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Planilha de aproveitamento semanal de treinamento

Há cerca de dois anos foi discutida a importância de controlar o aproveitamento semanal dos jogadores ao longo de um microciclo de treinamento. Em tempos de mensuração de inúmeras variáveis do treino, foi apontado (e cada vez mais é confirmado) que dados sutis e relevantes da equipe são colocados em segundo plano e, na imensa maioria das vezes, desconsiderados.
Recentemente, acompanhando uma declaração de Diego Simeone, técnico do Atlético de Madri-ESP, sobre um dos seus segredos de gestão da equipe, ele apontou o máximo estímulo à competição entre os atletas. Tal fato despertou o tema da coluna desta semana, que pretende reacender a discussão sobre um controle de treinamento específico à modalidade.
Quanto à opinião de Simeone, mais do que competir internamente, o atleta deve ser educado ao longo de um processo de formação e mesmo profissionalmente, a competir com ele mesmo. Numa busca constante por crescimento, autoconhecimento e, basicamente, por ser melhor do que ontem e pior do que amanhã.
Nesta perspectiva, uma planilha de aproveitamento semanal de treinamento atua como uma ferramenta simples, porém, de significativa relevância por proporcionar reflexões não somente aos jogadores, mas também às comissões técnicas.

Em linhas gerais, ao longo do microciclo de treinamento, os vencedores de cada jogo são registrados para que após o término da semana a Comissão Técnica (e os próprios jogadores) tenham ciência do aproveitamento da equipe. Na planilha, para cada dia são indicados os pontos disputados, os pontos feitos e o peso do dia, estabelecido em função da complexidade estipulada para a sessão de treino. Nas últimas colunas a planilha contabiliza o total de pontos feitos, pontos disputados, além do percentual de aproveitamento.

Nas atividades, cada vitória vale 3 pontos e empate 1 ponto. Como indicador de desempenho para o aproveitamento semanal, a sugestão de classificação é a seguinte:
Até 33,33% – Nota 1 – (aproveitamento baixo)
De 33,34% a 50% – Nota 2 – (aproveitamento regular)
De 50,01% a 60,00% – Nota 3 – (aproveitamento bom)
De 60,01% a 70,00% – Nota 4 – (aproveitamento muito bom)
De 70,01% a 100% – Nota 5 – (aproveitamento excelente)
Nas últimas temporadas, os grupos que foram submetidos a este controle de treino foram os seguintes:
Grêmio Novorizontino – equipe sub 20
Grêmio Novorizontino – equipe sub 17
Clube Atlético Paranaense – equipe sub 13
Clube Atlético Paranaense – equipe sub 17
Atualmente, tal controle também está sendo realizado na categoria que trabalho.
Quem teve oportunidade de acompanhar a aplicação permanente desta ferramenta de controle, seja através de estágios, visitas técnicas ou até os integrantes da Comissão Técnica da categoria que desconheciam este controle afirmam que a “intensidade” do treinamento impressiona.
Na tentativa de aproximar o Jogo do treino, classifico esta ferramenta como indispensável!
Como, muitas vezes, somos atraídos por números para nos certificarmos e chegarmos às conclusões quanto à validação/aprovação/promoção de um atleta, é válido afirmar que o aproveitamento semanal é somente mais uma das inúmeras variáveis que devem compor a Avaliação Interdisciplinar de um jogador. Por exemplo, seguramente, aquele atleta não maturado numa categoria sub 15, tem grandes chances de ter um baixo aproveitamento semanal em virtude da dificuldade de conseguir suportar o jogo em comparação a outros atletas. Talvez, para este jogador, o que valha não é saber qual a sua média de aproveitamento semanal e sim, como é a sua resposta a ela.
Caso tenha interesse, clique aqui e realize o download da planilha.
Abraços, bons treinos e até a próxima!

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Agência Reguladora no futebol

Nesta semana a criação de uma Agência Reguladora do Futebol foi objeto de debate e consenso em reunião do grupo interministerial formado pela presidente Dilma Rousseff para estudar a reforma do futebol brasileiro juntamente com jornalistas e especialistas convidados.

