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Um verdadeiro STAR

É o nome dado para o Programa de MBA Executivo que foi criado pela Escola de Negócios da George Washington University nos Estados Unido, cuja ênfase dos cursos repousa na responsabilidade social corporativa, ética e liderança.

Os focos do curso são liderança, estratégias de sucesso e responsabilidade social. O público-alvo são atletas, músicos e artistas, pois os desafios que estes enfrentam – profissionais e financeiros – são únicos e o MBA os auxilia na construção e implementação de planos de negócio para seus empreendimentos e melhor gestão de carreira e pós-carreira.

É o primeiro MBA totalmente dedicado a este escopo e proporciona aos alunos experiências personalizadas projetadas para se encaixar em seus horários e perfis profissionais não-tradicionais.

O programa é projetado para ensinar estes talentos a como traduzir seu sucesso atual da carreira em negócios e no desenvolvimento social. Os cursos são personalizados em torno da disponibilidade de tempo dos alunos, permitindo-lhes obter um grau avançado de estudos e desenvolver oportunidades de negócios, enquanto administram suas carreiras e vidas pessoais.

“É uma ferramenta para o empoderamento", segundo Sanjay Rupani, diretor de estratégia da GWU. "Ele é personalizado especificamente para ajudar estes ícones talentosos a definir um caminho e encontrar novas oportunidades de carreira e desafios. Nossos alunos têm grande experiência e são líderes naturais. Eles vão gerar resultados muito poderosos para suas comunidades por meio da criação de negócios e atividade filantrópica."

O programa, que inclui cursos a distância e presenciais, também proporciona aos alunos o acesso a uma rede especial de indivíduos e organizações que podem ajudar a expandir seu alcance e influência na comunidade empresarial. Além disso, os alunos são estimulados a criar seus próprios planos de negócios, orientados por professores, mentores e coaches.

"O programa é uma grande oportunidade para eu tomar a experiência de liderança que eu ganhei durante o meu tempo na NFL e traduzi-lo para o sucesso dos negócios fora do campo", afirma um dos alunos, Marques Colston, wide receiver do New Orleans Saints.

"Eu quero estar mais envolvido na minha comunidade e influenciá-la de uma forma positiva. O comprometimento da GWU com a sociedade e a educação personalizada permitem combinar o meu interesse pessoal em fazer a diferença na sociedade com um conjunto de habilidades profissionais para garantir o sucesso dos meus projetos."

Historicamente, nossas estrelas do esporte, das artes e da indústria do entretenimento, não dispunham de ferramentas técnicas e de conhecimento apurado sobre como “devolver” (give back) à sociedade aquilo em que nelas foi depositado como ideário das esperanças e expectativas de transformação social.

Além disso, a cultura do engajamento social, da filantropia e do ativismo transformador, notadamente associada ao terceiro setor (ONG), é muito recente no Brasil e, mais recente e incipiente ainda, no esporte.

Outro aspecto que também desfavorece esse protagonismo é o fato de que o país optou por dissociar esporte e educação, seja com raízes na falta de atenção à base da pirâmide socioesportiva, seja na encruzilhada enfrentada por atletas de alto nível quando o dilema “estudar ou jogar” se impõe – já que o esporte universitário inexiste por aqui.

Criar mecanismos e alternativas para o empoderamento dos nossos atletas ao integrar educação formal e suas vivencias e experiências esportivas é algo poderoso para transformarmos a sociedade.

Mas isso causa até arrepio ao conservadorismo social e dos gestores esportivos, pois estes entendem que “atleta tem que ficar no lugar dele…” De preferencia “quietinho e sem mexer em nada…”

Ao contrário, entendo que o lugar do atleta significa puxar a fila da construção de uma sociedade melhor, pois são grandes exemplos pra todos nós e protagonistas de um Brasil que dá certo.

*STAR: sigla para Special Talent (Talento Especial), Access (Acesso) e Responsibility (Responsabilidade). 

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Egoísmo

Faltavam poucos minutos para o clássico entre São Paulo e Santos, no Morumbi, no último domingo (18). Mas não foi sobre o jogo que o presidente da equipe tricolor, Carlos Miguel Aidar, conversou com jornalistas no saguão do estádio. Ele foi questionado sobre atrasos de salários – segundo a revista “Veja”, o técnico Muricy Ramalho não recebe há três meses.

Aidar desmentiu a notícia e chamou de “maldade” o texto da revista. Depois, admitiu que a situação financeira do São Paulo é complicada: “Não temos débitos fiscais, mas temos compromissos bancários a saldar”.

“Deixamos de ter receitas que seriam importantes. Com a Copa, os grandes anunciantes redirecionaram esforços, e nós estamos sem patrocinador principal no uniforme. Fomos desclassificados de forma precoce no Campeonato Paulista, não tivemos receita com venda de jogadores e ficamos sem atividades durante um período grande por causa do Mundial”, continuou o mandatário tricolor. De acordo com Aidar, o São Paulo só não fechará o ano com déficit se negociar dois ou três atletas “por valores expressivos”.

