Espanha e Argentina disputarão a final da Copa do Mundo. Naturalmente, grande parte das análises estará voltada para os modelos de jogo, as estratégias dos treinadores e o talento individual dos atletas. Entretanto, talvez a partida também ofereça uma oportunidade para observar um aspecto menos evidente do jogo: como jogadores e equipes tomam decisões diante de um ambiente em permanente transformação.
Essa discussão não surge por acaso. Ao longo dos últimos meses, esta coluna percorreu temas aparentemente distintos — da relação entre treinador e jogador ao estado de Flow observado em Messi. Embora diferentes entre si, todos esses textos dialogam com uma mesma questão: como o contexto influencia a qualidade das decisões tomadas durante o jogo?
No artigo sobre treinadorcentrismo, argumentamos que o treinador exerce papel fundamental na construção de um contexto favorável ao desempenho coletivo, mas que o jogo, por sua natureza dinâmica, produz situações que escapam ao planejamento. Nenhum modelo consegue antecipar integralmente as possibilidades que surgem durante uma partida. Os princípios de jogo orientam comportamentos, mas não eliminam a necessidade de adaptação constante às demandas que emergem do próprio jogo.
Essa perspectiva dialoga com as contribuições de Herbert Simon, que compreende a tomada de decisão como um processo condicionado pelas limitações de tempo, informação e capacidade cognitiva. Em outras palavras, decidimos com os recursos disponíveis e não em condições ideais. No futebol, em que o contexto se modifica a todo instante, essa ideia ajuda a compreender por que adaptar-se rapidamente ao ambiente pode ser tão importante quanto executar corretamente um gesto técnico.
Essa reflexão ganha ainda mais relevância em uma final de Copa do Mundo. Em jogos desse nível, os modelos já são amplamente conhecidos, os adversários foram profundamente estudados e as diferenças estruturais tendem a diminuir. O desafio passa a ser, cada vez mais, reconhecer os problemas que surgem ao longo da partida e responder a eles de maneira eficiente.
Foi justamente nessa direção que o texto sobre Flow procurou caminhar. Ao discutir o desempenho de Messi, a intenção não era apenas destacar sua qualidade técnica, mas refletir sobre como determinados atletas conseguem manter a qualidade de suas decisões mesmo em cenários de elevada pressão. Em um jogo marcado pela escassez de tempo e espaço, perceber, interpretar e agir no momento adequado pode representar uma vantagem decisiva.
Talvez essas duas discussões não sejam independentes. Se o treinador organiza o contexto e o jogador responde aos problemas que esse contexto produz, então o desempenho coletivo depende, em grande medida, da capacidade dos atletas de perceber, interpretar e decidir diante das inúmeras situações que emergem durante o jogo.
Sob essa perspectiva, a final entre Espanha e Argentina pode ser observada para além das disputas táticas ou dos confrontos individuais. Ela representa um ambiente de elevada complexidade, no qual pressão, fadiga, qualidade do adversário e constante transformação do contexto exigem processos contínuos de adaptação. Mais do que identificar qual equipe conseguirá impor seu modelo de jogo, talvez seja interessante observar como jogadores e equipes respondem aos problemas inesperados que inevitavelmente surgirão ao longo da partida.
Independentemente de quem conquiste o título, a final entre Espanha e Argentina oferece uma oportunidade para observar o futebol por uma perspectiva diferente. Mais do que identificar qual modelo de jogo prevalecerá ou quais atletas decidirão a partida, talvez valha a pena acompanhar como jogadores e equipes percebem os problemas que o jogo apresenta, constroem soluções e se adaptam às mudanças do contexto. Afinal, compreender o futebol também passa por compreender como decisões são tomadas em ambientes complexos — e poucas competições oferecem um laboratório tão rico para essa observação quanto uma Copa do Mundo.
Nicolau Trevisani Frotaatua como Scout para América do Sul no FC Dallas (MLS) e North Texas SC. É graduado em Psicologia, com pós-graduação em Gestão de Pessoas e em Metodologia do Treinamento no Futebol. Possui experiência em scouting, análise de desempenho e identificação de talentos, com atuação prévia no São Paulo FC, da base ao profissional.. Linkedin: https://www.linkedin.com/in/nicolau-trevisani-frota-67609b1b0/
A devolução dos relógios pela seleção mexicana expõe o valor econômico da integridade e explica por que governança e compliance viraram condição de sobrevivência do futebol-empresa.
Conta-se que, em 62 a.C., Pompeia Sula, esposa de Júlio César, viu-se envolvida em escândalo quando o político Públio Clódio, disfarçado de mulher, invadiu a cerimônia da Bona Dea, ritual religioso exclusivamente feminino do qual ela era anfitriã. Nada se provou contra Pompeia. César, ainda assim, divorciou-se, ao argumento de que sua esposa deveria estar acima de qualquer suspeita. Nasceu ali a máxima segundo a qual à mulher de César não basta ser honesta; é preciso parecer honesta.
