Por: Luis Filipe Chateaubriand
É comumente difundida a ideia de que administrar uma Organização é algo composto de planejamento, organização, direção e controle. Dos quatro conceitos mencionados, o planejamento é o principal, o mais importante, o que deve nortear todos os outros.
Planejar consiste em estabelecer objetivos de curto, médio e longo prazo, assim como os meios de obtê-los. Sucede que, no Brasil, o conceito de planejamento não é devidamente valorizado.
Há razões históricas para isso, pois a colonização portuguesa foi baseada na extração de minerais preciosos, os mancebos vinham para cá para conseguir riqueza e voltar à metrópole portuguesa. Uma visão, claramente, de curto prazo, quando o planejamento deve contemplar o longo prazo.
Portanto, organizações brasileiras, em geral, têm falhas no planejamento… e não seria diferente no futebol.
No futebol, o planejamento significa organizar toda a temporada antes dela começar, considerando vários fatores, tais como montagem do elenco, definição do treinador e da comissão técnica, calendário de competições, controle financeiro. desenvolvimento das categorias de base, estratégia de contratações e vendas de jogadores.
Clubes que planejam bem evitam decisões impulsivas, como demitir técnicos a cada derrota ou contratar jogadores apenas pela pressão da torcida. Clubes que planejam mal ficam presos ao imediatismo, ao empirismo, ao paternalismo.
A troca de treinadores é um dos aspectos marcantes do mau planejamento, trocar de técnico muitas vezes prejudica a implantação de uma filosofia de jogo.
Decisões emocionais são tomadas com base em pressão da torcida, da imprensa ou de resultados imediatos, o que também denota mau planejamento.
Mais um indício de mau planejamento são os dirigentes amadores, que não tem formação em Gestão e que não são oficialmente remunerados.
E mau planejamento também é detectado em clubes que têm dívidas exorbitantes, não há orçamento, ou este é mau concebido ou não cumprido. Um problema recorrente, em termos de planejamento, não diz respeito a um clube específico, mas sim ao conjunto de clubes: o calendário imperfeito, irracional, anacrônico, do futebol brasileiro.
Este escriba é especialista no assunto.
Há exemplos de clubes que melhoraram seu desempenho a partir do planejamento.
O Flamengo, de 2013 em diante, a partir do planejamento, resgatou dívidas colossais, aumentou receitas e ganhou muitos títulos.
O Palmeiras, a partir de um presidente que emprestou dinheiro para pagar dívidas e de uma patrocinadora poderosa, que ditaram caminhos, conseguiu se reerguer.
O Athletico Paranaense é frequentemente citado como exemplo de gestão moderna, com forte planejamento de infraestrutura e formação de jogadores, apesar dos altos e baixos dos últimos anos.
Uma mudança recente no futebol brasileiro foi a criação da Sociedade Anônima do Futebol (SAF), modelo que permite clubes se tornarem empresas, como Botafogo, Cruzeiro, Bahia. A ideia é trazer investimento privado e gestão profissional, facilitando o planejamento de longo prazo.
Em relação ao planejamento da forma de jogar do time, isto envolve modelo de jogo definido, perfil de contratações compatível com o treinador, integração entre base e profissional, uso de análise de dados e scouting.
Portanto, em termos de planejamento, o futebol brasileiro se equilibra entre a modernidade europeia e os métodos arcaicos históricos nativos.
(Texto Escrito com a Ajuda do Chatgpt)

*Maurício Rech é Mestre em Psicologia e Saúde (UFCSPA), pós-graduado em Neurociências e Comportamento (PUCRS). Ex-diretor executivo de futebol profissional e de base e advogado (PUCRS), possui extensões internacionais em Psicologia do Bem-Estar (Yale) e Ética (Harvard). Publicou estudos em Saúde Mental, Neurociência e Psicologia Positiva, atuando por meio de evidências científicas em práticas aplicadas para clubes, atletas e comissões técnicas.
Linkedin: linktr.ee/mauriciopsicoeduca