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Planejamento e gestão de carreira

A trajetória de Mano Menezes e a entrevista dele apresentada na Universidade do Futebol evidencia o cuidado com a imagem e a gestão de carreira de um profissional que, se não realizou um plano formal, por escrito, anos atrás, construiu relações e solidificou uma postura diferenciada que lhe rendeu o cargo mais importante para os treinadores de futebol brasileiro.

Neste caso, a gestão e o planejamento de carreira podem ser traduzidos pela compreensão do momento vivenciado por um profissional e a sua preparação para novos e maiores desafios, graduais à sua capacidade de consolidação e estabelecimento dentro daquilo que o mercado exige.

O “pensar globalmente, agir localmente” funciona dessa maneira, se traçarmos um paralelo sobre a compreensão daquilo que fazemos em nossas atividades profissionais. Tal paradigma está vinculado à construção de uma imagem diferente e positiva perante todas as pessoas que fazem parte de nosso convívio diário.

“Napoleão, DaVinci, Mozart… sempre administraram a si próprios”, diz Peter Drucker¹ , quando fala sobre gestão de carreiras. “Destarte o excepcional talento destas personalidades, nós também devemos gerir a nós próprios. Precisamos aprender a nos desenvolver. Precisamos observar os locais onde podemos oferecer melhores contribuições. E precisamos estar mentalmente em alerta e engajados durante 50 anos de nossas vidas a serviço das pessoas, o que significa saber como e quando devemos inovar aquilo que fazemos”.

Pelo discurso de Mano Menezes percebemos sua incansável busca por conhecimento. E os chamados “knowledge workers” não podem parar nunca se quiserem evoluir e construir uma carreira sólida em um mercado tão competitivo, exigente e ainda cético a processos de mudanças.

Para finalizar, destaco outra citação de Peter Drucker² quando pontua oito das características comuns em um líder empresarial, e que deve fazer parte de uma reflexão no momento de construir um planejamento e gestão de carreira sólido:

Eles perguntam: “o que precisa ser feito?”
Eles perguntam: “o que é correto para a organização?”
Eles desenvolvem planos de ação.
Eles tomam responsabilidades sobre suas decisões.
Eles tomam responsabilidades sobre a comunicação.
Eles focam as oportunidades ao invés dos problemas.
Eles promovem reuniões produtivas.
Eles pensam e falam “NÓS” ao invés de “EU”.

“As duas primeiras práticas deu-lhes os conhecimentos necessários. As quatro subsequentes os ajudaram a converter este conhecimento em ações efetivas. Os dois últimos garantiram que toda a organização se sentisse responsável e inspirada em agir”.

Mano parece possuir tais características. Tratou toda a sua trajetória e conquistas a partir de uma visão de grupo, do reconhecimento do trabalho em equipe e não somente direcionado a suas próprias competências. São esses alguns dos alicerces de reflexão que necessitamos na ocasião de definir nossos rumos, plano de carreira e de como queremos ser vistos pelo mercado como um todo.

¹Tradução livre de DRUCKER, Peter. Managing Oneself. Harvard Business Review, march-april 1999. “A Napoleon, a daVinci, a Mozart – have always managed themselves (…) We will have to learn to manage ourselves. We will have to learn to develop ourselves. We wilt have to place ourselves where we can make the greatest contribution. And we will have to stay mentally alert and engaged during a 50-year working life, which means knowing how and when to change the work we do”.

² Tradução livre de DRUCKER, Peter. What Makes an Effective Executive. Harvard Business Review, june 2004.

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A descentralização de Mano Menezes

Olá, amigos!

Com a apresentação de Mano Menezes, muitas coisas ficaram no ar, com aquela sensação de tentarmos entender o que virá pela frente.

Na entrevista que Mano concedeu à Universidade do Futebol, um trecho mostra bem uma boa perspectiva de mudança. Não que seja algo que o treinador já não fazia, mas que agora como técnico da seleção, consegue transformar em referencia nacional.

Mano disse:

“O nosso dirigente tem a ideia muito clara que quer mandar. E delegar poderes é complicado”.

Ao colocar esse aspecto, Mano Menezes indica claramente duas grandes características que o destacam no cenário do futebol.

Primeiro, ele entende que o dirigente tem essa mentalidade e essa necessidade, e consegue, ou pelo menos aparenta saber lidar com isso, “deixando” o dirigente “mandar” até onde lhe é possível, sem se incomodar por ter o brilho de técnico ofuscado (o que para alguns pode ser um grande pesadelo).

E por fim consegue delinear um perfil de comando, na qual delegar funções é imprescindível. Isso fica claro no esboço do organograma que Mano tem construído como seu staff na seleção brasileira.

A presença de Rafael Vieira, apresentado como analista de desempenho, é um grande avanço.

