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Controle da carga de treinamento aplicado ao futebol

O corpo humano é controlado pelo sistema nervoso que é divido anatomicamente em sistema nervoso central e periférico e funcionalmente é dividido em sensorial, somático ou autonômico. O sistema sensorial capta as informações, o somático é responsável por nossas ações voluntárias e o autonômico regula nossas funções sem nossa consciência.

À medida que os estímulos (internos ou internos) interagem entre si, o organismo se ajusta frente a cada situação para garantir a sobrevivência.

A elevação da frequência cardíaca e da respiração durante a prática de exercício físico são exemplos dessas respostas assim como a produção de hormônios, a sudorese, o sono, etc.

No treinamento esportivo, uma das formas de controlar a carga ocorre pela monitoração da frequência cardíaca em conjunto com escalas de percepções subjetivas de esforço. Em modalidades intermitentes como o futebol, apesar de algumas limitações, essas ferramentas têm sido utilizadas com frequência e auxiliam bastante na preparação dos atletas.

Pelo fato de o sistema nervoso autônomo se estressar frente a estímulos físicos e mentais, além da condição física, também é possível verificar o nível de estresse que cada jogador se encontra.

Mas como saber o momento de dar descanso ou um novo estímulo para cada atleta?

Recentemente, a monitoração do controle autonômico surgiu como alternativa para verificar se o atleta está recuperado e pode receber uma nova carga de estímulo ou se ele ainda necessita de um período de descanso maior.

Com um eletrocardiograma ou um frequencímetro que permita o registro do intervalo de tempo entre cada batimento cardíaco, existe a possibilidade de se realizar alguns cálculos que expressam a variabilidade da frequência cardíaca e consequentemente verificar a modulação autonômica de cada sujeito.

No geral, se a condição de estresse é alta, espera-se maior participação da atividade simpática. Se a condição de estresse é baixa, então a modulação da atividade parassimpática é quem deverá predominar

De forma bem simplista é como se nosso corpo funcionasse sobre uma gangorra. Num dos lados da gangorra temos o sistema nervoso parassimpático (ativado em condição de calmaria) e do outro o simpático (ativado em condição de estresse).

Em condições normais esses dois sistemas deixam a gangorra em equilíbrio e no caso de um sistema pesar mais do que o outro esse desequilíbrio pode significar problemas.
Imagine, por exemplo, um atleta que se estressa em uma condição de treino e se recupera bem rápido e outro que se estressa igualmente, porém demora muito tempo para se recuperar. Nesse caso, se a mesma carga de treino for ministrada para ambos, obviamente que eles terão respostas diferentes ao ponto de um poder melhorar muito sua condição, enquanto o outro poderá até correr riscos de saúde ou de lesão.

Para que isso não ocorra, a monitoração do controle autonômico cardiovascular pode servir como parâmetro de controle de carga interna e consequentemente evitar que os atletas entrem, por exemplo, em supertreinamento.

Apesar da complexidade do assunto, espero que sua gangorra esteja perfeitamente equilibrada já que esse também é um bom indicativo de saúde cardiovascular.

Até a próxima!

Para interagir com o autor: cavinato@universidadedofutebol.com.br

Para saber mais:

Bricout VA, Dechenaud S, Favre-Juvin A. Analyses of heart rate variability in young soccer players: the effects of sport activity. Auton Neurosci. 2010 Apr 19;154(1-2):112-6.

Buchheit M, Mendez-Villanueva A, Quod MJ, Poulos N, Bourdon P. Determinants of the variability of heart rate measures during a competitive period in young soccer players. Eur J Appl Physiol. 2010 Jul;109(5):869-78.

Yu S, Katoh T, Makino H, Mimuno S, Sato S. Age and heart rate variability after soccer games. Res Sports Med. 2010 Oct;18(4):263-9.

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Futebol alemão – capítulo 2

Conforme prometido no final de 2011, estamos fazendo uma breve análise do desenvolvimento do futebol alemão à luz de reportagem publicada na edição de outubro da revista Sport Business International. O alcance de um patamar de sucesso pode estar centrado na profissionalização e na governança da liga e dos clubes.

E isso começou quando os clubes, orientados pela liga, passaram a adotar uma gestão que acompanhou os rumores daquilo que se tornou o “Fair Play Financeiro”, proposta pela Uefa e que será exigido para todos os clubes europeus a partir da próxima temporada, em uma tentativa de melhor regular a questão financeira dos mesmos.

O que os clubes alemães fizeram foi antecipar-se à mudança. Sabendo que o modelo anterior seria insustentável no longo prazo, nada mais natural do que perceber esta transição e se adaptar a ela gradativamente, ao invés de abruptamente, como serão obrigados a fazer os clubes e ligas de outros países.

O resultado começa a aparecer no médio-longo prazo e agora passa a ser um modelo a ser seguido. O simples registro vale como uma lamentação ao ver que nenhum clube no Brasil ou a principal organizadora das competições nacionais são capazes de lançar e adotar uma forma de gestão com olhar para o futuro e não olhando para o retrovisor.

Para interagir com o autor: geraldo@universidadedofutebol.com.br
 

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Tecnologia para monitorar comportamento fora do campo: será necessário?

