Categorias
Sem categoria

Direito Desportivo na prova da OAB

Até o ano de 2016 o Brasil realizará um grande evento esportivo por ano, quais sejam: Copa das Confederações em 2013, Copa do Mundo em 2014, Copa América em 2015 e Jogos Olímpicos em 2016. Diante disso, percebe-se um imenso crescimento do Direito Desportivo.

A força do Direito Desportivo foi novamente demonstrada no último exame da OAB por meio da questão abaixo:

Durante competição esportiva (campeonato estadual de futebol), o clube “A” foi punido com a perda de um ponto em virtude de episódios de preconceito por parte de sua torcida. Com essa decisão de primeira instância da justiça desportiva, o clube “B” foi declarado campeão naquele ano. O clube “A” apresentou recurso contra a decisão de primeira instância. Antes mesmo do julgamento desse recurso, distribuiu ação ordinária perante a Justiça Estadual com o objetivo de reaver o ponto que lhe fora retirado pela Justiça arbitral. Diante de tal situação, é correto afirmar que:

(A) como o direito brasileiro adotou o sistema de jurisdição una, tendo o Poder Judiciário o monopólio da apreciação, com força de coisa julgada, de lesão ou ameaça a direito, é cabível a apreciação judicial dessa matéria a qualquer tempo.

(B) as decisões da Justiça Desportiva são inquestionáveis na via judicial, uma vez que vige, no direito brasileiro, sistema pelo qual o Poder Judiciário somente pode decidir matérias para as quais não exista tribunal administrativo específico.

(C) como regra, o ordenamento vigente adota o Princípio da Inafastabilidade da Jurisdição (art. 5º, XXXV, da CRFB); todavia, as decisões da Justiça Desportiva consubstanciam exceção a essa regra, já que são insindicáveis na via judicial.

(D) o Poder Judiciário pode rever decisões proferidas pela Justiça Desportiva; ainda assim, exige-se, anteriormente ao ajuizamento da ação cabível, o esgotamento da instância administrativa, por se tratar de exceção prevista na Constituição.

A resposta indicada como correta foi a da letra “D”.

Trata-se, no cerne, da averiguação da aplicabilidade, ou não, do princípio da inafastabilidade da jurisdição (art. 5º, XXXV – a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito).

A resposta é encontrada no § 1º, do art. 217:

“§ 1º – O Poder Judiciário só admitirá ações relativas à disciplina e às competições desportivas após esgotarem-se as instâncias da justiça desportiva, regulada em lei.”

Dessa forma, não afasta-se do Poder Judiciário as questões atinentes à Justiça Desportiva, mas condiciona ao esgotamento das instâcias desportivas, o que afasta as alternativas “A”, “B” e “C” e corrobora a resposta.

Apesar disso, há um ponto no enunciado da questão que merece atenção especial. O avaliador, utilizou o termo “Justiça Arbitral” para qualificar a Justiça Desportiva. Destarte, entendo ter havio equívoco, eis que a “Justiça Arbitral”, prevista na Lei 9307/1996, estabelece a possibilidade das partes, mediante convenção de arbitragem, assim entendida a cláusula compromissória e o compromisso arbitral. Ademais, a sentença arbitral somente pode ser objeto de anulação pelo Poder Judiciário, nos termos do art. 33, da Lei de Arbitragem.

No caso da Justiça Desportiva inexiste cláusula arbitral, o que há é uma determinação constitucional acerca da competência para decidir questões atinentes à disciplina e competições despotivas com a ressalva de que o Poder Judiciário somente poderá ser acionado após o exaurimento das instâncias desportivas.

Apesar da impropriedade apontada, não creio que haja razão para anulação da questão, razão pela qual ratificaria o gabarito oficial.

De toda sorte, não há dúvidas de que a Ordem dos Advogados do Brasil demonstraram valor e apreço ao moderno ramo do direito conhecido como Direito Desportivo e a imensa comunidade de juristas, advogados, estudantes e simpatizantes, agradece.

Para interagir com o autor: gustavo@universidadedofutebol.com.br
 

Categorias
Sem categoria

Série C

Um dos assuntos mais comentados desta semana, chegando ao topo dos “Trending Topics” do Twitter, a até então relegada Série C do Campeonato Brasileiro ganha novos ares, patamares e projeção após anúncio da CBF de que a competição passa a ter subsídio financeiro para os clubes (em transporte, hospedagem, taxa de arbitragem e alimentação), TV e um calendário mais amplo.

