Categorias
Sem categoria

A transparência e o futebol brasileiro

A presidente Dilma Rousseff assinou na última quinta-feira (19) uma medida provisória que flexibiliza a negociação de dívidas dos clubes brasileiros com a União, mas estabelece como contrapartidas uma série de mudanças no processo de gestão de entidades ligadas à modalidade (confederação, federações e times). Podia ter sido um marco para o esporte nacional. Entretanto, foi apenas uma demonstração do quanto o buraco é profundo.

A MP ainda será encaminhada ao Congresso Nacional para virar lei, mas prevê refinanciamento das dívidas dos clubes brasileiros – atualmente, a soma dos débitos fiscais gira em torno de R$ 4 bilhões. Essas agremiações teriam 20 anos para pagar, com parcelas reajustadas pela Selic. Para terem acesso a essa linha de crédito, contudo, as equipes teriam de se comprometer a apresentar auditorias regulares, pagar em dia as obrigações contratuais, trabalhistas e previdenciárias, limitar gastos a 70% da receita bruta do futebol, aumentar investimentos na base e no futebol feminino, vetar antecipação de receitas de mandatos futuros, adotar um programa de redução de déficit e respeitar medidas de transparência previstas na Lei Pelé.

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e as federações já se posicionaram contra o modelo – sobretudo porque a MP restringe o tempo de permanência de dirigentes em seus cargos. Mas essas críticas foram feitas em microfones, bem longe de um debate produtivo.

A Fifa também manifestou preocupação com a MP. A entidade internacional é sempre avessa ao que ela considera intervenção estatal na gestão do futebol. Por causa disso, a Nigéria chegou a ser suspensa até que seus governantes retrocedessem e cancelassem medidas que haviam tomado para mudar a gestão do esporte no país. Assim como a CBF e as federações, porém, a Fifa fez isso nos microfones. Não houve colaboração para o debate, mas crítica ao que foi feito.

O pacote de contrapartidas estabelecidas pela MP é fruto de uma aproximação entre governo federal e o Bom Senso FC, grupo formado por atletas para discutir o futuro do futebol brasileiro. Foram medidas pensadas em fóruns abrangentes, e entidades como CBF e Fifa foram incitadas a participar do debate.

Em vez disso, porém, Fifa, CBF e federações preferiram a articulação política. Não houve uma discussão que mostrasse por que essas medidas são ruins para o futuro do futebol brasileiro, mas um trabalho para que elas não sejam ratificadas pelo Congresso.

Todo esse contexto é importante para entender o peso de uma reportagem feita no último fim de semana pelo jornal alemão “Bild”. O diário publicou uma denúncia sobre a empresa de engenharia e serviços Bilfinger, que teria desembolsado 20 milhões de euros (R$ 70 milhões) em propinas para obter contratos da Copa do Mundo de 2014.

Em comunicado publicado após a reportagem, a Bilfinger disse que as primeiras investigações apontam que realmente houve pagamento de propina. A empresa, entretanto, ainda considera impossível apontar responsáveis pelo esquema.

E qual é a relação entre as duas histórias? São dois exemplos de como o futebol precisa urgentemente de transparência na gestão. Isso vale para a Fifa, para a Copa do Mundo e para o cotidiano dos clubes nacionais. E a comunicação tem papel determinante em todo esse processo.

Se quiser realmente evoluir, o futebol brasileiro precisa adotar práticas que assegurem uma gestão mais transparente. Isso é fundamental para construir credibilidade, e credibilidade é um item fundamental na venda de qualquer produto.

Você não compra um artefato de uma marca desconhecida ou pouco confiável. Se não houver uma diferença gritante em outros influenciadores (preço ou localização, por exemplo), você sempre vai preferir o produto que dá mais segurança. É uma lógica universal de mercado, e o futebol ainda não entendeu que está submetido a isso.

Não, não existe outro futebol para as pessoas consumirem se elas estiverem infelizes com o atual. O problema é que a concorrência, nesse caso, é bem mais abrangente: um consumidor que começa a se distanciar do futebol passa a não ver problema em trocar o esporte pelo cinema, pela TV ou por qualquer outra forma de entretenimento.

Tente medir o que teve mais repercussão no último domingo: os jogos de campeonatos estaduais ou o clássico entre Barcelona e Real Madrid? O confronto espanhol é tratado como um evento, e sempre que acontece é cercado de enorme movimentação midiática. Existe um trabalho de comunicação para que aquele produto seja valorizado.

Não, Barcelona e Real Madrid também não são exemplos de gestão transparente. O clube catalão, aliás, ainda está sendo investigado na Justiça por causa da transferência do atacante Neymar. O ponto é que existe no caso do clássico uma comunicação intensiva, voltada a minimizar isso.

E o futebol brasileiro, o que faz? Que medidas a CBF e as federações têm tomado para que suas imagens não sejam afetadas pelo combate à MP? Não existe.