Olá, amigos!

Que este ano que se inicia possa trazer grandes frutos e conquistas a todos e que possamos seguir neste espaço a debater sempre com seriedade, conhecimento, trocando nossas experiências acerca de diversos temas que nos despertam as curiosidades relacionadas ao universo do futebol. Um grande 2012 a todos!

No texto desta semana, trago para discussão um aplicativo divulgado recentemente para que qualquer usuário possa se motivar e fiscalizar a prática de exercícios. É o GymPact.

Nesse aplicativo, a pessoa vincula o GPS às metas estabelecidas de sua presença a locais específicos para a prática de atividades físicas. Assim, se ela se ausenta num dia programado, o aplicativo debita um valor em dinheiro da conta da pessoa; se a pessoa freqüenta, ela recebe como prêmio.

“O usuário só pode se cadastrar fornecendo um cartão de crédito, e o GPS é usado o tempo todo para saber se você realmente está na academia. Se você falta à aula, o aplicativo tira US$10 de sua conta e coloca no “bolo”. É desse bolo – o bolo dos perdedores, aqueles que não foram à academia e ainda perderam o troco – que também sai o pagamento caso o pacto seja mantido. Os pactos são feitos semanalmente – bom para aqueles com ritmos bem inconstantes”.

É interessante e inusitada a proposta, porém quando recebi a indicação desta reportagem, enviaram-me junto o seguinte questionamento:

“Será que não vale a pena os clubes investirem nisso para que seus jogadores sejam mais controlados principalmente no período de férias?”.
 


 

Entendo a preocupação, dados os frequentes deslizes de muitos atletas quanto aos cuidados com suas condições físicas. Temos que deixar claro que o período de férias é importante na lógica do treinamento, já que se trata de um período transitório que deve ser respeitado. E complementamos ainda que tais deslizes não se dão só no período de férias – é possível observar tais fatos em pleno decorrer da temporada competitiva.

Acredito sempre que a tecnologia contribua com os processos desportivos, porém temos de separar bem, e sobretudo definir, o que é feito como imposição do que é feito com clareza e discernimento.

Assim como no futebol brasileiro muitos pregam que é impossível culturalmente liberar os atletas das concentrações (veja coluna em que debatemos o tema), pelo mesmo motivo se justificaria tal recurso tecnológico de fiscalização do atleta.

Seria possível se desenvolver diferentes níveis de controle, desde a presença ou não no local indicado, até mensurações de atividades realizadas, ou não. Ainda que alguns sejam criativos o bastante para burlar qualquer forma de controle, seja tecnológicou ou mesmo a famosa cartilha dos técnicos mais tradicionais, concordamos que poderia surtir algum efeito.

Entretanto, da mesma forma que defendo a tecnologia no esporte, defendo também o desenvolvimento de pessoas mais inteligentes (com o risco do termo não ser o mais adequado) nos quesitos de compreensão do grande campus esportivo (termo oriundo dos estudos de Bourdieu). Falamos tanto em formar atletas inteligentes, modelagem de jogo, capacitação dos profissionais do futebol, atualização tecnológica, enfim, em diferentes níveis discutimos uma valoração dos aspectos voltados a inteligência no futebol.

É nesse ponto que acredito a tecnologia deve ser pensada, para facilitar o controle de treinos, mensurações, diagnósticos e planejamentos. Mas à medida que se torna um instrumento de punição, de controle, de aposta na má fé, reforça-se cada vez mais o caráter descompromissado de quem já tem essa intenção.

A punição, na minha opinião, para o atleta que não adota uma postura profissional hoje, não é fiscalizar o que faz ou que não faz, e sim analisar o quanto isso afeta ou não seu desempenho em campo. A partir disso, tomam-se as medidas contratuais cabíveis, renegando o passar a mão na cabeça ou a bronca ao atleta.

Para interagir com o autor: fantato@universidadedofutebol.com.br
 

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Banco de jogos – jogo 2

A dinâmica imposta pela equipe do Barcelona é invejável. Com a posse de bola, constroem um jogo apoiado, com movimentações constantes para chegar à zona de risco adversária. A posse pela posse é observada somente quando a lógica do jogo está sendo cumprida com relativa facilidade.

O jogo identificado abaixo torna propensas as ocorrências da mobilidade com trocas de posição e do apoio, que são ações táticas observadas na organização ofensiva da equipe catalã, e que serão necessárias para se aproximar da vitória na atividade em questão.