O avanço merece registro. Há algum tempo os clubes de médio e pequeno porte clamavam por uma atenção maior da entidade máxima do futebol que, enfim, veio em boa hora, em um momento que o mercado do futebol no Brasil começa a ensaiar os primeiros passos rumo a um crescimento mais sustentável – desde que, é claro, se quebrem algumas barreiras e mentalidade arcaica dentro de alguns clubes e entidades de administração do esporte.

Fazendo uma conta bem rápida, se consideramos os 20 clubes da Série C, com um elenco de jogadores mais a comissão técnica, girando em torno de 40 pessoas, o aumento em dois meses na competição representa um incremento em torno de R$ 8.000,00 apenas para este grupo de pessoas.

A conta não leva em conta toda a indústria que gira em torno do futebol, que vai desde o vendedor de cachorro quente (ou espetinho de gato), passando pelo transporte utilizado para levar o torcedor até o estádio até os profissionais da imprensa esportiva, que terão mais oportunidades para realizar a cobertura do campeonato.

Enfim, pela dimensão do país e a quantidade de clubes existente, um olhar mais cuidadoso em todas as manifestações da prática do futebol será capaz de contribuir ainda mais para o desenvolvimento e a formação de novos jogadores no Brasil.

Para interagir com o autor: geraldo@universidadedofutebol.com.br
 

Categorias
Sem categoria

Custo das arenas para a Copa do Mundo de 2014

Ultimamente tenho visto muita gente comparando os custos dos estádios da Copa do Mundo 2014. No entanto, vejo que isto está sendo feito de um ponto de vista não muito coerente e com o intuito errado. A grande e imensa maioria olha para os valores comparando de forma a criticar um ou outro, de acordo com seus interesses, seja por provocação a times, como crítica a cidades e políticos.

Acredito que deveriam ser olhados um por um para ver se o valor está de acordo com o que cada projeto e local propõe, buscando, aí, uma transparência dos investimentos públicos.

O Brasil tem grandes diferenças sociais e de investimento e a Copa do Mundo abrange as cinco regiões do país: Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Cada local tem custos de construção extremamente variáveis, tanto em relação aos materiais básicos de construção (ferragens, concreto, etc.), como no custo da mão-de-obra. Construir em São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo, é bem mais caro que fora dessas capitais. Não justifico aqui os gastos altíssimos desses estádios, mas quero mostrar que devem ser tratados individualmente em suas análises de custo.

São muitos fatores que influenciam nestes orçamentos apresentados e citarei aqui alguns deles. Qualquer profissional considera o prazo de elaboração de projeto ou prestação de serviços alterando, assim, seus honorários; portanto, é óbvio que a Arena Corinthians, feita sob urgência extrema, terá um preço que seria bem mais barato se a cidade tivesse se preparado adequadamente conforme os prazos da Fifa, apresentando ainda na fase da escolha das cidades-sede o seu estádio oficial, do Corinthians, com o projeto semi encaminhado.

Por outro lado, estádios que estavam encaminhados provavelmente sofrerão mudanças de custos devido ao atraso nas obras, como Natal, Pernambuco (que, na verdade, é São Lourenço da Mata) e Porto Alegre. Ou seja, cronograma influenciou e pode ainda influenciar no custo das obras.

Há multas contratuais diárias para atrasos em obras, principalmente de grande porte. Nisso, entram: aluguéis de máquinas e equipamentos, perdas de materiais, atrasos em entregas, gastos com mão-de-obra a mais e com turnos noturnos (mais caros), entre outros gastos.

O projeto também interfere muito, tanto pelo tratamento e acabamento trabalhados pelo arquiteto, quanto pelo conceito já definido a princípio (sustentabilidade e atividades muito bem definidas antes mesmo de começar o projeto). Um estádio com estruturas temporárias, de certo, terá custo diferente de estádios com estrutura permanente/definitiva, ou seja, construção de fato.

Não dá para comparar somente a capacidade dos estádios. Movimentações de terra (terraplanagem e sondagem), materiais de acabamento, soluções de iluminação, ventilação artificiais ou naturais, estrutura e tecnologia podem tornar mais baratas ou mais caras as construções a princípio, mas podem mudar muito e são fundamentais para a gestão futura destes equipamentos, diminuindo seus custos futuros com manutenção de materiais e reduções mensais dos gastos fixos dos estádios, como água, luz, e controles de temperatura, por exemplo.

Algumas destas soluções mais bem pensadas requerem mão-de-obra extremamente especializada, fornecidas pelos próprios fabricantes, o que implica em maiores gastos iniciais, mas obrigatórios para uma execução adequada e que podem poupar em gastos desnecessários futuros.

