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O que é do Jogo e também deveria ser do Treino

O jogo de futebol, na perspectiva da complexidade, é caracterizado por alguns elementos que o definem enquanto um sistema. São eles: as milhares interações entre os seus integrantes, a presença permanente da auto-organização, a visão de globalidade, chamada pelos portugueses de inteireza inquebrantável (em que cada fração do sistema/jogo não pode ser analisada desvinculada do todo), e, por último, a sua funcionalidade/objetivo.

Neste contexto, o confronto de sistemas tem sido minuciosamente estudado e as informações obtidas podem contribuir na construção de um olhar mais apurado sobre as situações-problema (física-técnica-tática-psicológica) que emergem quando na prática do jogo.

Metabolismo predominante, característica dos deslocamentos, distância total percorrida, quantidade de saltos, número de mudanças de direção, quantidade, predomínio e características das ações técnicas, tempo de posse de bola, esquemas táticos, princípios táticos e conduta psicológica são algumas das informações identificáveis através da atuação de uma equipe interdisciplinar e de um departamento de análise de desempenho.

Após cada jogo, uma avaliação detalhada pode ser realizada e no cruzamento destas informações, estarão os comportamentos de jogo (físico-técnico-tático-psicológicos) que potencializaram o êxito ou o fracasso.

Para exemplificar, justificando um mau resultado, poderá ser identificado que a equipe gerou poucas situações de superioridade ou igualdade numérica em setores importantes do terreno de jogo e que seu meio-campo efetuou poucos passes que promoveram desequilíbrio ao adversário. Como outro exemplo, agora para explicar uma vitória, pode ser confirmado que a equipe neutralizou as transições ofensivas adversárias e que venceu a maioria das disputas de segunda bola.

Como cada jogo é irreversível, logo, único, as particularidades e nuances que “contarão a história” do que foi uma determinada partida tende a ser bem diferente de outra. Porém, apesar de cada jogo conter a sua história, aqueles estudos minuciosos (recentes ou não) têm apontado padrões do jogo que se repetem, como:

• as inevitáveis perdas da posse de bola
• predomínio da ação técnica de passe
• em posse, cada passe adicional diminui a chance de gol
• menor possibilidade de gol da equipe que dá mais lançamentos longos
• maior possibilidade de vitória da equipe que perde menos a bola
• a maior chance de vitória de quem finaliza certo mais vezes
• a não alteração dos padrões técnicos em função do esquema tático (plataforma de jogo)
• a média de finalizações no alvo
• o predomínio de gols em jogadas com até 5 passes
• o local de maior incidência de gols
• a média de gols de um jogo

Tais padrões se repetem, pois são características inerentes ao jogo e sua lógica. Estas ricas e, atualmente, simples informações devem orientar a semana de treino pelo viés da especificidade. Como o jogo de futebol é um sistema caótico, soma-se aos padrões a necessidade de preparar-se para o imprevisível.

Afinal, aquilo que é do Jogo também deveria ser do Treino. Num ambiente em que a gestão da perda da posse de bola, a assertividade do passe em situações de oposição e a busca pela finalização específica após a manutenção da posse de bola pelo menor tempo possível fossem cenários predominantes, quase exclusivos.

Qual a sua opinião? Abraços e até a próxima semana. 

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Racismo elimina Grêmio da Copa do Brasil

Na última semana, o mundo do futebol acompanhou de forma estupefata as manifestações racistas de parte da torcida gremista.

Nesta quarta-feira, em primeira instância e por unanimidade, o STJD puniu o clube gaúcho com a desclassificação da Copa do Brasil.

Além disso, os torcedores identificados foram condenados com proibição de frequentar estádios de futebol por 720 dias. Sem dúvidas, o caso exigia célere e severa punição.

Entretanto, chama a atenção a casualidade da decisão, eis que o Grêmio já havia perdido a partida em casa por dois gols de diferença e a eliminação na Copa do Brasil não traz nenhuma influência para o calendário do clube gaúcho em 2014 e 2015.

Será que se tais atos tivessem sido perpetrados no Campeonato Brasileiro, o Grêmio seria eliminado e, consequentemente rebaixado e, ainda, ficaria o resto do ano sem jogos a cumprir?

Quando a torcida peruana do Real Garcilaso cometeu atos semelhantes contra o jogador Tinga, do Cruzeiro, na primeira rodada da Copa Libertadores, o Tribunal Arbitral da Conmebol não teve pulso para aplicar a pena mais severa.

Naquela oportunidade, a entidade máxima do futebol sul-americano aplicou uma multa de US$ 12 mil (o equivalente a R$ 28 mil) ao clube peruano.

Sem dúvidas, trata-se de Tribunais diferentes, mas acende-se a luz amarela da dúvida.

Acerca das punições aplicadas aos torcedores, o STJD agiu de acordo com o parágrafo segundo do artigo 243-G, do CBJD.

