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A vida dele é você

Me chamo Vitória.

Nasci em 6 de junho de 2000. Terça-feira à noite. Se fosse menino, seria Marcos. Segundo meu bisavô, que escolheu Vitória, ele queria um nome de santo. Especialmente naquela noite. Não sei porquê. Só sei que minha bisavó, que torce pelo maior rival do time do meu bisa, queria Marcelinho se eu fosse menino. De raiva, ela falou que eu me chamaria Darinta se fosse menina e ela pudesse ter a chance de escolher. Também não sei o que significa esse nome. Mas sei que meu bisavô não quis nem saber.

Ele é beeeem velhinho. Tem mais de 90 anos. Moramos juntos em Perdizes. Ele diz que não tem lugar melhor. Cheio de altos e baixos. Parece a vida dele e da maior paixão dele. Mais que eu, os filhos e a minha bisavó. Amor que ele vive de
perto. Sempre.

Em 18 de novembro de 2012 ele caiu. Quebrou um monte de osso. Foi no final de uma tarde de domingo. Só sei que ele estava vendo TV, deu um monte de grito durante horas, mas só se machucou feio quase de noite. Quando daí eu não entendi nada. Ele não gritou e nem xingou. Nem chorou. Ficou quieto. E quebrado.

Foram meses este ano de 2013 em que ele ficou de cama. Mas sempre gritando. Principalmente de terça e de sábado. Quando ninguém podia entrar no quarto dele. Ninguém. Muitas vezes ele me chamava depois e contava muitas histórias de muitos amigos que ele diz ter. Mas acho que algumas são mentiras. Coisas incríveis. De super heróis.

Alguns nomes ele fala sempre. Outros ele não quer nem falar. Mas sempre ele fala deles. Como velhos conhecidos.

Nas últimas semanas ele começou a sair de casa. Passeou pelas ruas de cadeira de rodas. Toda hora passava alguém dIzendo que ele estava bem, voltando, retornando ao lugar dele. Ele abria o sorriso e dizia que isso era normal. Anormal era a queda que ele teve no ano
passado. Quando ele se quebrou todo.

E muita gente achou que ele já era. Que não iria mais se levantar. Era muito chato tudo isso.

Mas, neste sábado, exatamente 16h20, ele pediu para sair comigo. Estava um sol lindo em Perdizes. Eu fui empurrando a cadeira de rodas dele. Ele me falou de muitas coisas que viveu. Disse que vira na televisão um monte de amigos que ele gosta. Valdir, Edu, Rosemiro, Alfredo, Dudu, Ademir, Leivinha, César, Evair, Amaral, Edmundo, Marcos. Falou um monte de coisas deles. Tudo deve ser invenção. Mas eu quase acreditava nele. O brilho nos olhos do meu bisavô me fazia achar que tudo aquilo era possível.

Eu reparei que quando ia caindo o sol ele ficava mais inquieto. Não parava. Toda hora perguntava que horas eram. Eu respondia. Ele parava fazendo contas com os dedos. E toda hora que ouvia um rádio ligado ele pedia para eu ficar quieta.

Eu ficava. Mas ele não.

Quando era 18h11, meu bisavô pediu a hora. No mesmo momento a gente ouviu gritos, aplausos, palavrões. E logo aquela música que meu bisavô sempre canta todo dia. E ele sempre me disse que teve alguns anos quando ele cantou mais ainda. Eu até lembro quando foram. Em 1951. Em 1959. Um monte de vezes nos anos 60 e 70. Depois ele disse que durante uns anos essa música ele cantava sempre. Mas só ele.

Ele sempre me fala que ficou semanas seguidas em 1993 cantando e ouvindo. Só que, desde que eu nasci, em 2000, ele ouviu pouco.

Mas não importava. Porque essa era uma canção que sempre estava com ele. E ele disse que queria muito estar comigo nesta tarde.

Acho que entendi o porquê quando ouvi alguns carros buzinando. Não muitos. Um velho amigo dele o veio abraçá-lo na padaria.

– Parabéns, meu grande amigo!

Meu avô não disse nada. Apenas sorriu.

– Ufa! Agora vai! Estamos de volta!

Meu avô mal olhou para ele. Apenas ficou olhando pra frente. Segurou firme na cadeira de rodas. Levantou a cabeça. Se apoiou no braço da cadeira. E se levantou sozinho pela primeira vez desde que ele tinha caído e se quebrado todo em 2012.