O presidente disse ainda que a situação já era prevista no orçamento do São Paulo, mas que foi agravada pela conjuntura: “Nós temos uma tradição de estabilidade econômica, mas temos de ter sensibilidade para entender o momento”.

O São Paulo gasta quase R$ 10 milhões mensais apenas com a folha de pagamento do elenco. Além disso, teve de pedir socorro à TV Globo no meio do ano – o time recebeu um adiantamento de R$ 50 milhões da emissora, valor sem precedentes na história tricolor.

A situação do São Paulo já seria suficientemente preocupante se fosse um caso isolado, mas é um retrato do que acontece em praticamente todos os times do Brasil. Por contingências do mercado ou por comportamento perdulário – ou ambos, em muitos casos –, é difícil encontrar equipes que não estejam assustadas com os números que serão colocados no balanço de 2014.

Pululam entre dirigentes de equipes brasileiras reclamações sobre o período de inatividade do futebol local para a Copa de 2014. O intervalo interrompeu receitas de match day dos clubes (bilheteria e todo o faturamento associado ao dia de evento). E muitos não souberam conviver com essa estiagem.

É o caso do Náutico. Ao contrário do São Paulo e do rival local Sport, o time alvirrubro não tem contrato com a TV Globo até 2018. A diretoria pernambucana assina vínculos de um ou dois anos com a emissora, o que reduz a perspectiva de receita de médio e longo prazo.

O calendário criado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para 2015 tem um mês de férias e 25 dias de pré-temporada. Gláuber Vasconcelos, presidente do Náutico, já avisou que não tem como custear isso. A ideia do mandatário é dispensar o elenco no fim de 2014 e remontar o grupo pouco antes do início do Campeonato Pernambucano.

A medida é pragmática. Afinal, o Náutico tem de competir com o Sport, que tem receita maior e mais segurança de aporte da TV. A saída é concentrar investimento – é mais fácil disputar com o rival se a temporada tiver apenas dez meses de gasto.

A temporada 2014/2015 do Campeonato Espanhol, que começou no último fim de semana, marcou a estreia do Eibar, promovido pela primeira vez à elite nacional. Proveniente de uma cidade com 27 mil habitantes, trata-se do menor time da primeira divisão.

O Eibar não possui dívida, mas quase foi impedido de disputar a primeira divisão porque não conseguia comprovar receita. O time vendeu cotas sociais e atraiu mais de 8 mil investidores. Conseguiu amealhar 2,1 milhões de euros e foi confirmado na elite.

A situação do Eibar foi motivo de enorme polêmica na Espanha. Como um clube sem dívida pode ser ameaçado de não disputar a elite nacional por não ter faturamento suficiente enquanto a primeira divisão é cheia de equipes com débitos gigantescos?

Os exemplos do Brasil e do Eibar são consequências diretas de modelos parecidos. No Brasil e na Espanha, o futebol é vendido individualmente. Clubes com mais potencial ganham muito mais – e essa lógica não vale apenas para o contrato de TV, seara em que ela fica mais evidente.

O futebol está longe de ser exato. Portanto, nem sempre um investimento maior significa mais sucesso. No entanto, no médio e no longo prazo a diferença de receita provoca um desafio para a gestão de quem recebe menos.

Desde a implosão do Clube dos 13, em 2011, o futebol brasileiro adotou negociação individual de direitos de transmissão. Essa prática já valia para outros contratos, ainda que receitas de outras naturezas fossem menosprezadas pela maioria.

Enquanto esse modelo sobreviver, é fundamental que os clubes brasileiros entendam as consequências. É impossível que equipes com faturamento menor sigam tentando competir em igualdade. É imprescindível que elas assimilem a diferença de receita.

Isso inclui a comunicação, é claro. O Campeonato Brasileiro tem como bandeira o equilíbrio. É a competição em que pelo menos dez ou 12 clubes começam a temporada pensando em título. E isso está errado.

No início da temporada na Espanha, quantos são os times que pensam em título? Mesmo o Atlético de Madri, último campeão nacional no país ibérico, tem investimento estrangeiro e uma política mais austera do que Barcelona e Real Madrid, os campeões de receita do país.

Já passou da hora de os clubes com menor faturamento jogarem limpo com seus torcedores. “Entramos no Campeonato Brasileiro pensando em um lugar entre os dez primeiros da tabela”, por exemplo. Pelo menos enquanto sobreviver o atual modelo egoísta.

Essa não é uma comparação entre tamanho, história ou competência dos clubes. Pelo bem da instituição nos próximos anos, porém, uma equipe que fatura menos precisa mostrar que é impossível competir.

Essa lógica ficaria bem mais evidente se o futebol brasileiro planejasse a temporada. A tese de que o dinheiro se esvaiu por causa da Copa do Mundo é fácil, mas todo mundo sabia que haveria uma Copa do Mundo. Difícil é encontrar um meio para compensar os meses sem receita.

Já passou da hora de os clubes brasileiros estarem menos suscetíveis a intempéries do mercado. Palmeiras, Santos e São Paulo não têm um patrocinador máster atualmente, por exemplo. Ainda assim, investem muito na montagem de seus elencos. Será que essa conta fecha?