Vale destacar que a impossibilidade de acesso do torcedor que entoar cânticos discriminatórios, racistas ou xenófobos está prevista no art. 13-A do Estatuto do Torcedor.

Doutro giro, os torcedores não participaram da relação processual e não tiveram chance de defesa, donde se pode entender ter havido violação ao princípio constitucional da ampla defesa. A isso se soma o fato de ser questionável a competência legal da Justiça Desportiva para punir torcedores.

De toda sorte, o STJD agiu de maneira acertada e, sem dúvidas, esta decisão entrará para a história da Justiça Desportiva Brasileira.

E que sirva de exemplo!!! 

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Mantendo-se positivo após das derrotas

É normal muitos atletas se abaterem após uma sequencia de derrotas, isso acontece com qualquer pessoa que passa por insucessos em sequência. O ânimo desaparece, a autoestima vai por água abaixo e consequentemente o desempenho tende a piorar.

Então como retomar o caminho da paz e tranquilidade num universo profissional aonde externamente ao ambiente aonde se trabalha no cotidiano a pressão é enorme? Aonde não existe tempo para se trabalhar de maneira planejada com ações de curto, médio e longo prazo?

Complicado não é mesmo? Mas estamos falando do que acontece frequentemente no futebol brasileiro e com todos os atletas profissionais que atuam nesse mercado.

Uma questão muito interessante é a capacidade que as pessoas podem ter em se manterem positivas, mesmo quando as situações são adversas. De certa forma podemos compreender que viver com uma perspectiva positiva corresponde a termos em nós mesmos o nosso melhor amigo. Isso ocorre quando escolhemos apoiar a incentivar a nós mesmos e aos outros a fazermos coisas boas e lembrar em grandes quantidades sobre as que fizemos ao longo da jornada. Mas podemos nos perguntar: é possível escolhermos ter uma perspectiva positiva em nossas vidas? Se a resposta for positiva, como isso seria possível de se realizar?

Sim podemos fazer isso, mudar nossa perspectiva sobre tudo que nos acontece e Terry Orlick nos deu uma grande contribuição sobre como fazer, conforme os itens que compartilho agora com vocês.

SEMPRE PENSAMENTOS POSITIVOS – Somente os pensamentos positivos nos ajudarão a fazer as coisas que realmente desejamos fazer. Sendo assim, pense consigo mesmo, fale consigo mesmo e concentre-se nas coisas que o ajudarão a viver e atuar usando sua verdadeira capacidade.

SEMPRE IMAGENS POSITIVAS – Somente as imagens positivas das coisas que você deseja fazer ou deseja alcançar o ajudarão a realmente conquista-las. Portanto, imagine-se sendo como deseja ser, alcançando o que quer alcançar e realizando as coisas que quer fazer em sua vida, exatamente da maneira como gostaria de fazer, concentrando-se plenamente, sendo preciso e esbanjando confiança.

SEMPRE POSSO – Não há vantagem nenhuma em encarar as situações da vida ou um desempenho pensando: Não posso ou Não consigo fazer isso. Encare todos os seus desafios sempre pensando: Eu posso ou Nós podemos.

SEMPRE OPORTUNIDADES – As oportunidades existem por toda a parte, podemos sempre aprender, crescer, encontrar algo positivo nas coisas, se conhecer melhor (e isso é extremamente importante), sermos mais equilibrados, enfim mais felizes.

SEMPRE FOCADO – Apenas quando você está plenamente focado em realizar cada etapa de sua atividade é que você pode viver e atuar em seu verdadeiro potencial humano.

SEMPRE LIÇÕES – Em tudo que você faz, cada treinamento, cada jogo e em cada experiência de vida existem lições! Procure as boas, extraia lições positivas de cada uma delas e vivas estas lições. Ao fazer isso seu crescimento será contínuo e se tornará excelente.

SEMPRE PASSO A PASSO – Você pode realizar muito se der pequenos passos a cada dia. O próximo passo ou a próxima ação à sua frente é o mais importante, dando esse passo avance para o próximo, e para o próximo. Este é o único caminho para que você chegue ao seu destino desejado.

Assim, amigo leitor, penso que uma forma pela qual os atletas podem encarar os períodos de crises e derrotas seria por exemplo seguir as dicas acima, elas levam ao foco, concentração e atitudes necessárias para que o famosa frase ditas por todos após insucessos “agora é trabalhar para sairmos dessa situação” torne-se efetiva e eficaz, trazendo na prática novos resultados no desempenho dentro de campo.

Até a próxima! 

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A dança das cadeiras número 457738290493

Não, eu não contei quantos treinadores caíram nos últimos anos. Não, este número do título não é verdadeiro. É que o assunto, de tão repetitivo, chega a ser irritante e, portanto, para o conceito, qualquer número serve.

