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O jogo ideal

O estádio está quase lotado. Os assentos disponíveis, confortáveis, acomodam torcedores, famílias, crianças e apreciadores do bom futebol.
 
No campo as duas equipes se enfrentam com expectativas diferentes. Uma ocupando as primeiras posições busca conquistar três pontos para ficar na ponta da tabela. A outra, entre os últimos, busca sua recuperação.
 
O jogo é dinâmico e vibrante. Com atletas de alto nível técnico, inteligentes e bem preparados em todos os sentidos, proporcionam um espetáculo inesquecível.
 
Além das inúmeras jogadas bem articuladas e treinadas, o improviso e a criatividade dão um toque mágico à partida.
 
Apesar da grande competitividade que cerca cada lance o jogo limpo está sempre presente.
 
Do lado de fora do campo os dois treinadores, ex-jogadores, mas formados pela Universidade do Futebol e com diversos cursos de especialização, participam ativamente do jogo, observando todos os movimentos de seus atletas e orientando-os quando necessário e integrando com equilíbrio a teoria com a prática.
 
Aos poucos, apesar da boa postura tática das duas equipes, naturalmente os gols vão surgindo para os dois lados.
 
O resultado é de 2 a 2 quando um gol duvidoso é marcado, mas o quarto árbitro alerta, com apoio de um comando eletrônico, que o lance foi ilegal e rapidamente o árbitro principal reconsidera sua decisão e a justiça é restabelecida.
 
No finalzinho do jogo uma das equipes marca o terceiro e decisivo gol, agora validado pela arbitragem. Um golaço feito com arte e muita imaginação. Um gol tão bonito que é aplaudido por todos os presentes no estádio.
 
Mas sem dúvida o mais bonito foi ver os jogadores do time derrotado reconhecerem os méritos dos vencedores e parabenizá-los ao final da partida.
 
Cheguei a pensar até que estava em outro planeta. Ou será que eu estava sonhando?

Para interagir com o autor: medina@universidadedofutebol.com.br

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Análise multifatorial da performance esportiva – Parte 1

O presente artigo apresenta um modelo de análise multifatorial da performance esportiva, baseado em um modelo multidimensional. A Parte 1 faz uma breve revisão histórica sobre os modelos de análise do desempenho de atletas. A Parte 2 mostra o modelo multidimensional e sua adaptação ao estudo da performance atlética. Na Parte 3 são descritos os fatores biológicos, biomecânicos, psicológicos e psicossociais do modelo multidimensional, bem como todos os sub-fatores envolvidos. Finalmente, na Parte 4, estão as conclusões finais e as referências bibliográficas utilizadas para escrever este artigo.

Parte 1 – Introdução aos modelos

Até alguns anos atrás, para a análise e diagnóstico da performance esportiva, muitos estudos utilizavam modelos unidimensionais, onde somente uma variável ou fator era considerada responsável pelo desempenho de atletas. Alguns modelos clássicos se referiam à interação entre os fatores biológicos e o potencial esportivo e acreditavam que o sucesso atlético era uma função de variáveis biológicas determinadas geneticamente, com menores probabilidades de sofrerem uma influência do ambiente. São exemplos de variáveis biológicas algumas características fisiológicas, morfológicas e de habilidades (exemplo: velocidade, potência e força muscular). De fato, sabe-se que muito da adaptação fisiológica dos atletas em treinamentos e competições é geneticamente determinada, podendo assim afetar o nível da performance alcançada.

Uma das questões, no entanto, que sempre intrigou técnicos e preparadores em geral, se refere ao fato de alguns atletas apresentar uma performance ótima em competições, enquanto outros atletas com a mesma aptidão física e pertencentes ao mesmo time não rendem o esperado. A tentativa de responder essa questão fez com que, a partir da década de 70, os modelos biológicos unidimensionais abrissem espaço para modelos mais amplos, onde principalmente o fator ambiente foi analisado como associado ao potencial atlético inato. O fator ambiente, no caso em questão, refere-se à intensidade, qualidade e regime de treinamentos físicos, técnicos e táticos oferecido aos atletas.

Esta ampliação do modelo foi, de fato, uma necessidade, como afirma Orlick (1972):

“É particularmente importante focalizar a investigação do desempenho esportivo em muitos fatores, porque muitas atitudes e padrões comportamentais do ser humano não podem ser explicados somente sob o ponto de vista biológico. Habilidade e potencial físico continuam a ser uma necessidade básica, mas não são suficientes para assegurar uma excelência no esporte (p. 111)”.

Este mesmo autor ainda acrescenta que a investigação da performance esportiva deveria recair sobre duas grandes áreas de inquisição: o indivíduo e seu meio ambiente. “Deve-se olhar para a estrutura interna na qual o indivíduo opera e também para a estrutura externa” (Orlick, 1972). A performance no esporte parece ser, portanto, dependente de fatores ambientais, os quais afetam diretamente os atletas.

Malina e Bouchard, em 1986 (cit. por Regnier, Salmela e Russell, 1993), dizem que atletas são produtos de seus genes e de seus ambientes, que lhes dão determinadas características que estão correlacionadas com a performance. No entanto, afirmam os autores que a contribuição relativa da hereditariedade e do ambiente sobre a performance esportiva ainda não é totalmente conhecida. O que se sabe, entretanto, é que ambas afetam o nível de performance alcançado por um atleta.