Jogo conceitual em ambiente específico de mobilidade com trocas de posição e apoio

– Campo dividido nas zonas de altíssimo, alto e médio risco e também nos setores A, B, B’ e B”;

– Com isso, ocorrerá a formação de retângulos com as seguintes medidas aproximadas:

Altíssimo Risco: 16 x 40m
Alto Risco: 8 x 40m
Médio Risco: 24 x 14m

 

 
 

Plataforma de Jogo Equipe A (azul): 1-4-4-2 Losango
Plataforma de Jogo Equipe B (verde): 1-3-5-2

Regras do Jogo

1.No campo de defesa cada jogador pode dar no máximo dois toques na bola; caso dê o terceiro toque = 1 ponto para o adversário;

2.No campo de ataque, nos setores A, B, B’, B” e de médio risco, cada jogador pode dar no máximo 3 toques na bola; caso dê o quarto toque = 1 ponto para o adversário;

3.Nos setores de alto e altíssimo risco, a quantidade de toques é liberada;

4.O jogador que realizar um passe à frente da linha 3 (com exceção do passe originário do setor A e da zona de altíssimo risco) não poderá permanecer no mesmo setor em que estava quando executou o passe; caso permaneça no mesmo setor = 1 ponto para o adversário;

5.Passe originário do setor A, à frente da linha 3 com troca de posição, ocupação do Setor A por outro jogador e manutenção da posse de bola = 1 ponto

6.Seis trocas de passe consecutivas à frente da linha 3, com as trocas necessárias de setores = 2 pontos

7.Seis trocas de passe consecutivas à frente da linha 3, com as trocas necessárias de setores + gol = 10 pontos

8.Demais gols = 3 pontos

Veja, abaixo, os exemplos:
 

Regra 4

 
 

O atleta número 8 da equipe Azul realizou um passe para o seu companheiro número 7 e, na sequência da jogada, não trocou de setor. Desse modo a equipe adversária marca 1 ponto.
 

Regra 5

 

 


 

O atleta número 5 da equipe Azul realizou um passe para o seu companheiro número 10 e trocou de posição com o atleta número 8. Como o jogador número 10 manteve a posse de bola a favor da sua equipe, passando para o número 7 (e trocando de setor), 1 ponto para a equipe Azul.
 

Regra 6

 

Como pode ser observado nas figuras, a equipe verde realizou seis trocas de passe no campo de ataque com as devidas trocas de setores. (5 passou para 6; 6 passou para 10; 10 passou para 2; 2 passou para 9, nove passou para 11 e 11 passou para 10). A equipe verde marca 2 pontos.

 

Regra 7

Se na sequência da jogada após a troca de seis passes ocorrer o gol, ele valerá 10 pontos. Demais gols (bola parada e ações em que não houve a troca de seis passes) equivalem a 3 pontos.

Para dúvidas, críticas ou sugestões, escreva-me. As trocas de informações e discussões são as grandes potencializadoras da construção do conhecimento.

Obrigado por ter me acompanhado no ano de 2011, já adianto o convite para caminharmos juntos no próximo ano e que não faltem desafios, conquistas, aprendizados e muito trabalho.

Um abraço e que venha 2012!

Para interagir com o autor: eduardo@universidadedofutebol.com.br

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A Copa de 2014, as Olimpíadas de 2016 e os aeroportos

Logo após o Brasil conquistar o direito de organizar a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, uma das primeiras preocupações aventadas foi atinente à infraestrutura.

Dentre os inúmeros itens necessários à realização destes megaeventos, a operacionalidade dos aeroportos possui vital importância, já que é por meio deles que o “Brasil receberá o mundo”.

Por este motivo, todos os aeroportos brasileiros devem passar por ampliações e reformulações. Certamente as referidas intervenções são necessárias, sobretudo neste momento de aquecimento econômico e ampliação das rotas aéreas e do maior acesso das classe C e D às passagens aéreas.

Entretanto, ao contrário do que muitos afirmam, o sistema aéreo e os aeroportos brasileiros não estão muito aquém dos encontrados em outros países.

Por meio de experiência pessoal, em um dos maiores aeroportos do mundo, Heathlrow, em Londres, constatei falta de zelo com os passageiros.

Inicialmente, insta ressaltar que houve atraso de cerca de sessenta minutos, motivo pelo qual o vôo, oriundo de Lisboa, aterrisou na capital inglesa por volta de meia noite.

Assim, sistemas de transporte coletivo, como metrô (underground), trem urbano e ônibus, tão destacados como essenciais para a realização de grandes eventos, não estavam operando.

Não bastasse isso, não havia central de atendimento em funcionamento que propiciasse aluguel de veículo, ou informações acerca de táxis ou remisses. Sem informação, o maior aeroporto do mundo tornou-se um imenso labirinto.

Para contatar um táxi, foi necessário encontrar a saída mais próxima do ponto de táxi, sair do aeroporto, em um frio de cinco graus negativos e, ainda, aguardar que algum se posicionasse no ponto.

É óbvio que o Brasil tem muito a evoluir e é o que se espera, entretanto, não há países infalíveis e, o exemplo relatado é o de Londres, onde serão realizados os próximos jogos olímpicos.

Portanto, deve-se olhar para o Brasil com parcimônia, cobrar melhoras, mas valorizar o que temos.

Para interagir com o autor: gustavo@universidadedofutebol.com.br

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Férias do futebol e as "peladas" de fim de ano. E o descanso, onde fica?

Em meio à inter-temporada 2011/2012 ocorre pelo mundo afora as famosas “peladas” de fim de ano. Com cunho beneficente, muitas delas contam com a participação de ex-atletas e atletas atuais que se reúnem para ajudar ao próximo ao mesmo tempo em que se divertem.