Está difícil, inclusive, falar sobre gestão do esporte e no futebol brasileiro porque os erros e atitudes se repetem em demasia. Não há erro novo no mundo da bola. Talvez esta eterna dança de treinadores seja o símbolo mais tangível do nosso retrocesso, ou melhor, da falta de qualquer inspiração para se ter um pequeno avanço.

É inconcebível uma evolução de modelo em que não se preserva o trabalho, mas se decide pelos resultados pontuais. Não se tem como mensurar e comentar um negócio em que não se vê claramente o começo, meio e fim de uma proposta de desenvolvimento de projeto.

Dizem que profissionalizar é a solução, mas até isso os clubes entenderam de maneira equivocada: não basta contratar uma pessoa para resolver todos os problemas, tendo sob o seu guarda-chuva uma série de dirigentes não remunerados, sem conhecimento de causa ou formação específica. A banalização do termo tem sido o maior perigo ultimamente e tem refletido em muito nesta dança das cadeiras.

Estruturar um projeto consistente, em que se tenha clareza sobre as tomadas de decisão (e os possíveis riscos do conjunto dessas decisões), são fundamentais para o sucesso e a sobrevivência do mesmo. Depois, como em qualquer ambiente de negócio, é que se cobre os resultados planejados e os eventuais equívocos cometidos.

Continuo torcendo (e muito) para que tenhamos novos problemas para debater. Do jeito que está, fica cada vez mais claro como estamos estagnados e não estamos conseguindo evoluir verdadeiramente. É preciso experimentar algo diferente… E pra ontem!!! 

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O Futebol e os Escritores

O JL (Jornal de Letras, Artes e Ideias) é publicação que não dispenso. E fico “encharcado de sonho” após a sua leitura, como o chale velho da D, Leocádia do Húmus de Raúl Brandão. Filho de uma sociedade industrial, ou moderna, baseada em certezas, no progresso linear e no determinismo científico, tento adaptar-me à pós-modernidade, ambígua pela incerteza, insólita pela descontinuidade, inenarrável pela complexidade. E o sonho volta a ser uma necessidade. Agnes Heller, socióloga húngara e nome primeiro da Escola de Budapeste, publicou (creio que em 1977) On the New Adventures of the Dialectic (Acerca das Novas Aventuras da Dialética), um ensaio que alcançou ampla repercussão entre a juventude e onde se realça que todos os seres vivos, incluindo as plantas e os animais, sentem necessidades do tipo existencial, tais como o alimento, o repouso, a reprodução. Na espécie humana, porém, para além destas, palpitam outras qualitativamente diversas, que Heller considera as fundamentais, ou radicais, tais como a amizade, o lazer, o amor, o sonho. Entendo agora porque me delicia tanto a leitura do JL: o que é a literatura senão uma superior manifestação do sonho? E não poderá dizer-se o mesmo do futebol-espetáculo, interpretado por jogadores da estirpe de um Ronaldo, ou de um Messi, ou de um Iniesta, ou de um Neymar?

O jogo e os jogos têm merecido estudos, os mais diversos, da antropologia, da psicologia, da sociologia, da filosofia. No que à relação entre jogo(s) e literatura diz respeito, ela desponta normalmente em enunciados do tipo “o jogo literário”, “o jogo do escritor”, “a poesia como jogo”, etc. No entanto, encontramos textos em que o jogo é o tema principal. O jogador de Dostoievski é um exemplo, entre outros.

No JL, de 11 a 24 de Junho de 2014, não deixei, em primeiro lugar, de ver o livro que Miguel Real, em instantes luminosos de crítica literária, seleciona, A Última Noite em Lisboa, de Sérgio Luís de Carvalho. Depois, vi e revi, através do JL, algumas frases de escritores célebres, que se encontram expostas, no Museu de Língua Portuguesa, em São Paulo, acerca do futebol. E começo pela doce, pela dulcíssima, Clarice Lispector: “Não, não imagine que vou dizer que o futebol é um verdadeiro balé. Lembrou-me foi uma luta entre vida e morte comno gladiadores. E eu – provavelmente coitada de novo – rinha a impressão que a luta só não saía das regras do jogo e se tornava sangrenta potque um juia vigiava, nãlo deixava, e mandaria para fora de campo quem como eu faria se jogasse! Bem, por mais amor que eu tivesse por futebol,. Jamais me ocorreria jogar. Ia preferir balé mesmo. Mas futebol parecer-se com balé? O futebol tem uma beleza própria dos movimentos, que não precisa de comparações”.

Luís Fernando Veríssimo faz eco do que os antropólogos e psicólogos dizem, há muito tempo: “Só o futebol permite que você sinta aos 60 anos exatamente o que sentia aos 6. Todas as outras paixões infantis ou ficam sérias ou desaparecem, mas não há uma maneira adulta de ser apaixonado por futebol. Adulto seria largar a paixão e deixai para trás essas criancices: a devoção a um clube e às suas cores como se fosse a nossa outra nação, o desconsolo ou a fúria assassina quando o time perde, a exultação guerreira com a vitória. Você pode racionalizar a paixão, e fazer teses sobre a bola, e observações sociológicas sobre a massa ou poesia sobre o passa, mas é sempre fingimento. É só camuflagem. Dentro do mais teórico e distante analista e do mais engravatado cartola aproveitador existe um guri pulando na arquibancada”.