Alguns podem chamá-lo de estatístico, como seria no basquete. Outros ainda falarem que é o nome moderno para olheiro. Mas a mudança de nome permite a valorização do profissional com alto nível de conhecimento do futebol e com alto grau de relacionamento e importância na comissão técnica.

Defendemos em outros textos a presença do que chamamos central de inteligência do jogo, na figura de alguém da comissão técnica com capacidade de interpretar as informações oriundas de diferentes fontes, sobretudo com os recursos tecnológicos disponíveis hoje em dia, a qual chamamos de analista de scout. A nomenclatura atribuída por Mano me parece também muito inteligente.

A escolha de um profissional e a atribuição para uma função específica e destacada logo na primeira entrevista de Mano reforça o que o próprio treinador diz sobre a importância de delegar funções. E discuto um pouco mais a importância da delegação de funções a seguir.

Buscando alguns elementos nos estudos de gestão de pessoas, observamos que a delegação é compreendida como o ato de designar a uma pessoa ou grupo de pessoas responsabilidades e/ou tarefas. É necessário que a pessoa que será designada para desempenhar os papéis e exercer determinadas responsabilidades apresente capacidades e competências para tal, o que implica em dizer que a escolha da pessoa passa por um rigoroso crivo do gestor (treinador).

Por outro lado, cabe também ao gestor garantir a autoridade necessária para a tomada de decisões por parte do seu subordinado, caso contrário não se estabelece um processo de confiança o que pode implicar em retrabalho de ambas as partes.

Outro ponto no qual se sustenta a eficiência da delegação é a confiança. Ao delegar algo para alguém você demonstra confiança em sua responsabilidade e comprometimento. E neste aspecto é imprescindível que o gestor se “afaste” de alguns pontos das tarefas designadas para que seu subordinado sinta que realmente existe essa confiança, embora a responsabilidade final do processo recaia ainda sobre o gestor.

A delegação é fruto essencialmente de duas situações vividas pelo gestor: ou pela limitação de conhecimento que possuem para determinadas tarefas, ou por questão de tempo e acumulo de tarefas. O que muitos técnicos fazem é se prevenir de que a primeira hipótese não se confirme.

No caso de Mano Menezes, a consciência do acumulo de funções e da necessidade de uma gestão interdisciplinar demonstram muita clareza e segurança na delegação das funções.

Alguns podem dizer que muitos clubes e treinadores já delegam funções, porém, devemos atentar que existem algumas armadilhas. Entendendo aqui o treinador como o gestor desse processo, temos os seguintes riscos:

o acumulo funções em si resultando numa delegação insuficiente

sentir-se confortável com a delegação de funções que perde o controle sobre as mesmas, delegando em excesso.

Sobre a função do analista de desempenho, discorreremos um pouco mais em próximas contribuições.

Que a boa receptividade da mídia e a esperança positiva dos torcedores possam continuar a partir de quando começarem os jogos. Porque, afinal de contas, sabemos como é o futebol…

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Mano do Mano

Estádio dos Aflitos, ano de 2005. O Grêmio joga contra o Náutico pela classificação à Série A do Campeonato Brasileiro. O trabalho de ressurreição gremista está por um fio. O clube pernambucano tem um pênalti a seu favor. O gaúcho, está com três jogadores expulsos, num bate-boca interminável com o árbitro, ameaçando tirar o time de campo após a marcação da falta.

Em meio a esse cenário de caos, repórteres de televisão e rádio entram em campo para conseguir captar as frases de atletas e árbitro, tumultuando ainda mais o ambiente. Numa dessas “furadas” de bloqueio da mídia, Mano Menezes, então jovem treinador do Grêmio, é interpelado pelo repórter do Sportv. Calmamente, ele afirma:

“O jogo ainda não acabou. Estou tentando tirar meus jogadores para que o pênalti seja batido. E aí veremos o que acontece”.

O pênalti é defendido e, no lance seguinte, o Grêmio faz um gol, vence o jogo e assegura a volta à elite do futebol brasileiro, naquela partida que ficou epicamente conhecida como “A Batalha dos Aflitos”.

Batalha que só não existiu, de fato, por causa de Mano Menezes.

Naquele dia, Mano mostrou um equilíbrio raríssimo de se ver em treinador de futebol brasileiro. Sua calma aparentemente contagiou o time do Grêmio. Sem levantar a voz, sem jogar para a torcida, sem deixar se perturbar pela presença de jornalistas em meio a um momento terrivelmente decisivo para o seu próprio trabalho. Naquele momento em que respondeu ao repórter do Sportv que o time precisava de calma (e, indiretamente, deixou claro que reprovava a presença do repórter dentro de campo), Mano começou a selar o destino mais brilhante de sua carreira.

Talvez ali, naquele instante, estivesse surgindo um treinador preparado para aguentar todo tipo de pressão. A ascenção de Mano foi rápida depois que passou a dirigir equipes de grande porte. Do Grêmio para o Corinthians e, daí, para a seleção brasileira, com 48 anos de idade. Esse episódio da “Batalha dos Aflitos” é o momento emblemático na carreira de Mano. Esteve próximo de ser um fracasso retumbante, mas consagrou-se exatamente por mostrar maturidade para o cargo que ocupava.