Despida do contexto moral de sua origem, felizmente superado, a fórmula romana traduz com precisão a premissa central de qualquer programa de integridade: a confiança depende não apenas da integridade, mas da percepção de integridade. O episódio recentemente protagonizado pela seleção mexicana na Copa do Mundo demonstra que a lição, passados mais de dois mil anos, segue atual e cara, no sentido mais literal do adjetivo.
O caso mexicano e a anatomia do risco reputacional
Com efeito, jogadores e integrantes da comissão técnica receberam relógios da marca Rolex, avaliados, em conjunto, em cerca de US$ 1 milhão, presenteados por um influenciador norte-americano que declarou ter obtido lucro milionário apostando na vitória da equipe sobre o Equador. As imagens do encontro, registradas na própria concentração da delegação, mostravam atletas sorridentes escolhendo seus exemplares. Vale frisar que não há, ao que se sabe, qualquer evidência de envolvimento dos atletas ou da comissão técnica com a aposta. Ainda assim, a repercussão reforçou a percepção de proximidade entre as partes e ampliou os riscos éticos, regulatórios, contratuais e reputacionais da situação.
O Código de Ética da FIFA não se ocupa apenas dos conflitos de interesses reais, mas também das situações capazes de criar a aparência de conflito ou de comprometer a confiança na integridade da competição (art. 20). Por isso, o art. 21 admite a aceitação de presentes somente quando possuam valor simbólico ou trivial e não gerem vantagem indevida nem conflito de interesses, sendo categórico ao dispor que, na dúvida, o presente não deve ser aceito. As sanções incluem multa, suspensão de atividades ligadas ao futebol por até cinco anos e, quando cabível, a devolução do benefício recebido.
Havia, ainda, camada adicional de risco, de natureza tipicamente contratual. Desde outubro de 2025, a federação mexicana mantém parceria comercial com a Hublot, concorrente direta da Rolex, que promovia ativações vinculadas à seleção, inclusive com a divulgação de que o treinador utilizaria um modelo da marca em todas as partidas oficiais do Mundial. A aceitação de produtos do concorrente poderia caracterizar, em tese, descumprimento de obrigações de exclusividade e de proteção da marca, com consequências financeiras e comerciais perante um dos patrocinadores oficiais.
Sopesados os riscos, a federação adotou postura de autorremediação (self-remediation) e determinou a devolução espontânea dos relógios antes da instauração de qualquer procedimento. Foi um gol importante do compliance, ainda que marcado aos quarenta e cinco minutos do segundo tempo. Programas maduros não se revelam apenas pela prevenção, mas pela capacidade de detectar o risco e remediá-lo com rapidez, preservando, a um só tempo, a integridade institucional e a relação com reguladores e patrocinadores.
A integridade como ativo: A leitura econômica
O que o caso ensina aos clubes brasileiros ultrapassa a etiqueta dos presentes. Sob a ótica da análise econômica do Direito, o futebol vende um produto singular, cuja essência é a incerteza do resultado. Toda a cadeia de valor do espetáculo, dos direitos de transmissão à bilheteria, repousa sobre a premissa de que a disputa é autêntica. Qualquer dúvida sobre a lisura da competição não deprecia um ativo acessório: corrói o próprio produto.
A confiança, nesse mercado, cumpre função redutora de custos de transação, na clássica formulação de Coase. Patrocinadores, emissoras e investidores contratam com clubes porque presumem íntegro o ambiente; quando a presunção falha, exigem garantias adicionais, encurtam prazos, precificam o risco ou simplesmente se retiram. A reputação opera como ativo intangível cuja depreciação é abrupta e cuja reconstrução é lenta e onerosa. E, como o mercado decide com informação incompleta, a aparência é a informação disponível: o patrocinador não audita a consciência do atleta, lê os sinais que a instituição emite.
A racionalidade do infrator também comporta leitura econômica. Desde Becker, sabe-se que o agente pondera o benefício esperado do ilícito contra a probabilidade de detecção multiplicada pela magnitude da sanção. Programas de integridade efetivos atuam exatamente sobre essas variáveis: elevam a probabilidade de detecção por meio de controles internos e canais de denúncia e tornam a resposta institucional célere e crível. Ao mesmo tempo, um programa robusto funciona como sinalização custosa ao mercado, no sentido de Spence, pois somente quem de fato investe em integridade consegue sustentá-la ao longo do tempo, o que separa o clube confiável do discurso vazio.
O arcabouço normativo e o preço do descumprimento
O ordenamento brasileiro caminhou nessa direção. A lei da SAF6 inaugurou tipo societário próprio para o futebol-empresa e a lei Geral do Esporte elevou a integridade a princípio estruturante da exploração da atividade esportiva. A regulamentação das apostas de quota fixa vedou ao controlador de operadora a participação, direta ou indireta, em SAF, prevenindo o conflito estrutural entre quem organiza o jogo e quem lucra com o palpite. E a recente lei 15.427/26,9 primeira revisão estrutural do regime das SAFs, converteu recomendações de governança em requisitos legais: conselheiros independentes na administração e no conselho fiscal, publicidade da composição acionária até o beneficiário final e representante no País para administradores domiciliados no exterior.
