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Treinamento funcional no futebol

O livro Treinamento funcional no futebol baseia-se na experiência profissional dos autores, na leitura de textos especializados e nos artigos científicos específi cos e atualizados.

As áreas da Ciência do Treinamento Desportivo, Anatomia e Análise do Movimento são abordadas de maneira clara e objetiva, permitindo aos leitores um entendimento fácil e rápido do o tema.

Sobre a obra, o professor doutor José Elias de Proença diz: “Além de fundamentar cientificamente cada uma das vertentes, apresenta propostas compatíveis com o estágio de desenvolvimento motor do atleta e com a fase de aprendizagem motora em que se encontra. Ainda considerando os aspectos do treinamento funcional apontados, Sandro Sargentim e Thiago Passos descrevem com clareza cada exercício para orientar todos aqueles que queiram aplicá-los”.

Alunos e professores de Educação Física e Fisioterapia, técnicos e preparadores físicos, atletas e fãs do futebol não podem deixar de apreciar esta obra!

Sobre os autores

Sandro Sargentim é graduado em Educação Física pelas Faculdades Integradas de Guarulhos(FIG); especialista em Fisiologia do Exercício pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/CEFE); em Treinamento Resistido na Saúde, na Doença e no Envelhecimento pela Faculdade de Medicina da USP/HC-CECAFI e em Treinamento Desportivo pela UniFMU. Preparador físico de futebol desde 1999. Atualmente, preparador físico do Sport Club Corinthians Paulista sub-20, desde 2005 e Coordenador de Preparação Física de futebol amador do Sport Club Corinthians Paulista

Thiago Ferragut de Almeida Passos é especialista em Performance Humana – National Academy of Sports Medicine (NASM). Mestre em Ciências do Esporte pela California University of Pennsylvania. Professor palestrante da Empresa “Arte da Força”. Especialista em Avaliação Funcional do Movimento pela FMS (Functional Movement Screen), com Gray Cook e Lee Burton. Certifi cado Especialista em Força e Condicionamento pela NSCA (National Strength and Conditioning Association).

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Pioneiros

Com o subtítulo de ‘Deus criou a bola. E o homem descobriu o que fazer com ela’, o jornalista Orlando Duarte mostra no livro “PIONEIROS” a história do futebol através de uma viagem pelo tempo, registrando em um diário de bordo. O livro traça a trajetória do futebol, a evolução das regras, a história de fundação dos principais clubes de futebol no Brasil e ainda traz imagens históricas.

 

Curiosidades da história do futebol

– o futebol começou a ser praticado na China, no ano de 2600 a.C., com uma bola feita de crina de cavalo. Era o tsu-chu, um treinamento militar da época do imperador Huang-Ti, que representa o registro mais antigo do jogo de bola com os pés.

– no Japão, surge o gandula: escravos pegavam a bola chutada pelos nobres, que caia nos campos. O futebol era praticado com bola de fibra de bambu e foi batizado de kemari.

– o gol surge na Grécia Antiga, no século 3 a.C., quando os times disputavam o epyskiros, um jogo de bola num campo com linha de meta, ao fundo de cada lado do campo, pela qual a bola devia passar para obtenção de pontos. A bola era feita de bexiga de boi coberta por uma capa de couro – uma evolução!

– na América pré-colombiana, na região onde hoje é o Haiti, em 1400 a.C., o futebol era chamado tlachti, praticado com bola de borracha; já no atual México, o líder do time perdedor era oferecido aos deuses como sacrifício.

– no século 2 a.C., o Império Romano jogavam o harpastum, disputado com bola de bexiga de boi chamada follis, já com jogadores atuando em posições e com uniformes distintos. Os romanos foram responsáveis pela implantação do jogo por toda Europa e Ásia.

– na França medieval, o jogo de bola com os pés se chamava soule. Na época de Henrique II começou a ter regras, mas com número de participantes que variava conforme a região.

– em Florença, o Renascimento desenvolve a peleja de bola, com 27 jogadores de cada lado, que levou o nome de calcio (pontapé). O giocco di calcio faz parte da tradição florentina até hoje, quando no dia 24 de junho há disputas na Piazza Santa Croce.

– na Inglaterra medieval, por volta de 1.175, o jogo de bola é um passatempo entre os bretões. O rei Eduardo II (1314) proibiu o jogo, mas os militares continuavam praticando entre uma batalha e outra; e a cada dia o jogo de bola se popularizava. Até Shakespeare colocou o esporte na peça Rei Lear (1606). Foi a partir do século 18, que o esporte adota o nome football e começa a ser praticado por jovens de famílias tradicionais que jogavam rúgbi e críquete.