As Agências Reguladoras são criadas por Lei, tem natureza de Autarquia com regime jurídico especial e possuem poderes especiais para fiscalizar e regular determinada atividade de interessa público exercidas pela iniciativa privada.

No Brasil há Agências Reguladoras em setores fundamentais como transportes, telecomunicações, petróleo, saúde energia e seus dirigentes são nomeados pela Presidente da República após prévia aprovação pelo Senado Federal.

A existência das Agências Reguladoras está previsto no artigo 174, da Constituição Brasileira, que estabelece o papel do Estado na fiscalização e regulação do setor privado,

O grande cerne da questão é avaliar se o futebol é, de fato, um setor que demande fiscalização pelo Estado Brasileiro, especialmente, considerando que se trata de um país à beira de um colapso energético e com carência em setores básicos como saúde e educação.

A Constituição Brasileira, em seu art. 1º estabelece a livre iniciativa como um dos fundamentos do Estado Democrático de Direito. O texto constitucional garante, ainda, em seu art. 217, a autonomia das entidades desportivas dirigentes e associações.

O futebol corresponde a uma atividade privada gerida e praticada por entidades privadas e com objetivos estritamente privados.

O interesse público no esporte se atem à prática lúdica com o objetivo de promover a saúde e para fiscalizar a eventual utilização de recursos públicos por ventura oferecidos e utilizados pelas entidades desportivas.

Por mais que o futebol faça parte da cultura brasileira e esteja arraigado nela, sua prática profissional é supérflua sob o ponto de vista estatal.

Ademais, o momento econômico do país exige controle de gastos e não a criação de nova estrutura autárquica com a contratação de novos servidores e investimento em infraestrutura.

Mesmo com todos os problemas enfrentados pelo futebol brasileiro, não há justificativa constitucional ou de interesse público para a criação de uma Agência Reguladora do Futebol.

O Estado deve agir de forma a viabilizar o pagamento (e recebimento) de tributos atrasados, exigindo o adimplemento das obrigações tributárias por parte dos clubes de futebol e não interferindo no funcionamento das entidades desportivas.

Para deslinde da questão, urge ressaltar que o artigo 5º, XVIII, da Constituição Brasileira proíbe expressamente a interferência estatal no funcionamento de associações, o que se aplica à CBF, às Federações Estaduais e à maioria dos clubes de futebol. 

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Quando um atleta deve procurar um coach?

Eventualmente temos percebido que dia após dia o tema Coaching tem sido abordado na mídia, mas quero colaborar com uma reflexão em relação ao momento em que se deve recorrer a este tipo de trabalho.

Como todos nós sabemos o Coaching pode ser entendido como um meio para se chegar a um determinado fim e sua definição mais simples e conhecida é a de que este é um processo que contribui para o desenvolvimento humano através do atingimento de metas ou realização de sonhos. Posso complementar e ir mais além, reconhecendo que ele é uma forma de contribuir genuinamente para que as pessoas possam levar uma vida mais plena e com significado.

Mas aqui nesta coluna quero especificamente abordar a questão que passa na cabeça de todo atleta ou ex-atleta que é: Quando devo procurar um coach?

Numa visão mais simplista podemos compreender que todas as pessoas que possuem um objetivo a ser atingido ou um grande sonho ou meta a realizar podem recorrer aos serviços de um coach para realizar um processo de Coaching. O fato de se desejar sair do ponto onde está em direção ao ponto onde se deseja chegar já é um bom motivo para fazer Coaching, pois em muitos e muitos casos avançar de maneira solitária rumo ao objetivo desejado é muito difícil e igualmente mais demorado.