No especial que esta Universidade do Futebol trouxe nesta última semana, conseguimos compreender um pouco mais dessa característica de Mano. Ficou claro, pelo menos para mim, que ele tem uma visão bem além das quatro linhas. Futebol não se decide só em campo. São vários os elementos que formam o ambiente de uma equipe, de um clube.

Nunca um treinador chegou à seleção brasileira tão bem preparado para lidar com a delicada relação com a mídia. Tudo bem que, depois de Dunga, nunca foi tão fácil ser minimamente simpático com a mídia. É só questão de dar bom dia…

Mas Mano, diferentemente da maioria dos treinadores recentes da seleção brasileira, sabe que a imprensa faz parte desse ambiente. Apesar de todos os males que ela pode proporcionar, a mídia está incrustada no cotidiano do futebol, dependente e fundamental para a sua existência como grande força do mercado esportivo.

Dunga caiu por achar que futebol se faz como na várzea, ou nos rincões do país. Quem entende é quem joga bola, e o resto deve aceitar isso. Mano é o oposto de Dunga nesse pensamento. Tanto que foi o primeiro treinador a aderir ao Twitter, sabendo-o usar como ferramenta de comunicação com o público. Mostra de alguém antenado e preparado para lidar com as diferentes plataformas de contato com as pessoas.

É com esse perfil que, de fato, uma renovação no time nacional pode começar.  

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Futebol, eleições e democracia

Estamos no meio de um processo eleitoral no Brasil.

As chamadas eleições majoritárias vão indicar quem serão o Presidente da República, os governadores e senadores dos Estados e os deputados federais e estaduais.

Vivemos num país que, apesar de todas as dificuldades sociais e econômicas, tem consolidado a democracia como regime político.

A democracia, cabe resgatar, diz respeito ao governo que emana do povo e que por ele será exercido, por meio de representantes diretos ou indiretos.

O futebol, por sua vez, é tido como o esporte mais democrático do mundo, dada sua difusão e facilidade de prática, por inúmeras razões. Não se exige dinheiro, status privilegiado, grande infraestrutura esportiva para desfrutar desse esporte em qualquer canto do planeta.

Quando remetemos a discussão e aproximação entre futebol, eleições e democracia, talvez a primeira lembrança diga respeito à Democracia Corintiana.

Democracia Corintiana foi o histórico movimento ocorrido em 1982 no Corinthians liderado por jogadores politizados como Sócrates, Zenon, Vladimir e Casagrande.

Em meio a uma transição de mandato, os novos diretores primavam por ouvir os jogadores e o que pleiteavam sobre a gestão do clube para se tornar mais eficiente.

Com isso, quase todos os temas do dia-a-dia do elenco eram deliberados e decididos pelo voto – jogadores, comissão técnica e diretoria. Concentração, contratações, bichos e salários.

Não havia peso diferente nos votos. Todos eram iguais. Democracia direta e pura, ao contrário do pano de fundo histórico do Brasil, que passava pela chamada Redemocratização e o primeiro movimento era a luta pelas Diretas-Já (substituir a indicação de políticos, por militares, por eleições diretas).

O resultado prático no clube paulista foi o bicampeonato paulista e a chegada às semi-finais do Brasileirão, além de sanear dívidas do caixa.

Em outra coluna, já havia mencionado sobre minha experiência para acompanhar de perto as eleições do Real Madrid em 2006. Mas isso se refere à parte da democracia de ser votado.

Quero destacar a aqui a importância e o direito de votar nas eleições de um clube de futebol.

Temos acompanhado um processo muito contundente de conquista e transformação dos torcedores em sócios-torcedores, uma vez que isso gera receita frequente e previsível aos cofres dos clubes.

Em muitos casos, depois de cumpridos requisitos estatutários, adquire-se o direito de votar e ser votado. E dependendo do clube, as eleições são diretas – vota-se no candidato – ou indiretas – vota-se num colegiado que elege os mandatários.

Independentemente destas nuances, uma vez que o torcedor adquira este status de sócio, é salutar para a evolução da instituição sua participação ativa no processo eleitoral.

Diga-se isso por, em alguns casos, não só no Brasil, como sei de casos na Argentina, nem todos os que têm direito a voto o fazem efetivamente. Ou por preguiça, alienação ou por que o processo eleitoral não facilita.

Nesse ponto, os clubes brasileiros podem aperfeiçoar o processo eleitoral, estruturando e estimulando os sócios para votações em consulados e filiais; pelo correio e até pela internet (com a devida certificação de segurança exigida).

O Partido Democrata dos EUA já o faz em suas eleições prévias para indicação dos candidatos. Os filiados das Ilhas Virgens Americanas podem votar por internet. Existe até o site Democrats Abroad.