A primeira pergunta é por que os clubes brasileiros atraem poucos patrocinadores. O Manchester United, que acaba de incluir na camisa a Chevrolet, tem 38 aportes de fora da Inglaterra. Quantos são os parceiros comerciais do Corinthians ou do Flamengo, independentemente d
a origem?

A segunda pergunta é como isso afeta a receita anual. Clubes podem ficar meses sem receitas milionárias de patrocínio, mas reclamam por passar alguns dias sem bilheteria? Não parece lógico.

A terceira pergunta é por que, em um cenário de baixa, clubes brasileiros seguem investindo e gastando milhões em folhas salariais inchadas. Não adianta ter um carro importado se você não tem onde morar.

Os questionamentos e os problemas do futebol brasileiro são cada vez mais comuns entre os clubes. Enquanto a mensagem para os torcedores for truncada, porém, vamos seguir pensando que a crise é do mercado, e não do modelo. As equipes nacionais choram coletivamente, mas são individualistas ao buscar soluções. 

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Improvisar (e) (ou) Formar!

Os problemas do futebol brasileiro se repetem. Em muitos casos, parece que ao invés de buscarmos as melhores soluções para os evidentes elementos que apontam a decadência do nosso espetáculo, preferimos a reprodução fundamentada no conhecimento empírico e que tem contribuído para o reconhecido ciclo vicioso dos processos relativos à modalidade.

Um tema que sempre proporciona grandes debates (o que não significa que ocasionam perceptíveis transformações) é a Categoria de Base e suas responsabilidades num processo de formação.

Na coluna desta semana, o debate proposto diz respeito à definição da posição dos atletas durante o período de formação que, sabidamente, deve proporcionar um rico ambiente de ensino-aprendizagem-treinamento.

Tempos atrás, neste espaço, numa coluna de certa forma voltada às questões mais imediatas na composição do elenco, foi proposto um questionamento quanto à preferência do treinador por jogadores especialistas numa posição, ou então, por jogadores versáteis. Caso tenha interesse de retomar a leitura, clique aqui.

Na ocasião, por não ser este o objetivo, pouco se mencionou sobre a influência das Categorias de Base no resultado final do desempenho global de jogo de um atleta de futebol, o que pode torná-lo tanto especialista como multifuncional.

Nas inúmeras discussões que envolvem este tema, existe uma corrente de profissionais que se posiciona contrariamente quanto à vivência (em treinos, amistosos e jogos) do atleta em diferentes posições ao longo do processo. Para estes profissionais, variar a posição do jogador significa improvisá-lo e, consequentemente, gerar prejuízos imediatos e de longo prazo ao atleta. Sob este viés, um volante em formação, por exemplo na categoria sub-15, com bom 1vs1 defensivo, bom cabeceio, boa antecipação e recuperação, que são algumas das competências necessárias para exercer a função de zagueiro, não poderia desempenhá-la sob pena de limitação atual e futura em sua posição de origem.

Além disso, o discurso adotado por esta corrente diz que a preocupação com o coletivo não deve ser maior que a preocupação individual com o desenvolvimento do jogador. O contrassenso observado é que a aparente preocupação predominante com o desenvolvimento individual vem acompanhada da pressão pelo resultado e seu alcance a qualquer custo (mas isso é tema para outra coluna). Além disso, muitos afirmam que o improviso só deve ser feito na categoria Profissional.

A demanda do futebol moderno tem solicitado jogadores inteligentes, capazes de resolver (em cada vez menor tempo e espaço) os inúmeros problemas que o jogo lhes impõe. Sair jogando mesmo com o adversário em pressão-alta, gerar superioridade numérica em setores perigosos ao adversário, escolher a maneira que vai bater na bola para realizar um passe longo e decidir qual movimentação fazer após a cobrança de uma falta lateral do adversário são apensas alguns dos exemplos das situações-problema que o todo (equipe) e partes (jogadores) devem lidar ao longo de uma partida.

Atletas que sabem “pisar” em diferentes locais do terreno de jogo (que exigem soluções técnico-tática-física-mental diferentes), por possuírem maior inteligência de jogo, tendem a apresentar um significativo leque de possíveis, que são as respostas contextualizadas de cada jogador. E como o jogo de futebol é um confronto de sistemas caótico e dinâmico, por várias vezes em uma partida um atleta é exigido a realizar uma ação distinta daquela predominante em sua posição. Para exemplificar, na última quinta-feira, o Cruzeiro, líder do Campeonato Brasileiro, venceu o Grêmio com o gol originado numa jogada de transição ofensiva feita por Dedé, que recuperou a posse de bola, participou de uma tabela, realizou uma condução e terminou com um cruzamento preciso. Resumindo, um zagueiro que cumpriu de maneira eficaz as regras de ação de um lateral.

E qual o melhor momento para o atleta aprender a desempenhar variadas regras de ação?

Sem dúvida, ao longo do processo de formação.

