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Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte pega fogo

Encerrada a temporada do futebol, os holofotes desportivos se voltam para os bastidores.

Dentre as contratações e negociações dos clubes, tem ganhado destaque os debates sobre o projeto de lei de responsabilidade fiscal do esporte que pretende trazer transparência na execução do dinheiro gasto pelos clubes e renegociação das dívidas, dentre outros pontos.

Nesta semana, Governo, Bom Senso FC e Dirigentes realizaram reuniões a fim de superarem as divergências a fim de que o projeto possa ser votado ainda este ano.

A primeira grande divergência diz respeito ao prazo de refinanciamento das dívidas fiscais, eis que os clubes pretendem fazê-lo em 25 anos e o Governo não quer ultrapasse 17.

A tendência é que as partes cheguem a um meio termo de 20 anos com o pagamento de uma entrada.

O valor desta entrada é outro ponto divergente, pois os dirigentes asseguram que os Clubes não dispõem de valores significativos para tal, o que inviabilizaria o financiamento.

Além das discussões específicas sobre o refinanciamento, os dirigentes pretendem pegar carona no projeto de lei para alterar alguns pontos na Lei Pelé.

Dentre os anseios dos clubes está a redução da idade para contratação de jogadores de 16 para 8 anos.

Tal medida é, de fato, indispensável para estimular a formação de novos atletas, já que traria maior segurança aos clubes.

Vale destacar que a tão comentada Seleção Alemã formou a atual geração campeã do mundo em centros de treinamento com crianças.

A grande questão é o entrave constitucional a esta redução, uma vez que a Constituição Brasileira somente autoriza o trabalho dos maiores 14 anos e, ainda assim, somente como aprendizes.

Doutro giro, apesar das divergências, algumas questões foram dirimidas como a não limitação de gastos com futebol profissional em 70% e à aplicação de uma punição gradual aos times que não honrarem pagamentos de salários, direitos de imagem e dívidas com o governo que iniciaria—se com um alerta e poderia culminar no rebaixamento.

Os temas debatidos no projeto de lei de responsabilidade fiscal no esporte são de extrema relevância e nos enche de boas expectativas. Aguardemos. 

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Os desafios de uma equipe de futebol

Observando alguns elencos individualmente, talvez não tivéssemos condições de apontar quais seriam os melhores, em termos de resultado coletivo, nesta temporada que se encerra. Por que será que muitas vezes a montagem de um elenco com atletas que não eram titulares absolutos em suas equipes anteriores, geram um resultado tão expressivo em outro clube juntamente com outro grupo de jogadores?

Como alternativa para reflexão sobre esta pergunta, compartilho com vocês os cinco desafios da liderança para nosso conhecimento. Ainda ao contrário do que muitos de nós pensamos, o trabalho em equipe continua sendo uma vantagem competitiva, devido ao seu potencial de impacto positivo no desempenho coletivo de qualquer equipe, seja ela de futebol ou não.

Patrick Lencioni, em seu livro “Os 5 Desafios das Equipes”, nos fornece quais são os desafios a serem superados para a construção de uma equipe de alto desempenho, bem como faz algumas indicações sobre qual caminho a seguir para superar esses desafios.

Aqui quero focar apenas em esclarecer brevemente quais são os desafios e com isso inspirar reflexões sobre o tema, já que estamos iniciando uma nova temporada e de alguma forma este tema pode ser útil para quem se interesse em superar os desafios na montagem de novas equipes.

O primeiro desafio a superar é a ausência de confiança entre os membros da equipe. Os membros da equipe que não são genuinamente transparentes e sinceros uns com os outros, principalmente em relação aos seus pontos a melhorar, acabam por tornar impossível a construção de bases sólidas de confiança dentro do grupo.

O fracasso em se conseguir construir esta relação de confiança é muito prejudicial, pois abre o caminho para que o segundo desafio apareça na equipe: o medo do conflito. As equipes aonde não existem a confiança, tornam-se incapazes de se envolver no debate franco de ideias em busca por soluções dos seus problemas.

A ausência de conflito saudável pode ocasionar o aparecimento do terceiro desafio que é a falta de comprometimento. Pois os atletas sem poder colocar suas opiniões durante uma discussão acabam por aceitar as decisões alheias, sem debater sobre o fato e no fundo acabam fingindo que concordaram com a alternativa e raramente se comprometem em realmente fazer o que foi combinado.

A falta deste comprometimento real cria nos atletas da equipe o hábito de evitar a responsabilidade, configurando-se aí o quarto desafio a ser superado. Sem um comprometimento verdadeiro, os atletas chegam ao ponto inclusive de até evitar chamar a atenção dos colegas em casos de comportamentos que geram mal-estar na equipe ou em situações nas quais um colega não se responsabilizou por determinada ação que era de sua responsabilidade executar em campo ou fora dele.

O simples fato de não conseguirem chamar uns aos outros às suas responsabilidades gera o ambiente adequado para que o quinto desafio se materialize na equipe a falta de atenção aos resultados. Isso acontece e podemos perceber facilmente, pois o atleta neste momento tende a colocar suas necessidades individuais acima das metas coletivas da equipe.

