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Universidade do Futebol: você precisa conhecer

Juca 4
Uma ilha de conhecimento, que estabelece conexões decisivas para o bem do nosso futebol.
Esta é a Universidade do Futebol.
Uma instituição fundada por um profissional com larga experiência na modalidade e que de tanto sonhar mexeu na realidade.
João Paulo Medina não é desses que a gente vê por aí com um discurso bonito e prática feia.
É um dos poucos que não precisam assinar para cumprir a palavra.
Criou uma instituição que rema contra a maré das facilidades, comodidades e mesmices, e faz da UdoF um quartel general para quem quiser se juntar a ele na batalha.
Confira o texto na íntegra clicando aqui

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O que o ambiente de treino deve favorecer

Influenciamos e somos influenciados pelo ambiente! Ao longo da minha trajetória profissional, posso afirmar que trabalhei em clubes e com pessoas preocupados com o desenvolvimento do futebol brasileiro. Estes ambientes sempre me tiraram da zona de conforto, direcionaram meus estudos e influenciaram minha prática, sustentada pelas reflexões e aprendizagens que as trocas permanentes de conhecimento proporcionaram. Quando paro e penso em que nível me encontraria se meus caminhos profissionais tivessem sido outros, em ambientes pouco críticos e/ou avessos ao conhecimento, agradeço as oportunidades que tive.
Em uma delas, numa das ações de capacitação de um dos clubes que trabalhei, participei de uma aula com o psicólogo do clube, presente na rotina mas não no dia a dia de treinamentos, sobre os elementos que as comissões técnicas devem desenvolver em seus jogadores, através do treino, para potencializar a aprendizagem.
Na ocasião, o psicólogo afirmou que é dever das comissões técnicas encontrar formas inovadoras de ensino/estímulos/treinamento, que possibilitem um maior desenvolvimento e aperfeiçoamento dos atletas. Neste contexto, foi abordado o conceito de neuroplasticidade, que é a capacidade do cérebro de ser alterado, modificar suas funções e aprender novas tarefas e foi discutido também que o caminho para o maior desenvolvimento dos jogadores é o de um ambiente que proporcione uma “desacomodação” contínua.
Afirmou ainda que, num cenário em que a evolução da modalidade e dos métodos de treinamento são significativos, é indispensável uma prática profissional com visão sistêmica e transdisciplinar. Temas bastante debatidos na Universidade do Futebol.
A partir destes tópicos introdutórios, o profissional concentrou sua apresentação em três elementos que devem ser desenvolvidos no treinamento sob o ponto de vista psicológico. São eles:
* o foco atencional;
* o endurance psicológico;
* a intencionalidade e consciência corporal.
Resumidamente, sintetizando as explanações do próprio psicólogo, entende-se por foco atencional a capacidade de, diante de inúmeros estímulos, selecionar àqueles que voluntariamente serão dispensados atenção; endurance (ou resistência) psicológica como a capacidade de suportar emocionalmente tarefas que nos são impostas; e intencionalidade/consciência corporal, que significa agir com significado (intenção) em um determinado contexto.
Como a atuação deste profissional não se estendia às atividades de campo, mesmo que sob o viés observacional, aparentemente, faltavam exemplos reais que pudessem deixar mais tangíveis os conceitos discutidos.
Aparentemente, pois bastava estabelecer as relações de uma metodologia sistêmica, que tem o Jogo como essência do processo de ensino-aprendizagem para concluir o quanto os elementos supracitados são estimulados.
Se você trabalha com Jogos, seguramente, deve ter um exemplo de um treino em que o ambiente criado, desafiador, imprevisível e suspenso à realidade, potencializou o desenvolvimento destes três elementos, permitindo abordagens relevantes no processo de construção do modelo de jogo (que é tudo, logo, também psicológico).
Obrigado, dr. Gilberto por trazer ricos argumentos e contribuir significativamente com minha atuação profissional.
Deixo, leitor, uma reflexão: em sua opinião como desenvolver o foco atencional, endurance psicológico e intencionalidade específicos?
Abraços e bons treinos!