Deve ser levada em conta a situação do estádio antes das obras, sendo que pode ser uma reforma ou a construção total ou parcial do equipamento. Temos exemplos em todos estes casos, somando mais um motivo para dificultar a comparação. O estádio da Fonte Nova e a Arena de Manaus são exemplos de reforma, com implosão de partes extremamente atrasadas e deterioradas, respectivamente, entrando no valor total não só o custo de construção, mas de implosão e retirada de materiais.

Já como reforma de um estádio de qualidade relativamente boa e atualizada, entra a Arena da Baixada, no Paraná, onde os gastos estão relacionados somente a reformas e adequações podendo somar ainda, tecnologia de ponta. A Arena do Corinthians, por exemplo, entra como uma construção total (mesmo com o terreno e fundação brevemente iniciadas com projeto anterior), obrigando ter custos mais altos que os de reforma. Já o caso do Maracanã, o que pode elevar bastante o custo é o seu porte, aí sim, pois ser significativamente maior.

Há, sem dúvida, exploração dos contratados visando um ganho maior com a necessidade e única opção no fornecimento de materiais ou serviços, ficando mais caro dependendo do que consta no projeto de cada estádio. A necessidade ou não de transporte de matéria-prima pode colaborar com o custo final da construção, assim como gastos com restauro e obras nas imediações, coisa que muitas cidades não se propõe a fazer.

Neste momento deve entrar a fiscalização para que os estádios possam conquistar o selo de construção verde, controlando o descarte e obtenção de resíduos e materiais.

É incabível, portanto, comparar os estádios – são muitos quesitos a serem considerados, e mencionei somente alguns que me vieram em mente. A população deveria parar de querer comparar os gastos, mas questionar se cada um deles é pertinente e cobrar que as licitações não influenciem nos custos altos, que os gastos sejam postos à consulta pública e que a fiscalização seja feita evitando a corrupção.

De qualquer forma, abaixo estão os custos* de cada arena que será sede da Copa do Mundo 2014:

Mineirão – Custo: R$ 666,3 milhões (estádio: R$ 438,2 mi / esplanada: R$ 228,1 mi)*

Mané Garrincha – Custo: R$ 920 milhões

Arena pantanal – Custo: R$ 456,7 milhões

Arena da baixada – Custo: R$ 183 milhões

Castelão – Custo: R$ 474,8 milhões

Arena da Amazônia – Custo: R$ 499,5 milhões

Estádio das Dunas – Custo: R$ 400 milhões

Beira-Rio – Custo: R$ 330 milhões

Arena Pernambuco – Custo: R$ 465 milhões

Maracanã – Custo: R$ 883,5 milhões

Fonte Nova – Custo: R$ 591 milhões (R$ 786 milhões, incluindo outras despesas)

Arena Corinthians – Custo: R$ 900 milhões (entre R$ 50 mi e R$ 70 mi para arquibancadas provisórias e R$ 10 mi para remoção de dutos)

*Os custos foram retirados do Portal da Copa 2014.

Para interagir com o autor: lilian@universidadedofutebol.com.br
 

Categorias
Sem categoria

La rauxa

A Catalunha, comunidade autônoma situada na Espanha, tem, em seu povo, gente com identidade cultural bastante peculiar e orgulhosa de suas tradições.

Dela, o mundo viu surgir grandes ícones das artes, cujo encantamento se fez espalhar pelo mundo e perpetuar o traço distintivo dos catalães.

Salvador Dalí, pai do surrealismo, cujas obras e estilo de vida, aliados aos seus clássicos bigodes, denunciavam o potencial criador das veias catalãs – o quadro A persistência da memória (com relógios que parecem fundidos) está entre as principais. Não só nos quadros, mas no cinema também, com a dobradinha com Luis Buñuel.

Antoni Gaudí, famoso arquiteto que espalhou suas obras por toda a cidade, com linhas absolutamente vanguardistas e inovadoras. Em particular, a Catedral da Sagrada Família, Parc Guell, Casa Batlò e Casa Milà.

Joan Miró, também pintor surrealista catalão, tem em suas obras mais famosas Números e constelações em amor com uma mulher.

Já no século XXI, o FC Barcelona, de Josep Guardiola, desponta como mais uma contribuição artística e cultural de vanguarda, da Catalunha para o mundo. O futebol jogado pela equipe, nesses anos recentes, será o paradigma para as futuras gerações.

Inclusive, no futuro, o valor desta “obra” será ainda maior e mais notável. O tempo tratará disso.