Mas, apesar de toda boa intenção e legitimidade desses encontros futebolísticos, não podemos esquecer que muitos jogadores reclamam o ano todo do calendário exagerado e do excesso de jogos ao longo da temporada, porém, quando têm a oportunidade de permanecerem longe da bola e dos gramados, fazem questão de participar desses jogos.

Então, será que em época de férias, ao invés de descansarem, esses atletas continuam se desgastando e prejudicando seu preparo para a próxima temporada?

A resposta é não se pensarmos no cunho amistoso desses jogos. Pelo nível técnico, provavelmente essas partidas não acarretam sobrecarga emocional nem física para nenhum atleta. Pelo contrário. Ao participar de um evento beneficente, o jogador é capaz de sentir-se bem por ajudar outras pessoas e pelo fato de encontrar muitos amigos e se divertir ao invés competir – esse evento poderá até auxiliar no seu descanso e no seu relaxamento, especialmente no aspecto mental.

Isso porque ao serem expostos a um ambiente de descontração e livre de cobranças, mesmo que se estejam executando um esforço físico, a intensidade é mais baixa e do ponto de vista mental isso serve como alívio, pois muitos estão fazendo o que mais gostam, porém sem a pressão do dia a dia.


 

Mas se pensarmos no ambiente extra-jogo a resposta será sim, pois entre as coisas que poderão atrapalhar as férias desses atletas estão as viagens, o tipo e o tempo de hospedagem, as atividades pós-partida (como excesso de comida e/ou bebida que eles serão submetidos) e especialmente se conseguirão dormir bem ou mal.

Pelo exposto até aqui vemos que a decisão de aceitar ou recusar o convite para uma dessas peladas deverá ser de cada atleta. Para isso se faz necessário que o mesmo avalie todas as condições do evento e calcule se no final da festa ele estará se sentindo mais disposto ou mais cansado.

Em suma, se não houver exageros, esse período de relaxamento será extremamente benéfico para a recuperação, porque nessa época é desejável que haja uma alteração do balanço autonômico desse atleta em que o mesmo deverá sofrer uma diminuição da modulação autonômica simpática e um aumento da modulação autonômica parassimpática.

Por outro lado, se houver abuso, o sistema nervoso autônomo terá um comportamento antagônico ao desejado e ao invés do aumento da modulação parassimpática, haverá um aumento da modulação simpática. Isso poderá indicar piora da condição física e mental do atleta e, sem dúvida, o mesmo iniciará a próxima temporada já bastante prejudicado.

Portanto, para não começar 2012 dando bola fora, é importante lembrar que mesmo não havendo nada proibido, todo exagero pode ser maléfico.

Feliz 2012 para todos!

Para interagir com o autor: cavinato@universidadedofutebol.com.br

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Futebol alemão – capítulo 1

Neste período de festas natalinas e virada de ano, quando fazemos inúmeras reflexões sobre o que já realizamos e a respeito dos projetos vindouros, reservei o espaço desta coluna para debater um pouco sobre as mudanças ocorridas no futebol alemão, inspirado sobretudo em reportagem publicada na edição de outubro da revista Sport Business International.

Os destaques a realizar em dois “capítulos” passam, no primeiro, por relatar a contribuição da Copa do Mundo de 2006 para o desenvolvimento do futebol local e, no segundo, por destacar a importância da organização e da boa governança em termos econômico-financeiros para sustentar o crescimento dos clubes e, consequentemente, da liga como um todo.

A reportagem da Sport Business relata como fundamental a entrega bem-sucedida da Copa do Mundo para o crescimento, tanto da primeira quanto da segunda divisão do futebol local. Pela remodelagem das arenas e a consequente melhora dos serviços de atendimento aos torcedores e ao cliente corporativo, a Copa foi capaz de trazer uma nova dimensão ao espetáculo.

O especialista em marketing esportivo Ulrich Roch descreve que nos últimos anos o futebol alemão viu crescer as receitas em patrocínio e exposição na mídia. E o continuísmo no pós-Copa esteve centrado na Liga Alemã de Futebol, na Federação Alemã de Futebol e na vinda de grandes estrelas do futebol local e mundial para atuar novamente na Bundesliga.

E o desenvolvimento contínuo para que haja crescimento ano a ano está centrado na criatividade e inovação para a oferta de serviços diferenciados para os torcedores dentro e fora dos estádios.

Fica aí um resumo dos principais fatores para a sustentação do posicionamento do futebol na Alemanha após a Copa do Mundo. Que o exemplo possa ser seguido aqui após 2014, valendo lembrar que a manutenção de um patamar de sucesso está centrada na profissionalização e na governança, que será relatado no primeiro texto de 2012.

Para interagir com o autor: geraldo@universidadedofutebol.com.br

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O futebol pode aprender com as inovações olímpicas

Olá, amigos!

Nesta última coluna do ano, aproveito para fechar mais um ciclo com algumas considerações do que virá pela frente.

É um ano de Olimpíadas, e em termos tecnológicos sempre surgem novas perspectivas para a preparação, análise, espetáculo e consumo esportivo.

Sempre digo que o futebol deve observar muito os demais esportes, para tirar lições sobre o uso da tecnologia para seu próprio desenvolvimento.

