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Vontade de mudar

Um mês é tempo suficiente para muitas mudanças. Desde que a necessidade de mudar seja assimilada, é claro. Na última sexta-feira (08), a maior goleada que a seleção brasileira de futebol sofreu em todos os tempos completou um mês. Infelizmente, contudo, episódios isolados dão a ideia de que o resultado, que podia ter sido causa, vai continuar apenas como consequência.

No último domingo (10), Luiz Felipe Scolari fez sua reestreia oficial como técnico do Grêmio. Comandou a equipe tricolor em derrota por 2 a 0 para o Internacional e mudou muito a escalação. Questionado sobre o porquê de ter feito isso, o treinador que dirigiu a seleção brasileira nos 7 a 1 para a Alemanha usou explicação parecida com a que ele tinha escolhido um mês antes.

“Pensamos em colocar uma equipe diferente da que vinha jogando, com algumas modificações, com jogadores que precisavam de oportunidade para mostrar se podiam permanecer. O resultado não é o que vai me fazer entender que está tudo errado”, disse o técnico do Grêmio.

Na goleada sofrida diante da Alemanha, Scolari não pôde contar com Neymar, que havia sofrido uma fratura em uma vértebra na partida contra a Colômbia. Treinou com Willian entre os titulares na maior parte do tempo, mas acabou escalando Bernard.

A explicação de Scolari para isso foi exatamente a chance de usar um time menos conhecido pela Alemanha. O treinador atribuiu à cobertura da imprensa o mistério e a falta de treinos com a equipe que ele escalou na semifinal da Copa do Mundo.

Um mês e uma goleada depois, Scolari segue pensando que mistério ganha jogo. E segue achando que o adversário não ter conhecimento sobre o time dele é mais relevante do que o próprio time dele.

Scolari é o maior exemplo do quanto a goleada sofrida pelo Brasil mudou pouco, mas ele não é o único. Outro vem da coluna do jornalista Paulo Vinicius Coelho no jornal “Folha de S.Paulo”. Publicado no último domingo, o texto fala sobre a seleção sub-20 convocada por Alexandre Gallo para o torneio de Cotif, na Espanha.

“A lista de 22 convocados por Gallo indica a manutenção de vícios antigos da base. Treze têm mais de 1,80m e dezoito nasceram antes de setembro”, escreveu. “Dos convocados para Valência, o volante Eduardo, do Atlético-MG, é bom. Nasceu em maio de 1995 e tem 1,84m. Também é excelente o volante Lucas Otávio, emprestado pelo Santos ao Paraná Clube, nascido em outubro de 1994, de 1,64m. Mas ele não foi convocado”, continuou.

Resultados estão longe de ser um parâmetro importante no processo de formação de atletas. As seleções de base não precisam de jogadores altos e mais velhos (portanto, com processo de maturação mais avançado). Elas precisam de um projeto que priorize o talento e que seja realmente focado na criação de atletas com capacidade para integrar o time profissional.

Também não é por causa do resultado que foi decepcionante a participação do Brasil na Copa das Nações sub-16, encerrada na semana passada. O time do técnico Caio Zanardi foi eliminado pelo Paraguai em cobranças de pênaltis, nas semifinais, depois de empate por 1 a 1 no tempo normal.

O que chamou atenção negativamente foi a proposta de jogo da seleção brasileira. Antes das semifinais, o time bateu Coreia do Sul, Costa Rica, Canadá e México. Em todos esses jogos, apelou a lançamentos longos e bolas alçadas. Em vez da técnica, venceu pela superioridade física.

A maior goleada sofrida pela seleção brasileira em todos os tempos podia ter sido um marco. O resultado podia ser aquele ponto na história a ser citado no futuro como “o momento em que tudo mudou”. Agora pense nas histórias citadas neste texto. Algo mudou, afinal?

Em julho deste ano, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) fez reuniões com times das quatro divisões do Campeonato Brasileiro. Os encontros foram realizados na sede da entidade, no Rio de Janeiro, e pouco se falou sobre a questão técnica. Os principais assuntos em pauta foram a lei de responsabilidade fiscal do esporte (LRFE) e a divisão de cotas de direitos de transmissão.

Nesses encontros, CBF e clubes montaram até estratégia para fazer lobby em âmbito nacional e aprovar a LRFE, lei que refinancia dívidas dos clubes brasileiros mediante a algumas contrapartidas de gestão. O dispositivo tem forte resistência de grupos como o Bom Senso FC, que questiona a debilidade do retorno exigido e a falta de um ente regulador para controlar o cumprimento desses itens.

Espanta ver que CBF e clubes podem organizar lobby político em todo o país, mas sequer pensam em uma estratégia nacional para mudar parâmetros do futebol profissional ou melhorar o trabalho na base.

A TV Globo também marcou reuniões com times brasileiros. Os encontros serão feitos em fóruns menores, com quatro ou cinco equipes, ainda neste mês. A ideia da emissora é falar sobre o atual momento do futebol brasileiro, que perde 10% de espectadores a cada ano, e cobrar mudanças na gestão.