Toda essa efervescência dos catalães vem do resultado do embate entre os dois principais aspectos do caráter do povo: el seny e la rauxa.

Diz-se que todo catalão possui ambas em seu espírito.

El seny, expressão que vem do latim sensus, significa o sentido, o lado que se preocupa com a política, o dinheiro, o trabalho, a justa percepção, apreciação, compreensão e atuação. Ainda, a sensatez, a cordialidade, o tino, o tato, a serenidade, a cautela, a discrição, a maturidade, a formalidade.

La rauxa, em contraponto, evoca o lado de fúria, explosivo, criativo, arrebatador, impetuoso, impensado, irracional, sensível, emocional, entusiasmado, impulsivo, apaixonado.

Esta manifestação de princípios contraditórios na mesma pessoa é absoluta e naturalmente humano – levar ambos unidos no mesmo ser.

La rauxa sem il seny pode provocar impulsividade irrefletida. Também, il seny sem la rauxa resta falso, desvirtuado, sem força.

O futebol brasileiro, que nesse momento, parece um amante desiludo em busca do seu grande amor, necessita que la rauxa aflore e provoque na sua alma a reação necessária para voltar a figurar na vanguarda do cenário mundial.

Como, nas palavras do inspirado e inspirador Dalí, como se estivesse dialogando com sua musa e esposa, Gala: “Você tem que criar a confusão sistematicamente, isso liberta a criatividade. Tudo o que é contraditório cria vida”.

O momento é favorável para ajustes gerais na gestão do futebol do país.

O Brasil, aos olhos do mundo, é a bola da vez.

Mas no futebol, ainda não. Ou, não mais.

Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br
 

Categorias
Sem categoria

O tiro de meta dentro do Modelo de Jogo

Nesta coluna abordarei o tiro de meta, que como todos sabemos faz parte do momento do jogo referente às bolas paradas.

O tiro de meta se configura como o momento em que o goleiro ou outro jogador repõe a bola em jogo a partir da pequena área. Por conta do local onde esse lance ocorre, entre outras coisas, em algumas equipes o mesmo é negligenciado do ponto de vista organizacional e estratégico. Ou seja, dentro da organização de bolas paradas ofensivas o tiro de meta eventualmente fica de fora.

O que vemos, então, é simplesmente um chutão para frente e logo após uma “briga” pela primeira e segunda bolas.

Algumas vezes isso dá certo, outras não, e as circunstâncias “ocorrem por acaso” (Não!).

Nesse ponto, alguns vão pensar: “Vamos sair jogando, então!”

Calma!

Contemplar ou não esse lance específico de bola parada não passa por sair jogando curto ou optar por um jogo longo, e sim por traçar conteúdos e conceitos que norteiem a ação dos jogadores dando ferramentas para que eles se sobressaiam ao sistema adversário.

Há inúmeras formas de fazer isso e nesse tipo de lance as equipes partem da organização, em que os jogadores iniciam a jogada em um posicionamento conhecido, dentre outras coisas.

Vou discutir aqui uma das possibilidades de saída de jogo a partir do tiro de meta. Em seguida, algumas atividades serão expostas e vamos discutir o desenvolvimento do conceito.

Vamos definir, então, como nossa equipe hipotética se comportará dentro desse momento.

Optaremos por um jogo de progressão apoiada a partir do tiro de meta, no qual a mobilidade será primordial desde o início da jogada. Como a equipe estará organizada, poderemos traçar algumas metas de ocupação de espaço.

Vejam que nesse momento é importante que haja troca de posições a fim de dificultar a marcação adversária. Claro que se o adversário estiver marcando meio campo, isso se torna desnecessário, mas para fins didáticos estamos partindo do pressuposto que o adversário marcará pressão na saída.

Sendo a mobilidade bem feita, é esperado que haja apoios para o goleiro que fará a reposição – é importante destacar que um passe para um jogador que está à frente da área e de costas para o gol adversário não é muito vantajoso; logo, os passes para as laterais do campo podem ser uma melhor opção, mas tudo isso é circunstancial.

Após a reposição ser feita, o objetivo passa ser progredir no campo de jogo com linhas de passe para frente, com um campo grande e com coberturas adequadas ao portador da bola.

Neste exemplo, o esquema tático utilizado será o 1-4-3-3. Veja no vídeo abaixo o modelo hipotético dentro desse momento do jogo.
 


 

Definido tudo isso, é hora pegar os cones e ir a campo!

Abaixo, apresento duas atividades para o desenvolvimento dos conceitos apresentados acima.