A falta de transparência é endêmica no futebol mundial. O que faz o exemplo brasileiro ser pior é o descaso: os dirigentes passam uma impressão de que não estão minimamente preocupados com arranhões na imagem.

O episódio mais claro nesse sentido é a célebre entrevista de Ricardo Teixeira, então presidente da CBF, à revista “Piauí”. O mandatário criticou a imprensa e a sociedade brasileira, admitiu conchavo com a TV Globo e prometeu fazer “maldades” com quem o desafiasse.

O futebol brasileiro precisa urgentemente de um choque de gestão, e a MP assinada por Dilma podia ser um marco nessa rota. Mas o futebol brasileiro precisa, antes de qualquer coisa, se preocupar com a própria imagem. 

Categorias
Sem categoria

Futebol: As vitórias não são dádivas do acaso… Se fossem, teríamos de aceitar que o acaso gosta mais de alguns treinadores do que de outros

Faz alguns anos (8 anos eu acho), escrevi um texto publicado aqui na Universidade do Futebol, dissertando sobre a dificuldade de algumas equipes, especialmente brasileiras, de aproveitarem situações de vantagem numérica por ocasião da expulsão de um ou mais jogadores adversários em uma partida de futebol.

Enfatizei, naquele momento, as mudanças intuitivas favoráveis na organização coletiva das equipes quando elas tinham jogadores expulsos (ou seja, desvantagem numérica) – e como essas mudanças dificultavam o trabalho dos seus adversários.

No final do texto, propus algumas referências de ação e de ocupação do espaço (soluções práticas) que poderiam auxiliar equipes com vantagem no número de jogadores, para que essa vantagem pudesse efetivamente se reverter em resultado concreto (gols e vitórias propriamente ditas) – havendo tempo para isso nos jogos, é claro.

Particularmente, como treinador, em 100% das experiências com esse tipo de situação, as referências propostas, aplicadas na prática, sempre se mostraram excelentes soluções.

Pois bem.

Nunca duvidei que as exigências impostas pelo nível de organização dos adversários em desvantagem numérica fosse uma variável muito importante e de grande peso no desenrolar de um confronto – ao se tentar colocar em prática propostas para tirar proveito da desvantagem deles (dos adversários).

E é claro, da mesma forma sempre soube, que a inteligência coletiva de jogo da equipe em vantagem numérica era variável determinante para que mudanças organizacionais levassem aos melhores efeitos.

Recentemente tivemos um jogo muito interessante, na UEFA Champions League, no que diz respeito a essas coisas (tirar proveito da vantagem numérica, gerir a desvantagem numérica, propor mudanças organizacionais, aplicar mudanças organizacionais, nível de inteligência coletiva de jogo, etc.).

Interessante por dois motivos em particular:

1) o jogo em questão envolveu uma classificação para as quartas de final da competição (UEFA Champions League);

2) porque o time que ficou em vantagem numérica logo aos 32’ do 1º tempo na partida foi o Chelsea, do experiente, premiado e vencedor treinador português José Mourinho.

Falo do jogo Chelsea 2 x 2 Paris Saint-Germain (PSG), na Inglaterra (partida de volta das oitavas de final da UEFA Champions League 2014/15, após empate por 1 a 1 na França).

É aceitável partirmos do pressuposto que nesse jogo os jogadores em campo representavam parte daquilo que há de melhor em termos de prática futebolística, porque estão familiarizados com confrontos de altíssimo nível, porque estão habituados a decidir-agir em altíssima velocidade e sob muita pressão espaço-tempo, e porque coletivamente são capazes de interagir num nível de excelência invejável com a organização de jogo, estando aptos a responder com eficiência às nuances estratégicas mais elaboradas.

E isso tudo quer dizer, em outras palavras, que sob o ponto de vista de um confronto em que uma das equipes fica em desvantagem numérica ainda no 1º tempo do jogo, é de se esperar que ambas nesse caso, tanto a que está em vantagem e quanto a que está em desvantagem, sejam capazes de propor os melhores problemas organizacionais ao seu adversário, e da mesma maneira, as melhores soluções – e aqui cabe lembrar algo muito importante: o Chelsea, além de ficar com um jogador a mais na partida, tinha a vantagem do placar, já que o zero a zero lhe era favorável.

Então, apesar de todas as colocações anteriores nesse texto serem “ocorrências e fatos de fácil observação”, é concreta e honestamente provável – por toda atmosfera conceitual criada nesse artigo – a hipótese de que a missão do PSG, time francês, era um tanto quanto mais complicada do que a da equipe do treinador José Mourinho.

Mas o que sabemos sobre o jogo, nos mostra um incontestável argumento contrário: o PSG conseguiu fazer dois gols (um no tempo normal e outro na prorrogação), depois de ficar duas vezes atrás no placar, e obteve a classificação!

A equipe em desvantagem (numérica, regulamentar e ambiental) conseguiu levar vantagem… (e claro, cabe aqui um debate sobre o fato dos gols, todos eles no jogo, serem oriundos de bola parada – mas deixemos isso para outro texto).