Mas, quero aqui, colocar mais um tempero sobre uma das situações nas quais os atletas devem necessariamente pensar em passar por um processo de Coaching que é a sua inevitável transição de carreira. Este é um momento de fundamental importância para a vida do atleta e para o qual um processo de Coaching para transição de carreira se faz muito eficiente e eficaz, pois na grande maioria dos atletas de futebol pelo Brasil este momento da carreira é tratado de forma simplista e negligente, impactando direta e indiretamente muitas vidas humanas quando não tratado de forma adequada. Pelo que vejo atualmente, temos um longo caminho a percorrer em relação à contribuição que o processo de Coaching pode trazer no futebol e no esporte em geral, seja na busca por melhores rendimentos na carreira enquanto atleta profissional, ou seja, no momento de se refletir e planejar uma nova carreira (no esporte ou não). Para mim estes são os dois momentos na atualidade onde os atletas estão começando a procurar ajuda de um Coach, no desejo da melhoria de performance esportiva ou na necessidade de se preparar para uma nova carreira profissional.

Até a próxima. 

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Incompetência única

Dérbi da paz?

Dérbi da pá. De cal na alegria do futebol.

Clássico com torcida única é a melhor maneira de acabar com a humanidade.

A institucionalização da intolerância é a falência do poder público que não é poder, não é público, e lava as mãos enquanto tira da reta.

A imensa maioria de paz das torcidas é refém da violência de bandidos cúmplices da incapacidade das autoridades de serem minimamente capazes com a falta de autoridade escondida como vergonha debaixo de um capuz. Capachos de um batalhão que choca o cidadão.

Só nos resta chorar a morte dolorosa do direito e do dever de saber que para vencer é preciso alguém perder. A arte de gozar e ser zoado. O contraditório ainda que a contragosto. A convivência de contrários tão distintos que acabam iguais.

Parabéns, MP e PM. A ordem dos fatores adulterou o produto.

Posso só fazer uma pergunta: se eu convidar alguns amigos corintianos para um churrasco lá em casa vocês vão me prender?
 

*Texto publicado originalmente no blog do Mauro Beting, no portal Lancenet.

 
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O (eterno) problema da segurança nos estádios

Recentemente li um texto de um “grande” colunista (que prefiro, desta feita, não citar) versando sobre os “pais coxinhas” que não levam seus filhos nos estádios de clubes brasileiros e os deixam gostar do futebol europeu em detrimento ao que é praticado no Brasil. A não citação específica ao texto é para não expor especificamente uma opinião que considero o retrato da nossa cultura: é melhor transferir o problema para terceiros do que assumir para si e procurar resolvê-lo.

E digo isso movido pela série de notícias que já no início dos campeonatos estaduais estamos novamente assistindo, que é o da violência nos estádios. Desde a Copa São Paulo de Junior ao Campeonato Gaúcho, tenho acompanhado uma enxurrada de casos que só reforçam esta premissa. Tudo em menos de um mês. E aí volto a questão inicial para tentar entender se são “pais coxinhas” ou “pais zelosos”? Já fiz essa pergunta em outra coluna e volto a repeti-la: que tipo de torcedor os clubes querem escolher?

A questão da segurança nos estádios (ou novas arenas) vai muito além de fatos pontuais de violência que ocorrem e recheiam os noticiários policiais dos telejornais. O grande dilema é a sensação de segurança, que tem um valor inestimável.

Se a violência pode ser medida em números, como a quantidade de conflitos, brigas, arranhões, ferimentos ou até mortes, a sensação de segurança é um bem intangível mas que faz toda a diferença para o clima e ambiente que é criado dentro de um espetáculo esportivo.

Para um exemplo fora deste contexto, podemos citar a sensação de segurança existente quando se vai a um teatro ou ao cinema no shopping. Pode até ocorrer um caso de violência isolada que gere notícia, mas as pessoas que frequentam estes ambientes, via de regra, vivem em um clima harmonioso e tranquilo, o que faz com que elas voltem a este lugar frequentemente.

Nos estádios, ao contrário. O clima não é o mesmo. E é sobre este ambiente que precisa de uma intervenção urgente se o mercado do futebol brasileiro quiser efetivamente atrair um torcedor diferente – ou aquele que está migrando para um apreço maior ao futebol europeu (ou chinês ou até americano!!!).

E não adianta também transferir o problema apenas para a segurança pública, que esta não tem condições de resolver tudo. Tanto clubes quanto entidades de administração do esporte precisam de uma ação proativa e profilática.

