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Viajar nas férias

Acredito que deveríamos ter uma mudança na legislação trabalhista nacional.

Que, nas férias, todo homem deveria ter não só o direito, mas o dever de viajar.

Esse cenário compulsório, garantido como princípio básico de bem-estar profissional e pessoal, deveria ser complementado com algo na linha de “e quanto mais longe e mais diferente o destino da viagem, melhor”.

Não estou falando do direito, já existente, ao período de férias para ficar em casa.

Invoco o pensamento do pai da língua espanhola e grande romancista Miguel de Cervantes, para defender meu pleito:

“Andar por terras distantes e conversar com diversas pessoas torna os homens ponderados”.

Cervantes escreveu um dos mais importantes e originais romances da história, qual seja, Dom Quixote de La Mancha, em 1605 e 1615.

Na trama, o protagonista, oriundo da pequena nobreza castelhana, é ávido leitor de romances de cavalaria, cujas histórias relatavam os feitos de nobres homens sempre com nuances de aventuras idealizadas.

De tanto ler, acaba por acreditar que as aventuras e desventuras dos seus heróis aconteceram de verdade e resolve se lançar em sua própria jornada pela Espanha, junto ao seu fiel escudeiro, Sancho Pança, e ao cavalo Rocinante.

Naturalmente, da diferença entre a projeção idealizada e a realidade encontrada na viagem, Quixote percebe que é justamente isso que tempera e dá gosto à vida.

Existe muita coisa interessante para ser vista e experimentada em terras distantes. No futebol não seria diferente.

Não se trata, simplesmente, de se negar que há coisa boa em nossa paróquia, em nosso terreiro.

Ao contrário, apenas buscar o discernimento no novo, no inusitado, no diferente.

Metaforicamente, o futebol brasileiro foi chamado à reflexão no recente jogo entre Barcelona e Santos pelo Mundial de Clubes.

Creio que todos os envolvidos nesse cenário deveriam ter suas viagens de férias – reais ou imaginárias – para, ao regressar, tornar-se pessoas e profissionais mais ponderados, em prol da evolução administrativa do futebol brasileiro.

Alguns destinos recomendados no exterior, além de Madrid e Barcelona, podem ser Londres, Manchester e Liverpool (onde há uma importante universidade dedicada à indústria do futebol), Milão, Alemanha (a Bundesliga realiza um trabalho fantástico), Portugal (entender a dimensão humana do futebol em Lisboa com Manuel Sérgio).

Para os que preferem o Novo Mundo, valeria a pena ir aos Estados Unidos para conhecer de perto o lado do showbiz e do sportainment, em especial no basquete, futebol americano e hóquei.

Boas férias a todos.

Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br

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Driblando o Natal longe de casa

Para os brasileiros em geral, o Natal é um momento para celebrar, agradecer, dar abraços carinhosos, desejar o “tudo de bom” e pedir a renovação. Cada um celebra de uma maneira diferente, como pode, faz a ceia a seu modo. Uns vão para a praia ou viajam, outros permanecem nas cidades. Há quem ame e espere as festas com uma ansiedade gos¬tosa desde outubro! Mas um detalhe é unânime do Oiapoque ao Chuí: a noite (e o dia) de Natal foi feita para estar em família. Os corações ficam maiores e todos são bem vindos! Quanto mais gente, mais legal e especial fica. Não é?

Bem, assim idealizamos. Mas o que fazer se você está longe, muito longe, jogando em campos estrangeiros, geograficamente impossível de estar com todas essas pessoas amadas?

Conheço jogadores que se deprimem e ficam desolados gastando minutos a fio aos prantos no telefone. Sofrimento dos dois lados da linha, pouca celebração… Contudo, também conheço aqueles que se permitem vivenciar o Natal de um jeito diferente e criativo. É momento para comemorar a vida, certo? Então, se você está do outro lado do oceano, faça-o de um jeito diferente! Sem comparações… é di-fe-ren-te.

É como estar em um grande campeonato, e a cada time que se enfrenta, há uma estratégia nova, um jogo diferente. É necessário jogo de cintura (e de adaptação!) para se dar bem a cada situação. A vida é um grande campeonato, certo?

Bem, é sinal de amor e cuidado telefonar e derramar lágrimas com um saudoso “Feliz Natal, mãe!”, “Queria estar aí com vocês, gente”. Mas positivo e saudável é desligar o telefone, limpar as lágrimas, e desfrutar o que a vida lhe oferece onde você está. Como é passar o Natal na Espanha? E no Vietnã? Como eles festejam? O que eles pensam dessa comemoração? O que eles comem? Você sabe? Não tem peru e farofa? Nem roda de samba?

Ainda bem! Deixe para comer isso na volta, no Natal que vem. Nesse país novo deve-se comer outras coisas deliciosas. Experimente!

Para o bem-estar emocional e riqueza de aprendizado, sugiro que se planeje carinhosamente o momento. Se dê esse presente: uma noite que pode não ter presentes materiais e nem muita gente por perto, mas tem você mesmo, se alimentando de bons pensamentos, aprendendo algo novo, comendo algo inusitado, exercitando a sua criatividade e capacidade de ser seu melhor amigo! Acredito ser um grande benção você estar aí.

Jogar em um clube estrangeiro não deveria apenas ser um espaço para melhorar as habilidades técnicas com a bola. Quando bem aproveitada, a experiência é uma oportunidade de sofisticar habilidades emocionais e comportamentais, como a flexibilidade, criatividade, força emocional, resiliência, determinação.

Lembre-se que a gente tem sempre o poder de dar a cor e o brilho para os momentos da vida. Amo o Natal em família, como amo! Mas quando me vi sozinha na Inglaterra cinzenta e gelada, resolvi buscar o charme da situação e perguntar a mim mesma quais seriam os planos B, C e D que me deixariam satisfeita e possibilitariam desfrutar o momen¬to e a oportunidade de estar por lá. Achei a resposta e valeu a pena! Não doeu tanto e o mais legal foi que me dei conta que posso contar comigo mesma. Pense, também, que os vínculos formados quando se está longe, se tornam um pedaço da nossa família. Divida com eles seu coração cheio de amor e carinho.

Aproveite para fortalecer os laços com quem está longe. Mande aquela carta ou email, dizendo aquilo tudo que muitas vezes presencialmente não se tem coragem. A distância é física, mas os corações certamente estão mais perto do que nunca.

Gosto de lançar desafios que tornam as pessoas mais fortes, e por isso, deixo aqui um presente (que não é de grego!) para aqueles que aceitarem a brincadeira: o que você vai fazer para que o seu Natal em 2011 seja especial, diferente e feliz?

*Gabriela Ribeiro é psicóloga com formação na PUCRS, em Porto Alegre. Há 5 anos vem recebendo profunda formação na metodologia Intercultural Training®, desenvolvida pela Equipe Andrea Sebben. através de sua longa trajetória de estudos e trabalhos na Europa e Brasil. Fez cursos de formação nas Ciências Interculturais em países como o Chile, Argentina, Venezuela, Costa Rica e Colômbia. Ministra palestras e Treinamentos Interculturais em todo Brasil, em diversos idiomas, é colunista da Revista Falamos Português na Austrália, e também membro da IACCP. Gabriela já morou na Inglaterra e Nova Zelândia.