A Globo é apenas uma consumidora do produto futebol. No entanto, chama atenção que a TV é a única a demonstrar preocupação aberta com o tipo de jogo que o Brasil pratica atualmente.

Enquanto isso, os times brasileiros brincam com o torcedor. O presidente do Botafogo, Maurício Assumpção, admitiu que deixou de pagar impostos porque espera a aprovação da LRFE. O Corinthians está envolvido em denúncia do Ministério Público sobre desvio de impostos. Paulo Nobre já injetou mais de R$ 100 milhões do próprio bolso para reforçar o Palmeiras, que não vence um jogo sequer há oito rodadas no Campeonato Brasileiro. Como diz um amigo, o fundo do poço não tem mola. 

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A atualização específica do treinador de futebol

Nas últimas semanas um tema tem gerado bastante repercussão no ambiente futebolístico: a atualização dos treinadores de futebol brasileiros.

Motivado pela distância observada entre o nosso jogo e o futebol alemão na última Copa do Mundo e também pelo equilíbrio atingido por seleções de pouca tradição no futebol mundial, o tema foi discutido na contratação do novo técnico da seleção brasileira; na repetição dos treinadores em algumas das principais equipes do país após quase vinte anos; no treino de finalização aplicado recentemente por um destes treinadores; e até no Modelo de Jogo do Fluminense, comandado por Cristóvão Borges e que tem impressionado pelo elevado índice de passes certos no Campeonato Brasileiro.

Dunga, em entrevista coletiva, afirmou estar mais preparado para assumir a seleção brasileira. Assistiu a muitos jogos, viajou e conversou com pessoas do meio sobre alguns elementos que conotam a evolução do jogo de futebol. É fato, porém, que após a Copa do Mundo de 2010 ficou um longo período em inatividade.

Wanderley Luxemburgo (Flamengo-RJ), Levir Culpi (Atlético-MG), Muricy Ramalho (São Paulo-SP), Abel Braga (Internacional-RS) e Felipão (Grêmio-RS), em 1995, eram os treinadores das mesmas equipes que estão à frente em 2014.

Um questionamento natural oriundo desta notícia diz respeito ao avanço esperado na atuação prática destes profissionais após dezenove anos. A julgar pelos treinamentos realizados tanto pela seleção brasileira durante a Copa como pela equipe paulista, com finalizações sem adversários, previsíveis, com bolas marcadas e num “ambiente fechado”, a esperada atualização de alguns deles não apresenta evidências tangíveis.

Já em relação a Cristóvão Borges, há poucos meses no comando da equipe carioca e elogiado sobre a qualidade de jogo apresentado por sua equipe, o mesmo assumiu a necessidade de capacitação, mencionou as fontes que pesquisou/estudou futebol e afirmou que hoje se sente um treinador melhor preparado.

Em declaração recente apontou que enfatiza nos treinamentos a assertividade dos passes e a qualidade técnica do futebol brasileiro simulando as situações semelhantes àquelas que acontecerão nos jogos.

De que forma ele tem aplicado, não sabemos. Sabemos, no entanto, que tem dado resultado.

E em sua opinião, caro leitor, como se dá a atualização específica de um treinador de futebol?

Fazer cursos é suficiente para melhorar a atualização profissional?

Assistir jogos do futebol europeu credenciam nossos treinadores para trabalhar em alto nível?

Conversas informais sobre treinamentos possibilitam uma intervenção precisa no sistema caótico que é uma equipe de futebol?

Repetir treinos que deram certo no passado é a fórmula atual para conquistar resultados?

Nós, profissionais da modalidade das mais diferentes áreas de atuação, tendemos a simplificar os problemas (e as soluções) para as questões que têm refletido nosso atraso.

Sob este viés, consideramos a atualização profissional como uma condição que se adquire com atitudes isoladas, desconectadas da prática.

Em hipótese alguma devemos negá-la, pois cada reflexão e aprendizagem diária pode nos moldar na direção de uma melhor atuação profissional.

E para uma prática atualizada do ponto de vista da complexidade e especificidade, podemos remeter à corrente dos treinadores que preparam suas equipes para o jogo, jogando (com os devidos ajustes técnico-físico-tático-emocionais de cada atividade).

Pode ser que estes treinadores tenham chegado à conclusão de que a melhor maneira de aperfeiçoar o treino (ambiente predominante de intervenção do treinador e construção da equipe) é operacionalizando-o, com os constantes ajustes do nosso crescimento diário e respaldado pela interdisciplinaridade que, nos dias de hoje, compõe uma equipe de futebol.

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A atualização específica do treinador de futebol

Nas últimas semanas um tema tem gerado bastante repercussão no ambiente futebolístico: a atualização dos treinadores de futebol brasileiros. Motivado pela distância observada entre o nosso jogo e o futebol alemão na última Copa do Mundo e também pelo equilíbrio atingido por seleções de pouca tradição no futebol mundial, o tema foi discutido na contratação do novo técnico da seleção brasileira; na repetição dos treinadores em algumas das principais equipes do país após quase vinte anos; no treino de finalização aplicado recentemente por um destes treinadores; e até no Modelo de Jogo do Fluminense, comandado por Cristóvão Borges e que tem impressionado pelo elevado índice de passes certos no Campeonato Brasileiro.