O Mário Vargas Llosa, um dos grandes senhores da literatura mundial, esclarece: “O futebol é o ideal de uma sociedade perfeita: poucas regras claras, simples, que garantem a liberdade e a igualdade dentro de campo, com a garantia do espaço para a competência individual”. Augusto Abelaira não esconde a sua paixão pelo futebol: “Insisto. Se o futebol estivesse por inventar, seria eu a inventá-lo. E até inventaria a televisão, para o ver calmamente em casa”. Jacques Derrida, num ensaio que tem sobre Maurice Blanchot distingue entre o testemunho e o simples relato, que invoca a conhecida oposição, em Lacan, entre saber e verdade. O relator diz o que se passou, testemunhar implica presença e defesa da verdade. Lídia Jorge é da ordem do simples relato: “Acho graça ao jogo, só que ele não pode engolir o nosso espaço cívico, o nosso interesse pela política, pela sociedade, pela leitura. Há uma euforia disparatada, promove-se um entusiasmo desbragado”. Jorge Jesus é da ordem do testemunho, quando sustenta: “O futebol é a minha vida. Se o futebol não existisse, não seria a mesma pessoa e, possivelmente, até seria mais infeliz. É mesmo no futebol que me realizo” . José Maria Pedroto, a sorrir, e de cigarro entre os dedos, disse-me um dia: “O futebol é como o tabaco. Uma pessoa habitua-se e não consegue passar sem ele”. Mas, sem ele, também não conseguem passar os adeptos do futebol, os “torcedores”, como dizem os brasileiros. O futebol está na moda.

A recepção, que tocou a loucura, ao Cristiano Ronaldo, por parte do público feminino de Campinas vem dizer-nos que até há um elemento erótico, no desporto atual. No final do século XVI, o termo sport chegou a utilizar-se com o sentido de “fazer amor”. Afinal, para as meninas da cidade de Campinas e diante do Cristiano Ronaldo, o que está em jogo? Não é desporto tão-só. Nem arte unicamente – a “oitava arte”, como já lhe chamam. É que o futebol, como o desporto (lá volto eu a repetir-me) não se reduz a uma Atividade Física. Verdadeiramente, é uma Atividade Humana. O amplo leque de escritores que por ele se apaixonam assim o provam, assim o dizem, assim o cantam… 

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O futebol que queremos

O sociólogo Maurício Murad, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e do mestrado da Universo, costuma dizer que é impossível dissociar estádios de futebol do que acontece do lado de fora. Arenas esportivas são microcosmos, e por isso servem como amostragem de virtudes e problemas da sociedade. Esse perfil deve-se basicamente a três pontos: a composição heterogênea do público, a relação emocional das pessoas com o espetáculo e a falta de um trabalho em sentido contrário.

Estádios de futebol têm setores com diferentes preços, condições e serviços. Esse perfil e a abrangência da modalidade na formação cultural, sobretudo no Brasil, garantem a heterogeneidade do público. É uma das raras situações no país em que pessoas que vivem realidades diferentes compartilham uma paixão. Enquanto a bola corre de um lado para outro, ricos, pobres, brancos, negros, magros, gordos, homens e mulheres vivem apenas o que acontece ali. Quem nunca interagiu com um total desconhecido em um estádio de futebol? Quem nunca abraçou um estranho para celebrar um gol?

O contato entre estranhos é facilitado por um sentimento comum e pelo segundo fator que caracteriza estádios de futebol: são ambientes passionais. Ali, pessoas aproveitam para descarregar o estresse cotidiano e viver uma metonímia da felicidade que esperam para seus cotidianos.

Entender esses dois conceitos é fundamental para saber o que é um estádio de futebol. É um local com pessoas boas e pessoas ruins, assim como acontece do lado de fora. Além disso, esses “bons” e “ruins”, que nem sempre são assim tão rasos e peremptórios, têm relações exageradas porque estão num ambiente que fomenta isso.

E isso nos leva ao terceiro ponto, que na verdade é o objeto deste texto. Estádios são reflexos da (falta de) educação da sociedade, e essas reações são amplificadas pelo ambiente. Mas tudo podia ser direcionado se houvesse um trabalho educativo em sentido contrário. Afinal, para que serve o público que assiste a jogos de futebol?

No mundo corporativo é bem mais consolidada a noção de marketing institucional. Tão importante quanto vender empresa ou produtos para o público é vender isso para os próprios funcionários. Eles precisam entender qual a função deles e o que podem ganhar estando ali.