Podemos concluir que caso algum elo desta corrente quebre todo o relacionamento da equipe se fragiliza e as disfunções aparecem, tornando-se os desafios a serem superados para que a equipe passe a ter um bom relacionamento e com isso se gere uma contribuição para um melhor desempenho coletivo.

Cabe lembrar também que no momento em que as disfunções ou desafios são superados nós temos um reflexo extremamente positivo no grupo uma vez que, todos passam a confiar uns nos outros, envolvem-se genuinamente nos conflitos saudáveis em busca por melhores soluções para seus problemas, comprometem-se com as decisões tomadas e os planos definidos, assumem e chamam uns aos outros para a responsabilidade quando algo não sai como deveria e consequentemente se concentram na realização dos resultados coletivos.

Então fica a sugestão do tema para os clubes que iniciarão neste momento a montagem de suas equipes para a próxima temporada, superem seus desafios e tenham um ótimo desempenho coletivo dentro e fora do campo.

Até a próxima.

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Ou interdisciplinaridade, ou ignorância

Em 1806, o poder militar prussiano foi esmagado pelos exércitos de Napoleão. Diante de tamanho desastre, o que fez o rei da Prússia? Concluiu, ruminando tristeza, que uma derrota de tão vastas consequências só podia significar uma grande ignorância, por parte dos derrotados. E não perdeu muito tempo: decidiu imediatamente criar uma universidade de um tipo novo, que teria, obrigatoriamente, como alunos, os próximos e futuros responsáveis pela administração e pelas forças armadas do país… para que se atualizassem! Assim nasceu, em 1810, em Berlim, a universidade-piloto do século XIX europeu. Uma lição que poderá invocar-se, quando se escutam, depois dos jogos, os treinadores e os dirigentes das equipas, com resultado desfavorável.

Infelizes, ressabiados, indignados, sempre que juntam duas ideias é, quase sempre, para condenar o árbitro, o principal culpado, presumem eles, da derrota dos seus clubes. Que graves erros se acoitem na direção, ou na equipa técnica, ou nos jogadores são ideias em que não pensam, nem lhes interessa pensar. Contentam-se com um fundamentalismo clubista, que descobre inimigos, no céu e na terra e… na arbitragem!

A suspeita de outras dimensões capazes de explicar os inêxitos das suas equipas são temas que não lhes polarizam a atenção. O Vítor Serpa, com a alma e a eficiência dos fundadores d’A Bola, escreveu este sugestivo texto, no dia 1 de Novembro de 2014: “Lopetegui tem-se mostrado um treinador promissor e um cidadão civilizado. Teve um começo curioso, procurando impor a sua personalidade, a sua visão, o seu conceito de futebol. As suas declarações também mostravam um ser humano criativo e inteligente. No entanto, havia quem o acusasse de não ser um treinador à Porto. Agora já é. Sem qualquer razão que o justificasse. Lopetegui veio a píblico dizer esta preciosidade: Juntos seremos mais fortes, contra tudo e contra todos.

É a velha fórmula quixotesca de arregimentar quam se decida lutar, contra moínhos de vento. Contra tudo e contra ninguém”.Miguel Real, em assomo de penetrante sagacidade, escreveu, no seu último livro, O Futuro da Religião (Vega, Outubro de 2014): “O fundamentalismo religioso consiste no ato mental de passagem de uma religião, animada pela fé, a uma religião animada pela alucinação mental” (p. 49). Também o fanatismo clubista é, como se sabe, uma “alucinação mental” e, por isso, o problema de saber-se qual o lugar das ideias, num contexto clubista, tem uma importância chave, sempre que se pensa no desenvolvimento de uma qualquer modalidade desportiva. Se bem penso, nos dias que correm, um departamento de futebol deveria assemelhar-se e uma equipa pluridisciplinar, liderada logicamente por um treinador de futebol.

No desporto do futuro, a interdisciplinaridade será uma exigência, mormente no desporto de alta competição, tendo em conta uma prática informada dos seus treinadores. Um cientista, sedento de fama e de honrarias, isolado no seu laboratório, não atingiria nunca as culminâncias do génio criador porque só em grupo, solidariamente e à luz de um projeto interdisciplinar tal será possível.

Há vários tipos de interdisciplinaridade que não é possível analisar-se, aqui e agora. “Grosso modo”, a interdisciplinaridade segue os passos seguintes: encontro entre especialistas de diversas disciplinas que estudam paralelamente o mesmo problema; comunicam entre si os resultados obtidos; elaboram, por fim, avaliados os resultados e os métodos de cada uma das disciplinas, um relatório comum.