É consenso que o objetivo das Categorias de Base é formar (bem) integralmente o atleta. Possibilitar que o mesmo vivencie diferentes regras de ação (ofensivas, defensivas e de transição) é o primeiro passo para as experiências futuras em distintas posições. Em fase sensível de aprendizagem, ao contrário do que defende a corrente dos que são contra aos “improvisos”, entender o jogo coletivo e saber desempenhá-lo nos mais diferentes setores do campo permitirá que as experiências vividas e acomodadas se estendam ao longo de toda a carreira. Assim o fazem profissionais como Pirlo, Lahm, Di Maria, Mascherano, Oscar e Rooney.

Os problemas do futebol brasileiro se repetem. Improvisar e formar são excludentes quando deveriam ser complementares.

Qual a sua opinião? 

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A punição de Petros foi justa?

O atleta Petros, do Corinthians foi punido pelo STJD com a suspensão por 180 dias em virtude de agressão ao árbitro Raphael Claus na vitória sobre o Santos por 1 a 0, no dia 10 de agosto, na Vila Belmiro. A decisão se deu por 3 votos a 2 dos auditores da Primeira Comissão Disciplinar. A tendência é que o clube alvinegro apresente recurso ao Pleno. Sendo mantida, Petros não jogará mais na atual temporada.

A punição se deu nos termos do artigo 254-A, parágrafo 3º, do CBJD (Código Brasileiro de Justiça Desportiva), que trata sobre agressão física a um membro da arbitragem.

Art. 254-A. Praticar agressão física durante a partida, prova ou equivalente. (Incluído pela Resolução CNE nº29 de 2009).
PENA: suspensão de quatro a doze partidas, provas ou equivalentes, se praticada por atleta, mesmo se suplente, treinador, médico ou membro da comissão técnica, e suspensão pelo prazo de trinta a cento e oitenta dias, se praticada por qualquer outra pessoa natural submetida a este Código. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).§ 1º Constituem exemplos da infração prevista neste artigo, sem prejuízo de outros:

§ 3º Se a ação for praticada contra árbitros, assistentes ou demais membros de equipe de arbitragem, a pena mínima será de suspensão por cento e oitenta dias. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009)

Na tese defensiva, o Corinthians tentou desqualificar a agressão, sob o argumento de que o tribunal estaria transformado o ocorrido em um ato mais grave.

Segundo a defesa, teria havido mero ato hostil e deveria ser apicado o artigo 250, do CBJD, cujo a pena é mais branda:

Art. 250. Praticar ato desleal ou hostil durante a partida, prova ou equivalente.

PENA: suspensão de uma a três partidas, provas ou equivalentes, se praticada por atleta, mesmo se suplente, treinador, médico ou membro da comissão técnica, e suspensão pelo prazo de quinze a sessenta dias, se praticada por qualquer outra pessoa natural submetida a este Código.

Segundo o § 1º, II, do artigo 250, empurrar acintosamente o companheiro ou adversário, fora da disputa da jogada seria um dos exemplos de ato hostil e, segundo a defesa, teria sido esta a ação de Petros.

Outra possibilidade seria a desclassificação para artigo 258 que também possui penas menores:

Art. 258. Assumir qualquer conduta contrária à disciplina ou à ética desportiva não tipificada pelas demais regras deste Código. (Redação dada pela Resolução CNE nº29 de 2009).

PENA: suspensão de uma a seis partidas, provas ou equivalentes, se praticada por atleta, mesmo se suplente, treinador, médico ou membro da comissão técnica, e suspensão pelo prazo de quinze a cento e oitenta dias, se praticada por qualquer outra pessoa natural submetida a este Código.

É bastante controversa a interpretação do ato de indisciplina de Petros, mas analisando-se a cena percebe-se que o atleta desvia-se de sua trajetória para agredir o árbitro, o que o enquadraria no artigo 254-A.

Doutro giro, a pena insculpida no artigo 254-A é bastante rigorosa, eis que o atleta ficará praticamente seis meses sem poder exercer sua atividade laboral, o que pode corresponder a 1/20 de sua carreira, considerando-se uma vida útil de 10 anos. Além disso, após seis meses, o atleta necessitará de ainda mais tempo para recuperar condição de jogo.

Nesse sentido, uma interpretação mais benévola do lance, ainda que não seja perfeita, viabilizará um dos princípios norteadores do CBJD, a proporcionalidade, que está disposta no art. 2º, VIII, eis que a punição mínima prevista no artigo 254-A mostra-se extremamente desproporcional ao ato do atleta.

Vale destacar que a atitude do atleta foi tão sutil que ele sequer foi punido durante a partida e nem na súmula, eis que o ato de indisciplina foi incluído em um aditivo que é permitido, nos termos da legislação.

Portanto, o STJD deve avaliar a questão sob o contexto principiológico a fim de assegurar a aplicação proporcional da pena. 

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Gerenciando crises no esporte

No mundo do futebol, aonde a pressão por resultados é constante estamos acostumados a ver cenários de crise se instalar nos clubes de uma semana para a outra. Basta que aconteçam duas derrotas seguidas com baixo desempenho de uma equipe que a famosa crise se instala e atualmente se faz extremamente necessário que os técnicos e gestores, enquanto líderes saibam como agir para buscar solucionar as crises quando elas se materializam.