E no esporte? Quem já pensou em educar torcedores e mostrar a eles a função que o público tem em um estádio? Quem já pensou em criar padrões e comportamentos adequados a um conceito sistêmico de espetáculo? A plateia é parte do todo, afinal.

Tomo aqui um exemplo do vôlei: a popularização da modalidade no Brasil tornou-se mais contundente a partir da geração que ganhou medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1984. Entre o fim da década de 1980 e o começo dos anos 1990, houve um esforço coletivo para aproveitar o furor em torno do feito. Uma das medidas foi a criação de animadores de torcida em jogos da seleção brasileira. Eles distribuíam brindes, puxavam gritos e acrescentavam uma atração ao evento.

A figura dos animadores de torcida é muito comum em ligas esportivas dos Estados Unidos. Também é corriqueira por lá a ideia de promoções e ações feitas especificamente para o público que vai às arenas. O jogo não é uma atração que se encerra no que acontece no campo (ou quadra).

O Botafogo deu outro exemplo no Brasil. Quando assumiu o estádio Engenhão, que havia sido construído para os Jogos Pan-Americanos de 2007, o time do Rio de Janeiro teve um problema de logística: a arena é afastadas, e a maioria do público só entrava em cima da hora das partidas. Resultado: longas filas e confusão na entrada.

A solução que a diretoria encontrou para isso foi programar shows de artistas botafoguenses – músicos e humoristas, principalmente – e oferecer um “prêmio” ao público que chega mais cedo. Foi algo pontual, mas teve um efeito educativo.

Um dos argumentos mais usados no Brasil para defender a venda de bebidas alcoólicas em estádios é o comportamento do público. “O torcedor fica do lado de fora até perto do apito inicial, bebe em menos tempo e em maior quantidade”. É clara a dicotomia entre as duas linhas de raciocínio.

O que aconteceu na Arena Grêmio na última quinta-feira (28) tem relação direta com tudo isso. Torcedores do time gaúcho direcionaram ofensas racistas ao goleiro Aranha, titular do Santos. Uma moça foi flagrada pelo canal fechado “ESPN Brasil” chamando o jogador de “macaco”.

Não foi o primeiro episódio de racismo em estádio de futebol. Não foi sequer o primeiro envolvendo a torcida do Grêmio – a mesma que fez troça de torcedores do Internacional por causa da morte do ídolo Fernandão e que tem cânticos homofóbicos direcionados ao rival, vale lembrar. E o que foi feito para criar um comportamento contrário?

Infelizmente, vivemos numa sociedade em que o preconceito é muito presente. O estádio é apenas um exemplo disso, e as manifestações são potencializadas pelo emocional aflorado. Ali, xingamentos são provocações ou apenas arroubos de quem se sente protegido por estar num grupo.

Já passou da hora de tratarmos o comportamento do público como um componente fundamental do esporte. Precisamos pensar no futebol que queremos, e isso inclui doutrinar as pessoas que acompanham a modalidade. Não podemos esperar que a relação passional sustente o segmento.

Na última semana, o jornal “Lance!” divulgou resultados de uma pesquisa sobre torcidas feita em parceria com o instituto Ibope. O Flamengo ainda é dono do maior grupo de adeptos do país (16,2%), seguido pelo Corinthians (13,6%), mas ambos perdem para os desinteressados (23,4%). No país do futebol, o maior grupo ainda é o de pessoas que não seguem sequer a seleção brasileira.

Ainda assim, como tem mais de 200 milhões de habitantes, o Brasil tem pelo menos 150 milhões de interessados por futebol. Pode não ser o país mais apaixonado pela modalidade em proporção, mas existe um potencial claro aí: se bem explorado, esse pode ser o maior mercado de futebol do planeta.

O que falta para isso, então? Falta uma lógica de comunicação mais próxima do que o mercado eficiente faz. Falta conhecer o público, entender os anseios dele e direcionar o comportamento. Falta pensar no futebol que queremos.

Essa noção tem de incluir o campo, é claro. O jogo que queremos é rápido, de transição e vertical como o do Real Madrid de Carlo Ancelotti? É lento, paciente e apaixonado pelo passe como o Barcelona de Pep Guardiola? Há diferentes formas de ser vencedor e de encantar. Escolher entre elas é um processo que deve incluir diferentes áreas e deve alicerçar um plano de comunicação complexo. E o público
não pode ser excluído disso.

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Racismo na Copa do Brasil

Na partida entre Grêmio e Santos válida pela Copa do Brasil, mais do que o resultado (vitória de 2 a 0 do clube paulista), o grande destaque foram as atitudes racistas de parte da torcida gaúcha contra o goleiro Aranha. Atos absurdos como esses sempre causam revolta e devem ser fortemente combatidos.

Sob o ponto de vista desportivo, o Código Brasileiro de Justiça Desportiva prevê em seu artigo 243-G a possibilidade de punições para atos de racismo.