A interdisciplinaridade não nos permite dissociar a teoria da prática, já que, verdadeiramente, é a prática que se pretende enriquecer ou transformar. “A pesquisa interdisciplinar faz apelo, pois, a diversos pesquisadores a fim de que, debruçando-se cada um sobre um mesmo problema, na linha da sua especialidade, decorra de seus saberes, reunidos e integrados, um conhecimento mais completo e menos unilateral” (Hilton Japiassu, Interdisciplinaridade e Patologia do Saber (Imago Editora, Rio de Janeiro, p. 88). Partindo do pressuposto que o futebol (como o desporto, em geral) é um dos aspetos da motricidade humana e que nos situamos portanto no âmbito das ciências humanas, será de estabelecer-se depois a metodologia do interdisciplinar, constituindo-se uma equipa de trabalho de especialistas de várias áreas do conhecimento – mas especialistas que gostem do futebol e, nas suas linhas gerais, o conheçam, para que não se descambe na situação absurda e singular de um estudo sobre o futebol não ter em conta os factos e os acontecimentos que o futebol segrega, mas tão-só o jogo metafísico das ideias. Com isto, não digo que a um “agente do futebol” não interesse a leitura de um Dante, ou de um Dostoievsky, ou de um Dickens, ou de um Vieira, ou de um Camões, ou de um Pessoa (estes três últimos escritores os nomes maiores, no meu entender, da literatura portuguesa). Mas que não se tente resolver os problemas do futebol, teorizando tão-só. É que, para mim (e há muitos anos já) quem só teoriza não sabe.

Em 1977, escrevi eu um livrinho, editado pela Compendium, A Prática e a Educação Física, onde pode ler-se: “De facto, a unidade prática-teoria constitui uma totalidade em que à prática assiste papel fundamental, pois é nela que se reconciliam e interfecundam o objectivo e o subjectivo (…). A prática, sem teoria, é cega – para pouco serve; a teoria, sem prática, definha no idealismo mais concêntrico – para nada serve” (p. 15). Em 1991, publiquei A Pergunta Filosófica e o Desporto, também editado pela Compendium, e reforcei esta mesma ideia: “é especialista em futebol quem o pratica e o teoriza para praticá-lo melhor” e portanto importa: “radicar a teoria na prática; acompanhar a prática de teoria; teorizar, para perspetivar e antecipar uma nova prática” (p. 51). A vida (e o futebol é vida) não é tanto um problema intelectual que é preciso resolver, mas uma situação que é preciso viver, para poder transformar-se.

Não tenho dúvidas que, para formular-se um problema, importa antes conhecer o todo donde esse problema nasce. E, no todo, porém, há mais do que desporto e mais do que tecnociência e mais do que filosofia e mais do que arte. Daí, a necessidade imperiosa da cooperação interdisciplinar, entre saberes vários, no mundo irradiante e complexo do desporto de alta competição, onde o futebol se movimenta. Daí, a necessidade também de um líder da equipa interdisciplinar (no futebol, o treinador principal) que não desconheça a complementaridade, entre as diversas áreas do saber e se mostre capaz de liderar a superação do fracionamento disciplinar, rumo a uma nova síntese. É o conhecimento integrado do futebol (ou de qualquer outra modalidade desportiva) que pode assegurar não só um clarão fulgurante de reflexões, mas também uma revolu&
ccedil;ão científica, que consagre o desporto (e portanto o futebol) como autonomia disciplinar.

Com a interdisciplinaridade, há um enriquecimento evidente de uma área disciplinar. Um estudo do futebol, por exemplo, que não se interesse senão pelo que é específico do futebol aproxima-se, a passo estugado, da ignorância. São os “agentes do futebol” que sabem, pelo seu saber de experiência feito, o que é o futebol. Ninguém pode preconizar, no âmbitio do conhecimento científico, que as fronteiras de uma disciplina se esfumem, se diluam. No entanto, o seu progresso não se realiza, sem a colaboração doutras ciências. Um facto indiscutível, indiscutido, na epistemologia hodierna. Tudo o que é humano faz parte de um universo inacabado e em génese. Tudo, incluindo o futebol!
 

*Manuel Sérgio é antigo professor do Instituto Superior de Educação Física (ISEF) e um dos principais pensadores lusos, Manuel Sérgio é licenciado em Filosofia pela Universidade Clássica de Lisboa, Doutor e Professor Agregado, em Motricidade Humana, pela Universidade Técnica de Lisboa.

Notabilizou-se como ensaísta do fenômeno desportivo e filósofo da motricidade. É reitor do Instituto Superior de Estudos Interdisciplinares e Transdisciplinares do Instituto Piaget (Campus de Almada), e tem publicado inúmeros textos de reflexão filosófica e de poesia.

 

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Lições do exterior – Parte 1

Preparei três textos em sequência para debater e colocar alguns pontos de vista sobre o mercado esportivo dos EUA que podem ser úteis para o contexto do esporte no Brasil. São situações e constatações gerais e aplicáveis, que levam em conta tão somente processos que não demandam grandes investimentos ou a aplicação de tecnologias que não temos tanto acesso no país. São, a bem da verdade, um conjunto de propostas de pequenas mudanças de pensamento ou ajustes culturais para podermos ter uma indústria esportiva mais forte.

As ideias são provenientes de um curso promovido pela UNISUL (de Florianópolis), que trouxe para os EUA estudantes e profissionais para um ciclo de palestras e visitas a universidades e equipes de ligas profissionais, em um período de 15 dias (de 06 a 20-dez), a qual estou participando. Nestes primeiros dias tivemos duas palestras com o Professor Dr. Mauro Palmero, brasileiro radicado nos Estados Unidos, que recebeu o grupo no Campus da East Tennessee State University, em Johson City.

