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Relação dos clubes com os incentivos e fomentos tecnológicos – parte II

Olá, amigos!

Na primeira parte deste tema, discutimos a necessidade de os clubes se organizarem para investir e estruturar a questão tecnológica de seus departamentos.

Comentamos que “o investimento em tecnologia não deve concorrer com o investimento de contratações e administração do plantel. Ele faz parte dos recursos investidos pelo clube no aperfeiçoamento do desempenho de sua equipe e de sua gestão”.

O foco nesta parte foi o relacionamento e o desenvolvimento de projetos com a proximidade do Ministério de Ciência e Tecnologia.

No texto desta semana, trazemos outras possibilidades de fomento à tecnologia, oferecendo outras perspectivas ao clube que tanto reluta em investir em inovação.

Inspirado em tantas outras áreas da tecnologia, o futebol pode desenvolver prêmios para que torcedores, cientistas e engenheiros possam contribuir com a ciência do jogo. Assim como a Gatorade possui um instituto focado em desenvolvimento de ciência, o clube pode desenvolver ações similares.

Seja na organização de departamento de desenvolvimento de pesquisas de ponta, que poderão usar o próprio clube como laboratório, o que possibilita o pioneirismo em diversas ações, seja no incentivo à inovação, é possível criar alternativas.

Tivemos no mês passado a divulgação de um prêmio para quem conseguir desenvolver um aparelho inspirado na ficção para detectar doenças*. Os valores podem ser altos, o desafio complexo, porém, isso pode acelerar resultados e a obtenção de recursos avançados.

Um caminho que pode servir de exemplo para o futebol, adequando-se os valores e necessidades, é possível, sim. É preciso que o clube desenvolva um programa de incentivo e prêmios para quem conseguir desenvolver recursos necessários para o dia a dia desta agremiação.

Por um lado pode baratar o investimento à medida que você compartilha seus interesses. Por outro, tornam “públicas” as intenções do que poderia ser um diferencial. Mas sempre quem toma a dianteira em tecnologia tem a capacidade de obter profissionais mais qualificados e, nesse aspecto, o compartilhamento das informações e do desenvolvimento teria o benefício da diluição dos custos, aliado à competência profissional, que é o que realmente faz a diferença no uso tecnológico.

De nada adianta uma super máquina se não existir um ser humano capacitado e, mais do que isso, que consiga tirar o melhor proveito dela.

Falta de dinheiro não pode ser utilizada de desculpa para o não investimento em tecnologia. Alternativas existem. O que pode faltar é competência, visão e iniciativa.

Mas, aí, são outros problemas…

Para interagir com o autor: fantato@universidadedofutebol.com.br

Leia mais:
Relação dos clubes com os incentivos e fomentos tecnológicos – parte I
 

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Prazeres da carne

Carnaval vem do latim carnis valles, ou “o deleite dos prazeres da carne”.

Originariamente, eram três dias de festividades que incluíam muita comida, bebida, diversão e celebração dos prazeres mundanos.

Escravos ganhavam salvo-conduto, os negócios ficavam com suas portas fechadas, havia um grande relaxamento de restrições morais e de bons costumes.

Até mesmo um Rei era escolhido – Rei Momo – para comandar, alegoricamente, os seus súditos na folia.

Presentes eram trocados e os deuses, na época pagã, também eram envolvidos, simbolicamente, nos festejos.

A abundância era celebrada como sinônimo de alegria e bem-viver.

Os dias que antecediam a Quarta-Feira de Cinzas eram chamados de Dias Gordos. O Rei Momo representa, pois, essa abundância e extravagância no comer, beber e festejar.

Com o passar dos anos, a festa foi se sofisticando, até chegar ao seu auge em nossas terras – em especial, no Rio de Janeiro.

Em tempo, cidade-sede da CBF e do Comitê Organizador Local da Copa 2014.

Como o ser humano sempre foi ambíguo, antagônico, ambivalente, dual, esse esbaldar-se precedia a Quaresma – período de penitência, introspecção, culto à religiosidade, privação e jejum.

O processo de purgação e expurgação dos demônios de cada um chegaria ao fim, 47 dias após o Carnaval, na Páscoa – representativa da Ressurreição de Jesus Cristo.

O futebol brasileiro vivencia um grande Carnaval.