A reforma foi além e atribuiu preço explícito à má gestão. A responsabilidade subsidiária da SAF pelas execuções não satisfeitas no Regime Centralizado de Execuções (art. 24) e o condicionamento do regime tributário específico à manutenção de programa de desenvolvimento educacional e social (art. 28) demonstram que o legislador aprendeu a falar a língua dos incentivos. Governança deixou de ser ornamento institucional e passou a ser variável que altera o fluxo de caixa e, por consequência, o próprio valuation da companhia.
As medidas desejáveis: o que um clube profissional não pode dispensar
Se a percepção de integridade é ativo, cumpre administrá-la com método. A experiência regulatória, os parâmetros do decreto 11.129/22,10 o código de melhores práticas do IBGC11 e as normas técnicas de sistemas de gestão de compliance, como a ISO 37301, oferecem roteiro seguro, que passa por medidas de baixa complexidade e alto impacto.
Uma política de brindes, presentes e hospitalidades, com limites objetivos de valor, registro centralizado e regra clara de recusa, teria resolvido o caso mexicano antes da primeira fotografia.
Da mesma forma, uma política de conflito de interesses, com declarações periódicas de dirigentes, atletas e comissão técnica, fornece parâmetros objetivos para identificar situações que, mesmo sem qualquer irregularidade comprovada, possam comprometer a percepção de independência e integridade.
A esse núcleo devem somar-se a diligência prévia de patrocinadores, intermediários e investidores, com atenção especial às cadeias societárias e ao risco de multipropriedade; o canal de denúncias independente, com proteção efetiva ao denunciante de boa-fé; o comitê de auditoria e conselheiros independentes que o sejam de fato, e não apenas no papel; o treinamento periódico de atletas e colaboradores em linguagem acessível e com exemplos práticos, porque o destinatário da norma é o jovem de vinte anos na concentração, não o parecerista; e a matriz de riscos própria do futebol, que contemple manipulação de resultados, apostas, transferências internacionais, direitos de imagem e a tutela de atletas em formação.
Cumpre reconhecer, em coerência com a premissa econômica deste artigo, que o compliance ótimo não é o compliance máximo. Estruturas desproporcionais ao porte do clube consomem recursos escassos sem ganho marginal de integridade e terminam abandonadas.
Um programa de compliance eficiente adota uma abordagem baseada em riscos (risk-based approach), calibrando os controles ao perfil de risco de cada agremiação, priorizando as áreas de maior exposição. O objetivo não é acumular normas, mas produzir comportamentos. Melhor uma política de presentes efetivamente cumprida do que um código de cem páginas solenemente ignorado.
Planejamento e o cálculo do investidor
Para as SAFs, tudo isso deságua no planejamento. O modo de constituição da sociedade, a estratégia de equacionamento do passivo, a estrutura de governança e a maturidade do programa de integridade deixaram de ser temas de bastidor para se tornarem determinantes do custo de capital. O investidor que examina um clube brasileiro precifica a contingência trabalhista, a exposição ao art. 24, a qualidade da informação contábil e, cada vez mais, o risco reputacional. Cada fragilidade de governança converte-se em desconto sobre o preço ou em garantia adicional exigida. Em sentido inverso, a governança sólida amplia o universo de patrocinadores dispostos a associar sua marca ao clube e reduz o prêmio de risco embutido em cada contrato. A doutrina mais recente acrescenta argumento decisivo: a proteção da business judgment rule pressupõe decisão informada, refletida e desinteressada, de modo que, sem processos de governança que documentem o caminho decisório, o administrador da SAF perde justamente o escudo que o regime societário lhe oferece.
Parece-nos que essa é a verdadeira revolução em curso no futebol brasileiro. Durante décadas, a gestão amadora foi, em certa medida, subsidiada pela paixão do torcedor, credor que jamais executa o seu crédito. O capital que agora ingressa no setor não tem a mesma complacência: exige previsibilidade, transparência e integridade, e as exige antecipadamente. O clube que tratar o compliance como despesa descobrirá, tarde demais, que se tratava de investimento com um dos maiores retornos disponíveis no setor.
Conclusão
O caso mexicano terminou bem porque alguém, ainda que provocado pelas circunstâncias, fez a conta certa: o valor dos relógios era irrisório diante do custo esperado das sanções, da crise com o patrocinador e da erosão da confiança. Afinal, é a confiança, e não os relógios, o ativo mais valioso que um clube pode preservar.
Essa é, justamente, a principal lição que a antiga máxima da mulher de César ainda oferece ao compliance contemporâneo: no futebol-empresa, ser íntegro é pressuposto; parecer íntegro é estratégia, e das mais rentáveis.