Além das excelentes visitas nas ótimas instalações esportivas da universidade, que disputa competições da NCAA, e do Bristol Speedway, pista de corrida que recebe provas da Nascar, tivemos debates e palestra sobre o modelo esportivo dos EUA, do sistema de esporte universitário e das ligas profissionais.

Desta última, além da apresentação sobre o funcionamento de alguns mecanismos de equilíbrio competitivo, da forma de comercialização de ingressos e dos direitos de transmissão de algumas ligas, que apresentam números robustos quando comparados a qualquer outro mercado, destaco uma frase dita algumas vezes pelo Prof. Palmero que talvez traduza muito bem a cultura destas competições: “A Liga é tão boa quanto o pior time dela”.

A simples frase resolve muitos dos problemas de tentativa de definição de porte e qualidade de muitas competições no Brasil. Quer isso dizer que o Campeonato Brasileiro da Série A de 2014 é tão bom quanto o “Criciúma EC”. O Campeonato Paulista do mesmo ano é tão bom quanto o “Paulista de Jundiaí”.

As equipes, ao entrarem em uma competição, precisam disputá-la com equipes de um mesmo nível técnico para que o produto possa ser atrativo. Este é um conceito sacramentado no ambiente de negócios do esporte. Se nem todas as equipes tem o mesmo nível técnico, existem duas alternativas plausíveis: (1) que se tente um equilíbrio competitivo através da distribuição mais equitativa de recursos (financeiros, técnicos, estruturais etc.); ou (2) que se retire as equipes que não tem a capacidade de competir com as maiores.

Quer isto dizer que, enquanto não trabalharmos para a qualificação de todas as equipes para que desenvolvam melhor seus negócios e o seu conteúdo esportivo, teremos não só um abismo enorme entre as equipes mais estruturadas ante as equipes de menor porte (que, é bom que se diga, existem em qualquer contexto do mundo), mas, principalmente, um produto geral de qualidade duvidável.

Eis uma barreira importante para o passo que queremos dar no esporte dito profissional no Brasil. Para falarmos mais claramente sobre negócios é preciso encontrar um equilíbrio com o viés esportivo. Esta é a grande chave para o nosso desenvolvimento…

(Continua…) 

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O fim do ano e as reflexões necessárias no futebol brasileiro

Itaú, Bradesco, Skol, Banco do Brasil, Brahma, Natura, Petrobras, Antarctica, Vivo, BTG/Pactual, Cielo, Casas Bahia, Lojas Americanas, Renner e Hering. Segundo estudo feito pela consultoria Interbrand, essas são as 15 marcas mais valiosas do Brasil em 2014. Sabe o que mais elas têm em comum? Nenhuma delas aparece no uniforme de grande equipe do futebol brasileiro. No ano em que o país recebeu a Copa do Mundo, o Campeonato Brasileiro termina com uma crise de patrocinadores. Afinal, é apenas culpa do mercado?

No futebol brasileiro, os patrocínios (não apenas os que aparecem no uniforme) representam uma média de 20% da receita dos clubes. É um cenário diferente da Europa, onde essa fonte responde por mais de 30% do total, mas ainda é algo com papel preponderante para o cotidiano das equipes.

E quem patrocina os clubes no Brasil? Entre as principais marcas do país, apenas a Brahma mantém investimentos consistentes em times. Ainda assim, a cervejaria faz isso de forma indireta, via programa de sócios.

Em contrapartida, clubes como Palmeiras, Santos e São Paulo terminarão 2014 sem um patrocinador máster. Outras equipes de peso, como Atlético-PR, Corinthians, Coritiba, Figueirense, Flamengo, Vasco e Vitória, só estão fora desse grupo porque recebem investimento da Caixa Econômica Federal.

Em tempo: a Caixa é um banco de origem estatal, mas disputa mercado com entes privados. Portanto, é lícito que invista em clubes que representem retorno estratégico de marca e que auxiliem a consolidação da marca. O patrocínio é visto por muitos como privilégio de recurso público para algumas equipes, mas é justo que seja norteado pelo mercado.

No futebol brasileiro, os patrocínios estão ligados a paixão clubística (como o caso Unimed-Fluminense) ou a estratégias pontuais (como o plano da Caixa, que é extenso e recente). É um mercado dominado por marcas que buscam mercados específicos ou que tentam consolidar o nome.

A temporada 2014 ficou marcada pelos novos estádios. Na esteira da Copa do Mundo, foi o ano em que o Brasil recebeu arenas e começou a conviver com um novo padrão de espaço para receber o futebol profissional. Isso também potencializou a receita de bilheteria e aumentou o peso dessa fonte no total do faturamento para muitos clubes.

Entretanto, o futebol brasileiro ainda não evoluiu em segmentos muito necessários, e a relação com patrocinadores está nesse grupo. A ausência de grandes marcas nas camisas dos principais clubes tem relação direta com o tratamento dado às empresas que se aventuram no meio.

Os grandes patrocinadores não estão no futebol brasileiro também porque clubes e federações não têm planos consistentes para devolver esse investimento e mostrar isso.