Dunga, em entrevista coletiva, afirmou estar mais preparado para assumir a seleção brasileira. Assistiu a muitos jogos, viajou e conversou com pessoas do meio sobre alguns elementos que conotam a evolução do jogo de futebol. É fato, porém, que após a Copa do Mundo de 2010 ficou um longo período em inatividade.
Wanderley Luxemburgo (Flamengo-RJ), Levir Culpi (Atlético-MG), Muricy Ramalho (São Paulo-SP), Abel Braga (Internacional-RS) e Felipão (Grêmio-RS), em 1995, eram os treinadores das mesmas equipes que estão à frente em 2014. Um questionamento natural oriundo desta notícia diz respeito ao avanço esperado na atuação prática destes profissionais após dezenove anos. A julgar pelos treinamentos realizados tanto pela seleção brasileira durante a Copa como pela equipe paulista, com finalizações sem adversários, previsíveis, com bolas marcadas e num “ambiente fechado”, a esperada atualização de alguns deles não apresenta evidências tangíveis.

Já em relação a Cristóvão Borges, há poucos meses no comando da equipe carioca e elogiado sobre a qualidade de jogo apresentado por sua equipe, o mesmo assumiu a necessidade de capacitação, mencionou as fontes que pesquisou/estudou futebol e afirmou que hoje se sente um treinador melhor preparado. Em declaração recente apontou que enfatiza nos treinamentos a assertividade dos passes e a qualidade técnica do futebol brasileiro simulando as situações semelhantes àquelas que acontecerão nos jogos. De que forma ele tem aplicado, não sabemos. Sabemos, no entanto, que tem dado resultado.

E em sua opinião, caro leitor, como se dá a atualização específica de um treinador de futebol?

Fazer cursos é suficiente para melhorar a atualização profissional? Assistir jogos do futebol europeu credenciam nossos treinadores para trabalhar em alto nível? Conversas informais sobre treinamentos possibilitam uma intervenção precisa no sistema caótico que é uma equipe de futebol? Repetir treinos que deram certo no passado é a fórmula atual para conquistar resultados?

Nós, profissionais da modalidade das mais diferentes áreas de atuação, tendemos a simplificar os problemas (e as soluções) para as questões que têm refletido nosso atraso.

Sob este viés, consideramos a atualização profissional como uma condição que se adquire com atitudes isoladas, desconectadas da prática. Em hipótese alguma devemos negá-la, pois cada reflexão e aprendizagem diária pode nos moldar na direção de uma melhor atuação profissional.

E para uma prática atualizada do ponto de vista da complexidade e especificidade, podemos remeter à corrente dos treinadores que preparam suas equipes para o jogo, jogando (com os devidos ajustes técnico-físico-tático-emocionais de cada atividade). Pode ser que estes treinadores tenham chegado à conclusão de que a melhor maneira de aperfeiçoar o treino (ambiente predominante de intervenção do treinador e construção da equipe) é operacionalizando-o, com os constantes ajustes do nosso crescimento diário e respaldado pela multidisciplinaridade que, nos dias de hoje, compõe uma equipe de futebol. 

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Valor de transferência dos atletas poderá ser obrigatório pagamento de dívidas

A mudança nos rumos do futebol brasileiro permanecem na pauta. A preocupação com a queda do nível desportivo e da audiência levaram a Globo, principal detentora dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro, a se reunir com os clubes e até aventar a volta da fórmula com “mata-mata”.

No rumos dos novos ares, tramita no Congresso Nacional o Projeto de Lei 6683/2013, do Senado Federal, que tem por objetivo conferir maior transparência ao contrato especial de trabalho desportivo.

A proposta é que, ao registrar um contrato, a entidade de prática desportiva deverá registrar também a lista de investidores com que tenham negociado parcelas de eventual pagamento valor referente a cláusula indenizatória, na hipótese da rescisão por vontade do atleta antes do término de seu contrato. Seria a regulamentação e formalização dos direito econômicos.

Atualmente, segundo a Lei Pelé, eventual pagamento referente à cláusula indenizatória é devido exclusivamente ao clube, já que ela não faz menção às questões econômicas atinentes aos terceiros investidores.

Importante esclarecer que os direitos federativos pertencem à entidade com a qual o atleta firma seu contrato de trabalho, enquanto os direitos econômicos correspondem aos valores recebidos em virtude de transferência por rescisão antecipada.

Outra alteração prevista no Projeto de Lei diz respeito à exigência de que o percentual de 10% da cláusula indenizatória desportiva seja utilizado para a quitação de débitos fiscais, previdenciários e trabalhistas.

Interessante perceber o quão o futebol brasileiro é dependente dos investidores, já que a alteração proposta está na contramão do que pretende a UEFA e a FIFA, que trabalham no sentido de dificultar e/ou impedir que terceiros detenham percentuais nas transferências dos atletas.