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Campeonato Gaúcho desrespeita Estatuto do Torcedor

Em 15 de maio de 2003 foi promulgada a Lei 10.671, denominada Estatuto do Torcedor, com o objetivo de regulamentar direitos e deveres de um consumidor específico, ou seja, aquele que acompanha eventos esportivos.
O capítulo “Da transparência na organização” cria a figura do Ouvidor da Competição (art. 6º), pessoa designada pela entidade responsável pela Organização da Competição, cuja função é de servir de contato entre torcedores e a entidade organizadora do evento, anotando sugestões dos torcedores.
Além disso, as entidades de prática devem promover a comunicação com o seu torcedor e esta poderá se dar por meio de uma ouvidoria estável. No que diz respeito à comunicação com os clubes, Internacional e Grêmio são grandes exemplos.
O Internacional possui Ouvidoria com Ouvidores nominalmente conhecidos (Ouvidor Geral: Fernando Baptista Bolzoni, Ouvidor Adjunto: Jasson Ayres Torres), cujo contato se dá pessoalmente na Av. Padre Cacique, entre os portões 5 e 6, ao lado da Central de Atendimento ao Sócio (CAS), de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, por telefone: (51.3230.46.00 opção 5) ou por e-mail ouvidoria@internacional.com.br .
O Grêmio, por sua vez, também possui ouvidoria e ouvidores nominalmente conhecidos (Ouvidor: Cesar Luis de Araújo Faccioli, Ouvidor adjunto: Guilherme Weber Luce, Ouvidor Adjunto: Luiz Felipe Barth), cujos contatos podem se dar pessoalmente no estádio, esplanada oeste, junto a Gremio Mania Megastore, segunda a sexta-feira, das 9h às 12h e das 13h às 18h, por telefone (51.32182001) ou por e-mail ouvidoria@gremio.net. Além disso, nos dias de jogos há plantão de atendimento.
Ao contrário de Inter e Grêmio, a Federação Gaúcha de Futebol não faz qualquer menção, em sua página inicial, ao ouvidor e, consultando-se os regulamentos das competições, constata-se a inexistência de ouvidoria, o que viola o Estatuto do Torcedor.
No “link” contato (canto superior do site) há um formulário em que pode-se direcionar manifestações ao “departamento” denominado “Ouvidoria” sem, no entanto, haver informações acerca do ouvidor.
Assim, mesmo após quase 13 anos do Estatuto do Torcedor, seus dispositivos permanecem descumpridos e cabe ao torcedor e ao Ministério Público exigir seu cumprimento e a aplicação de penalidades que podem culminar, inclusive, com a destituição dos dirigentes.

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Temperamentos e a adaptação do jogador brasileiro expatriado

Por ainda sermos um grande mercado abastecedor de jogadores de futebol , centenas de atletas brasileiros se aventuram anualmente rumo a diversos destinos do planeta, mas, apesar das vantagens financeiras, encarar esse novo desafio não é tarefa fácil para todos. Muitas dificuldades são encontradas durante o processo de adaptação, variando de indivíduo a indivíduo, devido a um grande numero de fatores, entre eles o temperamento.
Apesar do temperamento melancólico ter tido em geral um menor índice de adaptação em quase todas as questões, devido ao pequeno número de respostas recebidas, não é possível afirmar com certeza se existe uma relação entre os temperamentos e a adaptabilidade.
Fato é que, nesta pesquisa, os temperamentos de sistema nervoso forte tiveram relativa similaridade nas respostas, enquanto o temperamento melancólico se diferenciou mais acentuadamente em sua adaptação, podendo ser um caso isolado ou mesmo um sinal de diferenças nas capacidades de adaptação entre os temperamentos.
Para ler o artigo na íntegra, basta clicar aqui

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O futebol brasileiro e o ano que não tem mais 12 meses