Questionados sobre isso, clubes culparam a Copa do Mundo pela ausência de patrocinadores em 2014. A tese é que as principais marcas concentraram investimentos no Mundial e “fugiram” das equipes locais.

Ainda que essa concentração tenha acontecido, ela não pode ser suficiente para que os investimentos em clubes sumam. Se o retorno for comprovado e bem estruturado, as marcas podem ampliar aportes ou abrir espaços para concorrentes.

Não faltam recursos e não falta disposição. O poder do futebol brasileiro como mercado é indiscutível. A questão então é: por que as grandes marcas não conseguem aproveitar todo esse potencial? Com tantos amantes de futebol, por que o Brasil não tem o maior mercado do planeta?

O Brasil tem 200 milhões de habitantes, e o futebol é uma paixão comum para a imensa maioria. Mas quantos são efetivamente consumidores de esporte? Quantos gastam dinheiro nessa seara, com jogos, produtos oficiais ou experiências?

Tudo isso faz parte de um cenário complexo e que tem a ver com a comunicação. O futebol brasileiro tem pouco valor estratégico porque tem dificuldade para entender objetivos das marcas e transmitir a elas o retorno obtido.

O futebol brasileiro também tem um mercado instável porque se apoia pouco em bons personagens. Na Espanha, por exemplo, o duelo entre Cristiano Ronaldo e Lionel Messi tem polarizado o campeonato nacional e ajudado a ampliar a repercussão. São feitos atrás de feitos, numa proporção que até rivaliza com as histórias do próprio torneio.

No Brasil, estrelas não têm tempo para conquistar tanto. Tampouco há um trabalho para que os personagens sejam valorizados (e esse trabalho é negligenciado por clubes, entidades e até pelos parceiros de transmissão).

A temporada 2014 podia ter sido um marco para o futebol brasileiro. A Copa do Mundo voltou ao país, que já havia sediado o torneio em 1950, e encontrou um cenário bem diferente. Podia ter sido a consolidação de um processo de amadurecimento e desenvolvimento.

Entretanto, o futebol brasileiro termina o ano precisando repensar as coisas que estão acontecendo aqui. Num dos momentos mais importantes de sua história, o país não consegue ser relevante para as marcas e ainda não sabe como contar boas histórias aos consumidores.

Que o fim da temporada futebolística seja também um momento para o futebol brasileiro repensar. É fundamental que isso seja feito.

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A Série B ainda não acabou

O Campeonato Brasileiro da Série B terminou neste final de semana com o acesso de Joinville, Ponte Preta, Vasco e Avaí. O América-MG fez uma campanha excelente, mas não conseguiu o acesso por ter perdido seis pontos em razão da escalação irregular de atleta.

Entretanto, a mesma Justiça Desportiva que retirou o América da Série A do próximo ano, pode lhe devolver a vaga.

Isto porque o Icasa será julgado no Pleno do STJD por ter entrado na Justiça Comum no início do ano, antes de esgotar as esferas desportivas e reivindicar a vaga na Série A 2014 por uma suposta irregularidade no Figueirense, quarto colocado na Série B de 2013.

A Fifa, em seus estatutos, veda expressamente a utilização da Justiça Comum para solução de conflitos e prevê penas severas para a inobservância de tal dispositivo.

O Código Brasileiro de Justiça Desportiva, por sua vez, prevê no seu artigo 231 a pena de multa e exclusão do campeonato nos casos em que o clube pleiteie perante o Poder Judiciário questões referentes à disciplina e competições, antes de esgotadas todas as instâncias da Justiça Desportiva.

Na primeira instância da Justiça Desportiva, o Icasa foi punido com a pena de exclusão da competição e somente disputou a Série B graças a um efeito suspensivo concedido quando da interposição de recurso.

O recurso preparado pela equipe cearense será julgado na próxima quinta-feira pelo Pleno do STJD.

Na hipótese de ser mantida a eliminação do Icasa, não há previsão legal sobre a forma de aplicação da penalidade, mas a tendência é que todos os resultados da equipe cearense sejam desconsiderados e, com isso, o América seria o quarto colocado na competição e ascenderia à Série A de 2015.

Se por um lado eventual a eliminação do Icasa traria certa sensação de injustiça ao Avaí/SC, que conquistou o acesso na última rodada, após vencer o Vasco, o STJD acabaria por restabelecer a classificação obtida pelo América em campo, já que o clube mineiro só não se classificou para a Série A em razão dos seis pontos retirados pela própria Justiça Desportiva. 

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Gerindo a energia dos atletas

Você sabia que é possível gerir a energia do atleta de futebol? Aliás, é possível para qualquer pessoa. Isso mesmo, podemos gerir nossa própria energia e com isso melhorar nosso desempenho profissional e pessoal.

Mas para isso precisamos antes compreender uma questão chamada de envolvimento total, a qual se trata de todo poder que se pode ter para desenvolver o melhor de seu desempenho esportivo ou em qualquer outra atividade profissional. Isto se refere a adotarmos um novo paradigma de engajamento e envolvimento, conforme nos instrumenta Jim Loher e Tony Schwartz, autores do livro Envolvimento total gerenciando energia e não o tempo.