A pergunta que fica para dirigentes e investidores é simples: quanto custa, no seu clube, a dúvida?
O episódio foi amplamente noticiado pela imprensa internacional e brasileira. Cf. ESPN, Mexico squad return luxury watches gifted by influencer, julho de 2026; e Terra, Jogadores do México devolvem R$ 5 milhões em relógios a youtuber, julho de 2026.
FIFA. Código de Ética, edição 2023, artigos 20 e 21, disponível no repositório oficial da entidade (digitalhub.fifa.com). A norma prevê multa mínima de CHF 10.000 e suspensão de atividades relacionadas ao futebol de até dois anos, ampliável a cinco em casos graves ou de reincidência.
COASE, Ronald H. The problem of social cost. The Journal of Law and Economics, v. 3, 1960. Para o panorama atualizado da disciplina na literatura nacional, cf. PORTO, Antônio Maristrello; GAROUPA, Nuno. Curso de análise econômica do direito. 2ª ed. Barueri: Atlas, 2022.
BECKER, Gary S. Crime and punishment: an economic approach. Journal of Political Economy, v. 76, n. 2, 1968, reproduzido em Essays in the Economics of Crime and Punishment, de livre acesso no repositório do National Bureau of Economic Research (nber.org).
SPENCE, Michael. Job market signaling. The Quarterly Journal of Economics, v. 87, n. 3, 1973. Sobre a aplicação dos modelos de sinalização e de assimetria informacional ao direito privado, cf. PORTO; GAROUPA, ob. cit.
Lei nº 14.193, de 6 de agosto de 2021 (Lei da SAF).
Lei nº 14.597, de 14 de junho de 2023 (Lei Geral do Esporte), que veda, em seu art. 62, a participação de um mesmo investidor em mais de uma entidade que dispute a mesma competição.
Lei nº 14.790, de 29 de dezembro de 2023, que regulamenta as apostas de quota fixa.
Lei nº 15.427, de 3 de junho de 2026, que altera a Lei nº 14.193/2021. Sobre o tema, remeto o leitor a artigo anterior de minha autoria: Reforma da lei da SAF e novos limites da responsabilidade patrimonial. Migalhas, 17 de junho de 2026.
Decreto nº 11.129, de 11 de julho de 2022, que regulamenta a Lei nº 12.846/2013 e fixa, em seu art. 57, os parâmetros de avaliação dos programas de integridade. Cf., ainda, CGU. Programa de Integridade: Diretrizes para Empresas Privadas, volume II. Brasília, 2024, de livre acesso no portal da Controladoria-Geral da União.
IBGC. Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa. 6ª ed. São Paulo: IBGC, 2023, de livre acesso no Portal do Conhecimento do Instituto (conhecimento.ibgc.org.br).
VEIGA, Marcelo Godke; CASTRO, Rodrigo Rocha Monteiro de. A sociedade anônima do futebol e a business judgment rule. 2025. Disponível na base SSRN (papers.ssrn.com).
*David Figueiredo é Compliance Officer do Santos Futebol Clube, responsável pela coordenação do programa de compliance e fortalecimento de práticas de ética, integridade e transparência na gestão esportiva. Com experiência jurídica e foco em conformidade no futebol, atua também em iniciativas de fair play financeiro e governança institucional.. Linkedin: linkedin.com/in/figueiredodavid/
*Jonas Decorte Mestrando em Economia e Gestão do Esporte pelo IDP. LL.M. em Direito Empresarial pela FGV. Magna cum Laude em Direito pela UFRJ. Consultor Jurídico da Confederação Brasileira de Futebol e ex-vice-presidente do Botafogo FR SAF Linkedin: https://www.linkedin.com/in/jdecortemarmello/
Num país onde impera a crença “de que o talento brota”???, por que faz sentido investir em professores e/ou treinadores??? Pagamos salários absurdos para jogadores tecnicamente forjados pelo improviso, mas “analfabetos funcionais” de vida pelo improviso do “all in” na carreira. Largando estudo, formação ética e moral. Fechamos os olhos para uma educação integral. Sucateando carreiras improvisadas de treinadores/professores.
O jogador brasileiro sempre foi sinônimo de improviso. O mesmo improviso que potencializou o jogador brasileiro dentro de campo, é o mesmo improviso que enfraquece nossa cultura e formação de atletas, treinadores, gestores e executivos fora dele.
Nossa identidade nasceu da rua, do campo de terra, das quadras de futsal, da várzea, da solução criada no instante em que o problema aparece. É sobrevivência. Ginga, criatividade, malandragem, malemolência e o improviso sempre foi arte no pé do brasileiro.
O PARADOXO: o improviso que nos tornou geniais dentro das quatro linhas, nos tornou amadores fora delas. Transferimos para os nossos “escritórios” a lógica do drible de última hora. Gerimos o futebol como quem resolve a jogada no susto. Sem plano, sem processo, sem paciência, sem avaliar, sem refletir e sem estratégia. E o que encanta no atacante, envergonha no dirigente. O improviso!