Atividade 1

Descrição
– Atividade de 8 X 7 + G, defesa contra ataque. Sempre que a bola sair do campo e for da equipe que defende, a reposição é feita a partir do tiro de meta. O objetivo da defesa é passar com a bola dominada na linha do meio campo. Isso forçará a mesma a progredir no campo de jogo desde o tiro de meta sob muita pressão.

Regras e Pontuação

Ataque
– 3 pontos se a equipe fizer o gol
-1 ponto se a equipe recuperar a bola antes de a equipe adversária trocar cinco passes
Defesa
– 2 pontos se a equipe passar com a bola dominada na linha do meio campo

Atividade 2

Descrição
– Atividade de 11 X 11, jogo formal com regras que potencializarão as situações de tiro de meta. Sempre que a bola sair em lateral no campo de defesa, a reposição é feita a partir do tiro de meta, preferencialmente de forma rápida, pois haverá um goleiro fora com bola que fará essa reposição. Equipes pontuam quando ultrapassarem a linha intermediária ofensiva em jogadas iniciadas em tiro de meta e quando fizerem o gol.

Regras e Pontuação
– 1 ponto quando a equipe ultrapassar a linha tracejada com a bola dominada em jogadas iniciadas em tiro de meta.
– 2 pontos quando a equipe fizer o gol.
– 5 pontos quando a equipe fizer o gol com jogadas iniciadas em tiro de meta.

Até a próxima!

Para interagir com o colunista: bruno@universidadedofutebol.com.br
 

Categorias
Sem categoria

Princípios de jogo defensivos e os problemas que podem terminar em gols

Ao assistir a uma partida de futebol por alguns minutos, é possível observar uma repetição de comportamentos nos quatro momentos do jogo que, numa análise mais ou menos complexa, permite identificar quais são as características de cada equipe e o quão elaborado é a manifestação dos seus princípios de jogo.

Aplicar um jogar elaborado no que tange a referência operacional de proteção do alvo compreende manifestar no nível individual e coletivo alguns elementos que são fundamentais para o sucesso defensivo.

Entre estes elementos, que podem ser facilmente observados em equipes de alto nível do futebol mundial, destacam-se: a ocupação de setores importantes, próximos à zona de risco, entre bola e alvo; a presença de comportamentos táticos coletivos comuns (flutuação, equilíbrio, retardamento, compactação, recomposição, etc.); a redução em espaço e tempo da ação do adversário e a ação individual a partir de todas as referências do jogo (bola, adversários, companheiros e alvo).

Estes elementos, se reproduzidos nas inúmeras situações imprevisíveis que acontecem num jogo de futebol, possibilitam que todos os atletas tenham a mesma resposta (e não a mesma ação) durante os 90 minutos. Uma utopia (e um sonho) para qualquer treinador!

Nos quatro últimos jogos da Copa SP, o Corinthians teve como adversários Primeira Camisa-SP, América-MG, Atlético-PR e Fluminense-RJ. Algumas imagens de cada uma destas equipes, relacionadas à proteção do alvo, foram editadas para a discussão referente ao tema desta semana.

Como sugestão, aconselho acompanhar cada lance com o seu respectivo comentário para maior compreensão didática do vídeo.
 


 

Abaixo, os problemas defensivos que de alguma forma influenciaram o placar final de cada um dos confrontos:

1-Jogador como única referência de marcação e setores importantes vulneráveis (00:03 a 00:06);

2-Volante do 1x4x1x4x1 com referência individual de marcação e consequente má ocupação da zona de risco (00:11 a 00:15);

3- Linha defensiva bem postada, porém, combate à bola da linha de meias em detrimento à proteção da zona de risco e lentidão na recomposição (00:19 a 00:22);

4-Excessiva lentidão para ação de comportamentos táticos coletivos, referência de marcação individual e setores importantes vulneráveis (00:33 a 00:37);

5-Ineficiente ação de retardamento, combate à bola em detrimento a proteção do alvo (00:43 a 1:02);

6-Plataforma de Jogo do América-MG 1x4x2x3x1

7-Uma das únicas equipes que tentou sair jogando em toda competição. Infelizmente, a Lógica do Jogo não “perdoa” (01:12 a 01:20); (obs: que o treinador assim mantenha suas equipes)

8-Escanteio a favor do Corinthians. Quatro jogadores na linha da marca penal e ataque à bola após cobrança aberta (1:23 a 1:26);

9-Comportamento coletivo distinto, perda da linha defensiva e setor importante vulnerável (1:29 a 1:41);