Encerrando para reforçar um conceito: não adianta culpar o consumidor por gostar mais de A em detrimento a B. Tratam-se de escolhas de consumo e o consumidor irá preferir SEMPRE aquele que entrega melhor valor e benefícios para si. Se quiser mudar, trabalhe para cativar. Querer obrigar alguém a gostar de algo é coisa da ditadura!!! 

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Futebol americano ensina: até o silêncio pode ser boa comunicação

Escolhido MVP (sigla em inglês para “jogador mais valioso”) na edição 2015 do Super Bowl, jogo que decide a liga profissional de futebol americano (NFL), o quarterback Tom Brady é o arquétipo perfeito do herói moderno. Desacreditado no início da carreira, construiu uma história de recordes até se tornar um dos maiores de todos os tempos. Além disso, é bonito, fala bem, tem fama de bom moço e se casou com a brasileira Gisele Bündchen, modelo que é um dos nomes mais relevantes da moda contemporânea. Contudo, não veio dele a maior lição de comunicação do Super Bowl. O personagem da vez é Marshawn Lynch, running back do Seattle Seahawks, cujo perfil é extremamente oposto ao do astro do New England Patriots.

Ao contrário de Brady, Lynch sempre foi badalado. Incluído desde a adolescência entre os nomes mais promissores do país na posição, o running back foi escolhido pelo Buffalo Bills na primeira rodada do draft da NFL de 2007 – Tom Brady foi apenas o 199º selecionado em 2000.

Em sua segunda temporada na liga, Brady conduziu o New England Patriots ao título e foi eleito pela primeira vez MVP do Super Bowl (ele recebeu essa honraria em quatro edições do jogo). Lynch, por outro lado, sofreu com lesões e problemas pessoais em seu início de trajetória na NFL. Em 2009, chegou a ser processado por posse ilegal de armas.

Há outro ponto fundamental que distancia os dois personagens: Brady fala. Lynch, sempre avesso a entrevistas, foi punido diversas vezes por faltar a encontros com a mídia ou por se recusar a responder.

Em 2015, o running back do Seattle Seahawks encontrou um jeito curioso para driblar a pressão da NFL. Num dos momentos mais divertidos da temporada, ele passou uma entrevista inteira usando apenas versões de uma mesma resposta. Independentemente do teor do questionamento, ele sempre saía com algo como “Obrigado pela sua pergunta e pelo seu interesse. Próximo”.

O silêncio corroborou a imagem de bad boy de Lynch, e isso não fez mal a ele. Ao contrário, aliás. Na semana que precedeu o Super Bowl, o jogador apareceu em eventos oficiais usando roupas com marcas próprias. Instantes depois, camisetas e bonés com logotipos alusivos a ele estavam esgotados.

Aqui há dois pontos importantes. O primeiro, e é até repetitivo dizer isso, é a programação do Super Bowl. O jogo que decide a NFL não é um evento de uma noite – a noite do jogo é apenas o ápice de uma programação que se estende por toda a semana.

Outro ponto é sobre Lynch. O tal cara que não fala, que é avesso ao marketing pessoal e que não liga para a imagem, já lançou quatro marcas próprias. Outras três estão em processo de regristro, com ênfase no apelido “Beast Mode” (algo que tem relação direta com os videogames e que representa um momento especial, como se ele funcionasse sempre numa rotação superior à dos outros atletas).

Lynch nunca precisou ser bom moço para ser um bom personagem. Aliás, não precisou sequer falar. O running back virou protagonista por conseguir conciliar bom desempenho e um perfil que chama atenção pela marra e pelo estilo.

Quem acompanhou futebol na década de 1990 sabe o que Edmundo representou na realidade brasileira. Em 1997, principalmente, o atacante fez no Vasco o que poucos fizeram no planeta. Agora tente lembrar como foi trabalhada a imagem do jogador. Tente lembrar do que foi feito para que o “Animal” virasse uma marca ou vendesse além do esporte.