– em 26 de outubro de 1863, na taverna Freemason, em Great Queen Street, são elaboradas as regras do futebol com a fundação da The Football Association.

– em 1868 surge a figura do árbitro.

– em 1872 é realizado o primeiro jogo internacional entre Escócia e Inglaterra, e os marinheiros ingleses ajudam a propagar o football pelo mundo.

– em 12 de outubro de 1894, Charles Muller volta ao Brasil – depois de dez anos de estudos na Inglaterra – com uma bola de couro que enchia com ar. O pai do futebol brasileiro faz do Brás, em S.Paulo, o berço do futebol brasileiro.

No outono de 1895, Charles Muller convida uns amigos para disputar uma partida de futebol, na Várzea do Carmo (perto da Rua do Gasômetro e Rua Santa Rosa – no Brás). Os times começam a se formar com trabalhadores das empresas inglesas, brasileiros natos, imigrantes.

 

O futebol e os primeiros clubes brasileiros

– em 13 de maio de 1888, enquanto a Lei Áurea era assinada pela princesa Isabel, é fundado o São Paulo Athletic Club por ingleses da São Paulo Railway Company, Bolsa de Valores e do Hospital Evangélico.

– em 1898, é criada a Associação Atlética Mackenzie, em São Paulo; e em 1899 o Sport Club Internacional, seguido do Sport Club Germânia (da colônia alemã).

– em 1900, o Clube Atlético Paulistano, seguido dos clubes populares praticados em quase todos os bairros de São Paulo.

– no Rio de Janeiro, em 1901, Oscar Cox introduz o futebol em disputas na Praia da Glória, com o Rio Team.

– em 1901, os jogadores do Rio de janeiro vieram a São Paulo para a primeira disputa entre estados, que terminou em 1 X 1.

– fundação dos primeiros clubes paulistas – Corinthians (1910), Santos (1912), Palestra Itália (1914) São Paulo (1935), Noroeste (Bauru -1910), Paulista (Jundiaí-1900), Guarani (Campinas-1911), Comercial (Ribeirão Preto-1911), São Bento (Sorocaba-1913).

– fundação dos primeiros clubes cariocas – Fluminense (1902), Flamengo (1903), Botafogo (1904), Vasco da Gama (1913), Bangu (1904), América (1904), Americano (1914), Madureira (1933), Olaria (1915).

Sobre o autor

Orlando Duarte – 80 anos de idade, mais de 50 de jornalismo esportivo, cobriu 14 Copas do Mundo, 8 Olimpíadas, escreveu 30 livros e trabalhou nos principais veículos de imprensa do Brasil. É respeitado internacionalmente e conhece 101 países por conta de coberturas do esporte.

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Além do escudo: os clubes de futebol como marca

A definição de marca acompanhou a transformação de hábitos de consumo da sociedade e a evolução do mercado publicitário. Deixou de ser apenas “um nome, símbolo ou design que identifica o produto ou serviço de uma empresa” para ser “o que pessoas falam, sentem e pensam sobre seu produto, serviços ou empresa”.

Os casos mais bem sucedidos de empresas que nos últimos anos transformaram suas marcas em conceitos e experiências incluem Coca-Cola, Disney e Red Bull. Sua marcas vão muito além de sua logomarcas e conseguem despertar nas pessoas visões de alegria, magia e ação, tudo graças a ações publicitárias, conteúdo de mídia e ativações criativas.

Pense na marca de cerveja Skol. O que vem a sua cabeça? A seta vermelha rodopiando em formato de “O” ou a visão de verão, praia, gente jovem e amigos? Ou será que é a visão daquela tremenda ressaca que você teve no último churrasco? Sim, porque marcas também estão ligadas a experiências do consumidor.

Foi justamente definindo suas marcas e mantendo suas ações de marketing fiéis a conceitos estruturados que as principais organizações com foco no consumidor conseguiram estabelecer um relacionamento que vai além da simples compra para incorporar conceitos de fidelidade, advocacia e admiração. Com clubes de futebol não deveria ser diferente. Pelo contrário, o esporte proporciona valores experiências tão fortes que são capazes de fortalecer até marcas através da simples associação. O chamado patrocínio esportivo.

Porém, enquanto empresas se esforçam para agregar valores a suas marcas através do esporte, a maioria dos clubes brasileiros parece estar presa à velha definição de marca. De fato, me proponho a dizer que a maioria dos clubes brasileiros não possui uma verdadeira marca.