Bouchard e colaboradores (1995) mostraram que a influência genética não se comporta da mesma maneira para as diferentes variáveis de aptidão física. Em termos metabólicos, sabe-se que a dimensão cardíaca possui influência genética menor que 25%; potencial oxidativo menor que 50%, mobilização e oxidação lipídica maior que 50%, enquanto que para eventos anaeróbicos e de força são associados entre 5% a 50% da resposta à influência genética. A contribuição genética sobre a resposta e adaptação ao treinamento em função das características genéticas são apresentadas abaixo:

Em termos gerais, um modelo de “top-down” ou “bottom-up” sobre a influência genética no perfil de performance permite entender que embora a característica genética tenha grande influência na resposta final da performance motora, uma resposta adaptativa de duplo caminho existe, pois o efeito do treinamento parece contribuir para uma ação geneticamente mais específica. Embora esse modelo enfoque a adaptação metabólica, poderíamos extrapolar para a teorização entre a performance esportiva e resposta genética.

No entanto, para se adequar melhor à complexa natureza do ser humano, tornou-se necessário ampliar ainda mais os determinantes da performance esportiva, buscando-se observa-la dentro de um contexto multifatorial (Vanden Auweele, De Cuyper, Van Mele e Rzewnicki, 1993). Baseado nisto, Morgan (1980) propôs um modelo “psicobiológico”, que incluía além das variáveis biológicas e ambientais, as variáveis psicológicas. Muitos foram os estudos que demonstraram o reflexo dos fatores psicológicos na performance esportiva.

Kubistant (1986) afirma que a menos que um atleta desenvolva habilidades psicológicas necessárias, e isto inclui o treinamento da concentração e da capacidade para se desempenhar sob pressão, isto é, em situações de estresse, dificilmente conseguirá ter performance produtiva e consistente.

Gorbunóv (1988), psicólogo do Instituto de Cultura Física de Moscou, responsável dentre outros pela preparação do nadador campeão mundial e olímpico Vladimir Salnikov, diz que:

“O esporte é uma esfera da atividade humana onde a teoria e a prática, a ciência e a arte estão entrelaçados de maneira tão íntima, que seu isolamento durante o estudo conduz a uma compreensão enganosa. A análise unilateral de um fenômeno complexo sempre é errôneo. Isto tem a ver também, com a análise do desempenho esportivo… que em sua forma mais geral e simplificada, compreende três componentes: treinamento físico, treinamento técnico-tático e aperfeiçoamento dos mecanismos de regulação psíquica” (p. 7).

Orlick (1986) afirma que um atleta sem uma preparação psicológica adequada que lhe permita participar das competições sentindo-se confiante, terá poucas chances de alcançar uma boa performance. Isto porque, segundo ele, no alto nível, as habilidades esportivas de diferentes esportistas se igualam. Portanto, os atletas precisam mais do que um alto nível de treinamentos físicos, técnicos e táticos. Eles precisam estar bem preparados psicologicamente. Ainda de acordo com Orlick, aos atletas são necessários três requerimentos básicos para a excelência no esporte: talento, treinamento intenso e “cabeça”.

Nideffer (1992) diz que até alguns anos atrás um atleta poderia ser competitivo com base somente em seu talento ou treinamento. No entanto, no esporte contemporâneo, o nível dos testes de detecção de talento esportivo e dos treinamentos tem sido tão eficaz, que os atletas estão se tornando “cada vez maiores, mais fortes, mais rápidos e mais velozes”. Portanto, cada vez mais e mais a diferença entre ganhar e perder está nos fatores psicológicos. Nideffer ainda acrescenta que qualquer programa de treinamento, que busque melhorar o nível de performance de atletas, precisará incluir o treinamento de variáveis psicológicas.

Para ilustrar ainda esta relação entre aspectos psicológicos e performance esportiva, Hatfield e Brody, em 1994, descreveram uma série de estudos mostrando como a mente afeta a performance física de atletas. Eles observaram que atletas da elite esportiva parecem monitorar seus esforços físicos de forma fisiologicamente mais econômica; apresentam um estado de ativação mais regular e focalizam sua atenção na tarefa a ser executada. Além do mais, estes mesmos autores citando Williams (1993), listaram seis c
aracterísticas psicológicas, dentre outras, que estão relacionadas a uma performance ideal: ausência de medo (não temem o fracasso), atenção concentrada na atividade, esforço, auto-controle, ausência de pensamentos e sentimentos negativos e confiança em suas habilidades e nível de condicionamento físico.

No mundo contemporâneo, entretanto, a dimensão social assumiu um importante papel na explicação do comportamento humano. Orlick (1972) define o comportamento humano como uma função da sua natureza biológica e da aprendizagem, que é resultante da interação com o ambiente, particularmente com o ambiente social. “Muitas atitudes, ações, valores e crenças dos indivíduos são aprendidos no ambiente social e tem uma influência direta sobre o seu comportamento”. Medvedev, em 1974, concluiu através de estudos que utilizaram técnicas sociométricas, que a capacidade de uma equipe ter uma performance ótima durante um jogo ou um torneio, é um índice do estado de pré-disposição psíquica dos jogadores e da equipe em seu conjunto. Assim, define uma equipe esportiva como:

“Um conjunto de sistemas de muitas funções complexas, que incluem em si diferentes formações estruturais em dois sistemas principais, um sistema de relações de trabalho (que inclui os aspectos de performance e organização) e um sistema de relações interpessoais (que inclui o aspecto afetivo e emocional).” (p. 3)

Carron (1980) diz que o homem atleta é uma entidade social que interage com outros indivíduos e grupos. Isto significa que há uma instituição social no esporte que também deve ser analisada. As características psicossociais das equipes esportivas, portanto, estão relacionadas com a eficiência do rendimento atlético.