BREVE EXEMPLO PARA VIZUALIZAÇÃO: O clube (da várzea à serie A) improvisa dinheiro (arruma dívidas) para pagar um alto salário para o 27º jogador de um elenco que ao final da temporada joga menos de 90min. Mas não investe em pessoas que qualificarão a formação dos jogadores. E por que isso acontece?
SOMOS A PREMIER LEAGUE DA AMÉRICA DO SUL: E há uma vítima silenciosa nessa lógica: a formação de atletas. Em 2025, mais de mil jogadores brasileiros foram negociados para o exterior (recorde histórico). Enquanto a Série A de 2026 registra o maior número de estrangeiros de sua história. Exportamos atletas ainda em desenvolvimento para pagar caro em estrangeiros de nível próximo. Nossos garotos partem aos 17, 18 anos, antes de completarem o próprio desenvolvimento.
O problema não é vender. É vender antes de formar. O clube brasileiro, sufocado por dívidas, transformou a base em caixa de emergência. O(a) menino(a) vira ativo financeiro antes de virar atleta. Não há projeto de formação integral que sobreviva quando a pressa do balanço patrimonial atropela o tempo de desenvolvimento humano. Formamos pés habilidosos e biografias incompletas.
É preciso ter clareza que o improviso não é o vilão. Ele é patrimônio cultural. É a assinatura do futebol brasileiro, e deve ser protegido NO CAMPO. O que precisa morrer é o improviso como modelo de gestão: o calendário remendado, o técnico da vez, o presidente da crise, a base tratada como vitrine de leilão. Criatividade sem estrutura é desperdício; estrutura sem criatividade é tédio. Precisamos das duas.
INICIAÇÃO ESPORTIVA (dos 5 aos 10 anos): precisamos URGENTE (sem improviso) criar diretrizes claras para a fase da iniciação. Se sabemos que não há mais rua, terra, ambientes para improvisos, como estamos formando, desenvolvendo e potencializando nossos talentos nessa faixa etária? Hoje infelizmente improvisamos qualquer treino ou torneio para ver se “brota alguém”.
REVOLUÇÃO DIGITAL: No mundo VUCA/BANI vivemos a ERA DA INFORMAÇÃO. Por isso estamos vendo um nivelamento das seleções. O que Guardiola e Klopp faziam, em menos de 1 ano já estavam nos cadernos de cursos pelo mundo todo. É preciso investir na EDUCAÇÃO FORMAL de profissionais para que possam ser capazes de absorver licenças da CBF e Conmebol. Do contrário, continuarão com canudos e carteiras, mas improvisando treinos e jogos.
Talvez a lição de 2026 seja essa: o drible pertence ao pé, não à caneta. Enquanto planejarmos como quem improvisa e improvisarmos como quem desiste de planejar, seguiremos colecionando gênios individuais e fracassos coletivos. O “novo drible” do futebol brasileiro precisa acontecer nas salas de reunião com planejamentos de curto, médio e longo prazo.
O hexa não será conquistado por improvisos fora das 4 linhas. Mas pela nossa cultura/identidade de improvisar dentro delas.
Gabriel Bussinger Coordenador Técnico Geral no Vasco da Gama SAF | Instrutor Conmebol | Instrutor CBF | Mentor de Profissionais do Futebol | Idealizador do Podcast Diário do Treinador Linkedin:https://www.linkedin.com/in/gabriel-bussinger-66132370/
Durante a Copa do Mundo, duas falas de Lionel Scaloni me chamaram atenção. Ao comentar sobre Lionel Messi, o treinador argentino afirmou que o camisa 10 possui liberdade para interpretar o jogo da forma que considerar mais adequada e que cabe à equipe adaptar-se aos seus movimentos. Em outro momento, ao falar sobre sua utilização, reforçou uma ideia semelhante: quando um jogador dessa capacidade está em campo, o mais importante é potencializar aquilo que ele faz de melhor.
Naturalmente, estamos falando de Messi. Mas aquelas declarações me fizeram pensar em uma questão que talvez vá muito além de um jogador específico.
Quem deve ocupar o centro do processo no futebol: o treinador ou os jogadores?
Nos últimos anos, evoluímos muito na forma de compreender o jogo. Nunca estudamos tanto futebol. Modelos de jogo, princípios táticos, análise de desempenho, tecnologia e metodologias de treinamento elevaram significativamente o nível das discussões e contribuíram para a evolução do esporte.
Ao mesmo tempo, talvez esse avanço tenha produzido um efeito colateral.
Em alguns momentos, parece que passamos a acreditar que o treinador é capaz de controlar praticamente tudo o que acontece dentro de campo. Como se todas as decisões pudessem ser previstas, organizadas e treinadas antes mesmo de a bola rolar.
Particularmente, penso diferente.