No altíssimo nível competitivo, ter um jogador a mais deveria ser uma grande frente sobre o adversário – e estatisticamente, nos campeonatos europeus para as grandes equipes, normalmente é.

Mas há, como foi esse jogo, exceções…

O próprio Mourinho, quando treinava o time italiano da Inter de Milão, em uma Champions League conseguiu parar o fortíssimo FC Barcelona de Guardiola e perder de apenas 1 a zero (placar pelo qual sua equipe poderia perder) após ter um jogador expulso no 2º jogo do confronto, na Espanha (eliminando assim o FC Barcelona, e sendo na sequência campeão da competição).

O futebol é um esporte em que a defesa sobressai ao ataque. É fato!

Então de certa forma, é de se esperar que mesmo a vantagem no número de jogadores seja algo que não desequilibre tanto assim a “balança do jogo” …

É de se “esperar”, não de se “aceitar” …

Por isso, se não entendermos quais os ajustes (finos e/ou grossos) podem ser feitos, e mais do que isso, que tipo de mudança será geradora de certo tipo de resposta dentro do jogo, estaremos entregues à espera (ou à desculpa de que, se aconteceu com o Chelsea, do José Mourinho, é normal… – Mas não deveria ser!).

Ser sujeito da ação e senhor do jogo é expressão da capacidade de interagir com o jogo e com sua lógica inexorável, interferindo nele!

Claro, não há respostas e soluções prontas… O jogo de futebol é um jogo de estratégias simultâneas…

Mas mesmo que não sejamos capazes de alterar totalmente uma tendência organizacional durante uma partida, é necessário, no mínimo, que mostremos capacidade e conhecimento para mudá-la (visivelmente).

As vitórias não são dádivas do acaso… Se fossem, teríamos que aceitar que o acaso gosta mais de alguns treinadores do que de outros… 

Categorias
Sem categoria

Banco de Jogos – Jogo 11

Equipes que defendem bem tem grande capacidade de fechar espaços em seu interior, não permitindo o jogo entre linhas do adversário. Para que isso ocorra, uma série de comportamentos coletivos precisam ser aplicados permanentemente.

Diminuir a área de ação do adversário, pressionando-o em espaço e tempo, ter ajudas constantes através das coberturas curtas e longas e reduzir as distâncias das linhas e entre as linhas de defesa são ações fundamentais para o sucesso defensivo.

Na coluna desta semana, será proposto um jogo conceitual em que a aplicação destes comportamentos aliados a uma correta retirada do setor de recuperação será indispensável para ganhar o jogo.

Para ler a coluna na íntegra, basta clicar aqui

Categorias
Sem categoria

MP do futebol: solução?

A presidente Dilma Rousseff editou nesta quinta-feira a Medida Provisória que poderá trazer significativas mudanças para as finanças dos clubes brasileiros. Ao mesmo tempo que a norma viabiliza o parcelamento de dívidas fiscais, a MP traz uma série de exigências como contrapartida.

A edição de Medidas Provisórias é prevista constitucionalmente como ato exclusivo do Presidente da República, em caso de relevância e urgência, para criar um texto sem a participação do Poder Legislativo, com força imediata de lei, mas que deverá ser aprovada pelo Congresso Nacional.

Imprescindível ressaltar que a Medida Provisória, por mais que tenha eficácia imediata, não é uma lei e dependerá de aprovação posterior do Poder Legislativo, sob pena de perder a eficácia.

A “MP do Futebol” permite o parcelamento das dívidas com o Governo, cuja inadimplência, ocasionará penalidades, como a perda de pontos.

Os clubes que adotarem o regime de parcelamento não poderão gastar mais do que 70% das receitas com o futebol o que, de certo, influenciará nas contratações de atletas. Ademais, terão que comprovar, mensalmente, o pagamento dos salários e direito de imagem, bem como estarão proibidos de adiantar receitas de outro mandato.

É natural que ao conceder benefícios, o Governo exija contrapartidas, como já se dá em outros programas. Entretanto, algumas contrapartidas podem extrapolar o interesse público e afetar o desportivo.

Considerando a atual situação financeira dos clubes brasileiros, o atraso do financiamento tem uma possibilidade plausível para não se dizer provável. Diante disso, clubes insatisfeitos podem se unir e criar uma Liga paralela, o que acabaria por enfraquecer o campeonato brasileiro e tornar a intenção do Governo inócua.

Não há dúvidas de que exista a necessidade de se implantar o “fair play” financeiro e de que o parcelamento das dívidas fiscais seja essencial.

Por outro lado, a legislação tida como a solução para o endividamento dos clubes brasileiros pode acabar tendo um efeito reverso.

A Espanha, por exemplo, por meio da Lei 10/1990 criou a Lei do Desporto que obrigou os clubes profissionais a se tornarem Sociedades Anônimas Desportivas (exceto Real Madris, Barcelona, Athletic de Bilbao e Osasuna) e estabeleceu regras para gestão financeira.