Outrossim, constata-se, também, a preocupação com o crescente endividamento dos clubes, já que eles seriam obrigados a abater suas dívidas com 10% dos valores recebidos a cada transferência.

A ideia é boa e bem intencionada, entretanto, a obrigatoriedade de se pagar dívidas com percentual das transferências em uma análise perfunctória parece afrontar o artigo 217, da Constituição, eis que interfere na administração financeira das entidades desportiva e, consequentemente, mitigando sua autonomia.

Ademais, na prática, a tendência é que ocorra um inflacionamento das cláusulas indenizatórias ou que os clubes passem a formalizar no contrato de trabalho valores menores com a consequente feitura de “contratos de gaveta” a fim de impedir o decote de 10%.

De toda sorte, a busca por soluções para o endividamento dos clubes e a manutenção saudável do esporte brasileiro é sempre bem vida. Basta saber se a vontade política, dos clubes, dirigentes e Federações será uníssona e se conseguirá se adequar à normalização constitucional. 

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A liderança primal dos técnicos

“Os grandes líderes mobilizam as pessoas, inflamam a paixão e inspiram o melhor dentro de seus liderados.” Esta frase extraída do livro O poder da inteligência emocional, de Daniel Goleman, traduz a essência do que pode ser entendido por Liderança Primal, aquela liderança que inspira não apenas por uma capacidade de ver estrategicamente ou por ideias poderosas de um líder, mas sim por se tratar de um tema mais fundamental da liderança, que os grandes líderes agem por meio das emoções!

Podemos compreender que os técnicos de futebol, tal qual um grande líder de pessoas, possui também uma tarefa emocional primal, ou seja, uma tarefa primeira em tudo que faz enquanto líder, afinal eles sempre desempenham um papel emocional decisivo. Quer um exemplo? Se analisarmos os primeiros líderes da humanidade, fossem eles chefes tribais ou xamãs, todos conquistaram seus postos em grande parte pelo fato de sua liderança ter sido emocionalmente vibrante.

Na vida moderna, isso também é verdadeiro, a principal de muitas funções da liderança é canalizar as emoções coletivas em uma direção positiva e limpar uma neblina causada pelas emoções negativas em sua equipe. Dito isto, torna-se importante sabermos que o segredo para exercer uma liderança primal proveitosa é desenvolvermos as competências de liderança relativas à inteligência emocional.

Os técnicos vivem situações em que suas equipes passam por maus resultados e se perguntam como fazer para que seus atletas possam segui-lo enquanto líder e com isso terem crença em suas orientações e ensinamentos. Pensando na inteligência emocional dos técnicos e no conceito da liderança primal, estes devem desenvolver sua capacidade de contagiar os atletas, ou seja, tornarem-se verdadeiros imãs humanos atraindo no papel de líder emocional o maior número de atletas para a direção comum que promoverá melhores resultados na prática.

O primeiro passo para o técnico iniciar sua liderança primal é estar atendo ao impacto que o seu humor causa no ambiente em que convive, por mais triviais que as emoções e os humores possam parecer do ponto de vista estritamente profissional, elas exercem uma influência real sobre a realização do trabalho cotidiano. Por exemplo, um estado de ansiedade branda causado pelo líder aos seus atletas, ponde apontar para uma situação próxima que exija mais foco e atenção dos atletas na sua execução.

Porém, a pressão prolongada pode sabotar os relacionamentos de um grupo com seu líder, bem como limitar claramente o desempenho dos atletas, devido ao fato de reduzir a capacidade do cérebro de processar informações e responder de maneira eficaz conforme a expectativa. O estresse gerado pelo ambiente negativo prolongado prejudica as habilidades mentais e também a inteligência emocional das pessoas.

Por outro lado, uma boa conversa bem humorada, os risos, ou uma disposição positiva por parte do treinador, em geral reforçam as capacidades neurais mais críticas dos atletas para a realização de um ótimo trabalho. Ou seja, fica claro para nós que o conjunto de emoções sentidas durante a realização do trabalho refletem o real e melhor indicador da verdadeira qualidade de vida profissional e no esporte isso não é diferente, uma vez que já ouvimos várias vezes no meio esportivo atletas elogiando determinados ambientes nos clubes em que atuam; se isso acontece fica clara sua percepção de ter qualidade de vida profissional no determinado clube.

Assim, se faz prudente por parte dos técnicos atuais desenvolverem suas competências de Inteligência emocional e com isso iniciarem o quanto antes uma atuação destacada em suas lideranças primais junto aos seus atletas e as pessoas que são lideradas por eles.

Até a próxima! 

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Altos e Baixos

A nossa vida, quando olhamos ao longo de um período, é uma sucessão de altos e baixos. Essas variações ocorrem desde o primeiro sinal de vida, mesmo antes do nosso nascimento, e só terminam quando a vida chega ao fim, refletida por uma linha contínua, sem nenhuma oscilação.