10-Escanteio a favor do Corinthians. Quatro jogadores na linha da marca penal e um na pequena área. Ataque à bola após cobrança aberta (1:43 a 1:46);

11-Mau equilíbrio da linha de defensores e meias. Setor importante vulnerável. (1:49 a 1:59);

12-Linha defensiva com comportamentos coletivos não comuns, setor importante vulnerável, referência individual de marcação (2:04 a 2:14);

13-Escanteio a favor do Corinthians. Fluminense marca como está indicado no vídeo (2:21 a 2:25);

14-Escanteio a favor do Corinthians. Fluminense repete a forma de marcação (2:26 a 2:31);

15-Escanteio a favor do Corinthians. Fluminense repete a forma de marcação (2:32 a 2:36);

16-Escanteio a favor do Corinthians. Fluminense repete a forma de marcação. Por optar pela marcação individual, o atleta que marca Antônio Carlos não reage à mudança de direção e é ineficaz na marcação (2:42 a 2:51);

Termino o texto deixando uma pergunta: face aos inúmeros recursos ofensivos que o Corinthians demonstrou (bolas paradas, jogadas individuais, movimentações, ataque pelas laterais, pelo corredor central, transição rápida, finalizações de fora da área) e as dificuldades circunstanciais identificadas de cada um dos adversários, o que (e como) treinar para melhorar?

Aguardo sugestões!

Para interagir com o colunista: eduardo@universidadedofutebol.com.br
 

Categorias
Sem categoria

O futebol da terra do Tio Sam

No próximo domingo será realizado o Super Bowl XLVI, grande final da Liga de Futebol Americano dos EUA, a NFL, que reunirá em Indianápolis o New York Giants e o New England Patriots. 

O Super Bowl, mais que um evento esportivo, é um grande negócio que atrai milhares de anunciantes e corresponde à grande final da liga NFL disputada entre os campeões das Ligas AFC e NFC em uma cidade sede pré-definida. 

É o jogo de campeonato mais assistido do mundo, sendo transmitido ao vivo para 180 países. Ademais, tem uma audiência anual de quase metade dos lares com TV americanos, sendo que as 15 maiores audiências da história da televisão americana foram em jogos de Super Bowl. 

Desde os anos 1990, quando ultrapassou o beisebol, o futebol americano é o esporte mais popular nos Estado Unidos, onde é conhecido como “football”. A referida denominação se dá ao fato de o futebol e o rugby terem sido introduzidos praticamente na mesma época no Estados Unidos. 

O jogo é tático e estratégico com 22 jogadores dentro de campo ao mesmo tempo (11 por equipe), cada um com uma tarefa atribuída para a jogada.

O objetivo do jogo é somar mais pontos. A principal jogada é entrar na área ao fundo do campo adversário (endzone) com a posse da bola (touchdown), ganhando seis pontos e direito a pontapé livre a gol por mais um ponto extra, ou dois pontos extras – se os jogadores tentarem, ao invés de um pontapé livre ao gol, um passe ou uma corrida. 

Há, ainda, uma situação onde um jogador com posse de bola é derrubado por um adversário em sua própria (endzone). Tal situação confere dois pontos à equipe do jogador que derrubou o adversário. É a única situação onde um time sem a posse de bola pode pontuar. Algo como um gol contra.

O jogo tem a duração de 60 minutos, e é dividido em dois tempos e cada metade consiste de dois quartos com a duração de 15 minutos. Se um jogo estiver empatado ao fim do tempo regulamentar, joga-se um prolongamento. Os prolongamentos obedecem ao método de “morte súbita”, o que significa que a equipe que pontuar primeiro, vence.

A partida inicia-se com um chute inicial (kickoff, em inglês) que também é usado para reiniciar o jogo depois de cada field goal ou uma tentativa de conversão depois de um touchdown

As jogadas são denominadas “escaramuças” (scrimmage) e este é um de uma série de downs atribuída à equipe que detém a posse da bola. 

Cada equipe tem quatro downs (tentativas) para tentar ganhar 10 jardas. A linha que uma equipe deve atingir para ganhar um primeiro down é chamada linha a conquistar. À equipe com posse de bola chamada-se equipe ofensiva e à outra, equipe defensiva.

Cada down é uma jogada de scrimmage. Antes de cada jogada de scrimmage, as duas equipas alinham-se em lados opostos de uma linha de scrimmage, que é determinada pelo ponto onde a bola ficou na jogada anterior. 