E mais: podem doar pela internet. Porque, quanto mais me sinto parte desse ambiente, mais quero contribuir com seu crescimento. Com voto e, why not?, com doações. Vide o fenômeno que elegeu Barack Obama.

No caso dos clubes de futebol, isso se daria com voto e com mais sócios na base, pagando mensalidade, ainda que longe fisicamente, pois o sentido de pertencer à instituição não tem limite geográfico.

Como cidadãos brasileiros, estamos (mal) acostumados a reclamar dos políticos. Mas somos preguiçosos para entender de política. Devemos votar, mas também ser votados, participando da política, e também fiscalizando as gestões.

O resultado prático, se não há envolvimento popular, é o déficit de cidadania que ainda vigora por todo Brasil.

Como diz um grande amigo meu, quem não gosta de política, será governado, do mesmo jeito, por quem gosta.

Ah, e como tem gente que gosta. Já demonstrava o ilustre deputado Justo Veríssimo:
 


 

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A Fórmula 1 e o futebol

Caros amigos da Universidade do Futebol,

Os esportes de alto rendimento dividem-se, basicamente, em dois grupos. Os individuais e os coletivos.

O futebol, por exemplo, é um esporte coletivo. Não existe um jogador campeão, mas sim uma equipe. O tênis, por outro lado, é um esporte individual (ressalvada a exceção da Copa Davis e, de certa forma, os torneios de duplas). Nesse último esporte, o atleta é considerado individualmente o campeão.

Nesta coluna, gostaria de usar um exemplo do futebol para fazer uma crítica à Formula 1.

A modalidade do automobilismo da Formula 1 possui atualmente um problema gravíssimo, que é o conflito entre ser um esporte individual ou um esporte de equipe, o que compromete, de forma inaceitável, o espírito fundamental do esporte da busca pela vitória.

Diversos males hoje reconhecidos e combatidos também afetam esse espírito da vitória. A má utilização das apostas desportivas, por exemplo, pode fazer com que um time entregue um jogo de propósito, o que é inaceitável. O doping, de outro lado, maximiza o espírito da vitória de forma desleal e prejudicial à saúde dos atletas: igualmente reprovável.

Pois bem. O conflito entre esporte coletivo e individual, presente hoje na Fórmula 1, também em nossa opinião deveria ser combatido. Quem paga ingresso para assistir ao evento, sai evidentemente decepcionado ao ver um piloto deixar o outro passar por questões estratégicas da equipe. E em um cenário pessimista, mas possível, essa atitude pode levar ao afastamento de torcedores, mídia e patrocinadores, minando a viabilidade financeira do esporte.

Pelos regulamentos da competição, a Formula 1 é um esporte individual, tanto que a atitude da escuderia em questão provocou a sua punição. Entretanto, o erro reside em premiar e reconhecer, de forma muito ostensiva, a melhor escuderia da competição, por pontos de seus pilotos.

É como se o prêmio de artilheiro do Brasileirão fosse algo muito relevante (principalmente em termos financeiros). Esse fato não tiraria o aspecto da coletividade do jogo, porém poderia provocar distorções. Ou então, em outra perspectiva, se premiassem ostensivamente o melhor país em termos de rendimento dos seus clubes nos torneios continentais.

Um exemplo bacana para o caso (mas triste por outro lado) é o que aconteceu em certa temporada no campeonato de futebol do Nepal (!!). Naquele país, em que o futebol é muito pobre, o artilheiro da competição leva um cobiçadíssimo carro do patrocinador do torneio.

Em um certo jogo de última rodada, em que um time “A” precisava vencer para não cair e o outro time “B” estava no meio da tabela e não dependia de resultado algum, o time A acabou vencendo por 9×8, tendo o artilheiro do time B feito os 8 gols e sagrando-se o artilheiro da competição.

Em outras palavras, os esportes coletivos devem premiar as equipes, e os individuais premiar os atletas, apenas menções a outros destaques marginais. De forma que o esporte impeça que o verdadeiro espírito do esporte mantenha-se intacto.

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Fifa na contramão do mundo

Caro amigo, sabe quando um ator famoso, um político, ou mesmo um jogador de futebol, faz tanta, mas tanta besteira, que a gente até dúvida? E por vezes nos pegamos pensando se não o fazem pelo simples prazer de aparecer? E mais, já que não conseguem destaque só pelo que fazem de normal e coerente, acabam tomando atitudes que são totalmente contrárias ao bom senso?

Pois é. Imagino que a Fifa tenha adotado esta estratégia. Em nota do dia 21 de julho, a federação que rege o futebol divulgou que vai intensificar os testes com dois assistentes extras com vistas à melhoria da arbitragem.

Na nota referente ao encontro realizado no País de Gales na última semana, a International Football Association Board aprovou solicitações para a realização de testes com dois árbitros assistentes a mais no campo de jogo para as temporadas de 2010/2011 e 2011/2012.