Percebemos que temos um envolvimento total em nossa vida quando se é capaz de mergulhar na missão na qual se está investindo, o que implica numa mudança decisiva na forma de se viver a vida. Este envolvimento exige o equilíbrio de quatro dimensões da energia:

• Energia física
• Energia emocional
• Energia mental
• Energia espiritual.

Todas as quatro dinâmicas são críticas, nenhuma delas basta por si mesma e cada uma têm o poder de influenciar as outras.

Mas quero compartilhar aqui de maneira geral, conforme os autores acima citados, a dinâmica da energia, que na prática gera vários impactos em todo ser humano, conforme a seguinte matriz composta pelos quadrantes de Energia Alta e Negativa, Energia Baixa e Negativa, Energia Alta e Positiva e Energia Baixa e Positiva.

Para se movimentar de um quadrante de baixa energia negativa para chegar e se manter no quadrante da alta energia positiva, o atleta necessita passar por um processo de mudança duradoura e este consiste em três etapas sugeridas que podemos identificar como Propósito – Verdade – Ação.

Na prática, para se efetuar esta mudança deve-se então:

• Definir claramente um propósito;
• Encarar a realidade, reconhecendo exatamente seu estado atual;
• Entrar em ação.

Podemos supor que o atleta para atingir o alto desempenho necessita estar com energia alta e positiva, mas no fundo podemos arriscar que para que este seja inspirado a chegar neste quadrante ele precisará ter um enorme prazer no que está fazendo, ou seja, todo esforço e energia envolvidos devem fazer sentido para ele. Podemos pensar que para atletas que ainda buscam realizar conquistas em sua carreira talvez seja mais fácil encontrar um propósito que o inspire a chegar lá, mas e para aqueles que já realizaram grandes conquistas no futebol, como inspirá-los após concretizarem várias conquistas em alto nível?

A resposta para estes casos pode estar em leva-los a um nível tão alto de desempenho no qual ele perceba que toda sua energia investida está gerando grande satisfação profissional e pessoal, pois tem total relação com suas maiores expectativas e sonhos, ainda, que estejam relacionadas a conquistas acima de qualquer media estabelecida pelos padrões atuais de resultados e que deixarão legados valiosos para sua carreira e para o clube em que estejam atuando profissionalmente.

Com isso fica valiosa dica sobre a gestão de energia, que pode ser muito importante para todo e qualquer atleta de futebol, dos mais jovens até os mais vitoriosos. Que tal pensar nisso para a próxima temporada que se aproxima?

Até a próxima.

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Nunca ex. Sempre Alex

Não vamos perder Alex neste primeiro domingo de dezembro quando ele encerra no Alto da Glórias os 19 anos de futebol, com 400 gols em 1000 jogos. No Coxa do coração, o Cabeção vai pendurar as chuteiras como todo ano penduramos meias para Papai Noel pedindo um presente.

Eu adoraria pedir de Natal o passado sempre atual de Alex.

Craque que merecia a Copa de 2002 no currículo. Caráter que a vida brasileira precisa ter em todos os campos. Campeão de quase tudo por muitos.

Mais dele já escrevi em outro texto, nesta sexta-feira exibido no Fox Sports. E ainda é nada. Ainda mais se comparado ao livro que vem aí, biografia escrita por um Alex das letras – Marcos Eduardo Neves.

Aqui só quero contar mais uma historinha de família. Aquilo que tanto preza Alex.

Foi em de março de 2002. Morumbi. Meu caçula Gabriel não tinha seis meses. O Luca tinha três. O São Paulo era favorito naquela noite de quarta. Vinha de vitórias de quatro pelo Rio-São Paulo. O Palmeiras não vinha mal. Mas não jogava tanto até fazer dois gols em menos de meia hora.

Até fazer o gol de todas as horas.

Eu iria tentar aqui descrever o gol. Eu poderia transcrever o que falou o José Silvério na Bandeirantes na narração que rendeu placa ao autor do gol e ao locutor que, como craque que é, viu e relatou antes da conclusão a obra prima palestrina.

Quando Alex chapelou primeiro o zagueiro Emerson, já era demais.

Quando Alex chapelou o número 1 Rogério Ceni, foi além de tudo.

Quando ele teve a humildade de encher o pé de sem pulo para não encher o saco de ninguém, meus olhos já eram água.

Liguei pro Luca. Pedi para a mãe dele chamá-lo. Falei que era gol do Palmeiras e ele fez aquele “eeee” infantil.

Mas criança era eu na cabine da TV Record.

Eu não estava comentando o jogo. Ainda bem. Não havia o que falar. Ainda não há o que descrever. Reveja no YouTube. Ou nem precisa. Está na memória de muita gente. Verde ou não. Não precisa esperar cinco segundos para pular o comercial. Não deu isso de tempo para Alex fazer um gol para todos os tempos.

Foi 4 a 2. Desde então o Palmeiras não venceu o Tricolor no Morumbi. Cairia no final do ano de 2002. Pode cair de novo este ano.