Imagino agora os protestos de alguns dirigentes: “o clube possui mais de 500 produtos licenciados, como assim não temos marca?”. Ou alguns especialistas financeiros dizendo: “li um relatório que dizia que o valor da marca do Corinthians era quase R$ 1 bilhão!”. Ou até mesmo alguns torcedores esbravejando: “meu clube é paixão, não é marca!”. Esses três argumentos exemplificam bem os equívocos formados quando tratamos de marcas de clubes de futebol.

1. Marca não é escudo

Toda marca possui símbolos que são registrados em seu nome. Com clubes de futebol não é diferente. Escudos, uniformes e até hinos são elementos de sua marca que podem ser licenciados. O símbolo do clube estampado em uma caneca gera receita para o clube, mas o que a construção da marca faz é garantir que o valor que eu atribua a essa caneca seja maior.

Licenciamento não constroi ou define uma marca, ele apenas explora símbolos do clube que podem ter mais ou menos valor para o consumidor dependendo dos atributos intangíveis que estejam associados à marca.

2. Marca não é valor econômico

Todo ano a BDO RCS publica seu estudo avaliando as marcas dos maiores clubes de futebol do Brasil. O estudo adota metodologia semelhante àquela aplicada pela empresa Brand Finance no mercado europeu e vem se tornando referência na avaliação do potencial comercial dos clubes brasileiros. Entretanto, a marca de um clube de futebol não é definida por dados financeiros históricos dos clubes ou informações sociais e econômicas de sua torcida. Marcas são definidas por elementos intangíveis como percepções, mensagens e ações.

3. Marca não é campanha

O torcedor está absolutamente correto. Na visão dele, o seu clube é paixão, e não marca. Porém, é justamente essa conexão emocional que torna a marca dos clubes tão poderosas, podendo obter níveis de fidelidade acima de qualquer produto comum.

Marcas refletem experiências. O escudo do clube representa para o torcedor todo o sofrimento e alegria que ele já teve seguindo o time. O equívoco neste caso está em como o clube explora essa paixão para tranformá-la em resultados.

Fazer campanhas pontuais, de curto prazo e cada vez explorando ângulos diferentes pode trazer resultados esporádicos, mas não contribui para a lealdade do torcedor (lealdade nesse caso não é torcer ou não para o time, mas sim a propensão para comparecer a jogos, acessar informações sobre o clube e comprar produtos).

Criar uma marca não é questão de sentar na mesa e escrever “somos um clube de tradição”. Em conversa com Esteve Calzada, ex-diretor de marketing do Barcelona, ele me contou que o clube demorou mais de 50 anos para definir seu slogan “Més que un clube”, e que mesmo assim a marca vem sendo gradualmente construída ao longo dos anos, se adaptando ao estilo de jogar do time e às ações fora de campo, como a parceria com a Unicef.

Trabalhando no Manchester City, tive o prazer de ver uma das maiores transformações já ocorridas em um clube no futebol mundial. A construção de uma marca que refletisse a história do clube e sua ambição, além de sustentar o crescimento tanto em torcida global, quanto em receitas, obteve prioridade máxima para a diretoria.

A definição clara da marca foi feita através de duas etapas: a primeira foi definir como o clube era visto por sua torcida e até mesmo por rivais. Um processo minicioso que envolveu a torcida e pesquisas de marketing, grupos de foco e análises históricas.

A segunda etapa envolveu dirigentes e pesquisas de mercado para definir onde o clube queria chegar e como queria ser visto. O resultado foi uma estrutura de marca que envolve definições como essência, personalidades, pilastras de suporte e representações.

No caso dos clubes brasileiros as marcas estão em muitos casos escondidas sobre uma camada de campanhas pontuais, esperando que profissionais de marketing esportivo qualificados a tragam a tona e colhem os resultados. Felizmente o recente ingresso de profissionais publicitários nos principais clubes brasileiros ajudará esse processo.

Cada clube brasileiro terá valores específicos que podem ser explorados de forma consistente, seja o Vasco com a sua história de luta contra a discriminação ou o Flamengo com a conexão com o “povão”. O importante é que o ângulo explorado seja legítimo e com base no potencial de diferenciação.

A marca cria expectativas. Ela define quem você é e como você opera. Em essência, a marca é uma promessa – uma promessa que precisa ser mantida. A experiência fornecida ao torcedor e ao patrocinador e à comunicação adotada é o cumprimento dessa promessa. Cabe aos clubes destacarem o que eles representam e utilizar esses valores para criar um relacionamento ainda mais profundo com o torcedor e seus parceiros.