Instabilidade administrativa nos clubes e seu baixo grau de profissionalização; entidades de administração amadoras, na valorização dos campeonatos regionais e nacionais; o Comitê Organizador Local para a Copa 2014 e suas dificuldades de relacionamento com a Fifa; a Lei Geral da Copa ainda em tramitação lenta para entrar em vigor; obras da Copa, incluindo estádios, em atraso; jogadores e treinadores com altíssimos e irreais salários, cuja bolha já está inflada e, em breve, estourará, causando pânico e insustentabilidade financeira; crise técnico-formativa dos jogadores nas categorias de base, enquanto ausência de metodologia e filosofia própria ao futebol brasileiro.

Do jeito que o diabo gosta.

Se tudo der certo, nesse acordo com o diabo, para o deleite dos prazeres mundanos, a Quarta-Feira de Cinzas do futebol brasileiro será apenas após a Copa 2014.

Ok. Que assim seja.

Mas, inevitavelmente, depois dela, entraremos na Quaresma – período de penitência, introspecção, privação e jejum.

Alegoricamente, pode durar quarenta dias, quarenta semanas, ou quarenta anos.

Até que nosso futebol ressuscite, pela crença e esperança – já que o trabalho perdera a disputa para o diabo e suas promessas de deleite dos prazeres da carne.

Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br
 

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Progressão no campo de jogo: atividades práticas

Dentro do modelo de jogo, temos os princípios operacionais, que regem a ação dos jogadores nos momentos de ataque, defesa e transições.

No momento ofensivo segundo Bayer (1994), temos três princípios operacionais:

– Ataque efetivo à meta contrária
– Progressão da equipe e da bola em direção à meta contrária
– Manutenção da posse de bola

Dentro do modelo as equipes geralmente possuem um desses três princípios como predominantes.

Hoje vou me focar em equipes que tem como princípio operacional de ataque predominante a “progressão da equipe e da bola em direção à meta contrária”.

Uma equipe com esse princípio tem as seguintes regras de ação quando em posse de bola, segundo Bayer (1994):

– Regras de ação individual – Levar a bola em direção ao gol adversário realizando corridas para os espaços vazios e dribles contra adversários diretos.
– Regras de ação coletiva: Trocas de posições curtas e longas a fim de criação
de linhas de passes e desmarcações em progressão.

No vídeo abaixo podemos observar uma equipe com o princípio de “progressão da equipe e da bola em direção à meta contrária” no ataque.
 


 

Vejam que a equipe da Argentina busca um jogo vertical e opta por progressões e passes para frente em detrimento de passes de segurança para o lado e para trás.

Não confundam tal princípio com um jogo de contra-ataques!

Tal princípio rege a ação da equipe no momento de ataque e, independente do tipo de ataque (contra-ataque, ataque rápido ou ataque apoiado), o princípio se mantém o mesmo, se for um comportamento da equipe é claro.

Para isso é preciso treino!

Treino que deve estimular: a criação de linhas de passe em progressão aliada a uma mobilidade adequada; uma compactação ofensiva rápida e eficaz; a profundidade; a amplitude a fim de dificultar o equilíbrio defensivo do adversário; uma estruturação do espaço adequada; tudo isso aliado a um comportamento individual de progressão com dribles e conduções objetivas em direção ao gol, dentre outras coisas.
 

Introdução aos Aspectos Táticos do Futebol: conheça o curso online da Universidade do Futebol clicando aqui.

 

Atividade 1

Descrição
– Atividade de 1 X 1, em que o objetivo é estimular o drible e a condução em progressão dos atletas, atividade pode ser utilizada como aquecimento em dias específicos da semana.

Regras e Pontuação
-Equipe pontua quando ultrapassar a linha de fundo do campo adversário (linha tracejada amarela).

Atividade 2

Descrição
– Atividade de 5 X 5, em que o objetivo das equipes é chegar com a bola dominada no espaço delimitado no campo adversário.

Regras e Pontuação
-Equipe pontua quando chegar com a bola dominada ou fizer um passe para um atleta em progressão dentro do espaço delimitado na linha de fundo adversária (área delimitada abaixo).

Atividade 3

Descrição
– Atividade de 11 X 11, onde o objetivo das equipes é progredir no campo de jogo e marcar o gol.

