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Nós, os clubes

Acompanhando, ontem à noite, o programa Linha de Passe na ESPN Brasil, deparei-me com a discussão dos jornalistas a respeito da lógica econômica que está por trás do desempenho dos clubes na corrida pelo título da Série A no Brasil.

Independentemente das razões que levam os clubes a aumentar suas receitas – cotas de TV, patrocínios, planos de sócios, licenciamento, venda de jogadores – chamou-me a atenção o comentário de Juca Kfouri, ao comparar a falta de união dos clubes de futebol no Brasil para lhes favorecerem boas negociações coletivas tal qual numa liga.

Aqui, ainda impera o individualismo dos interesses clubísticos, em que pese essa postura contribuir para a depreciação do futebol brasileiro, ao contrário dos Estados Unidos, onde se percebe o posicionamento de “nós, os clubes…”.

Imediatamente, associei o comentário ao comportamento histórico dos americanos e seus fundamentos de um Estado democrático, onde, não raro, conceitos e expressões coletivas são utilizados por agentes públicos, tais como “we, the people” (nós, o povo) ou “the people versus…” (o povo contra…), seja em discursos políticos ou em tribunais.

Lá, o todo é maior e diferente que a simples soma das partes, inclusive na MLS. E nem por isso as unidades que formam o todo – clubes ou franquias esportivas – são enfraquecidas ou ocorre homogeneização das competições e tudo fica absolutamente igual.

Não é igual. É equilibrado.

Com esse equilíbrio alcançado, cada clube vai procurar sua diferenciação e vantagens competitivas adicionais na relação – num sentido amplo – com a comunidade.

Nesse sentido, é possível criar um círculo virtuoso poderoso, que mantém a atratividade pela competição, gera sustentabilidade financeira e também faz com que a legitimidade social do futebol seja alcançada.

Na Inglaterra, a Premier League apoia sua estratégia no seguinte:


Esse posicionamento estratégico, associado à boa governança corporativa, fortalece a liga, que ganha mais dinheiro, distribui mais e melhor suas receitas – pois os clubes são ativos na gestão de seus interesses individuais também no processo decisório – e favorece a manutenção de políticas de responsabilidade social corporativa.

Pois bem, fechando o ciclo com o engajamento dos clubes na vida de suas comunidades, considerando a seguinte política:
“Clubes como “hubs” de suas comunidades”

– Para melhorar a vida dos jovens
– Atuar nas áreas mais necessitadas
– Apoiar escolas
– Trabalhar em parceria
– Engajar localmente, inspirar globalmente

É isso. Sem medo de pensar e agir como “we, the clubs” porque, lá atrás, “we, the people” ajudou a forjar e construir estas instituições.
 

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Qual o seu posicionamento estratégico em relação à evolução do jogo?

Para falar de futebol, muitas vezes, recorremos a alguns conteúdos teóricos que, sob um olhar superficial, não tem relação direta com a modalidade. Por exemplo, para quem não tem o hábito de analisar este esporte a partir de uma perspectiva sistêmica, durante uma leitura sobre a teoria dos sistemas dinâmicos, pode passar despercebida a sua relação e aplicabilidade com o confronto de sistemas que é o jogo de futebol.

Na coluna desta semana, o conceito teórico que embasa a reflexão proposta advém da área de gestão, mais precisamente da área de Tecnologia da Informação (TI), e do posicionamento estratégico das organizações quanto às inovações tecnológicas. Assim como no exemplo supracitado, o posicionamento estratégico das empresas, aparentemente, não possui nenhuma relação com os clubes e treinadores de futebol. Mas será que não mesmo?

De acordo com um modelo conceitual, uma determinada empresa pode assumir quatro diferentes posicionamentos estratégicos sobre sua postura de desenvolvimento de inovação tecnológica. São eles: líder, seguidor rápido, seguidor lento e não seguidor.