Isso não é Palmeiras. Aquele gol de Alex vale por 100 anos de clube.

Esse é o Alex: o abraço que ele me deu no dia do Amém final a São Marcos em dezembro de 2012 valeu por meus 46 anos.

O Palmeiras tinha acabado de cair no BR-12. Meu pai tinha morrido duas semanas antes. Alex chegou na concentração da festa, me abraçou e falou algumas palavras.

Assim como não consigo descrever o que foi aquele gol de 2002 que me fez chorar, não consigo repetir o que ele me disse.

Fiquei tão emocionado com o carinho e respeito pelo meu Babbo que também chorei logo depois. Não na hora, que a gente fica sem palavras. E todas as minhas palavras, naquela hora, eram para que Alex pudesse voltar ao Palmeiras e ser o camisa 10 no centenário.

Homem de palavra e de família, Alex já era do Coritiba. Sempre foi.

Como sempre será dos times que honrou. Como sempre será dos torcedores que sabem o quanto ele jogou.

Cabeção com inteligência e caráter do tamanho do coração, Alex me fez chorar ao telefone com meu filho em 2002. Me fez chorar no banheiro de um hotel pelo meu pai em 2012.

Neste domingo ele se despede.

Em todos os dias eu me despeço e jamais dispenso um cara como ele.

Alex, obrigado pelos 4 a 2 em São Januário, pelo 4 a 2 na Copa do Brasil em 1999, pelos 3 a 0 no River, pelas quartas da Libertadores de 1999 e pela semifinal de 2000.

Pelos chapéus de 2002, pelo abraço em 2012.

Se puder, claro, também por uma ajudinha que estamos precisando em 2014, contra o Bahia.

Mas mesmo se não tivesse tudo isso, mesmo se você não jogasse tudo isso, obrigado só por ter Bom Senso e coragem.

Por ser o cara que você é.
O craque que você é.

Nunca ex. Sempre Alex.
 

*Texto publicado originalmente no blog do Mauro Beting, no portal Lancenet.

 

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A última rodada

Ainda falta uma rodada para o término do Campeonato Brasileiro de 2014, mas os dez jogos do próximo fim de semana servirão apenas para definir os dois últimos rebaixados (Botafogo e Criciúma já caíram). Com muito drama e pouca coisa a ser resolvida, a principal questão do fim de semana derradeiro da principal competição do futebol nacional é como distribuir emoção entre partidas que valem pouco ou nada.

A questão é inerente ao formato do campeonato, que é disputado em sistema de pontos corridos. Existe a possibilidade de esse tipo de certame ser decidido com antecedência, e isso escancara o maior desafio do modelo: contar histórias que não sejam limitadas às conquistas.

O Cruzeiro assegurou o título com duas rodadas de antecedência. No último fim de semana, a um jogo do término, o São Paulo garantiu o segundo posto. Além disso, Internacional e Corinthians preencheram as vagas brasileiras para a próxima edição da Copa Libertadores. Os únicos times realmente interessados na última rodada são Bahia, Palmeiras e Vitória – entre eles, apenas um vai evitar o descenso.

Bahia, Palmeiras e Vitória são as histórias óbvias da última rodada. Mas será que só os três farão jogos interessantes? Aliás, o Bahia fará uma partida com outro elemento relevante: será a despedida do meia Alex, do Coritiba, que vai encerrar a carreira após o término do Brasileirão.

Em menor escala, há uma briga interessante entre Internacional e Corinthians. Os dois times estão empatados em pontos e ainda postulam o terceiro lugar. A diferença entre isso e a quarta posição é a classificação direta para a fase de grupos da Libertadores – entre os dois, um será obrigado a disputar a etapa preliminar do torneio sul-americano.

A questão é: como promover os outros jogos? Por exemplo: como atribuir interesse ao duelo entre o rebaixado Botafogo e o Atlético-MG, campeão da Copa do Brasil e atual sexto colocado? Como valorizar o confronto entre Grêmio e Flamengo, dois clubes relegados ao meio da tabela?

Cada time que disputa a liga profissional de basquete dos Estados Unidos (NBA) faz mais de 80 partidas antes dos playoffs. Na segunda metade da temporada, muitos desses jogos são absolutamente desinteressantes para classificação. Ainda assim, os ginásios seguem cheios e barulhentos.

O primeiro ponto aqui é o formato de venda. Times da NBA vendem carnês para toda a temporada, coisa que ainda é pouco comum no Brasil, a despeito do crescimento dos planos de sócios.

A grande vantagem de vender carnês é assegurar renda de bilheteria por um longo período. O desafio, em contrapartida, é que o longo prazo não faz parte da cultura padrão de nenhum torcedor. Desenvolver esse tipo de coisa demanda um trabalho de convencimento – as pessoas precisam entender por que é importante que elas comprem ingressos para todas as partidas da temporada. Esse convencimento pode ser feito com comunicação incisiva ou com benefícios.