Sim, era outra época. Sim, era outro esporte. Mas o francês Éric Cantona também foi um jogador de futebol marcado pelo estilo bad boy naquele período, e isso não impediu que ele se tornasse o principal porta-voz da fabricante de material esportivo Nike.

Mesmo depois da aposentadoria, Cantona seguiu sendo uma espécie de embaixador global da empresa. Era ele o responsável por criar um elo entre tantos nomes que a Nike patrocinava no período.

Cantona nunca precisou ser bom moço para ser um bom personagem. Assim como Lynch, ganhou mercado por reunir atributos como autoconfiança e talento.

O caso do jogador de futebol americano só tem um componente a mais, que é o silêncio. Sim, isso não tem explicação apenas mercadológica – Lynch realmente detesta dar entrevistas. Mas a questão aqui é que as equipes que planejam a comunicação do atleta e do Seattle Seahawks – sim, isso é planejado – pensaram em como fazer disso um atributo para potencializar a imagem.

Para quem trabalha com comunicação, um dos maiores ensinamentos do Super Bowl de 2015 é que não é preciso pasteurizar nada para conseguir relevância. Há espaço no mercado para diferentes perfis, desde que exista um trabalho correto para alavancar os atributos corretos. Às vezes, não é preciso nem falar para conseguir isso.

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Pau de selfie nos estádios: vilão?

A grande sensação das férias de verão no Brasil tem sido o “selfie stick”, mais conhecido como “pau de selfie”.

Assim como grandes sucessos musicais de verão como “A Festa” e “Explode Coração”, o “pau de selfie” chegou aos estádios brasileiros.

Entretanto, a utilização do “selfie stick” está proibida na grande maioria dos estádios brasileiros diante do entendimento de que poderia ser utilizado como uma arma e prejudicaria a segurança nos locais de evento esportivo.

O fundamento legal para a medida está no artigo 13-A, inciso II, do Estatuto do Torcedor que proíbe o porte de objetos suscetíveis de gerar ou possibilitar a prática de atos de violência.

A grande questão é avaliar se o “pau de selfie” é de fato um instrumento hábil a causar violência nos estádios de futebol.

Ano após ano, a violência é presença constante no futebol brasileiro. Já tiraram dos estádios as hastes das bandeiras, a bebida alcoólica, as torcidas rivais e a violência persiste.

Na contramão do mundo, ao invés de se preocupar com o conforto dos torcedores, com melhor preparo dos agentes públicos de segurança e com a contratação segurança privada, o futebol brasileiro optou pelo caminho das proibições.

Na Inglaterra, em alguns estádios, como o do Arsenal, o “selfie stick” foi proibido não pela violência, mas, para impedir que sua utilização prejudicasse a visibilidade dos torcedores durante os jogos.

O fato é que as autoridades brasileiras ainda não perceberam que a questão da violência não se resume a momentos circunstanciais potencializados pela bebida alcoólica, por uma haste de bandeira ou pelo “pau de selfie”.

Vale dizer que o potencial de violência do “selfie stick” é o mesmo de um radinho, de suas pilhas, de um celular ou de um cinto.

A violência no futebol é um fenômeno multifacetado e que merece medidas específicas, como as adotadas pela Inglaterra na década de oitenta após a conclusão do Relatório Taylor que foi um minucioso estudo da violência no futebol inglês e apontou suas causas e soluções.

Quase trinta anos depois, a Inglaterra tem a Liga de futebol mais valiosa e mais rentável do mundo e a violência, outrora generalizado, hoje é raríssima.

Já passou da hora do futebol brasileiro se inspirar nos bons exemplos de Inglaterra, Espanha e Estados Unidos e extirpar a violência dos estádios, eis que com ou sem “pau de selfie”, infelizmente, a violência tende a permanecer.
 

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Gerindo conflitos no esporte

No esporte, como em qualquer outro ambiente profissional, um dos grandes desafios dos líderes e gestores é gerir os conflitos que acontecem ao longo do tempo. Ainda mais se pensarmos na necessidade sempre urgente de bons resultados que pressionam todos os profissionais envolvidos, principalmente no futebol, essa questão demanda preparo e conhecimento para ser tratada com o devido êxito.