Regras e Pontuação
– 1 ponto quando a equipe ultrapassar a linha tracejada localizada na intermediária ofensiva do campo de jogo.
– 3 pontos se a equipe fizer o gol.
– No campo de defesa apenas o zagueiros e o goleiro podem receber passes para trás.

Que venha a progressão da sua equipe!

Será que um dia nosso futebol terá esse princípio como predominante em relação à sua evolução?

Até a próxima!

Para interagir com o colunista: bruno@universidadedofutebol.com.br
 

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Banco de jogos – jogo 3

Conseguir fazer com que todos os jogadores “joguem o mesmo jogo” nas transições implica a operacionalização de muitas situações de treino que permitam a repetição dos comportamentos esperados pelo treinador. Em equipes de alto nível, as transições ofensivas observadas privilegiam o jogo apoiado, com rápida retirada (vertical ou horizontal) da zona de recuperação e eficiente ampliação do campo efetivo de jogo.

Na coluna desta semana, será apresentada uma proposta de atividade que, se adequadamente conduzida, propiciará inúmeras situações-problema para o referido momento do jogo.

Jogo Conceitual de Transição Ofensiva

– Dimensões de ¾ do tamanho do campo oficial. ~ 75m x 70m;
– Campo dividido em três faixas verticais (10m, 50m e 10m);
– Uma metade do campo dividida nos setores A (21,5m x 20m), A’ (21,5m x 15m) e A” (16m x 15m);
– Tempo de atividade, incluindo esforço e pausa, a critério da comissão técnica, em função dos objetivos desejados.

 


 

Plataforma de Jogo Equipe A (azul): 1-4-2-1
Plataforma de Jogo Equipe B (verde): 1-4-4-2 (losango)

 

 
 

Regras do Jogo

1.Se a equipe verde recuperar a posse de bola no mesmo setor em que perder no campo de ataque e retirá-la deste setor, horizontal ou verticalmente no sentido do ataque = 1 ponto;

2.Se a equipe azul recuperar a posse no campo de defesa e após três segundos de posse não houver os dois laterais ocupando a faixa lateral delimitada = 1 ponto para o adversário;

3.Se a equipe azul recuperar a posse no campo de defesa e ultrapassar o meio campo com a bola dominada por condução ou troca de passes = 1 ponto;

4.Se a equipe verde não ultrapassar o meio campo com a bola dominada, por condução ou passe, após recuperar a posse no campo de defesa = 1 ponto para o adversário;

5.Se a equipe azul acertar uma finalização sem que o goleiro faça uma defesa completa = 3 pontos;

6.Gol da equipe verde = 5 pontos;

7.Gol da equipe azul = 30 pontos;

8.Se a equipe verde recuperar a posse e fizer o gol na mesma jogada em até 10 segundos = 10 pontos

Veja, abaixo, alguns exemplos:

 

O jogador número 6 da equipe Verde perde a posse de bola no setor A’, para o jogador número 2 da equipe Azul. Na sequência da jogada, o jogador número 8 da equipe verde recupera a posse no mesmo setor em que sua equipe havia perdido e realiza um passe para outro setor, para o jogador número 5. Esta ação vale 1 ponto para a equipe Verde.

 

O jogador número 2 da equipe Azul recupera a posse de bola ao roubá-la do jogador número 6 da equipe Verde. Na sequência, faz um passe para o goleiro e após 3 segundos da recuperação o jogador número 6 da equipe Azul não ocupa a faixa lateral delimitada. Esta ação vale 1 ponto para a equipe Verde.

 


 

O jogador número 2 da equipe Azul recupera a posse de bola ao roubá-la do jogador número 6 da equipe Verde. Na sequência, faz um passe para o jogador número 8 e recebe um passe deste jogador à frente do meio campo. Esta ação vale 1 ponto para a equipe Azul.
 


 

 

O jogador número 3 da equipe Verde recupera a posse de bola e faz um passe para o jogador número 2. Este faz um passe vertical para o jogador número 9, porém, o goleiro da equipe Azul recupera a posse para sua equipe. Como a equipe Verde não passou o meio campo com a bola dominada através de passe ou condução, esta ação vale 1 ponto para a equipe Azul.

 

 

A equipe Azul realiza uma finalização em que o goleiro da equipe Verde não consegue fazer uma defesa completa. Esta ação vale 3 pontos para a equipe Azul.