Eu e o amigo dele não acreditamos. Ninguém imaginava que com mais de 90 anos ele ainda pudesse se levantar. Sozinho. Com a força das próprias pernas e braços.

Eu corri para ajudar. Como acho que todo mais jovem precisa ajudar quem nos ajudou a vida toda. Mas meu bisavô disse que não precisava.

– Eu caí sozinho. Eu me ergo sozinho.

E ele se levantou. Quem estava por perto ficou meio sem graça de aplaudir. Mas todos se emocionaram com ele. Até os que achavam que nada mais aconteceria com ele.

Meu bisavô foi até o balcão da padaria e pediu a mesma coisa que toda vez ele pede:

– Um cafezinho e um pouco de água pro meu São Marcos.

Eu não aguentei e falei:

– Bivovô, você estava fingindo, estava com preguiça, ou estava sem vontade de andar?

– Vitória. Nunca duvide das minhas histórias. Nem das minhas vontades. Eu posso já não ser o mesmo de antes. Mas eu ainda sou a nossa família. Eu acredito. Eu me supero.

Eu chorei. Tenho amiga que não tem bisavós, nem avós. Algumas nem pai. Eu sei que um dia eles não vão estar aqui. Morro de medo disso. E disse chorando pra ele:

– Bivovô, eu morro de medo de te perder!

– Vitória. Eu só morro se não lutar. Nunca perco amando. Só deixo de ganhar algumas vezes. Eu não sou eterno. Mas o meu amor é pra sempre.

E meu bisavô abriu um sorriso, gritou alguma coisa em italiano que parecia algo como cópia, escópia, sei lá. Berrou Palestra e só então sentou.

Chorando. Mas, desta vez, não de dor.

Acho que é isso que meus pais chamam de amor incondicional.


*Texto publicado originalmente no blog do Mauro Beting, no portal Lancenet.

 

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Futebol: criar mais oportunidades ou aproveitar melhor as chances criadas? – reflexões a partir da Lógica do Jogo

O futebol é um jogo de oportunidades criadas ou de chances convertidas em gols?

Não sei se a pergunta acima foi suficientemente esclarecedora para ilustrar o cerne da questão que a envolve.

Então, para não correr riscos, vejamos de outra forma.

Na Champions League 2011/2012, o confronto entre FC Barcelona e Chelsea, já pela fase eliminatória (semifinais) nos mostrou dois jogos muito parecidos, em que uma das equipes manteve a bola quase que a todo o tempo em seu campo de ataque, “sondando” a todo instante a meta adversária – gerando um número razoável de finalizações e chances de gol (inclusive um pênalti).

A outra, a equipe que saiu vitoriosa dos confrontos, defendendo-se a todo custo com todos ou quase todos seus jogadores, esperando um momento para ser implacável, um momento para ter uma chance, uma real chance que fosse, para fazer gols – (jogo 1: Chelsea 1 x 0 FC Barcelona / jogo 2: FC Barcelona 2 x 2 Chelsea / placar agregado: FC Barcelona 2 x 3 Chelsea).

Vejamos abaixo a figura com o número de finalizações de cada equipe nos dois jogos (dados retirados de www.uefa.com):

Podemos observar que nos dois jogos a equipe do Barcelona finalizou mais do que o Chelsea (totalizando 36 a 11). Diferença grande, que diminui quando olhamos apenas para aquelas que foram em direção ao gol (11 a 4).

Finalizações!

Mas quando observamos aquilo que realmente pode contar pontos na tabela – os gols –, o placar, no quesito arremates, favorável ao FC Barcelona, se inverte: 2 a 3 gols à favor da equipe inglesa.

No primeiro jogo entre as duas equipes, mais interessante ainda: o Chelsea teve apenas uma finalização correta (a do gol), e o FC Barcelona, com suas 19 oportunidades, nada.

Em um levantamento rápido que realizei na Champions League 2011-2012, na 2012-2013, e no Campeonato Brasileiro 2013 (esse último com o auxílio do notável do Café dos Notáveis “Panis Baguetes”) fica evidente que aquelas equipes que mais finalizam a gol ou fora dele nos jogos, tendem a fazer mais gols e a assumir um lugar melhor na classificação dos Campeonatos. Existe uma relação direta entre número de finalizações, gols e vitórias – direta, mas não de 100%.

E ela (a relação) fica melhor ainda, quando consideramos apenas as finalizações que foram em direção ao gol.

Pode parecer óbvio, mas não é.