Serpa (1991), em sua análise sobre a performance esportiva, diz que o desempenho esportivo não é apenas a somatória das capacidades físicas, técnicas, táticas e psicológicas dos membros de uma equipe, mas também das relações interpessoais entre esses membros, relações estas que incluem não apenas aquelas que têm uma influência direta sobre os atletas (relacionamento entre os atletas, entre os atletas e a comissão técnica etc.), mas também aquelas que indiretamente afetam seu desempenho como, por exemplo, a família, o grupo de amigos, a Igreja etc.

Em 1987, Krebs propôs um modelo multidimensional para a análise da especialização esportiva precoce, composto por quatro sub-domínios semi-independentes: fatores biológicos, fatores biomecânicos, fatores de aprendizagem e fatores psicossociais, que poderia ser descrito em um modelo conceitual.

Krebs descreve a especialização esportiva precoce como uma função dos quatro fatores que estão relacionados de forma semi-independente. Sua análise é muito interessante, porque tem como pano de fundo a ontogênese e a filogênese do ser humano, o que reforça a idéia de que não podemos observar o comportamento humano somente sob um ponto de vista ou somente sob um fator.

Em 1995, em palestra não publicada, Krebs reestrutura seu modelo, mantendo a idéia original de que a especialização esportiva precoce é multidimensional, composta por quatro sub-domínios semi-independentes, mas passa a considerar que os fatores cognitivos possuem grande importância na análise.

Tomando-se por base, portanto, a idéia de que a performance esportiva é determinada não somente por uma variável ou um grupo de variáveis, mas que é um fenômeno multidimensional e integrado, o propósito do presente artigo foi o de apresentar um modelo para análise de performance esportiva baseado na estrutura do modelo proposto por Krebs em 1995, de um modelo multifatorial composto por sub-domínios.

* Maria Regina Ferreira Brandão (veja seção Perfil); Aylton José Figueira Júnior (Professor do Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul – Celafiscs)

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Importância da psicologia do esporte no processo de treinamento

Resumo

O esporte contemporâneo tem agregado em torno de si um número cada vez maior de áreas de pesquisa, as chamadas Ciências do Esporte. Entre elas está a Psicologia do Esporte que tem como objeto de estudo as diferentes dimensões psicológicas da conduta humana no contexto da atividade física. A preparação física, técnica, tática e psicológica são fatores dos quais os atletas dependem para competir e devem ser trabalhados com a mesma importância para oferecer melhores condições de alcançar os resultados almejados.

A preparação psicológica deveria acontecer como parte do processo de treinamento, como ocorre com os trabalhos de preparação física, técnica, e tática. O objetivo deste estudo é verificar o grau de importância da Psicologia do Esporte no processo de treinamento para atletas, assim como outros aspectos do treinamento esportivo.

O presente estudo foi realizado com 158 atletas de diversas modalidades esportivas (futebol, futsal, handebol, natação, ginástica artística, jiu-jitsu, skate), de ambos os sexos (91,8% masculino, 8,2% feminino), com idades variando entre 13 e 50 anos (idade media 19,57 ± 4,41 anos), todos submetidos a treinamentos sistematizados (tempo médio 6,02± 4,05 anos) e participando de competições.

A pesquisa foi realizada utilizando um questionário geral (sexo, idade, modalidade esportiva, tempo de treinamento, nível das competições), e um específico, abordando a importância dos aspectos do treinamento esportivo (físico, técnico, tático e psicológico) para o atleta, assim como a presença do Psicólogo do Esporte dentro da comissão técnica. Questionou-se também a respeito dos conhecimentos sobre a Psicologia do Esporte e da experiência com um psicólogo esportivo.

O questionário foi aplicado durante treinos e competições esportivas no ano de 2005. O aspecto psicológico foi considerado importante ou muito importante por 84% dos atletas e 77,9% deles consideram que a presença do Psicólogo do Esporte dentro da comissão técnica é importante (4) ou muito importante (5).

A respeito da experiência prévia de trabalho com um Psicólogo Esportivo, 75,3% dos atletas nunca tiveram a oportunidade de trabalhar com tal profissional e 50% deles dizem possuir pouco ou nenhum conhecimento sobre a Psicologia do Esporte.Observou-se que a preparação psicológica não é mais um aspecto completamente desconhecido e desconsiderado por aqueles que vivem do esporte. Verifica-se, portanto, a necessidade de maior divulgação dos estudos em Psicologia do Esporte para que a área tenha mais consistência e reconhecimento em suas aplicações na prática esportiva.

Palavras-chave: psicologia do esporte, treinamento esportivo, atletas

Introdução

O esporte contemporâneo, considerado um dos maiores fenômenos sociais do século XX, tem agregado em torno de si um número cada vez maior de áreas de pesquisa, constituindo as chamadas Ciências do Esporte, dentre as quais podemos citar disciplinas como a medicina, fisiologia, nutrição e biomecânica do esporte, e no que se refere à área sócio-cultural, incluímos também antropologia, filosofia, psicologia e sociologia do esporte, demonstrando uma tendência à interdisciplinaridade (Rubio, 2002).

