assim, é levar o atleta como pessoa e não só como atleta. Este pensamento minimiza erros de qualificação imediata.

Logo após este grupo, entramos na realidade de sua empresa, grande exemplo é o espaço físico, material adequado, método imposto, hierarquias, responsabilidades, metas e/ou obrigações.

Talvez este seja o ponto mais complicado, porque, por vezes, o resultado é tão importante (não podemos generalizar todos os clubes) que o processo fica de lado e seu planejamento seja quebrado completamente.

Goleiros! Todo goleiro tem sua especificidade e agora que podemos pensar o que trabalhar durante todos os anos de formação, é interessante pensar assim e ter um mínimo de treinadores especialistas desenvolvendo a mesma linguagem. Não podemos confundir linguagem com abordagem, o olhar de cada técnico é diferente, um grupo que discute o que pode ou esta fazendo para atingir seus objetivos é perfeito para a formação.

Uma dessas especificidades são as competências essenciais do goleiro, ou seja, o que o goleiro não pode deixar de possuir. Primeiramente, estou tentado quebrar o paradigma de que o goleiro só joga defensivamente e que é feito só para defender. Pelo contrário, o goleiro é uma “válvula de escape” (Erick André Martins defende muito este pensamento, um dos autores do grupo Ceaf). O atleta deve se posicionar para receber a bola em uma zona confortante e passar ou progredir com a bola até o momento da equipe sair da pressão exercida pelo adversário.

Para esta teoria de competências essenciais, devemos classificar da seguinte forma: estruturação de espaço, comunicação das ações, e relação com a bola, enfatizando as quatro grandes áreas do futebol (parte física, parte técnica, parte tática e emocional especificas da posição, lembrado que dependendo do seu objetivo e método, estas especificidades podem aparecer juntas ou separadas).

A estruturação de espaço é a ação organizada em um espaço que o atleta trabalha coletivamente e individualmente, podendo induzir o adversário para um local especifico, ou seja, é a estratégia de como você vai trabalhar para que sua tática ofensiva ou defensiva seja superior, causando a recuperação da bola ou a finalização ao alvo.

Comunicação da ação pode ser entendida como: se comunicar para que a estruturação da equipe esteja correta. Não é necessariamente uma comunicação verbal. Por vezes, um atleta (jogador de linha, neste caso) sabe que sua posição está preenchida por um outro e ele deve cobrir a posição do companheiro que está na posição dele. 

Relação com a bola é a técnica propriamente dita. Não podemos deixar de citar que, individualmente, o goleiro deve ser bem afinado nesta competência e desenvolver todas as habilidades citadas abaixo.

  • Habilidades defensivas
 
  • Tipos de defesa
     
 
  • Ações defensivas
 
  • Habilidades técnicas sem queda sem deslocamento
 
  • Habilidades técnicas sem queda com deslocamento
 
  • Habilidades técnicas com queda sem deslocamento
 
  • Habilidades técnicas com queda com deslocamento
 
 
 
  • Trajetória da bola
  • Rasteira
  • Pingando
  • Meia altura
  • Aérea
 
  • Habilidades ofensivas
 
  • Reposição de bola com os pés e com as mãos.
     
Grande observação é que a relação com a bola deve ser apresentada para todas as categorias, independente da idade. Ainda existe mais detalhamento das habilidades citadas, mas este artigo é para o planejamento e não para estas especificidades.

Em uma camada mais profunda do planejamento, devemos citar também as competências fundamentais que se baseiam em princípios adotados pela comissão técnica, os quais formarão um pensamento comum ao grupo. São os meios táticos desenvolvidos individualmente, em grupo ou coletivamente, para e junto com as competências essências a serem desenvolvidas de forma eficiente.

As competências fundamentais se desenvolvem em dois grupos: nos princípios operacionais de ataque e nos princípios operacionais de defesa Ambos acontecem ao mesmo tempo, portanto, enquanto o seu time ataca, a defesa está se estruturando para recuperar ou conter a bola.

Com os princípios operacionais já esclarecidos e dando suporte nas plataformas de jogo, devemos pensar nos meios táticos treináveis para o grupo. Este pensamento deve ir de encontro ao pensamento do técnico da equipe, dividido em: meios táticos defensivos, ofensivos, meios táticos de transição defensiva e meios táticos de transição ofensiva. 

Ainda existem outras duas partes para completar o planejamento, sendo elas competências específicas e competên
cias contextuais. A competência específica trata da manipulação de atividades. Hoje, no Paulínia Futebol Clube, essas atividades são realizadas em contexto de jogo, em todas as competências, para podermos simular situações de jogo formal, sem especificar o campeonato ou o jogo do fim de semana. O pensamento é passar para o grupo como fazer e porque fazer.

Já a competência contextual é o desenvolvimento dos treinos para o campeonato, objetivando o ponto forte da equipe ou mesmo como jogar aproveitando os pontos fracos do adversário. Claro que o processo fará com que este momento contextual seja melhor aproveitado.

Por fim, devemos pensar no processo. Será que podemos ensinar tudo de uma só vez para os atletas? Ou mesmo, será que meu grupo está preparado para tal conteúdo ou devo me policiar de como vou intervir para que este conteúdo seja familiarizado por todos?

Aí está a inquietação treinadores! Todo este trabalho se desenvolve no Paulínia Futebol Clube há quatro anos, claro que com maior profundidade e agora está sendo discutido no Gepeff, um dos grupos da Metrocamp que está inquieto com este pensamento e descobrindo novas formas de se planejar.

*1Graduando na Faculdade Metropolitana de Campinas – METROCAMP – Participante do Grupo de Estudo e Pesquisa em Futebol e Futsal – GEPEFF – Metrocamp, Campinas – SP.

*2Professor Metrocamp e Unipinhal. Coordenador do Grupo de Estudo e Pesquisa em Futebol e Futsal – GEPEFF – Metrocamp, Campinas – SP.