Vinte e cinco anos depois, alguns clubes foram extintos e os demais permanecem endividados. Por esta razão, a Liga Espanhola “apertou os cintos” e, juntamento com o Conselho Nacional de Desportos, na temporada 2014/2015, estabeleceu tetos salariais e limites de gastos, o que tem gerado situações não previstas como a não inscrição de atletas (e seu desemprego) a fim de que os clubes não extrapolem os limites impostos.

Portanto, sem dúvidas, a “MP do Futebol” é um passo importante, mas, de longe, não será a solução para a crescente dívida dos clubes brasileiros. Outrossim, estudos cuidadosos devem ser realizados para que a norma não tenha efeitos indesejáveis.
 

Categorias
Sem categoria

Aprendendo com as metas no esporte

Muitos de nós ouvimos falar constantemente sobre o poder das metas, sua importância e sobre como é valioso estabelecer metas para o desenvolvimento no esporte ou em qualquer área profissional. Pois bem, existe um algo mais que muitas vezes não lembramos em relação às metas, o aprendizado que elas podem gerar nas pessoas.

Mas antes de falarmos propriamente sobre as metas e o aprendizado, cabe reforçar uma questão sobre um dos motivos pelo qual nós seres humanos temos dificuldade em atingir nossas metas e chegar a resultados diferentes.

Na verdade nós somos programados para fazer as coisas sempre da mesma maneira! E isso interfere diretamente no desempenho dos atletas quando nos referimos a buscar por atingir novos patamares de desempenho esportivo.

Fazer as mesmas coisas sempre nos condiciona que repetir essas ações pode garantir a nossa sobrevivência, inclusive foi por este motivo que chegamos até aonde chegamos, em termos de sobrevivência da espécie humana. É uma memória genética que nos condiciona desta maneira. Isso se exemplifica na metáfora dos animais, por exemplo, pois quando mamíferos descobrem uma fonte de água necessária para sua sobrevivência certamente não procurarão outra, a não ser que ela seque! Não correrão riscos desnecessários de encontrar com predadores ao procurar novas fontes de água de maneira espontânea. Todos nós, atletas ou não, somos programados para repetir comportamentos e para mudarmos precisamos empregar uma energia adicional, ou seja, necessitamos estabelecer uma meta ou um objetivo que seja valioso para cada um de nós.

Porém, para isso, simplesmente estipular uma meta não é o suficiente para nos condicionar mentalmente para atingi-la. É necessário que sejam definidos planos de ação e a elaboração destes planos faz com que nossa mente comece a ficar cada vez mais confortável em relação a mudança que está por vir. Mudança essa que necessita ser compreendida e fazer sentido para o atleta, pois exigirá um esforço pessoal adicional para que ela seja conquistada.

Então, uma vez compreendido que temos um histórico genético que influencia no processo de mudança e melhoria de desempenho, vamos agora recorrer ao Vicente Falconi, um dos grandes consultores de gestão do país, para compreender afinal de contas porque estabelecer metas podem inclusive gerar aprendizado para todos nós. Ele contribui com esta questão considerando que no momento em que se estabelece uma meta, nós estamos contribuindo para que todos os envolvidos na busca por esse resultado se desenvolvam um pouco mais a cada dia, sendo que ao nos esforçarmos para atingir a meta desejada estamos todos aprendendo coisas novas sempre.

Em resumo, todo o esforço envolvido para se atingir uma nova meta é um esforço de aprendizado para cada um.

Assim, podemos compreender melhor os motivos pelos quais as equipes de futebol que trabalham com metas claras, que fazem sentido para os envolvidos e que possuem planos de ação bem definidos e claros e com um devido ciclo de acompanhamento e gestão do avanço de suas ações, são as equipes que eventualmente mais crescem em termos de desempenho (individual e coletivo) e aprendizado continuo. Pois sempre estarão aprendendo coisas novas e necessárias relacionadas ao desempenho da sua atividade profissional.

E você, o que acha? Até a próxima. 

Categorias
Sem categoria

Por que o futebol não fala sobre as manifestações?

Este texto não tem qualquer pretensão de ser um tratado social ou de teorizar sobre o contexto político do país. Entretanto, é impossível ignorar que existe uma movimentação crescente e que um número maior de pessoas tem sido incluído no debate político – frutos de uma conjuntura ampla, que abarca aspectos como o advento de redes sociais e a evolução econômica da sociedade.

O Brasil teve manifestações pró-governo (na sexta-feira, dia 13/03) e contra governo / corrupção / tudo que está aí (no domingo, dia 15/03), e esses movimentos dicotômicos atraíram muita gente (se não às ruas, ao menos para o Facebook). No futebol, porém, todo mundo ainda finge que isso não existe.