Não porque o treinador seja menos importante. Pelo contrário. Talvez sua função nunca tenha sido tão relevante.
Ao estudar Lev Vygotsky, encontramos uma ideia interessante. Para ele, o papel do mediador não é oferecer respostas prontas, mas criar condições para que o outro desenvolva sua capacidade de interpretar situações e resolver problemas. Talvez possamos olhar para o treinador da mesma forma.
O treinador não joga. Quem percebe os espaços, interpreta os adversários, toma decisões e resolve os problemas que surgem durante a partida são os jogadores.
Talvez, por isso, sua principal função não seja controlar todas as ações da equipe, mas construir um contexto onde essas decisões possam acontecer da melhor forma possível.
É isso que, provisoriamente, tenho chamado de jogadorcentrismo.
Não se trata de defender um futebol sem organização ou sem modelo de jogo. Muito pelo contrário. Quanto melhor for o modelo de jogo, mais condições ele deve criar para que os jogadores expressem suas qualidades individuais em benefício do coletivo.
Talvez a principal função do treinador seja justamente construir um contexto no qual a equipe estabeleça relações de confiança, cooperação e entendimento mútuo, permitindo que cada jogador manifeste o melhor das suas características. Relações que não são apenas emocionais, mas também técnico-táticas, construídas diariamente por meio dos treinamentos, dos princípios compartilhados e da forma como os jogadores aprendem a jogar juntos, mas com a liberdade de tomar decisões e não caminhos prontos que o tornem apenas reprodutores de uma idéia do treinador.
Nesse sentido, a organização tática deixa de ser um fim em si mesma e passa a ser um instrumento para fortalecer essas relações. Quanto mais o modelo de jogo favorece a interação entre os jogadores, menos ele precisa substituir sua inteligência, criatividade e naturalidade por um excesso de orientações que, muitas vezes, pode limitar a confiança e a capacidade de adaptação da equipe durante a partida.
Foi exatamente isso que pensei ao ouvir Scaloni falar sobre Messi.
Não me parece que ele abriu mão da liderança ou da organização da equipe. A impressão é justamente a oposta. Ele construiu um contexto tão sólido que consegue oferecer liberdade ao seu principal jogador sem que a identidade coletiva seja perdida.
Talvez esse seja um caminho interessante para refletirmos sobre o futebol.
Em vez de buscarmos modelos que substituam a inteligência dos jogadores, talvez devêssemos construir modelos que potencializem essa inteligência por meio de relações cada vez mais fortes entre os atletas e suas relações socioafetivas.
Porque, no final das contas, o treinador prepara, organiza e conduz o processo.
Mas quem produz o jogo continuam sendo os jogadores.
Talvez o grande desafio do futebol moderno não seja formar treinadores capazes de controlar melhor o jogo, mas treinadores capazes de construir contextos onde suas equipes consigam jogar cada vez melhor.
Nicolau Trevisani Frotaatua como Scout para América do Sul no FC Dallas (MLS) e North Texas SC. É graduado em Psicologia, com pós-graduação em Gestão de Pessoas e em Metodologia do Treinamento no Futebol. Possui experiência em scouting, análise de desempenho e identificação de talentos, com atuação prévia no São Paulo FC, da base ao profissional.. Linkedin: https://www.linkedin.com/in/nicolau-trevisani-frota-67609b1b0/
Uma das características mais fascinantes do futebol é sua capacidade de produzir respostas para os próprios problemas que cria. Quando determinada forma de jogar passa a gerar vantagem de maneira consistente, o jogo tende a construir mecanismos para neutralizá-la. É justamente desse processo que surgem alguns dos principais movimentos de evolução tática observados ao longo da história.
Ao longo dos últimos anos, o futebol viveu um período de enorme valorização do jogo posicional. A ocupação racional dos espaços, a busca por superioridades e a organização estrutural das equipes trouxeram contribuições importantes para a evolução ofensiva do jogo.
A partir desses princípios, muitas equipes passaram a encontrar vantagens contra sistemas defensivos organizados predominantemente através da marcação por zona. Mas, como frequentemente acontece na evolução do futebol, o próprio jogo produziu respostas.
Uma das principais foi o crescimento dos encaixes individuais, das perseguições e das referências homem a homem em diferentes setores do campo. Ao reduzir tempo e espaço para a circulação, essas estruturas passaram a dificultar parte das vantagens tradicionalmente associadas ao jogo posicional.
E talvez seja justamente nesse ponto que a Copa do Mundo de 2026 esteja reforçando uma tendência interessante.
Mais do que uma oposição entre jogo posicional e jogo direto, o torneio parece evidenciar uma crescente valorização da profundidade, dos duelos e da capacidade de gerar vantagem em campo aberto.
Se as formas de defender mudam, as formas de gerar vantagem também mudam.
Nesse contexto, três formas de vantagem parecem ganhar importância: a vantagem cinética, a vantagem socioafetiva e a vantagem qualitativa.