 

 

O jogador número 3 da equipe Verde recupera a posse de bola e faz um passe para o jogador número 2. Este faz um passe vertical para o jogador número 9, que finaliza e marca um gol para sua equipe em menos de 10 segundos após a recuperação. Esta ação vale 10 pontos para a equipe Verde.

Gostaria de receber em meu e-mail as regras e elementos do jogo que, a princípio, o transforma numa atividade propensa ao aperfeiçoamento da transição ofensiva de ambas as equipes. Justifique sua resposta!

Boas reflexões!

Para interagir com o autor: eduardo@universidadedofutebol.com.br

Leia mais:
Banco de jogos – jogo 1
Banco de jogos – jogo 2

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A competição das Escolas de Samba vista como um evento esportivo

Nos próximos dias, a folia momesca tomará conta da vida de todos os brasileiros e todo o país acompanhará, em horário nobre, pela Rede Globo de Televisão, os desfiles das Escolas de Samba. Certamente, cada brasileiro terá sua agremiação favorita. Estas “Escolas de Samba” movimentam milhões de reais.

Neste contexto, pergunta-se até que ponto a competição entre as “Escolas de Samba” pode se enquadrar no conceito de esporte? Para encontrar a resposta, é necessário identificar os elementos que compõem o conceito de esporte.

Em sentido amplo, conforme exposto na Carta Européia do Esporte (Rodas, 1992) esporte define-se como “todo tipo de atividades físicas que, mediante uma participação, organizada ou de outro tipo, tenham por finalidade a expressão ou a melhora da condição física e psíquica, o desenvolvimento das relações sociais ou a obtenção de resultados em competições de todos os níveis”.

Neste mesmo sentido, dispõe o Manifesto sobre o Esporte elaborado pelo Conselho Internacional para a Educação Física e o Esporte (CIEPS) em colaboração com a UNESCO (México, 1968) que conceitua esporte como “toda atividade física com caráter de jogo, que adote uma forma de luta consigo mesmo ou com os demais ou constitua uma confrontação com os elementos naturais”.

Assim, segundo os conceitos amplos de esporte, poder-se-ia considerar desporto praticamente qualquer atividade física, o que traria o risco de se desvirtuar o próprio conceito de desporto ao incluir como esporte expressões culturais que não fazem parte da sua autêntica natureza.

Assim, deve-se buscar uma definição que delimite juridicamente os elementos que compõem o fato desportivo, motivo pelo qual, em sentido estrito, esporte deve ser entendido como um conjunto de atividades físicas institucionalizadas que suponham uma supérflua confrontação ou competição consigo mesmo ou com um elemento externo. Portanto, para uma atividade ser definida como esporte, deve possuir:
 

a) Atividade Física: manifestação de dimensão externa, física, do homem que compreende qualquer atividade que suponha e exija a participação do sujeito e que suas qualidades físicas, sejam de resistência, potência, elasticidade, agilidade, reflexos, habilidade, destreza, sejam determinantes. Excluem-se do conceito de esporte, portanto, atividades em que o sujeito principal é um animal ou uma máquina, tal como corrida de cachorros.

b) Institucionalização: conjunto de regras e princípios próprios regulamentados por uma Entidade, tal como ocorre com as Federações de futebol e basquete, por exemplo.

c) Confrontação ou Competição: o elemento agonístico é essencial ao esporte, eis que é inerente ao desporto a necessidade de vencer um obstáculo, intencionalmente assumido, que pode servir para comparação aos demais. Na concepção de confrontação supõe-se a necessária existência de dois elementos, a regulamentação e a possibilidade de se objetivar os resultados, eis que toda competição precisa que os resultados sejam mensuráveis e que suas regras permitam determinar com certeza e exatidão o vencedor.

d) Supérflua: o esporte não é uma atividade útil, pois a atividade física realizada deve ser inócua para satisfazer as necessidades vitais. A finalidade do esporte deve se exaurir em si mesma dentro de limites estabelecidos de tempo e espaço.
 

Resta analisar se o Desfile das Escolas de Samba enquadra-se no conceito estrito de esporte.

Pode-se entender existente a atividade física, pois necessita da atividade intelectual ao elaborarem os temas (sambas-enredos), organizarem as alas, ritmos, danças, coordenando as infinitas possibilidades de movimentos corporais combinados aos elementos de ballet e dança teatral, realizados fluentemente em harmonia com o tema (samba-enredo).