Num mundo onde a capacidade intelectual, isto é, as pessoas (que aqui chamaremos de recursos humanos) está cada vez mais sendo valorizada e especializada, tirando-lhe o fardo de trabalhos que podem ser feitos com maior precisão e velocidade por recursos tecnológicos, a International Board vai na contramão.

Aqui faço um pequeno recorte no texto para justificar o parágrafo anterior. Muitas pessoas pensam, erroneamente, que a tecnologia vem substituir o ser humano. Seria um erro maior ainda atribuir essa afirmativa a incapacidade das pessoas de compreender o fenômeno, pois a primeira vista numa fábrica onde um computador substitui o trabalho de quatro funcionários, essa premissa estaria correta, concordam?

A questão é que devemos esquecer um pouco aquele pragmatismo que nossas professoras nos ensinaram nas tenras séries escolares, de que não era possível subtrair maçãs e somar abacaxis ao mesmo tempo.

Na verdade, o mundo contemporâneo exige que as maçãs subtraídas sejam comparadas com os benefícios dos abacaxis somados no processo. E antes que o amigo tome “guela abaixo” essa vitamina, explico. Quando um computador faz o trabalho de quatro funcionários, ele está fazendo o trabalho que podemos chamar de braçal, repetitivo, de pouco teor intelectual, ou ainda o trabalho complexo , que demoraria um bom tempo para nós seres humanos realizarmos (só lembrando que complexidade não é sinônimo de inteligência como infelizmente alguns pensam).

O que para alguns significaria a perda destes quatro funcionários, o mundo hoje deve encará-los como o ganho de quatro novos recursos intelectuais, ou seja, quatro pessoas que podem ser atualizadas e capacitadas para desempenhar atividades muito mais intelectuais do que braçais, envolvendo criatividade, solução de problemas, inclusive elaboração de novas máquinas e recursos tecnológicos.

E nesse sentido que a Fifa vai na contramão do mundo, ao invés de adotar recursos mais precisos e confiáveis do que o ser humano (embora alguns insistam em não perceber, o ser humano é passível de erro), prefere colocar novos assistentes ao e ignorar o fato de que a tecnologia é no mínimo um paradoxo do avesso.

Se para eles mais duas pessoas podem ajudar a minimizar os erros, como conduzir as diferenças nas interpretações de mais duas pessoas envolvidas no processo. Imaginemos uma bola que teria ultrapassado a linha de gol, dependo do ângulo, do posicionamento e da intenção do arbitro ou assistente, as opiniões serão diferentes ao passo que adoção de um recurso tecnológico tornaria o lance preciso e claro.

A entidade ainda fixou os seguintes critérios para o teste que visa a adoção dessa “inovação”, de acordo com o disponibilizado no próprio site da Fifa

1. Que ele seja realizado nas ligas e competições profissionais das federações nacionais ou em nível de confederação continental (apenas competições de clubes).
2. Que ele seja concluído a tempo de permitir que uma decisão seja tomada em 2012.
3. Que os custos adicionais de tal experimento sejam de responsabilidade da liga, federação nacional ou confederação continental em questão.
4. Que todas as partidas da competição em questão sejam apitadas com dois árbitros assistentes adicionais.

Para não nos alongar, me atenho a provocar o amigo a refletir sobre o item 3.

Um dos grandes argumentos daqueles que defendem é que a tecnologia não deve entrar na arbitragem por que encarece o futebol e seria privilégio apenas das ligas mais ricas, o que fere o tão transparente espírito democrático do futebol.

Assim que diferença tem em investir em desenvolvimento de tecnologia e aplicação do que adotar dois novos árbitros, em termos de custo um pode ser mais alto agora, mas ao longo do tempo é diluído já que o mais caro é o investimento inicial (tecnologia), enquanto o outro (dois árbitros) exige também custos de treinamento e capacitação num primeiro momento, mas não tem possibilidade de diluição ao longo do tempo.

Enfim, enquanto todos reduzem custos e aperfeiçoam processos, investindo em tecnologia e, consequentemente, em recursos intelectuais, o futebol descarta os recursos tecnológicos “investindo” em trabalho passível de erro, afinal, segundo dizem, o erro é um charme no futebol. Que não me venham falar isso quando meu time for prejudicado.

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Jornalismo declaratório

Uma das grandes coisas da internet foi possibilitar que a notícia se propagasse de maneira tão rápida quanto o rádio, mas acessível até mesmo para quem está no ambiente de trabalho. Afinal, desde que o computador virou instrumento de trabalho, a internet passou a ser um meio de acesso à informação em tempo real.

Só que a transformação da realidade na cobertura jornalística mudou a forma como o jornalista passou a se comportar. A busca pelo “furo” tem sido paulatinamente substituída pela busca por audiência e pela velocidade na publicação da informação. Ao mesmo tempo, as fontes se tornaram mais bem preparadas para evitar cair em armadilhas.