A relação entre esporte e psicologia começou a ser estabelecida e dinamizada no final do século XIX com os primeiros estudos que tentavam identificar as influências dos fatores psicológicos no rendimento de atletas. A partir de estudos desenvolvidos por Colleman Grifth essa relação passou a ser melhor definida e, assim foram identificadas as funções dos profissionais que atuariam nessa área. Novos laboratórios surgiram nos Estados Unidos e na Europa aumentando consideravelmente o número de investigações e também a sua qualidade. A partir de 1965, quando Ferrucio Antonelli e Antonio Salvini realizaram o Primeiro Congresso Mundial de Psicologia do Esporte (em Roma), essa disciplina entrou definitivamente no rol das chamadas “Ciências do Esporte”. (Cortez, De Rose Júnior, Knijnik, Simões, 2004; Weinberg & Gould, 2001)

A Psicologia do Esporte é a disciplina acadêmica que tem como objeto de estudo as diferentes dimensões psicológicas da conduta humana no contexto do esporte e da atividade física. Investiga as causas e os efeitos de ocorrências psíquicas que o ser humano apresenta antes, durante e após o exercício, sendo estes educativos, recreativos, competitivos ou reabilitador (Becker Jr., 1995).

Segundo Nitsch (apud Samulski, 2002) a Psicologia do Esporte analisa as bases e os efeitos psíquicos das ações esportivas, considerando tanto a análise de processos psíquicos básicos (cognição, motivação, emoção), quanto a realização de tarefas práticas do diagnóstico e da intervenção.

Existem basicamente três áreas de atuação na Psicologia do Esporte: o ensino, transmitindo conhecimentos a nível acadêmico; a pesquisa, a partir do desenvolvimento de teorias, tecnologias e diagnósticos; e aplicação, através da orientação, treinamento aconselhamento. (Becker Jr. 2000; Samulski, 2002)

O principal objetivo da Psicologia do Esporte é entender a influência dos fatores psicológicos no desempenho físico de um indivíduo e como a participação em esportes e exercício afeta o desenvolvimento psicológico, a saúde e o bem estar de uma pessoa. Portanto, sua função é ajudar a compreender melhor o exercício e o esporte praticado pelo ser humano, descrevendo, analisando, avaliando e dirigindo estas atividades através de processos psicológicos. Deve ser responsável pelo bem-estar do indivíduo que pratica o exercício ou esporte, sendo estes com objetivos competitivos ou não. (Weinberg & Gould, 2001).

A preparação física, preparação técnica, preparação tática e preparação psicológica são fatores dos quais os atletas dependem para competir. Devem ser tratados com a mesma importância, e juntos podem oferecer ao atleta ou à equipe melhores condições de alcançar os resultados almejados. Dependendo do momento ou da fase da preparação em relação a uma competição, cada um deles assume grande importância (De Rose, 2000; Miranda e Bara Filho, 1998).

A preparação física é essencial durante todo o processo, desde a aquisição das habilidades fundamentais para desempenhar adequadamente, até a manutenção do que foi adquirido. A preparação técnica ocorre simultaneamente à preparação física, e é composta pela aprendizagem e pelo aperfeiçoamento dos gestos básicos de cada modalidade esportiva e suas variações, progredindo para a preparação tática que é enfatizada em fases mais próximas da competição. É também nesse período que se destaca o aspecto psicológico, procurando preparar o atleta para enfrentar as diferentes demandas durante a competição. Entretanto, essa preparação psicológica não será eficiente se ocorrer apenas nos momentos agudos da competição, ou em fases negativas como acontece freqüentemente (De Rose, 2000).

Essa preparação psicológica deveria acontecer como parte do processo de treinamento, como ocorre com os trabalhos de preparação física, técnica, e tática. Porém, isso nem sempre acontece devido à falta de estrutura das equipes e à falta de informação e, até mesmo de boa vontade dos envolvidos com ela (Bara Filho e Miranda, 1998).

Isso posto, o objetivo deste estudo foi verificar o grau de importância da Psicologia do Esporte no processo de treinamento para atletas, assim como outros aspectos do treinamento esportivo.

Método

Amostra

A amostra do presente estudo constituiu-se de 158 atletas de diversas modalidades esportivas (Futebol n=23, Futsal n=38, Handebol n=22, Natação n=5, Ginástica Artística n=8, Jiu-jitsu n=35 e Skate n=27), de ambos os sexos (91,8% mascul
ino, 8,2% feminino), com idades variando entre 13 e 50 anos (idade media 19,57± 4,41 anos), todos submetidos a treinamentos sistematizados (tempo médio 6,02 ± 4,05 anos) e participando de competições.

Instrumento de investigação

A pesquisa foi realizada utilizando um questionário geral (sexo, idade, modalidade esportiva, tempo de treinamento, nível das competições), e um específico, abordando a importância dos aspectos do treinamento esportivo (físico, técnico, tático e psicológico) para o atleta, assim como a presença do Psicólogo do Esporte dentro da comissão técnica. Cada questão com uma escala de 0 a 5 (0 – não sei, 1 – nenhuma, 2 – pouca, 3 – razoável , 4 – importante, 5 – muito importante).

Questionou-se também a respeito dos conhecimentos sobre a Psicologia do Esporte (0 – não sei, 1 – nenhum, 2 – pouco, 3 – razoável, 4 – suficiente, 5 – muito) e da experiência com um psicólogo esportivo. O questionário foi aplicado durante treinos e competições esportivas no ano de 2005.