Quem trabalha no meio consegue ver mudanças em se comparando com três ou quatro anos atrás. O avanço é até significativo se considerarmos o ponto de partida baixo. Porém quando comparamos com outros esportes, a diferença se torna esmagadora, sobretudo no aspecto voltado ao desempenho do atleta.

Mas aí temos uma boa noção do porquê. Não basta olharmos as demais modalidades e copiar alguns elementos voltados a questões das capacidades físicas. Estas são facilmente incorporadas, porém tanto neste caso, como em outros, é imprescindível considerarmos a especificidade de cada esporte.

E no futebol é algo relativamente novo em se comparando a outras modalidades. Hoje, com os avanços dos estudos sobre o modelo de jogo no futebol, já é possível pensar em tecnologias que auxiliem neste processo de identificação e mensuração.

E é isso que precisamos entender no processo todo: os recursos não vão simplesmente mapear o futebol, e é necessário que os estudiosos definam e caracterizem a modalidade, os fatores preponderantes de sucesso, para enfim poderem intervir e desenvolver ferramentas que auxiliem no processo de treino, de planejamento, de gestão técnica e de desempenho na modalidade.

Assim, quando me refiro a observar e aprender com os outros esportes, é justamente em relação à questão de vanguarda que alguns deles têm em relação ao futebol. Mas jamais podemos fazer uma simples transferência de tecnologia: é necessário adequá-la e, para isso, necessitamos de estudos e bons profissionais que realmente aprofundem os fatores determinantes do jogo e consigam transferir isso para que a tecnologia possa ser benéfica e, sobretudo, eficiente.

Que neste ano olímpico possamos aprender e extrair informações valiosas com as novidades que surgirão.

Para todos os amigos que nos acompanharam ao longo do ano, desejo-lhes um grande 2012, repleto de sucesso, paz e sobretudo felicidade.

Para interagir com o autor: fantato@universidadedofutebol.com.br

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Futebol e religião: de volta para o futuro

Fico imaginando o motivo. Talvez a proximidade do final do Campeonato Brasileiro esteja na base do acirramento das manifestações de fé, tanto dos jogadores como dos torcedores. Afinal, uma ajudazinha divina nesta fase do campeonato seria muito bem-vinda…

Ou então a simples compreensão de que Deus é brasileiro e, sendo, natural que esteja atento aos acontecimentos futebolísticos tupiniquins… Daí a entender que também Ele tem preferência por um determinado time – o meu, o seu, o nosso – é um pulinho…

Se buscarmos uma explicação tão mais complexa quanto mais distante dos apaixonados esportistas, talvez encontremos na Indústria do Entretenimento de Adorno ou na Sociedade do Espetáculo de Debbord as explicações procuradas…

Aí, então, resolvi escrever sobre o assunto, mas da decisão de fazê-lo à sua materialização dei conta de meu desconhecimento do tema. E se não bastasse esse arranhão na minha auto-estima, me vi diante de crônicas escritas neste milênio que adoraria ter escrito…

Só me restou a sensatez de reproduzi-las neste espaço…

Lendo-as, vocês verão quão atuais elas soam, e se ajudarem a recolocar o imbróglio em pauta, terá valido a pena…

Começo com uma escrita por Eugenio Bucci, no início deste século XXI, publicada na Folha de São Paulo em 07 de julho de 2002. Sigo com ele mesmo, 15 dias depois (21 de julho), tecendo comentários sobre a repercussão dela junto aos leitores daquele diário…

Em seguida, salto sete anos no tempo e lhes apresento duas outras – a segunda, do mesmo jeito que a do Bucci, falando da repercussão da primeira – de Juca Kfouri, publicadas respectivamente em 30 de julho e 02 de agosto de 2009.

Fiquem com elas e digam se me enganei em meu juízo acerca da atualidade da reflexão…

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I belong to… pelo amor de Deus!

EUGÊNIO BUCCI

“CREDO EM cruz! Ao final daquela partida lá, aquela tal de domingo passado em que o Brasil se sagrou campeão depois de ganhar da Alemanha, uns jogadores arrancaram a camiseta oficial da seleção brasileira e, por baixo, tinham outra. Sim, vestiam outra camisa por baixo da camisa que vestiam. E essa outra camisa era merchandising religioso. Uma delas trazia a seguinte mensagem: “I belong to Jesus”. Oh, God. Eu me lembrei de Ella Fitzgerald cantando “my heart belongs to daddy”, da música de Cole Porter, e senti que a voz da cantora era mais angelical. Um segundo futebolista, este mais alto, preferiu outros dizeres: “Jesus (coraçãozinho) you”. Incredible! Qu’é qu’é isso, Cafuringa? Nos rescaldos da final de campeonato, a tela da Globo se converteu, de súbito, numa incomensurável tela da Rede Record. Aquilo virou um megaculto da Igreja Universal.