Sob o ponto de vista da Lógica do Jogo (em maiúsculo, por se tratar da lógica inexorável do jogo de futebol), cumpre melhor com ela em uma partida, aquela equipe que vence – ou por dominá-la (circunstancialmente ou cronicamente) ou por compreender e utilizar melhor a imprevisibilidade ao seu favor.

De qualquer forma, e em outras palavras, isso quer dizer que o futebol é mais do que um jogo de oportunidades criadas. Ele é um jogo de chances concretizadas (convertidas em gol)!

Claro, analisando as competições que já mencionei, e outras de nível técnico-competitivo menor, fica muito evidente que quanto menos uma equipe finaliza à gol em uma partida, mais eficiente ela precisa ser nas suas finalizações, se ela almeja vencer.

Mais evidente ainda é que quanto maior o nível competitivo, menor é o desperdício no que diz respeito ao número de finalizações criadas e aos gols feitos (e aí, nesse caso, finalizar mais representa fazer mais gols).

E se o aproveitamento de chances construídas em um jogo é o que conta, não quero dizer, evidentemente, que uma equipe vencerá mais se finalizar menos (e nem necessariamente se finalizar mais). Ela vencerá mais se aproveitar melhor as oportunidades de gol criadas – desde que ela aproveite um número maior do que sua adversária!

Então, nos treinamentos, qual parece ser o melhor caminho para que jogadores e equipes cumpram melhor a Lógica do Jogo, e com isso vençam mais? Investir em criar mais oportunidades, e então melhorar seu aproveitamento? Investir em chances?

Analisando desta forma pode até parecer que estou fragmentando a análise das sequências ofensivas e das finalizações em um jogo. Mas, garanto, não estou!

A complexidade sistêmica das minhas indagações moram justamente na ideia de que de certa forma, não está à mercê do acaso o fato de equipes, como por exemplo a do Chelsea no exemplo acima, vencerem jogos mesmo finalizando em média 5,5 vezes por partida.

Não! Não é o acaso; são as circunstâncias…

Mas essa é uma outra e longa discussão que prometo retomar mais para frente…

Por hoje é isso!

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Alguns erros e acertos táticos do Novorizontino sub-20

Dentre as 45 equipes que iniciaram a disputa do Campeonato Paulista sub-20, a equipe do Grêmio Novorizontino terminou entre as 16 melhores. Mesmo com a vitória por 2 a 1 no primeiro jogo das oitavas de final, a eliminação ocorreu após derrota por 1 a 0 em partida contra o Santos FC que, devido à melhor campanha nas fases anteriores, tinha a vantagem do empate.

Como já fiz em outra oportunidade, em que publiquei fotos da equipe principal do Novorizontino após a campanha do acesso à Série A-3, em 2012, repito o tema da coluna, desta vez como treinador e não como adjunto.

A comissão técnica do Novorizontino não possui um profissional específico para a análise de jogo. Sendo assim, todas as fotos no decorrer da competição foram tiradas pelo preparador de goleiros, Carlos Eduardo, que contribuiu significativamente para que o material fornecesse subsídios para intervenções individuais e coletivas visando à melhora do nível de jogo da equipe.

As 13 primeiras fotos referem-se aos problemas apresentados pela equipe, em que alguns deles foram solucionados/minimizados ao longo da competição e as 17 fotos restantes ilustram acertos circunstanciais relativos ao Modelo de Jogo.

Confira o material na íntegra clicando aqui.
 

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Betim Esporte Clube e a Justiça Comum

Apesar de contrariar a Fifa, o futebol brasileiro, para ser mais exato a Série C, está na pauta da Justiça Comum.

Trata-se ação com pedido de antecipação de tutela aviado por Betim Esporte Clube objetivando que a Federação Mineira de Futebol (FMF) e CBF – Confederação Brasileira de Futebol, restituam os 06 (seis) pontos conquistados no Campeonato Brasileiro da Série “C”, e possibilite, por consequência, o seu prosseguimento na competição.

O Betim alega que a punição imposta pela Justiça Desportiva viola a legislação brasileira, e por consequência, a soberania nacional, além de lhe causar graves prejuízos.

Em virtude da decisão Desportiva o Mogi Mirim herdaria a vaga nas quartas-de-final da competição e o Betim poderia até ser rebaixado para a Série D.