Art. 243-G. Praticar ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante, relacionado a preconceito em razão de origem étnica, raça, sexo, cor, idade, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência:

Como se tratou de atos oriundos da torcida, o Grêmio pode ser multado, perder mando de campo e até ser excluído da competição.

Além da punição ao clube, os torcedores identificados poderão ficar proibidos de ir ao estádio pelo prazo mínimo de setecentos e vinte dias.

Vale ressaltar que, apesar de não ter constado na súmula, a Procuradoria do STJD pode efetuar denúncia com base nas imagens. Esta omissão da arbitragem também pode ser objeto de processo disciplinar.

Além da punição desportiva, os torcedores podem ser acionados na esfera criminal já que trata-se de crime de injúria racial tipificada no artigo 140, § 3º do Código Penal Brasileiro que e consiste em ofender a honra de alguém com a utilização de elementos referentes à raça, cor, etnia, religião ou origem.

Ou seja, muito embora comumente tratemos o caso como racismo, tecnicamente o termo é inadequado, já o crime de racismo, previsto na Lei 7.716/89, implica em conduta discriminatória dirigida a um determinado grupo ou coletividade.

Portanto, comete o crime do artigo 140, § 3º do CP, e não o delito do artigo 20 da Lei nº 7.716/89, o agente que utiliza palavras depreciativas referentes a raça, cor, religião ou origem, com o intuito de ofender a honra subjetiva da vítima, como no caso em comento.

Diante do exposto, conclui-se pela clara incidência de falta disciplinar desportiva e de crime de injúria racial e espera-se punições rápidas e efetivas de forma a desestimular situações tão lamentáveis. 

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O medo e como enfrentá-lo

Muitos atletas, bem como qualquer outra pessoa, podem ser acometidos pelo medo em diversos momentos de suas carreiras, dificultando o seu desenvolvimento pessoal e esportivo. Esse sentimento pode gerar uma paralisia no atleta e bloquear sua capacidade de executar suas ações mais cotidianas.

De uma maneira geral todos nós tememos os erros, os fracassos, as críticas, bem como a falta de reconhecimento, tememos não suportar a pressão, muitas vezes tememos a própria competição, a rejeição e acreditem, em muitos casos tememos até o sucesso. Os medos que sentimos podem ser classificados em objetivos e subjetivos.

• Medos objetivos: o medo de errar e perder as chances de crescimento profissional, de perder a vaga na equipe ou o medo de passar por necessidades.

• Medos subjetivos (e não menos reais por serem subjetivos): de ser depreciado, desconsiderado no elenco ou de ser humilhado pela crítica ou pelos torcedores.

Mas, muitas vezes o problema em geral não é termos medo, porque na verdade ele é benéfico quando nos alerta de um determinado perigo e nos coloca em prontidão para a necessidade de nos defendermos. O problema é que muitas vezes o medo que sentimos está relacionado com o nosso passado, eventualmente com lembranças desagradáveis, que possuem a capacidade de reduzir consideravelmente nossa autoestima. Como em todo processo de evolução, o desenvolvimento pessoal e profissional de um atleta é um processo de mudanças e no transcorrer destes processos todo atleta pode apresentar defesas pessoais clássicas que a maioria das pessoas utilizam para lidar com o medo presente, como por exemplo:

• Atacar desafios, dedicando-se da maneira extremamente excessiva aos objetivos, gerando impressão de estar sobrecarregado;

• Fingir-se de morto ou camuflado, sempre buscando desviar a atenção para o desempenho de outras pessoas ou áreas e evitando que avaliem o seu próprio desempenho;

• Inventa desculpas muito criativas, porém aparentemente razoáveis para prorrogar seus compromissos;

• Justifica-se sem parar!

Para lidar com o medo é importante sabermos que o nosso mecanismo de defesa se trata de um processo completamente inconsciente e que a melhor defesa na verdade é nenhuma defesa. Quer dizer, em vez de nos defendermos incansavelmente dos outros nós precisamos fortalecer o autoconceito e a autoestima. Refletindo mais ainda, percebemos que o maior desafio para vencermos o medo é sermos capazes de aceitar e compreender a realidade e com isso passarmos a ter coragem para promover as mudanças em nós mesmos que nos levem ao autodesenvolvimento.

Por isso, muitas vezes precisamos enterrar coisas do passado e com os atletas isso também se torna importante. Mas você deve estar se perguntando: porque é importante para qualquer pessoa enterrar o passado para conseguir evoluir? Para responder isso, compartilho três razões apontadas por Ane Araújo publicadas em seu livro denominado Coach:

1º – O passado simplesmente não volta mais, ele passou! Parece tão óbvio, que geralmente não nos damos conta disso.

2º – Qualquer processo de transformação ou de realizações parte necessariamente do nosso presente, e não do passado! O verdadeiro e precioso poder para realizar o que desejamos está no aqui e no nosso agora.