As empresas líderes são aquelas que sempre criam uma nova solução tecnológica para aquilo que vem sendo feito. A inovação é um diferencial competitivo e parte importante da missão da organização é quebrar paradigmas.

As seguidoras rápidas, estrategicamente, não investem a ponto de serem inovadoras, porém, estão sempre atentas ao que o mercado está fazendo e, principalmente, acompanhando os principais concorrentes. De olho nos melhores, é possível com menor risco e custo de investimento acompanhá-los no desenvolvimento de seus produtos.

Já as empresas seguidoras lentas acompanham as mudanças ao seu redor, porém, por algum motivo (financeiro, ideológico, estrutural, objetivos) não participam destas transformações num primeiro momento. Como o próprio nome sugere, o desenvolvimento tecnológico ocorre de maneira gradual.

E, por último, as organizações não seguidoras. Tem noção do que o meio quer, porém, estão tão especializadas numa fatia específica (cada vez menor) do mercado que preferem continuar fazendo como acham (ou aprenderam) que deve ser feito. Inovação “passa longe” destas empresas, porém, engana-se quem pensa que de uma hora para outra irão fechar as portas.

E qual a relação da inovação tecnológica das empresas com a evolução do jogo de futebol? Substitua a empresa pelas palavras clube ou treinador, inovação tecnológica por tendências do jogo e releia os cinco parágrafos anteriores!

A evolução do jogo é indiscutível. Quando observamos jogos de 40, 30, 20 ou 10 anos atrás e os comparamos com os grandes jogos do futebol mundial praticados na atualidade, parecem, inclusive, outra modalidade. Tal evolução global do jogo tem sido mensurada por analistas, estudiosos e empresas especializadas e traduzida em informações capazes de ilustrar detalhadamente cada um dos milhares de acontecimentos de uma partida.

Periodicamente, surgem novas tendências no futebol mundial de ponta: tiki-taka, contra-ataques cada vez mais velozes, goleiros mais adiantados, linhas defensivas de 5 jogadores, recuperações imediatas após a perda da posse de bola, saídas ofensivas com linha de 3, zonas pressionantes com ajustes individuais circunstanciais, bolas paradas curtas, etc.

Assim como no contexto empresarial, para cada um dos posicionamentos estratégicos, não existe melhor ou pior postura. Depende, exclusivamente, de cada empresa e do papel que ela pretende assumir no mercado. Obviamente, para cada papel assumido, uma consequência sistêmica será obtida.

Para concluir, voltando para o futebol: você sabe qual o posicionamento estratégico do seu clube? E o seu?

Aguardo sua resposta. 

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Cotas de ingressos

Nesta quarta, Atlético-MG e Cruzeiro protagonizaram a finalíssima da Copa do Brasil. Nos bastidores, presenciou-se acalorado debate entre as diretorias de Atlético e Cruzeiro sobre a divisão de ingressos para os clássicos que definirão o campeão da Copa do Brasil.

Essa divisão é prevista no artigo 86 do Regulamento Geral das Competições da CBF (texto normativo que rege todas as competições organizadas pela entidade) que confere ao clube visitante o direito de adquirir a quantidade máxima de ingressos correspondente a 10% da capacidade do estádio.

A norma fala em “quantidade máxima” e, possibilita a possibilidade de quantidade menor quando houver houver manifestação dos órgãos de segurança.

Dessa forma, no caso concreto, havendo entendimento por parte da Polícia Militar de que a segurança dos torcedores do Cruzeiro no Independência seria viável com sua alocação em setor com capacidade inferior aos 10%, não ocorre descumprimento legal.

Vale destacar que o parágrafo segundo, do artigo 86, RGC, prevê a possibilidade de haver acordo entre os clubes estabelecendo quantidade superior de ingressos, inclusive, na ocorrência de reciprocidade, ou seja, seria juridicamente possível haver as finais com torcidas iguais.