Resultados

Reafirmando a importância do aspecto psicológico no treinamento esportivo, 77,9% dos atletas consideram que a presença do Psicólogo do Esporte dentro da comissão técnica é importante ou muito importante.

Quando questionados a respeito da experiência prévia de trabalho com um Psicólogo do Esporte, os resultados se invertem em relação aos anteriores: 75,3% dos atletas nunca tiveram a oportunidade de trabalhar com tal profissional e 50% deles dizem possuir pouco ou nenhum conhecimento sobre a Psicologia do Esporte (Figura 4 e 5).

Verifica-se que apesar do nível competitivo dos atletas pesquisados a maior parte deles nunca teve a oportunidade de trabalhar com um psicólogo do esporte, demonstrando a afirmação que Bara Filho e Miranda (1998), que relacionam a falta deste tipo de treinamento à falta de estrutura das equipes, falta de informação e até mesmo motivação dos envolvidos.

Mesmo conhecendo pouco ou nada a respeito da Psicologia do Esporte, 84% dos atletas a consideram importante para o treinamento esportivo, confirmando as palavras de De Rose (2000) quando demonstra a necessidade de se trabalhar os aspectos psicológicos com a mesma importância que os demais.

Conclusão

Observou-se que a preparação psicológica não é mais um aspecto completamente desconhecido e desconsiderado por aqueles que vivem do esporte. Atletas e treinadores sabem da importância de se conhecer e trabalhar os aspectos psicológicos envolvidos na prática esportiva e as formas de minimizar seus efeitos no rendimento para garantir o sucesso do atleta ou equipe.

Através deste estudo, podemos observar que mesmo entre os atletas de nível nacional e internacional poucos tiveram a oportunidade de trabalhar com um Psicólogo Esportivo ou possuem algum conhecimento a respeito. Na maioria das vezes a equipe possui uma estrutura básica na qual o técnico ocupa um lugar central, sendo responsável pela organização e pelas principais decisões, desempenhando múltiplos papéis, inclusive o de “psicólogo”.

Na estrutura entendida como ideal, o técnico estaria no centro, porém, sendo assessorado por uma equipe multidisciplinar com preparador físico, médico, fisioterapeuta, psicólogo, assistente técnico. Neste contexto, a presença do Psicólogo do Esporte seria encarada naturalmente pelos atletas e pela comissão técnica.
No entanto, considerando a realidade econômica do esporte brasileiro, esse fato ainda está longe de ocorrer, apesar de se poder observar um aumento notável de esportes que consideram a psicologia importante para preparar os atletas para as diferentes demandas durante a competição.

Verifica-se, portanto, a necessidade de maior divulgação dos estudos em Psicologia do Esporte para que a área tenha mais consistência e reconhecimento em suas aplicações na prática esportiva.

Bibliografia

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A relação entre rendimento e estado psicológico

O atleta sai de uma fase normal, passa por seu auge técnico e físico e depois sofre uma queda de produção. Essa trajetória pode se aplicar a muitos casos na história do futebol e é conhecida por psicólogos como a teoria do “u” invertido. Contudo, essa não precisa ser obrigatoriamente a história de todos os jogadores. E um acompanhamento adequado, aliás, pode mudar totalmente a relação dos fatos.

Desde a década de 90, muitos autores ligados à psicologia do esporte têm criticado o modelo do “u” invertido por conta de sua rigidez sobre os momentos do atleta. De acordo com essas teorias, o ápice da performance (que é condizente com o ponto mais alto da ativação emocional e fisiológica) nem sempre acontece no meio da trajetória e nem sempre precede uma queda tão brusca quanto a ascensão.

Por conta disso, o modelo do “u” invertido tem perdido espaço para a tese que considera as zonas individualizadas de desempenho ótimo. Esse modelo entende que cada atleta possui uma zona de estado de ansiedade e que produz seu melhor rendimento nesse período. Fora dessa zona, os níveis de rendimento são baixos.

Contudo, o nível ótimo de ansiedade nem sempre corresponde ao ponto central do contínuo de ativação (a linha estabelecida pelo trabalho emocional e fisiológico). Esse ponto máximo de ansiedade varia de atleta para atleta e cabe ao treinador e ao psicólogo trabalharem para atingir isso nos momentos mais importantes para a equipe.

Outra diferença entre o modelo das zonas de ativação e o do “u” invertido é que a nova tese não considera apenas um ponto de ápice do atleta e sim uma faixa de rendimento acima da média. Assim, o trabalho psicológico precisa ser voltado para que essa faixa se estenda pelo maior tempo possível.

Para atingir um ótimo nível de performance, contudo, o atleta não deve considerar apenas o nível de ansiedade que é correspondente aos momentos positivos. O trabalho psicológico deve submeter o esportista a emoções fundamentais como determinação e prazer para que a evolução aconteça.

Bibliografia

SAMULSKI, Dietmar. Psicologia do Esporte. Editora Manole, 2002.

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A força dos pequenos

Tema atual e relevante que merece a nossa atenção é a demonstração de força e organização dos chamados clubes de menor investimento, cada vez mais comuns a partir dos diversos títulos e das campanhas que vem realizando sem tomar conhecimento dos clubes tradicionais. Vide o Ipatinga, atual campeão estadual mineiro e o Volta Redonda, atual campeão da Taça Guanabara e Vice estadual do Rio, sem falar no São Caetano que a cada ano impõe mais respeito aos seus adversários pelas inúmeras finais que tem chegado.