Uma crise sempre exigirá uma tomada de decisão rápida e confiante por parte do líder e o desafio dos técnicos é sobre como tomar uma boa decisão num cenário aonde os eventos se desenvolvem muito rapidamente, as coisas ficam muito confusas e torna-se difícil identificar o que é realmente importante?

Uma saída é conseguir gerenciar as emoções nestes momentos e Normam Augustine em seu livro “Como lidar com as crises”, fornece interessantes informações para solucionarmos situações críticas.

Para começar, numa crise devemos saber que três emoções podem se combinar e gerar estresse nos envolvidos:

• O medo de um desastre ou um novo fracasso;
• A expectativa de um resultado potencialmente positivo;
• E o desejo de que a crise termine.

No futebol, quando sob o estresse gerado numa situação de crise, o técnico sente toda a pressão por necessitar tomar uma determinada decisão e esta pressão excessiva pode certamente levá-lo a um estado de pânico, em que ele apenas toma alguma decisão para passar a mensagem de que algo foi feito ou para sinalizar que ele agiu. Quando na verdade, ao tomar decisão desta forma ele estará apenas desperdiçando energia e seus recursos disponíveis.

Sendo assim, como é possível lidar com as incertezas destes momentos e os medos decorrentes da crise? Nestas situações o técnico deve procurar adaptar suas reações, inclusive conforme o tipo de crise que pode ser repentina ou duradoura. No caso do futebol, as crises são muito mais repentinas, pois com jogos muitas vezes realizados no meio e no final de semana, basta uma semana ruim para que ela se instale na equipe. E o que o técnico pode fazer nestes casos? As dicas abaixo são valiosas:

• Pare: Quando o técnico sentir o primeiro sintoma de ansiedade ele deve parar e optar por enfrentar a crise, mas para isso ele precisará ter a mente clara e menos perturbada possível pela ansiedade;

• Respire: O técnico deve procurar respirar fundo, pois tal qual a palavra “Pare” bloqueia os pensamentos negativos em sua mente, a ação de respirar supera a tendência de prender a própria respiração causada pelo estresse, o que aumenta ainda mais a ansiedade e impede que eleve a consciência sobre a real situação;

• Reflita: Quando se consegue interromper o padrão do estresse através da respiração, o técnico obtém energia e pode passar a se concentrar no problema real ou seja a crise que está enfrentando. Com isso ele poderá ver a situação prática de forma mais calma e realista, diferenciando as distorções causadas pelos pensamentos influenciados pela ansiedade.

• Escolha: Com a atenção concentrada na situação prática, o técnico pode buscar as melhores soluções para os problemas, conseguirá manter o foco em seguir o plano para reagir a crise, construído em conjunto com as pessoas da equipe, e atender às necessidades de todos a quem lidera.

Para finalizar, o técnico ou qualquer outro profissional do esporte que lidere pessoas quando estiver enfrentando uma crise precisará:

• Enfrentar a crise, transformando o medo em ação positiva;

• Estar vigilante, permanecendo atento aos novos acontecimentos e reconhecendo a importância de novas informações;

• Manter o foco nas prioridades, zelando para que todos os envolvidos estejam seguros e que as necessidades mais críticas tenham sido bem avaliadas pelo grupo.

Bem, acredito que você caro leitor já tenha passado por momentos de crise em sua vida profissional certo? Imagine então os técnicos de futebol como se sentem e por isso penso ser muito pertinente a capacidade de se conseguir gerir muito bem uma crise numa equipe de futebol, afinal de contas na próxima semana sempre existirão outros jogos e novas oportunidades de recomeço.

Até a próxima! 

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Conhecemos o fã?

Em pesquisa recente da “Sport Business International” em parceria com a PERFORM e a Kantar Media Sport procurou identificar a relação de consumo dos fãs do esporte em relação às diferentes mídias em 16 diferentes mercados. O Brasil está entre estes mercados analisados.

O mais interessante é notar como o brasileiro consome esporte em meio digital de forma superior ou igual a muitos outros mercados mais maduros em termos de negócios. Por exemplo, o brasileiro permanece quase 80% mais tempo por semana em redes sociais consumindo conteúdo esportivo do que o público norte-americano (são 2,5 horas dos brasileiros contra 1,4 horas dos americanos).

Alguns números do Brasil que podem ser destacados:

– São aproximadamente 58 milhões de fãs do esporte;

– 90% dos fãs brasileiros acessam conteúdo esportivo online pelo menos uma vez por semana;

– 44% dos fãs brasileiros buscam notícias de esportistas locais;

– 45% dos fãs brasileiros assistem vídeos ou melhores momentos dos jogos pela internet;

– 46% dos fãs brasileiros compartilharam conteúdo de ídolos do esporte pelas redes sociais.

Enfim, elementos que nos levam a questão inicial: será que entendemos verdadeiramente o atual fã do esporte? Pergunto isso, pois, apenas a título de exemplo, continuo vendo que os projetos de comercialização de propriedades esportivas permanecem vendendo apenas as transmissões na TV como único ou maior ativo da propriedade – e, pior, as empresas comprando e ainda focando muito seu olhar sobre este tipo de retorno.