Atendendo ao pedido do Betim Esporte Clube, o Juiz da ss Vara Cível da cidade que dá nome ao clube concedeu a medida liminar para determinar que a Confederação Brasileira de Futebol e a Federação Mineira de Futebol restituam os 06 (seis) pontos retirados do Betim Esporte Clube, no Campeonato Brasileiro da Série C, sob pena multa diária de R$ 10.000,00, bem como se abstenham de aplicar outras penas do Código Brasileiro de Justiça Desportiva ao autor e seus dirigentes decorrente do objeto constantes destes autos, suspendendo, ainda, o jogo marcado para segunda-feira, 21/10/2013, que preteriu o clube mineiro, e designem, imediatamente, outra data para realização do jogo entre o Betim Esporte Clube, e o Santa Cruz/PE.

Nesse contexto, importante destacar os efeitos deletérios que decisões da Justiça Comum podem causar ao futebol brasileiro que podem ir desde suspensão de campeonatos, culminando-se com desfiliação da Fifa.

Destarte, ao se filiar à FMF, à CBF e, por consequência à Fifa, o Betim Esporte Clube aceitou uma espécie de cláusula arbitral na qual eventuais demandas desportivas seriam decididas pela Justiça Desportiva.

A busca pela Justiça comum corresponde, em tese, a uma espécie de descumprimento contratual do que o clube avençou para se filiar.

Assim, além de haver incompetência da Justiça Comum por aplicação análoga da Lei de Arbitragem, o clube deve ser punido por descumprimento das normativas que consentiu ao se filiar à FMF, CBF e Fifa.

Urge destacar a imensa insegurança que pode pairar sobre o desporto brasileiro caso os conflitos desportivos sejam levados à Justiça Comum, afastando-se patrocinadores e grandes atletas. Neste sentido, cabe aos operadores do Direito Desportivos auxiliarem a Justiça Comum na adequação de suas decisões aos princípios jusdesportivos.

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Doutor Honoris Causa da Universidad Católica Rogério Ceni

Eu só aposentaria quem teima em apostar contra e a todo momento fica aposentando um mito como Rogério Ceni.

Só ele tem o direito de saber a hora de parar. Não apenas por tudo que é para o São Paulo e para o são-paulino. Mesmo se não fosse tudo que é também para o futebol brasileiro e mundial, ainda assim só cabe a ele decidir se o ano para parar é 2013.

Mesmo se não fosse o que mais ninguém foi no futebol mundial, ainda assim um mínimo de respeito seria necessário ao craque-bandeira tricolor.

Exagerei?

Veja o exagero do jogo de Ceni contra a Universidad Católica.

Ele classificou um time que pediu para ser eliminado, não fossem os gols de Aloísio, os passes de Ganso e, sim, ele, Ceni. O velho Rogério. O ultrapassado goleiro. O… O…. O 01 do São Paulo.

Na primeira defesa difícil, uma cabeçada para o chão ele mandou a escanteio de mão trocada. Não é para qualquer um. Foi para o 01.

Na segunda defesa de cinema de Ceni, a bola já havia passado por ele, e o goleiro tricolor foi tirar quase sobre a linha. Não é para qualquer um. Foi de novo para o 01.

Na terceira defesa espetacular, um chute estranho ele foi buscar como se fosse um animal que não existe. Certamente não para um sujeito de 40 anos. Só possível para o 01 parar aquela bola impegável. Se é que existe o termo. Só existe o Rogério para fazer o que fez.

Na quarta, no segundo tempo, ele foi pego no contrapé numa tijolada. E pegou com as mãos que só ele ainda tem. Não qualquer um. Só para o 01.

Na quinta, uma pancada de canhota, com um monte de gente à frente, ele foi buscar no canto baixo direito. Como milhões torciam e sonhavam. Mas só ele defenderia aquela pancada que ainda bateu no chão. Mas não bateu o 01

Na sexta, canhotaço de sem-pulo, a bola não era tão difícil, mas o quarentão teve reflexo de menino, e de mão trocada de novo salvou os pés são-paulinos. Como só o 01 poderia.

Na sétima, antevisão de craque, ele subiu junto com o rival e espalmou lá no alto. Como só o 01…

Enfim, você sabe.

E ele sabe ainda mais.

Desde 2005, contra o Liverpool, Rogério não defendia tanto.

Desde então, nenhum goleiro deve ter defendido tanto quanto o goleiro que já ganhou mais um título de doutor honoris causa da Universidad Católica.

Atuação tão inacreditável que não lembro de elogiar tanto um goleiro que tenha sofrido três gols – um de pênalti.

Olha que o marketing são-paulino deve ter pedido para Douglas errar tudo que errou (e a arbitragem também…) para Rogério fazer os 2938745 milagres realizados no Chile.

Em homenagem ao aniversário de Pelé, Ceni teve uma partida de Pelé.