Portanto, se essas variações são tão comuns, se fazem parte de nossas vidas desde antes do nascimento e se acontecem a todo instante, deveríamos estar acostumados e preparados para lidar muito bem com elas. Certo? Infelizmente não!

Por mais estranho que seja, essa afirmação está longe de ser verdadeira para a maioria das pessoas, empresas e até países. Podemos dizer que é mais comum do que se imagina não estar preparado para lidar com as oscilações.

Por outro lado, por incrível que pareça, nos momentos altos é que existem as maiores falhas e essas falhas se tornam as grandes responsáveis e potencializadoras dos momentos de baixa.

Darei alguns exemplos que mostram esta realidade, mas acredite que além desses existem inúmeros outros. Tenho certeza que ao parar e refletir sobre o assunto, você também identificará imediatamente vários deles, seja na sua vida pessoal, no seu circulo de amizade ou no seu trabalho. E digo mais, hoje mesmo, você pode estar passando por situações típicas de altos e baixos. Afinal, estas oscilações fazem parte de nossas vidas, concorda?

Vamos ao exemplo no esporte, pois é mais fácil de avaliar e pesquisar. Esse final de semana aconteceu o GP do Canadá de Formula1 e o Emerson Fittipaldi marcou presença no evento, me dando a inspiração para falar de altos e baixos, pois esse cara é um grande exemplo do título deste artigo.

Em 1974 Fittipaldi, grande responsável por abrir as portas da Formula 1 para outros pilotos brasileiros, já era Bicampeão mundial na categoria mais importante do automobilismo. Mesmo em alta, quando poderia simplesmente ficar onde estava, resolveu fundar uma equipe brasileira.

A equipe teve bons momentos. Fittipaldi, mesmo sem vencer, continuou em alta por um tempo, mas o que era para ser um grande sucesso, acabou em um grande momento de baixa. A equipe faliu no final de 1982, quando Fittipaldi já tinha abandonado as pistas e era chefe da equipe. Nessa época ele viveu, talvez, sua maior baixa. Foi duramente criticado, viu seu talento ser questionado por várias pessoas e seus bons momentos foram esquecidos. O grande Emerson Fittipaldi retirou-se em silêncio da Formula 1 e foi construir uma nova vida nos Estados Unidos.

Nem imagino o quão difícil foi esse momento de transição. Mas, a fase de baixa foi superada com maestria quando Fittipaldi, já com 38 anos, iniciou uma nova e bem sucedida carreira na Formula Indy (Cart), onde foi campeão em 1989, vencendo a tradicional prova das 500 Milhas de Indianápolis em 1989 e 1993. Não só voltou a brilhar mais uma vez como, novamente, abriu portas para pilotos nas terras do Tio Sam. Hoje, novamente em seu momento de alta, é um homem de negócios respeitado e referência para os norte-americanos, que o chamam carinhosamente de Emmo.

Não tenho detalhes dessa história, mas acredito que essa virada, na forma e na magnitude que em que ela se deu, só foi possível porque, mesmo nos momentos de alta, Fittipaldi nunca foi soberbo, sempre respeitou pessoas e instituições, sempre foi muito cortês com quem esteve acima, abaixo e ao seu lado.

Ao contrário, nas empresas, já vi executivos sucumbirem e não se levantarem mais depois de um momento de baixa, depois de uma demissão. É óbvio que esses executivos não passam dificuldades extremas, mas não atingiram mais o patamar de sucesso e de alta onde se encontravam no passado. Entre os vários motivos que levam a essa baixa permanente, observo que um comportamento está sempre presente – a soberba.

São dois exemplos extremos, um de sucesso, em que a pessoa volta a atingir o patamar de alta e outro onde a pessoa não chega mais ao patamar que alcançou um dia. Entre esses dois estão os casos mais comuns, onde as variações são mais tênues, então vejamos:

– Hoje um Time é campeão, no campeonato seguinte fica em posições intermediárias, depois volta a vencer.
– Hoje um profissional gerencia uma área importante de uma empresa, perde o emprego e em um curto período de tempo se recoloca e exerce essa mesma função em uma nova empresa.
– Ontem o melhor piloto de F1 era o Vettel, hoje já falam em Daniel Ricciardo, Hamilton, Alonso, assim como foi com Senna, Piquet, Mansel e Prost.

Como essas oscilações são na maioria das vezes inevitáveis pensei em algumas dicas para compartilhar com você para serem visitadas nos dois momentos:

Cinco dicas para quando estiver em alta na carreira:

1. Evite a soberba
2. Trabalhe forte mas saiba equilibrar todos os "pratos"
3. Honestidade em todas as realizações
4. Respeite seus pares, subordinados e superiores
5. Conheça seu potencial e invista em sua capacitação profissional.