É redundante falar sobre a abrangência já consolidada da internet no país, que se soma a um potencial ainda enorme de crescimento. E o natural processo de segmentação, muito fáceis de se encontrar no esporte em virtude das diferentes características das modalidades.

Agora, é preciso estabelecer parâmetros mais coerentes no sentido de aproveitar todo esse potencial em favor dos negócios do esporte, passando a conhecer melhor o consumidor que está ali dentro e desenvolver melhores produtos para este público… 

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Como a linguiça é feita

Estamos às vésperas das eleições majoritárias no Brasil.
Iremos votar e escolher nosso presidente, governador, senador, deputados federais e estaduais.

Como consequência, os mandatários de cargos executivos irão montar suas equipes de trabalho, ocupando cargos de confiança com pessoas de confiança, além de contar com o corpo técnico de funcionários de carreira.

É certo que a corrida eleitoral, em todo o país, terá como sombra o triste episódio do falecimento do candidato Eduardo Campos, cuja tragédia, rapidamente, fez com que todos prestassem mais atenção às eleições do que de costume.

Pois bem. Utilizei os termos “corrida” e “tragédia” para reforçar a necessidade de reflexão que devemos ter em momentos de definir o futuro de nossas instituições, públicas ou privadas, no que tange aos processos eleitorais democráticos e ou participativos.

Como bem sabemos, no fim do ano, muitos clubes de futebol elegerão seus presidentes ou os reconduzirão para mais alguns anos de gestão.

A pressa ou desatenção (corrida) na escolha dos candidatos, somada a elementos dramáticos, como um rebaixamento ou desclassificação (tragédia), são os combustíveis preferidos da velha política, acostumada a vender o discurso de que “vamos mudar tudo, não mudando nada…”

Nesse viés negativista, não há espaço para discussões estratégicas, programáticas, objetivas e técnicas.

Prefere-se, apenas, o subjetivismo, a passionalidade, as relações pessoais, “de confiança”.

Governança corporativa, então, passa longe dos debates.

O passado costuma prevalecer sobre o presente e o olhar para o futuro.

Afinal, para alguns, “somos pentacampeões mundiais” e isso já nos bastaria.

Eu diria “fomos”. Mudar a conjugação verbal faz muita diferença para quem quer sempre buscar a evolução da sociedade.

Por outro lado, a representatividade política deve ser exercitada frequentemente por quem tem interesse nessa evolução.

Votar e ser votado. Acompanhar as realizações do seu candidato ao longo do mandato. Articular e participar de grupos, partidos e redes políticos.

Os sistemas sociais complexos exigem mudanças desde dentro. Não adianta, simplesmente, negar sua existência ou, simplesmente, tentar destruí-lo desde fora.

Mas, o primeiro passo é conhecer seu funcionamento.

Por isso, uma das ideias inspiradoras que, nesta semana, em tempos de eleição, conheci, é a Rede de Ação Política pela Sustentabilidade (RAPS), movimento apartidário (www.raps.org.br)

Sua missão: Contribuir para a melhoria do processo político e da qualidade da democracia brasileira através da formação de líderes políticos comprometidos com os valores e princípios da ética, transparência e sustentabilidade.

O desinteresse do povo pela política vem, fundamentalmente, do desconhecimento sobre como ela funciona.

O futebol brasileiro está, há muito tempo, à mercê de oligarcas conservadores, que se acostumaram a comandá-lo sem boas práticas de gestão e à sombra.

Nos últimos anos, com a luz do sol incidindo no cenário, fica mais fácil entendermos “como a linguiça é feita” e seremos enganados apenas se quisermos.

Capacitação política e participação ativa são as chaves do progresso das instituições.  

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A Globo acordou

Principal parceria do futebol nacional, a TV Globo está preocupada. A emissora carioca agendou reuniões com os maiores times do Brasil para pedir sugestões e discutir por que o esporte não funciona como produto. Nos últimos anos, as transmissões ludopédicas no canal tem perdido média de 10% de espectadores a cada temporada.

É sintomático que a Globo tenha decidido se mexer nessa direção. O futebol não é um problema comercial para a emissora, ainda que a operação tenha alto custo. No entanto, é flagrante a preocupação com a queda de audiência em horários cuja relação custo / benefício poderia ser mais simples com outras apostas.

A Globo paga muito para transmitir o futebol, mas tem menos resultado e mais custo com isso do que com outros produtos. Portanto, empurra a faixa esportiva para mais tarde, numa faixa em que anúncios são mais baratos e há menos concorrência por audiência.

Importante dizer que também há pesquisa nisso: as pessoas que veem futebol pela TV preferem jogos às 22h de quarta-feira. O horário é ruim para quem frequenta os estádios, mas o interesse da TV sempre vai ser sobreposto enquanto o esporte não tiver poder de barganha.

Atualmente, por exemplo, a Globo responde por quase um terço da arrecadação do Corinthians, time que mais fatura no Brasil. Se o time não desenvolve outras fontes de receita e tem grande dependência desse dinheiro, perde influxo. E se o time não tem influxo, qualquer negociação penderá para o lado da TV.