Para interagir com o autor: claudio@universidadedofutebol.com.br
 

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Inconstância não é regra

Inconstância não é regra, não serve como parâmetro e não deve ser modelo a ser seguido. Primeiro, que o próprio nome já diz tudo, sendo sinônimo de instabilidade, variação, diversidade e por aí vai.

Contudo, a opinião pública, de um modo geral, ignora completamente esta prerrogativa. Trata resultados extraordinários como ordinários, tanto quando algum clube sobe ou desce de divisão ou mesmo faz uma campanha pontual com algum destaque.

Os casos mais recentes, de Ponte Preta, Guarani e Portuguesa, são os que mais saltam os olhos. Até dezembro, a Lusa (ou “Barcelusa”) era exemplo de gestão, por conta da campanha feita na Série B, que a trouxe novamente para a Série A. Hoje, pouco mais de quatro meses depois, críticas duras são feitas ao clube pelo rebaixamento no Campeonato Paulista.

Os tradicionais clubes de Campinas seguem uma máxima muito semelhante. Ponte Preta e Guarani vivem momentos de fama após alguns anos no ostracismo. O Bugre, mesmo, esteve mais próximo das páginas policiais ao invés dos cadernos esportivos – isto há pouco tempo.

Enfim, ficamos nos exemplos paulistas apenas para não ultrapassar o espaço desta coluna, mas a narrativa e os casos neste nível são vastos. Serve para reforçar que o conceito de gestão profissional é complexo, ao contrário do que muita gente pensa, e está longe de ser sinônimo de semifinal de campeonato ou resultado pontual em competições em um espaço curto de tempo.

Gestão profissional é fruto de um processo linear e constante. Tende a seguir um padrão ao longo do tempo. É, de fato, uma forma contínua de conhecimento interno e externo visando ao desenvolvimento organizacional no longo prazo.

Assim, como ninguém (ou poucos clubes) adota um modelo de gestão profissional, sendo que até mesmo os grandes clubes possuem dificuldade de a implantar de maneira perene, é possível, sim, imaginar que juntando alguns bons jogadores com um treinador que “grita bem alto” na beira do campo pode-se acabar conquistando resultados pontuais de expressão.

Mas não se espantem se os mesmos jogadores, com o mesmo treinador, forem rebaixados no ano seguinte. Aquele velho ditado serve muito bem: “em terra de cegos, quem tem olho é rei”.

O fato é que inúmeros fatores conduzem a um resultado extraordinário e o mesmo não está intrinsecamente ligado aos 11 (ou 30) jogadores e sua respectiva comissão técnica. Todas as vezes que temos o componente humano como o ponto central para que isto ocorra, a instabilidade está presente permanentemente. A forma de controlá-la (ou minimizar os sobressaltos) em um ambiente instável como o futebol é a partir de um longo processo de gestão, que abrace desde a parte técnica até a área administrativa e de negócios do clube.

Desta maneira, encerramos para dizer que pode ser verdade que os resultados extraordinários de hoje dos exemplos citados podem ser um indicador de início de um trabalho sério de profissionalização. Mas esta resposta só conseguiremos dar daqui a pelo menos 10 anos, que é um período razoável para a inserção de uma cultura de administração profissional. Aos colegas do Estado de São Paulo, será que conseguimos perceber este indício aí nos clubes citados como exemplo?

E que tratemos a inconstância tal e qual ela é: INCONSTANTE.

Para interagir com o autor: geraldo@universidadedofutebol.com.br

 

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Decodificando o código do talento

Acabo de reler “O Código do Talento”, livro que em minha opinião é indispensável para quem quer entender como desenvolvemos nossas habilidades especiais e talentos em praticamente qualquer área, tais como música, literatura, computação ou esporte.

É de certa forma surpreendente que uma obra tão instigante como esta, que aborda questões como genética, sistema nervoso, comportamento, educação e aprendizagem, não seja escrita por algum emérito neurocientista, psicólogo ou pedagogo ligado às grandes universidades produtoras de conhecimento, mas sim por Daniel Coyle, um escritor e jornalista esportivo que reside em uma cidadezinha com menos de 10 mil habitantes no isolado estado americano do Alasca, chamada Homer.

Este fato talvez limite alguns aprofundamentos, mas nem por isso deixa de provocar reflexões críticas naqueles que se interessam sobre o assunto.

Para demonstrar que nossas antigas visões sobre talento – enquanto dom divino ou algo essencialmente herdado – devem ser superadas, Daniel Coyle coloca como personagem principal de seus argumentos a mielina, substância que, com o treinamento adequado, forma camadas envolvendo as fibras nervosas, capaz de acelerar a transmissão dos impulsos nervosos, desenvolvendo e aperfeiçoando nossas habilidades, quaisquer que sejam elas.