O Cruzeiro não exerceu o o seu direito de ter 10% de seus torcedores no Independência. Apesar disso, o Atlético não é obrigado a seguir o mesmo caminho e terá o direito à sua cota.

Na próxima semana, em reunião a ser realizada na federação Mineira de Futebol, os clubes definirão os detalhes logísticos para a finalíssima que tem tudo para ser ainda mais eletrizante que a primeira partida. 

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A música como recurso para performance e o controle emocional

Muitos atletas que buscam alta performance podem se utilizar de um recurso presente em todas as culturas do mundo: a música! Isso mesmo, a música!

Quantos de nós já não dissemos que não vivemos sem música ou que a música alegra nossa vida. E aquele ditado, “quem canta os males espanta”? Quem já não ouviu falar?

Pois bem, a música tem o poder de acalmar, estimular a memória, aliviar as dores e ajudar no exercício físico. Escutar uma determinada música pode trazer muitos benefícios para a saúde, corpo e mente dos atletas. E tem mais, sabiam que ela tem sido usada, inclusive, por médicos e terapeutas como tratamento?

Atualmente, tem sido abordada a capacidade de cura da música, funcionando como um verdadeiro remédio para vários problemas da vida cotidiana como apontam a pediatra Ana Escobar e a musicoterapeuta Marly Chagas.

A razão da tudo isso acontecer é devido a música ativar o centro de prazer do cérebro, assim como fazer sexo e ou comer um chocolate, por exemplo. Ela promove a liberação de dopamina e causa uma sensação de bem-estar.

Ainda conforme estes profissionais, os benefícios mais comuns da música para a saúde estão:

• Induz o ser humano ao movimento
• Melhora a comunicação, contribuindo para uma melhor organização das ideias
• Cria vínculos emocionais
• Ameniza a dor, pois contribui para a mudança de foco e distrai quanto a dor ou ao problema que se estabeleceu
• Acalma, ajudando a combater o estresse
• Fortalece a memória, criando novos caminhos no cérebro
• Promove o autoconhecimento, estimulando a imaginação das pessoas e com isso a descoberta de sensações e sentimentos

Para termos um exemplo relacionado entre a realização de exercícios físicos e a música, Costas Karageorghis, consultor de psicologia do esporte da Universidade de Brunel, na Inglaterra, aponta os efeitos da música quando se está praticando atividade física. Ela pode influenciar o humor, elevando potencialmente os seus aspectos positivos, como a energia, entusiasmo e felicidade, e reduzindo a depressão, tensão, fadiga, raiva e confusão. Além disso, a música pode ser usada para definir o ritmo do indivíduo, como ele cita no caso do etíope Haile Gebrselassie, que conquistou o ouro nos 10 mil metros dos Jogos Olímpicos de Sidney, em 2000. O último efeito, segundo Karageorghis, é o de que a musicalidade pode superar o cansaço e controlar a emoção durante uma competição.

Pelo comentado acima, já estamos mais do no momento de usar e abusar da música de maneira intencional e planejada para melhorar o desempenho geral de nossos atletas e um bom Coach Esportivo deve estar muito atento a utilização deste grande aliado ao alto rendimento na prática esportiva.

Até a próxima! 

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O raciocínio descontextualizado dos dirigentes do futebol

A época de eleições em clubes do futebol brasileiro é a melhor maneira de se analisar e de se compreender como pensam alguns dirigentes ou candidatos a cartolas. E o resultado é quase que invariavelmente assustador. Aliás, é um indicador claro de como distorcemos completamente a função dos clubes e a visão do esporte enquanto negócio, além de evidenciar temas totalmente anacrônicos.

Seja de forma explícita ou mesmo nas entrelinhas do discurso, vê-se com clareza que a forma e as temáticas abordadas servem para reforçar o viés antiprofissional das entidades de prática do esporte, apesar da tentativa de se defender o contrário.