Entender essa relação de causa e efeito é fundamental como preâmbulo para discutir o que significa a ação da Globo. A emissora está preocupada com o produto futebol no Brasil a despeito de o produto ser moldado em muitos aspectos pelos interesses da TV.

Jogos são realizados às 22h de quarta-feira porque esse é o horário preferido pela TV. (Também) por causa disso, estádios ficam vazios. Com estádios vazios, clubes têm menos receita de bilheteria e exploração da arena. Além disso, se aproximam menos dos torcedores / consumidores. No médio e no longo prazo, esse público menos vinculado às equipes é o que vai deixar de acompanhar as partidas na TV. E sem eles, a audiência vai cair e obrigar a televisão a fazer jogos ainda mais tarde. É um ciclo de morte para o futebol brasileiro.

É claro que esse é um raciocínio extremamente simplista, que ignora outros pontos como gestão (de clubes e do “produto” futebol) e fontes diferentes de receita. Mas o modelo de venda de patrocínio no Brasil também é extremamente vinculado à exposição, por exemplo – mais uma vez, portanto, a receita dos clubes depende de eles estarem na TV.

A TV é diretamente responsável pelo atual momento do futebol brasileiro. Clubes e federações também – até por criarem modelos que se apoiam demais na receita oriunda da televisão. Por isso, as reuniões da Globo com as equipes são um marco.

Ao mostrar preocupação com a queda de desempenho do futebol, a emissora joga na cara dos clubes a existência do tal ciclo. Agora, depende de ação conjunta uma mudança nesse cenário.

A primeira reunião foi realizada no dia 12 de agosto, no Rio de Janeiro, com representantes de Atlético-MG, Cruzeiro, Flamengo e Fluminense. Mais do que apresentar dados ou falar sobre números, os executivos da Globo quiseram ouvir.

A primeira resposta de Alexandre Kalil, presidente do Atlético-MG, foi uma crítica à programação da Globo, que não tem transmissões específicas para todas as praças – normalmente, o sinal da emissora é dividido entre São Paulo e rede.

A crítica de Kalil tem a ver com discussão que ganha corpo entre os clubes. As equipes brasileiras estão preocupadas com a falta de exposição em TV aberta, o que dificulta a venda de contratos e aumenta a distância de faturamento estabelecida pelas negociações com a televisão.

Também é sintomático que clubes questionem agora os contratos com a televisão – divisão de cotas e exposição em TV aberta. A Globo tem contrato assinado com 18 dessas equipes até 2018. Muitas já até começaram a receber cotas dos próximos anos.

Agora, com o mercado de patrocínios em baixa e atrasos de contas se avolumando, clubes perceberam que é necessário rever a comercialização de direitos de mídia. A TV é cerne de qualquer discussão sobre o futebol brasileiro, sim. O problema é fazer isso em plena vigência de contratos tão longevos.

Ao avaliar desempenho, fazer cobranças e pedir sugestões, a Globo mostrou preocupação com o futuro do futebol brasileiro. A emissora falou até sobre estrutura de categorias de base e mecanismos para manter jogadores por mais tempo no país – a lógica é que mais ídolos aumentariam o vínculo do público com as equipes e diminuiriam a queda de audiência.

Ao questionar contratos vigentes e tão longos, os clubes mostraram preocupação com o presente. Ninguém está realmente preocupado com os efeitos que esses negócios terão no futuro das equipes. O interesse é apenas pagar as contas do mês.

A Globo pode estar ligada a muitos problemas do futebol brasileiro. Nesse caso, porém, tem postura muito mais lúcida do que a maioria dos clubes. 

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A ilegal definição dos classificados para a Copa Sul-Americana

No meio da semana São Paulo, Fluminense e Internacional foram eliminados da Copa do Brasil por equipes da Série B, mas ganharam a vaga na Copa Sul-Americana, o que gerou rumores de “entrega de resultado”.

O critério de classificação para a Copa Sul-Americana é bastante complicado. Em primeiro ligar, deve-se buscar os eliminados na Copa do Brasil até a fase oitavas de final.

Na sequência, entre os eliminados, avalia-se os seis clubes irão disputar o torneio, de acordo com a classificação no Campeonato Brasileiro do ano anterior.

A última vaga este é reservada ao campeão da Copa do Nordeste e, a partir de 2015, o Campeão da Copa Verde disputada por Clubes do Norte, Centro-Oeste e Espírito Santo também terá uma vaga.

A justificativa para esse sistema de classificação é o fato de que as datas que em que a Copa Sul-Americana é disputa coincidem com a Copa do Brasil, desde que os Clubes participantes da Libertadores voltaram à Copa do Brasil.

Devido a este regulamento, Internacional, eliminado pelo Ceará, Fluminense, eliminado pelo América-RN e São Paulo, eliminado pelo Bragantino, se classificaram para a Copa Sul-Americana, ao lado de Bahia (eliminado pelo Corinthians), Vitória (eliminado pelo J. Malucelli), Criciúma (eliminado pelo Londrina), Goiás (eliminado pelo Botafogo-PB) e Sport (eliminado pelo Paysandu e campeão da Copa do Nordeste).