Desenvolvem-se hamornia, graça e movimentos criativos traduzidos em expressões pessoais através da combinação musical e técnica, que transmitem satisfação estética aos que a assistem. A atividade intelectual existe em esportes como o xadrez e o bridge (jogo de cartas) e os movimentos corporais na ginástica rítmica desportiva.

A institucionalização decorre do regulamento dos desfiles que estabelece, entre outras coisas, o tempo máximo e mínimo do desfile, número de integrantes, carros alegóricos e até critérios para acesso e descenso. Ademais, em várias cidades há órgãos autônomos que organizam os desfiles, como a LIESA (Liga Independente das Escola de Samba) no Rio de Janeiro e a LigaSP (Liga Independente das Escolas de São Paulo).

Durante os desfiles, as “Escolas de Samba” são avaliadas por jurados segundo quesitos previamente estabelecidos no regulamento, vencendo a que obtiver maior pontuaçao total, donde se apreende a confrontação.

Finalmente, as atividades das “Escolas de Samba” são supérfluas, ou seja, não correspondem a necessidades vitais.

A inclusão dos desfiles das “Escolas de Samba” no conceito de esporte possui consequências jurídicas relevantes, eis que implicaria na aplicação à competição de Leis atinentes ao esporte como a Lei Pelé, o Estatuto do Torcedor e até mesmo o Código Brasileiro de Justiça Desportiva.

Assim, as “Escolas de Samba” poderiam, por exemplo, receber recursos do Ministério dos Esportes, nos termos do art. 7º, da Lei Pelé, teriam que criar Tribunais de Justiça Desportiva e, ainda, deveriam atender às exigências do Estatuto do Torcedor.

Portanto, percebe-se a possibilidade do enquadramento do desfile das “Escolas de Samba” no conceito de desporto, eis que as competidoras precisam ter graça, leveza, beleza e técnicas precisas em seus movimentos, alegorias e adereços para demonstrar harmonia e entrosamento com o samba-enredo, seus componentes e adereços em um ambiente de expressão corporal contextualizada inclusive pelos sentimentos transmitidos através do corpo, das alegorias e das fantasias e pelas capacidades psicomotoras nos âmbitos físico, artístico e expressivo. Por essa reunião de característica, pode-se definir os “Desfiles das Escolas de Samba” como esporte-arte.

Para interagir com o autor: gustavo@universidadedofutebol.com.br
 

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Visibilidade

Recentemente foi constatado que o estádio Independência, em Belo Horizonte, Minas Gerais, terá cerca de 20% dos lugares com visibilidade prejudicada – o equivalente a cerca de seis mil assentos, incluindo camarotes. E isso me fez decidir retomar o tópico da minha primeira coluna aqui na Universidade do Futebol.

Hesitei repetir o assunto, mas vai funcionar como um complemento, mostrando também como o Brasil em si deve parar e rever tudo, desde a legislação, até mesmo a uma reciclagem de profissionais e ao incentivo do conhecimento da arquitetura.

 

Brasileiro, em geral, não gosta de arquitetura, não conhece arquitetura e a confunde muitas vezes com engenharia ou, infelizmente, com decoração. Isso não seria problema se não cegasse o cliente na contratação do serviço de arquitetura.

Ele, o escritório de arquitetura, na maioria das vezes, é contratado por status, por obrigação e, até mesmo, sem o cliente saber o que está contratando.

O serviço de arquitetura deve prever um bom funcionamento da edificação, não exclusivamente soluções para uma exigência considerando somente o custo. Nota-se, pelo caso citado, essa tal postura.

Não dá para entender, em um país prestes a sediar uma Copa do Mundo, a conclusão de um projeto que obedece às necessidades do Corpo de Bombeiros e que desfavorece a principal atividade e o bom uso do equipamento.

É um momento privilegiado para o país, para o esporte, para investidores e para os atletas. O momento, agora, seria digno de captação de recursos para construção de campos de treinamento com melhores estruturas, reorganização espacial (ao menos) de estádios menores e adequação a uma legislação menos restritiva ou somente mais atualizada. Não defendo que a segurança deva ser deixada de lado, mas garantida ao mesmo tempo em que mantenha o bom funcionamento do estádio.