Isso tudo leva a um novo cenário. Jornalismo, hoje, virou sinônimo de reprodução das declarações das fontes. A apuração da reportagem ficou em segundo plano.

O caso Muricy Ramalho e CBF evidencia isso.

Ricardo Teixeira disse que já estava tudo certo, restando o ok do Fluminense. Muricy disse, em linhas gerais, o mesmo.

A imprensa em geral já dava como fato consumado a efetivação do treinador do Fluminense na seleção brasileira.

E o que aconteceu depois?

A essência do jornalismo é a apuração. Apurar não significa reproduzir as frases das fontes, mas ir além da superfície.

O jormalismo declaratório sempre permeou o trabalho do jornalista de economia. E, agora, invadiu o esportivo.

É preciso ter mais gente que saiba mergulhar…

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Maldito FC

O mês de julho de 2010 é o mês dos técnicos de futebol.

Não só aqueles que ocuparam os principais papéis na Copa do Mundo da África do Sul – Parreira, Dunga, Domenech, Löw, Del Bosque.

O espaço é também preenchido por Mourinho, cujos capítulos da história no Real Madrid recém começam.

Sem falar de Felipão, que retorna ao Palmeiras depois de alguns anos, onde obteve enorme sucesso, que o catapultou ao estrelato como treinador do Brasil e Portugal.

E que ocupa o primeiro lugar na preferência nacional – talvez da CBF – para assumir a vaga na seleção brasileira, até há pouco nas mãos do criticado Dunga.

Saibam todos que não há cargo profissional, na iniciativa privada, que receba mais pressão que a de técnico de futebol.

Seja de clube pequeno, médio ou gigante. Seja da seleção de Antígua e Barbados. Seleção nacional como Brasil, Argentina, Itália, Alemanha, Inglaterra então…

Nenhum presidente de empresa ou alto executivo tem receio de sair à rua, para os afazeres cotidianos, e ser interpelado – pacificamente ou de forma constrangedora – por fanáticos dos produtos da empresa, querendo satisfação sobre determinada estratégia de venda ou queda no balanço trimestral.

São e serão sempre ilustres desconhecidos do povo.

A trajetória de êxitos e fracassos na vida de um técnico de futebol é desvendada, brilhantemente, pelo filme inglês Maldito FC (Damned United), cuja inspiração foi a biografia de Brian Clough.

Brian foi um atacante mediano, apesar de sua média de gols por partida nos clubes que defendeu chegar a impressionar e que o levara ao English Team. Devido a uma séria lesão, interrompeu a carreira e passou anos difíceis de transição profissional até chegar ao cargo de técnico.

Seu grande feito fora levar o clube inglês Derby County ao título da segunda divisão do país em 1969, dois anos após assumir o trabalho. Em 1972, era campeão da primeira divisão e levava o clube à disputa da então Copa dos Campeões da Uefa.

De temperamento forte e, até mesmo, irascível, rompeu com o clube e seu auxiliar após as conquistas e passou certo período em baixa, para voltar em grande estilo em 1975.


 

O filme aborda o período no Derby County e no Leeds United – fracassado, de seis semanas – em 1974.

Brian aceitara o cargo de Don Revie, técnico que transformara o Leeds no maior clube inglês em seus 13 anos de comando e que assumiria o English Team.

Don Revie era o paradigma de sucesso e a obsessão de Brian ao mesmo tempo.
A obsessão por superar Revie lhe fez deixar de lado aquilo que o alçara ao estrelato: a convicção no seu método de trabalho, nos seus colegas de comissão técnica e no seu estilo de liderança.

Quis implementar muito rápido a transição entre o anterior e o novo. Não funcionou. O ser humano – e o jogador de futebol ainda mais – é dado à zona de conforto profissional…

Quando se deu conta dos equívocos, retomou as rédeas do sucesso e levou o Nottingham Forest, da segunda divisão à conquista de títulos na Inglaterra e, pasme, ao bicampeonato da Copa dos Campeões da Europa em 1979-1980.

Os extras contidos no DVD do filme exaltam as inovações e o pioneirismo no estilo de trabalho de Clough. Alguns ex-atletas comandados e dirigentes destacam o perfil vanguardista que adotava.

A equação para a montagem de uma grande equipe, como Dunga queria em 2010, como Mourinho e Felipão já alcançaram em sua carreira, necessita do fator equilíbrio.

Não bastam comprometimento, suor e inteligência. Pois, se a convicção do trabalho parte de premissas equivocadas, o resultado pode ser o precipício coletivo.

Brian Clough morreu em 2004 aos 69 anos.

Diz-se que ele era o melhor técnico que o English Team jamais teve…

Recomenda-se o filme para todos os técnicos. Do presente e do futuro.

Inclusive Felipão e José Mourinho. Conhecimento pela experiência dos outros também serve.