A exceção no último fim de semana foi o técnico Oswaldo de Oliveira. O jogo do Palmeiras contra o XV de Piracicaba, agendado previamente para começar às 16h de domingo (horário de Brasília), foi antecipado para 11h para não coincidir com o horário das manifestações em São Paulo. Questionado sobre isso, o comandante alviverde disse apenas que “o motivo é justo”. Mais uma vez: essa não é uma análise sobre ele ser contra ou a favor das manifestações.

O ponto é que a ebulição política no país não tem qualquer ressonância no futebol. Ninguém se posicionou abertamente sobre o tema, e quem falou minimamente apostou apenas em platitudes. A ideia de “pão e circo” nunca foi tão clara.

O que chama atenção é que o Brasil tem histórico de associação política no futebol. Foi sobre outro dia 15, o de novembro de 1982, quando São Paulo teve a primeira eleição direta para governador após o período nefasto de ditadura militar. O Corinthians, que vivia o auge da democracia corintiana, usou na camisa um “Dia 15 vote” para convocar o povo a participar dessa abertura política.

Talvez seja demais exigir do futebol brasileiro atual um nível de debate como o da democracia corintiana, movimento que reunia boas cabeças entre jogadores, dirigentes e até torcedores. Na atual conjuntura, boas práticas políticas – e o Bom Senso FC é o exemplo mais claro disso – são subjugadas e tratadas como “briga de classe”. O futebol brasileiro de hoje falha ao não ser abrangente e não criar canais de debate que incluam todos os setores envolvidos. Contudo, o que assusta é que ninguém tenha tomado partido.

Ronaldo fez isso – aliás, como tem feito há tempos – e esteve nas manifestações de domingo. O ex-jogador mostrou alinhamento a todo o cabedal político que ele tem defendido desde antes da aposentadoria – no ano passado, o “Fenômeno” havia sido um dos principais defensores da candidatura de Aécio Neves (PSDB-MG), derrotado nas eleições presidenciais. Não concordo com rigorosamente nenhuma decisão política do ex-atacante – nem no campo social, tampouco na política do esporte –, mas ao menos tenho base para saber o que ele pensa.

Na reta final das eleições presidenciais, Neymar acompanhou Ronaldo e também manifestou apoio a Aécio. Outros atletas declararam voto – alguns de forma mais incisiva, outros com postura mais contida. E nos últimos dias, quem falou abertamente?

O futebol brasileiro precisa deixar de ser tratado como uma entidade alheia à sociedade. Times, jogadores e funcionários (treinadores, auxiliares, roupeiros, massagistas e dirigentes) são entes fundamentais para qualquer debate.

O momento atual é significativo para a sociedade brasileira. É uma chance concreta de atrair um número maior de pessoas ao debate e criar discussões mais densas a partir disso. Temos pouca (ou nenhuma) cultura de vivência política, e os últimos dias têm oferecido uma demonstração clara de que muita gente quer participar mais. Para isso, é fundamental que esse contingente seja municiado com informações e que seja provocado. Essa é, afinal, uma função muito relevante para qualquer ídolo.

E qual jogador de futebol do Brasil tem se comportado como ídolo nas questões sociais? Não consegui encontrar um atleta sequer que tenha provocado seus fãs ou que tenha dado qualquer contribuição significativa ao debate – nem mesmo os líderes do Bom Senso FC, cuja pauta é bem distante dessa.

O distanciamento entre torcedor e futebol brasileiro não é uma questão apenas de qualidade do jogo ou de falta de grandes nomes no país. Trata-se de algo mais abrangente, que inclui também o descolamento entre o esporte e a vida das pessoas. Se as pessoas que fazem o futebol brasileiro seguirem tratando o segmento como algo que não tem relação com o contexto social, essas barreiras só tendem a crescer.

É claro que qualquer posicionamento envolve riscos, mas o fato é que o futebol brasileiro precisa desses riscos. Se quisermos que o esporte cresça, temos de formar porta-vozes mais preparados e dispostos a participar da vida como um todo.

O futebol, afinal, não é um oásis – ao contrário, talvez seja o exemplo mais perfeito de ambiente contaminado por práticas que motivaram manifestações de revolta. Fingir que não acontece nada é a forma mais covarde de agir agora.

O ativista social sul-africano Desmond Tutu tem um pensamento extremamente pertinente para esse momento: “Se você vir uma situação de injustiça e se mantiver neutro, você já escolheu o lado do opressor”. E no caso da polarização política brasileira, a citação vale independentemente do lado que você considere ser o opressor. 

Categorias
Sem categoria

Transmissão pela TV e o mando de campo

Villa Nova e Cruzeiro se enfrentaram na última a quarta pelo campeonato mineiro na cidade de Sete Lagoas, local inusitado, eis que as equipes são de Nova Lima e Belo Horizonte, respectivamente. Como o Vila Nova é o mandante, o natural seria a partida ter acontecido no Estádio Castor Cifuentes, em Nova Lima.

Ocorre que a partida foi transmitida ao vivo pela Rede Globo de Televisão e o estádio não dispõe dos requisitos estruturais mínimos para a transmissão. Destaque-se que a partida do clube novalimense contra o Coritiba válida pela Copa do Brasil só foi transmitida pelo Sportv em virtude da tecnologia utilizada pelo canal pago ser diferente.