E o que dizer do Juventude, Santo André e do Paulista de Jundiaí, clubes de pouca representatividade nacional mas que desbancaram nas finais na Copa do Brasil respectivamente, Botafogo (1999), Flamengo (2004) e Fluminense (2005) na casa destes? O que afinal está acontecendo no futebol brasileiro nestes últimos anos? A natural ascensão dos clubes emergentes por adotarem gestões mais profissionais, ou a decadência administrativa/financeira dos chamados clubes tradicionais? Ou as duas coisas?

A crise é geral, se é por má administração ou má-fé, ainda não sabemos, mas chegará o dia em que a transparência administrativa, a lisura profissional e a ética nas relações também se naturalizarão e se entranharão feito penetras nesta festa orgíaca da abnegação compulsiva, esta que rasga o tecido das tradições pela pecha de amor ao clube (ou de interesses escusos).

Definitivamente os clubes tradicionais não podem estar refém deste amor suspeito doado por dirigentes/torcedores, desta vontade de doação sem nada em troca, desse ascetismo porco que busca uma perpetuação vitalícia, um nepotismo velado, numa tentativa personalista de se fazer eterno nas placas de bronze dessas instituições-mãe, estas que deveriam aprender a arte de abortar seus filhos mais indesejados, ou tomados de amor ao próximo.

Isso tudo não quer dizer apenas que os grandes clubes do Rio estejam falidos pelas más administrações, estão presos, sobretudo, pela falsa garantia de grandeza ad infinintum conferida pelos áureos tempos de conquistas. Toda soberba da nobreza falida vem da resistência em abandonar (esquecer) o que já teve para viver um novo tempo, construir novos territórios de força e emplacar novas conquistas após o “período refratário” de adaptação às mudanças econômicas, políticas, sociais, as quais o futebol é mais um e, importante, termômetro cultural delas.

A torcida é a parte mais visível desta resistência à mudança. A paixão só vê títulos, tal como os Orleans de Bragança de outrora ou os Guinle numa versão mais contemporânea. A burguesia ascendeu ao poder e a nobreza teve que ceder as extravagâncias em nome de outra hegemonia, muitos foram mortos, outros se uniram a este novo paradigma por falta de opção e, sobretudo, para garantir sua sobrevivência.

É esta sobrevivência neste novo modelo de gestão político-econômica no âmbito macro que definirá o futuro dos grandes clubes no Brasil. Os clubes de títulos mais modestos têm como vantagem o descolamento de um passado-raiz que poderia impedi-los de seguir em frente, estão desgarrados destas obrigações, são franco-atiradores com muitas possibilidades de surpreender esquadrões/exércitos com histórias e artilharias fantásticas tal como os de Napoleão na batalha de Waterloo, a qual este se viu vencido por um adversário numérica e tecnologicamente inferior ao seu exército.

Fica o alerta que um novo pensamento precisa nascer entre nós, quanto menos passado invocarmos, mais sinal de saúde estaremos provando a este corpo que se encontra enfermo e desejoso de longos saltos. Um clube sem presente e que se lança ao passado por desespero em se fazer vivo e grande (Flamengo) é um clube fadado a repetição do mesmo, viverá de espasmos por uma ilusão aqui outra ali mas o ressentimento tende sempre a invadir o ambiente com força esmagadoramente poderosa contra eles mesmos. O bom passado só poderá empurrá-lo a novas conquistas se no presente aprenderem a investir em direção a metas mais distantes do que a paciência tem sido capaz de esperar. Talvez, trate-se disso: espera-se demais por um presente que nunca chega de tanto que se olha para o retrovisor… Expectativa que corrói o acontecimento antes mesmo dele se fazer presente.

Só o futuro nos pertence!

* Irlan Farias é psicólogo do Petrópolis Esporte Clube – Liga Futsal 2005

irlanfarias@yahoo.com.br


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A psicologia na pré-temporada

Para a Psicologia do Esporte, a pré-temporada constitui o marco inicial do trabalho a ser realizado durante todo o campeonato ou temporada, objetivando aprimorar e tornar presentes as habilidades psicológicas dos atletas, complementando o trabalho técnico e físico da equipe e possibilitando sua performance máxima (estado de excelência).

Metodologia de trabalho

Fase 1

Definição das metas da comissão técnica;
Desenvolvimento do planejamento;
Determinação da linha de trabalho.

Fase 2

Avaliação do perfil psicológico;
Preparação;
Palestras.

Fase 3

Dinâmicas de grupo;
Atendimento individualizado;
Apresentação de filmes e vídeos.

Desenvolvimento do programa de psicologia

Fase1

O trabalho psicológico deve ser realizado paralelamente ao planejamento e filosofia de trabalho da comissão técnica, tendo seu início a partir da montagem do elenco (grupo fechado) e da fixação do calendário dos jogos.

Fase 2

Em uma pré-temporada, o objetivo geral do trabalho psicológico é criar uma identidade à equipe, propiciando melhor adaptação e proximidade dos atletas à filosofia de trabalho de toda a comissão técnica, definindo os objetivos individuais e coletivos e propiciando uma integração e comprometimento de toda a equipe.

Além disso, tem como finalidade servir de base para todo o trabalho psicológico a ser desenvolvido durante o curso da temporada, uma vez que é na pré-temporada que se identifica o perfil psicológico dos atletas e da equipe, suas carências e virtudes.

Fase 3

A preparação para o campeonato abrange a inclusão do treinamento psicológico no cotidiano dos atletas e o reconhecimento da importância das atividades para a realização dos seus objetivos, estimulando o aprendizado e a participação dos atletas nos exercícios de preparação mental e possibilitando um resgate psicológico positivo.