3º – Porque nem sempre é fácil mudar, como parece muitas vezes. Para isso precisamos ter muita coragem e principalmente determinação! Por este motivo é que nos pegamos inúmeras vezes em nossas vidas esperando que os outros mudem, em vez de produzirmos as mudanças em nós mesmos.

Sendo assim, caro amigo leitor, todo atleta precisa encarar o desafio de vencer o medo para poder progredir rumo a sua excelência pessoal e profissional, porém para isso deve estar consciente de que muitas vezes somente após enterrar situações e lembranças do passado ele poderá encarar seus medos e partir numa nova jornada, que praticada essencialmente no hoje e no agora poderá leva-lo ao futuro desejado.

Até a próxima! 

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A história se repete…

Há pouco mais de 3 anos o imbróglio envolvendo a negociação de Ronaldinho Gaúcho com o Flamengo, tendo ainda como personagens o Grêmio (que chegou a montar uma festa de apresentação para o atleta) e o Palmeiras, que disputaram até o último dia a “preferência” do jogador, teve um enredo de novela, nada agradável para uma estrela do futebol mundial que fora eleito melhor do mundo em duas oportunidades.

Quem já teve a oportunidade de ler o livro “A Bola não entra Por Acaso”, de Ferran Soriano, percebe no descritivo do autor sobre o craque do Barcelona os inúmeros desentendimentos que teve na relação do clube com o seu empresário, que desgastou uma relação de apreço e culminou com a saída do jogador em 2008, após 5 brilhantes temporadas no clube catalão.

Nesta semana a história se repetiu, dentro de uma possível negociação de Ronaldinho com o Palmeiras, no ano do seu centenário, que não se concretizou. Apesar de ficar difícil fazer uma análise mais coerente e abalizada sobre informações da imprensa, é notória a falta de profissionalismo na gestão da carreira do atleta.

Na realidade, é lamentável que uma carreira construída de forma brilhante nos gramados seja manchada por uma conduta nefasta fora das quatro linhas. Reforça-se, portanto, a necessidade cada vez mais premente de clubes e agentes se prepararem melhor para a formação e a condução da carreira dos astros do futebol, sem negligenciarem ou transferirem responsabilidades neste processo.

O mais triste disso tudo é: ao invés de estarmos celebrando o encerramento de uma carreira de um craque como Ronaldinho, estamos, na realidade, torcendo para que termine logo e, desta forma, nos poupe (enquanto torcedores e brasileiros) da falta de bom senso sobre relações formais com clubes e comprometimento com quem paga seus altos salários. 

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Cent’anni, Palestra. Obrigado, Palmeiras

É.

Nós.

Siamo noi.

É a entrada em campo na Arrancada Heroica de 1942. É o pênalti de Evair no 12 de junho, o de Marcos de 2000 e o de Zapata de 1999. O gol com bola e tudo de Liminha de 1951. A colherzinha de Ademir contra o Botafogo, no Rio-São Paulo de 1965. Os chapéus de Alex de 2002 e o gol de tirar o chapéu e fôlego de César Sampaio de 1993. O drible da vaca de Jorge Mendonça no Dérbi de 1976. O toque por cobertura de Jorginho, no 5 a 1 no Santos de 1979. O gol de Luís Pereira no Inter no Brasileiro de 1973. O gol de Rivaldo no bi-bi de 1994.

É a goleada no Boca na Libertadores. O 5 a 0 no São Paulo da primeira Academia. O 6 a 0 no Santos do trem-bola de 1996. O 8 a 0 de 1993 do Esquadrão de Ferro no Corinthians.

É a Pazza Gioia depois da “Loucura do Século”, na compra do Parque Antarctica, em 1920. É a inauguração do Stadium Palestra Italia, em 1933, antes de elevar o Jardim Suspenso, em 1964.

O gol de Zinho no Dia dos Namorados de fim da fila e o de Ronaldo para manter o jejum em 1974. O gol de Mirandinha no fim do Dérbi de 1986. O gol da virada de Romeiro no supercampeonato de 1959. O gol de Euller na virada contra o Flamengo de 1999. O gol sem cabimento de Oséas na Copa do Brasil de 1998. O de Betinho sem fundamento no bi de 2012.

É o 4 a 1 no Flamengo de 1979. É o time reserva ganhando o Rio-São Paulo de 1993. É o título paulista de 1944 sem Dacunto. O pênalti de 1942 que não pudemos bater. O Dudu voltando para a barreira depois de ter desmaiado na final de 1974 e ainda jogando com duas costelas quebradas em 1972. Julinho voltando machucado para guiar o time nos 4 a 0 de 1958 contra o Corinthians. É o Marcão fechando a meta com o punho aberto e quebrado.

É ser duas vezes campeão brasileiro no segundo semestre de 1967. É ganhar mais um nacional ouvindo pelo rádio, no vestiário, o rival perder o título no Mineirão, em 1969. É a Segunda Academia que ganhava títulos sem precisar fazer gol.