Procura descrever, assim, uma fisiologia da aprendizagem que dará base para se compreender os processos diferenciados que criam os talentos nos mais diferentes campos de atuação da atividade humana.

Para desvendar os mistérios da aprendizagem o autor estudou intensamente o assunto e, durante quase dois anos, visitou aquilo que ele denominou de fábricas de talento; locais muitas vezes sem muita infraestrutura, mas que produziam grandes jogadores de tênis (em uma pequena academia na Rússia), instrumentistas musicais (em uma escola nada sofisticada de música em Dallas, Estados Unidos), escritores (em um pequeno vilarejo no interior da Inglaterra) ou ainda jogadores de futebol (em quadras de futsal em São Paulo), entre outros modelos descritos ao longo do livro.

O “Código do Talento” alicerça-se em três pilares básicos para tentar decifrar como podemos nos tornar melhores ou bem sucedidos naquilo que fazemos: a) treinamento profundo (práticas especiais), b) ignição (motivação especial) e c) o grande treinador (mestre especial).

Veja abaixo um resumo destes três pilares:

TREINAMENTO PROFUNDO – Recebe este nome as práticas que não se limitam apenas às repetições mecânicas de certas habilidades. Para que ocorra um treinamento profundo é preciso um envolvimento íntimo do aprendiz com a habilidade desejada, alimentada por um intenso desafio interno. Contrariando princípios pedagógicos e metodológicos ainda muito adotados, os erros e a forma com lidamos com eles, têm papel estratégico no ato de aprender de forma diferenciada.

Neste sentido o autor comenta: “para nos tornarmos bons em alguma coisa, ajuda muito estarmos dispostos a falhar e até ficarmos satisfeitos com os erros”. E nos oferece como exemplo clássico a aprendizagem do ato de andar dos bebês que, através dos erros e acertos, chegam à habilidade desejada.

IGNIÇÃO – É o termo que Daniel Coyle escolheu para resumir a energia, a paixão, o compromisso que o aprendiz precisa ter para tornar o treinamento profundo eficaz, ou seja, para que o treinamento seja realmente profundo. Em outras palavras, ignição representa uma motivação e entusiasmo especiais pela aprendizagem de determinadas habilidades.

Esta motivação e este entusiasmo costumam ser contagiantes e são inspirados por padrões, referências ou modelos que criam verdadeiros ambientes de aprendizagem, independentemente de existir ou não uma infraestrutura considerada mais adequada (instalações, equipamentos modernos etc.). O futebol de rua (“pedagogia da rua”), praticado em muitos lugares no Brasil, pode ser considerado um bom exemplo deste ambiente favorável de aprendizagem.

O GRANDE TREINADOR – É o terceiro elemento ou pilar que sedimenta o processo de aprendizagem diferenciada, voltado para o desenvolvimento do talento ou do “fora de série” na prática de determinadas habilidades.

O perfil deste treinador, mestre ou professor, entretanto, não se resume – como muitas vezes entende o senso comum – a um profissional que seja um grande líder impositivo, conhecedor das técnicas que se propõe a ensinar ou alguém capaz de executar com precisão a habilidade que ensina.

Defende a teoria que acredita que “o papel do professor é ser alguém que facilita a aprendizagem e guia os alunos individualmente ou em pequenos grupos, e não mais aquela figura que se posta diante da turma para comunicar-lhe seu conhecimento e ser o centro das atenções”.

Para isso precisa, consciente ou mesmo intuitivamente, conhecer as características, particularidades e nuances do aprendiz e saber como ele pode realizar o treinamento profundo, com disciplina, compromisso, intensidade, entusiasmo e paixão.

O autor chega a afirmar que para que estas coisas possam acontecer é necessário estabelecer-se uma relação de amor entre eles. Neste sentido, muitas vezes os considerados “professores medianos” são os que obtêm melhores resultados. E cita: “Estavam (os professores) motivando os alunos, levando-os a dedicar àquela atividade uma energia e uma atenção incomuns, típicas do processo que chamei de ignição, além de mantê-los motivados a esse ponto. Estavam ensinando amor”. Nesta direção dá a entender também que o ato de ensinar é mais arte do que ciência.

No epílogo deste fascinante livro, Daniel Coyle arrisca fazer uma representação esquemática do “código do talento”, como apresentado abaixo:

Enfim, “O Código do Talento” é um ensaio que recomendo tanto para professores, treinadores, executivos, como para pais que têm dúvidas sobre como conduzir e orientar seus filhos. Sua leitura, com certeza, é um investimento para a vida.

*Texto originalmente publicado no Blog do Medina