Ou simplesmente de Rogério.


*Texto publicado originalmente no blog do Mauro Beting, no portal Lancenet.

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Lesão em final de temporada, como reagir?

A temporada do futebol se aproxima do fim e, devido ao excesso de jogos, muitos atletas chegam ao limite do estado físico e mental, fato este que eventualmente levam alguns a sofrerem lesões que podem tirá-los das partidas finais do calendário.

Imaginem os atletas que se encontram nesta situação: como eles podem reagir e buscar motivação para buscar a recuperação em final de temporada?

Sabemos que uma lesão ocasiona reações psicológicas adversas no atleta e um dos modelos mais aceitos que explicam como um atleta reage é o modelo de grief reaction, proposto por Kubler-Ross. Neste modelo, após a lesão o atleta passa por cinco estágios emocionais:

• Negação
• Raiva
• Barganha ou negociação
• Depressão
• Aceitação e reorganização

A maioria dos atletas passa pelas cinco fases, mas a velocidade e a facilidade para a transição entre elas variam de um atleta para outro, podendo durar dias ou até meses.

Conhecendo o cenário citado acima, como podem os clubes contribuir para promover um adequado processo de reabilitação do atleta lesionado?

Várias técnicas de superação podem ser utilizadas com o objetivo de potencializar e facilitar de alguma forma o processo de reabilitação. Dentre as existentes podemos citar:

• Estabelecimento de metas
• Auto conversação
• Relaxamento
• Visualização

Aqui iremos detalhar a auto conversação como uma das técnicas que podem ser utilizadas com os atletas.

A adoção desta técnica é importante pois ajudar a lidar com o baixo nível de confiança apresentado pelo atleta no período de reabilitação. O atleta aprender como e ser capaz de conseguir bloquear pensamentos negativos, como por exemplo: “Eu nunca vou melhorar”; ele precisa substituir estes pensamentos por outros realísticos e positivos tais como: “Estou me sentindo mal hoje mas estou cumprindo meus planos traçados para a reabilitação. Devo ser paciente e assim vou conseguir me recuperar”.

Pensar de maneira positiva contribui para o bem estar pessoal e a saúde do atleta, e este comportamento indica uma boa orientação para a busca para a melhora clínica. Ievleva & Orlick (1991) mostraram em estudo que os indivíduos cujas auto conversações eram positivas, auto encorajadoras e determinadas recuperavam-se mais rapidamente do que aqueles cujas auto conversações eram negativas e autodepreciativas.

Confira alguns exemplos de auto conversação, adaptado de Ievleva & Orlick (1991). Auto conversação positiva do grupo de reabilitação rápida

• “Como eu posso fazer o máximo?”
• “Eu posso vencer isto!”
• “Eu quero jogar. Eu vou me curar totalmente para isso.”
• “Estou me sentindo muito melhor.”
• “Estou melhorando cada dia mais.”

Auto conversação positiva do grupo de reabilitação rápida

• “É provável que isto vá demorar muito para melhorar.”
• “Eu nunca vou conseguir recuperar o tempo perdido.”
• “Nunca vou estar forte como antes.”
• “Que coisa estúpida para fazer, erro ridículo.”

Caro amigo, com o conhecimento acima acredito que os clubes devem utilizar as técnicas de superação para potencializar a recuperação de seus atletas, seja para a temporada atual ou até para que iniciem a próxima aptos à prática desportiva.

E você, o que acha desse investimento de tempo, vale a pena?!

Até a próxima!

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Plateia

O futebol brasileiro já começou a viver uma nova realidade. Deflagrado pela Copa do Mundo de 2014 e pelo bom momento que a economia do país viveu, o processo de rejuvenescimento de arenas esportivas impingiu ao público um patamar diferente de ambiente. Dentro dessas "cascas", contudo, o cenário local ainda está longe de evoluir. E isso inclui o comportamento de quem as frequenta.

Foi essa situação que o atacante Walter, do Goiás, escancarou no último domingo. O time esmeraldino bateu o Atlético-PR por 3 a 0, chegou ao quarto triunfo seguido no Campeonato Brasileiro e ficou a quatro pontos da zona de classificação para a próxima edição da Copa Libertadores. Ainda assim, o comportamento dos torcedores foi reprovado pelo jogador que já anotou 12 gols no certame nacional.

"Isso é uma palhaçada. Não é torcedor. Nosso times está brigando pela Libertadores. Podemos pensar nisso, já que a parte debaixo da tabela ficou para trás. Mas com essa torcida nós não vamos chegar", opinou Walter no domingo, em entrevista coletiva.