O artigo 63, do Regulamento Específico do Campeonato Mineiro estabelece que as transmissões dos jogos serão regidas pelos contratos firmados pelos Clubes, Federação e Rede Globo de Televisão, portanto, havendo previsão contratual, os jogos em locais que, ocasionalmente não atendam à infraestrutura de transmissão, poderão sofrer alteração de local, especialmente, em situações em que o clube mandante prefira exercer seu mando de campo fora de sua sede para assegurar a transmissão e seus respectivos ganhos financeiros.

Doutro giro, a partida não poderia ser realizada no Mineirão, sob pena de inversão de mando de campo, o que é vedado, conforme já se manifestou o TJD da FMF, em 2013 quando o mesmo Villa e Tombense pleitearem disputar partida de seu mando pelas semifinais do Campeonato Mineiro contra o Cruzeiro e Atlético, em Belo Horizonte, a fim de angariar renda.

Se eventualmente, a partida se realizasse no Mineirão, haveria inversão do mando de campo, o que traria como consequência a violação da paridade de competição, eis que poderia favorecer a equipe de Belo Horizonte que teria um mando a mais que os outros clubes, favorecendo-se o Cruzeiro em detrimento de outros clubes.

A medida é acertada porque tal prática poderia trazer uma imensa distorção desportiva, caso, fosse permitida, pois os clubes da capital, economicamente mais fortes, poderiam negociar com os clubes do interior para que pudessem disputar todas as partidas em Belo Horizonte.
 

Categorias
Sem categoria

Cargos e especialidades

Resolvi ampliar um pouco mais a pesquisa que iniciei na última semana. Agora para ter um olhar um pouco mais amplo sobre as Ligas Esportivas, seus cargos, funções e profissionais envolvidos.

O misto é de curiosidade com o anseio de compreender porque, há quase duas décadas, discutimos as mesmas coisas e as soluções que são postas em prática são sempre as mesmas – naturalmente, o resultado pífio em termos organizacionais não muda.

Cargos como (1) “Desenvolvimento do Patrocínio nas Equipes” (uma função dentro da liga que se presta a se relacionar com as equipes e seus respectivos patrocinadores, de modo a potencializar o retorno), (2) “Gerente de Inovação e Crescimento da Plataforma” (que pensa as possibilidades e as oportunidades de mercado), (3) “Pesquisa e Estratégia de Mercado” (que alimenta com dados e informações as demais áreas estratégicas e operacionais da liga), (4) “Gerente de CRM” (cuida do relacionamento com os consumidores), e (5) “Diretor de Novos Negócios para a América Latina”, aparecem no rol de atividades desempenhadas por alguns dos profissionais ligados a NBA, a Liga Profissional de Basquetebol dos Estados Unidos.

Ao todo, em pesquisa simples realizada no LinkedIN, o resultado é de 923 pessoas que atuam no escritório americano da NBA (sem considerar os profissionais espalhados pelo mundo). Na jovem MLS, a Liga de Futebol (Soccer) dos EUA, são 391 profissionais, com cargos e funções similares a apresentadas acima, respeitando-se tão somente a proporção do tamanho de ambas as organizações. Ligados à FA, da Inglaterra, são 1.113 profissionais e, seguindo a mesma premissa, com uma gama enorme de ocupações.

Da CBF, somente 114 pessoas aparecem no resultado do LinkedIN. Naturalmente que o resultado da pesquisa não reflete necessariamente o todo em relação ao número total de colaboradores que a CBF emprega. Mesmo assim, é válido para compreender mais um pouco as funções exercidas. E a conclusão é que não há nenhum cargo sequer relacionado a Planejamento ou Estratégia dentro da entidade máxima do futebol brasileiro. As atividades operacionais e técnicas parecem, entretanto, relativamente bem preenchidas em quantidade quando comparado com o resultado total da pesquisa.

O mais grave é que, diferente dos exemplos americanos ou inglês, tem-se no Brasil um reflexo claro da inoperância de um sistema pela ausência evidente de profissionais no campo da gestão em suas diferentes vertentes.

A profissionalização do esporte no Brasil passa pela compreensão da importância sobre as diferentes especialidades necessárias para que uma organização evolua. E, infelizmente, quando se olha para o meio da pirâmide hierárquica das entidades esportivas do país, vê-se um déficit enorme em áreas que cuidam exatamente da construção sistemática do futuro organizacional. Não é por acaso que estamos parados no tempo! 

Categorias
Sem categoria

Vale a pena discutir?

Há diversas formas de conduzir uma discussão sem sequer passar pelo assunto que é cerne do debate. Desviar o foco, por exemplo: funciona em shows de mágica, conversas sobre política ou gestão de esporte. O mesmo vale para abordagens superficiais e erradas: qualquer história de detetive ensina que uma visão sobre uma cena só funciona se for sistêmica. Em geral, deduções fantásticas e chamativas advêm de detalhes que uma análise superficial não consegue considerar. 