Há quem tenha visto espontaneidade na comemoração dos canarinhos. “É o jeito brasileiro”, diziam os animadores esportivos de sempre. O que é exatamente o “jeito brasileiro”? Dizem que é o “improviso”, a “descontração”, a “alegria” que “éééééé…. duBrasil!” Tocaram lá a musiquinha que fazia fundo para as vitórias de Ayrton Senna na Fórmula 1. Tentaram esconder a figura insistente de Ricardo Teixeira, o dono da taça, enquanto o pessoal chorava. Tentaram em vão. Teixeira acabou dando entrevista em destaque e tudo virou um grande carnaval sem culpados. Vai ver que isso tudo junto é o “jeito brasileiro” de ser, mas há mais no meio da bagunça. Há algo que não tem nada de Brasil e que tem tudo de não-Brasil. Religiões eletrônicas, que se promovem pelos meios de comunicação de massa e que são fábricas do dinheiro de poucos e do gozo das multidões, são um fenômeno da indústria cultural em moldes americanos. São tão brasileiras quanto a Nike. O que aqueles atletas encenaram no meio do gramado não foi uma inocente expressão de fé (coisa que também não tem pátria, graças a Deus), mas uma descarada jogada de marketing. O que se manifestou no episódio não foi o Espírito Santo, mas uma propaganda diabólica.

Nós, brasileiros, já temos de suportar a marca de patrocinadores na camisa que deveria representar apenas uma nação. Já é um desaforo. Agora existe aí a modalidade da propaganda infiltrada. E parcial. Já que isso vale, por que propaganda só de Jesus? Por que não de Xangô? E por que não de Buda? Aqueles atletas que vestiram a camisa do Brasil tendo outra por baixo eram os homens-bomba do simbólico. Não levavam explosivos propriamente ditos, mas, disfarçados de futebolistas brasileiros, esconderam sua verdadeira camisa até o instante final, quando então “explodiram”: eram propaganda contrabandeada. “I belong to Jesus”, ora, por favor. E a gente aqui achando que o sujeito pertencesse ao time do Brasil, que ele representasse o país.

A fusão da religião com a TV é tão antidemocrática quanto a fusão entre Estado e Igreja. Transformado em espetáculo, o discurso religioso ensandece, invade as esferas individuais e ganha tons totalitários. É bem possível que os homens-bomba do simbólico pretendam que esse “Jesus” de suas camisetas seja unânime, total, compacto e que, portanto, jamais possa ser visto como “penetra” na festa de ninguém. Ai de quem for contra “Jesus”, eles proclamam. E pronunciam o nome com força, com tanta força que a palavra soa estranha, soa “Xessôs”, como se fosse nagô. Como se fosse a serenidade se transformando em fúria. O amor em ódio. A fé em fanatismo.

Enquanto isso, pobre de quem acreditava que o Estado fosse laico. Pobre de quem acreditava que a seleção brasileira representasse os brasileiros de todas as religiões. Pobre do torcedor. Esses propagandistas dissimulados. Na próxima Copa, que façam comercial do diabo de uma vez.”

O ateísmo como direito

EUGÊNIO BUCCI

“HÁ DUAS semanas, critiquei os jogadores da seleção que fizeram merchandising religioso logo após a vitória sobre a Alemanha. Argumentei que, ao “desvestirem” o uniforme oficial para revelar outra camiseta, que traziam por baixo, com slogans de uma causa religiosa, eles se aproveitaram da visibilidade pública conquistada pelo time nacional para promover convicções particulares. O que é indevido e invasivo. O Brasil é um Estado laico: nenhuma função de representação do Brasil pode ser apropriada por uma forma de fé. Não é democrático. Mesmo que essa fé congregue 99% da população, não é democrático. A minoria não pode ser excluída nesses momentos de representação nacional. Quando transformaram a festa do pentacampeonato num evento de divulgação de culto qualquer, esses jogadores usurparam a camisa oficial que trajavam. Ato contínuo, excluíram das comemorações os brasileiros que não partilham do mesmo culto.

Como era de esperar, recebi mensagens de protesto. Na verdade, nem foram tantas. Não mais que 30. O que me chamou a atenção foi que 90% delas vinham de leitores verdadeiramente indignados. Eram textos violentos que, em resumo, acusavam-me de preconceituoso. Em respeito aos que me escreveram, aos quais sou grato, em respeito ao conjunto dos leitores e, finalmente, às opções espirituais de cada um, volto ao assunto. O meu objetivo é deixar claro que não é preconceito o que me move. Minha crítica não é contra religião nenhuma: é contra o marketing oportunista de religiões que vem se repetindo na TV.

A fé, todos sabemos, deixou de ser “uma questão de opção de foro íntimo”, como se dizia antigamente, e passou a ser um segmento da indústria cultural. Não se trata de um fenômeno “evangélico” ou “católico” ou “protestante”: as seitas eletrônicas têm raízes nas mais diversas tradições místicas; o que as distingue não é a tradição a que se filiam, mas sua prática discursiva, perfeitamente adaptada ao show de TV. A Rede Record é uma expressão desse fenômeno no Brasil. Padre Marcelo, com as suas especificidades, também é. A fé se tornou uma modalidade do espetáculo, com as va
ntagens e desvantagens de comunicação (sagrada ou profana) que isso acarreta.