Recomendar para o Dunga seria óbvio demais.

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O arco e a flecha, o futebol e o treino analítico

Recentemente no Café dos Notáveis, um visitante empolgado por conhecer lugar tão ilustre, após alguns minutos escutando de canto uma conversa entre dois seguranças do Café (dois “caras” que se vestem invariavelmente com ternos italianos de um botão, de cor marrom metálico, e sapatos bicolores – marrom e branco) – descrevo parte de suas vestimentas para ilustrar os carismáticos, engraçados e ácidos homens que cuidam da segurança do Café desde sua “fundação” – resolveu participar e fazer alguns apontamentos que representavam sua opinião sobre o assunto.

Os seguranças (nesse caso o Duk Dúvida e o Tom Certeza) falavam sobre como eram bons os arqueiros que disputaram o último campeonato de arco e flecha.

Para se ter ideia, na última rodada de flechadas, os três finalistas (que eliminaram juntos mais de 200 participantes) tiveram que atirar mais de 50 flechas cada um, em um alvo marcado a 30 metros, até que chegassem ao vencedor da competição.

Tom, que não tinha dúvidas comentava com Duk, que não tinha certezas, que ao certo aqueles arqueiros deviam atirar mais de 500 vezes em um dia, para ficarem com a “mira” refinada e quase tornarem impossível qualquer erro.

Duk, que tinha muitas dúvidas, achou desta vez que Tom devia estar certo; afinal, para acertar alvo tão minúsculo em considerável distância (segundo o entendimento deles) realmente o número de repetições que um arqueiro devia realizar em um dia de treinamento não poderia ser menor.

Repetir, repetir e repetir e só assim chegar à excelência, assim como disse certa vez Platão; ou Sócrates – talvez, quem sabe Aristófanes – pensou, mas sem certeza, o segurança Duk.

O fato é que o empolgado visitante, do qual não me lembro bem o nome, logo se intrometeu no debate entre Tom e Duk e, cheio de convicção, disse:

– Ora, senhores… É o que eu sempre digo sobre o futebol. Jogador para ficar bom tem que repetir os fundamentos até a exaustão. Tem que passar, chutar e cabecear duzentas vezes por dia se for preciso. Se os arqueiros para ficarem bons atiram quinhentas vezes em um dia de treino, tentando acertar o alvo, o mesmo vale para o nosso futebol!

E emendou:

Não é possível ensinar, trabalhar e aperfeiçoar passes ou qualquer outro fundamento, com jogos adaptados, reduzidos, direcionados, conceituais, específicos, ou seja lá quais forem… Tem que repetir o movimento e ponto!

Duk, que não tinha certeza, depois de ouvir atentamente as palavras do visitante, pensou que talvez ele estivesse certo. Mas tinha muitas dúvidas, principalmente porque um arqueiro treina quinhentas vezes (ou seja lá qual for o número), a fazer exatamente aquilo que fará quando estiver competindo – exatamente o mesmo. É concentrar, mirar e atirar (sempre da mesma distância, com o mesmo equipamento, com as mesmas condições competitivas de luz e vento).

Então, colocou à prova seu breve pensamento e suas rápidas e incertas conclusões.

Tom, que também ouvira tudo com bastante atenção, olhou para o visitante e com toda calma que lhe é característica, disse que repetir gestos é diferente de repetir ações, e que no caso do arqueiro, gesto e ação estavam carregados de um único significado e intenção, que era o de acertar a flecha no alvo.

Disse que conhecia muitos arqueiros, inclusive um dos finalistas da competição, e que jamais havia visto um deles treinar quinhentas repetições de empunhadura do arco, separada das repetições de puxada da corda do arco, separada da própria flecha ou da mira ao alvo.

Concluiu que toda repetição se concentrava em torno do significado do movimento em sua totalidade e intenção, que era o de atirar a flecha, com o arco, no alvo.

E ainda acrescentou:

– Então, se formos transferir seus apontamentos sobre o arco e flecha ao futebol (disse ao visitante), esteja certo de que eles reforçam justamente a necessidade de que no futebol, para ensino e aperfeiçoamento das habilidades básicas do jogo, devemos nos atentar para ele (o jogo) e para as ações e seus significados. Isso quer dizer que ao criarmos jogos que exijam dos jogadores criatividade para resolver problemas específicos, parte fractal desta solução estará também na habilidade técnica básica que se manifesta no jogo como ferramenta para dar solução a eles (aos problemas).

– Isso quer dizer que “repetir” ações de jogo, com toda sua circunstancialidade e imprevisibilidade, pode melhorar, dentre outras coisas, as habilidades técnicas básicas? (perguntou Duk).

– Claro que sim!!! (respondeu Tom).