O Goiás jogou contra o Atlético-PR no Serra Dourada – um estádio da “velha guarda”, diga-se. A partida teve apenas 13.713 pagantes, e o árbitro Péricles Bassols chegou a interromper o duelo durante o segundo tempo por causa de um tumulto entre torcedores nas arquibancadas.

“Hoje era jogo para 30 mil pessoas. Não chegamos [a esse número], e quem veio ainda fez isso”, disse Walter.

O Goiás tem média de 12.796 pagantes por jogo como mandante no Campeonato Brasileiro de 2013 – número inferior à média da competição, que é de 14.250 pessoas por jogo. O time esmeraldino é o décimo na lista dos que mais levam gente aos estádios.

O primeiro ponto nessa discussão é a quantidade. E quantidade, no caso de um evento, tem relação direta com promoção. Os números do campeonato e do Goiás estão muito aquém do potencial de ocupação das arenas, e um dos fatores que justificam isso é a falta de uma promoção adequada.

Outro aspecto a ser considerado é o que foi discutido aqui na semana passada, quando falamos sobre o primeiro jogo da NBA no Brasil: a experiência de um torcedor não começa e não acaba dentro do estádio. O sucesso depende do que as pessoas vivem desde quando descobrem que o evento vai acontecer, passando pela compra e pela vivência no interior da arena. O último estágio encerra-se apenas quando o adepto volta para casa.

E se a NBA teve problemas nas fases antes e depois do evento, ao menos entregou ao público algo absolutamente bem feito entre essas etapas. Foi algo bem produzido, com várias atrações e uma execução muito competente. Havia vendedores bem treinados, lojas com produtos especiais, ações dentro e fora da quadra. Tente comparar isso, agora, com o que acontece em qualquer partida de futebol.

O futebol brasileiro está diante de 14 novas arenas (as 12 da Copa do Mundo, além das novas casas de Grêmio e Palmeiras). No entanto, a gestão desses aparatos ainda é exatamente a mesma que existia em estádios antigos. Só a casca mudou.

Essa lógica vale para serviços, ações de marketing e para o uso comercial das arenas. Hoje, estádios servem para sediar jogos e shows. E as outras incontáveis formas de se ganhar dinheiro com um aparato como esses?

No Brasil, estádios novos e estádios velhos têm gestão envelhecida. Em diferentes instâncias, o comportamento arredio dos torcedores é reflexo disso.

A falta de uma promoção adequada afasta muitos perfis dos estádios e concentra os fanáticos. Esse é um ponto. Entre os que vão às arenas, também é notória a falta de zelo com algo que não entrega um bom serviço. Mas falta, independentemente do cuidado, algum tipo de didática destinada ao público.

Comportamento reflete o repertório das pessoas, é claro, mas comportamento de grupo pode – e deve – ser minimamente doutrinado. Não é por acaso que aeromoças fazem todo aquele mis-en-scène antes de qualquer voo.

Cinemas também têm, antes de qualquer filme, uma série de recados sobre o comportamento adequado para aquele ambiente. Isso não evita que pessoas conversem durante os filmes ou incomodem com a luz de tablets e smartphones da vida, mas o combo aviso + controle ajuda a reduzir bastante a incidência desse tipo de prática.

A gestão eficiente de uma arena está intrinsecamente ligada à capacidade de doutrinar o público. Ensinar que as pessoas devem adotar algumas práticas e abolir outras é muito importante para alavancar o potencial de negócios de um espaço.

No futebol, iniciativas voltadas a ensinar o público muitas vezes são mal interpretadas ou mal vistas. O argumento mais usado é que torcedores são diferentes da plateia de qualquer espetáculo.

Torcedores são diferentes, sim. Eles têm com o evento e os times uma relação mais passional do que consumidores regulares, e isso influencia no julgamento e nas decisões. Entretanto, é inadmissível um gestor esperar que isso e uma casa bonita sejam suficientes para que as pessoas mudem comportamentos que são mais do que tradicionais.

Walter tem total razão ao condenar o comportamento da torcida do Goiás no jogo do último domingo. Ele só não pode achar que a culpa é apenas do público e que a solução será natural.

As declarações dadas pelo maior destaque individual do atual elenco do Goiás podem ajudar a criar uma conscientização entre os torcedores. Isso seria melhor e mais eficaz, porém, se pelo menos para isso tivesse havido algum planejamento.