Cinco dicas para quando estiver em baixa:

1. Nunca perca a esperança, acredite em você e em seu potencial
2. Insista e persista, siga em frente e busque atingir seus objetivos
3. Não desanime use as dificuldades para aprender e se fortalecer
4. Fique atento às oportunidades, elas podem vir de onde menos se espera
5. Tenha uma certeza, essa fase não durará para sempre

Para os que estão vivendo seu momento de baixa, deixo como mensagem a frase que faz parte da música inspiradora do técnico da seleção brasileira Felipão "Tá escrito" e que tem uma ótima ligação com o assunto que estamos tratando aqui:

“Erga essa cabeça, mete o pé e vai na fé
Manda essa tristeza embora
Basta acreditar que um novo dia vai raiar
Sua hora vai chegar!”

Abraços a todos!


*Cezar Antonio Tegon é graduado em Estudos Sociais, Administração de Empresas e Direito. É Presidente da Elancers, Sócio Diretor da Consultants Group by Tegon e Presidente do conselho de administração do ClickGestão. Com experiência de 30 anos na área de RH, é pioneiro no Brasil em construção e implementação de soluções informatizadas para RH

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A lei resolve?

Tenho acompanhado muitos debates, textos, comentários e projeções sobre a Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte (LRFE), que na verdade se presta a resolver parte dos problemas dos clubes brasileiros. Parte!!!

Assim como na votação de outros temas importantes para o país, o jogo de forças e de análises de diversos lados para que se aprove as próprias convicções no texto da lei são claras para o caso da LRFE.

Mas a grande questão que coloco é: será que a lei irá mesmo resolver os problemas mais crônicos do futebol brasileiro? Será que as entidades que fazem parte formalmente do sistema (clubes, federações e confederação) tem a dimensão real deste problema? Quem se adapta melhor e mais rápido a novos sistemas – governo ou clubes?

Tenho plena convicção de que a lei não estanca todos os problemas. Pelo contrário, pode criar novos, se mal formatada e, principalmente, mal administrada – tal e qual ocorreu com a Timemania, que se prestava a zerar todos os passivos das entidades de prática esportiva, mas que levou a um problema ainda mais crônico oito anos mais tarde (atualmente).

A bem da verdade, acredito muito mais em estímulos para boas práticas em detrimento a sanções para quem não faz. Isso torna o processo muito mais saudável, uma vez que poderia apresentar alguns mecanismos de melhoras de gestão dos clubes (customizado ou não para cada realidade) mesclados com a solução das questões fiscais e endividamento das entidades. Por seu turno, não se evidenciaria as más práticas, mas sim as entidades que evoluíram positivamente em seus processos internos.

Ao invés de criar mecanismos esportivos (agora o debate é verificar se a fiscalização deve ocorrer de três em três meses ou anualmente, tendo o rebaixamento de divisão como punição esportiva), que pode resolver em partes, mas que também pode criar um emaranhado de interpretações que retarde qualquer processo de punição que esteja previsto no texto.

Por ser um tanto quanto cético quanto a aplicabilidade de novas leis no país – até por acompanhar a construção de bons textos em determinados momentos, mas que acabam “não pegando”, pelo jargão que se coloca a cada sanção/regulamentação – proponho pensarmos em uma agenda positiva sobre a gestão do futebol. Precisamos criar novos mecanismos que resulte efetivamente em mudanças. Construção de novas leis tem se mostrado ineficiente na prática. 

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Na faixa

Começou com jogadores do Vasco, que entraram em campo em jogo da Série B do Campeonato Brasileiro carregando uma faixa sobre apoio do clube à aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte (LFRE). No último fim de semana, times como Chapecoense, Sport, Botafogo e Flamengo repetiram o gesto. O Coritiba também, mas com uma sutil peculiaridade: os atletas não carregaram o banner. Com um gesto simbólico, o elenco do time paranaense mostrou que é possível se posicionar politicamente sem apelar para o confronto.

A LFRE é um dispositivo de refinanciamento da dívida fiscal dos clubes brasileiros. A lei impõe contrapartidas, mas não exige mudanças drásticas na gestão e nem cria mecanismos para um controle severo desse retorno. E aí existe um risco enorme para o esporte: se for aprovada sem alterações no texto, há um risco de os débitos das equipes serem extintos sem que o país ganhe algo com isso. Algo como um prêmio pela má gestão que se arrasta há décadas.

Há enorme pressão de clubes, federações e de congressistas ligados à “bancada da bola” para que a lei seja aprovada urgentemente. O governo já admitiu via Ministério do Esporte que “é possível que times quebrem” se o dispositivo não for alinhavado ainda neste ano. E o que os atletas têm a ver com isso?

Na sexta-feira, o zagueiro Paulo André, que desde fevereiro defende o Shanghai Shenhua, publicou na rede social Facebook um texto que questiona exatamente isso. O jogador, líder mais proeminente do grupo Bom Senso FC, usou o exemplo do Vasco e cobrou que os atletas deixassem de ser “inocentes úteis”.

“Chegamos ao cúmulo da inocência e da exploração. Tudo nos parece normal, rotineiro, inerente ao meio em que vivemos. Dizemos uns aos outros: ‘Ah, deixa para lá, sempre foi assim’. E alguns cartolas, por sua vez, chegam no limite da malandragem, da lei de Gerson”, escreveu o zagueiro.