Nossa sociedade ainda tem pouca vivência de discussão (sim, aqui a generalização é pertinente). Somos uma democracia jovem e temos um enorme contingente que passou décadas alijado de qualquer conversa sobre o que acontece no país. E como as crianças ensinam, o instinto primitivo em um debate é um atacar o interlocutor em vez do conteúdo.

Some a esse cenário o surgimento de um mural que não existia até a década passada – e que, até por causa disso, ainda não tem funcionalidades totalmente compreendidas. As redes sociais são um amplificador capaz de transformar qualquer um em mídia, e isso também afeta drasticamente o debate.

Entender todo esse contexto é fundamental para balizar qualquer análise sobre o atual cenário do país, mas também é uma introdução relevante em discussões sobre o esporte. Antes de pensar em soluções ou em práticas que podem ser benéficas para toda a indústria, temos instintos que passam por egoísmo, determinação de culpa e combate a rivais.

Meu time perdeu? A culpa é do técnico que escalou mal, do zagueiro que perdeu uma bola ou do atacante que desperdiçou chance clara. Meu time faz temporada ruim? Culpa dessa diretoria incompetente, que montou um elenco incapaz. Meu time está afundado em dívidas? Culpa de gestões passadas, da Lei Pelé, da crise econômica internacional ou de tudo isso. Culpa de alguém, sempre.

Determinar culpados é importante, sim. É um passo fundamental para compreender processos e não repetir erros. O ponto aqui é que apontar o dedo é insuficiente – e mais uma vez, essa lógica serve para política, futebol ou outras searas.

É exatamente isso que os clubes brasileiros têm feito nos últimos meses ao discutir o formato de disputa do Campeonato Brasileiro. É um debate raso, quase sempre direcionado apenas por preferências pessoais ou clubísticas. Pior: é uma conversa influenciada por dados retirados de contexto, que servem mais para confundir do que para elucidar.

Funciona assim com a audiência. Os números do futebol na TV aberta têm despencado a ponto de a Globo discutir se vale a pena manter um espaço para a modalidade em todas as noites de quarta-feira. Trata-se de um processo longo, que não pode (de forma alguma!) ser reduzido a somente um ou dois motivos. As novelas também têm perdido espectadores, por exemplo. Existe novela por pontos corridos?

Em um caso tão complexo, qualquer reducionismo é prejudicial ao debate. O futebol brasileiro não consegue lotar estádios: culpa dos pontos corridos? Será que isso não é uma forma de desconsiderar fatores importantes, como preço, serviço oferecido e até a qualidade do espetáculo?

Por iniciativa de Romildo Bolzan Júnior, presidente do Grêmio, clubes brasileiros têm intensificado um debate sobre o modelo de disputa do Campeonato Brasileiro. A grita chegou à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que criou uma comissão para discutir o assunto. A Globo, principal mecenas da modalidade no país, é entusiasta da mudança.

Mas será que hoje, pouco mais de uma década depois da adoção dos pontos corridos, discutir o modelo de disputa ainda é pertinente? Isso faz algum sentido para a indústria do esporte no país?

Não interessa discutir o modelo de disputa se o futebol brasileiro não pensar num calendário mais evoluído, que tenha projeções claras de temporada para todas as equipes e garanta pagamento anual para todos os atletas. Não interessa discutir o modelo de disputa se não houver uma adequação de receitas e estruturas.

A revista “Placar” de março tem uma reportagem sobre os “escravos da bola”, jogadores de futebol que vivem por migalhas no Brasil. Há casos estarrecedores: jogadores que vivem amontoados em casas e não têm sequer colchões, por exemplo. Menos de 10% dos profissionais do futebol brasileiro recebem mais de um salário mínimo. A realidade dos milionários e perdulários é restrita, e mesmo essa casta está longe da estabilidade econômica – casos de atrasos e calotes não são tão raros entre os maiores clubes do país. Qualquer discussão sobre modelos no futebol brasileiro parece pequena diante de uma realidade tão desumana (ou será que a discussão sobre modelo é parte da realidade desumana?). 

Debater mata-mata ou pontos corridos, afinal, só pode ter duas finalidades: enxergar apenas parte do problema, o que não resolve nenhuma discussão, ou desviar o foco das questões que são verdadeiramente relevantes. De uma forma ou de outra, o futebol só perde com isso. 

O futebol brasileiro necessita urgentemente de um debate, e esse debate precisa ser feito de forma abrangente e cuidadosa. Perder tempo falando sobre como o Campeonato Brasileiro é disputado não é atacar o problema, mas fugir dele.

Categorias
Sem categoria

O futebol brasileiro, a alienação da universidade e o naufrágio alertado por Paulo Calçade

Ao longo dos últimos pouco mais de 15 anos tenho estudado, trabalhado e pesquisado o jogo de futebol.