As teleigrejas se manifestam (e existem) como propagandas de si mesmas. Para elas, a propaganda não é a alma do negócio: a propaganda é sua razão de ser. É de sua natureza a propensão a ocupar todos campos da visão social. Acreditam que, assim, cumprem seu papel e exercem seu direito. Muitas vezes, porém, invadem o direito de outros e seus fiéis mal se dão conta. Um atleta que se declara diante das câmeras como alguém que “pertence a Jesus” está apenas exercendo o direito de professar sua fé. Mas, quando ele se furta à representação oficial da qual foi incumbido, a de vestir o uniforme da seleção brasileira, num evento oficial, e se aproveita das câmeras para promover um determinado culto, comete um abuso. E exclui, com esse gesto, os outros brasileiros que porventura não comunguem da mesma fé. Mesmo sem querer.

Vivemos uma era de multiplicação de teleigrejas. Deveriam ser tempos mais plurais, mais arejados, mas não são. Ao contrário, são tempos de intolerância. A fé que só existe como espetáculo supõe-se um sentimento total e não admite contestação. A simples idéia de que não há unanimidades nem Maomé, nem Buda, nem mesmo Cristo é entendida como uma hedionda heresia pelas teleigrejas. A mera existência de um ateu se torna uma ofensa. Apenas para efeitos de raciocínio, imagino a seguinte cena: após a vitória do Brasil sobre a Alemanha, um jogador abre um estandarte onde se lê “Viva o ateísmo!”.

Provavelmente seria expulso de campo. E, no entanto, não estaria cometendo uma deselegância pior do que essa que foi cometida pelos propagandistas de Jesus.”


Deixem Jesus em paz

JUCA KFOURI

Está ficando a cada dia mais insuportável o proselitismo religioso que invadiu o futebol brasileiro

“MEU PAI, na primeira vez em que me ouviu dizer que eu era ateu, me disse para mudar o discurso e dizer que eu era agnóstico: “Você não tem cultura para se dizer ateu”, sentenciou.

Confesso que fiquei meio sem entender. Até que, nem faz muito tempo, pude ler “Em que Creem os que Não Creem”, uma troca de cartas entre Umberto Eco e o cardeal Martini, de Milão, livro editado no Brasil pela editora Record.

De fato, o velho tinha razão, motivo pelo qual, ele mesmo, incomparavelmente mais culto, se dissesse agnóstico, embora fosse ateu.

Pois o embate entre Eco e Martini, principalmente pelos argumentos do brilhante cardeal milanês, não é coisa para qualquer um, tamanha a profundidade filosófica e teológica do religioso. Dele entendi, se tanto, uns 10%. E olhe lá.

Eco, não menos brilhante, é mais fácil de entender em seu ateísmo.
Até então, me bastava com o pensador marxista, também italiano, Antonio Gramsci, que evoluiu da clássica visão que tratava a religião como ópio do povo para vê-la inclusive com características revolucionárias, razão pela qual pregava a tolerância, a compreensão, principalmente com o catolicismo.

E negar o papel de resistência e de vanguarda de setores religiosos durante a ditadura brasileira equivaleria a um crime de falso testemunho, o que me levou, à época, a andar próximo da Igreja, sem deixar de fazer pequenas provocações, com todo respeito.

Respeito que preservo, apesar de, e com o perdão por tamanha digressão, me pareça pecado usar o nome em vão de quem nada tem a ver com futebol, coisa que, se bem me lembro de minhas aulas de catecismo, está no segundo mandamento das leis de Deus.

E como o santo nome anda sendo usado em vão por jogadores da seleção brasileira, de Kaká ao capitão Lúcio, passando por pretendentes a ela, como o goleiro Fábio, do Cruzeiro, e chegando aos apenas chatos, como Roberto Brum.

Ninguém, rigorosamente ninguém, mesmo que seja evangélico, protestante, católico, muçulmano, judeu, budista ou o que for, deveria fazer merchan religioso em jogos de futebol nem usar camisetas de propaganda demagógicas e até em inglês, além de repetir ameaças sobre o fogo eterno e baboseiras semelhantes, como as da enlouquecida pastora casada com Kaká, uma mocinha fanática, fundamentalista ou esperta demais para tentar nos convencer que foi Deus quem pôs dinheiro no Real Madrid para contratar seu jovem marido em plena crise mundial. Ora, há limites para tudo.

É um tal de jogador comemorar gol olhando e apontando para o céu como se tivesse alguém lá em cima responsável pela façanha, um despropósito, por exemplo, com os goleiros evangélicos, que deveriam olhar também para o alto e fazer um gesto obsceno a cada gol que levassem de seus irmãos…

Ora bolas!

Que cada um faça o que bem entender de suas crenças nos locais apropriados para tal, mas não queiram impingi-las nossas goelas abaixo, porque fazê-lo é uma invasão inadmissível e irritante.

Não mesmo é à toa que Deus prefere os ateus…”


Jesus é uma farsa!

JUCA KFOURI

Como reagiriam aqueles que defendem o merchan religioso nos gramados se alguém vestisse a camiseta acima?

“IMPRESSIONANTE como muita gente lê o que quer e não o que está escrito.

Fora, é claro, o preocupante analfabetismo funcional e a conhecida demagogia dos que pegam uma caroninha em tudo.

Houve quem visse tentativa do colunista em cercear a liberdade religiosa na coluna passada. Desafia-se aqui quem quer que seja a demonstrar uma vírgula sequer neste sentido.