Li recentemente, por exemplo, uma crítica de um candidato a presidente de um grande clube brasileiro aos atletas que ganhavam mais de R$ 100 mil por mês e estavam lutando para jogar menos partidas durante a semana. Ora, divagava ele, “trabalham apenas duas vezes por semana e ainda querem trabalhar menos?”.

Ao ler o referido comentário, fico tentando imaginar uma sala de reuniões para convencer o tal dirigente de que é importante ter uma equipe multidisciplinar de trabalho, como fisioterapeuta, fisiologista, analista de desempenho, preparador físico, médico etc. para melhorar a performance dos atletas. A resposta talvez seria algo como: “cada jogador que contrate um para si. Afinal, ganham o suficiente para poder investir em sua carreira”.

O fato é que premissas básicas, que são minimamente estudadas em qualquer faculdade de educação física, como a compreensão de que um atleta de futebol é como um artista e, portanto, ele não pode ser nunca visto apenas como um custo e sim como investimento e, por conseguinte, gerador de outras receitas futuras se bem escolhido e trabalhado dentro de um grupo de atletas, parece não fazer parte da agenda daqueles que se declaram “entendidos de futebol” e se julgam “verdadeiros revolucionários do mundo da bola”.

Aliás, falar que é empresário de qualquer ramo de negócio parece ser a porta de entrada para demonstrar que conhece de gestão e, portanto, o habilita a gerir um clube de futebol. No final das contas, não se compreende a atividade específica ligada a gestão do esporte e, por conseguinte, não se é possível perceber qualquer evolução positiva da indústria do futebol.

Ao contrário, parece que damos alguns passos atrás em cada processo eleitoral de clubes. Ao invés de se debater objetivamente o potencial de negócios que determinado clube pode ter e as nuances da gestão do esporte que se aplicam para cada caso, reiteramos uma visão claramente retrógrada e completamente incompatível com o momento. Resta sonhar com dias melhores… 

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Conta-gotas

Triste, mas verdadeiro. O Brasil é, em muitos casos, o país da piada pronta, como costuma defender o brilhante colunista José Simão.

Neste fim de semana, a CBF protagonizou mais uma de suas jogadas de marketing sem consistência, planejamento e, sobretudo, legitimidade.

A entidade de administração do futebol brasileiro havia anunciado, em seu site, que apoiaria o Ministério da Saúde na campanha de vacinação contra o sarampo e a paralisia infantil.

Para isso, publicou um texto e imagens em seu site, como noticiado pelo portal Máquina do Esporte, afirmando que o personagem “Zé Gotinha” entraria em campo, pois ele era o verdadeiro “craque do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil” e marcaria “um gol de placa”, “fazendo diferença nas partidas mais importantes de nossas vidas”.

Entretanto, o que se viu antes, durante e depois dos jogos oficiais? Nada. Perdeu-se uma valiosa oportunidade de se planejar uma comunicação consistente e de mobilização para todo o país em torno de uma causa social de grande relevância, bem como de se institucionalizar esta prática no seio da CBF, avançado sobre a superfície do mero marketing oportunista.

Seria também uma forma inteligente de relacionamento da CBF, dos clubes e do futebol brasileiro, enquanto instituição, para se aproximar das famílias, em especial das crianças e das mulheres, com a devida legitimidade inerente à importância da causa em questão.

A CBF já demonstrara visão limitada há algumas semanas, uma vez que afirmava que os investimentos na CONSTRUÇÃO de Centros de Treinamento espalhados pelo país dariam conta de atender aos propósitos do “Fundo de Legado da Copa”.

A FIFA, pois bem, acabou com especulações e determinou que os USD 100 milhões serão investidos na promoção do desenvolvimento para além da infraestrutura, futebol feminino e de base, assim como programas sociais e de saúde para comunidades carentes, focando especialmente nos 15 estados que não ofereceram Sedes para a Copa do Mundo.