Os jogadores do Coritiba deram um exemplo. O time paranaense entrou em campo com uma faixa de apoio à LRFE, mas o objeto foi carregado por funcionários do clube. Os atletas não colocaram a mão.

O Coritiba pode ser favorável ao dispositivo, mas os jogadores têm o direito de pensar de outra forma. E se o fizerem, têm o direito de se posicionar. A questão é: quantos são os atletas que realmente estão preocupados com o futuro do esporte que lhes dá sustento?

A lógica é muito clara na questão da LRFE, mas vale praticamente para todas as questões que permeiam o cotidiano da modalidade. Para ficar em um exemplo simples: quantos jogadores repensaram seu comportamento (dentro e fora de campo) depois dos exemplos da Copa de 2014? Quantos adotaram novas condutas depois da goleada por 7 a 1 que a Alemanha impôs ao Brasil?

Responsabilizar dirigentes e gestores é uma necessidade, mas tratá-los como único mal do esporte é apenas um reducionismo conveniente. É cobrar dos outros uma mudança que só será possível quando for sistêmica.

É por isso que o Bom Senso FC renovou esperanças em 2013, quando foi criado. O grupo reuniu atletas que queriam repensar o esporte e trabalhar por um futebol melhor. Os jogadores resolveram entender que são parte de um processo e que isso não se limita às quatro linhas.

Essa consciência precisa atingir também outras classes. Jornalistas não podem seguir apenas falando na necessidade de mudanças se seguirem adulando dirigentes inadvertidamente ou se esquecerem do papel transformador que a mídia tem. Mais uma vez: qualquer mudança no esporte só vai ser possível quando todos entenderem que são partes de um processo complexo.

O futebol brasileiro precisa desesperadamente de mudanças. Isso está claro, e os resultados recentes apenas escancararam isso. Mas nenhuma alteração contundente vai acontecer enquanto se limitar a uma classe ou a uma esfera.

Jogadores podem carregar faixas sobre a LRFE se concordarem com isso e defenderem a aprovação da lei como está. Jornalistas podem calar sobre isso se também forem favoráveis ao dispositivo. Desde que essa seja a posição deles, e não apenas uma omissão.

A lógica acima vale para qualquer classe e para diferentes discussões. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) criou uma série de problemas recentemente por causa de problemas em seu sistema de registro de atletas. O colapso foi público e vexatório, mas talvez tivesse mais reações se houvesse um movimento articulado entre atletas, advogados, gestores, clubes, federações, mídia e até torcedores. Ninguém pode ser excluído de discussões pertinentes para o futuro coletivo.

A questão é que a lógica coletiva não é a que norteia a gestão do esporte no Brasil. As lutas são individualizadas, mesmo quando em classe. Basta ver o que acontece com a negociação de direitos de mídia do Campeonato Brasileiro: desde a implosão do Clube dos 13, times conseguiram aumentos significativos e adotaram negociações solo. Isso aumentou consideravelmente a distância de faturamento e concentrou receita nas mãos dos mais poderosos. E o bem do futebol?

Times pequenos perceberam isso e já começaram a cobrar mudanças. Agora, contudo, falta força política para isso. Não há um fórum em que a força das equipes seja equiparada, independentemente do potencial econômico ou esportivo.

Pode parecer utópico, até porque essa não é uma característica apenas do esporte, mas o futebol precisa pensar como classe. E isso só vai ser possível quando todos entenderem a força que têm. Os jogadores do Coritiba deram uma aula disso.

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Metáforas no futebol

No futebol observamos a máxima de que existem os técnicos que falam a linguagem dos atletas, aqueles que sabem se comunicar da forma que os atletas entendem.

Será que isso é uma habilidade exclusiva de alguns ou pode se capacitar os técnicos para aproximarem sua comunicação com os atletas?

Penso que o uso das metáforas no futebol, como em qualquer área de atuação profissional, pode ser muito valioso para os que lideram pessoas ou que formam opinião de outros. Uma boa metáfora pode facilmente valer por mil palavras e inúmeras imagens!

A palavra metáfora vem de uma raiz grega que significa “levar além”, sendo que a metáfora consegue nos levar além de um significado e com isso abre a nossa mente para muitos significados possíveis. As metáforas estão por todo lado em nossa vida.

Existem muitos tipos de metáforas:

A comparação ou analogia – Esse tipo é o mais simples de metáfora, simplesmente se faz uma comparação simples tal como: “Veja o que estou querendo dizer!”

Metáforas de aprendizagem geral – Comunicam um ponto geral que se deseja estabelecer de forma mais eficaz do que dizer diretamente. Fábulas, morais, mitos e contos são todos exemplos deste tipo de metáfora.

Metáforas cognitivas – Estas oferecem uma sequência de ideias que ajudam a criar novas distinções.

