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Onde estão os nossos craques?

Uma afirmação recorrente tem sido observada por todos profissionais que de alguma forma estão relacionados com o futebol: nossos craques estão em extinção!

Não se observa mais jogadores com a qualidade técnica para lançamentos de longa distância como faziam alguns jogadores nas décadas de 70 e 80. O futebol mágico apresentado pelo Brasil em 1982 não tem a menor condição de ser repetido, pois os jogadores de hoje possuem um nível inferior aos daquele tempo. Salvo Neymar e Ganso, é claro.

Atributos de um craque como visão de jogo, passes precisos e a capacidade de driblar e/ou fazer gols espetaculares são competências dos atletas do passado. Hoje existem, no máximo, bons jogadores.

Treinadores das categorias de base e empresários procuram incessantemente as “moscas brancas” em cada canto possível que se joga futebol no país. Estes espaços, que são os campos de várzea, as ruas e as quadras são cada vez mais escassos, o que colabora com o sumiço de craques.

A evolução da preparação física é outro fator que contribui para o desaparecimento das pedras preciosas. Com o jogo mais disputado, jogadores mais fortes e com excessivos contatos físicos, não sobra espaço para o craque demonstrar seu valioso futebol.

A mídia, que precisa criar ou inventar craques, também tem sofrido com este problema. Supervalorizam jogadores medianos que obtêm destaque pontual, que após um curto período de tempo decepcionam a todos. Por não serem craques, não conseguem manter a performance digna de um jogador acima da média.

E não é só a preparação física a responsável pela falta de craques. Antigamente era dedicado muito mais tempo à repetição de fundamentos do futebol. Os atletas de hoje estão chegando à categoria profissional com uma série de deficiências oriundas do pouco treinamento técnico. Além disso, a robotização originada pelos treinamentos táticos, que limitam a criatividade do atleta brasileiro, é outro fator que impede o surgimento de verdadeiros craques.

Alguns sugerem até que Deus deixou de ser brasileiro e tem resolvido privilegiar com o dom somente o argentino Messi e a turma de Xavi, Iniesta e Cia.

Declarada por jornalistas, ex-jogadores (craques ou não), comentaristas, dirigentes e por treinadores, cada expressão mencionada torna-se verdade absoluta, portanto, inquestionável.

Como a opinião geralmente vem carregada de crenças, qualquer mudança de interpretação da realidade dificilmente será observada. Mas não custa tentar!

Se todos afirmam que faltam craques, assumem que o nível do nosso futebol está baixo. E diante do baixo nível do nosso futebol, facilmente observado na bagunça defensiva das equipes ao tentarem parar o Neymar individualmente (e por isso o Mano quer que ele vá logo para a Europa), repito a pergunta do título da coluna: “Onde estão os nossos craques?”.

Nossos craques, hoje, estão nas disseminadas escolinhas de futebol, sonhando em serem “Messi”, “Cristiano Ronaldo”, “Xavi”, “Neymar”, “Ganso”; estão nos campos de várzea que, mesmo em escala decrescente, ainda existem em quantia assustadora neste imenso país; estão nas categorias de base dos clubes brasileiros que, em muitos casos, não conseguem lapidar as joias que tem.

Temos material humano para ter mais craques que qualquer nação do mundo. O que ainda não temos consciência é de que o craque não está pronto nas escolinhas de futebol, nos campos de várzea ou nas categorias de base. Craque não se nasce, se cria! O craque de ontem jogou o futebol do passado: mais lento, mais espaçado, com mais tempo pra agir e com menor nível de organização coletiva das equipes. O mesmo jogo com outra dinâmica!

Infelizmente, na cadeia produtiva da formação de craques, que deveria se iniciar no processo de transição esportiva da iniciação para a especialização, as lacunas são imensas. É certo que alguns movimentos isolados surgem na tentativa de reverter o atual cenário do futebol brasileiro. É certo, também, que se estes movimentos falharem em pontos capitais da cadeia produtiva poderão desperdiçar milhões de reais.

Cerca de 10 anos é tempo suficiente para a produção de craques. Como estaremos em 2022?

Dependeremos do surgimento aleatório e seguiremos a caminhada em passos largos para a extinção ou conseguiremos formar jogadores inteligentes, completos, adaptáveis à dinâmica do futebol atual e que poderão ser protagonistas da retomada do Brasil ao topo do mundo na modalidade?

Aguardo sua opinião, leitor.

Para interagir com o autor: eduardo@universidadedofutebol.com.br