Mas como gerir conflitos, se eventualmente não compreendemos o que é um, e quais os seus níveis de gravidade; informações estas básicas e importantes para compreendermos a necessidade de gerirmos os conflitos.

Para tal tarefa, vamos os basear nas contribuições de Idalberto Chiavenato feitas em seu livro Gerenciando com as pessoas. As pessoas nunca possuem têm objetivos e interesses idênticos. As diferenças de objetivos e de interesses individuais sempre produzem alguma espécie de conflito. Assim podemos compreender que um conflito é inerente à vida de cada pessoa e faz parte inevitável da natureza humana e no ambiente esportivo de alto rendimento como o futebol, ele está cada dia mais presente.

O conflito existe quando uma das partes envolvidas, seja indivíduo ou grupo, tenta alcançar seus próprios objetivos interligados com outra parte e esta interfere diretamente na que procura atingir os objetivos. São dois os tipos de interferência:

• Ativa – mediante ação para provocar obstáculos, bloqueios ou impedimentos;

• Passiva – mediante omissão ou deixar de fazer alguma coisa.

Um conflito então pode ser visto como mais do que um simples desentendimento, na verdade ele se constitui numa interferência ativa ou passiva, porém deliberada, para impor algum bloqueio sobre a tentativa de outra parte em alcançar seus objetivos ou resultados.

Um time de futebol pode sofrer grandes impactos por conflitos mal geridos, pois o conflito pode acontecer no contexto do relacionamento de duas ou mais partes, seja entre pessoas ou entre grupos, enquanto conjunto de pessoas, bem como entre mais de duas partes ao mesmo tempo. Ou seja, entre dois atletas apenas ou até mesmo entre grupos distintos de atletas de uma mesma equipe.

No caso de conflitos individuais, eles podem ser:

• Internos – quando ocorrem intimamente dentro de uma pessoa em relação a sentimentos, opiniões, emoções, desejos e motivações divergentes. Este conflito provoca um colapso nos mecanismos decisórios normais e pode provocar dificuldade na escolha entre alternativas de ação.

• Externos – quando ocorre entre uma pessoa e outra ou entre dois grupos de pessoas. Mais conhecido como conflito social, que ocorre entre pessoas ou grupos de pessoas com interesses ou objetivos antagônicos.

É importante saber também que os conflitos possuem níveis de gravidade, conforme abaixo.

• Conflito percebido – ocorrem quando as partes percebem e compreendem que o conflito existe porque sentem que seus objetivos são diferentes dos objetivos dos outros e que existe oportunidade para interferência.

• Conflito vivenciado – acontece quando o conflito provoca sentimentos de hostilidade, raiva, medo, descrédito entre uma parte e outra. É o chamado conflito velado, quando é dissimulado, oculto e não manifestado exatamente com clareza.

• Conflito manifesto – este reflete o conflito expresso e manifestado pelo comportamento, que é a interferência ativa ou passiva por pelo menos uma das partes. É o chamado conflito aberto, que se manifesta sem dissimulação entre as partes envolvidas.

E quando o líder, gestor ou treinador percebe a existência de conflito, como ele deve proceder? Para poder lidar com estas situações, é importante que saibamos quais são os tipos de estilos que podem ser utilizados para uma eficaz gestão de conflitos.

Fique ligado e acompanhe nossa coluna da próxima semana, pois abordaremos esses estilos para lidar com os conflitos em suas equipes. Até lá! 

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Da poesia ao futebol

Gonçalo M. Tavares pode saudar-se como um dos grandes escritores, portugueses e europeus, do nosso tempo. Professor da Faculdade de Motricidade Humana, é hoje o docente da disciplina que eu lecionei também: Epistemologia da Motricidade Humana. Do seu Livro da Dança, colhi o poema seguinte:

“o dedo que é só dedo nem sequer é dedo o corpo que é só corpo só tapa o espaço só tapa o espaço só tapa o espaço – deixem-me ver o espaço ou então – deixem-me ver tudo (para que importa exibir o corpo se é só para exibir o corpo; só importa exibir o corpo se é para exibir o que não é corpo) para que importa exibir o corpo se é só para exibir o corpo?”.