Para que os objetivos específicos previstos acima sejam alcançados, é fundamental que realizem as seguintes atividades: dinâmicas de grupo, palestras, atendimentos individualizados, exercícios práticos, exercícios individualizados, apresentações de filmes e montagens de fitas de vídeo.

Ainda, atividades específicas de motivação, equilíbrio emocional, concentração, coesão de grupo, autoconfiança e relaxamento criam um ambiente favorável ao sucesso na medida em que as suas principais carências são trabalhadas de maneira constante e eficaz.

As atividades desenvolvidas estimulam a participação máxima dos atletas para atingir os objetivos estabelecidos, o que possibilita um resgate psicológico positivo, criando um ambiente emocionalmente favorável que produz efeitos próximos dos ideais para a temporada que antecede.

Além disso, permite que o acompanhamento psicológico tenha a sua seqüência regular, dentro de um ritmo de trabalho adequado à programação das atividades, fundamental para a tão almejada performance máxima.

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As pré-temporadas no futebol argentino

As famosas e árduas pré-temporadas no futebol argentino geralmente começam nos primeiros dias do ano.

Isto significa que após as festas, os jogadores devem estar preparados física e mentalmente para assumir um compromisso; realizar uma boa pré-temporada para iniciar um ano de competição.

Por que as pré-temporadas são importantes

São vários os motivos pelos quais podemos afirmar que uma pré-temporada é vital para qualquer jogador de futebol profissional.

1 – O trabalho físico que é realizado é mais intenso que durante o resto do ano;

2 – Ao ter tempo, já que não tem jogos oficiais, o jogador pode realizar treinamento não só em um período. Muitas vezes, nesta época, pode ser dividido em até três etapas ao dia;

3 – Estar em um lugar isolado é positivo para a união e trabalho da comissão técnica com o grupo;

4 – Mentalmente o jogador vai entrando no ritmo para o início da temporada.

Quais são as situações pelas quais o jogador deve passar durante a pré-temporada

Em geral, o elenco sempre recebe um ou dois reforços para a pré-temporada. Então não só os atletas devem se adaptar aos novos colegas, como também os novatos precisam se integrar ao grupo.

Por outro lado, estão os jogadores que estão em uma pré-temporada pela primeira vez

Com os medos, nervos e ânsias normais de uma experiência nova, estes novatos vão enfrentar a situação de começar a integrar um plantel principal. (Em geral, os profissionais raspam o cabelo do jogador como símbolo de batismo no mundo profissional).

Também é evidente, que ficar 15 dias junto com as mesmas pessoas, o mesmo grupo e realizando trabalhos físicos intensos não é coisa fácil.

A vida monótona e o cansaço são fatores que convivem na mente de um jogador na pré-temporada.

Por isso, considero que a idéia de trabalhar dinamicamente, modificando rotinas de exercícios físicos, realizando trabalhos de relacionamento e tendo alguns momentos de relaxamento são itens fundamentais para a melhora do rendimento e o estado mental do esportista.

* Maria Luciana Vainstoc é pós-graduada em Psicologia do Esporte, com licenciatura em Sociologia. É professora do Instituto River Plate, na cadeira de Recursos Humanos, disciplina voltada para a carreira de dirigente esportivo.

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Pré-temporadas – importância e peculiaridades

As famosas e árduas pré-temporadas no futebol argentino geralmente começam nos primeiros dias do ano. Isto significa que, logo depois das festas de fim de ano, os jogadores devem estar preparados física e mentalmente para assumir um compromisso: realizar uma boa pré-temporada para iniciar um ano competitivo.

A importância das pré-temporadas

São vários os motivos que mostram por que uma pré-temporada é vital para qualquer jogador de futebol profissional:

1 – O trabalho físico realizado é mais intenso que durante o restante do ano
2 – Com a disponibilidade de tempo, já que não há partidas oficiais, o jogador pode realizar mais que um turno de trabalho, chegando a treinar em até três etapas por dia
3 – Estar com o elenco isolado (já que geralmente as equipes viajam) é positivo para a união dos jogadores e para o trabalho da comissão técnica com o grupo

Situações que o jogador vive durante a pré-temporada

– Geralmente, o elenco sempre recebe alguns reforços durante a pré-temporada. Por isso, não só os remanescentes devem se adaptar aos novos jogadores, como os recém-chegados precisam se adaptar à equipe, ao clube e à cultura coletiva.

– Por outro lado, alguns jogadores realizam uma pré-temporada pela primeira vez na carreira. Diante dos medos e sensações típicas de uma experiência nova, esses jovens enfrentam a experiência de começar a dividir com um elenco profissional a mística do mesmo (na Argentina, os mais experientes costumam cortar o cabelo dos garotos, simbolizando o batismo do mundo profissional).

Também é evidente que estar 15 dias junto às mesmas pessoas e realizando trabalhos físicos intensos não é algo fácil. A vida monótona e o cansaço são fatores que sempre interferem nas emoções de um jogador durante uma pré-temporada.

Por isso, acredito que a idéia de trabalhar com dinamismo, modificar rotinas de exercícios físicos e de trabalhos de relaxamento e promover alguns momentos de descontração são itens fundamentais para a melhora do rendimento e do estado mental do desportista.