Desde o início da década, quando a implosão do Clube dos 13 redundou na individualização de negociações de mídia no futebol brasileiro, pulularam previsões de que haveria uma “espanholização” no esporte mais popular do país. O termo remete à realidade da Espanha, que também não é adepta de acordos coletivos para cessão de direitos e que tem nesse modelo uma das explicações para concentração de renda nas mãos de Barcelona e Real Madrid. No entanto, os primeiros anos da prática no cenário nacional não foram suficientes para emular o panorama ibérico. Muito da imprevisibilidade tem a ver com idiossincrasias locais, como a duração da temporada.
O Campeonato Brasileiro, principal competição nacional, vai de abril a dezembro. Os times que fazem as melhores campanhas obtêm vagas na Copa Bridgestone Libertadores, cujo início varia entre janeiro e março. Contudo, o torneio sul-americano não oferece ganhos financeiros relevantes. Planejar-se para ele, portanto, tem mais a ver com uma expectativa esportiva.
Se um time não vai disputar a Copa Libertadores ou não possui uma expectativa realista de vencer a competição, não faz sentido investir grande parte do orçamento entre janeiro e abril. É possível montar um elenco com apostas durante o Estadual e concentrar despesas no período do Brasileirão.
A receita funcionou perfeitamente para o Sport na temporada passada. Grande surpresa positiva do Campeonato Brasileiro, o time pernambucano conseguiu montar um elenco forte para o certame nacional porque concentrou seu orçamento em oito meses. O time que disputou o Estadual era mais barato e serviu para testar opções para o restante da temporada (garotos egressos das categorias de base ou reforços cujo desempenho era menos conhecido, por exemplo).
É isso que o Botafogo tem feito no início de 2016. Recém-promovido à elite do futebol nacional, o time alvinegro não cedeu à tentação de desmontar o elenco da Série B e criar de cara um novo grupo para primeira divisão. Muitos jogadores saíram, é verdade, mas a diretoria preferiu ter no Estadual um grupo composto por jovens – o centroavante Luis Henrique, 17, é a principal aposta – e reforços como Joel Carli, Damián Lizio e Gervasio Nuñez.
A principal missão do Botafogo no Estadual é identificar quais jogadores poderão ser aproveitados no restante da temporada. A partir disso, buscar reforços que complementem e qualifiquem o elenco.
A proposta tem a ver com a diferença de receitas do futebol brasileiro. O Botafogo faturou R$ 163,4 milhões em 2014 (o balanço foi publicado em abril de 2015). Foram quase R$ 200 milhões a menos do que o Flamengo, líder de receitas do país na temporada (R$ 347 milhões).
Além disso, a dívida do Botafogo (R$ 845,5 milhões) é hoje a maior entre os clubes brasileiros. Esse déficit não é apenas alto, mas mal equacionado. A distância entre a equipe alvinegra e as outras integrantes da elite nacional não está apenas no faturamento.
A venda de direitos de mídia tem no futebol brasileiro um peso maior para o faturamento dos clubes do que ela exerce em outros países. Entretanto, peculiaridades como as altas dívidas e a possibilidade de planejar um calendário mais curto são fatores que equilibram forças no futebol nacional.
O Brasil trata o equilíbrio como um diferencial do futebol local, mas ele é apenas um dos frutos da desorganização e da falta de planejamento que assolam o esporte no país. A bagunça é tão grande que acaba criando distorções como a equiparação de forças.
Já passou da hora de o futebol brasileiro discutir os efeitos do atual formato de venda de mídia. A briga entre Globo e Esporte Interativo poderia servir como embrião disso, mas o desfecho mais provável é que os clubes locais ignorem usem o assédio apenas para barganha.
No fim, a discussão de venda de mídia serve apenas para os clubes verem que a Globo paga pouco por um produto que está extremamente maltratado. Inflacionar o mercado demandaria também uma mudança de visão sobre o que é comercializado, mas fazer isso dá trabalho…
Da mesma forma, a criação da Primeira Liga poderia servir como indutor de um ambiente de planejamento para o futebol nacional. Mais do que organizar um campeonato, a liga tem a ideia de dar aos clubes a chance de tomar rédeas e pensar no mercado como um produto.
O problema básico da Primeira Liga é que isso ainda é feito pelos próprios clubes, sem o discernimento ou o distanciamento necessário. É impossível ter esse tipo de discussão se não existir mediação.
A Primeira Liga é um avanço em relação aos Estaduais e a praticamente tudo que existe no futebol brasileiro atual. O exemplo positivo da Liga do Nordeste também mostra um caminho. Nos dois casos, porém, o avanço ainda é limitado por questões essenciais. A bagunça às vezes contribui para mascarar nossos defeitos.