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A quebra na rotina da elite do futebol brasileiro

Pouco mais do que 90 minutos são suficientes para instigar bruscas transformações nos distintos procedimentos de um clube de futebol.

Após o término de um jogo, se o resultado positivo se concretiza, qualquer alteração (seja de ordem técnica ou administrativa) é vista com restrição sob a máxima “time que está ganhando não se mexe”.

Porém, se após o apito final o placar é desfavorável, rapidamente está instalada a “crise”, que pode surgir de diferentes esferas que compõem a modalidade: imprensa, dirigentes, comissão técnica e torcida.

O fato é que, movidos pela suposta crise, as soluções encontradas quase nunca convergem com as reais necessidades dos jogadores/equipe. Sendo assim, o Jogar apresentado, ou seja, o produto final, que pede uma análise fria, precisa e criteriosa é constantemente distorcido por uma visão em que o termômetro é a emoção.

E é neste cenário que o futebol brasileiro vai encerrar a temporada de 2013. Das 20 equipes que disputam o Brasileiro Série A, 14 já trocaram de treinador totalizando 21 demissões. O resultado é fácil de ser observado: equipes desorganizadas, baixa qualidade de jogo e evidente distanciamento do futebol coletivo evoluído. Como afirmou um companheiro de profissão: a luta que iremos observar nas rodadas restantes é a dos "jogos-feios" contra o rebaixamento. O campeão já está virtualmente decidido.

Também neste cenário, uma equipe tenta sobreviver à crise. O atual campeão mundial de clubes, Corinthians, mesmo com a sequencia de resultados negativos, ameaça de rebaixamento e pressões externas e internas extremas, mantém o treinador Tite (há três anos no cargo) e dá um bom exemplo ao futebol brasileiro.

O treinador não tem conseguido reajustar o sistema após a saída de uma peça fundamental, não possui qualidade semelhante na reposição e o calendário atual não permite o tempo adequado de treinamento e, consequentemente, de novas aquisições complexas ao jogar.

Somam-se estes elementos ao ambiente atual e a permanência de Tite deve ser considerada uma vitória, da classe, da gestão, do planejamento, da coerência e do longo prazo. Expressões esquecidas/inutilizadas em nosso futebol.

Após mais um mau resultado e mais uma reunião, a diretoria afirmou que segue com o treinador até ao final da temporada. Tite, por sua vez, disse que nas condições atuais não abandona o cargo. Com esta decisão, não existe a certeza de reversão do quadro atual. Existe, porém, a sensatez de que a mudança de treinador tampouco é garantia de vitória.

Pode ser que a torcida, a imprensa e até parte da diretoria, habituados à "dança das cadeiras" nas comissões técnicas do futebol brasileiro não compreendam a decisão da permanência de Tite.

Os que não compreenderem, provavelmente são os mesmos que ainda não perceberam que o futebol brasileiro está estacionado e que precisa, com mais frequência, de quebras de rotina.

E você: costuma quebrar paradigmas?

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De novo, a violência

Novamente atos de violência dos torcedores permeiam os noticiários esportivos. As cenas de violências protagonizadas nos clássicos de Minas Gerais (Atlético e Cruzeiro) e São Paulo (São Paulo e Corinthians).

Em Minas Gerais, no estádio independência, a torcida do Cruzeiro arremessou objetos e até um fogo de artifício contra a torcida do rival. Já no Morumbi, a torcida tricolor chegou às vias de fato com a polícia.

Como sempre tem acontecido, após incidentes de violência nos estádios de futebol o Poder Público promete medidas enérgicas e o Ministério Público ameaça a existência das torcidas organizadas.

A sensação é de que o Poder Público busque dar uma resposta rápida à sociedade sem preocupar-se com sua efetividade. Impedir bebidas alcoólicas ou extinguir as torcidas organizadas não fará cessar a violência nos estádios de futebol.

O Estatuto do Torcedor estabelece medidas prevendo proibição de se frequentar arenas esportivas e até mesmo prisão, mas ainda reina a impunidade.

Ademais, as forças policiais não são treinadas adequadamente para lidar em grandes eventos esportivos e acabam não tendo aptidão para lidar com o tumulto e com a violência.

Além disso, apesar das arenas modernas e da melhora na infraestrutura, o tratamento ao torcedor brasileiro ainda está muito aquém do ideal.

A Justiça Desportiva que havia aplicado pena rigorosa ao Vasco e ao Corinthians, após violência no estádio Mané Garrincha, acabou abrandando punições ao Cruzeiro (fogos na partida contra o Botafogo) e ao ABC (violência e tumulto no Frasqueirão em partida contra o Palmeiras).