Há soluções que interferem menos, materiais mais caros, mas com melhor custo-benefício. A questão é saber enxergar a médio e longo prazo e não somente momentaneamente. O estádio, hoje, tem um público cada vez mais exigente e pretende-se que esse público seja variado, abrangendo cada vez mais mulheres, crianças, idosos, pessoas com deficiência física, ou seja, cada vez terá que garantir sucesso arquitetônico para conquistar e manter fiel esse público.

O estádio de hóquei, Ondrej Nepela, em Bratislava, Eslováquia, com capacidade de pouco mais de 10.000 torcedores, mostra uma solução interessante, além de acabamentos que podem até baratear uma obra de grande porte. É claro que o público é menor, mas se trata de uma mesma função. O gradil em si fica somente como suporte de segurança em áreas de circulação sem necessidade de visibilidade.

Voltamos, claro, no comportamento do brasileiro em estádios, mas isso não justifica barreiras visuais como temos visto em muitos estádios.


 

No Independência, também há vidros em alguns trechos, mas sem estrutura e fixação adequadas a qualquer ato de vandalismo ou confrontos.


 

O Brasil, portanto, tem que evoluir em projetos de estádios e aprender a ponderar seus investimentos.

Para interagir com o autor: lilian@universidadedofutebol.com.br
 

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Ausência

Caro leitor,

Excepcionalmente nas próximas semanas não teremos a coluna de Geraldo Campestrini. O colunista estará em recesso até 6 de março, voltando com seus textos semanais no dia seguinte.

Atenciosamente,

Equipe Universidade do Futebol

Leia mais:
Veja as últimas colunas de Campestrini na Universidade do Futebol

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Deu zebra, ou melhor, deu Zâmbia!

Olá, amigos!

Na coluna desta semana trago novamente uma discussão que se eterniza no cenário do futebol mundial: “não existem mais bobos no futebol”.

A seleção de Zâmbia sagrou-se campeã no último fim de semana da Copa Africana de Nações, surpreendendo equipes tradicionais e com jogadores de maior prestigio no cenário mundial. E ainda tivemos Mali surpreendendo a equipe de Gana na disputa de terceiro lugar.

Alguns podem considerar insignificante o fato, e muito mais o comentário a respeito deste feito neste espaço. Entretanto, cabe-nos aprofundar a questão.

Isso porque é importante tentar levantar aspectos que culminaram neste resultado. E, sobretudo, nos impactos que podem surgir.

É bem verdade que o título da Copa de Nações não tem tradição de destaque em competições de grande porte, salvo em 2000, ano em que Camarões ganhou a Copa das Nações Africanas e as Olimpíadas.

Porém, é importante que se desenvolvam instrumentos de avaliação de competições como essas. O que fez com que Zâmbia fosse campeã? Que impactos essa conquista pode trazer para futuros encontros com países africanos?

No ano passado, Mano Menezes foi massacrado por conta de um amistoso com Gabão. Criticado por participar de um amistoso chamado de “caça níquel”. Sem entrar no mérito da questão, temos que esquecer até certo ponto elementos políticos e ressaltar a importância de um jogo contra equipe do estilo africano.

Afinal, o Brasil não tem tido sucesso contra esse estilo de jogo – relembremos os casos do Mazembe contra o Inter, e das Olimpíadas com Camarões e Nigéria, sem contar Gana nos mundiais de categorias de base.

Se Zâmbia ainda está longe de se classificar para uma Copa ou para as Olimpíadas para merecer o respeito dos brasileiros, o Gabão pode encontrar o Brasil nos Jogos ainda este ano. E conhecendo nosso histórico contra africanos, nada mais justo do que recorrer a analises de competições africanas bem como do próprio amistoso, ainda que com as seleções principais.

A gente discute tecnologia, porém, mais do que isso ,sempre defendemos que informações não dependem apenas dela: elas podem e devem ser oriundas de diferentes fontes, cabendo ao recurso tecnológico a facilitação do armazenamento, consulta e utilização destas.

As tradicionais equipes africanas foram surpreendidas por Zâmbia e Mali; nas Olimpíadas, Gabão será novidade. E em 2014?

