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West Ham não é mais o mesmo depois da chegada dos argentinos

Quando Tevez e Mascherano ainda se encontravam no Corinthians, era muito comum ver e ouvir relatos sobre confusões nos vestiários e rachas no elenco. As últimas colocações do time no Campeonato Brasileiro não eram surpresa pra ninguém. Porém, por causa daquelas forças capitais que não precisam ser enumeradas, os dois foram transferidos e, ao que tudo indica, o Corinthians começou a ter mais paz, respirar melhores ares e conseguiu momentaneamente escapar da área da degola para a segunda divisão.
 
Ambos, como se bem sabe, rumaram para a Inglaterra, também em busca de melhores ares e, possivelmente, maiores cifrões. Curiosamente, tanto para mim quanto para você e, principalmente, para os ingleses, os dois foram anunciados como reforços do West Ham, clube londrino também conhecido como “Martelos”, que tem muita tradição em revelar jogadores de suas categorias de base. Tanta tradição que se proclama “A Academia do Futebol”. Não pra menos, afinal do clube já saíram diversos figurões do futebol inglês. Basta ver que na seleção inglesa da Copa de 2006, três dos principais jogadores haviam sido revelados por eles: Frank Lampard, Joe Cole e Rio Ferdinand. Além desses, destacam-se atualmente na Premier League, Michael Carrick, do Manchester United, e Jermaine Defoe, do Tottenham.
 
É natural que um time que revele tantos jogadores também possua uma política muito clara para privilegiar os jogadores formados em casa. E é exatamente aí que começam os problemas entre Tevez, Mascherano e West Ham. Do mesmo jeito que começaram os problemas no Corinthians.
 
Já está sendo noticiado que o vestiário do West Ham não é mais o mesmo depois da chegada dos argentinos. Primeiro porque o West Ham é um time de base, ou seja, não está lá muito acostumado a jogadores estrangeiros. Dos 27 jogadores do atual elenco, nada menos do que 22 são britânicos. E a Grã-Bretanha e a Argentina não são exatamente dois países amigos, tanto que entraram em guerra na década de 80 por causa de uma ilha.
 
Mas tudo bem, rivalidade regional por rivalidade regional, possivelmente o ambiente brasileiro seja pior e os dois argentinos se deram relativamente bem por essas bandas. Mas esse não é o pior problema, nem de longe. Pra variar, o problema está justamente no lugar que foi a solução do West Ham ao longo de sua história: as categorias de base.
 
Com a súbita chegada das duas estrelas, os jogadores formados na casa se sentiram desprestigiados. Nada de inesperado. Afinal, foram eles que na temporada passada ralaram pra conseguir uma vaga pra Copa da Uefa e chegar à final da Copa da Inglaterra, que escapou entre os dedos nos pênaltis para o Liverpool.
 
Alan Pardew, técnico da equipe londrina, diz que o problema todo está na adaptação para o futebol inglês e assim que os seus jogadores latinos se adequarem ao sistema, começarão a produzir o futebol de qualidade que se espera deles. É bom que ele esteja certo e que essa adaptação seja rápida, porque os resultados indicam que o problema talvez seja maior do que o imaginado.
 
O início dos Martelos na temporada não é dos melhores. Em seis jogos somou apenas cinco pontos, uma vitória, dois empates e três derrotas. Antes da chegada de Tevez e Mascherano, o clube havia ganhado uma, empatado outra e perdido uma. Depois dos dois, apenas um empate na primeira partida, que Tevez entrou como substituto e Mascherano não jogou, e duas derrotas. Mascherano, até agora, só perdeu. E, enquanto Tevez esteve em campo, o West Ham ainda não marcou um gol sequer.
 
Aliás, o clube não tem marcado muitos gols até agora. Em seis partidas, o West Ham marcou apenas seis gols. Bobby Zamora, companheiro de Tevez no ataque, foi responsável por cinco deles. Curiosamente, ou não, Zamora é cria da “Academia do Futebol”.
 
É difícil dizer exatamente onde a parceria entre o West Ham e a MSI pode levar o clube e os jogadores, mas é fato que algumas tradições no futebol mundial estão sendo rompidas, e isso não significa necessariamente uma coisa boa. É uma clara demonstração do poder do capital dos grupos de investimento, que se antes tinha tamanha explicitação reservada a mercados periféricos como o nosso, agora começa a dar as caras até no campeonato nacional de clubes mais poderoso do mundo.
 
E já que as tradições daqui estão sendo levadas para lá, é bom o Alan Pardew começar a ficar preocupado e dar um jeito do time mostrar serviço logo. Em mais de cem anos de história, o West Ham só teve dez técnicos diferentes. Em menos de dois anos de parceria com a MSI, o Corinthians já teve seis.

Para interagir com o autor: oliver@universidadedofutebol.com.br

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Base é primeiro desafio de Parreira na África

Carlos Alberto Parreira já detectou seu primeiro desafio como treinador da África do Sul. O técnico do país anfitrião da próxima Copa do Mundo pressionou a federação local para que as categorias de base da seleção sul-africana sejam desenvolvidas.
 
“Será preciso começar do primeiro passo, que é criar uma boa base dentro do país. A África não tem divisão de base. Então precisamos criar times sub-20 e sub-17. Categorias mais jovens não precisam, já que para a Copa não dá tempo de formar um jogador”, disse Parreira.
 
Segundo o treinador, a federação local se prontificou a estruturar em conjunto com ele uma liga local para os jogadores mais jovens.
 
“Será a reserve league, que é a liga dos jogadores reservas. É até uma exigência deles para dar motivação, criar uma competição. E isso vai ajudar o time na Copa”.
 
Além de criar uma liga para categorias de base, Parreira quer dar mais bagagem internacional a seus jogadores. Para isso, o treinador quer que a África jogue o maior número de partidas amistosas possíveis contra seleções fortes.
 
“Não tem que se preocupar com o resultado, mas sim jogar contra times como Brasil, França, Itália, Alemanha”, afirmou.
 
Outro desafio que Parreira acredita ter na África é em relação ao time principal. Para ele, haverá problemas semelhantes aos enfrentados na seleção brasileira no que diz respeito aos jogadores convocados.
 
“Assim como no Brasil, a maior parte dos jogadores atua no exterior. São 70 jogadores atuando fora. E a África fica muito ao sul do continente, o que faz com que qualquer viagem para lá dure 11 horas”.

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