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Programa de treinamento mental de Eberspächer

Segundo Eberspächer (1995), o treinamento mental pode ser tão fundamental quanto o treinamento físico ou tático em qualquer modalidade esportiva. Mas para este tipo de treino render bons resultados são necessários alguns requisitos: estado de relaxamento; própria experiência; própria perspectiva; e vivência de forma profunda.

Para começar qualquer sessão de treinamento mental, o esportista deve ter adquirido primeiramente um estado de relaxamento, pois somente dessa forma, com a mente livre de pensamentos que o perturbem ou distraiam a sua concentração, é possível trabalhar a 100%.

As habilidades motoras e técnicas esportivas devem ter sido experimentadas previamente, ou seja, devem ter sido executadas anteriormente, pois algo que nunca tenha sido executado não pode ser treinado mentalmente.

Na prática, tem sido comprovado como altamente efetivo, treinar a prática do movimento primeiro na forma de “autoconversa”, ou seja, marcar por meio de diálogos o transcurso do movimento, já que a autoconversação não corre para trás ou se transfere de um lugar para outro, não se distrai para outros conteúdos de treinamentos. Desta forma consegue-se um melhor controle do treinamento.

Na prática o treinamento é desenvolvido em quatro passos:

-A prática do movimento a ser treinado deve ser estimulada no cérebro através de diferentes canais de nossos sentidos. Na prática, o profissional deve escolher a técnica esportiva que deseja treinar e fazê-lo mentalmente.

-O atleta deve aprender o correto transcurso do movimento recitado no “sermão” contínuo do treinador. De modo efetivo, o atleta pode escrever de forma detalhada e concreta o transcurso de todo o movimento e o que é necessário para a execução da técnica esportiva. As sensações internas do movimento não podem ser excluídas.

-Os elementos individuais de cada fase do movimento devem ser sistematizados e disponibilizados em uma estrutura. O processo pode ser feito por intermédio de muita leitura e análise do que foi escrito no processo anterior. É importante que o leitor visualize os movimentos durante a leitura, executando-os mentalmente.

-Marcar os pontos-chave do movimento simbolicamente. É importante visualizar, em pensamento, a mudança de um ponto-chave a outro, de tal forma que a imaginação da técnica ocupe um espaço de tempo semelhante ao que é necessário na prática.

Bibliografia

SAMULSKI, Dietmar. Psicologia do Esporte. Editora Manole, 2002.

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A importância de acreditar em si mesmo

Aos 12 anos, Lionel Messi não imaginava que seria a superestrela que é hoje. Só queria jogar futebol. Mas uma insuficiência hormonal atrapalhou se crescimento, tanto esportivo, como físico. E também atrapalhou psicologicamente.

Com apenas 18 anos, em pena adolescência, “la Pulga” parece um adulto tanto dento como fora do campo. Ao talento esportivo se soma uma fortaleza mental que não se iguala a nenhum jogador de sua idade.

Desde o início teve determinação para alcançar suas metas. Muito tímido, muito centrado, muito maduro, sempre mostrou grande predisposição para dar o melhor de si.

Quando ainda estava na equipe juvenil do Barcelona, sofreu uma fratura do rosto. Saiu do hospital para jogar uma final diante do Espanyol com uma máscara emprestada por Puyol. Ficou com a máscara por 10 minutos, mas de desfez dela, pois ficou incomoda. Jogou os 90 minutos com uma fratura no rosto.

Há dois pilares que são fundamentais para que este jogador, que está em plena juventude, possa ser tão grande dentro de campo.

O que o faz distinto do ponto de vista psíquico é o preparo mental para se tornar parte do mundo do profissionalismo.
A fortaleza mental é treinada da mesma maneira que se treina qualquer fundamento esportivo.
E para poder conseguir semelhante personalidade são necessários três elementos importantes.

O primeiro deles é ter uma família que segure, acompanhe e mantenha. Esse é um dos fatores mais importantes para o alto rendimento. Uma rede de apoio constante.

Se não houvesse chegado uma proposta de trabalho para o pai Jorge, Lionel teria ficado no caminho das hipóteses. Do que poderia ter sido e não foi. Porém, os Messi se mudaram para Barcelona. Lionel ficou ao lado do seu pai Jorge, que sempre esteve ao seu lado.

O segundo apoio fundamental foi de seu clube. Lionel foi mimado por todos os técnicos que teve em “La Masía”, local de treinamento dos juvenis da equipe.

Ali conseguiu se sentir a vontade e respeitado não só pelos dirigentes e diretores como também pela comissão técnica. Semelhante progresso terminou com o clube rendido aos seus pés. Hoje, não só esta integrado ao seu grupo de trabalho como também conquistou o carinho de todos. E isso faz ele se sentir forte.

Por último o mais essencial da personalidade, que é ter confiança em si mesmo e amar o que faz. Com esses pilares (família e clube), Lionel jamais se enjoou. Nunca deixou de lado suas obrigações, nem renegou suas origens.

Do ponto de vista da preparação mental este “Lio” com sua tranqüilidade, simplicidade e dedicação ao trabalho possuí esta fortaleza que é necessária para ir a campo e brilhar, como está fazendo em cada um dos desafios que lhe cabe. Essa fortaleza mental é a que faz com que os pontapés não doam. E é o que diferencia um jogador de futebol das superestrelas.

* Luciana Vainstoc é pós-graduada em Psicologia do Esporte, com licenciatura em Sociologia. É professora do Instituto River Plate, na cadeira de Recursos Humanos, disciplina voltada para a carreira de dirigente esportivo.