Não podemos esperar para ver, se existem métodos de observação e tecnologia suficientes para acessar vídeos e informações hoje no mundo inteiro. Temos que abrir nossos olhos para não repetirmos o discurso de que não existem mais bobos no futebol e tampouco repetir o sentimento do Maracanazzo.

Para interagir com o autor: fantato@universidadedofutebol.com.br
 

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O caminho no sonho chamado futebol

É bom ter uma meta no fim da jornada,
Mas é a jornada que importa, no fim.

Ursula K. LeGuin

 

Peço licença aos leitores para abordar um tema que parece fugir do campo, mas no fundo tem tudo a ver com nossa prática.

Era uma vez um sonho chamado futebol…

Sonho sonhado por muitos, mas realizado por poucos.

Sonho que se sonha desde muito novo e que requer dedicação e sacrifícios para que se concretize.

Sonho que às vezes se torna pesadelo, quando não dá certo ou mesmo quando dá certo, mas não no nível esperado.

Mas o que fazer para torná-lo realidade?

Sonhar e buscar incessantemente os melhores caminhos!

É justamente isso que o torna difícil…

Buscar os melhores caminhos!

Não precisamos ter inúmeras informações, mas sim as certas.

Não precisamos jogar ou trabalhar em inúmeros ambientes, se não aproveitarmos as coisas certas.

Tudo isso pode parecer um tanto quanto filosófico, mas não é.

Cada um de nós terá as melhores respostas para cada uma das perguntas e reflexões apresentadas até aqui.

O fato é que não existe apenas um caminho, mas inúmeros deles para se chegar onde se quer no meio do futebol!

Primeiro precisamos traçar nosso objetivo ou sonho de vida.

Depois pensar sobre o processo para se chegar até ele.

Processo que é particular a cada um e nos expõe a uma série de decisões e reflexões profundas que podem mudar totalmente o rumo de nossas carreiras e vidas…

Como saber se as decisões foram corretas?

Decidindo!

Contudo, como disse Napoleão Bonaparte: “Nada é mais difícil, e por isso mais precioso, do que ser capaz de decidir”.

Quem decide é você, ninguém mais pode fazer isso, a não ser que você queira.

Decidir faz parte do processo.

Só saberemos se tomamos a decisão certa ao longo do caminho e nada impede de mudarmos ou transformarmos nossas rotas de vida.

No final das contas, segundo Fernando Sabino: “Tudo dá certo, e se não deu certo é porque ainda não chegou ao fim”.

Mas como saberemos se chegou ao fim?

Não sei…

Só sei que não é fim que realmente importa, mas sim todo o processo para chegar até ele.

Até a próxima!

Para interagir com o colunista: bruno@universidadedofutebol.com.br

 

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A gestão (tática-técnica-física-mental) do ritmo de jogo

Para produzir a coluna semanal levo em consideração diversos fatores. As sessões de treino e jogos da equipe que trabalho; as conversas informais que tenho com profissionais do futebol; as trocas de e-mails com os leitores que me instigam, sugerem ou permitem o surgimento de ideias; as leituras, científicas ou não, direta ou indiretamente relacionadas ao futebol e a até o acompanhamento de mesas redondas, entre outros programas televisivos, que discutem a modalidade.

Em relação ao último item, os comentários referentes ao baixo desempenho de jogo apresentado pelas equipes do estado de São Paulo na rodada do fim de semana (04 e 05/02) me despertaram para esta publicação. Para muitos, o motivo do baixo desempenho “técnico” deveu-se ao fato do forte calor no momento em que ocorreram as partidas, o que gerou sensível aumento do desgaste “físico”.

Seguramente o forte calor (de fato, muito forte!) influenciou na manutenção da intensidade de jogo apresentada pelas equipes, porém, defini-lo como o único responsável pela diminuição da performance significa reduzir a função tático-estratégica do treinador, que deve considerar a influência de fatores externos, como o clima, ao preparar seus jogadores para o jogo.

Basicamente, existem duas maneiras da equipe “correr menos”, logo, ter um menor desgaste “físico” no jogo.

Para a primeira, defensivamente, a equipe deve baixar o bloco e estar orientada operacionalmente à proteção do alvo. Além de uma boa organização defensiva zonal que neutralize as ações ofensivas do adversário, será necessário um sistema de transição ofensiva vertical em que poucos jogadores se ofereçam à frente da linha da bola. O jogo praticado ofensivamente será sempre em inferioridade numérica e a Lógica do Jogo pode ficar mais distante de ser cumprida. Opção questionável! Especialmente para grandes equipes, ainda mais se sofrerem um gol durante o confronto.