E o mais importante: o financiamento, o monitoramento e o controle serão de responsabilidade da FIFA. As propostas e a implementação dos projetos serão de responsabilidade da CBF, com base em planos específicos enviados para a FIFA e aprovados pela mesma. Seguindo os regulamentos da FIFA, todos os fundos oferecidos dentro do projeto serão submetidos a uma auditoria anual central, realizada pela KPMG.

Ou seja, espera-se que o controle rigoroso da FIFA – de mesma natureza e intensidade que demonstrara ao cobrar do país a entrega da Copa do Mundo – evite a sangria deste fundo naquilo que de mais comum pode ocorrer, que são as obras.

Obras são o caminho escolhido para desvios, superfaturamentos e a falsa sensação de que se está “fazendo a diferença” para transformar e desenvolver a sociedade.

Nesse caso, o mais importante é a criação de projetos e programas regulares, com indicadores, metas e resultados quantitativos e qualitativos, cujo objeto seja relevante e possa integrar profissionais experientes e engajar as comunidades e a elas entregar boas práticas sociais transformadoras.

O problema é que, apesar do cofre e da chave estarem sob os cuidados da FIFA, quem controla a cancela de quais projetos serão aprovados e como serão executados ficará a cargo e critério da CBF.

Portanto, a falta de visão de longo prazo e a sede de poder de longo prazo sugerem que a gestão desse fundo será feita, por aqui, a conta-gotas, pois é melhor manter todo mundo no soro do que promover a cura do nosso futebol.

Na semana que vem, a conta-gotas, abordarei exemplos positivos de Inglaterra e Alemanha no que concerne à Responsabilidade Social Corporativa no futebol.
 

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Atlético-MG e Cruzeiro na final: aspectos jurídicos

Mal terminou a noite história do futebol mineiro com a classificação de Atlético-MG e Cruzeiro para as finais da Copa do Brasil, começaram a surgir rumores sobre os locais das decisões e se haveria torcida única.

A questão da torcida única envolve a aplicação do artigo 17 do Estatuto do Torcedor, segundo o qual o torcedor tem o direito à existência de planos de ação referentes a segurança, transporte e demais fatores que digam respeito ao evento esportivo.

Diante disso, clubes, CBF, FMF e o Poder Público se reunirão a fim de avaliar a viabilidade da coexistência das torcidas de forma segura e viável.

Por outro lado, o Regulamento Geral das Competições assegura cota de ingressos para o clube mandante e o Estatuto do Torcedor garante ao torcedor, o direito de acesso aos eventos desportivos.

Além dos riscos de violência, outra grande questão, no que diz respeito aos jogos de torcida única é a sensação da busca por uma solução mais simples e mais restritiva aos direitos dos torcedores ao invés de serem implementadas medidas que, de fato, combatam o problema da violência.

Considerando os casos recentes de violência nos clássicos mineiros, os clubes e as autoridades envolvidas terão que ser bastante criteriosos.

No que diz respeito ao local da partida, nem o Regulamento Geral das Competições, nem o Regulamento da Copa do Brasil impedem que a partida ocorra no Independência. Portanto, esta decisão é exclusiva do Atlético.

Interessante observar que a escolha do local da partida pode ter uma influência marcante no resultado final, eis que, segundo o Regulamento da Copa do Brasil (art. 13), em caso de partidas entre dois clubes da mesma cidade e disputadas em mesmo estádio, não existe o critério de gols fora de casa para desempate.

Assim, se Atlético e Cruzeiro se enfrentarem em duas partidas no Mineirão, será campeão aquele que marcar mais pontos, ou que tiver o melhor saldo de gols, independente do mando de campo.

Doutro giro, se houver uma partida no Independência e outra no Mineirão, os gols de Cruzeiro no Independência ou do Atlético no Mineirão poderão definir o campeão da segunda maior competição do país. 

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Como promover o bem-estar na transição de carreira

As transições numa carreira esportiva são fatos ou momentos que todo atleta irá passar ou vivenciar, isto porque essas fases são inerentes à vida de qualquer um de nós e precisamos compreender como gerenciar nossas emoções e termos plena consciência sobre nossos pensamentos em situações como esta.