Um down, ou jogada de scrimmage, começa com um snap e termina quando a bola fica morta por qualquer razão. Um snap é uma entrega entre as pernas do central ao quarterback, ou um passe entre as pernas do central ao quarterback ou possivelmente a outro jogador como um punter ou um transportador para uma tentativa de field goal (gol de campo). 

A bola é considerada morta, terminando o down, porque um jogador na sua posse é empurrado, ou porque o seu progresso é parado, ou porque sai dos limites do campo, ou porque um passe em frente fica incompleto.

Para avançar a bola mantendo a sua posse a equipe pode correr com a bola (o quarterback, que é o jogador que geralmente fica com a bola depois do snap, pode correr com ela ou, o que é mais frequente, entregá-la ou fazer um passe curto para um running back, que se transforma no transportador de bola. A maior parte dos outros jogadores de ataque têm tarefas de bloqueio) ou por meio de um passe em frente que só pode ser feito numa jogada de scrimmage e de uma posição atrás da linha de scrimmage

Um passe incompleto é um passe em frente em que a bola bate no chão ou sai do terreno de jogo, caso em que no ponto em que o passe termina a bola fica morta e é posta na linha de escaramuça anterior para a jogada seguinte. Interceptação é um passe que é apanhado pela defesa, o que transfere a posse de bola para a equipe defensiva, que pode correr com a bola.

Não há muita divulgação no Brasil, mas, desde 1998 existe uma Federação internacional (IFAF) com 45 associados e que organiza desde 1999, a cada quatro anos, uma Copa do Mundo de Futebol Americano. Os Estados Unidos enviaram equipe amadora (sem as estrelas da NFL) para as duas últimas edições, tendo se sagrado campeão em ambas, sendo que a última edição foi organizada na Áustria em 2011.

Apesar de nunca ter participado de um Mundial, o Brasil possui uma Associação de Futebol Americano participante da IFAF e, desde 2010, há também uma Liga composta por 12 equipes divididas em duas conferências, sendo a final realizada em partida única na casa da melhor equipe da temporada regular entre os campeões de cada conferência.

Esta partida é denominada “Brasil Bowl” e a sua última edição (a segunda) foi realizada no estádio Couto Pereira em Curitiba e reuniu o Coritiba (campeão da Conferência Sul) e o Fluminense (campeão da Conferência Norte). Nesta partida, a equipe paranaense sagrou-se campeã.

Apesar da complexidade das regras, o futebol americano tem passado por uma importante ascensão mundial com reflexos, inclusive no Brasil (este ano, a seleção brasileira disputou sua primeira partida em casa). Portanto, vale a pena ficar ligado no esporte, pois há muito que evoluir.

Para interagir com o autor: gustavo@universidadedofutebol.com.br
 

Categorias
Sem categoria

A proximidade do torcedor com o campo e o comportamento da torcida em Copa do Mundo

Quem nunca frequentou uma Copa do Mundo talvez não tenha reparado na diferença de comportamento da torcida. Fora do Brasil, em muitos países (até mesmo alguns com grande tradição no futebol), é comum assistir sentado às partidas.

Em Copas, por haver muitas nacionalidades presentes nos estádios, isso acaba gerando alguns conflitos, embora não seja comum acontecer brigas ou grandes discussões, muito menos vandalismo. No entanto, o Brasil é um público legitimamente fanático, assistindo em pé e muitas vezes destruindo cadeiras e arquibancadas, permanecendo muitas vezes em cima dos assentos.

Mesmo sendo no Brasil, a Copa do Mundo deveria prezar por um comportamento mais adequado. Jamais deixará de ser brasileiro por adotar a educação e bons hábitos na praça esportiva.

No entanto, entra aí a questão das barreiras físicas entre campo e arquibancadas. A maioria das modernizações de estádio no mundo preza a eliminação de barreiras físicas e visuais, com a função de aproximar o público do evento.

Saem, então, os fossos com aspecto medieval, cheio de armadilhas, como espetos, arames farpados e alturas relativamente grandes, e entram uns mais discretos, onde há um desnível relativamente pequeno, criando corredor entre o campo e a arquibancada, onde ficam posicionados os seguranças e mantendo a mesma cota entre dos degraus mais baixos e o campo de jogo.

 

Mas essa solução gera alguns problemas, pois é contraditória. Para a segurança da partida, são posicionados seguranças no novo ‘fosso’ e alguns também nos níveis mais baixos, criando uma barreira móvel para o torcedor.

Além disso, as próprias placas de publicidade ao redor do campo geram uma nova barreira, pois não deixam que o público veja os limites com campo, perdendo saídas de bola. Inutilizando, assim, as primeiras fileiras das laterais.