Outra possibilidade de conseguir “correr menos” está relacionada ao descansar com bola, terminologia utilizada por alguns estudiosos do futebol que se refere à posse pela posse.

A posse pela posse, utilizada quando a ação ofensiva aparentemente não está orientada para busca do alvo oponente, pode ser feita em duas situações: quando a equipe está cumprindo a Lógica do Jogo e momentaneamente não precisa fazer gol para vencê-lo, ou então, quando precisa se recuperar devido à fadiga originária por motivos diversos (situações de jogo em que estava perdendo, “correu mais” e virou o placar, menos jogadores devido à expulsão, modelo de jogo que privilegia alta intensidade, o próprio clima, minutos finais do jogo, falhas coletivas que levaram a sucessivas perdas da posse e ineficientes recuperações, etc.).

Para aplicar este mecanismo, a ideia de jogo do treinador não necessariamente deve privilegiar a recuperação imediata da posse, porém, é bom considerar o fato de que para recuperações imediatas e, consequentemente, mais próximas do alvo oponente, mais perto sua equipe estará do cumprimento da lógica do jogo (se o comportamento coletivo assim estiver orientado, é claro).

Já para a organização ofensiva, ampliação do espaço efetivo de jogo, apoios constantes, participação do goleiro neste momento do jogo, coberturas ofensivas, decisão pelo passe à jogada individual, ocupação de espaços vazios e mobilidade serão competências necessárias para se tornar possível descansar com a bola.

Caso uma equipe domine estas competências, terá habilidades suficientes para a aquisição de mais uma: a gestão do ritmo ou rotação de jogo.

Gerir eficazmente o ritmo do jogo significa comandar a velocidade e intensidade do jogo. Para tornar esta ação ofensiva (afinal depende fundamentalmente da posse da bola) um comportamento coletivo, habituar os jogadores aos “como” e “quando” de sua utilização são pré-requisitos para se beneficiar do referido mecanismo.

Então, se no Modelo de Jogo da equipe a posse pela posse é um dos princípios que se deseja construir (torná-lo hábito), qual o melhor ambiente/contexto para fazê-lo? Releia o subtítulo da coluna.

Volto a mente para os jogos daquele fim de semana e me questiono quanto aos treinamentos realizados na pré-temporada e primeiras semanas do ciclo competitivo por cada uma das equipes. Desconheço as práticas integralmente realizadas na grande maioria dos clubes e me limito às informações publicadas pela mídia em relação à importância do treinamento físico neste período do ano, além das conversas com companheiros de profissão e atletas espalhados pelos clubes de São Paulo.

Afirmo, no entanto, que pelos jogos apresentados a gestão eficaz do ritmo do jogo não foi observada. Caso tivesse sido, aquelas habilidades anteriormente mencionadas estariam evidenciadas. Questione (e justifique) caso discorde!

Por fim, idealizo situações de treino em que a equipe com determinada vantagem no placar tenha objetivos diferentes no jogo (descansar com a bola) daquela que está em desvantagem. Em outras situações, a criação de jogos com regras que aumentem o ritmo (intensidade) do jogo. Um Modelo de Jogo que alterna rotações tem valor agregado para manter a ordem no grande ambiente de desordem que é um jogo de futebol.

Baixar o ritmo pode ser um princípio importante para adquirir/manter/conseguir vantagem perante aos adversários. Para fazê-lo (nos “como” e “quando”), serão necessários jogadores que dominem tais regras de ação impostas pelas ideias do treinador. Questiono-me se os atletas profissionais, já formados e em maestria esportiva, dominarão tais regras de ação se treinarem em caixas de areia, em volta do campo, em circuitos, com trações, em salas de musculação, ou então, em quaisquer outros treinos que não jogos que tornem propensos os comportamentos desejados. Acho que já conhecem a minha resposta!

Obs: Não pensem que desconsidero o físico. Desconsidero-o isoladamente! Não deixe de acompanhar as próximas colunas que, em breve, tratarão deste tema!

Para interagir com o colunista: eduardo@universidadedofutebol.com.br