Para isso, torna-se importante que todo atleta em fase de transição para uma nova carreira, reconheça que uma nova etapa de vida se inicia e com ela talvez sejam exigidos novos comportamentos e atitudes por parte deste indivíduo.

Como sabemos, nossos hábitos pessoais e estilo de vida impactam diretamente a nossa saúde física e mental e justamente por este motivo, muitos atletas ao chegarem ao momento da transição para uma nova carreira não conseguemmanterem-se saudáveis e com isso acabam por sentir dificuldades em avançar numa nova direção profissional ou minimamente para manter sua saúde física e mental em seu melhor estado.

Pelo exposto acima podemos ter em mente que uma boa forma de se iniciar um trabalho de coaching com atletas em momentos como este é contribuirmos com a promoção de mudanças comportamentais que podem se mostrar efetivas na prevenção de doenças associadas a maus hábitos adquiridos.

Compartilho com vocês uma ferramenta que contribui muito nesse trabalho, o Pentáculo do Bem Estar (PBE) de Nahhas (2003). O Pentáculo do Bem-estar (PBE) é uma demonstração gráfica dos resultados obtidos através de um questionário do perfil do estilo de vida individual, que inclui características nutricionais, nível de estresse, atividade física habitual, relacionamento social e comportamentos preventivos, com intuito de facilitar a visualização dos temas abordados.

A utilização do Pentáculo pode trazer clareza e transparência ao atleta sobre quais os aspectos de sua vida abordados na ferramenta (Nutrição, Atividade Física, Comportamento Preventivo, Relacionamento Social e Controle do Estresse) estão promovendo bem-estar em sua vida e quais estão abaixo do aceitável para ele. Os pontos que não estejam desenvolvidos são claramente alvos de novos planos de ação que gerarão mudanças de comportamento afim de elevar a percepção real de bem estar na vida dele, com isso facilita-se uma evolução em direção ao melhor do seu estado global enquanto ser humano. Aí sim, a partir deste ponto de trabalho inicial e de sua melhoria em relação ao bem-estar, podemos atuar em outros pontos da vida do atleta que estejam mais relacionados a busca por uma nova direção de carreira.

Até a próxima.

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Por que é tão difícil planejar o futuro do futebol?

Há uma questão muito latente no mundo do futebol que evidencia a dificuldade de vermos o desenvolvimento deste mercado por meio de uma curva com crescimento exponencial: todos querem deixar uma marca e construir a própria história dentro do clube.

Esse conceito é, em partes, resultado do formato de constituição dos clubes, que é feito por meio de ciclos, geralmente atrelados às eleições presidenciais e também aos campeonatos – a característica das disputas acaba por gerar, ironicamente, um vício na forma de gerir uma entidade esportiva, que é totalmente diferente do modelo que se percebe no meio corporativo.

Como cada dirigente quer deixar sua marca na história do clube, ao novo presidente não interessa formar jogadores para o futuro ou estar entre os 10 primeiros do campeonato deste ano para ficar entre os 5 nos anos subsequentes e, de alguma maneira, conquistar títulos por força de um processo natural de gestão, ou seja, uma consequência do bom trabalho.

Ao dirigente, o que vale, é ser vitorioso, pois dali a 2 ou 4 anos estará fora da gestão do clube e, portanto, não interessa o passivo que deixou para seus sucessores. Interessa, pois, o resultado esportivo.

Por tal constatação é que o desenvolvimento dos clubes é cíclico, em formato de espiral, e não linear para cima e para a frente!!! A cada novo mandato se tem uma nova forma de aprender a gestão, sempre tendo como pauta a conquista da próxima competição, com a falsa alegação de “que a torcida vive de vitórias” ou “do contrário, o clube irá acabar”. Por isso há estagnação e, às vezes, até retrocesso: cada um quer construir a história do seu jeito, sem tentar aprender lições do passado.