É o primeiro gol do Palestra, de Bianco. É o primeiro jogo, contra o Savóia, em 1915. É a melhor campanha do profissionalismo, em 1996. As maiores goleadas em decisões nacionais (8 a 2, em 1960) e paulistas (5 a 0, em 2008).

É o Brasil de 1965, que venceu o Uruguai jogando pela Seleção. É o Brasil que conquistou o planeta de verde e branco, em 1951.

É o Edmundo chamando os rivais para o drible. Jair Rosa Pinto coberto de lama vibrando no vestiário no título do Ano Santo de 1950. As Cinco Coroas de 1950-51. O primeiro campeão do Rio-São Paulo, em 1933.

É o divino Ademir. O santo Marcos. Um carrinho de Junqueira. Um passe de Romeu. Um gol de Heitor. Uma maluquice de César. A mão de Oberdan. O coração de Fiúme.

O maior vencedor de títulos nacionais. É o Campeão do Século XX. A defesa que ninguém passa em 1947. A linha atacante de raça e graça de 1996. O time que deixou o maior rival na fila em 1974 e acabou com a fila contra ele, em 1993.

Dudu no banco e Ademir da Guia em campo, em 1976. A invasão do gramado em Santo André, no bi paulista de 1994. O meio-campo titular acabando com a fila do Brasil de títulos mundiais no tetra, nos EUA. O show de Alex contra o River Plate, em 1999. São Marcos canonizado contra o Corinthians, na Libertadores.

Os bandeirões subindo e descendo arquibancada. Nós subindo e descendo pelos degraus dos estádios. Subindo pelas paredes de casa. Subindo nos pódios de campeão.

É qualquer lance no Palestra. Todo jogo ouvido pelo rádio. Cada partida vista pela TV. Todos os lances lidos no jornal ou na internet. Qualquer jogo, jogadas e jogadores contados pelo pai, avô e bisavó.

Pimpampum de Filpo. Felipão correndo para os gandulas na final de 1999. Luxemburgo descendo antes da volta olímpica de 1993. Brandão e ponto final. É ponto ganho.

É um gol de cabeça de Leivinha. É Leão dando o tapinha no travessão. Marcos apontando os dedos para cima. Evair abrindo os braços para os céus. César Sampaio com tornozelo inchado em 1993. É Arce cruzando. É Djalma Dias, Aldemar e Geraldo Scotto desarmando. É Djalminha armando. É uma falta do Roberto Carlos ou do Rodrigues.

Djalma Santos desamarrando as chuteiras de Julinho na despedida, em 1967. É gritar Tonhão. É jogar em todas como Lima e Cafu e Fiúme. É treinar na Major Maragliano. É trocar outros clubes para ser palestrino. É o 3 a 0 do primeiro Dérbi. É doar a renda para as vítimas de guerra de 1942. É abrir o clube para as vítimas da gripe espanhola em 1918.

É o primeiro uniforme do filho na porta da maternidade. É a primeira chuteira alviverde. O primeiro chute na bola que o filho gritou algo parecido com o nome do nosso time. A primeira vez que ele cantou o hino. O primeiro craque que ele chamou nosso. O primeiro amendoim que descascamos e cornetamos.

A primeira vez que teu pai te levou. A primeira vez que você levou seu filho. A primeira vez que você foi com seu amor.

Você sabe que não precisa ter visto, lido, ouvido, feito nada disso. Por nada disso ainda explicar o que é o amor.

O que somos nós. É tudo isso. É muito mais que isso. Isso é Palestra. Este é o Palmeiras.

O que é o palestrino?

É tudo que dá errado e que a gente sabe que vai dar certo só por ser Palmeiras. É tudo que dá certo e a gente ainda acha que vai dar errado por ser palmeirense.

É gol contra, é gol perdido, é frango, é falha, é roubo, é furto, é susto, é surto, é drible perdido, é jogo perdido, é campeonato perdido, é ruim e caro, é refugo, é refém, é queda, é derrota, é tristeza, é o grosso em campo, o fino da fossa, o fim do poço, o fim do mundo.

É todo o mundo palmeirense. É todo mundo palmeirense. É o nosso mundo.

Não melhor. Não pior. Mas é nosso. De mais ninguém.

Não tem pra ninguém quando a gente é Academia. Tem só pra nós quando somos Palmeiras com espírito de Palestra.

Nem sempre somos os melhores. Mas, como sempre somos palmeirenses, é mais fácil ser o que somos. Insuportáveis. Insuperáveis para o Palmeiras e para os outros.

Na saúde e nos adversários, na alegria e nos rivais, é um casamento eterno. Palestra e Palmeiras.

Nós.

É o amor.

É o nosso time.

É o Alviverde inteiro.

É.

Nós.
 

*Texto publicado originalmente no blog do Mauro Beting, no portal Lancenet.