Metáforas emocionais – Esta metáfora objetiva estimular um estado emocional no ouvinte, seja através de uma história eu faça o ouvinte se identificar com uma situação descrita e com isso se emocionar ou pode-se descrever uma determinada situação que faça o ouvinte se emocionar com o que está sendo descrito pelo interlocutor.

Metáforas ligadas – Acontece quando oferecemos várias metáforas aparentemente sem relação entre elas, mas que todas possuam algo em comum.

Penso que os técnicos podem desenvolver sua capacidade de utilização das metáforas para melhorar sensivelmente sua comunicação e a compreensão por parte dos atletas sobre o que se deseja. E para facilitar esse processo compartilho dicas sobre como eles podem fazer para com que suas metáforas sejam realmente eficazes, apontadas por Joseph O’Connor:

• Use predicados sensoriais, não linguagem digital. Você deseja que o atleta veja, ouça e sinta a história em sua frente; assim você deve engajar os sistemas representacionais do atleta;

• Use uma dose de suspense em sua metáfora. O atleta desejará saber o que acontece a seguir e esperará uma solução satisfatória para a sua história;

• Encoraje o atleta a se identificar com um personagem para que seja levado à história;

• Use piadas e humor para que se estabeleçam as expectativas do atleta e então altere subitamente de significado de forma inesperada e incongruente.

Segue um exemplo de metáfora adaptada sobre como encarar os fatos ruins que já passaram ou uma derrota que tenha deixado sequela emocional no time:

Um técnico falando sobre gerenciamento do estresse em uma conversa com seus atletas levantou um copo d’água. Todos imaginaram que ele perguntaria "Meio cheio ou meio vazio?". Mas com um sorriso no rosto ele questionou "Quanto pesa este copo de água?"

As respostas variaram entre 100 e 350g.

Ele respondeu:

"O peso absoluto não importa. Depende de quanto tempo você o segura. Se eu segurar por um minuto, não tem problema. Se eu o segurar durante uma hora, ficarei com dor no braço. Se eu segurar por um dia meu braço ficará amortecido e paralisado. Em todos os casos o peso do copo não mudou, mas quanto mais tempo eu o segurava, mais pesado ele ficava".

Ele continuou:

"O estresse e as preocupações causadas por uma derrota são como aquele copo d’água. Eu penso sobre eles por um tempo curto e nada acontece. Eu penso sobre eles um pouco mais de tempo e eles começam a machucar. E se eu penso sobre eles durante vários dias me sinto paralisado, incapaz de fazer qualquer outra coisa".

Então lembre-se: precisamos "largar o copo" para que possamos nos concentrar nos próximos desafios e nos próximos desempenhos esportivos!

Até a próxima! 

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Boa parte do mercado se aproveitou, menos…

Lendo notícias sobre diversas áreas, de diferentes segmentos da economia, percebe-se como cada setor procurou se aproveitar da Copa do Mundo. Seja o segmento hoteleiro, de alimentação, de receptivo turístico, agências de publicidade e até produtos tipicamente nacionais, como a cachaça ou o doce de leite, que buscaram um posicionamento para divulgar estes produtos para o turista estrangeiro.

É verdade que alguns tiveram problemas. O mercado de locação de veículos, por exemplo, foi um dos que sofreu com a queda na demanda do público corporativo, que representa o grande volume de negócios do segmento.

O que é fato é que, invariavelmente, boa parte do mercado procurou ganhar com a Copa, seja por meio do incremento pontual no seu faturamento durante o período do evento ou mesmo buscando um lastro de relacionamento internacional. Antes do Mundial, inúmeros encontros e núcleos de debate foram promovidos por diferentes entes para aproveitar o momento.

Ironicamente, dos poucos que parecem ter se estruturado menos para ter um legado ótimo de Copa do Mundo foi justamente o mercado que, em tese, seria mais diretamente influenciado pelo evento, que é aquele ligado ao futebol.

Não houve e não há, ainda, um projeto efetivo que propusesse o desenvolvimento e crescimento do futebol no país, tal e qual ocorreu nos EUA com a Copa de 1994 ou mesmo na Coréia/Japão em 2002 até chegar na Alemanha em 2006.

Ou seja, ao que parece, enquanto todo o mercado buscou, de alguma maneira, certa ou errada (não cabe, neste momento julgamento. Apenas o registro da tentativa…), aproveitar a Copa do Mundo para o seu desenvolvimento, o mercado esportivo no Brasil correu à margem de tudo o que ocorreu nos últimos 7 anos.

No pós-Copa, os problemas são os mesmos. O endividamento dos clubes, que é um problema cuja solução não é imediata, é o tema do momento, que está sendo debatida sem fundamento em um projeto mais amplo. As arenas, que são o legado tangível do evento, vão iniciar um ciclo de aprendizagem na sua operação nos próximos anos que poderia ter sido reduzido se houvesse iniciativa e proatividade das entidades para um melhor planejamento sobre a gestão dos mesmos.

Há espaço para fazer melhor. E ainda há tempo para isso. Vale sempre lembrar, apenas, que momentos como os de uma Copa do Mundo passam e a qualidade dos projetos no país sede é o que ficam…