Reclamou-se, isso sim, da chateação que o proselitismo religioso causa em quem quer apenas ver um jogo de futebol, ao mesmo tempo em que se defendeu que cada um se manifeste como quiser nos locais apropriados.

Houve também quem não se lembrasse de ter lido aqui manifestações contra atletas que fazem propaganda de cerveja.

Para esses só resta indicar memoriol, porque não só são criticados os esportistas que fazem propagandas do gênero como, também, quem usa espaço esportivo para tal, seja ou não jogador.

E não me venha ninguém dizer que os tais atletas de Cristo são bons exemplos neste mundo de pecadores, pois basta olhar para Marcelinho Carioca e ver que as coisas não são bem assim.

E que fique claro que o colunista gosta, muito, de cerveja, assim como inveja os que creem, porque deve ser uma boa muleta para suportar as agruras da vida e para alimentar a esperança da compensação de uma vida eterna.

Posso garantir, no entanto, que nem mesmo nos momentos limites que já vivi apelei a alguma força superior que me salvasse. E não foi para ser intelectualmente coerente.

Mas chega a ser divertido ver um político que tem crescido feito rabo de cavalo, para baixo, conhecido por sua homofobia, sinônimo de preconceito, querer dar lição de moral, como um obscuro ex-deputado federal, hoje apenas vereador, que buscou alguns votinhos adicionais ao entrar na polêmica.

Polêmica que rendeu coisa de 120 mensagens eletrônicas de leitores desta Folha para minha caixa postal, surpreendentemente a favor da coluna, coisa de 80%, embora índice compreensivelmente menor de aprovação do que nos quase 500 comentários no blog.

E aí é motivo de satisfação constatar que só a esmagadora minoria não é capaz de entender a ironia da frase “Deus prefere os ateus”, usada no fecho da coluna.

Aos que pediram que a coluna se limite ao futebol, um aviso: não há nenhuma atividade humana que não possa ser relacionada ao futebol, razão pela qual o espaço seguirá sendo preenchido desse jeito.

Finalmente, uma ponderação óbvia: deixar o campo de futebol para que nele se dispute só o jogo acaba por proteger os fundamentalistas de algum herege que vista uma camiseta com os dizeres do título desta coluna, ali escritos apenas à guisa de provocação.

Já imaginou?

Seria uma delícia ver a reação dos que brandiram até a Constituição, que garante a liberdade religiosa, como se o colunista tivesse agredido seus princípios…”
 

Para interagir com o autor: lino@universidadedofutebol.com.br

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Viajar nas férias

Acredito que deveríamos ter uma mudança na legislação trabalhista nacional.

Que, nas férias, todo homem deveria ter não só o direito, mas o dever de viajar.

Esse cenário compulsório, garantido como princípio básico de bem-estar profissional e pessoal, deveria ser complementado com algo na linha de “e quanto mais longe e mais diferente o destino da viagem, melhor”.

Não estou falando do direito, já existente, ao período de férias para ficar em casa.

Invoco o pensamento do pai da língua espanhola e grande romancista Miguel de Cervantes, para defender meu pleito:

“Andar por terras distantes e conversar com diversas pessoas torna os homens ponderados”.

Cervantes escreveu um dos mais importantes e originais romances da história, qual seja, Dom Quixote de La Mancha, em 1605 e 1615.

Na trama, o protagonista, oriundo da pequena nobreza castelhana, é ávido leitor de romances de cavalaria, cujas histórias relatavam os feitos de nobres homens sempre com nuances de aventuras idealizadas.

De tanto ler, acaba por acreditar que as aventuras e desventuras dos seus heróis aconteceram de verdade e resolve se lançar em sua própria jornada pela Espanha, junto ao seu fiel escudeiro, Sancho Pança, e ao cavalo Rocinante.

Naturalmente, da diferença entre a projeção idealizada e a realidade encontrada na viagem, Quixote percebe que é justamente isso que tempera e dá gosto à vida.

Existe muita coisa interessante para ser vista e experimentada em terras distantes. No futebol não seria diferente.

Não se trata, simplesmente, de se negar que há coisa boa em nossa paróquia, em nosso terreiro.

Ao contrário, apenas buscar o discernimento no novo, no inusitado, no diferente.

Metaforicamente, o futebol brasileiro foi chamado à reflexão no recente jogo entre Barcelona e Santos pelo Mundial de Clubes.

Creio que todos os envolvidos nesse cenário deveriam ter suas viagens de férias – reais ou imaginárias – para, ao regressar, tornar-se pessoas e profissionais mais ponderados, em prol da evolução administrativa do futebol brasileiro.

Alguns destinos recomendados no exterior, além de Madrid e Barcelona, podem ser Londres, Manchester e Liverpool (onde há uma importante universidade dedicada à indústria do futebol), Milão, Alemanha (a Bundesliga realiza um trabalho fantástico), Portugal (entender a dimensão humana do futebol em Lisboa com Manuel Sérgio).

Para os que preferem o Novo Mundo, valeria a pena ir aos Estados Unidos para conhecer de perto o lado do showbiz e do sportainment, em especial no basquete, futebol americano e hóquei.

Boas férias a todos.

Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br