A soma da impunidade (de torcedores e clubes), da falta de preparo dos policiais e da precariedade da infraestrutura dos estádios (e do tratamento aos torcedores) forma um perigoso coquetel que traz como resultado a violência.

O fato é que as autoridades brasileiras não precisam "inventar a roda", basta adequarem medidas de sucesso utilizadas na Inglaterra, Espanha, Itália e Estados Unidos para dizimar a violência do futebol brasileiro.

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Hora de fazer as contas e (re)estabelecer as metas

Com o Campeonato Brasileiro de futebol chegando ao seu final, é comum os clubes efetuarem diversas contas para realinhar ou definir algumas metas para esta reta final do ano.

E todos os clubes, sem exceção, passam por este momento de reavaliação, seja para evitar o descenso ou para conquistar uma vaga em competição internacional para o ano seguinte.

Mas, será que sabemos elaborar metas que realmente sejam estimulantes para aqueles que deverão persegui-las com toda dedicação e foco?

As metas possuem a capacidade de manter as mentes positivas, liberando ideias e energia para a consecução delas. Sem o estabelecimento de metas, somos simplesmente levados pelas correntes da vida e, em contrapartida, quando temos metas em vista, somo capazes de voar como flechas em direção ao alvo desejado.

Então, se as metas possuem realmente este poder, se faz mais do que necessário que no momento atual os clubes usem e abusem delas, certo? Mas, como elaborar metas poderosas?

O primeiro de tudo é realizar uma reflexão em grupo para que se responda a seguinte pergunta: O QUE REALMENTE QUEREMOS OBTER AO FINAL DA COMPETIÇÃO, TENDO EM VISTA A POSIÇÃO NA QUAL ESTAMOS ATUALMENTE? É necessário definir-se realmente o que grupo quer, ou seja a META GLOBAL DO GRUPO!

Em sequência é necessário definir as três metas intermediárias mais importantes para que se atinja a meta global. Deve-se responder: QUAL SÃO AS TRÊS METAS (alavancas para conquista da meta global) MAIS IMPORTANTES PARA O GRUPO NESTE EXATO MOMENTO?

Aqui cabe lembrar mais uma vez que existe um modelo muito utilizado e eficaz para o estabelecimento de metas poderosas: o SMART!

S – Specific (Específica), definida com clareza. Devemos nos perguntar: O quê? Quem? Onde? Quando? Como?

M – Mensurável, deve ser possível avaliar o progresso da meta e devemos perguntar algo como: Que valor? Qual quantidade? Como saber que está concluída?

A – Atingível, a meta deve ser elaborada de forma a ser possível atingi-la. Assim que estiver elaborada devemos ser capazes de definir em conjunto qual ações deverão ser realizadas para atingir a meta.

R – Realista, a meta deve ser desafiadora mas também realista. O desafios motivam e a realidade faz com que o grupo tenha confiança na capacidade de alcança-la e se inspira a decidir concretiza-la.

T – Timing, a definição do prazo para a concretização do objetivo pode auxiliar como planejamento para o grupo, na busca pela realização das ações que permitirão atingir a meta.

Ainda, como dica para aumentar o foco e a capacidade de realização do grupo é necessário identificar as maiores preocupações do grupo. Deve-se responder: QUAIS SÃO AS TRÊS MAIORES PREOCUPAÇÕES DO GRUPO NO MOMENTO? Ou seja, o que está doendo para o grupo?! Após a identificação das dores ou preocupações, deve-se explorar as maneiras de endereçar estas questões, respondendo:

1. Quais seriam as soluções ideais para cada um desses problemas?

2. Como poderíamos eliminar imediatamente esses problemas ou preocupações?

3. Qual é a maneira mais rápida e direta de resolver cada problema?

Mas, devemos ter em mente que reflexão sem ação é apenas distração e, sendo assim, deve-se elaborar um plano de ação para o grupo com:

• As ações que busquem a conquista das metas de alavanca e consequentemente a meta global;

• As ações que irão atacar os problemas ou preocupações do grupo.

Em posse deste plano resta ao grupo colocar as mãos à obra e executar com dedicação e foco as ações que foram definidas pelo próprio grupo, e que por este motivo tende a ser muito mais valorizada e perseguida pelos integrantes do mesmo.

Então, apesar de estarmos na reta final da competição penso ser valioso que os clubes façam suas contas e tracem suas metas! E você, o que acha?

Até a próxima!