 

O poeta Eugénio de Andrade, num livro que fez história, Poesia, liberdade livre, escreveu: “De Homero a S. Juan de la Cruz, de Vergílio a Alexandre Blok, de Lio Po a William Blake, de Basho a Cavafy, a ambição do fazer poético foi sempre a mesma: Ecce Homo (Eis o Homem) parece dizer cada poema”. Na leitura crítica da poesia, ou seja, após um estudo lúcido e interrogativo, é o autor que emerge, sobre o mais, dando sentido ao processo poético. António Ramos Rosa, também poeta de grande originalidade, no seu livro, A poesia moderna e a interrogação do real – assinala que a liberdade da linguagem poética não nega, acentua a “experiência vital, por vezes exaltante, que subjaz ao poema”.

Não há fenómeno cultural que, para compreender-se, não deva compreender-se antes o homem que o produziu. Escrever um poema é a revelação originária do poeta criador. Por isso, venho dizendo, há algum tempo já, que no futebol não há saltos, mas homens (e mulheres) que saltam, não há fintas, mas homens (e mulheres) que fintam; não há remates, mas homens (e mulheres) que rematam. À semelhança da poesia, nos remates e nas fintas e nos saltos, há a revelação originária daqueles (daquelas) que os produziram. Quando a poesia se adensa e indetermina, tal significa que o homem-autor ainda está por conhecer. O Homem é um ser em perpétua e constante redefinição…

Não conheci (posso mesmo adiantar: e não conheço), no mundo do futebol, nem em Portugal nem no estrangeiro, um treinador com a cultura literária do nosso Fernando Vaz, infelizmente já falecido e jornalista de A Bola. Um dia (julgo que na década de oitenta) encontrei-o no bar do Hotel Tivoli, em Lisboa, na Avenida da Liberdade. Ele tinha entre mãos um livro. Disparei a pergunta: Que livro é esse? E ele: “É um livro do José Cardoso Pires”. E, com um sorriso cordial, acrescentou uma frase que nunca mais esqueci: “Quando será que os homens do futebol descobrem que livros, como este, nos ajudam a uma melhor compreensão do futebol?”. E lá volto eu, com os meus oitenta e um anos, a repetir-me: é que o futebol, como o desporto, é uma Atividade Humana, não é só uma Atividade Física. Quem ainda não entendeu isto sabe bem pouco de futebol.

Nas táticas de Josep Guardiola, de José Mourinho, de Jorge Jesus, ou de qualquer outro treinador; no instante criador de golos inesquecíveis – há, antes do mais, pessoas. Ou se conhecem as pessoas, ou não se entendem, nem as táticas, nem os golos. Como é lógico!

O meu Amigo, Dr. Aldo Rebelo, ilustre Ministro do Esporte, ofereceu-me, em Brasília, o livro A Pátria das Chuteiras, do jornalista e escritor Nelson Rodrigues, um dos grandes intérpretes do Brasil, tendo no futebol a sua grande metáfora. Nele encontrei o seguinte, de um artigo que o Nelson publicou, em Janeiro de 1959: “Amigos, o meu personagem do ano de 1958 tem de ser um jogador do escrete que levantou a taça do Campeonato do Mundo. Mas é um problema catar, num time invicto, um jogador que seja, exatamente o símbolo pessoal e humano desse time e desse escrete. E logo um nome me ocorre, de uma maneira irresistível e fatal: Pelé! Olhem Pelé, examinem suas fotografias e caiam das núvens. É, de fato, um menino, um garoto. Se quisesse entrar num filme da Brigitte Bardot, seria barrado, seria enxotado. Mas reparem: é um génio indubitável. Pelé pode virar-se para Miguel Ângelo, Homero ou Dante e cumprimentá-los, com íntima efusão: Como vai, colega?”.