A vantagem cinética está relacionada à capacidade de gerar superioridade através do movimento. A vantagem socioafetiva refere-se à capacidade que dois ou mais jogadores possuem de construir relações funcionais dentro do jogo. Já a vantagem qualitativa refere-se à capacidade de um atleta superar diretamente seu oponente através de sua qualidade técnica, física, cognitiva ou decisional.
Talvez essa seja uma das mensagens mais interessantes que a Copa do Mundo de 2026 esteja reforçando.
Ao longo dos últimos anos, o jogo posicional produziu enormes avanços na forma como as equipes ocupam espaços, constroem ataques e criam superioridades. Como resposta, observamos um crescimento progressivo das marcações individuais, dos encaixes e das perseguições como forma de reduzir parte dessas vantagens.
E toda mudança na forma de defender acaba produzindo mudanças na forma de atacar.
Nesse contexto, a exploração da profundidade, dos espaços amplos e das situações de campo aberto parece ganhar cada vez mais importância.
Quando a circulação encontra menos tempo e espaço para acontecer, passa a ser ainda mais valioso possuir jogadores capazes de acelerar ações, atacar espaços, produzir desequilíbrios e vencer confrontos diretos.
Sob essa perspectiva, a Copa do Mundo de 2026 parece reforçar uma tendência já observada em diferentes contextos competitivos: a geração de vantagem volta a depender, com maior frequência, da capacidade de explorar profundidade, acelerar relações, vencer confrontos individuais e transformar campo aberto em oportunidade.
Isso não significa que o jogo posicional tenha perdido validade ou deixado de ser uma ferramenta fundamental para a construção ofensiva das equipes. Muito pelo contrário.
O futebol parece viver mais um de seus movimentos de adaptação. Assim como o jogo posicional surgiu como uma resposta eficiente a determinados comportamentos defensivos, o crescimento dos encaixes individuais e das perseguições parece estar valorizando novamente mecanismos capazes de gerar vantagem em contextos de maior velocidade, maior exposição espacial e maior frequência de duelos.
Talvez não estejamos observando o abandono de uma forma de jogar, mas sim uma nova resposta tática dentro da evolução natural do jogo.
Mais do que discutir qual modelo é melhor, talvez o desafio seja compreender como o jogo continua produzindo respostas para os problemas que ele próprio cria.
Porque, no fim, a evolução do futebol talvez não aconteça pela substituição de ideias, mas pela constante adaptação entre formas de atacar, formas de defender e formas de gerar vantagem.
Nicolau Trevisani Frotaatua como Scout para América do Sul no FC Dallas (MLS) e North Texas SC. É graduado em Psicologia, com pós-graduação em Gestão de Pessoas e em Metodologia do Treinamento no Futebol. Possui experiência em scouting, análise de desempenho e identificação de talentos, com atuação prévia no São Paulo FC, da base ao profissional.. Linkedin: https://www.linkedin.com/in/nicolau-trevisani-frota-67609b1b0/
A famosa e clássica frase atribuída ao filósofo francês René Descartes, “penso, logo existo”, refere-se ao ato de questionar para se tomar consciência da própria existência e individualidade. Ou seja, o sujeito que questiona, duvida, afirma, nega, existe, imagina e sente… pensa. E se pensa, existe.
E como podemos nos apropriar da premissa de Descartes para compreendermos o processo de formação de um jogador de futebol inteligente, criativo e autônomo? Se pensar é ponto de partida para nos colocarmos no mundo, no futebol, quando a criança/jovem pensa, logo joga. Um atleta somente entra em “estado de jogo” se for capaz de tomar consciência das suas próprias decisões e resolver os “problemas do jogo” de modo autônomo e criativo.
Entretanto, o que frequentemente vemos nas escolas e categorias de base do futebol brasileiro é justamente o contrário. O jogador, tanto nos treinos quanto nos jogos, apenas executa ordens e comandos dos treinadores e atende, por vezes inconscientemente, aos desejos dos pais. Assim sendo, não é oportunizado à criança e ao jovem que praticam o futebol a possibilidade de pensarem sobre suas ações e decisões.
Para existir como indivíduo autônomo, ele precisa fazer escolhas, compreender o erro como parte da aprendizagem e realizar sua própria autoavaliação. No âmbito do jogo de futebol, precisa optar por quando, e de que forma, passar, finalizar, desarmar etc; para onde, e em que momento, se deslocar; por outro lado, o que vemos à beira dos campos de futebol é o treinador aos gritos mandando o jogador passar, chutar, se deslocar etc. É o treinador quem toma as decisões pelo jogador. Este, somente responde, executa, reage, obedece.