Sei que é pouco, perto do que muitos treinadores profissionais, especialistas e amigos envolvidos na área têm de prática e de pesquisa.

Mas é quase metade do que tenho de idade.

Posso dizer que de certa forma o futebol representa muito para minha vida, pois me propiciou coisas fantásticas, me levou a pessoas muito interessantes, me deu acesso a uma série de conhecimentos, me oportunizou aprendizados singulares… me possibilitou desenvolvimento pessoal, a saber mais sobre ele (o futebol) e a entender melhor a riqueza e diversidade das relações interpessoais.

Tecnicamente falando, uma das melhores coisas que tenho tido no futebol, é a possibilidade de expor e de ouvir, dentro e fora do Brasil (em fóruns específicos) pensamentos, achados, dúvidas e conclusões sobre o jogo.

Ao longo dos anos, tive contato, em diferentes oportunidades e fóruns, com o que tem sido feito em clubes como o Boca Juniors, o FC Barcelona, o Real Madrid, a Inter de Milão, a Juventus de Turim, o Manchester United, o Mamelodi (África do Sul), além de conhecer um pouco sobre o modelo de desenvolvimento de jogadores em equipes no Canadá e Bolívia.

E com um pé sempre dentro da Universidade, a grata possibilidade de que essas oportunidades se tornassem debates com muitos dos nossos melhores pensadores das “Ciências do Esporte”.

Interessante perceber que muitas das coisas que eram (e são) ditas e expostas em muitos dos fóruns internacionais (conceitualmente falando), eram (e são) de conhecimento, há muito, da nossa Academia (Universidade) – mas, de certa forma, distantes da prática do dia-a-dia do futebol brasileiro.

Quantas coisas por exemplo ditas por professores e amigos aqui, eu acabava escutando lá fora, como se fosse a maior novidade do mundo!?…

“No tempo em que as novidades demoravam a chegar por aqui, ninguém precisava se preocupar com o que o Real Madrid ou Milan faziam na Europa. (…) Nosso esporte sempre funcionou na banguela, movido pela força da gravidade e pela administração amadora dos cartolas. Era o suficiente para competir e sobreviver. Pouco importava se havia algum ponto de intersecção com o resto do planeta (…).” Paulo Calçade (trecho do texto “Os urubus do nosso quintal” (recomendo a leitura dele todo) – no Estadão – vide completo em http://esportes.estadao.com.br/noticias/geral,os-urubus-do-nosso-quintal-imp-,1642377).

Nós, brasileiros, de certa forma, sempre aceitamos indiscutivelmente a ideia de que nascemos no país do futebol.

Não sei se essa premissa é que alimentou, como escreveu Paulo Calçade, o “funcionamento na banguela do nosso futebol, movido pela força da gravidade”, ou se o contrário, foi alimentada por ele (pelo tipo de funcionamento inercial).

Preocupação zero com as “intersecções com o resto do planeta”.
O fato, é que enquanto outras culturas futebolísticas olhavam para frente, para trás, para os lados e para nós, nós só olhávamos para nós mesmos – e não víamos.

E o pior é que de certa forma, penso que ainda estamos olhando, hipnotizados e continuamos não vendo – é a hipnose dos focos errados.

A vitória consistente, com os porquês devidamente respondidos, é um processo; não é um evento isolado, descontextualizado e sem significado simbólico.

A derrota avassaladora não é fruto do acaso…

E se por um lado, a realidade factual nos mostra o quanto deixamos de olhar para o “resto do mundo”, por outro, de certa forma, poucas foram as contribuições internas e genuínas ao olharmos para nós mesmos (e claro, poucas, não significa nenhuma, é bom que se diga).

Tenho que concordar, por exemplo, que uma massa grande de conhecimento produzido pelas Universidades no Brasil (no passado e ainda no presente), exposta a partir das exigências de publicações científicas, tem pouca conexão com a realidade dos problemas de comissões técnicas, jogadores, equipes e clubes de futebol.

É polêmico, mas é real.

Por isso às vezes, o olhar para dentro não tem nos mostrado muitas opções.

Claro, existem muitas exceções (temos que separar o joio do trigo), e sim, a Ciência tem muito para contribuir com o futebol – assim como tem sido em países como Espanha, França, Alemanha, Inglaterra – e também Brasil.

Temos que entender o que está acontecendo lá fora… Sim!!!

Temos que olhar para trás, para frente, para os lados, mas também para NÓS MESMOS, com os óculos adequados e com o foco ajustado (afinal temos que entender o que está acontecendo aqui dentro).

A “hipnose dos focos errados”, para dentro (nosso ambiente) e/ou para fora (ambiente dos outros) é ruim.

Mas desconsiderar o que acontece aqui dentro e/ou lá fora também!!!

E se o “pedido de socorro com o naufrágio em curso” – como bem escreveu Paulo Calçade – não for ouvido ou for mal interpretado, o pior virá; porque apesar de tudo, o navio ainda não afundou!!!