Nas arquibancadas atrás do gol é pior ainda, pois a barreira imensa de fotógrafos não permite a visibilidade do campo como um todo.

Acima, a solução escolhida para o Soccer City, em Johannesburg, na Copa de 2010 e em treinamento com a segurança contratada para auxilío de invasores. Gradil no limite da arquibancada com portões que abrem contra o público, suportes metálicos esgastados para evitar o acesso direto ao fosso e seguranças nos dois níveis.

De fato, a proximidade buscada nem sempre consegue seu objetivo. Um estudo muito cauteloso deve ser feito para achar um ponto adequado para a cota mais baixa das arquibancadas e as barreiras da Copa e dos jogos nacionais – que tem alturas bem diferentes.

Nenhuma campanha começou de fato a conscientizar o brasileiro para os bons modos e é um risco manter esse tipo de solução. Inicialmente, seria muito adequado manter uma barreira translúcida (a Fifa especifica uma material como sugestão em seu manual de requerimentos) a fim de ganhar tempo para o país se adequar a esses “novos” comportamentos, pois o brasileiro não está preparado…

Para interagir com o autor: lilian@universidadedofutebol.com.br
 

Categorias
Sem categoria

Transferências

Assistimos nesta terça-feira ao fechamento da janela de transferências de jogadores na Europa. Nada de especial, como era de se esperar. A época da janela também não tem lá muita expectativa, servindo apenas para a reposição de peças no elenco que deveria ter sido formado no meio do ano passado, ou seja, início da temporada europeia.

Atenção apenas para a Itália, que pareceu apostar em contratações duvidosas, quase que uma ação desesperada de soluções para dar resposta à torcida, ou de se comportar como um mercado emergente, servindo como ponte para jogadores mais jovens chegarem no mercado europeu para uma futura revenda – algo muito semelhante a que Portugal e alguns países do Leste Europeu fizeram até pouco tempo atrás.

O retrato é, em suma, um aparente declínio de um mercado que era protagonista para um cenário de mercado “marginal”, fruto de uma série de mas escolhas em termos de gestão dos clubes e da própria liga italiana como um todo.

O alerta serve para o Brasil, em um momento quase que unânime de euforia exagerada por parte dos clubes. Vale lembrar que a construção, visão de longo prazo e pensamento único dos clubes para formar uma competição interna rentável está bem longe de se concretizar.

E as notícias do início de 2012 vindo dos principais clubes de futebol são preocupantes. Clube campeão de Copa do Brasil com salários atrasados. Craque contratado a peso de ouro que não é pago, não se sabe nem quem vai pagar. Dirigente a declarar que jogador ganha muito e, portanto, pode suportar salários atrasados… e por aí vai.

Se trocássemos o ano de 2012 por 1992, não acredito que as notícias seriam lá muito diferentes…

Será que realmente estamos vivenciando um período de evolução?

Para interagir com o autor: geraldo@universidadedofutebol.com.br
 

Categorias
Sem categoria

Linha de defesa: jogar em linha ou com sobra?

Tenho participado de discussões muito interessantes nesse pequeno período pós- confronto entre FC Barcelona e Santos, pela partida final do Mundial Fifa de Clubes de 2011. Estive em dois mini-fóruns e tenho mais dois agendados – e o tema ainda diz respeito a construção do jogar da equipe catalã.

Então, pretendo, a partir de abril, produzir um material a respeito destes debates e publicar aqui na Universidade do Futebol.

Por ora, ainda que o assunto “FC Barcelona” me tente a escrever (já!), vou me concentrar em outros temas que também têm gerado debates com colegas do Café dos Notáveis.

Hoje, vou, então, através de uma “vídeo coluna tática”, falar a respeito da linha de defesa das equipes em geral – mais especificamente do seu posicionamento típico – quando elas (as equipes) estão de posse da bola, já no seu campo de ataque.

Tentarei dar uma ideia básica e geral sobre o posicionamento em linha, dos jogadores de defesa, sem que haja sobra em profundidade (comumente observado nas equipes europeias) e o posicionamento da defesa, com sobra em profundidade (comumente observado nas equipes no Brasil).

Antes, porém, meus agradecimentos ao César e ao Feco (analistas de desempenho) e ao Marcelo e ao Gustavo (futuros adversários pelos campos de jogo) pelo empenho e dedicação gratuitos (mas de muito valor para mim)!

Vamos à coluna…
 

 

Para interagir com o autor: rodrigo@universidadedofutebol.com.br