A forma esdrúxula de classificar times à Copa Sul-Americana além de refletir o sofrível calendário brasileiro e sul-americano viola o Estatuto do Torcedor.

O Estatuto do Torcedor elevou toda pessoa que acompanhe qualquer modalidade esportiva à qualidade de consumidor e, com isso, assegurou-lhe uma série de direitos, inclusive, ligados ao regulamento das competições.

Inicialmente, qualquer regulamento deve ser norteado pelo princípio da transparência e o torcedor deve ter amplo acesso a um Ouvidor da competição, responsável por recolher as sugestões, propostas e reclamações que receber dos torcedores, examiná-las e propor à respectiva entidade medidas necessárias ao aperfeiçoamento da competição e ao benefício do torcedor.

Nos termos do artigo 10 do Estatuto do Torcedor, é direito do torcedor que a participação das entidades de prática desportiva em competições organizadas pelas entidades de que trata o art. 5o seja exclusivamente em virtude de critério técnico previamente definido, vedando-se a adoção de qualquer outro. Vale destacar que critério técnico corresponde à habilitação de entidade de prática desportiva em razão de colocação obtida em competição anterior.

Enfim, o Estatuto do Torcedor teve por objetivo proteger o consumidor de critérios bizarros de classificação.

No caso em questão, tem-se de um lado, a Copa Sul-Americana, segunda competição mais importante do continente, “Liga Europa” da América do Sul, disputada pelas equipes do continente que não galgaram vaga na Copa Libertadores.

Do outro lado, tem-se a Copa do Brasil, segunda competição do Brasil, disputada por clubes das Séries A, B, C, D e até por equipes que não classificadas para as divisões nacionais.

Ora, parece-me óbvio e razoável que a competição continental seja mais importante que a Copa nacional.

Não obstante isso, os clubes brasileiros que se classificam para a Sul-Americana são aqueles que não tiveram índice técnico para disputas as oitavas de final de uma competição disputada por clubes de segunda, terceira e quarta divisão.

Dessa forma, os regulamentos do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil violam o Estatuto do Torcedor e demonstram total falta de zelo dos dirigentes para com os consumidores dos eventos esportes já que, além de ser bizarra, a forma de classificação para a Copa Sul-Americana permite dúvidas quanto à veracidade dos resultados desportivos, já que pode premiar o clube eliminado com vaga em competição intercontinental.

Aliás, a falta de atenção ao torcedor é bastante comum. A função de Ouvidor criada pelo Estatuto do Torcedor para aproximar o consumidor do Organizador e permitir que exista uma “autoridade” independente e com responsabilidade por zelar pela lisura das competições e pelos direitos do torcedor é comumente ocupada por funcionários das Federações que acumulam funções sem apresentar qualquer proposta e acabam por, apenas, formalizar a exigência legal.

Isso sem falar na falta da divulgação dos nomes dos Ouvidores, bem como de suas funções.

Destarte, todo torcedor tem o direito de informar ao Ouvidor as insatisfações e ilegalidades das competições esportivas e exigir o cumprimento de seus direitos.

Nesse sentido, o momento pede que todos os consumidores de eventos desportivos do Brasil encham as caixas de email dos Ouvidores do Campeonato Brasileiro (Dr. José Sardinha – ouvidoriacompeticoes.sardinha@cbf.com.br) e da Copa do Brasil (não localizado no site) exigindo o cumprimento do Estatuto do Torcedor na elaboração dos regulamentos.

Urge destacar que as entidades que administram o futebol brasileiro devem ver no torcedor e na figura do Ouvidor um parceiro com interesse comum no sucesso da competição e não um adversário para juntos resgatarem o público e a credibilidade de nosso futebol.

Talvez essa seja uma de nossas tantas diferenças com o vitorioso e invejado futebol alemão.

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Ainda as competições

Há 20 dias escrevi aqui neste espaço sobre as movimentações em torno da estruturação das competições do futebol brasileiro, indicando que o crescimento projetado deve ser orgânico ao longo do tempo.

Ontem (terça, 12-ago-2014) me deparo com a notícia de que o CRAC, de Goiás, irá desistir da Série C do Campeonato Brasileiro após a disputa de dez jogos, metade do torneio (http://globoesporte.globo.com/go/noticia/2014/08/crac-anuncia-desistencia-e-abandona-serie-c-por-problemas-financeiros.html).

O caso é mais um alerta para compreendermos o estágio de maturidade das disputas de Campeonato Brasileiro além das Séries A e B. As principais divisões estão consolidadas, necessitando, naturalmente, de ajustes para se tornar um produto melhor e economicamente rentável, além, é claro, da melhoria da gestão da grande maioria dos clubes que disputam tais competições.

As propostas para melhoria do calendário são salutares e necessárias. Mas não podem desconsiderar o impacto financeiro que pode causar na estrutura do futebol nacional. São poucas cidades no país capazes de sustentar uma equipe de alto rendimento, com salários competitivos, ao longo do ano. A questão não é somente esportiva. É gestão, economia e matemática.

Para ser aplicável, este debate deve passar a ser racional!!! Sem mais…