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Campeonato brasileiro série b 2020, a distância percorrida por cada equipe interfere no resultado?

Crédito imagem – Site oficial do Cuiabá E.C

Imagine que na Série B, todos os voos fossem fretados e diretos, e que todas as cidades teriam aeroportos para receber as equipes. Sabemos que isso não está nem próximo da realidade. Porém, como seria se assim o fosse?

Para calcular a distância entre as cidades foi utilizado o site pt.distance.to, os dados foram armazenados em um arquivo Excel e posteriormente analisados, e gerados gráficos no RStudio. As viagens seguem o calendário da competição.

Na tabela acima, temos os dados coletados, os nomes das equipes, a quantidade de pontos que fez na competição, a distância teórica e a região. Tivemos o Oeste – SP como a equipe que menos precisou se expor à viagens, e o Sampaio Corrêa – MA como a equipe que mais se deslocou para disputar os jogos.

Somadas as distâncias teóricas percorridas pelas equipes do nordeste, temos 333.812,50 km percorridos, com uma média de 55.635,41. Comparando com as equipes do sudeste, estas percorreriam no total 176.223,50 km, com uma média de 29.370,58.

Na imagem a seguir, temos uma distribuição por pontos e distância.

É possível perceber que as equipes do nordeste percorreram em teoria, maiores distâncias que as equipes de outras regiões. Quando foi realizado o teste de correlação de Pearson, o resultado foi de 0.06 positivo.

Sabe-se que o futebol é um esporte que envolve 4 esferas (tática, técnica, psicológica, preparação física) que só fazem sentido quando juntas, se uma equipe viaja bem mais que outras, ela tende a descansar menos, a ter um processo de recuperação mais lento, e estar menos preparada para os jogos seguintes.

Esse estudo é baseado em uma atividade imaginativa, sabemos que a realidade é bem diferente, equipes percorrem distâncias bem mais longas que essas, pois nem todos os voos são diretos, escalas, atrasos, viagens de ônibus, são frequentes no dia-a-dia de uma equipe profissional. E as equipes com toda certeza percorreram distância bem superiores às apresentadas.

A imagem acima apresenta a equipe campeã e vice, e a equipe que percorreu maiores distâncias na competição. Após, todo o já exposto, é necessário fazer uma reflexão sobre a logística da competição, tomemos a equipe do Sampaio Corrêa como exemplo:

A equipe fez uma partida de “ping pong”, indo e voltando de São Luís para disputar jogos no Sul. Aproveitar melhor longas viagens deveriam ser o foco da organização da competição, tornando-a menos desgastante para equipes mais distantes do centro da competição (Eixo Sul-Sudeste).

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Palmeiras, o melhor projeto!

Crédito imagem – Site oficial Palmeiras/Divulgação

O Palmeiras não é o melhor da América por acaso. O caminho até o gol de cabeça do atacante Breno Lopes contra o Santos foi arquitetado, planejado, colocado em ação, mensurado, reajustado para, enfim, ser coroado! O técnico Cuca e os jogadores santistas foram guerreiros, brilhantes e geniais. Mas a instituição Palmeiras merecia muito mais do que a gloriosa instituição santista. O futebol é apaixonante porque é imprevisível. Mas o bagunçado e endividado Alvinegro Praiano não merecia mais do que o organizado e bem gerido Palmeiras. 

Muito já se falou do processo de reconstrução do Verdão com o ex-presidente Paulo Nobre. Mais do que dinheiro, ele injetou modernidade, processos e profissionalismo no departamento de futebol palmeirense. O gerente Cícero Souza é peça fundamental em tudo isso. É ele quem emprega com uma maestria ímpar a transdisciplinaridade no clube. São inúmeros departamentos, como ciência do esporte, categoria de base, análise de desempenho, dentre outros, que tem que ‘se conversar’ para aumentar a performance da equipe dentro de campo. Não é trivial fazer o todo ser maior do que a soma das partes, ainda mais no instável futebol brasileiro.

O diretor Alexandre Mattos também foi muito importante nessa reconstrução, que tem como marco o não rebaixamento em 2014. Seria o terceiro em doze anos, o que representaria um duro golpe, em algo visto como fundamental, que era transparecer uma imagem de clube vencedor, que estava um tanto quanto esquecida. 

Com Mattos vieram títulos importantes como a Copa do Brasil e os dois Brasileiros, mas é com Anderson Barros e uma nova política que chega o título mais desejado de todo esse processo. A Libertadores 2020 consolida inúmeros profissionais das categorias de base do clube que lutaram arduamente durante anos contra uma cultura de não revelar. Jogadores reservas com salários altos foram desligados para que houvesse espaço para uma energizada e qualificada safra de jovens. O grande volume de contratações, justificados muitas vezes por ‘oportunidades de mercado’ foram trocados por reforços pontuais. E a cereja do bolo foi a chegada do técnico português Abel Ferreira que parece ser o elo final que toda essa estrutura precisava para finalmente transcender o trabalho diário em um legado muito maior do que ‘apenas’ troféus e sim, de fato, institucionalizar uma cultura.

Não pretendo aqui dizer que o Palmeiras é o clube mais bem gerido do planeta e que os seus profissionais estão ensinando o mundo como se faz futebol. Mas é muito importante valorizarmos o processo por trás de uma grande conquista. O sucesso é previsível e tem mais probabilidade de acontecer quando existe planejamento, foco e competência profissional no dia a dia.

*As opiniões dos nossos autores parceiros não refletem, necessariamente, a visão da Universidade do Futebol