A boa dose de individualidade misturada com a prepotência e o orgulho pessoal impedem que os clubes construam bases sólidas de planejamento para uma ou mais décadas. E o pior: muitos dos que entram nos clubes acham que entendem de futebol, uma vez que acreditam acumular alguma expertise do lado de fora, olhando a todos os jogos e noticiários, sem ao menos ter estudado a fundo a matéria – é o vício do “espectador experiente”.

Essa é a razão pela qual o futebol brasileiro permanece aquém de muitos mercados globais. E continuaremos a ver esse retrocesso ao longo de alguns anos se não modificarmos drasticamente as estruturas de poder dentro destas instituições. O Prof. Dr. Gustavo Pires assim nos ensina:

“A ordem desportiva institucionalizada já não consegue acompanhar o ambiente de mudança acelerada dos nossos dias (…) O desporto, de uma maneira geral, está envolto em um processo de desagregação acelerada que faz com que toda a sua estrutura se esteja a modificar rapidamente, sem que os próprios protagonistas compreendam com que lógica e em que sentido. Nesta conformidade, podemos dizer que, no quadro da sociedade atual, as transformações se processam, na maioria das vezes, a uma velocidade maior do que a capacidade de análise que as organizações e as suas lideranças revelam ser capazes de processar. Em consequência, limitam-se a correr atrás dos acontecimentos”.

Não existe segredo: o conceito de se formar atletas, fidelizar torcedores para que se atraia investimentos de patrocinadores pela força da marca, além de poder gerar melhores dividendos com mídia e licenciamento está consagrado mundo afora. A consolidação destes fatores leva tempo e o trabalho deve ser bem feito de forma constante e perene, com resultados alcançados no médio-longo prazo.

Precisamos pensar em um modelo que atenda a angústia dos dirigentes em deixar sua marca com a necessidade da organização em se planejar e construir algo positivo para o futuro. Do contrário, continuaremos a “chover no molhado” quando falarmos em planejamento, projetos, processos (…) para o atual quadro de dirigentes e o atual modelo de constituição dos clubes. 

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Lusa, a garota do Norte

Se você for pro Norte, me avisa e veja se ainda tem um time de futebol lá no Canindé.

Se você chegar na Marginal e enxergar um monte de camisas verdes e vermelhas, mande um abraço para cada uma. Abrace bem forte e nem diga o porquê.

Abrace.

Se você chegar lá e bandeiras estiverem tremulando, saiba que você está no lugar certo, mas com gente errada por perto. Não as que estão vibrando por nada que é tudo. Mas pelos errados e incertos que deixaram as coisas quebrarem em um mundo de quebradeiras econômicas e quebradas perdidas.

Se você for para o Norte da capital e enxergar uma arquibancada vazia, saiba que nunca foi assim. Não são muitos, mas parecem tantos. Serão cada vez menos, mas muito mais que muitos tantos.

Eles são fortes. Eles são de luta. Eles são Lusa.

Força a esses.

Forca àqueles!

Os que destorcem. Os que não torcem. Distorcem. Destronam. Detonam. Derrubam.

Os fortes são os que são Portuguesa sem saber como quando quanto com quem por quem porquê.

Quando você for para o Norte da cidade, talvez você encontre gente sem Oeste de Itápolis, sem Leste do Corinthians, sem Sul do São Paulo, sem Norte, bússola tonta, biruta besta, súmula adulterada.

Você vai ver no Canindé gente de verdade. Gente que está perdida, mas não vencida.

Muito menos vendida como os vendilhões do templo de segunda categoria e terceira divisão.

Você que vai pro Norte da capital vai ver gente que torce por um time que só sabe cair, só sabe sair.

Quando você chegar ao Canindé vazio de ideais e de gente, olhe bem. Você vai enxergar quem não está mais lá. Mas esteve lá para construir o estádio e o clube.