O visitante, que escutava tudo atentamente em silêncio, olhou para Tom e para Duk, deu um suspiro, fez uma cara de desconfiança e resolveu abandonar o debate. Afinal, pensou ele, realmente Pelé, Zico, Maradona, Romário, Ronaldos, Messi e tantos outros deviam ter aprendido o que sabiam nas peladas de rua ou de terreno baldio, e não repetindo passes dois a dois festejando a monotonia. Mas esses eram craques. Nasceram assim. Não precisavam de treino… E além do mais (continuando com suas introspectivas reflexões), explicar isso para dois seguranças não ia ser fácil…

Deixou pra lá e foi embora.

Tom olhou para Duk e, com ar sereno, disse:

– É, caro amigo Duk, a verdade está em como enxergamos o mundo que está ao nosso redor… Você já leu o “Pequeno Príncipe”?

– Aquele em que as pessoas acham que o desenho da cobra que engoliu um elefante é o desenho de um chapéu? (perguntou Duk).

– Esse mesmo. Para alguns sempre vai ser um chapéu. Para outros uma cobra que engoliu um elefante…

E assim encerraram a conversa para receber um dos Notáveis que estava a chegar…

Para interagir com o autor: rodrigo@universidadedofutebol.com.br

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Na mesma

No ano passado, eu fiz um estudo bem simples que projetava o balanço anunciado do clube de futebol com o maior faturamento no país no ranking das maiores empresas brasileiras produzido pela revista Exame. Na época, o São Paulo, com um faturamento de aproximadamente R$ 158 milhões, ficava na 1195ª posição, empatado com uma usina hidrelétrica mato-grossense que possuía seis funcionários. A idéia era mostrar que apesar de ser extremamente badalado, o negócio do futebol em si não é muito grande e está longe de gerar tanta receita quanto a maioria das pessoas tende a imaginar.

Um ano depois, o São Paulo não é o clube que mais fatura no país. Com a volta à Série A, Ronaldo e patrocínios, o Corinthians ultrapassou o seu rival e se tornou o clube que mais faturou em 2009, com R$ 181 milhões. O São Paulo caiu pra terceiro, com R$ 174,8 milhões, um acréscimo de 10% em relação ao ano anterior, e o Inter ficou em segundo, com R$ 176,2 milhões.

Apesar da evolução financeira, o São Paulo caiu de posição na projeção do ranking da Exame. Se em 2008 o clube foi a 1195ª organização que mais faturou no país, em 2009 ele foi ultrapassado por oito empresas e caiu para a 1203ª posição, ficando entre a Camaquã Alimentos, empresa gaúcha de 179 funcionários localizada a 130km ao sul de Porto Alegre e especializada em arroz parboilizado, e a Pioneiros Bioenergia, usina de derivados da cana-de-açúcar localizada no interior paulista.

O Internacional, que ficaria na 1201ª posição, faturou um pouco a menos que Rivelli Alimentos, empresa de Barbacena, Minas Gerais, que é especializada em frango e patrocinadora do América-MG, e um pouco a mais que a Sandvik Mgs, mineradora sueca com base em Guarulhos que, possivelmente por conta do desquecimento da economia mundial, teve uma redução de mais de 50% do faturamento em relação a 2008.

Curiosamente, apesar de o Corinthians ter faturado em 2009 R$ 23 milhões a mais que o São Paulo faturou em 2008, o clube ficou exatamente na mesma posição do ranking da Exame que o campeão de faturamento do ano passado, a 1195ª posição. Isso deixou o clube paulista entre a Alcoazul, mais uma usina de álcool, açúcar e biodiesel, que fica em Araçatuba, e o Hiper Moreira, de Goiânia, que, com uma única loja de 11 mil metros quadrados de área de venda divididos em dois andares, é, aparentemente, o maior hipermercado regional do Centro-Oeste do Brasil.

O fato de o clube que mais faturou do Brasil ter mantido a mesma exata posição projetada no ranking da revista em dois anos seguidos mostra que, se não houve grandes avanços comerciais no futebol brasileiro, pelo menos os clubes estão acompanhando o crescimento do mercado nacional. Ao mesmo tempo que isso é bastante positivo, o fato também consolida a ideia de que o mercado do futebol no país (e fora dele) é pequeno e gera muito mais exposição do que dinheiro.

Ademais, mostra que a preocupação da indústria do futebol brasileiro como um todo não deve ser pautada pelas possibilidades de ganhos financeiros, mas sim no controle crescente e desenfreado dos seus gastos, principalmente com salários e valores de transferência. Existe um nítido teto de receita que pode ser atingido pelos clubes de futebol do Brasil. O buraco dos custos e das dívidas, porém, parece ser cada vez mais profundo.

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Depois de uns quatro anos escrevendo neste espaço quase que ininterruptamente, vou pegar umas pequenas férias de três semanas. No interim, você pode acompanhar alguns devaneios de 140 caracteres pelo Twitter em @oliverseitz. Nos vemos em breve. Até.

Para interagir com o autor: oliver@universidadedofutebol.com.br