Quando o atleta não questiona, não escolhe e não reflete, ele não desenvolve sua autonomia, pois essa é sufocada pelos adultos. Então, a sua personalidade demora a se consolidar, afinal, existe apenas como uma extensão da vontade/desejo dos adultos. Antes de serem atletas, essas crianças e jovens são seres humanos. E aquilo que eles aprendem e desenvolvem no jogo, eles carregam para suas vidas fora dele. Ao não os deixar pensarem e agirem de modo autônomo e criativo, se tornarão sujeitos dependentes da orientação ou ordens do outro, inseguros, com medo de fazerem suas próprias escolhas e totalmente incapazes de liderar.
Quando alguém sempre diz ao outro o que ele precisa fazer ou como deve agir, quem deixa de existir?
A criança, que vê sua fase de descobertas, de imaginação e de criatividade se desfazendo para satisfazer desejos egocêntricos dos adultos, ou um futuro adulto autônomo que mal saberá o que fazer com a liberdade que nunca teve? Essa responsabilidade, que deveria ser o cerne da escolha, parece não existir, perpetuando um autoritarismo transformando o que deveria ser um laboratório, em um tribunal.
Nesse “tribunal esportivo” cotidiano, o próprio espaço do treino é esvaziado de seu potencial de aprendizagem. A rotina esportiva deixa de ser o palco da descoberta e passa a operar como uma engrenagem de manutenção de autoridades. Esse processo de domesticação começa muito antes do início da aula/treino ou do apito inicial e se estende muito após o término da atividade: manifesta-se nos pais que, no trajeto de ida e volta dentro do carro, antecipam e revisam ordens, ditando como o filho deve se postar e agir. Consolida-se, por sua vez, nos mediadores que — frequentemente destituídos da capacitação pedagógica adequada — utilizam os campos apenas para reproduzir seu status de detentores únicos do saber.
Ao negligenciar um ensino individualizado e personalizado, que dialogue com as singularidades e o tempo de maturação de cada criança, esses agentes impedem que a informação seja absorvida e ressignificada em aprendizado real. Sem o acolhimento didático que gera segurança e confiança, o jovem atleta é privado do suporte necessário para ousar. O resultado dentro das quatro linhas é o silenciamento da tomada de decisão: o jogador não joga; ele apenas reage, apavorado, aos ecos das vozes que o cercam fora delas.
Essa inércia em campo expõe as amarras invisíveis que prendem o jovem atleta na heteronomia. A iniciação esportiva se tornou, em grande medida, o palco de uma extensão do narcisismo dos pais, que projetam nos filhos as frustrações e os desejos de validação de suas próprias existências. Esse fenômeno é alimentado por uma sociedade que já não é meramente competitiva — onde se busca a comparação de desempenho e superação —, mas sim ‘competidora’, pautada na eliminação implacável do outro e no sucesso a qualquer custo. Sob a ditadura das redes sociais, esse cenário se agrava: o impacto do ‘parecer ser’ maquia comportamentos e transforma a vivência esportiva em um produto “instagramável”, estimulando a manipulação da imagem em detrimento da autenticidade da experiência. O jogo real é substituído pela performance coreografada para o olhar alheio.
Por outro lado, um jogador inteligente, criativo e autônomo é capaz de “ler” e interpretar o jogo; ele sabe se posicionar e se deslocar no espaço e toma a melhor decisão para resolver os problemas do jogo. O atleta criativo, dá o passe inesperado; engana o adversário dando um passe para um lado e olhando para outro; ele nunca tem a jogada óbvia e mais esperada como a prioritária; é imprevisível. O jogador criativo é aquele que encontra respostas inesperadas para os problemas impostos pelo jogo.
No decorrer do processo criativo é natural que ocorram erros. E o erro, bem como a dúvida para Descartes, é parte importante do processo de aprendizagem do jogador. Se o jogador tem medo de errar, ele não tenta criar e não arrisca uma jogada que fuja do óbvio/esperado. E esse medo, na maioria das vezes, é fruto das broncas e represálias do treinador que, ao invés de estimular e encorajar para que o jogador continue tentando algo novo e diferente, o sufoca e o amedronta para agir de modo autônomo e criativo.
Diante desse diagnóstico, o cenário atual nos impõe uma ironia trágica. A filosofia que nos faz pensar com Descartes e Fromm, contrasta com a prática esportiva que, cada vez mais sem dono, faz com que talentos não se desenvolvam. Em contrapartida, esperamos, a partir desta reflexão proposta, que os professores e treinadores devolvam o jogo às crianças e aos adolescentes e permitam que eles criem, errem, tomem decisões, ajam sozinhos, inovem; que permitam que eles pensem, logo, que existam.
Rafael Castellani é licenciado e mestre em Educação Física (Unesp/RC e Unicamp, respectivamente) e Doutor em Psicologia do Esporte pela USP. É especialista em Pedagogia do Futebol, currículo e formação de atletas. Atua como coordenador pedagógico da Encontro Educa, consultor científico da MDF Sports, além de ser colunista e líder do Grupo Técnico Pedagógico da Universidade do Futebol. Linkedin: https://br.linkedin.com/in/rafael-moreno-castellani