É que, em Miguel Ângelo, Homero, Dante e Pelé, há o que de melhor tem a arte, isto é, há poesia! E se procurássemos, todos nós os que vivemos atentos e presos ao futebol, a poesia que dele desponta? Seriam outras, com toda a certeza, a lucidez e a serenidade, nas conversas que se escutam sobre o “desporto-rei”. E muito menor o agressivismo verboso, a diatribe exibicionista, venenos da sociabilidade, que por vezes o sacodem.
 

*Manuel Sérgio é antigo professor do Instituto Superior de Educação Física (ISEF) e um dos principais pensadores lusos, Manuel Sérgio é licenciado em Filosofia pela Universidade Clássica de Lisboa, Doutor e Professor Agregado, em Motricidade Humana, pela Universidade Técnica de Lisboa.

Notabilizou-se como ensaísta do fenômeno desportivo e filósofo da motricidade. É reitor do Instituto Superior de Estudos Interdisciplinares e Transdisciplinares do Instituto Piaget (Campus de Almada), e tem publicado inúmeros textos de reflexão filosófica e de poesia.

 

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Dá uma ajudinha aí…

A medida que procuramos fazer uma abordagem sobre negócios no futebol brasileiro, vez por outra nos deparamos ainda com uma linha arcaica de raciocínio, que se inicia no discurso do clube e chega, naturalmente, ao torcedor. Pela forma como esta relação é construída atinge-se tão somente o torcedor e não o consumidor!

Já manifestei aqui na Universidade do Futebol minha resistência a alguns projetos de sócio torcedor, que hoje, a bem da verdade, são tratados como “a salvação da lavoura”. Não pelo projeto de relacionamento com o torcedor, que é salutar e fundamental para a sustentação financeira dos clubes, mas a crítica é sim pela forma como é apresentado e desenvolvido na grande maioria dos casos.

A tal resistência é sustentada precipuamente pela ausência de um trabalho efetivo de CRM dos clubes para com seus torcedores, que, a bem da verdade, deveria ser a razão de existir deste tipo de projeto – hoje, no final das contas, ele é administrado por uma empresa patrocinadora dos clubes, a AMBEV, que, por sinal, faz muito bem este trabalho.

E também porque ele se pauta no viés de descontos em ingressos ou acesso livre aos estádios/arenas, que via de regra se torna um tiro no pé em casos de grande desempenho esportivo ou fracasso esportivo temporada após temporada. Ou seja, os extremos, em termos financeiros, acabam transformando alguns programas de sócio torcedor difíceis de se administrar em função das expectativas criadas, sejam elas positivas ou negativas.

Repito, para reforçar o conceito: no mundo todo, nos países onde a taxa de ocupação dos estádios é significativa e a rentabilidade proveniente da bilheteria segue a mesma premissa, os Programas de Sócio Torcedor servem tão somente para o desenvolvimento de um trabalho de relacionamento com o torcedor, a um custo de anuidade baixo e a bilheteria está centrada nos Bilhetes de Temporada e/ou na comercialização de ingressos avulsos. Ponto.

Na prática, aqui no Brasil, não se vende o “senso de pertencimento” a um grupo, que poderia atrair melhor as tribos de cada clube, tampouco se oferece algo que tangibilize benefícios para o torcedor.

Uma síntese da percepção que o torcedor tem sobre o Programa de Sócio Torcedor está no Tweet que copiei e colei abaixo: 

Um torcedor de um grande clube que vê no programa de sócio-torcedor a possibilidade de ajudar o seu clube de coração. Apesar do exemplo isolado, esta premissa ocorre sim em escala. E isto só ocorre pelo baixo valor percebido destes programas. Ora, o dirigente ou o gestor do clube, em entrevistas coletivas, não vende efetivamente o benefício de consumo. Naturalmente, quem compra, o faz seguindo esta lógica.

Ajudar funciona apenas uma vez. Qualquer dificuldade financeira, o primeiro corte é na “ajuda”. Qualquer mudança de humor, o corte é na ajuda. A fidelização para o consumo só vai ocorrer se de fato passarmos a vender benefícios. Eis uma prerrogativa bem distante de acontecer no curto prazo em muitos projetos de sócio-torcedor.