No Brasil, o que acontece é o contrário. O exemplo mais recente aconteceu na decisão da Copa do Brasil – Atlético-MG e Cruzeiro praticaram preços exorbitantes para os dois jogos do duelo vencido pela equipe alvinegra. A principal vantagem de vender ingressos pensando apenas no curto prazo é sobretaxar essas entradas nos momentos mais relevantes da temporada. Em vez de uma receita equilibrada durante todo o ano, as partidas mais importantes acabam pagando pelas que dão menos dinheiro.

Parece besteira, mas o modelo de venda praticado no Brasil é parte de um enorme problema. O país tem um campeonato de futebol disputado em pontos corridos, mas não pensa nas implicações disso ao se comunicar com o torcedor. Nós ainda falamos sobre “a chance de o time ser campeão” ou “a luta para evitar o rebaixamento” como se essas decisões fossem as únicas coisas relevantes na competição.

Falta no Brasil uma comunicação adequada ao formato de temporada do futebol. Falta algo que seja mais focado nas histórias e menos nas conquistas. A última rodada de um campeonato com quase tudo definido podia ser uma excelente oportunidade para isso.

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Transformações para o futebol brasileiro

Estamos próximos do encerramento de mais uma temporada. Já conhecemos, antecipadamente, o campeão da Série A, dias atrás foi conhecido o campeão da Copa do Brasil e, neste ano, assim como na Copa Libertadores, não teremos nenhum representante brasileiro na final da Copa Sul-americana.

Na perspectiva dos resultados, valorizado e priorizado a qualquer custo em nossa cultura, os alcançados este ano nos torneios internacionais (considerando também a Copa do Mundo) deveriam, no mínimo, proporcionar reflexões profundas na maneira como pensamos e gerimos o nosso futebol.

Sustentabilidade, categorias de base, calendário, evolução sistêmica do jogo, planejamentos de curto, médio e longo prazo, torcida, iniciação esportiva e fair-play financeiro são apenas alguns dos temas que precisaremos avançar nos próximos anos se um dia pretendemos retomar a hegemonia do futebol mundial.

Porém, como o momento da temporada é, para muitos profissionais, de recesso, ou então, de início de pré-temporada dos estaduais 2015, deixaremos estas discussões mais amplas para outra oportunidade. Será proposta, então, uma reflexão no âmbito da nossa atuação profissional e o quanto ela impacta positiva ou negativamente no todo em que estamos inseridos e, é claro, em nós mesmos.

Abaixo, alguns questionamentos:

Você foi proativo ao longo da temporada?

Você defendeu os interesses da instituição em que você trabalha?

Você agiu com ética profissional?

Você contribuiu na construção de um ambiente de trabalho enriquecedor?

Você aprendeu com os profissionais que estão ao seu redor?

Você ouviu os profissionais que estão inseridos no seu contexto profissional?

Você assumiu as responsabilidades que lhe são devidas ou você é adepto da máxima: “Eu venci, nós empatamos e vocês perderam”?

E, por fim, você compartilhou conhecimento ou preferiu “esconder” informações importantes para o desenvolvimento do trabalho de modo a utilizá-las num momento mais favorável a você?

Muitas pessoas podem classificar estas perguntas como de cunho pessoal, logo, impertinentes no contexto de atuação profissional. É preciso ter ciência, no entanto, que o relacionamento humano é a chave de processos essenciais de um clube de futebol.

Alguns exemplos podem evidenciar como os itens supracitados refletem com grande magnitude no dia-a-dia dos clubes. Na sequência, serão apresentados cenários hipotéticos:

Um preparador físico com baixa pró-atividade pode desperdiçar minutos importantes da sessão de treino ao deixar de explorar diversos conceitos de jogo desde o aquecimento.

Um treinador de resultados pode buscar a vitória a qualquer custo e ir na contramão dos objetivos de um clube-formador.

Um auxiliar técnico sem ética, pode denegrir a imagem do treinador “queimando-o” perante outros profissionais.

Os grupos de estudos podem alavancar o alinhamento conceitual dos profissionais do clube.

Um técnico de uma categoria pode se reunir formalmente com o técnico de outra e “dissecarem” o Modelo de Jogo de suas equipes e onde estão as suas principais dificuldades.

Num momento de derrota, um treinador traz a responsabilidade para si, “protege” o grupo e cria uma reflexão coletiva sobre os motivos do fracasso.

E, para terminar, aquele auxiliar que, com um olhar de fora, mais privilegiado e menos pressionado, “esconde” informações que seriam muito úteis para o sucesso do trabalho, pois, na verdade, o que ele quer ver é o fracasso.

Ao longo de minha ainda curta trajetória profissional tem ficado cada vez mais evidente que se pretendemos mudar o futebol brasileiro, precisamos, primeiramente, mudar a nós mesmos. Muitas vezes, agimos a partir de nossos interesses, sem preocupações com o todo e com transcendência de nossos objetivos pessoais.

Quem sabe um dia, com o predomínio de atuações profissionais éticas, sérias, proativas, conscientes, ouvintes e coletivas, invariavelmente, transformaremos o nosso futebol?

Certa vez, ouvi de um professor que somos permanentemente avaliados. Com o tempo aprendi, no entanto, que mais importante do que a avaliação dos outros é a minha própria. Então, a partir do que foi discutido hoje, como você se avalia?

Abraços e até a próxima coluna.