Gente que nem jogou por lá. Djalma Santos. Julinho. Ivair. Leivinha.

Estão todos lá em cada pedra perdida, em cada canto do campo de cimento amado.

Enéas está chateado com Badeco em um canto. Edu Marangon está lamentando com Jorginho. Zé Roberto e Rodrigo Fabbri só olham para o gramado.

Quando você for pro Canindé, diga àquele senhor que vende caldo verde e uns docinhos com nomes engraçados que eles são deliciosos. Mesmo que não sejam mais. Ou nunca tenham sido.

Nem lembro mais se eu comi docinhos por lá.

Tremoço, sim.

E como comi!

A memória é seletiva. A Lusa que não foi ao escolher quem a dirigiu e desgovernou e colidiu feio na Marginal.

Matando quem está dentro. Morrendo como no acidente de Dener.

Mas não é fatalidade. É fato. Foi mal feito. Foi desfeito. Fede. Apodrece.

Como o rio que não mais corre no Tietê. Morre por ali.

A Lusa não morreu. Mas vai matando.

Lembro a minha última visita ao Canindé para comentar algum jogo abaixo do nível da história do time de 1952, de 1955, de 1973, de 1985, de 1991, de 1995, de 1996, de 1998. O elevador parou de funcionar ao final da partida melancólica como um fado de Amália.

No mostrador de andar do último do elevador, tinha um ponto de interrogação.

O elevador não sabia onde estava. Para onde ia. Se estava. Se funcionava. Estava em dúvida. Dívida. Não sabia. Certamente não subiria mais. Provável que só descesse. E pra além do térreo. Pro segundo nível. Agora pra terceira.

Por quem a mandou das quintas do Pari pro quinto dos infernos.

Quem pariu o belzebu que pegue os lupas e os lanternas e vá viver e morrer nos idílios e llídios do fundo do tacho do STJD do capeta e dos capatazes incompetentes que foram além do poço. No fundo da fossa. Da vala comum onde enterraram nesse vale tudo gente que vale nada pela velhacaria que fez ou deixou fazer.

Não sei se é caso de polícia ou de incompetência.

Ou tudo ao mesmo tempo em dias de vacas macérrimas e burros acérrimos.

Só sei que eu peço pra quem for para o Norte nos próximos dias que prometem ser meses que deverão ser anos que abrace esses fortes.

Essa gente que não torce para ser campeã.

Torce para ser o que é – gente que gosta sem precisar de nada, nem de título, nem de vitória, nem de primeira, e, agora, nem de segunda.

É Lusa por ser Lusa. Basta.

Mas chega de tanta besta e de tanta bosta lá no Canindé.

Perdão pela palavra feia.

Mas tem mais coisa feia lá no Norte.

A queda da Portuguesa é mais que a derrota de um time e a derrocada de um clube.

É perda de uma identidade. De uma referência de luta. De uma reverência de clube.

De uma gente que tanto batalha, que Aljubarrota, que ajuda, que arrebata, que abarrota. Que perde o rei em Alcácer-Quibir, mas não a majestade, não a realeza, não a riqueza.

Dias pobres e podres no Canindé.

Não sei quando volto lá.

Para você que for ao Norte da cidade, mande um abraço a todos.

Eles estão precisando.

E se você não achar ninguém na terra arrasada, saiba que ali vai sempre ter muito amor. Um carinho que quem tem sabe.

Se você for para alguma feira lá pelo Anhembi ou pelo Center Norte, perto de onde o vento bate forte lá no alto do estádio e das cabines do Canindé, tente lembrar a quem anda vive e revive e resiste por lá que algumas vezes eles não foram o meu verdadeiro amor.

Mas que eles são o verdadeiro amor por um clube.

Bravos da Lusa, um brinde de vinho.

Verde, claro. 

 

*Texto publicado originalmente no blog do Mauro Beting, no portal Lancenet.